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sexta-feira, 29 de julho de 2016

TRABALHO ESCRAVO TERCEIRIZADO? ‘NÃO-ERA-COMIGO!’



Recentemente, houve mais um flagrante de trabalho escravo em confecção paulista contratada por marca de roupas chiques. Dessa vez, cinco bolivianos foram resgatados. Ali, todos – incluindo menina de 14 anos – trabalhavam mais de 12 horas diárias e viviam em condições degradantes, “situação famélica”, resumiu um dos fiscais.
As “estórias” já são antigas, se repetem e não têm nada de bonito. Costumam ser pequenas empresas terceirizadas que chamam homens e mulheres de baixa instrução e praticam diversas ilegalidades para poder oferecer preços menores.
Mas há outra reincidência – a da justificativa. Em nota, a contratante afirmou que “a empresa cumpre regularmente todas as normas do ordenamento jurídico “. Ou seja, é culpa da terceirizada, não via, não fiscalizava, “não-era-comigo”.
A desculpa também não é nova. Podia citar Pilatus, mas pulemos vinte séculos. Em Nuremberg, os nazistas falaram coisas parecidas: matança industrial de gente não era bem o meu setor, nunca perguntei sobre os vagões, “não-era-comigo”. Nos atuais processos de corrupção, donos de empreiteiras adoram dizer que eram gerentes irresponsáveis os molhadores de mãos, “não-era-comigo”.
É contigo, sim.
Terceirização inconsequente não é necessidade irresistível de quem se dispõe à sofrida tarefa de ser empresário. Terceirizar é opção administrativa semilegalizada que, essencialmente, serve para melhorar rentabilidade. Muito bem querer aumentar o lucro, mas pensemos em meios mais saudáveis.
Serviço terceirizado paga salários inferiores, produz muito mais acidentes, inclusive com óbitos, e gera imensidão de processos trabalhistas. Isso sem falar no troféu de escravidão contemporânea.
Hora de assumir o risco de ter dedinhos decepados e infâncias reduzidas como itens das etiquetas. Também aceite precarização de direitos, abarrotamento do Judiciário e amplo inadimplemento de dívidas trabalhistas no objeto social. Isso tudo, sem falar no troféu da exploração de escravos contemporâneos.
Apenas não diga “não-era-comigo”.
____________________________
[1] Professor e Presidente da AMATRA IV – Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 4ª Região.
no: https://jornaleirotalisandrade.wordpress.com/2016/07/23/trofeu-de-escravidao-contemporanea/

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A reescravização dos povos ocidentais: escravo, não! Slave.

Via Resistir.info


Acontecimentos desta espécie são possíveis por todo o ocidente quando os povos descobrirem que perderam todo o controle sobre todo aspecto das suas vidas e que a sua única opção é a revolução ou a morte.
European consumer rights activists take part in a march to protest against the Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP), austerity and poverty in Brussels, Belgium October 17, 2015


Paul Craig Roberts [*]

A reescravização dos povos ocidentais está a verificar-se a vários níveis. Um deles, acerca do qual tenho escrito durante mais de uma década, decorre da deslocalização de empregos. Os americanos, por exemplo, têm uma participação decrescente na produção dos bens e serviços que lhes são comercializados.

A outro nível estamos a experimentar a financiarização da economia ocidental, acerca da qual Michael Hudson é o perito principal ( Matando o hospedeiro , Killing the Host). A financiarização é o processo de remoção de qualquer presença pública na economia e de converter o excedente económico em pagamentos de juros ao sector financeiro.

Estes dois desenvolvimentos privam o povo de perspectivas económicas. Um terceiro desenvolvimento priva-o de direitos políticos. As parcerias Trans-Pacífico e Trans-Atlântica eliminam soberania política e transferem o governo para corporações globais.

Estas chamadas "parcerias comerciais" nada têm a ver com comércio. Estes acordos negociados em segredo concedem às corporações imunidade em relação às leis dos países com os quais elas fazem negócios. Isto é alcançado ao declarar que qualquer interferência de leis e regulamentos existentes ou em perspectivas sobre lucros corporativos como restrições ao comércio, pelo que as corporações podem processar e multar governos "soberanos". Exemplo: a proibição em França e outros países de produtos de organismos geneticamente modificados (OGM) seria negada pela Parceria Trans-Atlântica. A democracia simplesmente substituída pelo domínio corporativo.

Eu tinha intenção de escrever acerca disto há muito tempo. Entretanto, outros, tais como Chris Hedges, estão a fazer um bom trabalho na explicação da captura de poder que elimina governos representativos.

As corporações estão a comprar poder a preço barato. Elas compraram toda a Câmara dos Representantes (House of Representatives) dos EUA por apenas US$200 milhões. Isto é o que as corporações pagam ao Congresso para concordar com a "Via Rápida" ("Fast Track"), a qual permite ao agente das corporações, o Representante Comercial dos EUA, negociar em segredo sem a contribuição ou supervisão do Congresso .

Por outras palavras, um agente corporativo dos EUA faz a negociação com agentes corporativos dos países que serão abrangidos pela "parceria" e este punhado de pessoas bem subornadas redigirá um acordo que ultrapassa a lei de acordo com os interesses das corporações. Ninguém a negociar a parceria representa os povos ou os interesses públicos. Os governos dos países em parceria incomodam-se em votar a proposta – e serão bem pagos para votar pelo acordo.

Uma vez em vigor estas parcerias, o próprio governo será privatizado. Já não haverá mais qualquer sentido em legislativos, presidentes, primeiros-ministros, juízes.

Tribunais corporativos decidem a lei e determinam as sentenças

É provável que estas "parcerias" venham a ter consequências inesperadas. Por exemplo: a Rússia e a China não fazem parte dos acordos e nem o Irão, Brasil, Índia e África do Sul, embora de modo separado o governo indiano pareça ter sido comprado pelo agronegócio americano e esteja em vias de destruir seu auto-suficiente sistema de produção alimentar. Estes países serão depositários de soberania nacional e controle público enquanto a liberdade e a democracia extinguem-se no ocidente e entre os vassalos asiáticos do ocidente.

A revolução violenta por todo o ocidente e a completa eliminação do Um Por Cento é uma outra consequência possível. Uma vez que, por exemplo, o povo francês descobre que perdeu todo o controle sobre a sua dieta para a Monsanto e o agronegócio americano, os membros do governo francês que lançaram a França na servidão dietética aos alimentos tóxicos provavelmente serão mortos nas ruas.

Acontecimentos desta espécie são possíveis por todo o ocidente quando os povos descobrirem que perderam todo o controle sobre todo aspecto das suas vidas e que a sua única opção é a revolução ou a morte.

O original encontra-se em sputniknews.com/columnists/20151109/1029803298/us-west-economy-values.html

domingo, 8 de fevereiro de 2015

As seis Grandes Ilusões que nos mantêm Escravizados/Subjugados à Matrix


"Na prisão, as ilusões podem oferecer conforto." - Nelson Mandela

Para que um mágico possa enganar o seu público, os seus truques devem passar despercebidos, e, para isso ele cria uma ilusão para impedir a atenção na realidade. Enquanto o público está em transe, o acto enganoso é cometido, e para os tolos, a realidade torna-se então, inexplicavelmente, construída em cima de uma mentira. Isto é, até que o os tolos acordem e reconheçam a verdade no facto que foram enganados.
Manter a suspensão de incredulidade na ilusão é no entanto muitas vezes mais reconfortante do que reconhecer os segredos do mágico.
Vivemos num mundo de ilusão. Assim, muitas das preocupações que ocupam a mente e as tarefas que preenchem o calendário surgem de impulsos plantados para nos tornarmos alguém ou algo que não somos. Isto não é acidente ou por acaso.
À medida que somos doutrinados para esta cultura autoritária-corporativa-consumista que hoje domina a raça humana, somos treinados que certos aspectos da nossa sociedade são verdades intocáveis, e que formas particulares de ser e de agir são as preferidas.
Psicopatas enfraquecem e desautorizam as pessoas desta forma. Eles nos cegam com incessantes barragens de sugestões e absolutismos que visam abalar a nossa auto-confiança e a confiança no futuro.
Bansky, o revolucionário reverenciado e evasivo artista de rua uma vez comentou assim:
"Pessoas estão gozando de nos todos os dias. Intrometem-se na nossa vida, nos denigrem e em seguida, desaparecem. Nos olham lascivamente de altos edifícios e nos fazem sentir diminuídos. Fazem comentários irreverentes até em autocarros, insinuando que não somos suficientemente atractivos e que toda a diversão está acontecendo noutro lugar. Também estão presentes na TV fazendo a namorada  ou familiares se sentirem inadequados. Têm acesso a mais sofisticada tecnologia que o mundo já viu e nos intimidam com isso. Eles estão no controle, são os locutores e estão rindo de nos. "- Banksy
A publicidade é apenas a ponta do iceberg. Quando olhamos mais longe vemos que a organização geral da vida é centrada em torno da busca de ilusões e obediência automática às instituições e ideias que não são de todo o que parecem. Estamos, a bem da verdade e num sentido muito realista, escravizados.
Muitos chamam esse sentimento um tanto intangível de opressão 'Matrix', um sistema de controlo total que invade a mente, a programação de indivíduos moldando-se eles mesmos de acordo com uma versão conformista da realidade, não importa quão perversa possa ela ser.
As mais grandiosas ilusões que nos mantêm escravizados à Matrix, as que têm muitos de nós ainda em transe, estão sumariamente descritas abaixo para consideração do leitor.
1. A Ilusão da Lei, Ordem e Autoridade
Para muitos de nós, cumprir a lei é considerado uma obrigação moral, e muitos de nós fazemos isso com prazer, embora a corrupção, escândalo, e maldade mostrem repetidamente que a lei é bastante flexível para aqueles que têm músculo para dobrá-la. A brutalidade policial e crimes cometidos pela polícia é galopante nos EUA, assim como noutros países e os tribunais favorecem os ricos; não podemos até levar mais a nossa vida privada graças à intrusão de vigilância do Estado. E ao mesmo tempo a guerra Orwelliana permanente, ilegal e imoral grassa nos bastidores da vida, assassinando e destruindo nações inteiras e culturas.
A ordem social não é o que parece, pois é inteiramente baseada em conformidade, obediência e aquiescência que são impostas pelo medo da violência. A história nos ensina que a lei é igualmente e muitas vezes usada como um instrumento de opressão, controle social e pilhagem, e qualquer proclamado vestigio de autoridade a este respeito é uma autoridade falsa, hipócrita e injusta.
Quando a própria lei não segue a lei, não há lei, não há ordem, e não há justiça. A pompa e aparato de autoridade são meramente uma ocultação da verdade de que a actual ordem mundial é baseada no controlo, e não no consentimento.
2. A ilusão de Prosperidade e Felicidade
Adornando-nos com roupas e bugigangas caras e acúmulo de bens materiais que seriam a inveja de qualquer monarca do século 19 tornou-se um substituto para a prosperidade genuína. Manter a ilusão de prosperidade, porém, é fundamental para a nossa economia como um todo, porque a sua fundação é construída sobre o consumo, a fraude, crédito e débito. O próprio sistema bancário foi projetado de cima para baixo para criar riqueza ilimitada para alguns enquanto tributam até a eternidade o resto de nós.
A verdadeira prosperidade é um ambiente vibrante e uma abundância de saúde, felicidade, amor e relacionamentos. Cada vez mais as pessoas tem a percepção dos bens materiais como forma de auto identificação nesta cultura, causando um deslizamento cada vez mais longe da experiência da verdadeira prosperidade.
3. A ilusão da Escolha e da Liberdade
Leia nas entrelinhas e olhe para as letras miúdas, não somos livres, de nenhum jeito nem por nenhum padrão inteligente. A liberdade é sobre ter escolha, mas no mundo de hoje, a escolha passou a significar uma seleção entre as opções disponíveis, sempre de dentro dos confins de um sistema jurídico e fiscal corrupto, e dentro dos limites das normas culturalmente aceites e aplicadas.
Não olhemos mais longe do que a falsa instituição da Democracia moderna para encontrar um exemplo brilhante de falsas opções que aparentam ser reais. Em muitos países incluindo os EUA, dois enraizados, corruptos e arcaicos partidos políticos se exibem como sendo o orgulho e esperança da nação, no entanto vozes de terceiros e de independentes são intencionalmente bloqueadas, ridicularizadas e apagadas.
A ilusão de Escolha e Liberdade é um poderoso opressor pois nos engana e faz aceitar correntes e trelas curtas, como se fossem essas as características de Liberdade.
Múltipla escolha é diferente do que Liberdade, é servidão fácil.
4. A Ilusão da Verdade
A Verdade tornou-se um assunto delicado na nossa cultura, e nós temos sido programados para acreditar que 'a' verdade vem dos Semi-Deuses da “mídia”, Celebridades e do Governo. Se a TV declara algo como verdade, então nós somos considerados hereges se acreditarmos no contrário. Mente inquisitiva, uso da duvida metódica ou pensamento crítico não podem ser exercidos, fazendo aqueles poucos que questionam o sistema caírem no ostracismo e serem alvos de escarnio da sociedade.
A fim de manter a ordem, os poderes vigentes dependem da nossa aquiescência à sua versão da verdade. Enquanto um punhado de pensadores e jornalistas independentes abrem continuamente buracos nas versões oficiais da realidade, a ilusão da verdade é tão poderosa que é preciso uma revolta pessoal séria para evitar a dissonância cognitiva necessária para funcionar numa sociedade que persegue abertamente falsas realidades.
5. A Ilusão do Tempo
Diz-se que tempo é dinheiro, mas isso é uma inverdade. O tempo é a nossa vida. A nossa vida é uma constante evolução da manifestação do presente. Olhando para além do mundo dos cinco sentidos onde fomos treinados para nos movermos de acordo com o relógio e calendário, descobrimos que o espírito é eterno, e que cada alma individual é parte desta eternidade.
A grande enganação aqui, é o reforço da ideia de que o momento actual é de pouco ou nenhum valor, que o passado é algo que não podemos desfazer ou esquecer, e que o futuro é intrinsecamente mais importante do que o passado e o presente. Isto leva a nossa atenção para longe do que na verdade está acontecendo no presente e direciona-a para o futuro. Uma vez completamente focados no que está por vir e não o que é, somos presa fácil para os anunciantes e arautos do medo, que turvam nossa visão do futuro com todas as preocupações possíveis e imagináveis. Assim nos condicionam por exemplo a amar ou odiar colectivamente certos grupos de pessoas, raças, religiões e muito mais.
Somos mais felizes quando a vida não nos empacota ou aprisiona e quando a espontaneidade e aleatoriedade nos dá a chance de descobrir mais sobre nós mesmos. Desistindo do momento presente, a fim de fantasiar sobre o futuro é uma armadilha. Os imensos e intemporais momentos de alegria espiritual encontrados na meditação silenciosa são a prova de que o tempo é uma construção da mente do homem, e não necessariamente obrigatória para a experiência humana.
Se tempo é dinheiro, então a vida poderia ser medida em dólares ou euros. Quando esse dinheiro baixa de valor, assim também seria a vida. Este é o engano total, porque a vida é, na verdade, absolutamente valiosa e sem preço.
6. A ilusão de Singularidade
A nível estratégico, a tática de dividir para conquistar ou reinar é um procedimento operacional padrão para os autoritários e exércitos invasores, mas a ilusão de singularidade é ainda mais profunda do que isso.
Estamos programados para acreditar que, como indivíduos estamos sempre em concorrência ou competindo com tudo e todos ao nosso redor, incluindo os nossos vizinhos e até mesmo a natureza. Nós contra eles até ao extremo, até o fim. Isso claramente nega a verdade de que a vida neste planeta é infinitamente inter-ligada. Sem ar limpo, água limpa, solo saudável, e um sentido global vibrante de comunidade não podemos sobreviver aqui.
Enquanto a ilusão de singularidade nos conforta satisfazendo-nos o ego e oferecendo uma sensação de controle, na realidade, só serve para nos escravizar e nos isolar.
Conclusão
Estas ilusões aqui mencionadas foram encenadas a nossa frente como campanha para incentivar a aquiescência cega às maquinações dos senhores da Matrix. Na tentativa de nos desautorizar, eles exigem a nossa conformidade e obediência, mas não podemos esquecer que tudo isso é apenas uma elaborada proposta de vendedor. Eles não podem vender aquilo que não estivermos interessados em comprar.
Texto enviado pelo anónimo JDL
Bônus deste bloguezinho mequetrefe. Bom domingo.
Sanguessugado do Octopus, via http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2015/02/as-seis-grandes-ilusoes-que-nos-mantem.html