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sexta-feira, 29 de julho de 2016

O evento-encenação da "célula amadora" dos terroristas de paintball



Saem bolivarianos e comunistas e agora entram terroristas islâmicos. Sim! Nós também temos terroristas. “Células amadoras” onde o batismo é feito através de webcam, compram armas do Paraguai pela Internet e pretendem fazer “treinos de lutas marciais” a poucos dias dos jogos olímpicos, suposto alvo dos intolerantes religiosos. Isso quem disse foi Alexandre de Moraes, ministro da Justiça, em uma coletiva convocada numa atmosfera de pompa e gravidade. Uma “investigação sigilosa” que, ao mesmo tempo, pode ser divulgada à Imprensa. E a grande mídia repercute com seus correspondentes no Exterior para que, definitivamente, esse País seja levado à sério. Esse é mais um exemplar de uma longa história de “eventos-encenação” (Umberto Eco) que começa com o casamento de Lady Di e Príncipe Charles, passando pelos mísseis jogados no Sudão e Afeganistão por Bill Clinton para desviar a atenção de um escândalo sexual em 1998 até essa desajeitada estratégia do governo Temer repleta de contradições, timing e oportunismo, com direito a foto de um “terrorista de paintball”.


No ápice do escândalo sexual do presidente Bill Clinton envolvendo uma estagiária e charutos em pleno Salão Oval da Casa Branca em 1998 e a ameaça de sofrer um impeachment, o Governo respondeu ao ataque terrorista a duas embaixadas norte-americanas na África com um ataque de mísseis de cruzeiro contra alegadas posições terroristas no Sudão e Afeganistão. Muitos analistas viram nessa ação uma estratégia para derrubar a pauta midiática do escândalo. O Departamento de Estado falou que tudo foi “mera coincidência”.

E naquele mesmo ano era lançado o filme Mera Coincidência (Wag The Dog) que acompanha um presidente também envolvido em escândalos sexuais que precisa reverter a agenda da mídia a poucas semanas do final da campanha da reeleição. Contrata um conselheiro de relações públicas e um produtor de Hollywood para produzir uma guerra fictícia envolvendo supostos terroristas albaneses em guerra cenográficas em chroma key e muitos vídeos “vazados” para os telejornais – sobre o filme clique aqui.

Tanto na realidade como na ficção, esses exemplos tratam de dois elementos fundamentais na política: o timing e o oportunismo. E quando esses dois elementos estão presentes simultaneamente em um fato político há 99% de possibilidade de tudo ter sido manufaturado, seja em uma False Flag, Inside Job, factoide, pseudo-evento ou um evento-encenação.

Filme "Mera Coincidência" (1998): terrorismo em chroma key

A poucos dias do início das Olimpíadas no Rio, o ministro da Justiça Alexandre de Moraes convoca a imprensa e anuncia que a Polícia Federal prendeu um grupo de dez brasileiros que conversavam em aplicativos de comunicação, como o WhatsApp, sobre intolerância racial, ódio e islamismo. E finalmente foram presos quando os comentários passaram para “atos preparatórios”  como comprar arma pela Internet de uma loja paraguaia e planejar fazer treinamentos de artes marciais.

Uma célula do Estado Islâmico no Brasil? Sim, e para o ministro trata-se de uma “célula amadora”.

A coletiva à imprensa foi cercada com toda pompa e atmosfera de gravidade necessárias – o ministro levantou a bola para ao longo do dia a grande mídia chutá-la para frente através dos seus correspondentes internacionais, ávidos pela possibilidade do Brasil também estar no circuito do terrorismo internacional e ser um país respeitado. Sim! Nós também temos terroristas. Embora ainda “amadores”.

A coletiva: pompa e atmosfera de gravidade

Eventos-encenação, telegenia e canastrice


Umberto Eco em seu texto clássico Televisão: a Transparência Perdida(texto do livro Viagens na Irrealidade Cotidiana, Nova Fronteira, 1983) descrevia como a irrealidade cotidiana estava sendo progressivamente transmitida por uma nova forma de TV: a “neotevê” - aquela televisão onde a realidade deixou de ser menos os fatos imprevisíveis e espontâneos do que aqueles habilmente produzidos para se encaixar confortavelmente no script pré-estabelecido da grande mídia – sobre esse conceito clique aqui.

Para Eco, o casamento da família real inglesa (o “Royal Wedding”) em 1981 teria sido o acontecimento inaugural:  produzido e roteirizado para ser telegênico e encaixado na grade de programação da BBC.

São os “eventos-encenação” onde relações públicas, marqueteiros e jornalistas transformam-se em consultores para a produção de eventos que consigam juntar em um único lance timing e oportunismo.

Contando com a rápida repercussão pela Neotevê. Afinal, os eventos-encenação têm appeal, telegenia e canastrice com design cuidadosamente planejado para a mídia – reparem no personagem canastrão criado pelo ministro Alexandre de Moraes:  um misto de Kojak com um estudado olhar grave que frequentemente entra em conflito com sua fala gaguejante e engasgos constantes. Mas diferente do ministro, o velho Kojak da série dos anos 1970 era um policial que não se levava a sério...

Ministro da Defesa: pronto para a ação em seu colete de campanha...

Eventos-encenação são contraditórios


De início, um evento-encenação apresenta muitas contradições pela sua natureza esquizofrênica: embora encenada, tem que aparentar espontaneidade e a fatalidade do destino.

(a) A expressão “célula amadora” ‘e uma contradição de termos: “célula”, um conceito tático de um movimento político organizado, com característica “amadora”. O ministro teve que criar um conceito inusitado para a mídia engolir a história de jovens se comunicando no WhatsApp e comprando armas pela Internet;

(b) O ministro declarou que nomes dos brasileiros seriam mantidos em sigilo para, segundo ele, assegurar o êxito das novas fazes de investigação. Como é possível sigilo em uma ação já amplamente repercutida na mídia pelo próprio ministro. Na Europa e em países acostumados a lidar com atos terroristas, as investigações são sempre mantidas em sigilo para que não sejam atrapalhadas e nem crie pânico desnecessário.

(c) A necessidade da prisão do grupo suspeito veio a partir do momento em que passaram para “atos preparatórios”. A poucos dias das Olimpíadas a “célula” decide (ou foi “acionada”) partir para ação, comprando armas pela Internet e decidindo treinar “artes marciais”. Tudo em cima da hora, numa ação que, mesmo para aqueles que assistem a filmes de ação (provavelmente a formação da “célula amadora”), sabem que uma ação terrorista num evento dessa magnitude levaria meses para ser planejada.

(d) As prisões foram feitas com base em uma única evidência: conversas em aplicativos como WhatsApp. Mas não estamos no país onde juízes tiram o serviço do aplicativo do ar como sanção pelo serviço não fornecer à Justiça os registros de conversas entre usuários? Essa contradição foi apresentada ao ministro na coletiva. Alexandre de Moraes gaguejou mais do que o normal.

Agora vamos ao núcleo político de um evento-encenação: timing e oportunismo. Evento que de tão conveniente, passamos a nos perguntar: quem sai ganhando?

O terrorista de paintball: uma questão de corte do enquadramento

Evidências de encenação


Manchetes de jornais e imagens telejornalísticas morderam a isca oferecida pelos ministros da Defesa e Justiça e desenvolveram a habitual narrativa clichê: brasileiros barbudos, convertidos ao islamismo e, ainda, um deles respondia dúvidas sobre aulas de árabe em um grupo no WhatsApp.

Mas chega a forçar a barra no limite da irresponsabilidade ao transformar um “terrorista de paintball” em ameaça real aos jogos olímpicos. Em rede social um internauta mostrou a foto utilizada por veículos de comunicação e autoridades na qual um dos suspeitos parece empunhar uma arma de grosso calibre. Essa foto é comparada com a original, sem o corte de enquadramento. Percebemos que a arma é nada mais do que um equipamento usado em paintball para disparar pequenas bolas de tinta nos adversários do jogo - sobre isso clique aqui.

Nada como uma arma escura e um rosto barbado e “étnico” para criar uma ameaça pública...

Timing


A convocação emergencial de coletiva a imprensa veio em momento perfeito - com direito a imagens na TV com o ministro da Defesa Raul Jungmann vestindo uma espécie de colete de campanha e dando novas declarações esquizofrênicas (falava em “calma” e “segurança” após a fala grave e gaguejante de Alexandre de Moraes) acompanhado de militares com roupas de camuflagem como “papagaios de pirata”.

Tudo acontece após o massacre em Nice e a poucos dias dos jogos olímpicos. E também em meio a um ataque em um shopping em Munique, Alemanha. Isso após um outro ataque a machado em um trem em Würzburg, também Alemanha – e, como sempre, o “terroristas” ou se matam ou são mortos no final pela polícia – sobre como identificar o script de um False Flag clique aqui.

Como sabemos, um Estado autoritário deve sempre contar com um inimigo externo para criar legitimidade pelo medo e terror. O atual governo interino de Michel Temer sabe que a sua missão é amarga e ingrata: enfiar goela abaixo do populacho todas as medidas neoliberais antipopulares, antissociais e anti-trabalhistas – Estado mínimo e financismo máximo.

Bolivarianos e comunistas perderam a força de apelo que levou milhares de camisas amarelas às ruas. Agora é o momento de criar um novo inimigo: o poder do Estado Islâmico arregimentar brasileiros através da Internet. Terroristas e homens-bombas estariam entre nós. Muito embora eles já estejam há anos aqui com o crime organizado (PCC) que explode caixas eletrônicos e corrompe a Polícia Militar.

Desviar a atenção da mídia internacional?

Oportunismo – quem ganha?


O impeachment da presidenta Dilma deve ir a julgamento final em agosto, em meio aos jogos olímpicos do Rio. Elevar o alerta de terrorismo é a clássica estratégia de desvio da atenção no momento em que jornalistas e o mundo inteiro estarão olhando para o Brasil.

O fato de Dilma não ter renunciado e ter se convertido em uma “denúncia viva” do golpismo brasileiro ao viajar pelo País e dar entrevistas a correspondentes estrangeiros, transformou-se num problemas de relações públicas para o governo interino.

Um alerta de terrorismo é conveniente para derrubar a pauta midiática atual  concentrada em impeachment + crise econômica + Lava Jato.

Além disso, ganha também a grande mídia, principalmente a TV Globo. Nos últimos anos de queda de audiência vertical pela concorrência da Internet e tecnologias de convergência, é facilmente perceptível no seu telejornalismo a demonização da Internet: terra de ninguém onde ocorrem golpes financeiros, pedofilia, pornografia, pirataria vício, dependência, Deep Web etc.

E agora, além de torcidas organizadas de futebol que marcam encontros violentos pelas redes sociais, temos o Estado Islâmico cooptando brasileiros com “batismos virtuais” diante de um estandarte negro  transmitido por webcam.

Para uma emissora como a Globo que sempre sentou em cima de mercados de novas tecnologias para evitar concorrência com a TV aberta (vide o caso da TV por assinatura nos anos 1990-2000), o governo Temer poderá trazer as condições ideais: crise econômica e recessão para forçar todos, com dinheiro curto, ficarem em casa e ter a TV como única fonte de entretenimento; e demonização das ameaçadoras novas tecnologias.
Vi no: http://cinegnose.blogspot.com.br/2016/07/o-evento-encenacao-da-celula-amadora.html?spref=bl

quinta-feira, 26 de março de 2015

Os 10 comerciais mais preconceituosos dos últimos meses

A série de desastres produzidos pela publicidade brasileira inclui, entre outras coisas, objetificação da figura feminina, culpabilização da vítima e culto ao padrão branco de beleza. Confira as 10 propagandas mais machistas e racistas do último ano

Anna Beatriz Anjos e Jarid Arraes, Revista Fórum
Palmolive – “Longo Sedutor”
A propaganda voltada ao cuidado com os cabelos reforça a mensagem de que as cantadas seriam profundamente desejadas pelas mulheres. Fazendo um trocadilho com o ato de cantar uma música, o vídeo mostra uma mulher sendo abordada, incluindo até mesmo toques físicos, por causa de seu belo cabelo. O tema das cantadas tem ganhado força no Brasil, evidenciando a prática como algo invasivo e violento, que constrange e amedronta mulheres. A Palmolive, no entanto, prefere não acompanhar o avanço social.
TRESemmé – “Selagem Capilar”
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Com a frase “meu cabelo liso ressalta o melhor de mim”, a marca de produtos capilares exibe uma modelo negra como símbolo de sua propaganda. A mensagem é clara: o melhor que uma mulher negra pode possuir em si é algo que se faz notar apenas com a aproximação ao padrão de beleza branco. É verdade que algumas pessoas de pele escura têm os cabelos naturalmente lisos, mas basta um pouco de consciência e responsabilidade social para perceber, preferencialmente antes de aprovar a peça publicitária, que vivemos uma epidemia de alisamentos e que o cabelo crespo ainda é alvo dos mais agressivos tipos de rejeição e preconceito.
Mr. Músculo
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Para vender produtos de limpeza, a marca recorre à antiquíssima ideia de que os afazeres domésticos são tarefas femininas. Em suas peças publicitárias, são exibidas mulheres cuidando da limpeza, preocupando-se com a manutenção da casa e caindo de exaustão após uma faxina. Para piorar, a empresa chegou a publicar uma peça afirmando que a mulher só poderá buscar seus objetivos e sonhos depois de limpar a casa.
Posto Ipiranga
Na campanha lançada neste início de 2015, a rede de postos de combustível expõe uma imagem completamente estereotipada e infiel dos povos indígenas brasileiros. Primeiro, porque os retrata com características claramente trazidas da América do Norte – exemplo é o cocar dos índios apaches, nativos dos EUA, que nada têm a ver com os adereços utilizados por nossas comunidades tradicionais. Além disso, ridiculariza os indígenas, utilizando-se do velho e preconceituoso clichê de que são burros e menos civilizados do que o branco ocidental.
Skol
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O anúncio da marca de cervejas trouxe à tona os aspectos mais machistas e violentos do Carnaval. Ignorou, sobretudo, a noção de consentimento, algo que ocorre corriqueiramente em nosso país, mas é levado às últimas consequências no feriado em questão. A peça dá a entender que a negação da mulher às investidas sexuais alheias pouco importa, principalmente se tiver consumido bebidas alcoólicas – como a divulgada pela propaganda – ou se estiver vestida com roupas curtas, encaradas por si só como “convite” e “permissão” à invasão de seu corpo.
Ministério da Justiça – “Bebeu, Perdeu”
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Em campanha para combater o consumo de álcool por parte de crianças e adolescentes, o Ministério da Justiça acabou produzindo uma peça extremamente machista, que culpabiliza a mulher vítima de atos praticados sem o seu consenso, desde um estupro à divulgação de vídeos íntimos – o famoso revenge porn. Dessa forma, insinua, ainda, que as mulheres que bebem, por exemplo, pedem para ser abusadas e, por isso, não têm direito a nenhum tipo proteção. Depois da desastrosa repercussão da propaganda nas redes, o órgão a retirou de circulação e pediu desculpas em sua página no Facebook.
Itaipava – “Verão”
Mais um anúncio machista que, acima de tudo, objetifica e hiperssexualiza a figura da mulher. Ao fazer a comparação entre o volume de cerveja contido nos recipientes comercializados pela marca e o silicone dos seios da modelo, a peça a coloca à disposição dos homens, que podem, teoricamente, escolher a “embalagem” de sua preferência. Além disso, ainda exalta o padrão de beleza branco e esbelto, que dificilmente deixa espaço a quem não corresponde a ele, como as mulheres gordas e negras (estas, quando atingem visibilidade, aparecem de maneira ainda mais sexualizada).
Fast Shop – Semana da Mulher
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Uma das mais catastróficas peças produzidas para “comemorar” o último Dia Internacional da Mulher, reforça o estereótipo sexista de que as tarefas relacionadas à vida doméstica são responsabilidades exclusivamente femininas. Como se não bastasse, sugere a compra de uma máquina de lavar para que a mulher, vista sempre como uma dona de casa, “tenha mais tempo livre”. A loja responsável por tal infelicidade parece ter esquecido que a “jornada dupla” socialmente imposta às mulheres trabalhadoras, é um fardo enorme que lhes toma tempo e as impede, muitas vezes, de manter maior foco em questões profissionais, como podem fazer os homens sem nenhum impeditivo.
Always – 0% Vazamentos
Em um dos maiores desastres da publicidade brasileira, a marca de absorventes tentou engatar uma campanha de conscientização sobre fotos e vídeos íntimos publicados sem o consentimento das mulheres. O equívoco foi imenso: até mesmo a ONG Safernet, que deveria ser responsável pelo conteúdo informativo e legal, reforçou a ideia de que as mulheres são culpadas pelas fotos vazadas, indicando que não tirem fotos íntimas caso não queiram aparecer na internet. Em nenhum momento a propaganda falou sobre a responsabilidade dos homens que divulgam o conteúdo sem permissão e de forma criminosa. Para completar o desastre, a Always exibiu a modelo Sabrina Sato como atrativo sexual para chamar atenção da audiência durante a campanha.
Risqué – “Homens que amamos”
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Com o objetivo de “homenagear” os homens por comportamentos sexistas, a marca de esmaltes achou que seria uma boa ideia reforçar o clichê do “homem que ajuda” ao lançar sua nova coleção – porque para um homem basta cozinhar o jantar ou lavar alguns pratos sujos de vez em quando para conquistar o amor das mulheres. Entre outras máximas sexistas, a marca de esmaltes não promove nenhum conteúdo positivo para o público feminino, além de propagar uma heteronormatividade equivocada, já que muitas mulheres nem sequer se sentem sexualmente atraídas por homens.
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sábado, 3 de dezembro de 2011

A submissão étnica no Brasil

A imagem acima simboliza uma afronta que é feita diariamente à maioria do povo brasileiro, maioria essa que o IBGE, a partir do Censo de 2010, diz que passou a ser composta por afrodescendentes.
O censo revelou que o contingente de pessoas que se declaram negras e pardas superou o das que se declaram brancas. 91 milhões se dizem brancas (47,7%), 15 milhões se dizem pretas (7,6%), 82 milhões se dizem pardas (43,1%), 2 milhões se dizem amarelas (1,1%) e 817 mil se dizem indígenas (0,4%). Negros e pardos, portanto, somam 97 milhões.
O pior é que grande parte dos que se dizem brancos, não é. Tem pele morena mais clara, mas com evidentes traços negros. Por que isso? Simplesmente porque uma carteira de identidade que diga que o indivíduo é negro ou pardo equivale a uma condenação......

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tenha um olhar crítico sobre os comerciais de rádio e TV.



A realidade é esta: A Cara-de-pau é a alma do negócio.

Por Leonardo Sakamoto


Dicas rápidas para fazer uma propaganda de sucesso (baseadas em exemplos coletados em rádios, TVs, jornais e revistas):

Antes de mais nada, para vender produtos de limpeza, coloque mulheres sorrindo ao fazer a faxina de casa. Atenção: só mulheres.

Depois, utilize crianças simpáticas e animais silvestres saltitantes ao fazer um vídeo institucional para uma empresa de agrotóxico. Crianças e animais fofos são como coringas. Nunca falham. Vide o Globo Repórter: na dúvida, botam sempre um especial sobre os filhotes de girafa da África ou os gorilas anões do Congo. Ibope garantido.

Não tenha medo de parecer ridículo. Se for de uma indústria de cigarro, defenda a liberdade com responsabilidade usando um locutor de voz séria, mas aveludada, no rádio.

Cative seu consumidor. Mostre que aquele SUV não polui tanto porque já vem de fábrica com adesivo “Save the Planet”.

Ignore a realidade. Comercial de biscoito recheado deve mostrar só crianças magrinhas. Já sanduba mega-ultra-hiper gorduroso pede uma modelo que só coma alface – e sem sal.

Dê um nó na legislação. Anunciar que um automóvel chega a 300km/h com um limite de velocidade de 120 km/h no país não é crime. Chegar a 300 km/hé que é.

O que os olhos não vêem, o coração não sente. Coloque um grande desmentido com letrinhas bizarramente miúdas no final do comercial de TV para explicar que se quiser comprar um carro naquelas condições anunciadas só sendo trigêmeo, ter mais de 90 anos e vir à loja em dia bissexto do ano do Rato no horóscopo chinês.

Seja sarcástico. Propaganda de carne pode sim usar vaquinhas e franguinhos felizes anunciando o produto. Mesmo que o produto seja de vaquinhas e franguinhos mortos e moídos.

Dividir para conquistar é a melhor saída. Ter o amor pela esposa posto a prova porque a geladeira não é assim uma “Caríssima”, funciona.

Seja dissimulado. Se for um banco, faça um comercial para fazer crer que, para você, as pessoas são mais importantes que o dinheiro delas.

Diga que você é campeão de sustentabilidade. Ninguém entende mesmo o que significa essa palavra.

E você, qual a sua sugestão?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A loira burra da Revista Época





A colunista Ruth Aquino, em artigo da Revista Época (PIG/RJ), tornou-se a piada pronta da "loira burra" (*) em pessoa, ao entender errado a "piada".

A piada (de mau gosto), no caso, é o anúncio de lingerie retratando Giselle Bundchen como uma espécie de... Loira burra!...

sábado, 1 de outubro de 2011

INVEJA DA GISELE? VERGONHA DE QUEM SE RECUSA A PENSAR



Na luta entre a ministra e a modelo, Globo deixa claro quem está certa

Acredite: eu gosto da Gisele Bundchen. Semanas atrás eu já planejava escrever um postzinho sobre ela referente a uma reportagem que li. Acho interessante sua trajetória. Aos 13 anos, ela era tão magra e alta que era chamada na escola de Oli (por causa de Olivia Palito) e Saracura, um pássaro com pernas longas e finas. Quando estreou naspassarelas, seus olhos eram considerados pequenos, seu nariz grande demais, e ela eraconstantemente recusada para as fotos. Em 1995 ela ainda se chateava com as recusas e contava suas desventuras ao pai, que lhe disse: “Gisele, ignore. Pessoas com narizes grandes têm grandes personalidades. Narizes pequenos levam a personalidades pequenas”. Ela decidiu não se importar mais: “Não vou ouvir pessoas que me fazem sentir mal”. Hoje, sua autoestima é uma de suas marcas registradas....

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Com essa mídia país não avança


Ao longo da terça-feira, a internet se divertiu com o post que este blog publicou sobre a missão difamadora da mídia brasileira que foi à França reclamar com a sua universidade Science-Po por ter outorgado ao ex-presidente Lula o título de Doutor Honoris Causa. O absurdo que se revelou deixou as pessoas atônitas e, assim, só restou rir...

O machismo nosso de cada dia ou Gisele Amélia Bündchen



Hoje a comunidade virtual brasileira está fervilhando com o debate sobre a legalização do aborto. O assunto começou por conta daCampanha 28 de Setembro pela Despenalização e Legalização do Aborto na América Latina e no Caribe, que inspirou posts em muitos blogs, feministas ou não.

Sem muito o que acrescentar depois de textos tão completos (exemplos aqui e aqui), vou falar de outro assunto que afeta as mulheres. Pipocaram aqui e ali algumas discussões sobre o comercial estrelado por Gisele Bündchen, de uma marca de lingerie. Na peça, a modelo "ensina" como as mulheres devem comunicar más notícias para seus maridos/namorados. Falar que bateu o carro ou que estourou o limite do cartão de crédito (oi?) vestida não dá certo. A pedida é mostrar o corpão na hora de comunicar ao macho provedor que você, mulher, não se comportou como ele gostaria.

Sério mesmo?...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A propaganda de lingerie com Bolsonaro



E essa....alguem viu?? Se for verdade, já aviso que vou boicotar a empresa de lingerie...eu e todas as mulheres aqui de casa!!!
De O Globo
Bolsonaro diz que aceita fazer propaganda de lingerie para reforçar imagem contra 'kit gay'
Publicada em 29/07/2011 às 08h50m
Juliana Castro (juliana.azevedo@oglobo.com.br)
RIO - As polêmicas do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) devem lhe render uma vaga de garoto-propaganda no comercial da marca de lingerie Duloren. No início, o convite era para uma participação ao lado da ex-BBB Ariadna Miranda, conforme divulgou a coluna de Ancelmo Gois .

quinta-feira, 14 de julho de 2011