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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Geólogos estudam meio de usar Aquífero Guarani para aliviar crise do Sistema Cantareira

Agua,Brasil,São Paulo
Acuífero Guaraní
 Aquífero Guarani
Por Camila Maciel.*
Geólogos da Universidade de São Paulo (USP) elaboram um estudo para saber se é possível retirar água do Aquífero Guarani para abastecer a região de Piracicaba, aliviando o Sistema Cantareira. A proposta é analisar a viabilidade da construção de 24 poços artesianos no município de Itirapina, região oeste do estado, onde o aquífero pode ser acessado de forma rasa. A análise será apresentada, em aproximadamente um mês, ao comitê criado pelo governo estadual para administrar a crise hídrica no Cantareira. Ontem (27), o sistema chegou a 13% da capacidade de armazenamento, após o início da utilização da segunda cota do volume morto.
O professor Reginaldo Bertolo, do Instituto de Geologia, explica que o estudo inclui a simulação, por meio de um modelo matemático, da extração de 150 mil litros de água por hora. “Queremos avaliar se o aquífero suporta essas vazões em longo prazo”, apontou. A análise baseia-se em um artigo publicado em 2004 por um grupo da Universidade Estadual Paulista (Unesp). De acordo com o trabalho, a região de Piracicaba fica distante cerca de 60 quilômetros (km) em linha reta, o que diminui os custos de um transporte da água direta para a capital. Outra vantagem é que o desnível geográfico entre as regiões de captação e consumo favorece o deslocamento.
Mesmo em fase de pré-viabilidade técnica, Bertolo acredita que essa pode ser uma alternativa interessante para o abastecimento de parte da região que deveria receber água do Cantareira. Ele destaca, no entanto, que é preciso fazer o uso sustentável dessa água para evitar novas crises. “A gente precisa ter a recarga no aquífero para que ele continue dando água. Se a gente tiver em longo prazo a certeza de que a chuva vai continuar caindo e o aquífero recarregado, uma vazão de 1 metro cúbico por segundo é uma vazão segura”, apontou. O Aquífero Guarani é a maior reserva estratégica de água doce da América Latina.
Atualmente, o aquífero abastece a maior parte das cidades do oeste paulista. “Observe que a crise de abastecimento de água está mais crítica nos municípios do centro-leste do estado”, avaliou. Isso ocorre, segundo Bertolo, porque eles têm maior segurança hídrica com a água oriunda dos aquíferos Bauru e Guarani. Entre os municípios abastecidos dessa forma, o professor destaca Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília, Bauru, entre outros. Ele explica que a profundidade das águas subterrâneas exige tecnologia complexa de engenharia, similar à utilizada para encontrar petróleo, para cavar os poços profundos.
*Da Agência Brasil.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

BICAS SECAS EM SÃO PAULO - PAULISTAS SÃO VÍTIMAS DE ESTELIONATO HÍDRICO-ELEITORAL PRATICADO PELOS TUCANOS




Antes circunscritos a determinadas áreas, em períodos específicos, os casos de falta de água se espalharam pela cidade de São Paulo nos últimos dias, atingindo todas as regiões da capital por intervalos que variam entre algumas horas a vários dias.
Relatos feitos por leitores à Folha e colhidos nas ruas indicam uma piora generalizada do quadro.
Nas últimas 24 horas, a reportagem identificou ao menos 30 pontos de desabastecimento em 24 bairros.

As descrições contrastam com o discurso oficial da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), que nega racionamento.


sábado, 26 de abril de 2014

Em meio ao racionamento, Sabesp mantém R$ 44 milhões para publicidade


Sem corte, publicidade da Sabesp tem R$ 44 milhões
Empresa diz que ação ‘é fundamental no momento de escassez hídrica’ e poupa propaganda da redução de R$ 900 milhões de seu orçamento

Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

Embora tenha anunciado um corte de R$ 900 milhões no orçamento deste ano por causa da crise de falta d’água, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) manteve intacta, em R$ 43,7 milhões, a verba para gastar com propaganda. Os contratos com três agências de publicidade foram assinados no dia 26 de março.

Em nota, a Sabesp informou que "a campanha publicitária é de fundamental importância para conscientização da população neste momento de escassez hídrica". Desde fevereiro, a empresa tem veiculado peças publicitárias estreladas pelo apresentador de TV Rodrigo Faro para falar da crise do Sistema Cantareira, da campanha pela redução do consumo de água e dos investimentos feitos pela Sabesp nos últimos anos.

A licitação só foi concluída após o desfecho de um embate judicial envolvendo a agência Duda Propaganda, do marqueteiro político Duda Mendonça, que não concordou com a desclassificação no certame e travou na Justiça a homologação do resultado. Por ao menos seis meses, a publicidade da Sabesp estará dividida entre as agências Lew Lara, Fischer América e White Propaganda. Cada uma receberá R$ 14,6 milhões.

Valor anterior. O valor global, que pode chegar a R$ 87,4 milhões em um ano com a renovação dos contratos, é o mesmo que a Sabesp pagava nas contas de publicidade anteriores à crise de abastecimento. Em janeiro, o Estado noticiou que a companhia havia assinado, sem licitação, um contrato de publicidade no valor de R$ 22 milhões com a Lew Lara, alegando caráter emergencial, para divulgar campanha com enfoque na economia de água durante o verão.

A Lew Lara havia sido a primeira classificada no certame. Com os contratos de março, a contratação emergencial foi encerrada. Agora, a Sabesp pretende intensificar as campanhas de publicidade para explicar as ações que têm sido tomadas para tentar evitar o racionamento de água generalizado na Grande São Paulo.

Depois do plano de desconto para quem economizar água, a próxima medida deve ser a cobrança de multa para quem aumentar o consumo. A empresa aguarda a autorização da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) para aplicá-la. Enquanto isso, o nível do Cantareira, que abastece 47% da Grande São Paulo, continua caindo. Nesta sexta, 25, chegou a 11,4% da capacidade, novo recorde negativo.