Mostrando postagens com marcador Lava-Jato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lava-Jato. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Medidas de combate à corrupção do MPF e o Me-engana-que-eu-gosto.


 
Há muito tenho comprado essa briga e sofrido críticas de alguns amigos! Eu não sou contra as medidas do MPF que dizem combater a corrupção,  mas desconfio das pessoas que estão por trás disso, basicamente toda força-tarefa da Lava Jato: juiz, procuradores e delegados.

Quem quer combater a corrupção não protege os maiores corruptos da nação, como faz o juiz Sérgio Moro quando blinda os tucanos. Moro, junto com a força-tarefa, faz de tudo para destruir o PT e a Petrobrás, permitindo até o cometimento de várias irregularidades, até crimes, como os vazamentos seletivos, prisões ilegais e grampos irregulares.  E tem mais gente achando isso pois, no blog Tijolaço 04/02/16, o delegado aposentado Armando Coelho Neto, ex-presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal, afirmou: “Eu não acho que exista um combate à corrupção, existe uma guerra declarada ao Partido dos Trabalhadores”. E ainda faz ressalvas de que “não sou PT”  e “não gosto de muita coisa no PT” .

Moro nada faz com os parlamentares do PSDB, apesar das delações citando os senadores tucano Antonio Anastasia, Aluysio Nunes e Aécio Neves, este cinco vezes delatado. Há diversas delações também acerca do governo de FHC na Petrobrás, como se isso não bastasse, o próprio FHC confessou, em seu livro Diários da Presidência, que havia corrupção na Petrobrás, em seu governo. E nada de investigação e prisão de tucano! Chego a brincar com os amigos dizendo que Moro não prende os tucanos, pois são aves silvestres e como tais não podem viver em cativeiro! E não venham com essa historinha de que ainda vai prender todo mundo, pois, o mensalão tucano está  prescrevendo, sem julgamento! E o mensalão tucano foi anterior ao do PT e não podemos esquecer que Moro fez parte do julgamento do mensalão, AP 470, como assistente da ministra Rosa Weber!

Os delegados da Operação fizeram campanha para a presidência em seu blog para o tucano Aécio Neves, inclusive chamando Lula e Dilma de “Anta”. E não por acaso saiu da Lava Jato, na véspera da eleição, a noticia fajuta de que Lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobrás. Aécio quase ganhou a eleição por causa dessa mentira! Cadê a seriedade?
E os procuradores da Lava Jato fizeram parte no governo de FHC, do grupo conhecido como “Tuiuiús”, pássaros que não conseguiam alçar o voo, porque os procuradores não conseguiam investigar, já que as denúncias ficavam paradas junto ao PGR, indicado por FHC, Geraldo Brindeiro, mas também conhecido como Engavetador Geral da República. E agora, nos governos do PT, esses procuradores aceitam a orientação da Lava Jato de blindagem aos tucanos e perseguição implacável ao PT.  Numa entrevista para Folha de São Paulo, um desses procuradores, respondendo à questão do desemprego causado pelo Lava Jato, que já somam hoje mais de cem mil demissões, só dentro do Sistema Petrobrás, disse: “Se o governo está preocupado com o desemprego que crie uma espécie de PROER, pois esse não é o nosso papel.”  Isso mostra a sensibilidade dessa gente!.

Já que estamos falando de juízes e procuradores, essa turma conseguiu, em regime de urgente-urgentíssima, via o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, um reajuste de mais de 40%. Enquanto as categorias, como a dos petroleiros, fizeram greve de 21 dias para conseguir o IPCA, conseguindo somente repor a inflação do período, juízes e procuradores, num verdadeiro conluio imoral, tiveram cerca de 30% de aumento real. E no mesmo período, conseguiram auxílio-moradia e educação, num total de quase dez salários mínimos, e ainda pleiteiam esses auxílios retroativos a 1988.
A lava Jato, com o mote do combate a corrupção, na verdade  só quer destruir o governo da Dilma e a Petrobrás. Eles usam isso porque não se conhece ninguém que seja contra o combate à corrupção! Até os corruptos dizem que são a favor, lógico que da boca para fora!

 Além das distorções, a lava Jato criou a “indústria da delação premiada”. Pela lei da delação, que foi sancionada pela presidente Dilma, ela só tem valor ao final do processo, ou no chamado trânsito em julgado. Entretanto Moro criou a figura da legitimação do vazamento, sempre para a Globo. A operação vaza o tempo todo e ninguém é punido, mas vazamento é crime, tanto que o delegado Protógenes Queiroz foi expulso da PF e tem mandado de prisão contra ele porque vazou sobre o processo de Daniel Dantas, aliás, o banqueiro foi solto pelo ministro Gilmar Mendes, com dois habeaus corpus em menos de 24 horas. Como também por vazar informação, o deputado Fabio Camargo (PTB), autor e presidente da CPI da ‘Máfia das Falências’, no Paraná, foi processado, Essa CPI, aliás, envolve, entre outros advogados, a esposa de Moro, Rosângela Moro. Entretanto a Lava Jato vaza tanto que é também conhecida como Vaza Jato, e nada acontece!  
E nós, que já tínhamos a cultura dos “Crimes do Colarinho Branco”, aqueles que não vão para a cadeia nunca, a lava Jato criou a prisão da “tornozeleira eletrônica”. O cara rouba o tempo todo, principalmente os cofres públicos, faz delação premiada, “colaborando com a justiça”,  e depois vai cumprir pena em sua mansão. E também ninguém sabe o que rola nessas delações, que inclui até o já denunciado “Grampo ilegal”, na sede da PF no Paraná, onde está sediada a Lava Jato.

Mas fica a pergunta: quanto custa para a Globo um vazamento de delação? Seria de graça? E como o banqueiro André Esteves, que esteve preso na Lava Jato, tinha em seu poder a delação do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró? André Esteves é um homem generoso, tanto que bancou a lua de mel do senador Aécio Neves. Quanto teria pago o banqueiro pela cópia da delação? Se foi de graça também não deixa de ser crime!

Por isso, antes de elogiar a obra, eu quero saber quem é o autor! E digo para meus amigos, que, vem da Lava Jato, fico cabreiro. Na verdade, com as dez medidas contra corrupção do MPF eles querem sair bem na foto junto à sociedade! E eu vou continuar dizendo que essas medidas fazem parte do dito popular, das donas de cabaré, como disse o ex-presidente da Transpetro, réu confesso: “Me engana que eu gosto!”.    


 Rio de Janeiro, 23 de junho de 2016 

Autor: Emanuel Cancella, - OAB/RJ 75 300              
   
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP). 

OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Na lista do HSBC, a “baruscada” do Governo FHC


Fernando Brito, Tijolaço  

"Com a entrada de O Globo na “sociedade privada” da lista de brasileiros que detinha contas do HSBC, ficamos sabendo de muitos outros nomes além dos quais Fernando Rodrigues, julgava haver “interesse público” em que se lhes divulgasse a identidade.

A nova lista, publicada hoje pelo jornal O Globo, mostra que todos eles abriram estas contas bem antes do primeiro governo Lula e, entre os que abriram depois, foram investigados durante este período por atos de corrupção (ah, sim, não institucionalizada..) praticados em governos anteriores, notadamente o de Fernando Henrique Cardoso.

O personagem citado no caso do “mensalão” é também personagem do “mensalão tucano”.

Os dirigentes do Metrô de São Paulo e suas mulheres e filhas também estão lá.

Ilustra o post a imagem que Fernando Rodrigues não quis publicar, do facebook de uma delas, Fernanda Mano, hoje com o sobrenome Almeida, de casada. Imagino que se a moça tivesse publicado uma foto de Dilma ou de Lula, Rodrigues também não a publicaria, como fez com a de Aécio.

Claro, né?

A moça, hoje, é uma ativista anticorrupção, vejam só…

Mas o nome mais interessante da lista é o do doleiro Dario Messer, velho parceiro de Alberto Yousseff  no caso Banestado, julgado lá mesmo, pelo Dr. Sérgio Moro.

Há três anos, no “Privataria Tucana”, páginas 92 e 93, Amaury Ribeiro Jr contou o que fazia o personagem:

(…)Parceiro de Dantas no processo de privatização, (diretor do Banco do Brasil  no governo FHC)Ricardo Sérgio (conhecido como Mister Big), lançou mão do mesmo estratagema para movimentar recursos no exterior. Com 1.057 páginas, o relatório dos peritos da PF mostra que Mr. Big usava dois doleiros de peso para levar seus recursos até a agencia do Banestado em Nova York: Alberto Youssef – que também prestou o mesmo serviço para o contrabandista João Arcanjo Ribeiro (conhecido como Comendador Arcanjo, o criminoso foi preso em abril de 2003. Também prestou esse serviço para Dario Messer, acusado de levar para a Suíça os R$20 milhões desviados pela “Máfia dos Fiscais” do Rio de Janeiro.

Em quatro anos, entre 1996 e 2000, Mr. Big teria remetido ao exterior uma montanha de dinheiro com altitude de US$ 20 milhões. Para os peritos federais, todo o dinheiro enviado por Ricardo Sérgio dormia inicialmente em várias contas abertas por Messer e por Yousseff na agência novaiorquina do Banestado. Novamente, as contas eram abertas em nome de offshores, com apoio de David Spencer e ancorado no escritório de Citco nas Ilhas Virgens Britânicas. Eram incumbências de Spencer – que opera para Mr. Big desde os anos 1980 – também a abertura das contas dessas offshores na agência do Banestado e em outros bancos de Nova York. A documentação expõe, por exemplo, a participação do advogado na abertura da conta da offshore June International Corporation, operada por Yousseff no Banestado nova – iorquino. Do Banestado, a grana do ex-diretor do banco fazia uma escala em outras contas abertas no MTB Bank e outros bancos operados pelos doleiros da Beacon Hill. Era o último porto do dinheiro antes da revoada para as contas de Ricardo Sérgio, João Madeiro da Costa, o homem de Mr. Big na Previ, Ronaldo de Souza, em Miami ou nas Ilhas Virgens Britânicas.

Mas, como se sabe, àquela época a corrupção, segundo o tratadista de ética e moralidade Pedro Barusco, não era institucionalizada.
Esse pessoal abria conta na Suíça só por diversão…"

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Um Congresso enterrado na Lava Jato não tem moral para derrubar Dilma


Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania

"Não é por bondade ou espírito democrático que peões da mídia antipetista vêm se opondo aos delírios golpistas de tucanos de pijama e/ou daquela turma que quer a volta do regime militar. Apesar do risco que o inconformismo da oposição em ficar mais quatro anos fora do poder gera à nossa ainda estreante democracia, analistas políticos sabem o que vem por aí.

E o que vem por aí não é pouco. Um passarinho do Planalto Central bateu para este blogueiro que, na melhor das hipóteses, pelo menos TRÊS senadores da oposição estão envolvidos até o pescoço nas delações premiadas. Isso no Senado. Agora imagine na Câmara, leitor, onde a tonitruante operação da PF fará o maior estrago.

Seria até engraçado que dezenas e dezenas de parlamentares indiciados por corrupção se dessem ao desfrute de discutir a deposição de uma presidente da República reeleita por 54 milhões de brasileiros – e contra a qual não pesa um mísero indício – enquanto estiverem respondendo a inquérito judicial amparado não em injunções políticas, mas em provas concretas.

O Congresso, antes de querer derrubar alguém de outro Poder, terá que discutir cassações de seus próprios membros.

Nas semanas que se avizinham, portanto, a Justiça irá divulgar os nomes de dezenas e dezenas de parlamentares cujas digitais foram encontradas pelas investigações da Operação Lava Jato. E a oposição sabe muito bem que não passará incólume.

Aliás, outro dado importante é o de que as investigações da Lava Jato já estão chegando a Estados e Municípios. Em breve, o Brasil descobrirá que governadores e prefeitos, ao contrário da presidente da República, deixaram digitais nos cofres das empreiteiras bandidas.

Quanto ao desabamento da popularidade de Dilma, é conjuntural. Decorre de um mês de janeiro no qual ela se expôs com (inevitáveis) medidas de austeridade e nomeações de ministros indicados pelos partidos conservadores da base aliada. Mas uma outra pesquisa do mesmo Datafolha mostra que há um caminho para Dilma se recuperar.

Em setembro do ano passado, o instituto de pesquisas da Folha de São Paulo  pesquisou a ideologia dos brasileiros e descobriu um dado surpreendente: o brasileiro é mais de direita em temas comportamentais como aborto, idade de responsabilização penal etc., mas é mais de esquerda em questões econômicas.

Abaixo, trechos daquela pesquisa.

“(…) Em meio ao debate eleitoral, a parcela de eleitores brasileiros afinados com temas defendidos pela direita (45%) supera atualmente à de eleitores mais afinados com as ideias ligadas à esquerda (35%). Esse resultado mostra uma mudança na opinião dos brasileiros em relação a temas relacionados a comportamentos, valores e economia, que resultam nessa segmentação

 (…) 

Ao tratar somente de temas comportamentais e ligados a valores, os segmentos da população com mais afinidades com a direita (55%, sendo 15% de direita, e 40%, de centro-direita) superam os mais ligados à esquerda (25%, sendo 3% afinados com a esquerda, e 21%, com a centro-esquerda). O centro puro, neste caso, abrange 21% do eleitorado. Em novembro de 2013, 49% estavam posicionados à direita (12% à direita, e 37%, à centro-direita), 29% nos segmentos à esquerda (4% na esquerda, e 25% na centro-esquerda), e 22% no centro.

Quando se consideram apenas aspectos econômicos, 30% mostram mais afinidades com temas ligados à direita (20% na centro-direita, e 10% na direita), e 43%, com temais ligados à esquerda (18% na esquerda, e 25%, na centro-esquerda). A fatia dos que se situam no centro abrange 27%. Em novembro de 2013, a parcela situada à esquerda era de 46% (21% à esquerda, e 25% na centro-esquerda), enquanto 26% estão mais afinados economicamente com a direita (8% com a direita, e 18% com a centro-direita). A fatia dos que se situam no centro para temas econômicos ficou estável, em 27% (…)”

Como se vê, de 2013 para cá o brasileiro foi mais para a direita. Em termos políticos, muito mais. Em termos econômicos, porém, bem menos. Em resumo: somos caretas no comportamento, mas queremos proteção do Estado. Daí o resultado do Datafolha de sábado passado, que expressou preocupação da sociedade com a possibilidade de Dilma adotar o programa econômico da oposição, já que a própria esquerda a acusou disso.

Esse dado sobre a incoerência ideológica do brasileiro e sobre seu “endireitamento”, aliás, exige uma reflexão não só de Dilma, não só do PT, mas da esquerda brasileira em geral, inclusive da oposição de esquerda. O discurso esquerdista está seduzindo cada vez menos este povo. Atribuir isso só a Dilma ou ao PT é suicídio político.

Entretanto, é através da economia que o governo Dilma poderá recuperar a popularidade. O que manteve o PT no poder por mais de uma década tem sido a maior presença do Estado na economia e na vida dos cidadãos. É o que o povo quer, em grande parte. Dilma, portanto, precisa mostrar que seu governo não mudará de rota.

Como se vê, a oposição pode até estar vencendo o jogo neste momento, mas esse jogo não terminou. Vai durar mais quatro anos. Dá para virar e, se bobear, dá até para vencer de goleada.'

sábado, 24 de janeiro de 2015

Obras do metrô, da Sabesp e do Rodoanel estão na mira do MP


Alberto Youssef pode estar envolvido nas obras do Monotrilho
"Os contratos apareceram na planilha apreendida na casa do doleiro Alberto Youssef 

Fabio SerapiãoCartaCapital

Alvo de uma série de processos e inquéritos para apurar a atuação de um cartel de empresas em suas licitações, o Metrô de São Paulo entrou na mira dos promotores paulistas após aparecer em uma planilha apreendida na casa de Alberto Youssef. No documento, revelado por CartaCapital em sua edição 828, a estatal aparece em meio às 750 obras que, segundo a Polícia Federal, foram intermediadas pelo doleiro preso desde março em Curitiba e alvo principal da Operação Lava Jato. Com base nas informações publicadas pela revista, o Ministério Público instaurou um procedimento preliminar e solicitou à Justiça Federal do Paraná o compartilhamento de provas relacionadas à suposta ação de Youssef em solo bandeirante.

Além do Metrô, serão investigadas outras três obras apontadas na planilha, duas da Companhia de Saneamento, a Sabesp, e uma do Rodoanel. Subscrita pelo promotor Augusto Eduardo de Souza Rossini, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, o pedido relacionado ao setor metroferroviário tem como objetivo investigar possíveis “irregularidades consistentes em supostos desvios na licitação do trecho do Monotrilho entre as estações Oratório e Vila Prudente, integrante da Linha 15-Prata do Metrô e descumprimento do prazo de entrega do referido trecho pelos representados”.

No documento, uma planilha de 34 páginas com nomes de clientes relacionados a obras e órgãos públicos, a “Obra Vila Prudente” tem como cliente do doleiro a construtora baiana OAS. Além de alvo da Lava Jato, a empreiteira é integrante do consórcio responsável pela construção do monotrilho ao lado da Queiroz Galvão e da canadense Bombardier. Prometida pelo governador Geraldo Alckmin, do PSDB, para janeiro de 2014, a obra ainda não foi inaugurada. Na planilha, o doleiro cita o engenheiro Vagner Mendonça e aponta como o valor do contrato a cifra de 7,9 milhões de reais. Ao analisar a lista de projetos, a PF apontou que “pode-se deduzir que o doleiro tinha interesse especial nos contratos dessas empresas, onde de alguma forma atuava na intermediação”.

Além da planilha, caso o compartilhamento seja autorizado pelo juiz Sergio Moro, os investigadores da força-tarefa paranaense enviarão aos promotores paulistas uma série de documentos com potencial para colocar, mais uma vez, as caríssimas e lentas obras do Metrô no centro de um escândalo de corrupção. Em meio à papelada amealhada pelas diversas fases da Lava Jato encontram-se registros de movimentações financeiras em contas do doleiro sediadas no exterior que devem comprometer duas integrantes do consórcio do Monotrilho. Além da OAS, a Bombardier aparece em extratos encontrados sob a tutela do funcionário de Youssef João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado. A empresa canadense é alvo das investigações sobre o cartel de trens que teria operado em São Paulo durante as gestões de Mario Covas, José Serra e Alckmin.

O material no qual a Bombardier aparece foi apreendido na Queluz Investimentos, que, segundo a PF, servia de escritório ilegal do banco suíço PKB no Brasil. Os investigadores chegaram até a sede da empresa em busca dos rastros deixados por Almeida Prado. Preso desde o dia 1º de julho, o funcionário de Youssef é considerado pela força-tarefa como responsável pela abertura de offshore em paraísos fiscais, por onde a organização criminosa escoava o dinheiro proveniente de desvios em licitações públicas. Ele é integrante da centenária família Almeida Prado e concunhado do vice-presidente da Camargo Corrêa, João Auler, outro detido na carceragem da PF no Paraná.

Uma das offshore criadas e administradas por Almeida Prado é a Santa Tereza Services Limited Partnership. Nela, além da Bombardier, os investigadores encontraram movimentações financeiras de outras empresas com contratos milionários em estatais federais e estaduais. Diz o MPF sobre a offshore: “Apurou-se que dentro da conta da Santa Tereza na Suíça há quatro subcontas, todas controladas pela organização criminosa de Youssef e utilizadas para práticas delitivas. No extrato da subconta Sanko Sider aparecem depósitos que são também relacionados à corrupção de funcionários públicos brasileiros: Bombardier, OAS Investments, Cimentos Tupy (...)”.

Mantida no PKB Private Bank da Suíça, a conta da offshore chegou a ter 3,2 milhões de dólares de saldo e, segundo análise dos peritos da PF, seus extratos do período entre 8 de outubro de 2012 e 4 de março de 2014 indicam “intensa movimentação financeira, com diversas operações com valores iguais ou superiores a 1 milhão de dólares”.  A subconta Sanko Sider, diz a PF, era abastecida por numerário proveniente da ação do doleiro em negociações relacionadas à venda de tubos para empreiteiras envolvidas no cartel da Petrobras. A planilha apreendida com o doleiro também está relacionada à Sanko.

Em nota, a Bombardier negou manter contato com a Santa Tereza ou empresas pertencentes a Alberto Youssef. Segundo a multinacional, em 2013, a empresa emitiu títulos para captação de recursos na forma de bonds que teriam sido adquiridos pelaoffshore em operação transparente e de acordo com as normas financeiras. “A Bombardier reforça seu compromisso com os mais altos padrões de ética corporativa em todos os países onde está presente”, diz a nota. Também em nota distribuída à imprensa, o Metrô criticou “a tentativa de extrair conclusões de documento cuja autenticidade e significado dependem de provas que já estão sendo produzidas com muita correção pelo Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal”. Segundo a estatal, o​ projeto da Linha 15, bem como todas as obras​ executadas pela Companhia, foi licitado com base na Lei nº 8.666, com ​ampla concorrência entre os consórcios participantes. O certame foi vencido pelo Consórcio Expresso Monotrilho Leste, que ofereceu o melhor projeto e o menor preço.

Somadas, as obras listadas na planilha de Youssef alcançam a cifra de 11,5 bilhões de reais. São 747 projetos executados por órgãos públicos entre 2008 e 2012. No caso do monotrilho da Vila Prudente, as relações do doleiro com as licitações ainda necessitam de uma investigação mais aprofundada. Mas o fato é que a instauração dos inquéritos por parte das autoridades paulistas é mais um passo no caminho da busca por todos os tentáculos da organização criminosa comandada por Youssef e que, segundo a PF, extrapola os limites da Petrobras e “assola o País de Norte a Sul.”

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Conta na Suíça liga Youssef ao escândalo das propinas nos trens de São Paulo


Bombardier, fornecedora dos trens do monotrilho da Linha 15-Prata do Metrô, é investigada por supostamente integrar cartel
"Na linha 15-Prata do Metrô está a estação Vila Prudente, listada na planilha apreendida com Youssef em março pela Polícia Federal, ao lado da cifra de R$ 7,9 milhões, suspeita de referir-se a propina

Helena Sthephanowitz, Blog da Helena / RBA 

A força-tarefa que investiga a Operação Lava Jato encontrou movimentações financeiras em nome da multinacional canadense Bombardier nas contas usadas pelo doleiro Alberto Youssef na Suíça. É mais uma peça no quebra-cabeças de indícios e provas que o Ministério Público paulista tem de montar sobre o esquema de corrupção no Metrô, chamado pomposamente de cartel pela imprensa tucana, onde empresas combinavam preços nas licitações e pagavam propinas a autoridades do governo tucano de São Paulo nas gestões de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

A Bombardier é fornecedora dos trens do monotrilho da Linha 15-Prata do Metrô paulista e investigada por supostamente integrar o cartel. Nesta linha do Metrô está a estação Vila Prudente, listada na planilha apreendida com Youssef em março pela Polícia Federal, ao lado da cifra de R$ 7,9 milhões, suspeita de referir-se a propina.

A movimentação com o nome da multinacional canadense aparece na conta suíça do banco PKB, da empresa offshore Santa Tereza Services Limited Partnership, criada na Nova Zelândia e controlada por João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, preso desde julho de 2014 apontado como alto membro da suposta organização criminosa de Youssef.

“Apurou-se que dentro da conta da offshore Santa Tereza, na Suíça, há quatro subcontas (denominadas Fiança, C/C, Premier e Sanko), todas controladas pela organização criminosa de Youssef e utilizadas para as práticas delitivas. Assim, por exemplo, no extrato da subconta Sanko Sider aparecem depósitos que também aparentam ser relacionados à corrupção de funcionários públicos brasileiros: Bombardier, OAS Investments, Cimentos Tupi (…)”, afirma o MPF em relatório.

O Ministério Público Federal, em um de seus ofícios da Lava Jato, definiu Almeida Prado como: “(...) de sua longa experiência no setor bancário e na área de câmbio, a função de João Procópio era, em síntese, ser o operador das contas de Youssef, sobretudo no exterior. Assim, era sua incumbência abrir as contas de empresas offshore no exterior, em seu próprio nome ou em nome de laranjas, bem como movimentá-las no interesse da organização criminosa”. 
De acordo com o MP, Prado enviou ao menos 78 milhões de dólares para o exterior por meio de 1.114 contratos fraudulentos intermediados por essas empresas.

Youssef é o segundo doleiro da Operação Lava Jato que aparece ligado ao escândalo das propinas nos trens paulistas. O outro, Raul Henrique Srour, movimentou dinheiro irregular da Siemens, também suspeito de tratar-se de intermediação de propinas, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, conforme outra investigação internacional feita pela Procuradoria de Luxemburgo.

A Bombardier afirmou em nota que "jamais manteve contato com a empresa Santa Tereza ou qualquer outra companhia pertencente ao Sr. Alberto Youssef".

Em 2013, a Bombardier Inc. realizou uma emissão de títulos para captação de recursos na forma de bonds, em uma operação absolutamente transparente e de acordo com a legislação financeira . Como a venda dos referidos títulos é intermediada por corretoras e instituições financeiras (como atestam os extratos do banco PKB), a empresa emissora não mantém contato direto com o comprador/beneficiário final.

O Ministério Público Estadual de São Paulo abriu investigação prévia dos fatos que apareceram recentemente durante a investigação federal da Lava Jato que apontam para crimes na esfera estadual. É possível que o órgão paulista chegasse aos mesmos fatos bem antes se tivesse dedicado mais atenção ao escândalo da Alstom e da Siemens, denunciado no exterior desde 2008. A cerimônia cheia de não me toques com que alguns procuradores paulistas tratam autoridades tucanas tem feito muito mal à proteção dos cofres públicos paulistas.

Mesmo depois de ter uma conta bloqueada na Suíça, e de ser acusado de receber propina da Alstom, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Robson Marinho, ex-companheiro do governador Alckmin no PSDB, continuou no cargo até recentemente aprovando as contas do governo tucano, inclusive relativas aos trens investigados. Se houvesse maior rigor dos procuradores e magistrados que cuidaram do caso, considerariam a recusa em se afastar deste cargo de controle enquanto investigado uma forma de colocar obstáculos às apurações, motivando até mesmo pedido de prisão preventiva."

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O FRUTO AMARGO DA CORRUPÇÃO E O ENCONTRO MARCADO COM A VERDADE !


Encontro marcado com a História

Quando eclodiu a Operação Lava-Jato, no calor do desfecho das eleições presidenciais, os políticos da oposição caíram matando. E ajudaram a difundir a ideia de que as empreiteiras flagradas cometendo crimes destinaram dinheiro mal havido, e fruto de corrupção, para financiar os partidos do governo, o PT e o PMDB. Tomados pela frustração da derrota criminalizaram as doações eleitorais para os partidos governistas.

Teria sido mais prudente se o principal partido de oposição, o PSDB, fizesse discurso diferenciando o que é roubo do que são contribuições eleitorais. Mas não fizeram isso. Preferiram surfar na denúncia. Não ficaram atentos ao fato de que as empresas de construção civil estão entre as principais financiadoras eleitorais. E que as doações são ecumênicas e se destinam a todos os partidos. Afinal, elas executam obras em todos os estados da Federação.

Foi nesse contexto que o proprietário da UTC, Ricardo Pessoa, revelou em depoimento, para a Polícia Federal, que tinha feito doações para as campanhas do PT, da presidente Dilma, e do PSDB, do senador Aécio Neves. Pessoa tratou de doações com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que já está crucificado e criminalizado; e, com Sérgio da Silva Freitas, arrecadador do PSDB, e que tenta ser tratado como inocente alegando que não pegou nenhum dinheiro na própria mão. O réu Fernando Baiano faz negócios escusos desde "2001" e Pedro Barusco desde "1996". 

É presumível que novos fatos, semelhantes, sejam colocados à luz do dia. Mas, se o discurso foi o de que o dinheiro de meu adversário era mal havido, como se pode pretender que a doação para a minha campanha tinha origem honesta? Como se fosse possível com duas cédulas na mão alguém dizer: essa aqui, na minha mão direita, que foi doada para a minha campanha, foi ganha honestamente; agora, essa, na mão esquerda, que foi para a campanha de meu adversário, é fruto de roubo.

Ainda é cedo para saber onde essa investigação vai parar e antecipar qual a disposição do juiz Sérgio Moro. Será que desta vez a Justiça será justa e punirá todos os corruptos? Ou o STF punirá os políticos e os demais tribunais abandonarão seus processos no escaninho do compadrio? O STJ e os tribunais estaduais tratarão esse caso como prioridade, como o STF fez com o mensalão, ou os tratarão comodamente como um caso menor? Está na hora do Poder Judiciário ser cobrado com mais rigor pela impunidade reinante!

O PT merece os ataques que vem recebendo, a exemplo do que ocorreu no mensalão. O berro udenista sempre foi seu instrumento para atacar os adversários. Reclamar, porque? E do que? O PT cresceu dizendo que seus adversários eram todos ladrões, que se serviam do poder ao invés de servir ao povo. Não podem agora achar injusto quando seus adversários fazem o mesmo. Não fazem isso de graça, mas quando pegam petistas pisando na bola.

Mas aqueles que olham tudo isso de fora não devem se impressionar com os fatos. Eles não representam nenhuma novidade nem essa prática foi inaugurada pelos plantonistas no poder. Nem há quem possa se declarar imune. Essa prática é uma chaga nacional. Faz parte dos usos e costumes. Se servir da coisa pública em benefício próprio, e para atrapalhar a vida e a iniciativa alheia, é uma prática ancestral nesse país. E, se alguém tiver alguma dúvida, basta ler o livro "Mauá - O Empresário do Império", do jornalista Jorge Caldeira, para saber de onde, e desde quando, tudo isso vem.

Encontro marcado com a História
ILIMAR FRANCO - 24.11.2014 
Site de O Globo
via: http://007bondeblog.blogspot.com.br/2014/11/o-fruto-amargo-da-corrupcao-e-o.html

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Lei de FHC afrouxou controles da Petrobras


"Conhecida como "Lei do Petróleo", a Lei 9478/97, idealizada por David Zylberstajn, ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo, e pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, fragilizou os critérios de governança da Petrobras; até então, as contratações da companhia estavam submetidas à rigorosa Lei 8.666, de licitações; com a abertura do mercado brasileiro de petróleo a firmas internacionais, feita por FHC e Zylberstajn, ex-genro do ex-presidente, a Petrobras ganhou o direito de contratar sem licitações; só nos últimos quatro anos, foram R$ 70 bilhões, segundo o TCU; FHC hoje se diz "envergonhado", mas sua lei contribuiu para a ascensão de personagens como Pedro Barusco, o gerente da companhia que se tornou o corrupto de US$ 100 milhões, que contratou bilhões nos últimos anos

Brasil 247 

A origem do escândalo de corrupção que atinge a Petrobras pode ser a lei 9478/97, idealizada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e por seu ex-genro David Zylberstajn, que presidiu a Agência Nacional do Petróleo.
Conhecida como "Lei do Petróleo", a 9478/97 abriu o mercado brasileiro a firmas internacionais e, em compensação, permitiu que a Petrobras adotasse regras mais flexíveis para contratar bens e serviços.

A partir daquele ano, a empresa foi dispensa da Lei de Licitações, a duríssima 8.666, e ganhou poderes para contratar de forma simplificada – em muitos casos, até por meio de carta-convite.

Ontem, no Congresso Nacional, o secretário de Fiscalização de Obras para a Área de Energia do Tribunal de Contas da União (TCU), Rafael Jardim Cavalcante, afirmou que a estatal petrolífera realizou a maior parte das contratações diretas de bens entre os anos de 2011 e 2014 sem licitação.

"Não temos ainda números definitivos, mas nos últimos quatro anos eventualmente em bens a Petrobrás talvez tenha contratado entre R$ 60 e R$ 70 bilhões. Levantamentos preliminares, e peço a paciência e a compreensão sobre a higidez desse número, apontam que de 60% a mais de 70%, dessas contratações de bens são feitas sem licitação. Para avaliar, antes do certo e errado, qual é o risco em termos de boa governança corporativo dessa prática e dessa previsão legal?", questionou.

Quando a lei foi adotada, no governo FHC, dizia-se que a estatal precisava de maior flexibilidade para concorrer com firmas internacionais. O presidente escolhido para comandar a empresa, Henri Philippe Reichstul, orgulhava-se de dizer que geria a Petrobras como uma empresa privada e fez vários negócios que, hoje são objeto de contestação judicial – como uma polêmica troca de ativos com a espanhola Repsol, assinada no apagar das luzes do governo FHC.

No governo Lula, a Petrobras viveu seu maior ciclo de investimentos. O gerente-executivo Pedro Barusco, hoje conhecido como o corrupto de US$ 100 milhões, teve poderes para contratar nada menos que R$ 15 bilhões em sondas e plataformas que foram fretadas à Petrobras pelo grupo Schahin.

Em 2010, a facilidade com que a Petrobras contratava, sem licitações, foi questionada junto ao Supremo Tribunal Federal. Com parecer do então advogado Luis Roberto Barros, hoje ministro do STF, a Petrobras continuou livre da lei de licitações, numa decisão que teve voto favorável do ministro Dias Toffoli (leia aqui reportagem do Conjur a respeito).

FHC hoje se diz envergonhado com o que ocorreu na Petrobras, mas ele talvez tenha sido um dos responsáveis pelo surgimento de Baruscos na empresa."

domingo, 16 de novembro de 2014

Dilma e o Dispositivo Assis Brasil


Jango, o general Assis Brasil e o primeiro-ministro Tancredo Neves. O neto dele tornou-se conspirador.
GGN

"No dia 20 de outubro, um observador da cena política, consciente do teor explosivo da Lava Jato, enviou a seguinte mensagem para um dos principais estrategistas de Dilma Rousseff:

"Uma dica para tentar esvaziar de vez o caso Petrobras.

Os dois candidatos jogaram todas as sujeiras possíveis na mesa e elas tendem a se espalhar em ritmos diversos. Contra a Dilma, pesa exclusivamente o caso Petrobras; contra Aécio, uma dezena de casos sem resposta satisfatória.

Imagine a Dilma convocando uma entrevista coletiva para uma tentativa de resposta definitiva ao caso Petrobras, sabendo que não há o menor envolvimento dela com as questões levantadas

Na entrevista, ela admitiria os problemas da Petrobras e, junto, uma proposta didáticapara resolver definitivamente a questão.
Tipo:
  1. Em uma empresa grande, demora para informações e pessoas chegarem até o presidente. Precisam passar primeiro pelo guarda, depois pela portaria, fazer cadastro, depois marcar audiência. Tem muitas outras pessoas precisando falar. E não tem como saber, antes, o que é mais ou menos importante. É por isso que algumas pessoas às vezes conseguem burlar os sistemas de controle e praticar malfeitos.
  2. Foi o que ocorreu na Petrobras. Algumas pessoas sabiam o que estava acontecendo, mas não tinham como chegar à presidente. E sem ter a informação, não havia como a presidente agir.
  3. Essas são as principais lições que tiramos do caso Petrobras. Analisando o ocorrido, decidimos tomar um conjunto de decisões para sanar de vez esse problema.
E aí vem o estoque de medidas possíveis: uma auditoria permanente, para receber denúncias; alguém da AGU diretamente ligado à presidência, uma equipe filtrando permanentemente as denúncias".

Obviamente, a estratégia só teria eficácia se montada antes da eclosão pública da Operação Lava Jato.

Mas não adianta.

O país é outro, os tempos são outros.

Mas às vezes passa a impressão de as estratégias políticas de Dilma são ainda mais inócuas que o Dispositivo Assis Brasil - o famoso dispositivo militar anti-golpe que o grupo de Jango só descobriu que não existia no dia 1o de abril de 1964."

sábado, 15 de novembro de 2014

A Operação Lava Jato e o futuro do financiamento político


Do GGN

"Não se sabe ainda quais jogadas políticas se escondem por trás da Operação Lava Jato. Se for seletiva em relação a partidos políticos, desmoraliza. O vazamento de depoimentos na véspera das eleições é uma mancha na operação.
Se for, de fato, republicana, muda a história política e a luta contra a corrupção no país. E, por republicana, entenda-se o aprofundamento de todas as relações políticas do doleiro Alberto Yousseff  - e aí entram o PT, o PSDB, PMDB, PP e demais partidos.
***
Até agora, as mazelas políticas do país sempre foram tratadas de forma oportunista pela cobertura midiática. Jornais valem-se das denúncias não como instrumentos de aprimoramento do país, mas como armas do jogo político, em atendimento a seus interesses empresariais e de seus parceiros políticos e empresariais.
Na CPI do Banestado, a Polícia Federal levantou e-mails de um lobista da Andrade Gutierrez alertando José Serra de que, se as investigações não fossem interrompidas, iriam bater nos recursos da privatização. Segundo o procurador Celso Três,  que participou das investigações, houve "aberrante morosidade na investigação", devido à atuação do então Procurador Geral da República Geraldo Brindeiro - denominado de "o engavetador-mor" de FHC. A morosidade do MPF permitiu a prescrição dos crimes.
A Operação Castelo de Areia envolvendo a Camargo Correa, alguns anos atrás, flagrou pagamento de propinas a políticos de ponta do PSDB paulista, como o ex-Chefe da Casa Civil do governo Alckmin, Arnaldo Madeira. Acabou sepultada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a alegação de que se iniciara a partir de uma denúncia anônima. Votaram pela anulação a ministra Maria Thereza de Assis Moura, e os ministros Og Fernandes e Celso Limonge.
***
Outra operação, a Satiagraha, atingiu o coração de um vasto esquema de corrupção que envolvia do mensalão do PSDB ao do PT. Foi sufocada por uma pressão conjunta do governo Lula, dos grupos de mídia, de aliados de José Serra - cuja filha era sócia de Daniel Dantas - , e do óbvio Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O STJ anulou a operação, através dos votos do ministro Jorge Mussi, do relator, desembargador Adilson Macabu, e o ministro Napoleão Nunes Maia Filho. No Congresso, Dantas recebeu o apoio entusismado dos notórios senadores Arthur Virgilio (PSDB-AM) e Álvaro Dias (PSDB-PA). Na imprensa, apoio da revista Veja, depois de presenteá-la com dois cadernos de publicidades de empresas de telefonia controlada por ele.
***
Até agora, a Operação Lava Jato recebeu amplo apoio dos grupos de mídia por visar, por enquanto, apenas o PT e os governos Dilma e Lula. Não se pense, da parte dos grupos de mídia, em nenhuma bandeira desfraldada contra a corrupção, mas em interesses políticos e empresariais bastante objetivos.
A Operação, em si, revela uma imensa teia de jogadas envolvendo a Petrobras, a maior empresa brasileira e montadas a partir de executivos indicados no governo Lula. A liberdade conferida a Paulo Roberto Costa superou todos os limites do bom senso. Se o PT pretendia inserir-se no establishment político brasileiro, conseguiu com louvor. Mas sem blindagem.
*** 
Yousseff é muito mais que isso. É mencionado no livro "A privataria tucana" como homem-chave na remessa de recursos de caixa dois de caciques tucanos  para o exterior. Participou diretamente de operações que passavam por recursos da privatização, além das operações do notório Ricardo Sérgio - o homem de Serra no Banco do Brasil.
***
Se houver, de fato, espírito republicano por parte do juiz Sérgio Moro, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, aplica-se um golpe de morte em todo sistema de financiamento clandestino de campanha eleitoral.
Depois da prisão de executivos, nenhuma grande empresa irá correr mais riscos de continuar nesse jogo. 
O STF já votou contra o financiamento privado de campanha. A votação não foi homologada ainda devido ao vergonhoso Gilmar Mendes que, mesmo já sendo voto vencido, pediu vistas do processo e engavetou-o."