Mostrando postagens com marcador escassez de água. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escassez de água. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Aos pobres, o direito à merda…

Por Jacques Távora Alfonsin, IHU Unisinos

Extrair água de fezes humanas é uma forma de erradicar a pobreza? Para além dessa “generosa contribuição”, deve-se questionar as causas socioeconômicas responsáveis pela falta de água saudável para dois bilhões de pessoas. Afinal, uma tragédia como essa não começou hoje. O atual sistema econômico não teve nada a ver com isso? Quem, no mundo, mais compromete nascentes, polui, suja e contamina a água?
Bill Gates é uma das pessoas mais aclamadas pelas/os defensoras/os do sistema socioeconômico capitalista como exemplo e modelo da excelência desse sistema. O noticiário da última semana evidencia uma das razões surpreendentes para isso. Para Bill, a providência capaz de fornecer água saudável para mais de dois bilhões de pessoas pobres no mundo inteiro, sem acesso a um bem desse grau de necessidade humana, – conforme dados da sua própria Fundação – é aproveitar as próprias fezes. Financiou máquina adequada para isso e já há previsão de sua possível utilização no Senegal e na índia.
Aos muitos elogios que a sua “generosa contribuição” ao povo pobre tem sido feitos, para diminuir uma injustiça social responsável por doenças e epidemias em bilhões de pessoas, não se ouve quase nada sobre o evidente descalabro de ter-se chegado ao ponto de, para tomar um simples copo d’água, ter-se de aproveitar excremento humano. Ao que consta, como deve acontecer com a máquina do Bill, o inédito da sua lição ainda não conseguiu decantar toda a água das suas conseqüências para torná-las, no mínimo, palatáveis.
Porque parece fora de dúvida existir uma questão prévia inafastável para aceitar a lição dele. Que causas socioeconômicas têm sido responsáveis pela falta de água saudável para dois bilhões de pessoas pobres? Afinal, uma tragédia igual a essa não começou hoje. O sistema econômico representado pelo Bill não teve nada a ver com isso? Quem, no mundo, mais compromete nascentes, polui, suja e contamina a água?
O enfrentamento da pobreza, reduzido apenas aos seus efeitos, é uma fórmula certa de “sucesso” para quem o promove e de insucesso para quem dele é vítima. Um exemplo de repercussão universal, semelhante ao proposto pelo Bill envolvendo a água, pode ser lembrado como o da permanente crise de garantias, sofrida pelos direitos humanos fundamentais sociais, justamente os que, se fossem satisfeitas as necessidades humanas neles presentes (alimentação, moradia, saúde, etc…), atacariam as causas e não só os efeitos da pobreza e da miséria.
Em 1996, durante a Conferência do Habitat II, convocada pela ONU em Istambul, procurando discutir soluções nacionais e internacionais para garantir o direito de moradia a todas as pessoas, especialmente as mais pobres, um dos pontos mais polêmicos da documentação a ser enviada ao mundo, assinada pelos países lá representados, foi o de se alcançar consenso sobre se o direito à moradia poderia figurar aí como um direito já constituído ou não.
Ainda que a pressão externa dos movimentos populares e ONGs defensoras desse direito, paralelamente reunidos/as junto ao conclave, fosse muito forte – mesmo sem poder de voto – defendendo a posição de ele ser declarado como já constituído, não alcançaram sucesso. Na Agenda Habitat, capítulo II, parágrafo 13, ficou constando o reconhecimento (?) de que o direito à moradia “deve ser realizado progressivamente”…
Trata-se de uma redação apenas programática, portanto, e de execução futura sem prazo determinado para ser efetivada. A chamada progressividade para realização dos direitos sociais tem razões bastante discutíveis, para dizer o mínimo. Sabendo-se que esses dependem muito das administrações públicas, elas encontram nesse artifício uma saída para prorrogarem indefinidamente a efetividade das suas garantias, desrespeitando as prioridades que são devidas a esses direitos, por tão indispensáveis à vida de qualquer ser humano.
Há um esforço jurídico mundial no sentido de responder tais questões procurando dar a direitos sociais como o do acesso à água, à alimentação e à moradia, alguma forma de garantir-lhes a chamada justiciabilidade ou judiciabilidade, isto é, a possibilidade de serem reivindicados judicialmente. Isso já está acontecendo, por exemplo, com as ações judiciais propostas contra o Estado, relativas ao direito à saúde. Doenças necessitados de hospitalização inadiável, em regiões ou circunstâncias onde não há leitos disponíveis, acesso a remédios existentes somente no exterior, têm sido admitidas pelo Poder Judiciário.
Não falta base legal para isso, é bom lembrar. A Constituição Federal brasileira dispõe, por exemplo, de regras bem claras. No seus artigos 3º, inciso III (a erradicação da pobreza como fundamento da República), 23 inciso. X (competência da União, Estados e Municípios para “combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos”) e a Lei Complementar nº 111 de 2001 que criou um Fundo de Combate e erradicação da pobreza, com efeitos prorrogados por prazo indeterminado pela Emenda Constitucional nº 67, de 22 de dezembro de 2010, comprovam esse fato.
Mesmo assim, um objetivo de relevância como o da erradicação da pobreza, retirando efeito dessas normas, encontra obstáculos de toda a ordem para ser garantido. “Erradicar” a pobreza, como consta no inciso III do art. 3º da nossa Constituição, significa extrair pela raiz, eliminar as próprias causas dela como dispõe o art. 23, inciso X, ou seja, impedir até a possibilidade da sua criação e reprodução. Tanto para o poder econômico privado, contudo, sujeito a dar função social aos seus direitos, quanto para o Poder Público, só legitimado pela qualidade dos serviços prestados ao povo, isso dá muito mais trabalho do que simplesmente “podar” os efeitos daquelas causas.
E a poda, como se sabe, nas razões do poder econômico privado, procura justificar a sua suficiência, enfatizando apenas a liberdade de iniciativa, como se a função social que lhe é inerente não estivesse, igualmente, prevista em lei. Nas razões do Poder Público, a poda aparece pela resignada defesa das políticas compensatórias, seguindo uma tática de remendo: “vamos garantir alguma governabilidade. Se isso tiver de suportar alguma injustiça(?), a gente vê mais tarde”.
No fundo, prevalecem as prioridades econômicas do capital, do tipo ilimitado lucro, concentração da riqueza, aumento da desigualdade social. não pela erradicação.
Ignacio Ellacuria, o reitor da UCA e mártir da defesa das/os pobres em El Salvador, por nós já lembrado em outras oportunidades neste espaço de opinião, fundava a possibilidade fática de se viabilizar meta tão ambiciosa como essa de erradicar a pobreza, no que ousou chamar de civilização da pobreza, baseada numa transformação radical da economia do mundo todo, atacando o “pecado” do capital e promovendo a “salvação” das suas vítimas. Em “A civilização da pobreza” (São Paulo: Paulinas, 2014) há quem lembre aquele pensador jesuíta:
“A civilização da pobreza é assim denominada em contraposição à civilização da riqueza, e não porque pretenda a pauperização universal como ideal de vida (…) O que aqui se quer sublinhar é a relação dialética riqueza-pobreza, e não a pobreza em si mesma. Em um mundo configurado pecaminosamente pelo dinamismo capital-riqueza, mister se faz suscitar um dinamismo diferente, que o supere salvificamente”. Essa nova civilização está baseada em dois pilares: identificação e impulso de um novo motor fundamental da história sob um princípio de humanização:
“Na civilização da riqueza, o motor da história é o acúmulo do capital, e o princípio de (des)humanização é a posse-desfrute da riqueza. Na civilização da pobreza, o motor da história – as vezes chamado de princípio de desenvolvimento – é a satisfação universal das necessidades básicas e o princípio de humanização é a elevação da solidariedade partilhada.”
Civilização da pobreza, satisfação universal de necessidades básicas, solidariedade partilhada? Para os ouvidos do capital isso é muito mais escandaloso do que extrair a água da merda, mas certamente é preferível à civilização baseada no excremento social que ele mesmo produz, reproduz e quer nos fazer beber como se fosse água boa.
http://www.ligiadeslandes.com.br/24/01/2015/aos-pobres-o-direito-a-merda/

domingo, 1 de abril de 2012

10 sugestões para economizar água em seu quintal

Espalhe pedaços de madeira, palha, compostos, ou folhas em seu jardim ou em volta da base das árvores e arbustos para ajudar o solo a reter água. | Foto: Smiling Gardener
 
Com o foco em aparelhos de água eficientes e outras formas inteligentes para conservar a água dentro de casa, é fácil esquecer o quanto deste recurso é consumido nos quintais e jardins.
A água usada na área externa é 30% do consumo total da casa, e esse número pode subir ainda mais em regiões mais secas. É por isso que tomar o tempo para reduzir o uso de água externa é uma parte importante para deixar sua casa mais sustentável. O CicloVivo apresenta dez maneiras fáceis de reduzir sua pegada hídrica.
Instale um barril para captar água da chuva
A melhor maneira de economizar água no seu quintal ou jardim é instalar um barril de chuva. Coloque o barril reciclável sob uma calha ou outro sistema de drenagem para captar e armazenar água para uso posterior. Alguns deles têm torneira sendo assim fácil de anexar uma mangueira. Se você fixar o barril diretamente da sua calha, coloque um filtro para evitar transbordamento.
Seja esperto com a irrigação
O melhor método para molhar jardins, gramados, árvores e arbustos é com uma mangueira giratória ou sistemas de irrigação por gotejamento: estes tipos de mangueiras gotejam lentamente a água sobre o solo. Elas irrigam diretamente onde é necessário. Este tipo de mangueira necessita menos água do que um sistema de aspersão, que pode utilizar quase dois mil litros de água em duas horas.
Use sabiamente os borrifadores
Se os borrifadores são sua única opção, certifique-se de usá-los da maneira mais eficiente possível. Aponte-os para o local exato para evitar o desperdício de água em superfícies não absorventes, como calçadas, e só execute-os quando o sol estiver baixo para minimizar a perda por evaporação. Você também pode instalar sensores que impedem que os aspersores liguem na chuva.
Saiba quando o seu quintal precisa de água
Utilize uma chave de fenda ou pá pequena para testar o solo em seu jardim: se os primeiros dez centímetros estiverem úmidos, não é necessário regar. A maioria dos gramados só precisam de água uma vez por semana no verão e muito menos no inverno.
Plante espécies nativas resistentes à seca
As plantas evoluíram durante milhões de anos para se encaixar perfeitamente em seu ambiente, por isso, se você vive em um clima seco, as plantas nativas são uma de suas melhores armas contra desperdício de água. Plantas resistentes à seca, como cactos e alecrim podem reduzir a quantidade de água necessária em seu quintal, portanto verifique com os paisagistas locais para encontrar as melhores plantas para a sua área.
Organize as plantas por necessidade de água e no local certo
Coloque plantas que necessitam de mais água, em conjunto, em áreas mais baixas para fazer a rega fácil e eficiente, e as plantas mais resistentes do grupo em lugares mais secos como zonas mais arejadas ou declives.
Ventile seu quintal
Arejar seu gramado irá ajudá-lo a absorver a água rapidamente e reduzir o escoamento, especialmente se seu gramado tiver muito movimento ou se tem um solo compactado como argila.
Substitua a grama
Se você mora em uma área propensa à seca, pode ser mais fácil ‘se livrar’ dos gramados que necessitam muita água. Você pode substituir a grama  por plantas de baixa manutenção e cascalhos. Se você não quiser se livrar de seu gramado inteiro, tente montar um paisagismo em torno de sua casa, árvores, ou entrada de automóveis com pedrinhas.
Cubra com folhas seu jardim e arbustos
Esta é uma ótima maneira de manter seu consumo de água baixo, porque ele retém a umidade sob o solo onde ela é mais necessária. Espalhe pedaços de madeira, palha, compostos, ou folhas em seu jardim ou em volta da base das árvores e arbustos para ajudar o solo a reter água. Como um bônus adicional, a cobertura irá ajudar a evitar a erosão e também irá fornecer os nutrientes extras quando ela começa a se decompor.
Mantenha a manutenção da sua piscina em dia
Verifique se há vazamentos em torno de bombas, filtros e tubos e cubra a piscina para evitar a perda por evaporação. Com informações do GreenHome.
Redação CicloVivo

domingo, 25 de março de 2012

800 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água


Ciclo Vivo

“O Dia Mundial da Água é uma ótima oportunidade para refletirmos sobre este bem precioso e finito. Para quem vive nas grandes metrópoles ou em cidades bastante desenvolvidas, com condições mínimas de saneamento básico, tratamento e distribuição de água, pode parecer difícil imaginar que ainda existam 800 milhões de pessoas em todo o mundo sem acesso à água de boa qualidade e 1,1 bilhão de pessoas não possuem saneamento básico.

“A água da lagoa que fui obrigado a pegar estava muito suja e tinha um cheiro ruim. Devido às minhas caminhadas distantes para coletar água, às vezes eu ficava atrasada para ir ao trabalho. Minhas filhas e eu sofremos de diarreia, icterícia, disenteria e doenças de pele por causa da água suja.” Este é o depoimento de Banu, uma viúva que vive em uma favela de Bagladesh com suas duas filhas e trabalha como empregada doméstica. A história foi compartilhada pela ONG Water  e retrata parte do sofrimento diário de pessoas excluídas, que não possuem o acesso básico à água potável.”
Matéria Completa, ::Aqui::