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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Conheça Fufuca, deputado que comandará a Câmara na ausência de Maia

Pepista terá de coordenar votações como da reforma política

Ele
O deputado André Fufuca (PP-MA) deverá assumir interinamente a Presidência da Câmara nesta 3ª feira (29.ago.2017). Será a primeira vez que ele comandará a Casa fora do período de recesso.

O motivo da substituição é a viagem de Michel Temer à China. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ficará na Presidência. E o 1º vice-presidente, Fábio Ramalho estará na comitiva que acompanha Temer à Ásia.

Fufuca só comandou sessões inexpressivas. Esteve oficialmente à frente da Câmara durante uma semana no recesso de julho, quando os trabalhos são interrompidos.

Nesta semana, ele terá a missão de liderar os deputados durante votações importantes da Casa. As principais são de dois projetos da reforma política: o que cria cláusula de desempenho e proíbe coligações partidárias, de relatoria da deputada Shéridan (PSDB-RR); e o que estabelece um fundo público para campanhas e altera o sistema eleitoral, de Vicente Cândido (PT-SP). Este tem sofrido resistência e ainda é motivo de impasse.

A Câmara tem pressa em analisar as propostas. O Congresso – Câmara e Senado – precisam aprovar as propostas até a primeira semana de outubro para as regras valerem já para 2018. Além do afastamento de Maia, o feriado de 7 de setembro tende a reduzir os trabalhos da Casa.

Outro ponto com o qual Fufuca pode lidar é a possibilidade de nova denúncia contra Michel Temer. Um eventual pedido do Procurador Geral da República ainda deve passar pelo STF, mas a chance de chegar à Câmara afeta os ânimos dos deputados.

Quem é Fufuca

Formado em medicina, está em seu primeiro mandato na Câmara Federal. Foi deputado estadual pelo PSDB no Maranhão de 2011 a fevereiro de 2015. Seu pai, atual prefeito de Alto Alegre de Pindaré, é apelidado de “Fufuca”, o que fez com que o deputado fosse chamado de “Fufuquinha”.



Completou 28 anos neste domingo (27.ago), dois dias antes de ganhar o comando temporário da Câmara.

Eleito pelo PEN, hoje é de um partido do centrão, o PP. Votou a favor da admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016. Em agosto, foi contra o prosseguimento da denúncia de Michel Temer. Foi um dos 43 congressistas que não participaram da votação que cassou o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em setembro do ano passado. Apesar de estar presente na sessão, foi impedido de registrar o voto por oficialmente estar de licença por motivos de “interesse particular”. Veja aqui seu perfil no site da Câmara.

Durante a discussão do processo de Cunha no Conselho de Ética, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) foi contra a entrada de Fufuca no colegiado por ser ligado a Cunha. “O deputado Fufuca chama Eduardo Cunha de ‘papi’ nos corredores da Casa”, disse Delgado.

Fufuca negou e chamou pessebista de “canalha”. “Hoje demonstra que é um verdadeiro moleque. Não queira macular minha imagem pela minha juventude. Vossa Excelência é o exemplo que até os canalhas envelhecem. Nesta Casa ninguém me viu usar de ato de bajulice. Até porque venho de um Estado em que usar esse termo ‘papi’, com todo o respeito, é até afeminado” , afirmou. Assista:



Já nas redes sociais (Facebook e Twitter), suas publicações são mais amenas. Em geral, com mensagens motivacionais ou lembrando datas comemorativas, como o Dia do Café.


Naomi Matsui

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Expressão “Deus seja louvado" poderá ser obrigatória em cédulas do Real



Eduardo da Fonte
Eduardo da Fonte afirma que frase
respeita "tradição cultural" do brasileiro.
Proposta em tramitação na Câmara torna obrigatória a impressão da frase "Deus seja louvado" em todas as cédulas do Real. O autor, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), argumenta que o Projeto de Lei 4710/12 pretende evitar que a expressão seja suprimida das cédulas, como solicitou recentemente a Procuradoria da República em São Paulo.
Na ação civil pública, apresentada em novembro último, o Ministério Público Federal aponta que não há previsão legal para a inclusão da frase nas notas do Real e que o Estado brasileiro é laico e deve se desvincular de manifestações religiosas. Além disso, para o MP, a expressão privilegiaria uma religião em detrimento das outras.
Eduardo da Fonte, no entanto, entende que há um erro de interpretação da palavra “laico”. Ele afirma que Estado laico é aquele que não adota uma religião oficial e no qual há separação entre a Igreja e o Estado, de modo que não haja envolvimento entre os assuntos de um e de outro, muito menos sujeição de um em relação ao outro.
“A expressão ‘Deus seja louvado’ respeita a tradição cultural de nosso povo e não necessariamente representa apoio a nenhuma religião”, argumenta. “O respeito e o culto a um ser supremo, que representa a divindade, está presente em todas as religiões”, completa Da Fonte.
O projeto altera a Lei 9.069/95, que, entre outras medidas, estabelece regras e condições para a emissão do Real.
Tramitação
O projeto será analisado de forma conclusiva pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um minuto e meio de incoerência



Houve exagero nas reações contra o apoio de Paulo Maluf à campanha de Fernando Haddad. Os petistas não pareceram tão chocados quando o PP se engajou na reeleição de Lula e na vitória de Dilma Rousseff, com direito a ministério. E nem de longe a imprensa fez as mesmas caretas de nojo diante da aproximação do PSDB com o malufismo, gesto que traiu a herança do então recém-falecido Mário Covas.
A batalha contra o serrismo privata só ganha limites ideológicos no front paulistano? E os entulhos autoritários só parecem monstruosos numa foto com Lula e Haddad?
Por mim, Maluf passaria seus últimos anos de joelhos, esfregando latrinas com a própria escova de dente. Mas não acredito que o Poder Executivo, em qualquer nível, pudesse fazer algo para realizar essa fantasia. Não mais que o Ministério Público e o Judiciário, instâncias com meios e prerrogativas apropriados, embora estranhamente ineficazes e, apesar disso, imunes às bravatas do jornalismo oposicionista.
Se o PP tem condições de barganhar minutos de propaganda, que ocupe seu inevitável antro estatal sob a coordenação de alguém como Dilma ou Haddad e o escrutínio feroz que a mídia corporativa dedica às administrações que odeia. Com José Serra, a lambança talvez não tivesse freios nem controle. Basta veros descalabros cotidianos em São Paulo, feudo histórico do malufoquercismo tucano.
Um efeito nefasto da maleabilidade pragmática é o espírito reacionário contaminar a plataforma vitoriosa nas urnas. Mas esse perigo não se restringe aos partidos menores, tampouco aos da direita tradicional. O excesso de fidelidade doutrinária progressista deveria rechaçar acordos com o PMDB, o PDT e o PSB, cujos líderes regionais vivem fazendo conchavos espúrios e propondo legislações execráveis. Um passeiopelo interior paulista daria bons motivos para Luiza Erundina trocar de partido.
Os ataques injustificados à candidatura Haddad evidenciam o medo que ela inspira naqueles que fingiam menosprezá-la. E não chega a surpreender o número de líderes e militantes de esquerda que pertencem a esse grupo.
No Guilherme Scalzilli

domingo, 17 de junho de 2012

A cruzada ética dos jornalões




A imprensa se juntou, unânime, numa nova cruzada, a de mostrar a incoerência de o PT paulistano receber o apoio do PP, partido do notório Paulo Maluf.
Todos os jornalões, sem exceção, procuram desqualificar o acordo - simples apoio, não aliança, como dizem -, dizendo que ele destrói a história do PT, uma história de combate ao malufismo e o que ele representa.
Interessante que essa cruzada só tenha sido iniciada agora e não antes, quando os próceres do PP estiveram por fechar o apoio a José Serra e seus amigos de bico longo.
Na ocasião, só faltou aos jornalões soltar fogos de artifício para celebrar a "aliança".
Em tom triunfal, publicaram gráficos para mostrar que Serra teria, com todos os acordos fechados, incluído neles o do PP, um tempo enorme na televisão, o maior de todos, para expor as suas ideias geniais para resgatar a cidade do caos promovido - vejam só que coisa incrível - por ele próprio e seu bando de predadores.
Aproveitaram para celebrar o poder de negociação dos tucanos, capazes de amarrar um bloco partidário de apoio a Serra com todas as letras do alfabeto, enquanto o adversário maior, o petista Fernando Haddad, diziam, batia bumbo sozinho, esquecido num canto, sem ninguém para ajudá-lo...
Assim, deve ter sido uma surpresa enorme para todos esses jornalistas que cobrem a política paulistana com tanta isenção o apoio que o Haddad recebeu do PSB e a escolha de Luiza Erundina para compor, como vive, a sua chapa.
A mesma surpresa, obviamente, também os capturou quando souberam das negociações entre o PT/PSB e o PP - partido que integra a base de apoio do governo Dilma.
Para esses jornalistas, o trabalho e a vida parecem ser feitos de surpresas.
Eles devem estar surpreendidos agora com o fato de, com o PP, a coligação de Haddad ficar com o maior tempo de propaganda eleitoral e isso contar muito, mais muito mesmo, numa campanha como a que está por começar.
Se esses nossos caros jornalistas perdessem menos horas do seu árduo trabalho para expressar toda essa estupefação com as coisas mais triviais da política, poderiam facilmente perceber que, se o apoio do PP ao PT realmente se concretizar, a chance de Maluf aparecer ao lado de Haddad ou Erundina é a mesma, como diz o sábio filósofo Felipão, de o sargento Garcia prender o Zorro.
Também que o programa de governo de Haddad terá influência zero de qualquer malufista, principalmente quando se sabe que o próprio Maluf não tem mais nenhuma poder sobre o seu partido e usa hoje a política apenas como escudo para se livrar dos problemas com a Justiça.
Mas, enfim, essa é a imprensa que temos neste país. Uma imprensa que aproveita os vácuos da legislação para esconder os fatos e expor apenas seus desejos, suas frustrações e suas preferências partidárias.
Fico pensando o que seria dessa já pobre oposição se não contasse com a ajuda dos jornalões, de suas cruzadas éticas e  de toda essa conveniente ingenuidade sobre a "realpolitik".
cronicasdomotta