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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Os antipetistas


Os antipetistas agora saem às ruas
(Foto: Oswaldo Corneti/Fotos Públicas)
O comunismo saiu de moda.

No seu lugar entraram o bolivarianismo e o lulodilmismopetismo, os novos bichos-papões dos homens de bem.

As duas ideologias, porém, têm uma raiz comum, o petismo, referente a quem professa os ideais do PT, como ficou conhecido o Partido dos Trabalhadores.

Hoje, graças a um diligente, constante e infatigável trabalho da imprensa nativa, o petismo está enfrentando uma forte resistência de setores sociais.

Se antes o antipetismo era enrustido, agora é explícito.

Donas de casa, empresários, estudantes, profissionais liberais, socialites - e até mesmo pobres de dar pena! - combatem o petismo da maneira que podem, mas quase sempre de forma hidrófoba, com bastante ódio e preconceito de classe - que é assim que deve ser.

Mas nem todo antipetista é igual.

Há fortes diferenças entre eles.

E saber distingui-los é importante, já que atuam de modo variado e têm diferentes graduações de repulsa a essa ideologia que está, na opinião de conceituados analistas, destruindo os valores morais e éticos, a economia e, em consequência, a sociedade brasileira.

Vamos então conhecer melhor alguns dos antipetistas:

O arrependido: Um dos tipos mais violentos. Foi petista de carteirinha, frequentou reuniões, comprou e usou broches, fez boca de urna, mas depois que arranjou um bom emprego e se casou, trocou essa vida de sonhador pela realidade, dura, mas compensadora, do velho capitalismo. 

O pensador: Esse é considerado um dos espécimes mais úteis do bom combate. Escreve para jornais, edita blogs, frequenta as redes sociais, se mostra culto e estudado, e tem como mentor o grande filósofo contemporâneo Olavo de Carvalho, além de imortais como Merval e intelectuais como Tio Rei.

O Maria-vai-com-as-outras: Desprovido de grande inteligência, sofre influência do que escuta dos colegas de trabalho, dos vizinhos, da família, mas principalmente do noticiário da televisão - Jornal Nacional, Datena etc. Não consegue somar 2 mais 2, é incapaz de estabelecer uma relação causa-efeito, mais parece um papagaio que um ser humano.

O profissional: Não são muitos, mas fazem bastante barulho. Trabalham em jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, portais da internet, editam blogs, vivem única e exclusivamente para mostrar ao mundo que o PT é um partido de ladrões. São especialistas em xingamentos. Um deles apelidou a presidenta Dilma de "dois neurônios".

O doente: Está presente em todos os estratos sociais, desde o integrante da classe D até a alta burguesia. Tem ódio patológico a tudo que lembre os malditos comunistas. Como não consegue mais identificar nenhum, transfere esse ódio aos petistas, que agem como os comunistas, ou seja, têm uma bandeira vermelha e governam para os pobres.

O aproveitador: Se confunde com o tipo profissional, mas é menos sofisticado. Para ele tanto faz ser contra ou a favor do PT - na verdade, ele odeia política. O que ele quer é estar bem com o patrão, com o chefe - o que interessa é subir na vida sem muito esforço.

Esses foram apenas alguns exemplos. 

Claro que existem muitos outros tipos de antipetistas, inclusive aquele que rejeita o petismo porque acredita que haja algum partido cujas ideias sejam melhores que as do PT para o desenvolvimento do Brasil.

Mas esse é um minoria insignificante. 

E, além de tudo, é desprezado pelos outros antipetistas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A eleição se ganhará com os que agora têm a perder

 Autor: Fernando Brito

classe
Os analistas do Datafolha “descobrem” hoje que a divisão dos votos, no Brasil, não é essencialmente geográfica, mas social.
Muito bem, é um progresso, porque vai além do primarismo “coxinha” de considerar que a “culpa” da vitória de Dilma é “dos nordestinos”.
Mas ainda resta “descobrir” porque a classe média “intermediária” – classificação da Folha para os que ganham até R$ 3500 e têm nível médio se divide, quase que meio a meio, entre a candidata à reeleição e o tucano Aécio Neves.
É curioso, porque quase este todo contingente, há uma década, após os governos do PSDB não estava ali, mas abaixo, muito abaixo do padrão de vida – que não há de deixar de reconhecer como modesto – de que hoje desfruta.
É que, quando não há debate político e sentido de causa coletiva no progresso a ascensão social embute o sentimento mesquinho de restringir à vitória pessoal a uma sensação de que é só a si que o sucesso se deve e uma tendência e desprezar os que ficaram abaixo.
Na simplicidade dos nossos, então, 16 anos, o meu amigo e colega de Escola Técnica Pedro Bravo Vasconcelos dizia que um dos problemas que nossa classe média era “comer pão com pó de pedra e olhar para o pobre que come cascalho ao seu lado e diz que a dela é mais macia”.
Isso é próprio dos processos de ascensão social, ao longo da história. O sociólogo, historiador e ativista político Mário Matos, de Cabo Verde, descreve o que seu viu, também por lá, com a independência e o progresso que se seguiu naquele país africano irmão:
“o pior é que, entre nós e um pouco por toda a parte, o parvenu (pessoa que ascende e muda de classe rapidamente; nota do Tijolaço), fiel à percepção social que dele predomina, geralmente não surge associado a comportamentos de frugalidade e simplicidade. Evidencia uma sofreguidão para exibir a sua condição de abastado, – é o campeão do consumo ostentatório – convencido de que é assim que obtém o reconhecimento social e do seu grupo de referência, procurando estabelecer a diferença social com os “de baixo”, tentando aproximar-se aos “de cima”...
Não é a todos que isso acontece, obvio, mas certamente é a muitos.
Vivemos um processo construído, em boa parte, pelas ilusões economicistas do PT (de que bastariam os avanços econômicos para que esta classe média ascendente tivesse grande solidariedade política ao governo), pelo mito da “gestão técnica” mas também porque, nos deixamos a pauta do conservadorismo – inflação e corrupção – se transformasse na pauta nacional por um massacre midiático que foi aceito, desde o início deste governo, como temário das discussões.
Da “faxina” ao “petrolão”, os termos e a pauta foram criações da direita, que não tem um programa de desenvolvimento social ou econômico a mostrar, senão o primarismo de acenar que, com uma dúzia de ministérios a menos os problemas do Brasil resolvidos e que com eles – a piada é grátis – a corrupção estará resolvida. Nenhuma receita nova que não tenha sido usada desde os tempos da “caça aos marajás” e do “Estado-elefante” com que usaram Fernando Collor para evitar que nossa redemocratização política coincidisse com o resgate do processo de restauração do processo de recuperação da caminhada de progresso social e afirmação nacional que a ditadura de 64 veio para interromper.
Há, porém, uma diferença, extremamente importante e decisiva para este processo eleitoral.
É que esta classe média que ascendeu, despolitizada, tem num horizonte muito próximo no tempo a possibilidade de ver o que tem a perder e quase nada de concreto, afora aquelas velhas cantilenas, com o parco e pobre futuro “moral” com que lhe acenam,
Os que falaram e falaram em “padrão Fifa” talvez consigam, em parte, perceber que onde querem nos levar é, sim, ao “padrão FHC”.
O pouquíssimo engraçado e grosseiro ex-comediante Marcelo Madureira, convertido a “intelectual” na página de vídeos da campanha de Aécio Neves, trai-se ao afirmar, literalmente, que ”Aécio reúne todos os requisitos para ajudar a colocar o país de novo nos trilhos”.
Vejam: estávamos, para esta gente, nos trilhos.
É por isso que não se pode cair na ilusão de que esta campanha tenha de ser, essencialmente, propositiva.
Porque não há nenhuma proposta de futuro a debater senão a de que ele não nos leve, outra vez, àquele passado. E nada será, para o segmento que se toma de ilusões, de ser colocado de frente àquilo que era, ao seu próprio fantasma.
E veja, estarrecido, muito menos o que ganhou do que aquilo que, agora, tem a perder.
Adiante, vencendo, talvez possamos tratar mais do futuro. Se não erremos, mais uma vez, praticando um “liberalismo do controle remoto” que deixe de fazer compreender que a justa ascensão o à classe média de parcelas imensas do povo brasileiro à classe média não pode prescindir de que pensemos e nos sintamos o que somos: um só povo, cujos destinos e sucessos interdependem.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O caso de desamor entre São Paulo e o PT


 É um  paradoxo: o PT nunca foi forte no Estado em que nasceu. O desempenho pífio nesta eleição suscitou várias análises sobre os motivos dessa debilidade. Há de tudo, explicações sociológicas, históricas e até mesmo psicológicas. Na verdade, pode ser uma mistura de tudo isso. A filósofa Marilena Chauí propôr que se fizesse um estudo de caso sobre os motivos que levam o paulista a repudiar com tanta veemência o partido e, ao mesmo tempo, consagrar legendas e políticos de oscilam da centro à extrema direita do espectro ideológico.

@ Quem frequenta os círculos de classe média - nem vou falar da média alta ou da alta - sabe que o PT, para essas pessoas, é associado a tudo de ruim que pode existir neste e em outros mundos: corruptos e ladrões são dois dos qualificativos mais leves imputados aos integrantes - e até a simpatizantes - do partido. 

@ Sem a pretensão de qualquer tipo de análise "científica", acho que a raiz desse fenômeno está no extremo conservadorismo dessa ampla classe média paulista - um conservadorismo que rejeita qualquer ideologia que não o mais puro liberalismo, com sua defesa intransigente da propriedade, sua crença inabalável no empreendedorismo, no individualismo, e na riqueza como expressão do sucesso pessoal, além de uma religiosidade extremada. São crenças transmitidas há muitas gerações. 

@ Grande parte dessa classe média é formada por descendentes de imigrantes, que conseguiram ascender social e economicamente em terras paulistas, escapando, assim da péssima condição anterior em que se encontravam nos seus países de origem. Lógico que criaram seus filhos incutindo neles o valor que julgavam essencial ao seu sucesso: trabalho árduo, com o objetivo de acumular o máximo possível de capital.

@ Nas camadas mais altas da pirâmide social encontram-se os representantes da "aristocracia" paulista, os filhos, netos e bisnetos de fazendeiros, cafeicultores e negociantes, que transmitiram não só ao seu círculo familiar, mas às pessoas de seu relacionamento mais estreito a sua visão de mundo, logicamente baseada em relações de mando - senhor-escravo, senhor-servo, senhor-empregado.

@ São Paulo tem, certamente, a mais ampla e antiga classe média do Brasil. Milhões de pessoas que cresceram num ambiente familiar conservador, religioso, extremamente influenciável pelos meios de comunicação de massa, frutos de uma educação formal de baixo nível, bombardeados por uma propaganda que exalta as virtudes do capitalismo made in USA, impregnados pelo lixo cultural americano e vítimas de uma lavagem cerebral que dura décadas.

@ De certa forma, essas pessoas ainda vivem no tempo da Guerra Fria. Para elas o mundo está dividido entre os bons, ou seja, aqueles que defendem esse liberalismo antiquado, esse capitalismo selvagem, e os maus, ou seja, os "inimigos" dessa ideologia, os "comunistas". Ou, no caso, os petistas, os "petralhas", os "lulodilmistaspetistas" - os novos comunistas, enfim.

@ Essa noção está tão entranhada na sociedade paulista que quem a professa nem mais se apega à realidade, aos fatos ou à razão, para expor suas opiniões, muitas vezes carregadas de ódio e preconceito.

@ O papel dos meios de comunicação para demonizar o partido também tem de ser destacado. Anos atrás, quando não representava nenhum perigo para a classe dominante, o partido era criticado pelo seu purismo, pelo seu excesso de democracia. Depois que derrotou, em nível federal, as forças oligárquicas, recebeu o carimbo de corrupto. Propaganda de guerra pura e simples. 

@ É ingenuidade supor que essa rejeição ao PT vai ser superada num breve tempo. Isso é algo que exige muitos anos de trabalho persistente e em várias frentes. Uma delas, talvez a mais importante, é na área da informação, onde o partido sempre foi muito frágil. É preciso criar canais que levem, efetivamente, aos jovens, o ideário e as realizações do partido, e à classe média, uma mensagem que afaste dela o medo de ser dominada por demônios e roubada por salteadores. É preciso construir pontes onde o tráfego da racionalidade supere os atropelos da emoção primitiva.

http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/10/o-caso-de-desamor-entre-sao-paulo-e-o-pt.html

domingo, 30 de junho de 2013

Balanço rápido e rasteiro de uma semana intensa



A semana termina de forma bastante positiva para quem vê as manifestações e protestos como impulsionadores da democratização da sociedade. O mais importante de é que reabriu-se para o povo a agenda política no país. Como diria o Barão de Itararé, “Tudo pode acontecer, inclusive nada”. Apostemos as fichas no “tudo”. Por Gilberto Maringoni

Gilberto Maringoni, Carta Maior

A semana termina de forma bastante positiva para quem vê as manifestações e protestos como impulsionadores da democratização da sociedade. Destaco os seguintes pontos, listados a seguir:

1. A pauta progressista (mais serviços, mais Estado) se impôs nas ruas sobre a agenda regressista (menos impostos, maioridade penal, fim do bolsa-família, fora Dilma etc). As mobilizações entraram no viés de baixa, motivado principalmente pelas vitórias espetaculares na redução nacional das tarifas e - em SP - dos pedágios. Até segunda ordem, parece que os preços dos públicas foram congelados. Claro que os governantes farão malabarismos fiscais para tirar verbas de outras áreas, mas o sinal geral é alentador. Com isso, persiste o quadro de mobilização em cima da melhoria dos serviços públicos;

2. Essa pauta tende a romper os limites da justiça social traçada nos governos Lula, fundamentais e expressivos, mas ainda restritos a ganhos na esfera do consumo individual (emprego, renda, crédito, consumo etc.). Ou seja, não são pequenos os avanços dos últimos dez anos, mas são insuficientes para as carências imensas da população. A batalha agora é por direitos sociais universais;

3. A pesquisa Datafolha sacramenta o que o governo - em suas pesquisas internas - já sabia. Acabou o encanto. Embora a queda não tenha aumentado a desaprovação ao governo (o ótimo é bom migrou para o regular) o traço principal é o quadro tendencial de queda da popularidade. Isso abrirá um longo contencioso na base aliada (o PMDB elevará o preço do apoio e os setores evangélicos ameaçam desembarcar). Pode haver um quadro semelhante à segunda metade do governo Sarney, se a iniciativa governamental não se consolidar;

4. A iniciativa governamental – de momento – entrou na agenda, sob a forma do plebiscito. Todos os atores políticos – governo, Congresso, mídia, empresariado e população - se movem em torno dessa proposta;

5. Aqui a disputa é se teremos plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta para sacramentar o que o Congresso decidir). A segunda proposta é vocalizada pela direita.

6. Há um problema na pauta presidencial que é a disjuntiva cortes (responsabilidade fiscal) versus gastos (plebiscito e serviços públicos). Paulo Kliass e André Singer apontaram o problema. Dilma aqui age como Lula, que, diante de um dilema, tenta colocar o pé em duas canoas. Esta é a principal limitação da agenda presidencial. Como a situação se radicalizou, essa característica do lulismo está em xeque;

7. Com isso, açulam-se as pretensões sucessórias de Aécio, Eduardo Campos e Marina, que tentarão capitalizar o descontentamento. Pequeno problema: eles também são vidraças (menos Marina) e não sabem ainda (incluindo Marina) como canalizar a força das ruas. A negação aos políticos os atinge também;

8. A principal reunião de Dilma nesta semana, com as centrais sindicais, acabou em anticlímax. Ela falou da agenda oficial e não quis saber da pauta trabalhista. Problema a ser resolvido;

9. A agenda de 2014 está oficialmente aberta. Mas até lá há um oceano a ser atravessado. Afinal, em duas semanas a conjuntura do país foi colocada de pernas para o ar. Quem se movimentar agora pensando somente nas eleições do ano que vem pode se dar mal. Há questões imediatas a serem resolvidas e a pauta oficial é - até agora - a pauta sobre a qual os diversos atores se movimentam. Isso é o que faz a direita parlamentar (PSDB, DEM e PPS) acusarem o golpe em nota lançada há alguns dias;

10. A mídia, nesse clima, também irá radicalizar pela direita (nisso conta com auxílio de setores governistas, como o inigualável ministro Paulo Bernardo). Basta vermos as edições das semanais e dos jornalões, tentando impor sua pauta ao movimento, tentando dirigir até mesmo as candidaturas de direita.

11. O mais importante de é que reabriu-se para o povo a agenda política no país. Como diria o Barão de Itararé, “Tudo pode acontecer, inclusive nada”. Apostemos as fichas no “tudo”.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Feliciano volta a afirmar que africanos são amaldiçoados



Tai Nalon e Rubens Valente, Folha de São Paulo

“Em defesa protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal), o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) reafirmou que paira sobre os africanos uma maldição divina e procurou justificar a fala com uma afirmação que, publicamente, tem rechaçado: a de que atrelou seu mandato parlamentar à sua crença religiosa.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara é alvo de inquérito no STF por preconceito e discriminação por uma declaração no microblog Twitter.

Em 2011, ele escreveu que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição".

Na época, Feliciano também postou que africanos são amaldiçoados pelo personagem bíblico Noé. "Isso é fato", escreveu no microblog. O post depois foi deletado.”