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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ensaio geral para o golpe


Renato Rovai

O Supremo Tribunal Federal acaba de votar as penas do ex-ministro José Dirceu e do deputado federal José Genoino. Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses e terá de pagar multa de 670 mil reais. Ao menos 1/6 terá de ser cumprido em regime fechado. Ou seja, Dirceu terá de pagar à sociedade ao menos 1 ano e 9 meses na cadeia. Genoíno teve pena de 6 anos e 11 meses e poderá cumpri-la em regime semi-aberto.

A condenação de ambos cumpriu todos os ritos jurídicos. Parece não haver o que se discutir neste aspecto. Mas por outro lado, nem o Procurador Geral e nem o relator do caso apresentaram provas que pudessem resultar na condenação de ambos.

Pior do que isso, para condená-los utilizaram-se do argumento jurídico do “domínio do fato”, teoria do jurista alemão Claus Roxin. Segundo ele, o autor não é só quem executa o crime, mas quem tem o poder de decidir sua realização e/ou faz o planejamento estratégico para que ele aconteça.

Roxin, porém, registrou que, no caso do Mensalão, sua teoria não permite ausência de provas. “Quem ocupa posição de comando tem que ter, de fato, emitido a ordem. E isso deve ser provado”, disse. O que contradiz o argumento de Barbosa.

Isso, porém, não foi o suficiente para que os juízes do Supremo sequer debatessem se de fato haviam agido de forma correta na interpretação da teoria e na dosimetria das penas.

Havia uma decisão política que precisava ser tomada. E por ela, Dirceu teria de pagar alguns anos na cadeia. E Genoino, ao menos, ser condenado por alguns anos.

A despeito do otimismo de alguns que cercavam os reús, este blogueiro sempre duvidou que o STF faria um julgamento técnico. A técnica desses casos, costumava dizer, é a política. Foi o que ocorreu. Infelizmente, mas foi.

Joaquim Barbosa transformou o julgamento num show e contou com a assessoria de alguns dos membros do STF para ladeá-lo no espetáculo. A mídia tradicional cumpriu à risca o seu papel de impedir que o script fosse alterado. E os que ousaram fugir dele, como Lewandowski e Tofoli, foram massacrados.

Aliás, no dia 11 de agosto, pouco antes do início do julgamento, Tofoli foi provocado de forma vil pelo blogueiro Noblat, que emitiu um sinal claro do tipo de munição que viria a ser utilizada.

Noblat escreveu um post sem sentido e sem ter quem corroborasse seu relato, afirmando ter ouvido, à distância, Tofoli insultá-lo numa festa. Não só pelos termos utilizados, como pelo que escondia, este texto de Noblat foi um dos piores momento do jornalismo na blogosfera. Uma tentativa clara de intimidação. Algo como: veja do que a gente é capaz. Hoje, Noblat já pedia a inclusão de Lula como réu do mensalão.

Não é exagero imaginar que a condenação de Dirceu e Genoíno seja o que se convencionou chamar nos tempos da ditadura militar de pré-golpe. No Chile, de Allende, foi assim. Antes de Pinochet liderar o 11 de setembro de 1973, tentou-se um golpe em fevereiro. Pinochet saiu em defesa de Allende. Mas o que se queria naquele momento era verificar o poder de resistência do presidente eleito.

As condenações de Genoino e Dirceu também podem ser entendidas como um teste para um futuro golpe no Supremo. O Paraguai e Honduras viverem recentemente processos se não semelhantes, ao menos parecidos com este.

Não é tese de maluco ver um farol amarelo aceso em relação ao processo democrático brasileiro depois dessas duas condenações. A história brasileira e da América Latina permitem entender esse episódio como parte de um movimento maior. De uma história que já vivemos e da qual Genoino e Zé Dirceu foram inimigos em armas. Num momento em que também foram presos. E torturados.

PS:
É justo dizer que dos 11 ministros do Supremo, 8 foram indicados por Lula e Dilma, que ignoraram nomes como o de Dalmo Dalari em detrimento de alguns com trajetórias questionáveis. Como também é justo lembrar que a passividade dos governos à esquerda na democratização das comunicações sempre foi a principal munição dos golpistas.

O Esquerdopata

sábado, 14 de agosto de 2010

Mercadante janta Alckmin no debate da Band


A TV Bandeirantes realizou o primeiro debate entre candidatos ao governo do Estado de São Paulo na noite de ontem. Participaram Geraldo Alckmin (PSDB), Aloísio Mercadante (PT), Paulo Skaf (PSB), Celso Russomano (PP), Fábio Feldmann (PV) e Paulo Búfalo (PSoL).

O grande número de candidaturas não foi empecilho para que o encontro fosse bom e esclarecedor. E tivesse um grande derrotado, Geraldo Alckmin.

Ele foi questionado por todos os outros candidatos, com exceção de Fábio Feldmann, ex-tucano, que lhe levantou a bola em algumas ocasiões. Numa delas, chegou a ser quase cômico perguntando ao médico Alckmin sobre o que ele faria para diminuir o problema da obesidade (vejam o nível da preocupação do moço). Alckmin listou várias iniciativas, como a de pagar academias para pessoas da terceira idade e educar os jovens a comer. Ensiná-los a trocar os alimentos com muitos carboidratos por outros mais protéicos. Pasmem, é verdade…

Mas foi no confronto com Mercadante que Alckmin teve seus piores momentos. Em todas as vezes que o debate se dava entre eles, o ex-governador dizia que o governo federal tinha investido zero, nada, exatamente nenhum centavo naquela área. E que o governo estadual arcava com todos os investimentos no setor. Chegou a dizer que o governo federal não comprou sequer uma cama na área de saúde nos últimos oito anos.

Alckmin estava, porém, enfrentava um adversário alguém que sobra em números. E sempre que isso ocorria, Mercadante desfilava todos os investimentos do governo federal no setor, tornando a explicação de Alckmin insustentável.

Foi assim em relação às ferrovias, à educação, à construção de hospitais e investimentos no saneamento básico.

Paulo Skaf e Celso Russomano também se saíram bem no encontro. Ambos se mostraram seguros e não pouparam críticas aos 16 anos de governo tucano no estado.

Este blogueiro sempre achou difícil que esta eleição para o governo de São Paulo terminasse no primeiro turno.

Depois deste debate, passou a ter certeza de que a eleição no estado não termina em 3 de outubro.

É o medo de que isso aconteça que faz com que a mídia paulista esteja fazendo de tudo para que ela aconteça de forma silenciosa. Que não tem nenhuma visibilidade.

Como num segundo turno é quase impossível escondê-la, principalmente se a eleição presidencial vier acabar no primeiro turno, tudo será feito para decidi-la agora.

Sinto informar aos jornalões, isso não vai dar certo. Vai ter segundo turno em São Paulo. O debate de hoje tornou isso evidente. A oposição aos tucanos tem um discurso. E quando a oposição tem discurso, a situação tem problemas.

Isso é exatamente o que falta aos tucanos no plano federal: discurso.
esquerdopata

terça-feira, 27 de julho de 2010

Internet derruba poder dos 'formadores de opinião', diz Nassif

Jornal Brasil Atual
O Jornal Brasil Atual falou com os jornalistas Luis Nassif e Renato Rovai sobre o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que acontecerá nos dias 21 e 22 de agosto, em São Paulo. O objetivo do evento é contribuir para a democratização dos meios de comunicação e fortalecer as mídias alternativas.