Mostrando postagens com marcador FINANCIAMENTO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FINANCIAMENTO. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Quem é quem na política brasileira?

O posicionamento sobre o financiamento de campanha por empresas é uma importante questão para esclarecer quem é quem na política. E indica que na política brasileira os sinais estão trocados.

Dados do TSE indicam que os gastos de campanha em 2010 atingiram mais de 800 milhões de reais. E que em 2014, alcançaram 5.1 bilhões, crescimento vertiginoso. Sendo que 95% destes recursos provêm de poucas grandes empresas.

Fato importante é que a grande maioria da sociedade brasileira se posicionou contra o financiamento público por empresas. Pesquisa solicitada pela OAB e realizada pelo Datafolha, divulgada em junho deste ano, entrevistou 2.125 pessoas em 135 municípios de todas as regiões do país. Concluiu que 74% dos entrevistados são contra o financiamento de campanha por empresas privadas. E 79% considerou que o financiamento de campanha de empresas a partidos estimula a corrupção.

Mas o dado intrigante que revela que os sinais estão trocados na política brasileira fica evidente em dois fatos. O primeiro diz respeito a uma pesquisa realizada com o público presente nas manifestações realizadas no dia 16 de agosto, na Avenida Paulista em SP, pelos professores Pablo Ortellado da USP, Esther Solano da Unifesp e pela Pesquisadora Lúcia Nader da ONG Open Society.

Dos 405 entrevistados em toda a extensão da Avenida Paulista, três em cada quatro pessoas — 75% — mesmo índice da pesquisa da OAB, se manifestaram contra o financiamento de campanha por empresas.

Outro fato revelador foi o resultado da votação em segundo turno, na Câmara dos Deputados, sobre o financiamento de campanha por empresas.

Partidos como o PSDB tiveram 42 deputados votando a favor e 4 contra. De um total de 53 parlamentares. O DEM teve 18 parlamentares votando a favor do financiamento de empresas e um contra, de um total de 21. No entanto, o PT teve 60 votando contra o financiamento de campanhas por empresas e nenhum votando a favor, nos seus 66 parlamentares. E 13 parlamentares da totalidade da bancada do PCdoB votaram contra.

Portanto, há contradições profundas reveladas nestas pesquisas. Em primeiro lugar, dos que se manifestaram na Paulista que, por um lado, exigiam o IMPEACHMENT da Presidenta Dilma Rousseff e combatiam a corrupção. Por outro, uma das pesquisas indica, eram contra o financiamento de campanha por empresas, causa fundamental da corrupção política. Setores ponderáveis desta manifestação pregavam o ódio e a intolerância.

A outra contradição se expressa no resultado da votação na Câmara dos Deputados. Aqueles que se arvoram em defensores da ética foram os que votaram maciçamente na continuidade da influência do poder econômico nas eleições. E os que são tidos como os responsáveis pela corrupção são aqueles que votaram contra a causa fundamental da corrupção. Isso, evidentemente, não exclui o fato de que entre os que votaram pela manutenção do financiamento sejam todos antiéticos.

A Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, composta por mais de cem entidades, entre as quais a OAB, CNBB, Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, UNE, CONTAG, CTB E CUT, apresentou à Câmara dos Deputados um projeto de reforma política democrática que não foi levado em conta na votação, apesar de terem sido coletadas mais de 800 mil assinaturas de apoio.

Esta proposição defende, além da adoção do sistema proporcional que venha dar identidade política-ideológica aos partidos e fortalecê-los, a substituição do financiamento de campanha por empresas e o financiamento democrático de campanha (público e de pessoa física em montante limitado).

Considera que a questão do financiamento de campanha por empresas é decisiva para uma reforma política democrática. Primeiro porque o poder econômico captura o poder político, elegendo uma representação em que sua maioria defende os interesses de uma minoria da sociedade. A maioria da sociedade, entre os quais os trabalhadores urbanos e rurais, as mulheres, os jovens, os negros, ficam totalmente subrepresentadas. Daí que as votações não atendem às aspirações da maioria. Este quadro mostra que os sinais estão trocados em relação ao que ocorre na sociedade brasileira.

Todavia há que se ter claro que a ética individual exige que medidas sejam tomadas para colocar na cadeia, corruptos condenados pela Justiça. Com amplo direito de defesa e não transformando a delação premiada, que é indício de prova, em desmoralização indiscriminada de pessoas que contribuíram para a mudança da sociedade brasileira.

Todavia a ética social indica que é necessário compromisso com a transformação da sociedade. E hoje os que lutaram na época da ditadura pela transformação estrutural da sociedade brasileira e que hoje continuam lutando, são tidos como antiéticos. E muitos que estiveram ao lado da ditadura e ao lado de poderosos interesses, se dizem os defensores da ética.

Para ter uma posição justa diante da confusão criada no País, é necessário adotar uma consciência crítica. Se distanciar das emoções, criadas falsamente pela grande mídia e por poderosos grupos econômicos que querem se assenhorar do Governo, e adotar uma postura que analise os argumentos da oposição e da situação.

Não se deixar levar pelo discurso único que defende o retrocesso econômico, social e político, para adotar esta consciência crítica. A força da onda no sentido do retrocesso, que chega ao absurdo de pedir o retorno dos militares e prega o ódio, a violência e a discriminação, decorre do crescimento de uma onda obscurantista que o povo brasileiro — e particularmente a juventude — tem que reverter para o bem do Brasil.

Em suma, a capacidade de construir um ponto de vista próprio só é possível com análise serena e rigorosa do que está por trás da polêmica e da confusão gerada no Brasil.

Considero que os ataques realizados contra a Presidenta Dilma, ao ex-Presidente Lula e ao PT decorrem mais do que foi feito de positivo do que por erros cometidos.

A questão de fundo é que o modelo político em que o poder econômico formata o poder político está esgotado. É necessário aprofundar a democratização do poder que passa por uma reforma política democrática, para abrir caminho para as reformas agrária, urbana, tributária, além da democratização dos meios de comunicação.

A juventude brasileira deve ser exigente, crítica, e procurar adotar uma posição equidistante entre políticas radicalizadas e polarizadas, para pensar de forma serena o futuro que almejam.

Aldo Arantes, ex-deputado federal Constituinte pelo Estado de Goiás, secretário da Comissão Especial de Mobilização para a Reforma Política do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.
No Blog do Miro, via: http://www.contextolivre.com.br/2015/08/quem-e-quem-na-politica-brasileira.html

quarta-feira, 18 de março de 2015

As pautas que a direita não quer peitar



1 — Fim do financiamento privado das campanhas políticas

Quando se fala de financiamento privado de campanha, logo vem á tona a questão da corrupção.

O caminho da corrupção via financiamento privado deve ser eliminado, mas os corruptos não são os únicos interessados na questão. Há todo um mercado bilionário que também perderia. E muito.

É o mercado que desenvolveu o conceito de que a campanha boa é campanha cara, com modernos recursos tecnológicos/televisivos (sempre passíveis de edição, claro) e que muito mais do que mostrar conteúdo, quer vender “imagem”.

É um mercado de alto interesse para os grandes barões da mídia oligárquica, para a indústria da propaganda e, sem dúvida, para os “marqueteiros políticos”. Basta ver os “shows” que são os debates nas redes de televisão. Todos, claro, com patrocínio dos espaços vendidos nos intervalos…

Criamos, no Brasil, uma dependência dessa gente: eles inventaram o produto e convenceram a todos de que sem o seu produto poderiam perder. Logo, todos os políticos compram o produto, E precisam de dinheiro para isso. E pedem para as empresas. Que cobram o seu preço depois…

O financiamento público de campanha deve (ou tem que) acabar com isso. A limitação orçamentária trará as campanhas para de onde nunca deveriam ter saído: do chão, das ruas, sendo o uso da mídia apenas um recurso a mais, se e quando possível gastar a parcela que caberá a cada partido.

Acabando com o financiamento privado, matamos esses dois coelhos: a corrupção e o poder que hoje a mídia oligárquica tem sobre as campanhas e, quase que diretamente, sobre as eleições.


2 — Regulação econômica da mídia

Para algumas pessoas, abordar o tema vai parecer que estou “chovendo no molhado”. Não é o caso, se considerarmos que uma parcela, infelizmente ainda muito grande, da população brasileira só recebe (ou procura) informações pelos meios disponibilizados pela mídia oligárquica (seis famílias controlam 80% de todo mercado nacional de comunicação) e, portanto, não dispõe de informação alguma sobre o tema além da veiculada e sempre associada com censura ou com cerceamento da liberdade de expressão. Assim, há que ser didático.

a) Concessão pública

A começar, por recordar que os serviços de telecomunicações e de radiodifusão sonora, de sons e imagens são públicos, devendo ser explorados pelo Estado, diretamente, ou sob a forma de autorização, concessão ou permissão (CF, art. 21, XI e XII). O inciso XI ainda diz que cabe ao Estado dispor, nos termos da lei, “sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador…”.

Complementando o caráter público da questão, a CF ainda tem outros artigos:

— Artigo 220:

3º – Compete à lei federal:

I – regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;

II – estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.

5º – Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.

— Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;

III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;

IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Agora compare com a realidade da mídia brasileira:

— é um oligopólio onde apenas seis famílias (Civita, Marinho, Frias, Saad e Abravanel e Sirotsky) controlam quase 80% do mercado nacional de comunicação;

— Não existe a lei federal citada (a que existe é de 1962, anterior, portanto, à Constituição);

— nenhum dos princípios é seguido.

Estamos falando da Constituição Cidadã, da Constituição da Democracia. Portanto, não estamos falando de um projeto “comunista”, “bolivariano”, ou seja lá do que chamem. Estamos falando de uma constituição que está muito longe, no tempo, em relação ao atual governo. É a Constituição que deu ao povo brasileiro o comando da nação e ao Estado a obrigação de torna-la eficaz.

É nesse contexto — E SOMENTE NESSE CONTEXTO PÚBLICO — que todo e qualquer debate sobre os meios de comunicação deve ser feito. Qualquer outra forma , como tem feito a mídia oligárquica, não  passa de uma tentativa de enganar as pessoas para a manutenção de um sistema praticamente privado.

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
via http://www.contextolivre.com.br/2015/03/as-pautas-que-direita-nao-quer-peitar.html

Tratado sobre roubos


Roubam muito. Há anos. Trata-se de uma roubalheira generalizada. Empreiteiros roubam o Estado ao formarem cartel para participar de concorrências e ao corromperem burocratas para ter aditivos assinados. Políticos fazem indicações de seus apaniguados para cargos públicos para receberem benefícios posteriores, como a assinatura de contratos superfaturados. Surpreendo-me por que muitas pessoas estão descobrindo, só agora, o assalto dos órgãos públicos pelas empresas privadas. Durante a vida, já ouvi, mais de uma vez, sobre alguns diretores de órgãos públicos: “ele é da cota da empresa tal”. É muito comum órgãos reguladores serem dirigidos por representantes dos agentes econômicos que seriam regulados. Este controle de órgãos para efetivação de roubos é, de forma sutil, chamado de cooptação do órgão.

Políticos aprovam leis em que o roubo passa a ser legalizado. Trata-se das leis injustas, como é o caso da lei das concessões do petróleo. A empresa estrangeira fica com todo o petróleo produzido e deixa aqui royalties e, às vezes, a participação especial, que são uma parcela pequena do lucro. A sociedade vai reclamar para quem? Pois a empresa estrangeira está roubando nossa riqueza dentro da lei. Por isso, deduzo que os congressistas do mandato de 1995 a 1998 devem ter recebido grandes compensações para derrubarem o monopólio estatal do petróleo, que funcionava tão bem no país há mais de 42 anos. Foram os congressistas deste mandato que venderam seus votos para a reeleição, segundo a confissão de um deles. Por que eles não teriam vendido também seus votos em outros temas?

O roubo institucionalizado tem outra grande vantagem, pois a população pensa que não está sendo roubada. Os bancos são também agentes do roubo legal na sociedade. Será que alguém é inocente a ponto de pensar que os extraordinários lucros conseguidos por eles são devido a desenvolvimentos tecnológicos, a exportações ou à abertura para novos mercados? São conseguidos, usando uma palavra forte, na falta de outra melhor, graças à extorsão da população. Os bancos não competem com a taxa de juros, pois ela é alta em qualquer um deles. Podem competir nas propagandas e no atendimento, mas com relação à taxa formam um cartel, o que é proibido, mas difícil de ser comprovado. A população instigada a consumir pelas propagandas e carente de recursos, na sua maioria, cai na arapuca dos bancos. O que mais existe na economia é a formação de cartéis, que proporcionam lucros maiores do que se as empresas competissem.

Aliás, o Brasil é pródigo nos escândalos de roubos. Alguns deles do passado foram: anões do orçamento, Banestado, BNH, propinoduto, Jorgina de Freitas, máfia do sangue, Sivan, grupo Delfin, Marka e Fonte Cindam, e inúmeros outros. Na privatização mal explicada da Vale do Rio Doce não teria ocorrido um roubo de US$ 100 bilhões? Este é só um dos possíveis danos ao Estado das privatizações do governo FHC, se bem que o mais marcante. Infelizmente, o Brasil não era eficiente nas fases de investigação e denúncia à Justiça, e dos julgamentos.

O embaixador José Jobim foi morto, em 1979, porque contou que iria denunciar roubos na construção de Itaipu através de um livro que estava escrevendo. 35 anos depois, o Ministério Público Federal declarou que pretende abrir inquérito. No passado, a área de planejamento da Eletrobras fazia a estimativa do custo de cada obra cuja construção era recomendada pelo modelo de planejamento do setor elétrico. Este custo se mostrou, invariavelmente, menor que o valor de contratação da obra obtido através de concorrência. Por que seria?

Gostaria de ter uma informação fidedigna, após apuração que não seja da própria mídia, sobre a eventual sonegação de impostos da Rede Globo, pois até um processo da Receita Federal sumiu dentro do órgão. A apuração de desvios de dinheiro não seria para todos? Ainda sobre a mídia, tão crítica de políticos de esquerda, seria interessante saber se as quantias fabulosas pertencentes aos seus donos e apresentadores, que apareceram no “Swissleaks”, são derivadas de atividades lícitas, declaradas à Receita e remetidas para o exterior dentro da lei.

No entanto, se nos ativermos a roubos comprovados da mídia convencional, ela causa enorme prejuízo à sociedade ao roubar informação do povo, como parte de uma planejada ação de manipulação deste, tendo como maiores usufrutuários os capitais nacional e internacional. Pode-se dizer que a mídia convencional participa do conluio para explorar o povo. Este, se bem informado, decidiria melhor sobre as opções políticas, o que explica a razão por que buscam mantê-lo na inocência.

Muitos empresários roubam a mais-valia dos seus trabalhadores, acumulando riqueza e renda para si e pobreza e penúria para seus empregados. O capitalismo é o indutor da maioria dos roubos, à medida que privilegia a “esperteza”, baseia-se na ganância, no individualismo, na competição exacerbada e na falta de solidariedade. Ele prega o acúmulo de riqueza, que também é a motivação dos ladrões. Supor que a ação do capital pode ser realizada dentro da ética é algo passível de questionamentos, porque, quando se gera déficit de recursos de sobrevivência junto a trabalhadores, não se pode estar falando de uma atividade ética. Entretanto, não proponho outro sistema porque, no presente, o ser humano tem se mostrado despreparado para viver em um mundo socialista. Assim, sou obrigado a me contentar com a mitigação dos efeitos do capitalismo.

O capital, também, na sua perseguição pelo maior lucro, não “roubaria” a integridade da natureza? Lançando gases e partículas na atmosfera, rejeitos em rios, no mar e em qualquer terreno, enfim poluindo e criando déficit ambiental. O tratamento dos seus poluentes significaria custos e redução do lucro.

No sistema mundial, o capital instalado em um país desenvolvido busca roubar riquezas de países subdesenvolvidos, através da ação de suas empresas, respaldadas por seus governos, acordos internacionais e com a ajuda de traidores do povo existentes em cada país dominado. Assim, o capital internacional, estando sorrateiramente por trás dos países desenvolvidos, além de comandá-los, os remete para a dominação dos mais fracos, os subdesenvolvidos, para que transferências imensas de riquezas ocorram. Estas são, certamente, os maiores roubos do planeta.

Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef, Nestor Cerveró, Renato Duque, Pedro Barusco, donos de empreiteiras e políticos roubaram a Petrobras. Recomendo, neste caso específico, que se descubra tudo, todo o esquema, todos envolvidos, não importando a época. Recomendo, também, o término do financiamento privado de campanhas políticas, que será um excelente começo.

Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia
No Correio da Cidadania
via http://www.contextolivre.com.br/2015/03/tratado-sobre-roubos.html

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

E se o Estado Islâmico quisesse patrocinar uma escola de samba?



Há um certo movimento entre pessoas que se recusaram a assistir o Carnaval no Rio de Janeiro neste ano. A razão principal para o boicote: o financiamento do enredo da Beija Flor pelo ditador africano Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial (como se o fato dos bicheiros mandarem na festa há décadas fosse um detalhe).

A maneira como a Globo, que tem os direitos de transmissão, cobre o evento é sintomático e surreal. Na TV, a verborragia sem sentido sobre harmonia, evolução etc ganha um toque extra de loucura. Como um jornalista pode narrar o desfile da Beija Flor sem mencionar que o patrocinador é responsável, por exemplo, pelo genocídio de uma etnia e espalhar a fama de ser canibal?

Na Globonews, o massacre carnavalesco do exército de repórteres inclui cascatas como uma matéria repercutindo uma pesquisa segundo a qual “ritmos imprevisíveis (!?) fazem bem à saúde”.

O Carnaval é o momento em que a máfia do jogo do bicho mostra sua opulência e sua invenciblidade para milhões. Por causa do entrelaçamento de interesses com o poder público e a mídia, aquela salada corrupta vira apenas “o maior espetáculo da Terra”.

Bicheiros são “patronos”, apropriação de verbas públicas é “investimento em turismo”. Escolas de samba não prestam contas porque, afinal, estão prestando um serviço à comunidade.

A folia de Momo é o momento em que o pobre pode brilhar, dizem. Na quarta feira de cinzas ele ou ela voltam à favela — enquanto a agremiação está com alguns milhões no caixa, grana distribuída entre os mesmos de sempre.

É fanfarronice e corrupção brilhando na tela, esfuziante. A televisão torna-se uma praça pública em que telespectadores assistem embevecidos um show bancado com dinheiro do crime, dormem e acordam indignadas pedindo impeachment.

No ano que vem, o Estado Islâmico vai pagar pelo enredo da Unidos do Vupabuçú. Deve haver uma ou outra decapitação num carro alegórico, mas, ei, isso é fundamental no quesito “alegorias e adereços”. Sem “apoio cultural e artístico” — de acordo com a nota da Beija Flor sobre a grana de Obiang —, não sai nada. A má notícia é que Claudia Raia foi confirmada como madrinha da bateria.

Kiko Nogueira
No DCM, via http://www.contextolivre.com.br/2015/02/e-se-o-estado-islamico-quisesse.html

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O financiamento popular constrói uma nova forma de fazer política no mundo todo



A gente já falou aqui da importância da reforma política e, principalmente, das mudanças no financiamento de campanhas. Mas você sabia que esse assunto não está em voga só no Brasil? Tem um projeto muito bacana nos Estados Unidos, criado por professores, cientistas políticos e pessoas que já trabalharam na política para pensar em uma estrutura para a política norte-americana.

De acordo com o site oficial do projeto, o MaydayPAC é um comitê de ação política independente ("SUPERPAC") que tem como objetivo eleger um Congresso comprometido com a reforma fundamental na forma como as campanhas políticas são financiadas em 2016. Se for bem sucedido, o PAC vai organizar uma intervenção muito maior em 2016, com o objetivo de eleger a maioria do Congresso que tem ou co-patrocinado, ou se comprometeram a apoiar, uma reforma fundamental do caminho como as eleições são financiadas.

Lawrence Lessing, professor de Harvard e cientista político, é quem apresenta a ideia do financiamento coletivo de campanha, que vai permitir que todos participem diretamente da democracia. Para ele, a nossa democracia falou e nós temos o dever, como cidadãos, de encontrar as formas de recuperá-la. Os fundadores da MaydayPAC acreditam que essa dinâmica atual tem destruído a capacidade do governo dos Estados Unidos para governar. "Nós acreditamos que é fundamental para encontrar uma maneira de mudar a forma como as eleições são financiadas, aos legisladores livres para prosseguir as reformas que motivam os eleitores para apoiá-los", dizem.

Nós traduzimos (livremente) o vídeo em que Lawrence explica o projeto de forma bem didática. Eles também têm um sitepara doações, voluntariados, candidatos que apoiam a iniciativa e etc, chamado mayday.us. Aqui no Brasil, a discussão também acontece amplamente, tendo sido chamada pela presidenta Dilma Rousseff, de reforma das reformas. E, ainda mais importante do que isso, é a noção de que a mudança que tanto queremos ver na política está em nossas mãos. Cada um, contribuindo com pouco, pode fazer acontecer o seu projeto, seja qual for.


No MudaMais, via http://www.contextolivre.com.br/2014/12/o-financiamento-popular-constroi-uma.html

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Agora vai?


Sempre é bom lembrar. Em 1997, o jornalista Paulo Francis denunciou esquema de roubalheira na Petrobras num programa de TV. O presidente da empresa, Joel Rennó, em vez de tomar alguma providência, abriu um processo de US$ 100 milhões contra Francis.

Tampouco ocorreu ao governo de então — primeiro mandato de FHC — realizar qualquer esforço investigativo para coibir práticas conhecidas por gente da alta roda e mesmo empresários medianos. Era mais fácil intimidar o jornalista com uma multa impagável do que apurar. Como efeito colateral, o esquema contava silenciar a imprensa em geral. Sabe-se como tudo acabou.

Foi preciso que a antiga situação e hoje oposição saísse do Planalto, pelas urnas, para que a roubalheira espalhada na estatal viesse a público. Ironia, não? Mas é isso que vem acontecendo. De forma inédita, empresários desse tamanho são investigados e detidos por ligações suspeitas com financiamento eleitoral, pagamento de propinas e superfaturamento ancorados em negociatas com empresa pública.

Apesar do espalhafato costumeiro de parte da PF, é óbvio que a Lava Jato lancetou um tumor instalado há tempos. O estrago ainda está para ser medido, tanto o financeiro quanto o político. No pinga-pinga dos vazamentos, sobra para quase todo mundo, de PT, PMDB e PP a PSDB e PSB. Não à toa houve rapidinho um acerto multipartidário para impedir a convocação de políticos acusados.

Agora vai? Ao menos duas razões recomendam o ceticismo. A primeira está nos antecedentes. Em operações similares, a Satiagraha e a Castelo de Areia, réus de bolso cheio de repente viraram vítimas, delegados foram afastados e juízes, removidos. Pagas a peso de ouro, bancas de advogados estrelados pinçaram erros formais sem tocar no mérito das denúncias. A ponto de não se saber qual escândalo foi maior, se o que motivou as operações ou a missão de abafar os casos. Toda vigilância é pouca para evitar a repetição do enredo, respeitando-se, claro, o direito pleno de defesa (algo que nem sempre ocorre quando os réus são uns, e não outros).

A outra razão é o envenenamento presente nas investigações. A reportagem da jornalista Julia Duailibi dando conta do grau de partidarização da Polícia Federal provoca frio na espinha. Trata-se de uma corporação armada, não de profissionais liberais debatendo posições políticas. Que delegados tenham preferências eleitorais ninguém discute. Mas o teor de suas mensagens eletrônicas, associado ao vazamento seletivo de depoimentos supostos ou verdadeiros, fere o limite que separa convicções ideológicas da utilização tendenciosa de um processo oficial.

Fora de dúvida, por enquanto, é a urgência de mudança no financiamento da política brasileira. Sem prejuízo da ação da Justiça contra réus de culpa provada, evidente que se vai ficar enxugando gelo a se manterem as regras atuais.

Impressionante é notar justamente um juiz da Corte mais alta travar uma providência que, se não resolve, ao menos pode dar alguma transparência à dinheirama das campanhas: a proibição do financiamento por parte de empresas. Embora a maioria do STF já tenha se manifestado pela proibição, o ministro Gilmar Mendes resolveu, em abril!, pedir vistas durante um prazo, ao que tudo indica, a perder de vista.

Ricardo Melo
No fAlha, via http://www.contextolivre.com.br/2014/11/agora-vai.html

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Poupança na casa própria sobe a 77% e vai a R$ 24 bi

O financiamento imobiliário com recursos da poupança cresceu 77% no primeiro semestre de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 23,8 bilhões, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).