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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A REPÚBLICA DOS BUROCRATAS E O PODER POLÍTICO - I



(Jornal do Brasil) - Um procurador do Ministério Público, do Estado de Goiás, usando de argumentação e justificativa claramente políticas, que refletem - sem esconder apaixonada ojeriza - sua opinião a respeito do atual governo, manda tirar do ar a campanha das Olimpíadas.

Outro procurador, ligado à Operação Lava-Jato, afirma que é preciso, no contexto do trabalho realizado no âmbito da mesma operação, “refundar a República”.

Ora, não consta na Constituição Federal, que o Ministério Público, tenha entre suas atribuições, refletir a opinião pessoal - e muito menos partidária, que lhes é vetada - de seus membros, ou a de “refundar a República”.

A República, organizada enquanto Estado, fundamenta-se na Lei, e um de seus principais guardiões é, justamente, o Ministério Público, a quem cabe obedecer à Constituição Federal, até que esta, eventualmente, seja mudada em Assembleia Nacional Constituinte.

Se alguns procuradores do Ministério Público querem “refundar” a República, que, do modo que está, parece não ser de seu feitio, o caminho, em nosso atual regime, é outro:

Cabe-lhes lutar, como cidadãos, pela convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

E, depois, quem sabe favorecidos pela notoriedade alcançada pela espetacularização de certas “operações” em curso, abandonar a carreira e passar a exercer – o que também lhes é vetado enquanto não o façam – atividade político-partidária.

Candidatando-se, finalmente, ao posto de deputados constituintes, para mudar o texto constitucional, e, por meio deste, a Nação.

Há um estranho fenômeno, neste Brasil dos últimos tempos, que é o de que funcionários da estrutura do Estado se metam a querer tutelar politicamente a Nação, principalmente quando a atividade política lhes é – sábia e claramente – vetada pela própria carreira.

Falta-lhes mandato para fazê-lo, ou para “salvar o Brasil”, embora, aproveitando-se da criminalização geral da atividade política e de campanhas destinadas a angariar, de forma corporativa, apoio na opinião pública para suas teses - o que inclui tentar legislar indiretamente - eles continuem insistindo nisso, como se organizados estivessem em verdadeiros partidos.

Neste caminho, confundem-se – em alguns casos, quem sabe, propositadamente - alhos com bugalhos, e pretende-se transformar em crime o que não passam de atos inerentes à própria atividade política.

Esse é o caso, agora, por exemplo, do fato de a imprensa pretender transformar em denúncia a afirmação do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, em sua peça contra o Deputado Wander Loubet, encaminhada ao STF, de que Lula teria dado pessoalmente “ascendência” ao Senador Fernando Collor, sobre a BR Distribuidora, em 2009, em troca de “apoio para o governo no Congresso”.

Ora, não é possível acreditar que o nobre Procurador tenha estranhado, ou queira transformar em fato excepcional e muito menos em crime – caso isso tenha mesmo ocorrido, o que já foi desmentido pelo ex-presidente - a nomeação de membros de um ou de outro partido para a diretoria de uma empresa pública, em um regime presidencialista de coalizão.

Crime existirá – e deve ser exemplarmente punido - se for efetivamente, inequivocamente, provado, o eventual desvio de dinheiro do erário pelos que foram, então, indicados, para cargos nessa empresa.

O resto é Política, no sentido de uma prática que vem se consolidando desde que os homens começaram a se reunir em comunidade, e, em nosso território, desde as Capitanias Hereditárias, quando, em troca também de apoio político a El Rey, na Metrópole, nobres eram indicados para a exploração de nossas riquezas; passando pelo Império, em que partidos e políticos eram apoiados ou indicados pelo imperador de turno em troca de fidelidade; pela República Velha; por Getúlio Vargas e o Estado Novo; por JK à época da construção de Brasília; pelo regime militar, que nomeava até prefeitos de capitais e senadores biônicos, pelo governo do próprio Fernando Collor; pelos de Itamar Franco e de Fernando Henrique Cardoso, pelos governos de Lula e de Dilma Roussef, que não teriam como governar – sem apoio do Congresso ou de determinadas parcelas do eleitorado - se não tivessem assim agido.

Afinal, os partidos políticos existem para disputar, conquistar e ocupar o poder no Estado, para fazer obras ou levar, em troca de votos e de simpatia, por meio de projetos e programas, benefícios à população, e disputam e negociam entre si cargos e pedaços da estrutura pública para atingir tais objetivos.

Essa é a essência da Democracia – um regime imperfeito, cheio de defeitos, mas que ainda é o melhor que existe, entre aqueles que surgiram ao longo dos últimos 2.500 anos, e, fora isso, só existem, na maioria das vezes,  ditaduras nuas, duras e cruas, em que a negociação é substituída pela vontade, o arbítrio e o terror dos ditadores.

Vivemos em tempos em que não basta destruir-se, institucionalmente, a Política, como se ela fosse alguma coisa à parte do país e da sociedade, e não um instrumento – o único que existe - para a busca do equilíbrio possível entre os vários setores sociais, grupos de interesse e a população.

Agora se pretende criminalizar também a prática política, como se alianças entre diferentes partidos ou a nomeação de pessoas para o preenchimento de cargos de confiança, ou a edição de medidas provisórias – destinadas a assegurar milhares de empregos em um momento de grave crise econômica internacional - fossem, em si mesmos, crimes, e não, como são em qualquer nação do mundo, atos normais e corriqueiros de negociação política e de gestão pública.

Obviamente, seria melhor que as agremiações políticas se reunissem apenas em torno de ideias, propostas e bandeiras e não de cargos, verbas, empresas, mas quem ocupa o poder tem a prerrogativa de indicar quem lhe aprouver ou contar com sua confiança e se for para se mudar isso, qualquer mudança terá que ser feita no Poder Legislativo, por deputados e senadores, que para isso são escolhidos, por meio do voto, por seus eleitores. 

O que está ocorrendo hoje é que, com a cumplicidade de uma parte da mídia, voltada para a deseducação da população quanto ao Estado e à cidadania, há funcionários públicos que, longe de se submeter ao poder político – e na ausência de votos, que não têm - pensam que foram guiados pela mão de Deus na hora de preencher as respostas dos exames em que foram aprovados, tendo sido assim ungidos pelo altíssimo para assumir o destino de comandar o país e corrigir os problemas nacionais, que não são – e nunca deixarão de ser - poucos.

A situação chegou a tal ponto de surrealismo que alguns espertos e os imbecis que os secundam na internet, parecem querer dar a impressão de que a solução para o país seria acabar com as eleições e os partidos e fazer concurso para vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores, ministros do Supremo Tribunal Federal – essa última “sugestão” se multiplica por centenas de sites e redes sociais - e para Presidente da República.

Substituindo, assim – como se tal delírio fosse de alguma forma possível - a soberania popular pela “meritocracia” e o suposto saber e competência de meia dúzia de iluminados que entraram muitos deles, na carreira pública, por ter dinheiro para pagar cursinhos e na base da decoreba para passar em exames - criados por empresas e instituições terceirizadas, que ruborizariam - pelo estilo e forma como são elaborados - um professor secundário dos anos 1950.

Afinal, para parte da burocracia atual - à qual se poderia acrescentar, sem medo de exagerar no erro, um “r” a mais, do ponto de vista de seu entendimento prático e histórico do que é e de como funcionam nosso sistema político e a própria Democracia - o povo brasileiro é visto como uma massa amorfa e ignorante, que não sabe, nem merece, votar, e que dá o tom do nível intelectual e de “competência” daqueles que chegam eleitos, ao Executivo e ao Legislativo.

Tudo lindo, maravilhoso.

Se não fossem, boa parte das vezes, péssimos os serviços prestados à população por essa mesma burocracia; se os cidadãos não estivessem conscientes da importância do direito de voto de quatro em quatro anos; se o artigo primeiro da Constituição Federal não rezasse que todo o poder – mesmo o dos burocratas de qualquer tipo - emana do Povo e em seu nome deve ser exercido; se não houvesse carreiras que pagam quase 100 vezes mais do que ganha um trabalhador da base da pirâmide social; se mais de 600 funcionários concursados não tivessem sido demitidos, no ano passado, a bem do serviço público, só na esfera federal, por crimes como prevaricação, peculato, extorsão, corrupção, etc.

Afinal, para o bem da população - que pode votar sem exigir diplomas de seus candidatos - passar em concurso – por mais que pensem o contrário muitos brasileiros - não é selo nem garantia de honestidade, nem de caráter, nem de sanidade mental, nem de compromisso com o bom senso, ou com o futuro, com a soberania, o desenvolvimento e a dignidade da Nação.


Ou passou a ser isso tudo, e não fomos informados disso?
No: http://www.maurosantayana.com/2016/02/a-republica-dos-burocratas-e-o-poder.html

terça-feira, 23 de junho de 2015

Opinião: redes sociais, a perpetuação de um modelo maçante e infantilizado



Opinião: redes sociais, a perpetuação de um modelo maçante e infantilizado




As plataformas digitais repetem fórmulas, e apenas reforçam aquilo que diferentes profissionais de áreas sociais apontam: uma sociedade egoica, onde as redes funcionam apenas e tão somente como veículos potencializadores, com lentes de aumento em atitudes individuais. E que vez por outra alcançam ‘movimentos de manadas’

Por Eliana Rezende, no Jornal GGN

Em outras oportunidades já abordei as questões envolvendo o Facebook e os padrões de comportamentos dos seus usuários.
Neste post concentro-me em uma análise das chamadas redes sociais, e até a ‘profissional’: LinkedIn.
Quando do seu surgimento, as redes apontavam com uma possibilidade inédita de interação, troca por compartilhamentos e possibilidades de interação em tempo real. Parecia, aos observadores, que encontrávamos um novo modelo, inovador e renovador, para relações e trocas sociais. A comunicação parecia romper fronteiras de tempo, espaço, classes sociais e culturas. Paradigmas seriam rompidos quase que na mesma proporção em que tecnologias fossem sendo criadas e disponibilizadas à usuários pelo mundo, através de gadgets variados.
Transcorridos, tempo e tecnologia, as projeções se mostraram diametralmente opostas. Hoje, o que vemos em larga escala é, apenas e tão somente, a variação de “mais do mesmo”. As plataformas digitais repetem fórmulas, e apenas reforçam aquilo que diferentes profissionais de áreas sociais apontam: uma sociedade egoica, onde as redes funcionam apenas e tão somente como veículos potencializadores, com lentes de aumento em atitudes individuais. E que vez por outra alcançam ‘movimentos de manadas’. As pessoas reproduzem e amplificam aquilo que nem entendem o que seja.
Ao invés de estreitamento e proximidade, as redes em geral, oferecem a solidão, o isolamento e ensimesmamento de indivíduos.
Do ponto de vista de compartilhamentos, nota-se uma padronização infantilizante de postagens, em geral compostas por itens de simplificação de uma imagem e uma foto. Com o desenvolvimento e facilidade de criação de vídeos, ganham notoriedade os rasos e rápidos. O processo se repete de forma entediante por plataformas ditas de mídias sociais, mas também alcançam redes consideradas profissionais. Um exemplo disso, foi quando o LinkedIn passou a permitir que fotos e vídeos pudessem ser anexados. A partir deste ponto a rede social virou um braço amigo e semelhante de redes como Facebook. A quantidade de insignificâncias aumentou e escondidos os logos de identificação da plataforma, não somos capazes de determinar em que rede estamos, tal a similaridade desinteressante compartilhada.
De outra sorte, mas igualmente repetindo modelos cansativos temos as ditas pílulas de motivação, autoestima ou autoconhecimento. Repetem-se, ad nauseam, pelas diferentes plataformas como forma de servir de “incentivo” ou expressar “pensamentos”. Óbvio que estão longe de uma reflexão, e tornam-se apenas modismos desconfortáveis, repetidos exaustivamente por toda uma rede. É comum vermos a mesma pílula compartilhada “N” vezes até à exaustão. O fato merece destaque, pois revela um ‘sedentarismo social’ implícito nas repetições constantes de postagens alheias, em especial na ausência de busca de conteúdos inéditos: afinal, é sempre mais fácil e mais rápido copiar ou compartilhar o que já está ali pronto. The lowest hanging fruit (O fruto mais fácil a ser colhido).
Mas ainda há aquilo que, de mais vil as redes tem produzido: a agressividade. Tal agressividade chega às raias de produzir discursos xenofóbicos, preconceituosos, racistas, e de muitas outras formas de ataque utilizando-se o anonimato em rede para esconder-se grosseira e covardemente daqueles a quem se dirige todo seu ódio destilado.
Quando isso não ocorre, temos apenas a superficialidade.
Ninguém mais é capaz de ir além de três parágrafos, quer para escrever, quer para ler.
Daí o uso de postagens imagéticas para “facilitar” supostos conteúdos. E é neste terreno que a pasteurização apresenta-se como a mais aterradora em rede: os conteúdos tendem a ser rasos e simplistas. Posts proliferam-se como apenas exercícios de recorta e cola e em raras possibilidades encontramos uma escrita fluente, aprofundada e consistente. Aquela que é pensada intencionalmente antes de ser postada. Aquela que de fato é uma criação.
A massiva mediocrização também é um elemento de repetição e constância em rede.
Guardo para este ponto aquilo que considero o ápice do que chamo fórmulas massantes, desinteressantes e sem criatividade: as listas.
Odeio visceralmente as listas!
E odeio a partir de duas constatações: será que quem escreve não consegue ser claro, didático e incisivo se não dispor numericamente o que quer falar? Ou será o leitor considerado tão incapaz que, se não for através de uma lista, se perderá no meio da leitura.
DEPLORÁVEL.
É a única palavra que consigo encontrar para designar esta forma de escrita que vejo aos borbotões em inúmeros posts, escritos muitas vezes às pressas e, que copiam o que um dia foi uma grande sacada. Hoje é só mais uma forma de perder importância e valor de conteúdo.
O que é seguro afirmar, é que as redes não se renovam exatamente porque seus utilizadores não desejam isso. Exprimem-se e buscam sempre a mesma forma de repetição de fórmulas, e mesmo quando uma nova rede é lançada, sua adesão dependerá em grande parte de sua capacidade de imitar e colar a anterior. Em última instância, são os usuários que tornam os ambientes estagnados, cansativos, repetitivos e extremamente distante daquilo que possa se chamar criativo, inovador ou agregador.
As redes apenas massificam e distribuem conteúdos pasteurizados. A multidão apenas repete a fórmula, sem nada questionar ou criar. E isso me preocupa, porque nunca antes tivemos um exército tão grande que apenas responde a estímulos, ou neste caso, a cliques.
Como digo, não sei para onde vamos, mas sei que vamos muito mal!
Ilustração: Pixabay
no: http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/06/opiniao-redes-sociais-a-perpetuacao-de-um-modelo-macante-e-infantilizado/

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Stephen Hawking: Inteligência artificial pode destruir a humanidade



Cientista diz temer que as máquinas de inteligência artificial evoluam a ritmo muito superior ao dos humanos
"Stephen Hawking, um dos mais proeminentes cientistas do mundo, disse à BBC que os esforços para criar máquinas pensantes é uma ameaça à existência humana.

 

"O desenvolvimento da inteligência artificial total poderia significar o fim da raça humana", afirmou.

Hawking fez a advertência ao responder uma pergunta sobre os avanços na tecnologia que ele próprio usa para se comunicar, a qual envolve uma forma básica de inteligência artificial.

O físico britânico, que sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, está usando um novo sistema desenvolvido pela empresa Intel para se comunicar.

Especialistas da empresa britânica Swiftkey também participaram da criação do sistema. Sua tecnologia, já empregada como um aplicativo para teclados de smartphones, "aprende" a forma como Hawking pensa e sugere palavras que ele pode querer usar em seguida.

Hawking diz que as formas primitivas de inteligência artificial desenvolvidas até agora têm se mostrado muito úteis, mas ele teme eventuais consequências de se criar máquinas que sejam equivalentes ou superiores aos humanos.

"(Essas máquinas) avançariam por conta própria e se reprojetariam em ritmo sempre crescente", afirmou. "Os humanos, limitados pela evolução biológica lenta, não conseguiriam competir e seriam desbancados."

'No comando'

Nem todos os cientistas, porém, compartilham da visão negativa de Hawking sobre a inteligência artificial.

"Acredito que continuaremos no comando da tecnologia por um período razoável de tempo, e o potencial dela de resolver muitos dos problemas globais será concretizado", opinou o especialista em inteligência artificial Rollo Carpenter, criador do Cleverbot, cujo software aprende a imitar conversas humanas com crescente eficácia.

Carpenter disse que ainda estamos longe de ter o conhecimento de computação ou de algoritmos necessário para alcançar a inteligência artificial plena, mas acredita que isso acontecerá nas próximas décadas.

"Não podemos saber exatamente o que acontecerá se uma máquina superar nossa inteligência, então não sabemos se ela nos ajudará para sempre ou se nos jogará para escanteio e nos destruirá", disse Carpenter, que apesar disso vê o cenário como otimismo por acreditar que a inteligência artificial será uma força positiva.

Ao mesmo tempo, Hawking não está sozinho em seu temor.

No curto prazo, há preocupação quanto à eliminação de milhões de postos de trabalho por conta de máquinas capazes de realizar tarefas humanas; mas líderes de empresas de alta tecnologia, como Elon Musk, da fabricante de foguetes espaciais Space X, acreditam que, a longo prazo, a inteligência artificial se torne "nossa maior ameaça existencial".

Voz

Na entrevista à BBC, Hawking também alertou para os perigos da internet, citando o argumento usado por centros de inteligência britânicos de que a rede estaria se tornando "um centro de comando para terroristas".

Mas o cientista se disse entusiasta de todas as tecnologias de comunicação e espera conseguir escrever com mais rapidez usando o seu novo sistema.
Um aspecto tecnológico que não mudou no sistema é a voz robotizada que externaliza os pensamentos de Hawking. Mas o cientista diz que não faz questão de ter uma voz que soe natural.

"(A voz robótica) se tornou minha marca registrada, e não a trocaria por uma mais natural com sotaque britânico", disse. "Ouvi dizer que crianças que precisam de vozes computadorizadas querem uma igual à minha."

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

'PSDB mostra pouca lealdade ao regime democrático', diz cientista político



Manifestação que pediu intervenção militar em São Paulo foi 'estimulada' por muitos discursos avessos à democracia pelo PSDB
"Para Fabiano Santos, o principal partido da oposição tem responsabilidade de repelir com veemência manifestações como a que ocorreu no último sábado. Ele defende que a esquerda 'repense' o PMDB 

Vitor Nuzzi, RBA

Ao observar manifestações como a do último sábado (1º) em São Paulo, quando pessoas saíram às ruas e pediram impeachment e, em alguns casos, "intervenção militar", o cientista político Fabiano Santos, professor e pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj), constata que ao menos uma parte da direita brasileira não mudou seu modo de pensar, desde os anos 1940. E considera grave o fato de o principal partido de oposição, com quadros surgidos da resistência à ditadura, o PSDB, não dar uma resposta à altura e reagir timidamente a um evento dessa natureza. "Acho oportunista e muito arriscado não deixar claro que não há nenhuma relação entre as bandeiras do partido e o que se tem dito nas ruas", diz.

Ele também critica o pedido de auditoria da eleição feita pelos tucanos. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deu parecer contrário ao pedido, afirmando inclusive que o requerimento é "temerário", por se basear "exclusivamente em especulações sem seriedade efetuadas em redes sociais".

"Eles (PSDB) ficam insistindo nessa clientela. É ótimo para o governo. Não reagir ao que aconteceu em São Paulo é outro tiro no pé", afirma Santos.

Para ele, cabe à oposição mostrar que tem uma agenda para o país, não apenas um plano ortodoxo na economia e uma afirmação de que "tirar o PT" resolveria tudo. Da parte do governo, cabe mostrar capacidade de conversar e mostrar que fazer acordos não é necessariamente ruim para o país, como parte da mídia tenta demonstrar. "Acho que os movimentos sociais estão sedentos de diálogo."

O cientista político avalia ainda que a esquerda brasileira precisa repensar o papel do PMDB, um interlocutor obrigatório. E assim evitar o que ele considera um erro cometido em 1964, antes do golpe, quando o governo não quis negociar com o PSD.

Leia os principais trechos da entrevista.

A manifestação do último sábado em São Paulo, com deputado armado, músico pedindo impeachment, vozes a favor de uma "intervenção" militar, é motivo para preocupação?

É preocupante, porque você percebe que a cultura política da direita brasileira, ou parte dela, não mudou. Desde o final da 2ª Guerra, parte da elite política brasileira se comporta dessa maneira. Tivemos a experiência da ditadura, depois com muito esforço tivemos a transição política. Aprender com os erros, ser capaz de aprender, faz parte da experiência humana. Nesse segmento, todavia, essa característica do ser humano não está ocorrendo.

Há responsabilidade dos partidos políticos?

No PSDB, principal partido da oposição, não vi nenhuma manifestação veemente de suas principais lideranças. Isso é vergonhoso. Acho oportunista e muito arriscado não deixar claro que não há nenhuma relação entre as bandeiras do partido e o que se tem dito nas ruas. Eles não podem fugir a essa responsabilidade. É incompreensível, preocupante. Demonstra pouca lealdade ao regime democrático.

Isso afeta a governabilidade em alguma medida? Em 2010, parece que houve certa "trégua" com o governo eleito. Agora, poucos dias depois da eleição, vemos esse tipo de reação.

Como foi uma vitória apertada, há esse impulso de dizer que só não houve vitória (da oposição) porque teve algum recurso desleal do governo. A matemática só serve para a retórica. Mas a democracia não olha para o número. O vencedor tem toda a legitimidade. Não é que houve uma trégua na eleição anterior, é que a margem de vitória foi alta. O comportamento da oposição tem sido infantil. É uma atitude que afasta o eleitor médio. No frigir dos ovos, vai mostrar ao eleitor (de Dilma) que ele fez a opção correta.

A oposição ficou mais forte?

Pode aumentar ou diluir. Vai depender de mostrar que tem uma agenda compatível e que o governo é incompetente. Até o momento, a gente tem uma agenda de uma proposta ortodoxa na economia. E que bastaria tirar o PT. Parte do eleitorado compra isso, parte não compra. É preciso construir uma agenda, até para o bem do país. Agora, dependerá também do que o governo fará. É preciso costurar o mundo político, uma costura mais arguta, politicamente orientada para a sua base de apoio. Isso pode criar um ambiente melhor para o governo.

No discurso da vitória, Dilma insistiu muito na questão do "diálogo" e na "construção de pontes". Mas as partes se mostram dispostas a conversar, e em que termos?

Acho que o governo tem muitos instrumentos para oferecer no contexto de diálogo. Precisa saber usar, entabular acordos não é exatamente maléfico para o país. Há uma parte da mídia interessada em demonstrar que isso é sempre ruim, e parte da esquerda compra isso. O discurso liberal não acha que a solução é a política. É o mercado. É preciso mostrar que a política e o Estado fazem muita coisa, e que também os partidos mostrem para os grupos sociais que são capazes de produzir benefícios. Acho que os movimentos sociais estão sedentos de diálogo. Acho que os empresários estão dispostos a investir no setor produtivo. Mesmo o setor financeiro precisa ter canais de diálogo. É preciso ter essa dupla estratégia, de conversar no Congresso e na sociedade.

A presidenta não ficará "prensada" entre o PMDB, por exemplo, e os movimentos sociais que esperam uma inflexão à esquerda?

Primeiro, é preciso repensar o PMDB. Parece muito a discussão pré-64 sobre o PSD. O governo não fez acordo com o PSD... Essa visão equivocada acabou levando o país a uma situação muito ruim, durante 30 anos. Ainda que não haja no futuro uma intervenção militar ou pela força, você pode ter um governo à deriva. A esquerda precisa repensar o PMDB, um partido flexível e de centro. E que tem poder. Você precisa conversar com quem tem poder. É preciso conversar, dentro de uma agenda social e de desenvolvimento. O PMDB é o partido que vocaliza os interesses do capital.

Uma concertação?

É uma concertação, que envolva os partidos de centro, os movimentos sociais, os sindicatos. É preciso identificar os interlocutores.

No ano passado, após as manifestações, o senhor falava sobre os "pactos" apresentados pelo governo à sociedade, incluindo responsabilidade fiscal, reforma política, mobilidade urbana, saúde e educação. O país avançou nessas questões?

Acho que o governo avançou significativamente. Conseguiu atrelar os royalties à educação, conseguiu fazer o Mais Médicos. Acho que existe uma agenda muito consistente no âmbito do social, e o governo se elegeu por isso. Evidentemente, a economia precisa se expandir. Na questão da mobilidade, mesmo na Copa o governo demonstrou muito serviço. É claro que tem alguns paradoxos que nenhum governo vai dar resposta de hoje para amanhã. Tem de haver uma ação coordenada entre os entes federativos. Aliás, em saúde e educação também. A reforma política, embora um ou outro ponto possa ser colocado na agenda, trata-se de bandeira muito distante daquilo que realmente afeta a população. Cada país tem uma história, uma institucionalidade específica. Já está demonstrado na ciência política, não há relação entre reforma política e melhoras no sistema. Considerar isso uma panaceia e chamar um plebiscito não é cabível. Acho uma estratégia errada, porque se choca com a Constituição de 1988.

Muito se falou sobre o fato de o Congresso ser mais conservador. Como pode ser a relação com o Executivo?

É com ele que a sociedade tem de se fazer representar. Faz parte do processo democrático. Foi eleito. A direita faz isso com a presidenta. Ela foi eleita pelo processo democrático, que não se esgota pelo âmbito da participação. São marcos fundantes da democracia. O primeiro ponto é não deslegitimar. Há uma gama de pequenos partidos que estão dispostos a conversar. Não é porque a direita cresceu que não haverá diálogo. O centro flexível cresceu. A esquerda diminuiu um pouco. Não há crescimento de uma direita radical, xenófoba. Não há porque olhar para o Congresso e achar que há uma doença política. O PT não soube fazer estratégias corretas do ponto de vista de montar coligações proporcionais. Dá perfeitamente para trabalhar. Vai depender da competência com que se faz isso.

No retorno ao Senado, ontem (4), o ex-candidato Aécio Neves declarou que o governo deve "tomar cuidado para não chegar em janeiro com certo cheiro de fim de festa", em referência à posse. E disse que caberá ao governo dar "gestos objetivos e claros" para que haja diálogo com a oposição. 

Nenhuma novidade. Retórica da ameaça e da arrogância. Fala como se não fosse o derrotado."

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Steinbruch: segundo mandato de Dilma será melhor


"Presidente da Fiesp e dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch afirma que Dilma Rousseff vai querer entrar para a história como uma boa presidente para o Brasil; “Se antes tinha dependências partidárias, agora tem condição de fazer o governo em que acredita”; segundo ele, um bom nome para o ministério da Fazenda trará "conforto ao investidor", mas diz que o aumento de juros foi desnecessário

Brasil 247 

O presidente da Fiesp e dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, prevê que o segundo mandato de Dilma Rousseff será melhor. “Se antes tinha dependências partidárias, agora tem condição de fazer o governo em que acredita. Com certeza vai querer ser lembrada como uma boa presidente. Aí, tem de fazer as coisas para entrar para a história”, disse.

Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, ele diz ainda que um bom nome para o ministério da Fazenda, além de outras medidas, trará "conforto ao investidor".

“A indústria não tem confiança para produzir e o consumidor não tem confiança para consumir. Juros altos e o real valorizado que inunda de importados aqui, não ajudam. O aumento de juros foi desnecessário. Foi uma autoafirmação do Banco Central para demonstrar uma certa independência, disposição de controlar inflação”, afirma (leiaaqui)."

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Para Chico César, preconceito vem de quem perdeu privilégios


Chico César diz que "há muita gente magoada" com mudanças socioeconômicas no Brasil
"Manifestações de preconceito como as expressas em redes sociais após a apuração de votos no primeiro turno das eleições, que deram uma ampla vantagem à candidata do PT Dilma Rousseff nas regiões Norte e Nordeste, vêm de "gente assustada por ter de dividir o elevador social com quem antes ia pelo elevador de serviço".

 

A opinião é do cantor e compositor paraibano Chico César, um dos entrevistados pelo #salasocial - o projeto da BBC Brasil que traz à tona temas de repercussão nas redes sociais.

"Claro que há esse tipo de visão ainda, mas ela depõe mais contra quem a expressa do que contra os nordestinos ou nortistas. Trata-se de gente que perdeu privilégios ou que se sente insegura nem por ter perdido, mas por perceber que o outro que se encontrava abaixo dele na possibilidade de acesso aos bens e serviços agora não está mais. Encontra-se mais próximo, ou no mesmo patamar. É gente assustada por ter de dividir o elevador social com quem antes ia pelo elevador de serviço", disse o músico.

"Há muita gente magoada por ter de pagar direitos trabalhistas a empregadas domésticas, por viajar de avião ao lado de gente que antes levava três, quatro dias para atravessar o país de ônibus, pelo fato de o filho do vigia de sua rua ou do zelador do prédio estudar na universidade, pois ele sabe que este rapaz ou moça não ocupará mais cargos de subemprego. Acho que temos de responder sempre ao preconceito. A qualquer preconceito, que às vezes também temos e nem percebemos.

Chico César, no entanto, não concorda com a atitude de alguns internautas que, supostamente para "dar o troco", passaram a atacar paulistas via redes sociais.

"São Paulo não combina com generalizações. Elegeu prefeita a paraibana Luiza Erundina. Um pouco depois, o negro e carioca Pitta. É terra de punks e skinheads, de programa de auditório e poesia concreta, de uma das maiores paradas gays do mundo", disse.

Para o cantor casos isolados de preconceito não devem ser generalizados.
"Há um pensamento conservador de destruição e esvaziamento da política com "P" maiúsculo que quer nos levar a pensar assim, a traduzir manifestações isoladas como tradução do todo. Esse pensamento conservador e desmotivador da grande política, esse sim, tem-se alastrado com o vasto apoio da mídia corporativa brasileira."

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O pós-Copa e a aposta nas eleições



, GGN

"Conversei longamente com um experiente analista político, que vê a campanha a partir da ótica de Lula e Dilma. Dê-se o devido desconto ao fato de ter lado. Mas sua análise é relevante para permitir saber como o lado de Dilma analisa o atual momento político.
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A Copa revelou, em sua plenitude, os problemas de comunicação do governo, diz ele.
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Foram dois anos e meio de inação, achando que a verdade iria prevalecer por si. Nesse período, todas as mazelas públicas passaram a ser atribuídas ao governo central pela mídia, mesmo em temas de competência de governos estaduais e municipais.
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O resultado foi que o governo Dilma aceitou a agenda do adversário, permitiu que crescesse a imagem dos "malfeitos" em vez de impor sua agenda, de aprofundamento da inclusão social, de fortalecimento do mercado interno.
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De qualquer modo, em sua opinião esse período pior passou.
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Na Copa houve o embate final entre a campanha #imaginanaCopa e a #CopadasCopas. No final, a Copa das Copas venceu em todas as linhas.
Significa que Dilma entrará na campanha com um processo de recuperação que ainda irá ecoar por alguns dias. Provavelmente, deve bater nos índices de 42 a 43%, enquanto Aécio Neves permanecerá estacionado em 19/20% e Eduardo Campos em 9/10%.
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Para esse analista, as pesquisas que indicam de 6 a 7% para os nanicos são mera conta de chegada para viabilizar a aposta no segundo turno. Na última eleição, Zé Maria teve 0,025% dos votos. Como achar que, hoje em dia, ele contaria com 2% dos votos, como indicaram algumas pesquisas?
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Em sua opinião, juntando todos, não devem passar de 3 a 4%.
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Não significa que não haverá segundo turno. É possível que o eleitor queira dar um calor na candidata, como fez com Lula em 2006. Mas o sinal maior é o de quase estagnação de Aécio e Campos, mesmo com seis meses de campanha intensa dos grupos de mídia.
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Já os grupos de mídia continuarão atuando politicamente, observa ele. Eles precisam vender o fim do mundo todo dia. Por isso, já começam a esquecer a Copa e a falar de economia novamente.
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Trata-se da própria luta de sobrevivência dos grupos na nova disputa que se dá na Internet. Mas estarão mais fritos ainda vendendo o fim do mundo, diz ele. E, tendo atrás de si, provavelmente o maior desastre de comunicação da história do jornalismo: a aposta no fracasso da Copa, com o resultado do erro sendo entendido por toda a população.
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Na sua opinião, ao endossar o discurso da mídia, Aécio Neves vai perder a oportunidade de montar um discurso e uma imagem para 2018. Um candidato começa a construir sua eleição na eleição anterior.
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Foi o caso de Lula. Sua vitória em 2002 começou a ser construída nas eleições de 1998. Ali, ele começou a denunciar o estelionato eleitoral de FHC (segurando o câmbio até terminar a campanha) e a se dirigir a um eleitoral que, até então, não era preocupação dele.
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Saiu derrotado no primeiro turno, mas com um ativo valioso, que lhe garantiu a eleição seguinte.
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Em sua opinião, Aécio sairá dessa eleição igual ou pior do que entrou, com discurso falando apenas para o núcleo duro do eleitorado raivoso. Eduardo Campos estaria no mesmo trajeto, somando o discurso raivoso de campanha a uma bronca pessoal de Dilma.
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O problema maior serão os efeitos dessa provável vitória na auto-suficiência de Dilma, em um segundo governo."

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Dez casos de corrupção denunciados no governo de FHC


Grampos do BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity
Grampos do BNDES flagraram Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity
A fonte é o blog de Altamiro Borges: suprimi adjetivos e informações paralelas, procurando manter apenas dados objetivos e comprováveis. Em minha opinião, grave mesmo foi a privatização da Vale e das telefônicas – negociatas no padrão daquelas que se seguiram ao fim da União Soviética.
1. Fernando Henrique extinguiu, por decreto, no início de seu governo, a Comissão Especial de Investigação, criada por Itamar Franco e formada por representantes da sociedade civil, que visava combater o desvio de recursos públicos. Em 2001, quando uma CPI foi instituída para apurar corrupção, criou a Controladoria-Geral da União, mas este órgão não mostrou resultados durante seu governo.
2. Denúncias de tráfico de influência no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam) derrubaram o brigadeiro Mauro Gandra ; o embaixador Júlio César dos Santos, supostamente envolvido, foi nomeado embaixador junto à FAO, em Roma. A empresa Esca, encarregada de incorporar a tecnologia da americana Raytheon, foi extinta por fraude comprovada contra a Previdência.
3. Em fevereiro de 1996, a Procuradoria-Geral da República arquivou os processos da “pasta rosa” – documentos citando doações ilegais de banqueiros para campanhas eleitorais. A oposição deu, então, ao o Procurador Geraldo Brindeiro o apelido de “engavetador geral da República”.
4.Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto que mudou a Constituição para permitir a reeleição de FHC: foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. O plenário da Câmara absolveu outros três deputados acusados de vender o voto: Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra,.
5. A Vale do Rio Doce foi vendida em leilão por R$ 3,3 bilhões, quando especialistas eu preço seu preço era estimado em mais de R$ 30 bilhões: detinha, além de enormes jazidas, uma gigantesca infra-estrutura, com navios, portos e ferrovias. A Vale é a terceira maior mineradora do mundo , a maior produtora de minério de ferro e a segunda maior de níquel; destaca-se na produção de manganês, cobre, carvão, cobalto, pelotas, ferroligas e alguns fertilizantes, como os fosfatados (TSP e DCP) e nitrogenados (ureia e amônia)
6. As empresas privadas pagaram pelo sistema Telebrás cerca de R$ 22 bilhões; nos dois anos e meio anteriores à venda, o governo investiu na infraestrutura do setor mais de R$ 21 bilhões. O BNDES financiou metade dos R$ 8 bilhões dados como entrada neste meganegócio. Grampos do BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do banco, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do Opportunity. O BNDES destinou cerca de R$10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle das estatais privatizadas. Em uma das diversas operações, injetou R$ 686,8 milhões de reais na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.
7. Fernando Henrique Cardoso afirmou que assinava sem ver a liberação dee verbas para a construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, em que se constatou desvio de R$ 169 milhões. O caso surgiu em 1998, mas os nomes dos envolvidos só apareceram em 2000. A CPI do Judiciário contribuiu para levar à prisão o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do TRT, e para cassar o mandato do senador Luiz Estevão, dois dos principais envolvidos no caso.
8. O Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer) , no final de 1995, custou ao Tesouro Nacional, segundo Fernando Henrique, 1% do PIB anual do Brasil. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, chegou a 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos foram de 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. .
9. FHC segurou a paridade entre o real e o dólar para assegurar a sua reeleição em 1998, às custas da queima de bilhões de dólares das reservas do país. Comprovou-se o vazamento de informações do Banco Central. No bojo da desvalorização cambial, surgiu o caso dos bancos Marka e FonteCindam, socorridos pelo Banco Central com 1,6 bilhão de reais.
10. De 1994 a 1999, as fraudes na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ultrapassaram R$ 2 bilhões. Sem punir ninguém, FHC extinguiu o órgão. Na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), apuraram-se desvios de R$ 1,4 bilhão.,com a emissão de notas fiscais frias. Aí também não houve punidos e a Sudene foi extinta.
Nilson Laje é jornalista e professor.
do< http://correiodobrasil.com.br/noticias/opiniao/dez-casos-de-corrupcao-denunciados-no-governo-de-fhc/714814/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=facebook

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Análise das pesquisas mostram bom momento para Dilma após a Copa


A presidenta Dilma Rousseff defendeu a participação social e a consulta no processo de decisão de políticas do governo
Antonio Lassance, Correio do Brasil 

"É bom olhar além das pesquisas de opinião para dar um passo à frente na análise de conjuntura e perceber seus impactos na futura campanha eleitoral. O vento está virando a favor de Dilma.

Em termos políticos e econômicos, com todos os percalços, Dilma tem um cenário que caminha do estável para o positivo.

Como já se imaginava, PMDB e PDT oficializaram apoio à sua reeleição. PSD, PP, PTB, PROS e outros estão a caminho de fazer o mesmo, sem surpresas.
As resistências que a presidenta ainda encontra nesses partidos têm muito a ver com as disputas pelos governos estaduais. Mas, como em 2006 e 2010, é preciso olhar não só os candidatos a governador, mas a relação direta que o Planalto tem com prefeitos, inclusive os da oposição.

Mesmo a subida momentânea de Aécio nas pesquisas, maior e antes do esperado, contribui para configurar o cenário ideal para Dilma, na medida em que o PSDB se firma como o adversário principal e ideal para servir de saco de pancadas.

Dilma ainda depende, politicamente, de uma Copa do Mundo que transcorra com normalidade – torcida não só dela, mas da grande maioria da população.
Mesmo assim, os maiores riscos na Copa se concentram, sem sombra de dúvida, em São Paulo, com foco em um assunto do Governo do Estado – a campanha salarial dos metroviários.

Outro problema, a CPI da Petrobrás, tornou-se tão saturado que a própria oposição deixou de ir à sessão para ouvir o acusado que diziam ser o “homem bomba” do caso.

A possibilidade de segundo turno é ainda real, mas continua no fio da navalha. O desgaste de todos os políticos é um freio de mão puxado para os oposicionistas que, nos setores descontentes do eleitorado, são tidos mais como veneno do que como remédio para a política nacional.

Em termos econômicos, a inflação, alta no primeiro semestre, como no ano passado, tende a iniciar uma tendência de queda e reversão de expectativas negativas.

Além da melhora no preço dos alimentos, um fator crucial entrou em campo: o preço da energia está despencando. O nível dos reservatórios tem ficado acima do esperado, o que se reverte em uma previsão de afluência maior.

Somado à redução na demanda, durante o inverno, o preço da energia está caindo, e muito. A redução, em média, tem chegado a 45%. Na Região Sul, está sendo vendida 60% mais barata.

Na contramão, o governo tucano do Paraná pede que a ANEEL conceda um tarifaço de 32% em favor da companhia elétrica de seu Estado. O assunto já virou tema de campanha dos oposicionistas Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) e é um prato cheio para ser nacionalizado.

De quebra, a ameaça de crise do sistema (apagões generalizados) ficou cada vez mais remota.

A partir de agosto, com bastante tempo de TV para fazer frente à campanha midiáticatucanófila, será hora da candidata responder aos ataques e dizer a que veio, sem ter que se preocupar tanto com inflação, Petrobrás e Copa como tem feito agora.

O grande adversário de Dilma está no campo social. É o risco da mesmice, se seu programa não trouxer grandes e empolgantes propostas de mudança, e o desencanto com a política, para a qual a população gostaria de uma boa chacoalhada.

Quem sabe a própria oposição forneceu o mote ideal para chacoalhar o debate sobre o sistema político.

O decreto presidencial que reforça a participação popular no Governo Federal incomodou os partidos e a mídia tradicionais até mais do que se esperava.
É um ótimo sinal de uma boa briga – a mesma que se comprou em favor do Bolsa Família e dos Mais Médicos; a que faltou no Plano Nacional de Direitos Humanos-3."

Antonio Lassance é cientista político.