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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A "providência divina". Lá e cá

As fotos que correm o mundo, imagens estáticas de um vídeo, não são o que aparentam.
Nelas, dois homens, um vestindo laranja, ajoelhado, outro, de preto, em pé, olham para a câmera.
O que veste laranja tem uma expressão serena; o de preto usa uma máscara.
As fotos nada revelam além de dois homens numa paisagem desértica.
Mas o vídeo é assustador, obsceno, uma afronta à dignidade humana.
A decapitação do jornalista James Foley pelos fanáticos enlouquecidos do Estado Islâmico é mais uma prova da incapacidade do ser humano de preservar a sua espécie.
Ou de incessantemente tentar aniquilá-la.
Não há dúvidas sobre o que são os militantes do EI: assassinos, nada mais, nada menos.
Não há dúvidas também sobre os motivos que levaram esses homens a tal estado de barbárie: ignorância, nada mais, nada menos.
Mas ignorância causada por essa desgraça chamada religião.

Um homem inocente de qualquer crime é decapitado em frente a uma câmera - em nome de deus, um deus entre inúmeros outros.
A milhares de quilômetros de distância do local desse crime, o presidente dos Estados Unidos, a nação mais poderosa do planeta, lamenta a morte de seu conterrâneo e diz que o EI é um "câncer".
Não revela, em seu discurso, porém, que esses assassinos se tornaram fortes a ponto de conquistar enormes porções do Iraque e da Síria graças ao armamento sofisticado "made in USA" que ganharam dos americanos para derrubar Bashar Al Assad e dos xeques petrolíferos inimigos dos muçulmanos xiitas - por sua vez, parceiros de Barack Obama.
"Cria cuervos y te sacarán los ojos"...
Aqui no Brasil a violência que se vive é também repugnante e aparentemente incontrolável.
O país não enfrenta nenhuma guerra, nenhuma revolução, mas nele também são cometidos diariamente assassinatos tão ou mais brutais quanto esse do EI. A violência é um dos traços mais marcantes do brasileiro e ela é encampada tanto pelos que agem fora das leis quanto pelos que, supostamente, deveriam ser os seus guardiães.
A polícia brasileira é uma das mais brutais do mundo, a tortura ainda é prática habitual nas delegacias, a atuação dos nossos policiais equivale à dos mais sádicos criminosos, a Justiça é um poder praticamente sem mecanismos de controle.
A corrupção, uma outra forma de violência, é moeda corrente em todas as esferas da sociedade.
E, na política, que deveria ser a mais importante manifestação social, a atividade capaz de regular e disciplinar a vontade dos cidadãos, dando um sentido ao desejo de progresso e bem-estar para toda a nação, o que se vê é a mesquinharia se sobrepujar a qualquer outro valor ou sentimento.
Mesquinharia que beira o cinismo.
E que aflora em plena campanha eleitoral, ao ponto de a candidata à vice-presidência do PSB afirmar que foi a "providência divina" que não quis que ela estivesse no avião que se estatelou no chão, matando, entre vários outros, o candidato presidencial do partido.
A "providência divina", como se depreende da declaração da agora candidata presidencial, foi capaz de matar sete pessoas num acidente aeronáutico.
Será que é a mesma "providência divina" que guia as mãos dos loucos assassinos do EI na direção dos hediondos crimes que cometem? 
sugado do:  http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/08/a-providencia-divina-la-e-ca.html

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Colunismo de insulto como o da Veja é uma invenção americana




“Canalha”, “sem-vergonha”, “farsante”, “vagabundo”, “ladrão”… Não, aqui não se irá aludir a um “barraco” qualquer em uma feira, a uma briga de torcidas em um estádio de futebol ou a algum chilique de algum proxeneta em algum prostíbulo, mas a um estilo pretensamente jornalístico de “comentários políticos” que se tornou regra na grande imprensa brasileira ao lado do que ela publica como noticiário “isento”, que, no mais das vezes, não passa de mais opinião, só que disfarçada.
Isso que pretendem que seja jornalismo só funcionou por aqui porque foi criado por “lá”, ou seja, nos Estados Unidos, país que influenciou decisivamente a edificação de um modelo político-institucional brasileiro no qual um sistema de determinados “contrapesos” torna os governos politicamente frágeis sob a “garantia” de que não podem ter muito poder porque estariam permanentemente tentados a cometer excessos.....

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O futuro do capitalismo


Durante o levante popular no Egito que culminou com a queda do ex-ditador Hosni Mubarak, uma das medidas adotadas pelo governo para tentar barrar o processo que o derrubaria foi censurar a internet de forma a cortar os canais de comunicação através dos quais as massas amotinadas se organizavam. Não funcionou, ou funcionou precariamente devido à capilaridade da rede mundial de computadores, e a ditadura caiu....

domingo, 29 de maio de 2011

Obama: o Bush III


Noam Chomsky, em entrevista à revista Caros Amigos, em abril de 2011:

"Há poucos dias houve uma reunião que talvez não tenha sido relatada aqui, foi relatada nos Estados Unidos. Há poucos dias houve uma reunião do Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda, sobre Serra Leoa. Charles Taylor, que foi ditador da Libéria, está sendo acusado de cometer atrocidades em Serra Leoa. E a acusação declaroiu ter provas de que Kadafi também é, em parte, responsável por essas atrocidades. A Inglaterra e os Estados Unidos intervieram para impedir que isso acontecesse. Não queriam que Kadafi fosse acusado. E quando o promotor, um profesor de Direito estadunidense, perguntou-lhe o porquê, ele simplesmente disse: 'Bem-vindo ao mundo do petróleo'. Ponto. Isso aconteceu há apenas alguns dias."

Caros Amigos - Há alguma mudança na estratégia da política externa do Obama para a América Latina em comparação à do Bush?

"Não muita, quer dizer, eu não vejo nenhuma mudança. Há diferenças na retórica. O discurso de Bush era extremamente arrogante e isso irritava as pessoas. Obama segue basicamente as mesmas políticas, mas tem uma personalidade atraente, menos agressiva, o que faz com que os líderes gostem dele.
"
As Árvores são fáceis de achar

segunda-feira, 14 de março de 2011

Obama vem aí. E nós, o que faremos?


Movimento O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO quer promover ato em defesa de nossa soberania

Pedro Porfírio


Daqui a uns dias, Barack (Hussein) Obama estará subindo um morro carioca “pacificado” dentro da mis-em-scene montada a quatro mãos para transformar sua visita de negócios em mais um espetáculo midiático, destinado a esconder a sete chaves os interesses que ele vem apadrinhar em nome do pai, do filho e do espírito santo.

sábado, 12 de março de 2011

Kadafi, Obama e tsunamis

Novas verdades que você precisa saber
Por Tom Capri

Kadafi

A mídia continua sem dar explicações satisfatórias para a revolta árabe-muçulmana. Eu tenho duas que não sei se são corretas: uma é a de que se trata de rebelião dos novos mauricinhos e patricinhas árabes da era do celular e da Internet (patricinha árabe usa burca a contragosto, a propósito).

Refiro-me àqueles que, mauricinhos, desejam ter sua Ferrari, e que, patricinhas, sonham com fumar em público de shortinhos e pernas de fora. Buscam, todos, a famigerada democracia, que de democracia autêntica não tem nada e não passa de capa protetora e guardiã das ações do capital, a pior das ditaduras (repito, a pior das ditaduras).

A outra explicação é de que se trata de revolta de jovens muçulmanos, igualmente conservadores, contra a laicização de Estados como o líbio, depois que Kadafi abriu as pernas para o grande capital, não só americano, mas europeu e asiático.

Suspeito que uma dessas explicações seja a correta ou que as duas estejam certas. Espero que isto seja devidamente esclarecido nos próximos dias. Vamos lá, Mídia!



Barack Obama

Obama está no mato sem cachorro. Não tem para onde correr. Quem viu o filme Trabalho Interno percebeu que o presidente dos EUA tem sido bastante pusilânime até aqui, especialmente no que se refere às medidas para debelar os efeitos da débâcle financeira e a evitar nova crise econômica (regulação incipiente do mercado).

Percebeu também que os envolvidos – os mais recentes agentes do capitalismo dos EUA (de Reagan a Bush, passando por Clinton) e de todo o sistema financeiro do país – ainda estão soltos, a maioria nos altos cargos que então ocupavam.

Trabalho Interno só não explica as razões de toda essa fraqueza de Obama: negro, o presidente dos EUA não tem como reagir à altura. Se peitar ex-presidentes como Bush e Clinton e agentes da pesada do sistema financeiro, é bem capaz que tome uma bala na testa e saia rapidamente de cena. Por muito menos, John Kennedy não sabe até hoje que foi posto à bala para fora da Casa Branca. Na melhor das hipóteses, Obama levará tanta bordoada que, da mesma forma, não conseguirá se reeleger.

Por outro lado, se continuar titubeante desse jeito, não só não se reelege como passará para a história com a fama de pior presidente da história dos EUA. O primeiro presidente negro dos EUA? Obama trata de não deixar que isto ocorra.

A única carta que ainda tem na manga – acabar com Kadafi como Bush fez com Saddam Hussein – é igualmente pra lá de arriscada: mesmo que a operação tenha sucesso, o desgaste poderá vir a galope, uma vez que a economia dos EUA não consegue sair do sufoco e novos gastos dessa monta poderão até quebrar o Império. E o argumento de que Kadafi também tem armas químicas já foi desmoralizado. O presidente dos EUA está aceitando sugestões. Mande a sua.

Tsunamis

As tragédias provocadas pelos tsunamis no Japão e em quase todo o Pacífico asiático são de inteira responsabilidade do capital. Não existem mais tragédias provocadas por acidentes naturais. E é muito fácil entender isto.


A principal característica do capital é a expansão desenfreada das vendas, para garantir acumulação cada vez maior. O capital faz qualquer negócio – não vê cara nem coração – para turbinar o consumo (de onde surgem as bolhas, que acabam derrubando o próprio sistema, e aí é duro de levantar).

Em função disso, o capital ocupou as faixas litorâneas do Planeta com todos os tipos de imóveis, de favelas a residências milionárias, sem se sensibilizar com a possibilidade de eventuais desastres naturais, como terremotos, tsunamis etc.

Os incas já sabiam como enfrentar os acidentes naturais, e evitar a destruição trazida por eles, muito antes do Descobrimento. Nós, os civilizados, hoje sob a égide do capital, ainda não temos uma noção clara de como escapar desse tipo de desastre.

Daí advêm as tragédias, como a que acaba de abalar o Japão e outros países asiáticos. A humanidade teve tempo mais do que suficiente, até aqui, para resolver isso, mas ainda engatinha nessa questão. Simplesmente por não ser preocupação do capital. Não era mais para termos mortes e tragédias como essas.
 Ф Еskеrдоpата 


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Por que os Estados Unidos temem democracia no mundo árabe

por Luiz Carlos Azenha

Vamos começar deixando de lado a ideia de que o que se passa no mundo árabe é uma revolução do twitter, do facebook, da Al Jazeera ou das mídias sociais.
O Vinicius Torres Freire acertou, na Folha. “De acordo com esses correspondentes, não seria possível haver Revolução Francesa, Russa, maio de 1968, Diretas-Já ou as revoluções que derrubaram as ditaduras comunistas, dado que na maioria dessas revoluções não havia nem telefones”, escreveu ele.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

WikiLiquidação do Império?

O mundo mudará depois destas revelações? A questão é saber qual das globalizações em confronto – a globalização hegemônica do ca-pitalismo ou a globalização contra-hegemô-nica dos movimentos sociais em luta por um outro mundo possível –se beneficiará mais com as fugas de informação.

Boaventura de Sousa Santos

A divulgação de centenas de milhares de documentos confidenciais, diplomáticos e militares, pela WikiLeaks acrescenta uma nova dimensão ao aprofundamento contraditório da globalização. A revelação, num curto período, não só de documentação que se sabia existir, mas a que durante muito tempo foi negado o acesso público por parte de quem a detinha, como também de documentação que ninguém sonhava existir, dramatiza os efeitos da revolução das tecnologias de informação (RTI) e obriga a repensar a natureza dos poderes globais que nos (des)governam e as resistências que os podem desafiar. O questionamento deve ser tão profundo que incluirá a própria WikiLeaks: é que nem tudo é transparente na orgia de transparência que a WikiLeaks nos oferece.