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segunda-feira, 6 de abril de 2015

No México como no Brasil


Não sei se o filme passou nos cinemas brasileiros, mas pode ser visto pelos assinantes do Netflix. Trata-se de La Dictadura Perfecta, escrito e dirigido por Luis Estrada. 

É uma sátira devastadora sobre a política, os políticos e o poder dos meios de comunicação, principalmente da televisão. 

O espectador pode até duvidar que as barbaridades que ele mostra possam realmente acontecer, seja lá em que país for - no caso, é o México. 

Mas que elas são críveis, ah, isso são. 


Principalmente para nós, brasileiros, que sabemos muito bem da capacidade de manipulação da imprensa em geral - e da Rede Globo em particular. 

Quanto aos políticos... 

Bem, os nossos podem agir mais sutilmente que os mexicanos que o filme mostra, mas não há dúvida de que eles são muito semelhantes.

O filme é particularmente interessante para que acompanha o debate interminável sobre o papel dos meios de comunicação numa democracia.

Nele, o governador do Estado mais pobre do México contrata os serviços da mais poderosa emissora de TV mexicana para mudar a sua imagem - praticamente destruída depois que a própria emissora divulgou imagens dele recebendo propina de traficantes.

E a trama segue por aí, revelando como é possível, graças ao poder dos meios de comunicação, transformar o mais absoluto canalha num herói nacional, no salvador da pátria.

É incrível o paralelismo com o Brasil.

Aqui, graças ao trabalho sistemático de uma mídia partidária, com a colaboração de setores institucionais, como o Judiciário, um partido político que ousou mexer minimamente na estrutura social do país, resgatando milhões de pessoas da miséria e levando outros tantos para o meio da pirâmide social, é hoje visto, por muita gente, como uma organização criminosa. 

Em La Dictadura Perfecta, o governador somente atinge o topo de sua carreira porque encontra numa organização empresarial, no caso a rede de televisão, um igual.

Ele e a emissora de TV que o glorifica e extermina seus adversários são igualmente corruptos, podres, almas gêmeas destituídas de qualquer traço de virtude.

A semelhança com a situação brasileira não é mera coincidência.

É simplesmente a descrição do modus operandi da oligarquia - seja ela de onde for.

do: http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/04/no-mexico-como-no-brasil.html

domingo, 25 de maio de 2014

A falácia da ‘alta’ carga tributária do Brasil


A falácia da ‘alta’ carga tributária do Brasil
Por trás da campanha antifisco das empresas de mídia se esconde a vontade de pagar ainda menos impostos
Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo
Estava na Folha, num editorial recente.
A carga tributária brasileira é alta. Cerca de 35% do PIB. Esta tem sido a base de incessantes campanhas de jornais e revistas sobre o assim chamado “Custo Brasil”.
Tirada a hipocrisia cínica, a pregação da mídia contra o “Custo Brasil” é uma tentativa de pagar (ainda) menos impostos e achatar direitos trabalhistas.
Notemos. A maior parte das grandes empresas jornalísticas já se dedica ao chamado ‘planejamento fiscal’. Isto quer dizer: encontrar brechas na legislação tributária para pagar menos do que deveriam.
A própria Folha já faz tempo adotou a tática de tratar juridicamente muitos jornalistas – em geral os de maior salário – como PJs, pessoas jurídicas. Assim, recolhe menos imposto. Uma amiga minha que foi ombudsman era PJ, e uma vez me fez a lista dos ilustre articulistas da Folha que também eram.
A Globo faz o mesmo. O ilibado Merval Pereira, um imortal tão empenhado na vida terrena na melhora dos costumes do país, talvez pudesse esclarecer sua situação na Globo – e, transparentemente, dizer quanto paga, em porcentual sobre o que recebe.
A Receita Federal cobra uma dívida bilionária em impostos das Organizações Globo, mas lamentavelmente a disputa jurídica se trava na mais completa escuridão. Que a Globo esconda a cobrança se entende, mas que a Receita Federal não coloque transparência num caso de alto interesse público para mim é incompreensível.
A única vez em que vi uma reprovação clara em João Roberto Marinho, acionista e editor da Globo, foi quando chegou a ele que a Época fazia uma reportagem sobre o modelo escandinavo. Como diretor editorial da Editora Globo, a Época respondia a mim. O projeto foi rapidamente abortado.
Voltemos ao queixume do editorial da Folha.
Como já vimos, a carga tributária do Brasil é de 35%. Agora olhemos dois opostos. A carga mais baixa, entre os 60 países que compõem a prestigiada OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, é a do México: 20%. As taxas mais altas são as da Escandinávia: em redor de 50%.
Queremos ser o que quando crescer: México ou Escandinávia?
O dinheiro do imposto, lembremos, constrói estradas, portos, aeroportos, hospitais, escolas públicas etc. Permite que a sociedade tenha acesso a saúde pública de bom nível, e as crianças – mesmo as mais humildes — a bom ensino.
Os herdeiros da Globo – os filhos dos irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto – estudaram nas melhores escolas privadas e depois, pelas mãos do tutor Jorge Nóbrega, completaram seu preparo com cursos no exterior.
A Globo fala exaustivamente em meritocracia e em educação. Mas como filhos de famílias simples podem competir com os filhos dos irmãos Marinhos? Não estou falando no dinheiro, em si – mas na educação pública miserável que temos no Brasil.
Na Escandinávia, a meritocracia é para valer. Acesso a educação de bom nível todos têm. E a taxa de herança é alta o suficiente para mitigar as grandes vantagens dos herdeiros de fortunas. O mérito efetivo é de quem criou a fortuna, não de quem a herdou. A meritocracia deve ser entendida sob uma ótima justa e ampla, ou é apenas uma falácia para perpetuar iniquidades.
Recentemente o site da Exame publicou um ranking dos 20 países mais prósperos de 2012 elaborado pela instituição inglesa Legatum Institute. Foram usados oito critérios para medir o sucesso das nações: economia, empreendedorismo e oportunidades, governança, educação, saúde, segurança e sensação de segurança pessoa, liberdade pessoal e capital social. A Escandinávia ficou simplesmente com o ouro, a prata e o bronze: Noruega (1ª), Dinamarca (2ª) e Suécia (3ª).
Se quisermos ser o México, é só atender aos insistentes apelos das grandes companhias de mídia. Se quisermos ser a Escandinávia, o caminho é mais árduo. Lá, em meados do século passado, se estabeleceu um consenso segundo o qual impostos altos são o preço – afinal barato – para que se tenha uma sociedade harmoniosa. E próspera: a qualidade da educação gera mão de obra de alto nível para tocar as empresas e um funcionalismo público excepcional. O final de tudo isso se reflete em felicidade: repare que em todas as listas que medem a satisfação das pessoas de um país a Escandinávia domina as posições no topo.
O sistema nórdico produz as pessoas mais felizes do mundo.
A Escandinávia é um sonho muito distante? Olhemos então para a China. À medida que o país foi se desenvolvendo economicamente, a carga tributária também cresceu. Ou não haveria recursos para fazer o extraordinário trabalho na infraestrutura – trens, estradas, portos, aeroportos etc – que a China vem empreendendo para dar suporte ao velocíssimo crescimento econômico.
Hoje, a taxa tributária da China está na faixa de 35%, a mesma do Brasil. E crescendo. Com sua campanha pelo atraso e pela iniquidade, os donos da empresa de mídia acabam fazendo o papel não de barões – mas de coronéis que se agarram a seus privilégios e mamatas indefensáveis.
suguei do: http://www.revistaforum.com.br/blog/2013/02/a-falacia-da-alta-carga-tributaria-do-brasil/

terça-feira, 22 de abril de 2014

A falácia da ‘alta’ carga tributária do Brasil




A falácia da ‘alta’ carga tributária do Brasil
Por trás da campanha antifisco das empresas de mídia se esconde a vontade de pagar ainda menos impostos
Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo
Estava na Folha, num editorial recente.
A carga tributária brasileira é alta. Cerca de 35% do PIB. Esta tem sido a base de incessantes campanhas de jornais e revistas sobre o assim chamado “Custo Brasil”.
Tirada a hipocrisia cínica, a pregação da mídia contra o “Custo Brasil” é uma tentativa de pagar (ainda) menos impostos e achatar direitos trabalhistas.
Notemos. A maior parte das grandes empresas jornalísticas já se dedica ao chamado ‘planejamento fiscal’. Isto quer dizer: encontrar brechas na legislação tributária para pagar menos do que deveriam.
A própria Folha já faz tempo adotou a tática de tratar juridicamente muitos jornalistas – em geral os de maior salário – como PJs, pessoas jurídicas. Assim, recolhe menos imposto. Uma amiga minha que foi ombudsman era PJ, e uma vez me fez a lista dos ilustre articulistas da Folha que também eram.
A Globo faz o mesmo. O ilibado Merval Pereira, um imortal tão empenhado na vida terrena na melhora dos costumes do país, talvez pudesse esclarecer sua situação na Globo – e, transparentemente, dizer quanto paga, em porcentual sobre o que recebe.
A Receita Federal cobra uma dívida bilionária em impostos das Organizações Globo, mas lamentavelmente a disputa jurídica se trava na mais completa escuridão. Que a Globo esconda a cobrança se entende, mas que a Receita Federal não coloque transparência num caso de alto interesse público para mim é incompreensível.
A única vez em que vi uma reprovação clara em João Roberto Marinho, acionista e editor da Globo, foi quando chegou a ele que a Época fazia uma reportagem sobre o modelo escandinavo. Como diretor editorial da Editora Globo, a Época respondia a mim. O projeto foi rapidamente abortado.
Voltemos ao queixume do editorial da Folha.
Como já vimos, a carga tributária do Brasil é de 35%. Agora olhemos dois opostos. A carga mais baixa, entre os 60 países que compõem a prestigiada OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, é a do México: 20%. As taxas mais altas são as da Escandinávia: em redor de 50%.
Queremos ser o que quando crescer: México ou Escandinávia?
O dinheiro do imposto, lembremos, constrói estradas, portos, aeroportos, hospitais, escolas públicas etc. Permite que a sociedade tenha acesso a saúde pública de bom nível, e as crianças – mesmo as mais humildes — a bom ensino.
Os herdeiros da Globo – os filhos dos irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto – estudaram nas melhores escolas privadas e depois, pelas mãos do tutor Jorge Nóbrega, completaram seu preparo com cursos no exterior.
A Globo fala exaustivamente em meritocracia e em educação. Mas como filhos de famílias simples podem competir com os filhos dos irmãos Marinhos? Não estou falando no dinheiro, em si – mas na educação pública miserável que temos no Brasil.
Na Escandinávia, a meritocracia é para valer. Acesso a educação de bom nível todos têm. E a taxa de herança é alta o suficiente para mitigar as grandes vantagens dos herdeiros de fortunas. O mérito efetivo é de quem criou a fortuna, não de quem a herdou. A meritocracia deve ser entendida sob uma ótima justa e ampla, ou é apenas uma falácia para perpetuar iniquidades.
Recentemente o site da Exame publicou um ranking dos 20 países mais prósperos de 2012 elaborado pela instituição inglesa Legatum Institute. Foram usados oito critérios para medir o sucesso das nações: economia, empreendedorismo e oportunidades, governança, educação, saúde, segurança e sensação de segurança pessoa, liberdade pessoal e capital social. A Escandinávia ficou simplesmente com o ouro, a prata e o bronze: Noruega (1ª), Dinamarca (2ª) e Suécia (3ª).
Se quisermos ser o México, é só atender aos insistentes apelos das grandes companhias de mídia. Se quisermos ser a Escandinávia, o caminho é mais árduo. Lá, em meados do século passado, se estabeleceu um consenso segundo o qual impostos altos são o preço – afinal barato – para que se tenha uma sociedade harmoniosa. E próspera: a qualidade da educação gera mão de obra de alto nível para tocar as empresas e um funcionalismo público excepcional. O final de tudo isso se reflete em felicidade: repare que em todas as listas que medem a satisfação das pessoas de um país a Escandinávia domina as posições no topo.
O sistema nórdico produz as pessoas mais felizes do mundo.
A Escandinávia é um sonho muito distante? Olhemos então para a China. À medida que o país foi se desenvolvendo economicamente, a carga tributária também cresceu. Ou não haveria recursos para fazer o extraordinário trabalho na infraestrutura – trens, estradas, portos, aeroportos etc – que a China vem empreendendo para dar suporte ao velocíssimo crescimento econômico.
Hoje, a taxa tributária da China está na faixa de 35%, a mesma do Brasil. E crescendo. Com sua campanha pelo atraso e pela iniquidade, os donos da empresa de mídia acabam fazendo o papel não de barões – mas de coronéis que se agarram a seus privilégios e mamatas indefensáveis.

domingo, 21 de abril de 2013

Le Monde chama Lula de "Ícone da luta contra a pobreza". Com Lula, presidente mexicano lança programa inspirado no Fome Zero


Le Monde chama Lula de "Ícone da luta contra a pobreza"
Por Walter Decker
Aqui, matéria do Le Monde, onde Lula é chamado de " Ícone da luta contra a pobreza"
Au Mexique, croisade présidentielle contre la faim


Jornal Le Monde: Com Lula, presidente mexicano lança programa inspirado no Fome Zero 
Na cidade indígena de Navenchauc, no Estado de Chiapas, no sul do México, que o presidente Enrique Peña Nieto dever lançar nesta sexta-feira (19), sua grande "cruzada contra a fome". Para essa ocasião, ele convidou o ex-chefe de Estado do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, ícone da luta contra a pobreza. Embora promissor --esse projeto interministerial--, que envolve o setor privado e a sociedade civil, provoca uma série de reservas.

"Não se trata de uma medida de assistência, mas de uma estratégia integral para os mais desfavorecidos", insistiu o presidente em 21 de janeiro em Chiapas, ao assinar o decreto de criação de sua cruzada. Três meses depois, o presidente volta ao Estado, um dos mais pobres do país, para dar o pontapé inicial nesse plano destinado a 7,4 milhões de mexicanos em 400 municípios "altamente marginalizados", dos quais 60% são indígenas.



Distribuição de alimentos, oficinas de formação em boa alimentação, acesso aos serviços de saúde e de educação, melhora da produção e da comercialização agrícolas... Medidas dotadas de um orçamento equivalente a 18 bilhões de euros, que visam principalmente erradicar a desnutrição infantil. Esse programa se inspira no plano brasileiro Fome Zero, lançado em 2003 pelo presidente Lula. "Hoje nós convidamos Lula porque o Fome Zero foi um sucesso", justificou a ministra mexicana do Desenvolvimento Social, Rosario Robles, que comanda o projeto.

A aposta é grande: 11 mil mexicanos morreram de fome em 2011, segundo o governo. A pobreza atinge cerca da metade da população. Para enfrentar esse desafio, todos os ministérios foram mobilizados, assim como os Estados e os municípios envolvidos. A sociedade civil não ficou fora. Um Conselho Nacional que reúne representantes do setor privado, ONGs, universidades, assim como os 31 governadores, além do prefeito da Cidade do México -- encarregado de orientar e avaliar o programa.
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/le-monde-chama-lula-de-icone-da-luta-contra-a-pobreza

terça-feira, 27 de março de 2012

Pedofilia mancha visita


Os abusos sexuais cometidos durante anos pelo já falecido sacerdote mexicano Marcial Maciel, líder da Legião de Cristo, ensombraram a visita que o Papa terminou ontem no México. Vítimas desses abusos criticaram Bento XVI por não aceitar recebê-los e a Igreja Católica por ter tolerado os crimes. Bento XVI já está em Cuba, naquela que já é considerada uma visita histórica do seu pontificado.



"O Vaticano ignorou sistematicamente a sua responsabilidade. Não só sabia, como também tolerou e protegeu Maciel. O Vaticano mentiu", declarou Bernardo Barranco, que investiga os crimes praticados por Maciel, durante uma conferência de imprensa com vítimas desses abusos em León, capital do estado de Guanajuato, onde Bento XVI pernoitou de sábado para domingo e onde recebeu vítimas e familiares da violência do narcotráfico no México. Bento XVI terminou a sua visita ao país com uma missa, ontem, em León, na qual participaram mais de 600 mil pessoas.
Do México, o Sumo Pontífice voou para Cuba, onde o governo de Raul Castro fez questão de receber o Chefe da Igreja Católica com pompa e circunstância, tendo decretado tolerância de ponto para que todos possam participar nos eventos públicos.
Apesar das críticas que o Papa teceu ao regime comunista, o governo cubano quer fazer da visita um marco histórico, mostrando ao Mundo que o país está a mudar e até as "Damas de Branco", mães e esposas de dissidentes desaparecidos, mortos ou presos, foram autorizadas a participar nos eventos religiosos e possivelmente serão recebidas por Bento XVI.




quarta-feira, 29 de junho de 2011

Guerra antidrogas, plano perverso




Sexta-feira passada, 17 de junho, completaram-se 40 anos da declarada “guerra contra as drogas” encabeçada por Richard Nixon para combater “o inimigo público número um dos Estados Unidos que é o uso das drogas”. Desde então, até a presente data, somente como balanço, a maldita guerra redundou num fracasso em que nenhum dos objetivos foi alcançado.

Pelo contrário, milhões de homens e mulheres foram vítimas – “danos colaterais” – de tal decisão. Tanto pela oferta de opiáceos quanto pelo consumo que aumentou (ver Maniobra Del Poder, 3 de junho, onde se abordou o tema a partir do “informe da Comissão Global de Políticas de Drogas, junho de 2011”, e se fala das consequências “devastadoras para indivíduos e sociedades ao redor do mundo”, contra o qual se recomenda: “São necessárias reformas urgentes e fundamentais nas políticas de controle de drogas nacionais e mundiais” até alcançar um negócio de 320 bilhões de dólares, ou seja, 1% de todo o comércio mundial.

Segundo dados da ONU, de 1988 a 2008 o uso de drogas aumentou em 34,5%; a cocaína, em 27%; a maconha, em 8,5%. Somente este ano, entre 20 e 25 milhões de cidadãos estadunidenses usaram alguma droga ilícita, 10 milhões a mais que em 1970, e cada dia se somam 8 mil à conta fatal. Outro dado indica que os EUA destinam cerca de 15 bilhões para a “guerra contra as drogas”, mas cálculos conservadores afirmam que a cifra chega aos 40 bilhões.

Contudo, entre as máscaras oficiais, nos EUA se destaca a postura do czar antidrogas, Gil Kerlikowske, que diz preferir não usar o termo “guerra”, “porque não estamos em guerra contra nossa própria gente”. Mas nos EUA as cadeias estão cheias de jovens – quase 40 milhões – relacionados com drogas, que não precisamente são delinquentes, mas cometeram delitos não violentos por drogas. Por isso, “para afroestadunidenses e latinos, a guerra contra as drogas se percebe bem mais como uma guerra contra eles, contra a juventude negra. Com o aprisionamento como arma mais empregada nesta ‘guerra’”.

Fora isso, “as cifras comprovam: os Estados Unidos são o país com mais presos no mundo, com somente 5% da população mundial, têm 25% do total dos prisioneiros no planeta – aproximadamente 2,3 milhões, comparando com 300 mil em 1972... O ruidoso aumento da população encarcerada se deve em grande medida ao aumento na detenção de pessoas que cometeram delitos relacionados à drogas – em 1980 eram 41 mil destes, agora há mais de 500 mil (um aumento de 2.000%)”. (Dados do La Jornada, 17/junho/2011)”......

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Debate sobre legalização das drogas agita México



O actual presidente mexicano Felipe Calderón rejeitou a proposta do seu antecessor, Vicente Fox, para legalizar a produção e a venda de estupefacientes. Mas admite que isso poderia travar a violência que dilacera o país.
Felipe Calderón respondeu negativamente ao plano anunciado por Fox, que esteve no poder entre 2000 e 2006. "Se forem legais, o alto preço que as drogas têm no mercado negro reduzir-se-ia e isso reduziria a capacidade financeira dos criminosos. Isso pode ser certo, mas liberalizar totalmente o mercado de drogas, incluindo a própria redução do seu preço, são factores que vão levar milhares de jovens a consumir", diz o actual presidente mexicano, alinhado com o proibicionismo e promotor da via policial para no "combate à droga", uma que já soma 26 mil mortos desde que Calderón tomou posse.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A pauta seletiva de nosso noticiário internacional



Não é nenhuma novidade o fato do governo dos EUA financiar jornalistas e órgãos de comunicação para promoverem sua política externa e interesses pelo mundo todo. O próprio governo estadunidense não faz muito segredo desse fato.
Basta assistir, com o mínimo de senso crítico, ao noticiário internacional para perceber o peso dado às pautas de interesse dos EUA. Assim, enquanto Cuba, Coréia do Norte e Irã, para citar apenas os casos mais famosos, merecem destaque e debates frequentes, as notícias e os problemas dos nossos vizinhos de latino-americanos ocupam um espaço marginal no noticiário internacional.