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terça-feira, 21 de julho de 2015

Para entender o atual jogo político


Luis Nassif, GGN

Poucas vezes a política mostrou-se tão adequada à definição do sábio Magalhães Pinto, que a comparava às nuvens do céu: agora estão de um jeito, daqui a pouco de outro.

Há dois tempos em jogo: o atual e o das eleições de 2018. Para 2018 habilitam-se os que têm votos; para 2015, os que têm poder. É a partir dessa dicotomia que se torna mais fácil entender os últimos lances políticos.

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O potencial de votos distribui-se por três políticos: pela situação, o ex-presidente Lula; pela oposição, o senador Aécio Neves e o governador de São Paulo Geraldo Alckmin.

Já o poder político funda-se na aliança mídia-Lava Jato, ambos sendo exaustivamente usados pelos dois lados.

Os vazamentos providenciados por procuradores e delegados reforçam politicamente a atuação do grupo, especialmente quando acontecerem os embates com as instâncias superiores. E a capacidade de pautar o MPF e a PF sustenta o poder de coerção da mídia.

Ao melhor estilo República Velha, centra-se fogo nas relações Lula-grandes grupos, para vê-los de joelhos vindo buscar proteção junto aos grupos de mídia. Qualquer notícia serve aos propósitos, desde a criminalização das tentativas de emplacar obras de empreiteiras brasileiras no exterior, financiamentos à exportação de serviços, até jantares sociais.

De certa forma, repete-se o modelo italiano da operação “mãos limpas” que, a pretexto de limpar a política, limpou a área para a ascensão de Berlusconi, imperador da mídia.

Esse grupo serve principalmente aos propósitos de José Serra, o candidato preferencial da mídia, especialmente depois que foi exposta a fragilidade política de Aécio Neves.
 
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Os desdobramentos da crise afetam de maneira distinta os interesses dos quatro candidatos:

  1. A Lula interessa a recuperação de Dilma.
  2. A Alckmin, uma Dilma desgastada até 2018.
  3. A Aécio, a eventualidade de uma queda de Dilma com a convocação imediata de novas eleições. A sua fragilidade não permitirá que sobreviva até 2018.
  4. A Serra, a instauração do parlamentarismo.

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Não se pense na conspiração clássica, com os conspiradores se reunindo à socapa na calada da noite. O pacto tácito se dá em torno de alguns eixos de atuação, presentes na parceria mídia-Lava Jato:
  1. Fogo total no esquema Lula, preservando Dilma Rousseff. A ideia central é a de que esticar o governo Dilma desmoralizado até 2018 é mais garantido do que um eventual impeachment agora, permitindo a volta de Lula em 2018. Aliás, é impressionante a disciplina de comentaristas políticos da mídia que conseguem pensar todos da mesma forma e mudar de opinião da mesma forma e no mesmo dia.

  2. Intocáveis são apenas a mídia e os principais caciques do PSDB. Aliados pontuais – como Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) – são jogados ao leão, inclusive para reforçar o caráter democrático da Lava Jato.
Não se trata de um roteiro rígido, porque as nuvens da política ainda não se consolidaram. Trata-se de apenas um ensaio inicial de consolidação de alianças visando 2018.

Apenas uma questão poderá reverter essas estratégias: a hipótese (por ora distante) de recuperação de Dilma."

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Bancada de Cunha é o retrato da falência dos partidos


Eduardo Cunha
Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"Para que servem, afinal, os partidos políticos, que nos custam tão caro (verbas do fundo partidário, tempo de televisão, etc.) e não param de se multiplicar?

Se alguém ainda tinha alguma dúvida da inutilidade dos partidos políticos brasileiros, e de que jogamos dinheiro fora para sustenta-los, um evento solene marcado para as 18 horas desta quinta-feira, no Congresso Nacional, em Brasília, é emblemático da falência desta miríade de siglas, que hoje não querem dizer absolutamente nada.

Trata-se do lançamento oficial da candidatura do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual líder do partido, à presidência da Câmara Federal. Embora o PMDB seja o principal aliado do PT e tenha o vice-presidente da República, Michel Temer, reeleito na chapa de Dilma Rousseff, Cunha notabilizou-se na atual legislatura como o mais combativo e agressivo adversário do governo federal.

Contra a vontade de Dilma e de Temer, este controvertido deputado carioca, que está indo para seu quarto mandato e começou na vida pública como integrante da tropa de choque de Fernando Collor, levado pelas mãos de PC Farias, nos anos 1990, lançou sua campanha já faz tempo, quebrando um acordo de revezamento na presidência celebrado pelos dois partidos em 2010.
Agora, era a vez do PT, que tem a maior bancada, indicar o candidato, mas Cunha não liga muito para estas coisas de acordos e programas partidários.
Afinal, ele tem a sua própria bancada, suprapartidária e independente. Dinheiro nunca foi problema para ele, desde que Collor o nomeou para a presidência da Telerj, a antiga empresa de telecomunicações do Rio de Janeiro.

Eduardo Cunha não esconde os métodos empregados para montar sua bancada particular, que reúne mais de 50 parlamentares fiéis, de diferentes partidos, um número que não para de crescer nestes dias de campanha pela presidência. "Este ano não tive dificuldade para captar. Até sobrou dinheiro na minha campanha", disse candidamente aos repórteres David Friedlander e Catia Seabra, da Folha de S. Paulo, após a campanha eleitoral de 2014. "Na maioria das vezes, são as empresas que me procuram. Até porque, tenho a mesma visão delas".

E não são empresas pequenas: Bradesco, BTG Pactual, Safra, Santander, Vale, Ambev e Coca-Cola estão na lista dos doadores que deram ao peemedebista um total declarado de R$ 6,8 milhões. Se sobrou dinheiro, como ele afirma, não é difícil imaginar como Cunha fez para ajudar nas campanhas de sua base suprapartidária, além de dar conselhos, é claro.

Enquanto isso, o ministro Gilmar Mendes continua dando vistas e não devolve o processo já aprovado pelo Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 1, que acaba com o financiamento privado de campanhas.

Sem estas doações desinteressadas, como Eduardo Cunha poderia montar sua bancada particular e surgir como franco favorito para assumir a presidência da Câmara nos próximos dois anos, desafiando os caciques do seu próprio partido? O deputado Gastão Vieira, do Maranhão, que já foi seu rival e recebeu a módica ajuda de R$ 300 mil para fazer campanha, só tem elogios a fazer à generosidade de Cunha: "Ele ajudou todo mundo", admitiu aos repórteres da Folha. Um dos doadores, executivo de grande empresa, revelou que Cunha lhe pediu ajuda para um grupo de 20 a 30 candidatos a deputado, em sua maioria do Nordeste, de Minas Gerais e do Rio.

Claro que esta turma toda de eleitores cativos de Cunha não pode nem ouvir falar em reforma política. Se está bom demais assim, para que mudar as regras do jogo?

Vamos que vamos."

domingo, 19 de outubro de 2014

O Reich tropical: a onda fascista no Brasil


"O germe do ódio está às soltas no Brasil pronto para linchar física e moralmente todo aquele que não for branco, heterossexual, rico e cheio de bens de consumo 

Rosana Pinheiro-MachadoCartaCapital 


A história do início do século 21 parece repetir a do século 20. De um lado, insurgências populares eclodem aqui e acolá. De outro, há o claro crescimento da extrema direita conservadora. Mas há uma diferença significativa, e profundamente preocupante, entre o passado e o presente. Desencantada de sua história e imersa em pequenos conflitos que causam grandes desgastes, a esquerda hoje está muito mais fraca do que há cem anos*.


O desequilíbrio entre uma esquerda enfraquecida e uma direita que detém o monopólio do capital financeiro e informacional, sem sombra de dúvidas, pesa para um único lado.


Se Celso Russomanno (PRB) e o Pastor Feliciano (PSC) não tivessem sido os deputados mais bem votados em São Paulo, e se o Rio de Janeiro não tivesse escolhido Jair Bolsonaro (PP) em primeiro lugar, eu poderia jurar que o deputado mais votado no Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze (PP), que declarou que “quilombolas, índios, gays e lésbicas: tudo o que não presta” era um caso isolado de uma possível patologia gaúcha. Mas infelizmente não é.


Desde junho de 2013, muito tem se falado em guinada à direita ou da onda conservadora. O que poucos mencionam, no entanto, com a devida clareza necessária, é que tem emergido uma multidão raivosa e fascista. Essa hipótese se baseia nos fatos que elenco abaixo, os quais se indicam uma tendencia de violência física e moral a diferença e a diversidade.

Há uma sequência de eventos que não podem ser analisados separadamente. Primeiramente, logo após as Jornadas de Junho, veio o ódio e o racismo destilado aos integrantes do rolezinho – ódio este que senti na pele por ter sido agredida de todas as maneiras possíveis quando escrevi o Etnografia do Rolezinho. Não me surpreendeu, portanto, que 82% da população de São Paulo achassem que a força policial deveria agir para impedir o movimento dos jovens – segundo revelou uma pesquisa da época. Depois fomos brindados com o episódio da apresentadora do SBT Rachel Sheherazade, que defendeu publicamente o linchamento do adolescente negro e menor de idade que cometeu um assalto. Nessa linha, o aumento de casos de gays espancados no Brasil acontece paralelamente a torcidas de futebol que gritam “macaco, macaco”, e que trazem à tona uma população que se solidariza mais com uma criminosa branca do que com o agredido negro.
 
Dando apoio ideológico a esse circo de horrores, angariando milhões de leitores com o sensacionalismo vulgar disfarçado de conteúdo, colunistas das piores – mas igualmente poderosas – revistas do Brasil aplaudem muitos desses eventos e estimulam a disseminação da mentira, ao inferir que, se nada for feito, a ditadura comunista irá imperar sob o reinado de pobres e gays. Controlando os aparatos hegemônicos da mídia e disseminando mentiras, os grupos dominantes elegeram a mais conservadora bancada de sua história – ato que não poderia ter sido plenamente realizado sem a eclosão incontrolável de ofensas criminosas aos nordestinos. Finalmente, mas não menos importante, o recente caso da suspeita de ebola desvelou crimes de racismo, xenofobia e intolerância humana de uma vez só.


O fascismo brasileiro é mais complexo do que o italiano ou o nazismo alemão. Ele é mais difícil de identificar, possui um ódio mais pulverizado direcionado uma massa ampla e difusa. É animado por uma mídia suja, uma polícia violenta, um movimento religioso fanático e uma elite sui generis que, na teoria, defende o liberalismo, mas na prática age para defender privilégios.
Ao passo que os italianos e alemães viam seu povo como superior, o fascismo idiossincrático à brasileira não idolatra a si próprio, mas sim aqueles países que lhes barra na imigração.


A semente do fascismo tropical está presente em todas as classes, em todas as regiões. Há quem diga que ele piorou após Junho de 2013. Há quem acredite que sempre foi assim e que ele apenas mostrou sua cara como tendência da polarização. Há quem diga que se trata apenas de um resultado das leves mudanças das estruturas da profunda desigualdade brasileira ou mesmo do limbo entre Junho de 2013 e as eleições de 2014. Em qualquer uma das hipóteses, o germe do ódio está às soltas no Brasil pronto para linchar física e moralmente todo aquele que não se enquadra establishment masculino, branco, heterossexual, rico, bem-sucedido e cheio de bens de consumo.


A ameaça comunista é uma mentira. A ameaça fascista é uma realidade.
Eu gostaria de encerrar minha coluna olhando para frente, elencando algumas atitudes que me parecem urgentes para a esquerda, ou para todos aqueles que entendem que a universalidade da humanidade está em sua capacidade de produzir a diferença.

Primeiro, me parece fundamental não eleger Aécio Neves (PSDB), que se alia às piores figuras dessa nova bancada. Isso não significa que as alianças de Dilma Rousseff (PT) sejam menos sórdidas. A diferença é que o PT ainda tem uma base forte calcada nos movimentos sociais. Para os petistas à esquerda, o dever de casa é, depois do susto, lutar para reconstruir suas antigas bandeiras. Para a esquerda não petista, partidária ou anarquista, é preciso ampliar sua base popular. Em ambos os casos, como eu disse há poucos dias nas minhas redes sociais, ficar xingando a tudo e a todos de coxinha me parece uma estratégia burra para quem é minoria neste País.
 
Contra a onda fascista, a esquerda precisa se fortalecer, se entender, reconhecer suas fragilidades, ocupar os meios de comunicação de massa, ampliar a base de diálogo, ouvir a população e falar para ela, reconstruir seus heróis e lembrar que nenhum aparato dominante é mais forte do que o genuíno sonho por justiça social.


*Agradeço a Bolívar Marcon Pinheiro Machado por este insight e a todos/as que comentaram este tema recentemente em minhas redes sociais.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Porque tudo isso é política


"A mídia nativa, por exemplo, não pode deixar de ser porta-voz da casa-grande

Mino CartaCartaCapital

Silvio Berlusconi dispensa apresentações e a respeito da lamentável figura direi apenas que começa para ele a prestação de serviço a doentes de Alzheimer. Trata-se de cumprir a pena cominada com sentença definitiva no processo por fraude fiscal. Outras condenações virão inexoravelmente, e bem mais pesadas, inclusive por compra de votos para derrubar o governo de Romano Prodi em 2008.

Pensei em Fernando Henrique Cardoso, comprador de votos durante seu primeiro mandato presidencial para conseguir a alteração constitucional destinada a permitir sua reeleição. Foi operação conduzida praticamente às claras, a contar inclusive com o testemunho de parlamentares envolvidos. A Justiça brasileira encarou os fatos com aquela olímpica impassibilidade recomendada quando lhe cabe zelar pelos interesses da casa-grande.

E que dizer do clangoroso silêncio que cercou a maior roubalheira-bandalheira da história do País, a fantasmagórica operação das privatizações da comunicação, embora não faltassem provas abundantes da tramoia tecida entre o Ministério das Comunicações, o BNDES e o banco Opportunity. Lá pelas tantas, surgiu a chance do recurso ao príncipe do jogo, FHC, alcunhado “bomba atômica”, conforme os grampos que tive o desprazer de ouvir à época.

 O interesse, no caso, era aquele de um grupelho de graúdos moradores da casa-grande, e para eles o desfecho do enredo não poderia ter sido melhor.
A Justiça brasileira não é vendada porque não se importa com quem está à sua frente e sim com o crime cometido. Ela desvenda-se a toda hora e faz triagem prévia dos crimes, a fim de excluir quantos põem em risco o privilégio.

 Está além do óbvio que esse gênero de atuação obedece a critérios e injunções políticas. Presta-se à disputa do poder a favor da minoria. Quando o ex-presidente Lula diz que o chamado “mensalão” foi um processo sobretudo político, constata apenas e tão somente a verdade factual.

É do conhecimento até do mundo mineral que mensalão, com o sentido de propina periódica, não houve. Nem mesmo formação de quadrilha o Supremo logrou provar. Houve uso de caixa 2, executado talvez com inédita desfaçatez.

 Mas o recurso é conforme a tradição da política à brasileira. E por que este delito não foi punido inúmeras vezes antes que respeitasse ao PT? E por que o mensalão tucano, bastante anterior ao petista, somente agora vem à baila, de sorte a encaminhar-se alegremente para uma tertúlia final na pizzaria?

A Justiça brasileira age politicamente desde o momento em que poupa o rico da cadeia. Já escrevi neste espaço, e me agrada repetir: este é o país onde José Genoino está preso e Daniel Dantas solto. Em Nova York e em Londres o banqueiro do Opportunity foi condenado, no Brasil não. Quem haverá de ligar para isso? Não será certamente uma minoria que imagina viver em Dubai, e seus aspirantes, ainda e sempre esperançosos de compartilhar visão tão peculiar.

Volto à fala de Lula, a suscitar o repúdio irado de Joaquim Barbosa, que o próprio ex-presidente elevou à glória do STF. De Barbosa não se espera que retribua com eterna gratidão, não foi esta, porém, a única oportunidade em que ele desrespeitou a lógica e o ordenamento democrático. Nem se fale do empenho midiático na tentativa de precipitar a derrota petista em outubro próximo. Que cada qual defina sua preferência por este ou aquele candidato, por este ou aquele partido, é digno, justo e salutar. No entanto, o que acontece por aqui no desempenho do jornalismo nativo é algo único na face da Terra.

A mídia, salvo raríssimas exceções, mira no mesmo alvo, é o que clamam as manchetes sobre a fala de Lula a respeito do “mensalão” e sobre o “repúdio” de Joaquim Barbosa, ou desfraldadas em nome de uma pretensa campanha à sombra do “volta Lula”. Não se exclua que vários políticos e empresários prefiram o ex-presidente em lugar de Dilma, mas uma campanha em marcha ao rufar dos tambores é a da própria mídia. A qual, ao apostar no besteirol reinante, preocupa-se até com o tamanho da cela ocupada por José Dirceu na Papuda, e a propósito veicula uma informação inexata. Exata é a seguinte: uma delegação de cinco parlamentares visitou a prisão, dois acharam a cela maior do que a reservada aos demais condenados do “mensalão”, três a viram igualzinha. E se fosse maior?"

sábado, 19 de janeiro de 2013

Gilmar e mensalão tucano: "Não sei em que pé está"




Em entrevista, ministro do STF sugere que a Câmara dos Deputados casse José Genoino e os demais deputados condenados na Ação Penal 470. "Vamos imaginar a situação de um parlamentar que tem que negociar com o carcereiro para comparecer a uma das casas do Congresso. Isso fala por si só". Em relação ao processo relacionado ao PSDB, ele diz desconhecer a fase em que se encontra, mas defende prioridade


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, defende prioridade no julgamento do mensalão tucano, ocorrido em 1998, na tentativa frustrada de reeleição de Eduardo Azeredo, mas sinaliza que o julgamento não ocorrerá tão cedo. "Não sei em que estágio ele está", disse, em entrevista, ao jornalista Felipe Recondo, do Estado de S. Paulo. "Acho que ainda está na fase de instrução".

Em relação a outros temas polêmicos, como a posse de José Genoíno (PT/SP) e a cassação automática (como quer o Supremo Tribunal Federal) ou não (como defende a Câmara dos Deputados) de parlamentares, ele sugeriu que o parlamento dialogue com a sociedade. Sobre as acusações de Marcos Valério, ele apontou que, se houver consistência, o ex-presidente Lula poderá ser investigado. Confira, abaixo, alguns pontos:

Interferência do Judiciário no Congresso

Se fizermos uma leitura isenta do quadro institucional vemos que não é o Judiciário que ameaça a autonomia do Legislativo. De certa forma, talvez possa haver um descaso na atuação do Legislativo e haja a erosão perpetrada pelas iniciativas do Executivo. Veja que em casos como do FPE o Tribunal não invadiu competências do Legislativo. O STF tem tomado medidas que valorizam o Legislativo, como o poder das CPIs, o direito das minorias, o destrancamento de pauta mesmo com medidas provisórias.
Posse de José Genoino

A questão pode ser tratada em diversos planos. No estritamente jurídico não havia como impedir a posse, porque não há decisão com trânsito em julgado. Portanto, não há de se falar na perda dos direitos políticos. E ele também não é atingido pela lei da Ficha Limpa. É até uma incongruência no sistema. Quem estiver condenado não pode se candidatar, mas se já estiver eleito pode assumir o mandato. Mas essa questão deve também ser analisada no plano político institucional. Aí obviamente a questão se coloca num diálogo entre o parlamento e a sociedade.

Cassação de deputados

O tribunal atuou bem. Se existe uma função que pressupõe a máxima liberdade é a função de parlamentar. Mas vamos imaginar a situação de um parlamentar que tem que negociar com o carcereiro para comparecer a uma das Casas do Congresso. Isso fala por si só.

Cumprimento das penas

Há um esforço colegiado para que coloquemos os votos para a publicação do acórdão de imediato. Haverá recursos e a partir daí teremos definição. Não é absurdo que possamos encaminhar isto neste primeiro semestre.

Acusações de Marcos Valério a Lula

A Procuradoria-Geral da República fará, como tem feito, a devida avaliação. E se entender que há consistência, tomará as providências devidas.

Mensalão tucano

Sim. Mas não sei em que estágio ele está. Acho que ainda está na fase de instrução. Mas tem que dar prioridade.”

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Kassab convidará Aécio para novo partido; PSDB, DEM e PPS murcham

“O senador Aécio Neves (PSDB-MG) será convidado para ingressar no partido que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, atualmente no DEM, pretende criar. Logo após o dia 15 de março, quando os “demos” definem seu novo presidente nacional, Kassab deve anunciar a fundação da nova legenda, que será chamada de Partido Democrático Brasileiro (PDB).
Vermelho

O deputado federal paulista Eleuses de Paiva (DEM), um dos interlocutores do prefeito paulistano, confirmou que Aécio será convidado, caso o novo partido seja mesmo criado nos próximos meses. "Se houver (a criação da legenda), a tendência é procurarmos os melhores quadros. E Aécio será um dos primeiros a ser procurado, senão o primeiro", disse o parlamentar.

Segundo Paiva, Kassab espera apenas a definição do quadro interno do DEM para anunciar seu destino. O prefeito está em rota de choque com o atual presidente da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), e avalia três situações. A primeira e menos provável é sua permanência no DEM. A segunda é criar sua legenda e fazer com que ela cresça com o apoio de outros “demos” insatisfeitos, além de tucanos, peemedebistas e membros do PR, PP e do PTB. Já a terceira via, que foi confirmada por Eleuses Paiva, seria criar o PDB para fazer a sua fusão com outro partido – possivelmente o PSB.

No último fim de semana, Kassab esteve reunido com o presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, que é muito próximo de Aécio. Na pauta do encontro estavam a criação do partido e a possível incorporação dos socialistas. As negociações teriam a anuência da presidente Dilma Rousseff.

Kassab também teve uma longa conversa secreta com as principais lideranças do PSDB-SP – o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), e o ex-governador José Serra. Ambos os tucanos se uniram, semana passada, em uma empreitada que varou a noite: tentaram demover o prefeito de entrar no PSB, principalmente pelas mãos de Eduardo Campos. “Ele é charmoso, mas não vale uma nota de três dólares”, teria frisado um dos presentes.

Os peessedebistas lembraram a Kassab que ele continua com um bom tempo de televisão pelo DEM, em São Paulo – e que é nisso que estão interessados. E mais: no raciocínio dos tucanos, qualquer movimento partidário feito hoje inevitavelmente o levará em direção ao governo federal.”
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O jogo conhecido do partido de Michel Temer


O PMDB prospera quando é governo, da mesma forma que o ex-PFL definhou na ausência dele. Mas a conjuntura tende a exigir nova visão do que é lealdade. Até porque a derrota, por três eleições presidenciais seguidas, torna políticos dos partidos oposicionistas mais importantes, PSDB e DEM, altamente sensíveis à cooptação. A oferta de apoio ao governo Dilma pode se tornar maior do que a demanda.

Maria Inês Nassif, Valor / Vermelho.org

Em abril de 1995, no começo do segundo mandato do tucano Fernando Henrique Cardoso, o PMDB na Câmara, que era da base governista, impôs uma derrota ao governo na votação do projeto de reajuste do salário mínimo. O então líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), esclareceu as razões do mau humor: "A bancada está nervosa por causa do imobilismo e da inoperância do governo e os cargos [nomeação de pemedebistas para o governo] entram nisso. O governo só responde "não" a qualquer pleito".

Em 2007, já aliado a Lula, o PMDB, desta vez no Senado, encenou uma nova "rebelião": 12 senadores do PMDB, que Wellington Salgado (MG) designou de "franciscanos", votaram contra a MP que criava a Secretaria Especial de Projetos de Longo Prazo, cujo ministro seria Mangabeira Unger. "Os franciscanos não querem um sapato de couro alemão, querem só um chinelinho novo", disse Salgado, ao reclamar que o governo só dava atenção aos "cardeais" do partido. O baixo clero do Senado ganhou a atenção pedida. Mais tarde, ajudou a derrubar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), contra os interesses do governo.

Ter o PMDB na base de apoio não é garantia de nada para nenhum governo, desde José Sarney (1985-1989). Mas a estratégia do partido para ganhar espaço de poder é tão previsível que mesmo os menos atentos à política conhecem os sinais. O uso do aumento do salário mínimo como chantagem é da tradição pemedebista. A vinculação dos benefícios de aposentadoria e pensões ao salário mínimo torna qualquer aumento não previsto no Orçamento uma bomba de efeito retardado para a política fiscal de qualquer governo. Mas, da mesma forma, um partido como o PMDB, que tem 1.175 prefeitos em todo o Brasil, também coloca em risco seu patrimônio político, já que as prefeituras sofrem um forte impacto nas suas folhas de pagamento com o aumento do piso salarial. A outra ação previsível é a de retaliar os governos dos quais faz parte com o apoio a candidatos não oficiais à mesa da Câmara.”
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sábado, 20 de novembro de 2010

Em reunião de gatos-pingados, PSDB inicia divórcio do DEM

O PSDB quer se livrar da companhia do DEM, seu principal e mais fiel aliado nos últimos 16 anos. Não deixa de ser uma atitude recíproca — líderes “demos” também já expuseram que o ex-PFL se cansou de ser um partido-satélite. Do lado tucano, o anúncio do divórcio ocorreu numa melancólica reunião da Executiva Nacional do PSDB, nesta quinta-feira (18), em Brasília.
André Cintra, Vermelho.org

Não se sabe se a decisão é definitiva, já que a reunião não contou com as lideranças de peso do tucanato. José Serra e Fernando Henrique Cardoso não deram as caras. Seis dos oito governadores tucanos eleitos em outubro faltaram. Aécio Neves, Tasso Jereissati, Arthur Virgílio e Álvaro Dias tampouco apareceram. Sobraram apenas os gatos-pingados para chorar a derrota eleitoral e trocar impressões sobre os rumos do PSDB.

Os poucos dirigentes presentes passaram recibo do fracasso. Teotônio Vilela, governador re-eleito de Alagoas, comprometeu-se a organizar um encontro, “quando possível”, com todos os governadores da sigla. A Executiva Nacional prometeu voltar a se reunir na quarta-feira, com a presença de tucanos de maior plumagem, como o senador Tasso Jereissati (CE) e o presidente do PSDB-SP, Mendes Thame.

Na reunião de ontem, o clima de desolação era geral. Sem discutir os erros estratégicos da campanha presidencial, a direção poupou tanto o candidato derrotado, José Serra, quanto a si mesma. De forma indireta, porém, revelou contrariedade com a demora de Serra em assumir sua candidatura. Por isso, já falam em lançar com antecedência de dois anos o candidato do partido às eleições presidenciais de 2014.

A proposta, defendida sobretudo pelo ex-presidente FHC, enfrenta resistência na ala serrista — e é o ponto em que os tucanos tentam se dissociar dos “demos”. O cálculo se baseia no seguinte pressuposto: se o DEM se encolheu com a parceria, o PSDB sai do consórcio com a fantasia desbotada. Aquela “velha roupa colorida” de partido moderno deu lugar à imagem de legenda conservadora, privatista e elitista. As baixarias adotadas pela campanha de Serra ao Planalto só fizeram cristalizar essa percepção.”
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bloco parlamentar liderado pelo PMDB é blefe na disputa por ministérios, diz Diap

Para o analista político Antonio Augusto Queiroz, presidente Dilma tem de por freio nos partidos ou terá dificuldades
Nicolau Soares, Rede Brasil Atual

A anunciada formação de um bloco parlamentar reunindo PMDB, PR, PP, PTB e PSC não tem consistência para se manter na nova legislatura, afirma o analista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Segundo ele, trata-se de uma jogada desses partidos para constranger a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) nas negociações para a formação do novo ministério.

Na visão de Queiroz, não havia motivos para a postura do PMDB, em função das negociações comandadas pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, com os partidos aliados. "Não houve ainda nenhuma definição de que eles não seriam respeitados na definição do novo governo, e de repente surge essa formação de bloco que surpreendeu a todos. É um grande blefe. Se a presidente enfrentar, não terá consistência”, avalia.

Além disso, há outros desafios internos colocados para a própria articulação. “A Câmara foi renovada em 45%. Que autoridade têm os atuais líderes para falar em nome de uma bancada que mal se conhece?”, aponta o analista. “Trata-se de uma grande jogada de constrangimento dos partidos para manter suas cotas atuais nos ministérios, além de uma iniciativa do PMDB para forçar o PT a abrir mão de um dos períodos na presidência da Câmara sem que os peemedebistas tenham que perder a presidência do Senado.”
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

DEM quer reforçar perfil conservador e ter candidato em 2014

A proposta de incorporação do DEM ao PMDB, atribuída ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), está morta e enterrada, mas serviu para reorganizar a tropa no partido. É o que dizem o presidente do DEM, Rodrigo Maia, e o pai dele, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia, que apostam na unificação do partido com o plano de fortalecer o DNA conservador e deixar o papel de linha auxiliar do PSDB para construir candidatura própria à Presidência em 2014.
Vermelho.org

"Essa hipotética proposta não existe mais. Até Kassab é contra", afirmou Cesar Maia ontem, em conversa com o Estado por e-mail, sobre a possibilidade de união com o PMDB. "Hoje, ninguém no DEM defende fusão com o PMDB. Nem no PMDB, segundo se diz." Maia também afasta qualquer chance de fusão com PSDB ou PPS.

O presidente de DEM e deputado reeleito Rodrigo Maia (RJ) disse ter conversado com Kassab, que compreendeu a inviabilidade da união com o PMDB. "Ele sabe que essa posição, nesse momento, não tem apoio no partido. Compreendeu que esse é o momento de refazer a unidade e pensar no futuro", disse ontem o deputado.

O flerte de Kassab com o PMDB levou Rodrigo a acertar os ponteiros com várias lideranças do partido. As conversas alinharam à proposta de fortalecimento ideológico, descolamento do PSDB e candidatura própria em 2014 líderes como o senador José Agripino (RN), reeleito em meio às baixas da oposição no Senado, e os deputados Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), Onyx Lorenzoni (RS) e Roberto Brant (MG).

O ex-prefeito Cesar Maia define a estratégia do DEM: "Reforçar sua coluna vertebral conservadora. Isso será feito." Ele cita o apoio do senador reeleito Demóstenes Torres (DEM-GO), que também declarou no fim de semana que o partido precisa assumir que é conservador e "deixar de ser satélite de outros partidos".
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terça-feira, 16 de novembro de 2010

O fim do “Partido Popular Socialista” e do “Partido da Social Democracia Brasileira” esta próximo?

Josias de Souza, folha.com / Blog

“Sem alarde, PSDB e PPS analisam a viabilidade e a conveniência de fundir as duas legendas numa só.

As conversas, ainda embrionárias, começaram há duas semanas, nas pegadas da derrota do tucano José Serra para a petista Dilma Rousseff.

Coube ao senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) procurar o deputado eleito Roberto Freire (SP), presidente do PPS federal.

Ex-chefe da Casa Civil do governo Serra em São Paulo, Aloysio propôs a fusão.

Escorou a ideia numa apreensão legislativa. Disse que, juntas, as legendas teriam maior poder de fogo no Congresso.
O PSDB saiu das urnas de 2010 com 53 deputados e 11 sedadores. O PPS, com 12 deputados e um senador. 

Na cabeça de Aloysio, a nova legenda abrigaria os “descontestes” de outros partidos –do PMDB ao DEM, passando por PDT e PSB.

Citou-se o exemplo do senador Jarbas Vasconcelos (PE), um oposicionista aninhado no protogovernista PMDB.

O debate ocorre num instante em que o tucanato tenta fazer a digestão de sua terceira derrota presidencial.

O senador eleito Aécio Neves (MG) fala em “refundar” o PSDB. FHC cobra a defesa explícita do legado da era tucana no governo federal.

O repórter foi ouvir Roberto Freire. Ele confirmou o contato de Aloysio Nunes e admitiu que as conversas caminham.

Deu a entender que atribui ao PSDB, não ao seu PPS, a iniciativa dos próximos movimentos: “Ninguém faz fusão a partir de um partido minoritário”.

Disse: para que a articulação avance, o PSDB precisa, primeiro, se convencer de que precisa buscar reforço, incorporando setores da “esquerda democrática”.

Depois, seria necessário “ter clareza do que vai ser esse novo partido”. Como assim?

“Não pode ser um amontoado, um ajuntamento”, disse Freire. “O Brasil não precisa de outro PMDB”.

Para Freire, se o objetivo for apenas o de dar maior efetividade às ações da oposição no Congresso, a formação de um bloco oposicionista pode resolver o problema.

Na hipótese de evoluir para a fusão, PSDB e PPS flertam com um risco que seus dirigentes parecem desconsiderar.

Da fusão resultaria uma terceira legenda, com programa e estatuto novos. Algo que desobrigaria os congressistas dos dois partidos do compromisso da fildelidade.

Pela lei, os filiados do PSDB e do PPS estariam livres para buscar refúgio em outras legendas. Tornariam-se alvos automáticos da cooptação governamental.”

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Aécio diz que sempre haverá espaço para uma 'figura da dimensão política' de Serra

Folha.com

“O senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta quinta-feira que sempre haverá espaço para uma "figura da dimensão política" do candidato derrota à Presidência, José Serra (PSDB).

"Acho absolutamente natural que o governador Serra continue participando do processo político", afirmou o mineiro, ao ser questionado sobre o "até logo" do tucano após a eleição.
Ao admitir a derrota, Serra sinalizou que não deixará a vida pública. "A minha mensagem de despedida não é um adeus, mas um até logo."

Aécio também minimizou o fato de não ter sido citado por Serra no discurso de despedida.

"Ele fez a citação nominal de algumas figuras que estavam ali presente", disse o senador eleito.

Na fala, Serra exaltou o empenho do governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB).

Imitando o seu avô Tancredo Neves em todo começo e final de campanha, Aécio foi hoje rezar na igreja da Serra da Piedade, na Caetés (MG).”
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