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quinta-feira, 22 de março de 2012

A hipocrisia de estar na “oposição”


Marcos Coimbra, lido noDoLaDoDeLá

O que se espera de quem não gosta do governo e o vê fazendo algo de que discorda?

Que se manifeste, que diga com clareza que é contra. Afinal, não é esse o papel da oposição?

Isso vale para a oposição partidária e para os veículos de comunicação que antipatizam com o governo. A existência de ambos é natural nas sociedades democráticas e não há nada de errado em que tenham opiniões e as externem.

Mas é possível que as oposições concordem, circunstancialmente, com uma ação do governo. Que estejam, naquela oportunidade, de acordo com ele. Que entendam que, por pior que seja, esteja fazendo, a seus olhos, a coisa certa.

Nesses casos, o mais comum é que não digam nada. Tudo normal, pois lhes seria estranho aplaudi-lo, mesmo quando o que faz é algo que, provavelmente, fariam se estivessem no poder.

Existem, no entanto, situações mais complexas no plano da ética política. Pode acontecer de o governo tentar fazer a coisa certa, a oposição – ou parte dela – estar de acordo com a iniciativa, mas ser difícil viabilizá-la. A concretização das boas intenções de um, admitidas pelo outro, pode ser complicada.

Agora, por exemplo. O governo Dilma vive uma “crise política”, em grande medida causada pela indisposição de aceitar as pressões dos partidos que formam sua base no Congresso – em particular do PMDB e outras legendas menores – por mais “espaço” na administração.

Até as pedras da rua sabem o que isso significa. Que esses partidos querem aumentar a influência sobre o destino das verbas federais e indicar os titulares de órgãos governamentais, para que sejam geridos de forma “política”.

A raiz da crise é o baixo clero. Com a aproximação das eleições municipais, parlamentares cuja votação é localmente determinada ficam nervosos quando não conseguem irrigar seus redutos com obras e nomeações. Temem que a reeleição em 2014 fique comprometida e que aventureiros venham tomar “seus” municípios.

O risco preocupa as lideranças. A ameaça de diminuição de tamanho no Congresso assusta, pois é disso que deriva o “espaço” que ocuparão no futuro governo – e mesmo na segunda metade do atual, pois o mau desempenho na eleição municipal costuma trazer consequências imediatas.

Se, por hipótese, o PMDB sair dela com a imagem de “perdedor”, sua ascendência e sua presença na Esplanada encolherão. O mesmo vale para os outros partidos da base e é por isso que brigam por mais “espaço”. Ou seja, por mais dinheiro para gastar em ações “políticas”.

Se isso for verdade, a crise decorre de Dilma estar fazendo a coisa certa, recusando-se a concedê-lo. Todos, inclusive as oposições, sabem que seria pior para o país se essas pressões tivessem êxito.

Elas são reais. Como agora, na votação da Lei Geral da Copa e do Código Florestal, em que ameaçam derrotar as propostas do governo, não por ser ruins, mas para trocar o apoio pelo “espaço”. Em outras palavras: criam dificuldades para obter facilidades.

Voltamos à pergunta inicial: qual o papel das oposições em episódios como esses? Como se comportar no Congresso? Alinhando-se com aqueles que querem “espaço”, assim mantendo um jogo político que sabem danoso? Ou deveriam agir como prometem quando dizem que farão “oposição ao governo e não ao Brasil”?

Qual o papel de suas novas lideranças, que nem razões têm para manter velhas rixas (do tipo “faço com o PT o que o PT fez comigo”)? Não seria hora de sinalizar que é possível uma nova oposição, genuinamente preocupada com o interesse público e desejada pela maioria do país?

E qual o papel da imprensa oposicionista? Fingir que não conhece o jogo que está sendo jogado? Ou deveria ser capaz de denunciar o que precisa ser denunciado e apoiar quem faz a coisa certa?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ih, a Veja esqueceu!


por Mauro Malin


A reportagem de capa da Veja (26/10) sobre a indignação contra a corrupção tem o mérito de constatar que o grande catalisador das manifestações realizadas em várias cidades brasileiras foi a reação da presidente Dilma Rousseff às primeiras denúncias graves de corrupção em seu ministério. A figura simbólica de presidente tem muita força em qualquer lugar, talvez mais ainda num país em que tanta coisa importante acontece de cima para baixo....

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Uma chance para a oposição provar suas boas intenções



Image
Congresso Nacional
A oposição tem uma chance real de provar suas boas intenções em pactuar uma agenda mínima com o governo, como propõem o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) depois da fracassada tentativa de, primeiro desestabilizar o governo, e depois tentar emplacar a tese da faxina.
Apesar da reação violenta do presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PPS-SP) que acusou os dois de adesismo - sintoma da divisão na oposição, inclusive no PSDB, já que o PPS é sua linha auxiliar - a oposição pode provar suas boas intenções no exame da agenda do Congresso com as votações importantes que a Casa e o governo têm pela frente...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O artigo de FHC

É preciso analisar pelo que vale o quilométrico artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que o jornal Folha de São Paulo anuncia hoje (12 de abril) em manchete principal de primeira página e que no meio da manhã já se espalhava por blogs da imprensa alinhada à oposição ao governo Dilma.
São sete páginas recheadas por 5.485 palavras, espaço suficiente para conter montanhas de propostas e com uma divulgação que não me lembro de ter sido dada recentemente a outro texto opinativo emitido por um ser humano – o artigo, repito, foi anunciado na manchete principal de primeira página do jornal pago de maior circulação no Brasil.
O que se esperaria de tal texto? Que tivesse alguma grande fórmula não só para o Brasil, mas para a humanidade. No mínimo. Entretanto, não consegui encontrar uma só linha que justificasse o alarde que esse amontoado de idiossincrasias de um político sem votos recebeu e continua recebendo – e que deverá receber ainda mais, nos próximos dias.
E tudo para quê? Nas palavras do próprio FHC, “Para recordar que cabe às oposições, como é óbvio e quase ridículo de escrever, se oporem ao governo”.
Não admira que o texto de FHC seja longo, pois. Para anunciar a que veio, gastou os primeiros sete parágrafos. E nada anunciou.  A idéia central desse texto imenso resume-se ao seguinte:
“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os ‘movimentos sociais’ ou o ‘povão’, falarão sozinhos”
Para dar publicidade a percepção tão brilhante, uma revista que pouca gente deve conhecer, a “Interesse Nacional”. A publicação foi lançada em 2008. São membros de seu Conselho Editorial pessoas de visões tão distintas quanto os abaixo citados:
André Singer,
Berta Becker,
Carlos Eduardo Lins da Silva,
Cláudio Lembo,
Cláudio Moura Castro,
Daniel Feffer,
Demétrio Magnoli,
Eduardo Giannetti da Fonseca,
Eliézer Rizzo de Oliveira,
Eugênio Bucci,
Fernão Bracher,
Gabriel Cohn,
Glauco Arbix,
João Geraldo Piquet Carneiro,
Joaquim Falcão,
José Luis Fiori,
Leda Paulani,
Luiz Carlos Bresser Pereira,
Raymundo Magliano,
Renato Janine Ribeiro,
Ricardo Carneiro,
Ricardo Santiago,
Roberto Pompeu de Toledo,
Rubens Barbosa
Sérgio Fausto.
Ao menos dois dos conselheiros são leitores deste blog, o ex-ombudsman da Folha de São Paulo Carlos Eduardo Lins da Silva e o professor Renato Janine Ribeiro. É um espectro amplo que vai da direita magnoliana à centro-esquerda. E o site da revista está hospedado no UOL.
A escolha do veículo para divulgar a idéia (?) de FHC vale talvez mais do que um texto paquidérmico que não diz nada de novo ou de lógico, pois aqueles que se quer conquistar para as hostes de oposição a Dilma Rousseff são justamente os que a peça publicitária do Grupo Folha diz integrarem a “Nova classe média, içada da pobreza pelo crescimento econômico dos últimos anos”.
Trocando em miúdos: são aqueles que se beneficiaram mais do que quaisquer outros durante o governo Lula e que vêm dando uma banana tanto para o Grupo Folha quanto para FHC desde 2002 até 2010. Agora, com mais motivos do que no começo.
Entre a nova e a velha classe média, segundo os resultados estratificados de pesquisas de opinião, Dilma e Lula fazem muito sucesso. Se o apanhado for nacional, Dilma e Lula vêm empatando com a mídia e a oposição ou derrotando-as há muito tempo em todos os segmentos de idade, gênero e escolaridade, apesar de perderem em determinados Estados do Centro-Oeste, do Sul e do Sudeste e entre os mais ricos.
De fato, a nova classe média lidera o pelotão das classes médias que já responde por mais da metade da população do Brasil, o que significa que FHC quer deixar para os adversários apenas os muito ricos ou muito pobres, por mais que a sua base eleitoral seja a dos mais ricos, tanto regional quanto economicamente.
É ridículo porque FHC não se preocupa com propostas que seduzam contingentes amplamente satisfeitos com o Brasil que vem sendo construído desde 2003. Quer apenas convencer esses setores de que ele é que fez o país de que a nova classe média passou a desfrutar somente sob Lula.
Ou seja, é a velha tática, o velho discurso que não funcionou em 2002, em 2006 e em 2010. Assim fica difícil, não acham?
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Quem quiser poder ler o texto é só clicar em "mais informações" logo abaixo. Quem o divulgou em primeira mão foi o blogueiro da Globo Ricardo Noblat.....