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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

SISTEMA GLOBO É INCOMPATÍVEL COM A DEMOCRACIA

Resultado de imagem para logo rede globo

O Sistema Globo é incompatível com a democracia

O que fazer com o Sistema Globo de Comunicação é um dos mais difíceis problemas a solucionar pela futura democracia brasileira. A capacidade de fabricar super-heróis fajutos, triturar reputações e transmitir versões selecionadas e transfiguradas do que acontece no mundo, lhe dá um poder intimidante a que se foram submetendo o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
A referência aos três poderes constitucionais da República resume a extensão do controle que o Sistema Globo detém e exerce implacavelmente, hoje, sobre toda e qualquer organização ou cidadão brasileiro. Só ínfima proporção do povo desdenha ser personagem de um fictício Brasil, nas páginas de seus jornais e revistas, notícias radiofônicas e matérias televisivas.
Ainda menor é o número dos que não se abalam com a possibilidade de soçobrar nos planos de perseguição e vingança do portentoso vozeirão do Monstro comunicativo. Nenhum juiz, político, servidor público, organizações do bem ou do mal, passantes inofensivos e supostos detentores de direitos posa de valente diante das bochechas do mau humor Global.
O Sistema Globo de Comunicação superou as Forças Armadas e as denominações religiosas, inclusive a inquisitorial Igreja Católica, na capacidade de distribuir pela sociedade os terríveis sentimentos de medo, ansiedade e inquietação. Ele é a fonte do baixo astral e baixa estima dos brasileiros e das brasileiras. O Sistema Globo converteu-se no gerente corruptor e corruptível do medo político, econômico, social e moral da sociedade brasileira, sem exceção.
Denunciar a gênese não contribui para elaborar eficiente estratégia de destruição do Monstro. Aliás, de que destruição se trata? O Sistema fabricou a mais abrangente e veloz rede de transmissão de notícias, através de emissoras e retransmissoras associadas, com comando centralizado e sem rival na sofisticação de sua aparelhagem e na competência de seus operadores.
O Sistema Globo de Comunicações é modelo de excepcionalmente bem sucedido projeto de formação da opinião pública e de interpretação conjuntural dos valores cívicos da nacionalidade. É ele quem cria os amigos e os inimigos do País, mediante o controle, pelo medo, das instituições políticas e judiciárias.
Com extraordinária reserva de recrutas intelectuais e especialistas, está aparelhada para a defesa de qualquer tese que a mantenha como proprietária praticamente exclusiva do poder de anunciar, em primeira mão, o que é a verdade – sobre tudo e sobre todos.
Não é esse poder tecnológico e de competência que deve ser destruído. Ao contrário, preservado e estimulado a manter-se na vanguarda da capacidade difusora de notícias e de valores, bem como em sua engenhosidade empresarial capitalista. O que há a fazer é expropriar politicamente o Sistema Globo de Comunicação, mantendo-o autônomo em relação aos governos eventuais (ou frentes ideológicas de infiltradas sanguessugas autoritárias), e implodir as usinas editoriais e jornalísticas do medo e de catástrofes emocionais, restituindo isenção aos julgamentos de terceiros.
O Sistema Globo constitui, potencialmente, excelente opção para um sistema público de notícias impressas, radiofônicas e televisivas. Politicamente expropriados da tirania exercida sobre o jornalismo da organização, seus proprietários jurídicos podem manter ações e outros haveres econômicos das empresas conglomeradas, sem direito a voto na redação do futuro manual do sistema público de comunicação.
Como está é que não pode ficar. Ou não haverá democracia estável no País.
Blog Segunda Opinião [http://insightnet.com.br/segundaopiniao/]:18/10/2016.Wanderley Guilherme dos Santos. Cientista Político.
http://rogeriocerqueiraleite.com.br/o-sistema-globo-e-incompativel-com-a-democracia/

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Gigante (por conta da ditadura) da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário.

New York Times diz que a Globo é a TV que ilude o Brasil

Da Redação conexaojornalismo















Um artigo publicado no jornal New York Times, e reproduzido por aqui no site UOL, é de causar constrangimento a todo brasileiro mais crítico. Nele, Vanessa Bárbara revela com contundente precisão o quanto a TV Globo historicamente interfere no cotidiano de um país que figura entre os de mais baixa qualificação de ensino do planeta. Lembrar que William Bonner comparou o telespectador médio de TV do país com Homer Simpson chega a ser obrigatório.

Gigante da mídia cativa os telespectadores com novelas vazias e comentários ineptos no noticiário.

Vanessa Barbara, no International New York Times, via UOL
Em São Paulo

No ano passado, a revista "The Economist" publicou um artigo sobre a Rede Globo, a maior emissora do Brasil. Ela relatou que "91 milhões de pessoas, pouco menos da metade da população, a assistem todo dia: o tipo de audiência que, nos Estados Unidos, só se tem uma vez por ano, e apenas para a emissora detentora dos direitos naquele ano de transmitir a partida do Super Bowl, a final do futebol americano".

Esse número pode parecer exagerado, mas basta andar por uma quadra para que pareça conservador. Em todo lugar aonde vou há um televisor ligado, geralmente na Globo, e todo mundo a está assistindo hipnoticamente.

Sem causar surpresa, um estudo de 2011 apoiado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o percentual de lares com um aparelho de televisão em 2011 (96,9) era maior do que o percentual de lares com um refrigerador (95,8) e que 64% tinham mais de um televisor. Outros pesquisadores relataram que os brasileiros assistem em média quatro horas e 31 minutos de TV por dia útil, e quatro horas e 14 minutos nos fins de semana; 73% assistem TV todo dia e apenas 4% nunca assistem televisão regularmente (eu sou uma destes últimos).

Entre eles, a Globo é ubíqua. Apesar de sua audiência estar em declínio há décadas, sua fatia ainda é de cerca de 34%. Sua concorrente mais próxima, a Record, tem 15%.

Assim, o que essa presença onipenetrante significa? Em um país onde a educação deixa a desejar (a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico classificou o Brasil recentemente em 60º lugar entre 76 países em desempenho médio nos testes internacionais de avaliação de estudantes), implica que um conjunto de valores e pontos de vista sociais é amplamente compartilhado. Além disso, por ser a maior empresa de mídia da América Latina, a Globo pode exercer influência considerável sobre nossa política.

Um exemplo: há dois anos, em um leve pedido de desculpas, o grupo Globo confessou ter apoiado a ditadura militar do Brasil entre 1964 e 1985. "À luz da História, contudo", o grupo disse, "não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original".

Com esses riscos em mente, e em nome do bom jornalismo, eu assisti a um dia inteiro de programação da Globo em uma terça-feira recente, para ver o que podia aprender sobre os valores e ideias que ela promove.

A primeira coisa que a maioria das pessoas assiste toda manhã é o noticiário local, depois o noticiário nacional. A partir desses, é possível inferir que não há nada mais importante na vida do que o clima e o trânsito. O fato de nossa presidente, Dilma Rousseff, enfrentar um sério risco de impeachment e que seu principal oponente político, Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, está sendo investigado por receber propina, recebe menos tempo no ar do que os detalhes dos congestionamentos. Esses boletins são atualizados pelo menos seis vezes por dia, com os âncoras conversando amigavelmente, como tias velhas na hora do chá, sobre o calor ou a chuva.

A partir dos talk shows matinais e outros programas, eu aprendi que o segredo da vida é ser famoso, rico, vagamente religioso e "do bem". Todo mundo no ar ama todo mundo e sorri o tempo todo. Histórias maravilhosas foram contadas de pessoas com deficiência que tiveram a força de vontade para serem bem-sucedidas em seus empregos. Especialistas e celebridades discutiam isso e outros assuntos com notável superficialidade.

Eu decidi pular os programas da tarde -a maioria reprises de novelas e filmes de Hollywood- e ir direto ao noticiário do horário nobre.

Há dez anos, um âncora da Globo, William Bonner, comparou o telespectador médio do noticiário "Jornal Nacional" a Homer Simpson -incapaz de entender notícias complexas. Pelo que vi, esse padrão ainda se aplica. Um segmento sobre a escassez de água em São Paulo, por exemplo, foi destacado por um repórter, presente no jardim zoológico local, que disse ironicamente "É possível ver a expressão preocupada do leão com a crise da água".

Leia também: JN omite notícias importantes enquanto audiência despenca

Assistir à Globo significa se acostumar a chavões e fórmulas cansadas: muitos textos de notícias incluem pequenos trocadilhos no final ou uma futilidade dita por um transeunte. "Dunga disse que gosta de sorrir", disse um repórter sobre o técnico da seleção brasileira. Com frequência, alguns poucos segundos são dedicados a notícias perturbadoras, como a revelação de que São Paulo manteria dados operacionais sobre a gestão de águas do Estado em segredo por 25 anos, enquanto minutos inteiros são gastos em assuntos como "o resgate de um homem que se afogava causa espanto e surpresa em uma pequena cidade".

O restante da noite foi preenchido com novelas, a partir das quais se pode aprender que as mulheres sempre usam maquiagem pesada, brincos enormes, unhas esmaltadas, saias justas, salto alto e cabelo liso. (Com base nisso, acho que não sou uma mulher.) As personagens femininas são boas ou ruins, mas unanimemente magras. Elas lutam umas com as outras pelos homens. Seu propósito supremo na vida é vestir um vestido de noiva, dar à luz a um bebê loiro ou aparecer na televisão, ou todas as opções anteriores. Pessoas normais têm mordomos em suas casas, que são visitadas por encanadores atraentes que seduzem donas de casa entediadas.

Duas das três atuais novelas falam sobre favelas, mas há pouca semelhança com a realidade. Politicamente, elas têm uma inclinação conservadora. "A Regra do Jogo", por exemplo, tem um personagem que, em um episódio, alega ser um advogado de direitos humanos que trabalha para a Anistia Internacional visando contrabandear para dentro dos presídios materiais para fabricação de bombas para os presos. A organização de defesa se queixou publicamente disso, acusando a Globo de tentar difamar os trabalhadores de direitos humanos por todo o Brasil.

Apesar do nível técnico elevado da produção, as novelas foram dolorosas de assistir, com suas altas doses de preconceito, melodrama, diálogo ruim e clichês.

Mas elas tiveram seu efeito. Ao final do dia, eu me senti menos preocupada com a crise da água ou com a possibilidade de outro golpe militar -assim como o leão apático e as mulheres vazias das novelas.

* Vanessa Barbara é uma colunista do jornal "O Estado de São Paulo" e editora do site literário "A Hortaliça".

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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Brizola, as praias, o racismo e a Globo

praia

Por Douglas Belchior


Em agosto último, o noticiário alternativo denunciou ao mundo a prática racista da PM do Rio de Janeiro que, a mando dos governos municipal e estadual, impediram a chegada de ônibus vindo do subúrbio à zona Sul do Rio, reduto das famosas praias e da gente branca e rica que vê na presença de jovens negros, não apenas um risco de arrastões mas também um incômodo pela simples presença de seus corpos.

Carta Capital, Revista Forum, Brasil247, DCM,  Esquerda Diário, Brasil Post, Catraca Livre, Ebc, JusBrasil, El Pais e até as vendidas Extra, Globo e Folha deram destaque ao fato que, de novo, não tem nada.

A praia não pertence a alguns poucos. Pertence a todos. É como os canais de televisão: Pertence a todos. Um concessionário não pode discriminar.”


Passeando pelo FaceBook, eis que a time line me apresenta um vídeo de Leonel Brizola, em entrevista ao Jô Soares na primeira metade dos anos 90, ainda enquanto governador do Estado do Rio de Janeiro. Nele, o saudoso governador faz uma brilhante narrativa sobre o papel da Rede Globo e das elites cariocas na massificação do ódio, do racismo e da política de higienização historicamente imposto à cidade.

Vale muito a pena assistir.


Disponível também na FanPage Iconoclastia Incendiária, via Face de Tamara Naíz.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O PT e a carta sobre cegos, endereçada àqueles que enxergam




Meus Caros Amigos,

Quero aqui, sem muitas "analogias" abordar, três fatos que julgo, assim digamos, como dizia o velho treinador de futebol, Mário Jorge Lobo Zagalo,: "muito exxtranho, muito exxtranho" - no seu jeito peculiar de falar.


  1. Quarta-feira (05/08): Aloyzio Mercadante (PT) e ministro chefe da Casa Civil, propõe, um "acordo supra partidário", com o PSDB, elogiando a vivência administrativa dos tucanos, e chamando-os à governabilidade conjunta - Mercadante reconhece erros do governo, elogia PSDB e propõe 'acordo suprapartidário' - . leia AQUI
  2. Sexta-feira (07/08): O jornal O Globo, publica um editorial, criticando duramente o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), e oferece "sustentação"  - ao governo da presidente Dilma -Em editorial surpreendente, Globo acusa PSDB de inconsequente e pede esforço pela governabilidade de Dilma - leiaAQUI
  3. Sábado (80/08) - A revista Veja, desiste do golpe, e pede não ao impeachment -"Razões contra o impeachment" - leia AQUI
O que aconteceu nesta semana?

Petistas empedernidos, foram pegos de surpresa, eu aquele elemento, "especialista em nada" - cheguei à conclusão de que, literalmente, levamos uma bolada nas costas.

Alinhavando os fatos, tirando a prova dos nove, me pergunto: o que levou Aloyzio Mercadante, do alto de sua empáfia que é parte de seu DNA, a sair de sua letargia que o acompanha, desde que assumiu o cargo de ministro chefe da Casa Civil, chegar com as calças arriadas, propondo um armistício?  E o pior, elogiando o PSDB, cuja única bandeira apresentada até agora, foi dar um golpe, uma vez que não reconheceu os resultados das urnas até hoje!!!!

No dia, seguinte, ninguém menos que a Globo, escreve um editorial, como se nada tivesse acontecido de anormal até aqui, e novamente, assume seu papel de "protagonista" do poder.  Qual foi a negociação?  Qual foi o preço? Afinal,  não existe almoço grátis!!!  Será que Dilma sucumbiu à divida de impostos sonegados pela emissora?  Ou será que o governo federal, e seu ministro da Casa Civil, agora viraram aliados da família Marinho e aqueles velhos 95% de verbas publicitárias, irão irrigar novamente os cofres falidos da velha "vênus platinada", como era chamada nos anos dourados a emissora?

De quebra, no sábado, a revista Veja, também desembarca do impeachmant e ameniza seu veneno semanal, e me vem com um matéria, do Roberto Pompeu de Toledo, que era chamado por Roberto Civita de "príncipe do colunismo brasileiro" - intitulado "Razões contra o impeachment", onde faz uma defesa velada à sustentação de Dilma no governo......Aí tem meus camaradas!!!

Inegavelmente, está sendo muito difícil, para a elite brasileira, e parte das elites internacionais, suportar o PT no comando do Brasil, e há um movimento claro de apear o partido, e se livrar de seu projeto de pelo menos 20 anos no poder.  Mas, quanto custou essa movimentação toda, desta semana?  Você sabe?  Nem eu!!!!

Hora da auto-crítica e correção de rumos

O PT, pagou o preço por acreditar que operaria um sistema, que foi utilizado pela elite deste país, durante 5 séculos, e tiraria de letra.  Subestimou a experiência do inimigo, numa seara pantanosa, cujo mais imbecil dos operadores, montava e desmontava um relógio no escuro, com uma luva de box nas duas mãos.

Um outro erro grave, foi o que comentou um amigo meu, na semana passada, dando conta de que, os movimentos sociais, foram praticamente desmontados, pois suas lideranças, foram todas para a máquina do governo, uma vez, que no entender dessas lideranças, era humilhante, ter ajudado a eleger o governo do PT, ser petista, e não estar no governo.  Resultado, nas horas de crises institucionais como essa, onde estão os movimentos? Órfãos de pai e mãe, e suas lideranças, todas nos gabinetes, dentro da burocracia de uma máquina ordinária e perdulária, que em nada contribui para organizar as massas.

Papel de Lula, candidato em 2018

Me pergunto:  Até onde, Lula participou disso tudo?  Será que foi atropelado pelos fatos?  Com a anuência de quem, Aloysio Mercadante operou essa movimentação?  Até aqui isso tudo só se assemelha de fato, a uma bolada nas costas do próprio Lula. Sem precipitações, esperamos ver tudo isso esclarecido, uma vez que tanto a militância, quando a sociedade em geral, precisa entender o que houve, e as razão dessa verdadeira guinada política que acontece, quando o navio está há 800 metros de bater nas pedras.

Por Paulo Cavalcanti, em seu blog

(*) Sobre o título, o autor é Diderot, nascido na França em 05/10/1713 – faleceu em Paris em 31/07/1785. Em 1749 escreveu: “Carta sobre os cegos endereçada àqueles que enxergam” – e em 1751 – escreveu: “Carta sobre os surdos e mudos endereçada àqueles que ouvem e falam”

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Como a “Grande Fome” da Irlanda (1845-1849) foi descrita pela mídia-empresa


"Sepultando a Criança"
(quadro de Lilian Lucy Davidson)


Por Cahir O'Doherty*, Irish Central


Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Desde que foi aberto ao público, em outubro de 2012, o Museu da Grande Fome, da Universidade Quinnipiac em Hamden, Connecticut, vem expondo a maior coleção de artes visuais, objetos e material impresso relacionados à Grande Fome e à emigração forçada dos irlandeses no século XIX.

Parte da missão do museu é explorar como a crise da Grande Fome foi noticiada para o resto do mundo, e em meses recentes o museu tem convidado autores irlandeses, artistas e professores para falarem sobre o desastre. Os resultados têm sido notáveis.


Em “The Tombs of a Departed Race – Illustrations of Ireland's Great Hunger”, a professora Niamh O'Sullivan produziu um dos relatos mais lúcidos do contexto, da escala e do impacto da Grande Fome, que jamais encontrei.

Niamh O'Sullivan no lançamento de seu ensaio
(foto: James Higgins)

Nas sessenta e uma (61) páginas de seu ensaio, O'Sullivan – professora que escreve sobre o século XIX irlandês e sobre arte e cultura popular irlandesa-americana – examina o modo como jornais impressos e revistas ilustradas daquele século pela primeira vez modelaram nossa compreensão da tragédia que estava em curso no mundo.

Mas as imagens e relatos jornalísticos que O'Sullivan recolheu fazem mais que simplesmente oferecer um relato da calamidade. Também comentam as atitudes sociais e políticas dominantes – e os preconceitos – dos artistas e dos jornalistas ingleses que estavam narrando as condições em campo.

O'Sullivan nos recorda que a Fome não foi resultado de apenas um ano de colheitas ruins, ou de falta de alguns itens da alimentação. Ela escreve:

A Grande Fome tem de ser compreendida como evento que se estende por um século, não apenas por alguns anos – efeito de negligência continuada dos governos e do estado.

Décadas de miséria, salários muito baixos, aluguéis caros e os camponeses irlandeses em perpétuo estado de dependência, subnutridos e sempre à beira da fome. Sem as terras que lhes foram roubadas durante a Conquista, escreve O'Sullivan, “os proprietários e camponeses irlandeses católicos foram empurrados para os charcos [orig. bogs] e declives de montanhas, especialmente no oeste”, onde podiam cultivar a colheita de subsistência que ainda os mantinha vivos: a batata, que nasce abundantemente mesmo em solos pedregosos.

Expulsos para as piores terras e roubados de qualquer possibilidade de prosperarem, os irlandeses foram então culpados pela própria estarrecedora miséria, que muitos colonizadores declaravam “castigo de Deus” e condenação de toda a “raça”. Abundam teorias reconhecidas como científicas para racionalizar o sofrimento daqueles mais pobres, como sintoma e signo de grave inferioridade religiosa e biológica.

 Escultura em Dublin, homenagem aos mortos na Grande Fome

À altura de 1845, 85% da população de 8,7 milhões de irlandeses viviam em mínimas porções de terra, em extrema miséria. Havia, sim, muito de inevitável na tragédia que logo aconteceria, tanto mais chocante quanto permanentemente mal noticiada, amplamente mascarada e ignorada na sua extensão catastrófica.

A seleção do material que O'Sullivan reuniu dá ideia da vastíssima escala do horror e expõe relatos como o seguinte, de 1847:

Transbordamos de desespero; fomos esmagados pelos impostos; sofremos de fome e a pestilência nos cerca. Nossas prisões estão cheias; nossas pobres casas, em ruínas; nossos prédios públicos convertidos em depósitos de doentes (orig. lazar houses, locais onde só as doenças infecciosas prosperam); nossas cidades são campos de mendicância; nossas ruas, necrotérios; os átrios das igrejas, campos de carnificina.

Nosso comércio normal acabou; nosso povo sente-se total ou quase totalmente desmoralizado. A sociedade cai aos pedaços; o egoísmo reina: classe despreza classe; até os mais simples laços de cortesia ou amizade mais próxima jazem rebentados. Pai e filho, proprietário e meeiro, todos se repudiam, ninguém mais coopera. Terror e fome, doença e morte nos afligem, sofrimento horrível, indescritível penúria.

O'Sullivan selecionou cuidadosamente as imagens que ilustram o colapso quase total de todos os laços sociais e familiares, quando a crise afinal – a maior catástrofe demográfica do século XIX na Europa – se instalou.

Bridget O'Donnell e suas duas crianças em 1849 (Grande Fome)

Mas as imagens, como a professora nos lembra, não são relato objetivo. Cada imagem da Grande Fome, escreve ela;

(...) contém componentes que implícita ou explicitamente deixam ver as ideologias quase sempre em confronto dos principais atores.

Em seu estudo, O'Sullivan contextualiza a situação limítrofe em que viviam os pobres irlandeses e que levou à Grande Fome; e examina as atitudes predominantes entre os proprietários de terras e o governo, fazendo-nos ver que cada relato pictórico, cada imagem da Grande Fome, não é retrato fidedigno, mas sempre e só um único ponto de vista, quase sempre ponto de vista bem distanciado, ou tentativa de impor toda a culpa pela miséria sobre os ombros dos mesmos que tinham a vida e futuro ameaçados ali, diante dos próprios olhos.
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[*] Cahir O'Doherty é Editor de Artes e articulista das revistas The Irish Voice e Irish America e do sítio IrishCentral.com. Escreve matérias sobre cultura, política e o patrimônio cultural da América irlandesa já a mais de uma década. O'Doherty é formado pela Yale University e pela University of Ulster.uma década. O'Doherty é formado pela Yale University e pela University of Ulster.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O CASO Swiss Leaks / HSBC E O GLOBO - SONEGAÇÃO DE DINHEIRO E DE INFORMAÇÃO


O HSBC já admitiu, e o fato começa a ser investigado em vários países, inclusive no Brasil, que o BANCO facilitou que seus correntistas SONEGASSEM DINHEIRO / IMPOSTOS, depositados em contas SECRETAS, preferencialmente na SUÍÇA, esse país EUROPEU que é UM PARAÍSO FISCAL PARA BANDIDOS E FRAUDADORES.

A SUÍÇA, por seu comportamento através de uma LEGISLAÇÃO que favorece esse tipo de crime, deveria ser ACIONADA pela ONU. Onde já se viu, servir de ABRIGO para DINHEIRO de origem DUVIDOSA ?

A outra SONEGAÇÃO, essa nunca admitida, é a que faz o jornal O Globo, como na sua edição de HOJE - Domingo 22/02/2015. O Jornal SONEGA INFORMAÇÃO, escolhe que tipo e que supostos autores de CORRUPÇÃO vão ser noticiados.

Para uns, várias PÁGINAS, já para esse escândalo do HSBC, em que o nome de vários BRASILEIROS já foi detectado, o Jornal não deu UMA LINHA nesse dia nobre, em que mais se compra o Jornal IMPRESSO.

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Swiss Leaks: entenda a fraude fiscal no HSBC

Criado em 20/02/15
Por Luiz Claudio Ferreira Edição:Portal EBC

Um escândalo financeiro de repercussão em todo o mundo, que envolve a filial suíça do banco HSBC, tem chamado a atenção tanto pelos valores envolvidos quanto pela relevância das descobertas e do possível desenrolar do caso. Documentos secretos revelaram que a instituição financeira atraiu 106 mil clientes, entre suspeitos de sonegação e de diversos crimes (incluindo traficantes e terroristas) em 203 países entre os anos de 1988 e 2007. 

A quantia somada chegou a US$ 100 bilhões. Nomes de 8.667 brasileiros estão na lista. Os dados vieram à tona a partir de uma apuração do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ na sigla em inglês), que não divulgou a lista total dos correntistas suspeitos. O caso, chamado de “Swiss Leaks” (que significa vazamentos suíços, em alusão ao projeto Wiki Leaks, de Julian Assange), chamou a atenção de autoridades e organismos de controle em todo o mundo.

A entidade de jornalistas recebeu o material vazado por um ex-funcionário do HSBC, Herve Falciani, para autoridades francesas em 2008. O consórcio e o jornal francês Le Monde enviaram o conteúdo para 140 jornalistas de 45 países. A apuração dos jornalistas aponta que a filial suíça aproveitou-se das falhas nas regras fiscais do país para ajudar quem estivesse disposto a sonegar ou esconder dinheiro. 

A lista, segundo o ICIJ, inclui artistas, celebridades e esportistas. Apenas 65 nomes foram revelados. Estão entre os suspeitos antigos e atuais políticos da Grã-Bretanha, Rússia, Ucrânia, Geórgia, Quênia, Romênia, Índia, Liechtenstein, México, Líbano, Tunísia, República Democrática do Congo, Zimbábue, Ruanda, Paraguai, Djibouti, Senegal, Filipinas e Argélia. Sobre a divulgação parcial dos dados, o consórcio justifica que apenas nomes de “interesse público” serão revelados.

Fonte: PORTAL EBC, via http://007bondeblog.blogspot.com.br/2015/02/o-caso-swiss-leaks-hsbc-e-o-globo.html