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domingo, 20 de maio de 2012

"Existem ingênuos na política?"




“O ingênuo Policarpo telefonou duzentas vezes ao contraventor Cachoeira para ver se ele era mesmo contraventor. Como não encontrou provas, arriscou dizer ao chefão que descobriu umas coisinhas nas conversas que poderiam limpar o país da gigantesca corrupção dos bandidos do PT. "Publique-se", disse o ingênuo chefão.

Por Izaías Almada

Minha primeira resposta à pergunta acima é dizer sim. Até para me defender de uma possível vontade de dizer não e com isso cair na generalização sobre a atividade exercida profissionalmente por milhares e milhares de vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores, ministros, juízes e até presidentes da república.

Contudo, os últimos acontecimentos políticos no Brasil provocados pela “Operação Monte Carlo” da Polícia Federal, onde se descobriu, ao que tudo indica, o ninho de um jornalismo marginal e criminoso entre nós, parecem indicar que sim: existem políticos ingênuos. Ou melhor: políticos e não só cuja ingenuidade poderá agora ser posta à prova, tendo esses a oportunidade de comprovarem a sua boa fé ou – e isso será curiosamente revelador – se usam ou usaram os seus cargos e seus mandatos ou eventuais postos de comando em determinadas situações para cometerem – sob o disfarce das leis que os protegem – crimes contra a democracia, o povo e a constituição federal brasileira.

Tomemos aqui alguns exemplos bem recentes para comprovarmos a nossa modesta tese. O caso do procurador geral da república Roberto Gurgel que, ao receber relatório da Polícia Federal da “Operação Vegas” sobre as contravenções do empresário bicheiro Carlinhos Cachoeira e que não levou à frente o processo. Ingenuidade ou o procurador compactuou com o crime organizado?

Vendo-se confrontado com a possibilidade de ser chamado a comparecer à CPMI daVeja/Demóstenes/Cachoeira para explicar a lambança, quis dar a entender que essa possibilidade seria uma “tentativa de vingança dos que estão para responder sobre o Mensalão de 2005”. Acontece que o Mensalão de 2005, como lembra o jornalista Mino Carta, está por se provar. Mais que isso: existem indícios de que esse mesmo mensalão, que provocou uma grande CPI no Congresso Nacional, com enormes gastos para os cofres públicos, teria sido concebido no ventre de uma operação de crime jornalístico entre o bicheiro e a revista VEJA.

Demóstenes Torres e Cachoeira: também ingênuos?

O senador Demóstenes Torres, o “Catão do cerrado” (como é chamado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim), homem "íntegro e probo" até prova em contrário, está a poucas horas de depor na CPMI e ali desfazer a cachoeira de denúncias que pesam contra ele. Na sua ingenuidade, talvez, o ínclito senador Demóstenes pensou em “ajudar o Brasil a se livrar de homens corruptos”, tornando-se amigo do “empresário” Carlos Cachoeira, num claro exemplo de maquiavelismo e perspicácia política às avessas. Ou seria o contrário?

Nessa cruzada cívica, juntou-se a jornalistas experientes e também ingênuos, pois a melhor maneira de denunciar os crimes – segundo a tese desses mesmos jornalistas – é unir-se aos criminosos, nem que seja por dever de ofício. Afinal, a melhor maneira de surpreender e denunciar um crime é aliar-se ao criminoso. A tese deveria entrar no currículo das escolas como técnica de jornalismo investigativo.
Policarpo, o editor da ingênua “Veja”, e Cachoeira

A revista VEJA, "exemplo da mais cristalina ética jornalística e grande defensora dos direitos de liberdade de expressão para ela e alguns coleguinhas", escreveu numa de suas últimas capas esta pequena chamada: ‘Como Demóstenes conseguiu enganar tantos em tanto tempo?’ Quanta isenção, não caro leitor? Quanto espírito crítico... Como é que essa tribuna da liberdade de imprensa, essa luz que ilumina a escuridão no país, se deixou enganar, como todos nós, por tanto tempo? Ingênuos, talvez?...

O relator da malfadada CPI do dito mensalão, senador Osmar Serraglio, outro que deve andar com a pulga atrás da orelha, também apareceu esses dias na imprensa para defender o relatório final dos trabalhos que comandou. Claro: como explicar aos seus eleitores e ao país que Caixa 2 não é pagamento de mensalidade a deputados para votarem matérias de interesse do governo?

Como explicar que os vídeos com o funcionário dos correios recebendo propina e do funcionário Waldomiro Diniz foram manipulados para uso criminoso contra membros do governo Lula? Como admitir que fossem enganados por uma quadrilha comandada por um bicheiro e manipulados por interesses corporativos apoiados por jornalistas venais e inescrupulosos?

Ninguém gosta de admitir que foi ou é enganado, ainda mais por bandidos. São histórias que me fazem lembrar o velho e surrado golpe do bilhete premiado. A vítima, gananciosa ou ingênua, jamais se perdoará pelo papel ridículo que faz.

Nos exemplos acima citados, e em outros que poderão ser comprovados no avançar da CPMI-Demóstenes/VEJA/Cachoeira, ficamos todos com a impressão de que boa parte de nossos políticos, alguns empresários, juízes e donos dos principais meios de comunicação do país são pessoas ingênuas, crédulas nas suas próprias boas intenções e de seus pares e sócios no crime, quero dizer, no desvelo para com a Nação.

Conclusão? O ingênuo Policarpo, abençoado pelo chefão, telefonou duzentas vezes ao contraventor Cachoeira para ver se ele era mesmo contraventor. Como não encontrou provas disso, defendendo-o publicamente numa outra CPI, arriscou dizer ao chefão que descobriu umas coisinhas nas conversas que poderiam limpar o país da gigantesca corrupção dos bandidos do PT. Publique-se, disse o ingênuo chefão.
Roberto Civita, dono da Editora Abril e da Veja, ingenuamente enganado por Policarpo

Televisões ingênuas e jornais ingênuos repercutiram as conversinhas do ingênuo Policarpo com o exemplar cidadão Cachoeira e o país mergulhou num mar de lama nunca dantes visto entre nós.

Olhos atentos e nada ingênuos de homens praticantes de privatarias e outras licitações ilícitas riam-se a bandeiras despregadas, antegozando a volta ao poder. Nessa altura, centenas de milhares de ingênuos se deram as mãos no Legislativo, no Judiciário, na Imprensa, na sociedade em geral e, numa demonstração inequívoca de que somos uma nação que preza a democracia em todos os seus pormenores, julgamos e condenamos cidadãos antes que pudessem se defender.

Nada como o passar do tempo. Sempre haverá uma luz no final do túnel e com toda a certeza ela não provém da imprensa calhorda que debocha do ingênuo cidadão brasileiro, pois ingênuos somos nós, contribuintes e eleitores.

A verdadeira democracia não se compraz com a ação deletéria dos pusilânimes. Muito menos com a ação de uma imprensa que se nutre na seiva da mentira e da chantagem, de um Congresso acovardado e de um Judiciário manipulado por interesses criminosos.”


FONTE: escrito por Izaías Almada, escritor e dramaturgo. Autor da peça “Uma Questão de Imagem” (Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos) e do livro “Teatro de Arena: Uma Estética de Resistência”, "Editora Boitempo". Arrtigo publicado no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=5601) [Imagens do Google, suas legendas e aspas adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

domingo, 29 de abril de 2012

Momento único



As últimas gravações que vários blogs estão publicando não deixam mais dúvidas sobre o caso Demóstenes/Cachoeira: é o maior escândalo político surgido no país em muitos anos.
O grau de envolvimento do senador com o esquema criminoso é amplo, geral e irrestrito, e tudo indica que Cachoeira também contava, para turbinar seus negócios, entre tantos mais, com a ajuda generosa do governador Marconi Perillo e da revista Veja.
A oportunidade que esse caso dá ao Brasil para se curar de um dos seus males endêmicos mais nefastos, a corrupção, é enorme. As autoridades policiais e judiciárias, assim como os políticos honestos que ainda existem, têm pela frente o desafio de levar adiante o processo da forma mais republicana possível, sem se deixar contaminar pelos seus inegáveis atrativos ideológicos.
Se isso for feito, se aos implicados forem dadas as oportunidades de defesa que recentemente foram negadas a tantas pessoas, quem sabe não estabeleça um divisor de águas que interrompa o interminável fluxo de sujeiras que vem abalando o Brasil há tanto tempo.
O mais importante nessa história não é a punição que possa ser aplicada a uns e outros. Ela, de qualquer maneira, já foi dada: a repercussão das diatribes cometidas pelo bando é tão grande que ninguém, daqui em diante, vai querer se aproximar de seus integrantes.
O que vai diferenciar este caso de muitos outros é a possibilidade de, a partir dele, os órgãos e as pessoas públicas passarem a fixar como regra dos relacionamentos profissionais a transparência e o interesse social, e não, como é muito frequente hoje, a propina como maior indutor dos negócios.
Está claro que o país passa por um momento especial em sua história. O que acontece agora é algo impensável  há alguns anos. E isso só foi possível graças ao trabalho de um exército de abnegados que se indignou com o fato de a informação ser refém de meia dúzia de grupos empresariais que veem nela apenas uma moeda de troca para seus interesses.
Sem a internet, sem as centenas de blogs e sites que se contrapõem à imprensa "oficial", Demóstenes/Cachoeira/Perillo/Veja e toda essa turma estariam alegres e fagueiros por aí, contaminando toda a sociedade com o veneno de sua ação corruptora.
Quem sabe a luta desses inúmeros Brancaleones sirva de exemplo para aqueles que detêm o poder de mudar alguma coisa.
cronicasdomotta

sábado, 28 de abril de 2012

sábado, 14 de abril de 2012

MÍDIA, DEMÓSTENES & CACHOEIRA - Quando a imprensa regional olha para o lado


MÍDIA, DEMÓSTENES & CACHOEIRA

Quando a imprensa regional olha para o lado

Por Alberto Dines em 10/04/2012 na edição 689

Atenção, atenção: estamos nos transformando num “Estado policial” ou “policializado”. Estado democrático, de direito, mas um Estado onde o interesse social só tem a proteção do Ministério Público, da Polícia Federal, da Receita Federal e dos magistrados que autorizam devassas. O resto – Executivo, Legislativo, imprensa e sociedade civil – está paralisado, entorpecido, inerte diante de um formidável lodaçal que se espalha, se infiltra e se aprofunda irremediavelmente. Nenhum desses poderes quer se comprometer, enredar-se. Todos, sem exceção, têm medo de respingos.
A sociedade brasileira está perdendo a capacidade de se defender, sabe apenas chamar a polícia. E depois entrega os malfeitores a um Judiciário atravancado, aturdido, lerdo, muitas vezes venal. Se o diagnóstico está correto estamos à beira de uma decomposição institucional.
Tudo começa numa imprensa desfibrada, burocratizada e mundana que já não sabe qual o seu papel. A imprensa regional mimetiza aquela que se apresenta como nacional e o resultado deste conluio de equívocos é que não temos vigilância na esquina nem nos grandes espaços.
Vício perigoso
Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, começou na esquina, opera a sua rede de contravenções há pelo menos duas décadas num estado rico, próximo dos grandes centros e onde existe uma mídia regional bem implantada. A Organização Jaime Câmara, estabelecida logo em seguida à fundação de Goiânia (1935), edita o diário O Popular, um dos melhores do país, tem um sistema de rádio e outro de TV com onze emissoras e repetidoras.
Este complexo midiático, porém, não foi capaz de perceber a intensa e ousada movimentação do contraventor-mor, mesmo depois do seu envolvimento com Waldomiro Diniz, assessor do então todo-poderoso ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no primeiro mandato do presidente Lula da Silva.
Este observador não pretende lançar suspeições sobre o grupo midiático; está, sim, radiografando os sintomas da inércia jornalística que hoje domina grande parte da mídia regional brasileira. O poder da grande imprensa americana veio de uma brava imprensa regional treinada nas trincheiras jornalísticas locais. A interdependência dessas esferas gera uma comunidade atenta, ágil, que só recorre à instância policial na hora do desfecho.
Para não parecer provinciana nossa mídia regional adota um glamour desbotado, cerca-se de colunistas sociais e veste Prada, esquecida de que o seu pedigree ou virá da dedicação ao interesse público ou de nada valerá.
O Estado policializado, dependente do poder de polícia, incapaz de detectar ameaças e denunciá-las, é em última análise fruto de uma imprensa – grande, média ou pequena – viciada no perigoso jogo de olhar para o lado.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

CPI de Cachoeira pode detonar a Veja

Quais os assassinatos de reputações foram cometidos pela revista Veja para difamar os adversários do mafioso? Quais capas sensacionalistas foram editadas para difundir seus negócios ilícitos e lucrativos? O que Cachoeira e o editor-chefe da Veja tramaram nos inúmeros telefonemas? O que combinaram nos secretos jantares? Até onde chega o poder corruptor da mídia nativa?

- Por Altamiro Borges, em seu blog 
 

A mídia demotucana, que sempre bajulou o senador Demóstenes Torres, parece que já deu o braço a torcer. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposta para apurar as sinistras relações do ex-demo e de outros políticos (como o governador tucano Marconi Perillo, de Goiás) com a quadrilha mafiosa de Carlinhos Cachoeira, vai ser finalmente instalada. Parece que não tem mais retorno!

Segundo antecipou Ricardo Noblat, blogueiro do jornal O Globo, “José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, e Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara dos Deputados, acabaram de bater o martelo: até o fim desta semana esperam instalar a CPI Mista para investigar crimes cometidos pelo ex-bicheiro Carlinhos Cachoeira, sua turma e o senador Demóstenes Torres (GO)”.

A convocação de Roberto Civita
Noblat ainda deu outra notícia explosiva: “Fernando Ferro, deputado federal pelo PT/PE, revelou que apresentará requerimento à CPI para que seja ouvido Roberto Civita, dono da Editora Abril, responsável pela publicação da revista Veja. Carlinhos Cachoeira era informante da revista. Em uma conversa grampeada pela Polícia Federal, ele diz que ofereceu grandes furos à revista”.

Confirmada estas informações, o cenário político nacional deverá sofrer abalos. A CPI do Cachoeira poderá representar um duro golpe na oposição de direita, enterrando de vez o seu falso discurso moralista em pleno ano de eleições municipais. Os demos até poderão antecipar a sua passagem para o inferno. Já os tucanos farão de tudo para livrar a cara do governador de Goiás.

Pior do que Murdoch
Já no caso da convocação de Roberto Civita, ela poderá estimular o debate sobre a situação da mídia no Brasil. No Reino Unido, as revelações de que o império de Rupert Murdoch promovia escutas ilegais e corrompia autoridades resultaram numa intensa discussão, que continua em curso, sobre o poder manipulador dos monopólios midiáticos e sobre a necessidade da regulação do setor.

A situação da Editora Abril, como tem insistido o blogueiro Luis Nassif, é bem mais grave ainda. Tudo indica que a revista Veja, o veículo direitista da famiglia Civita, associou-se ao crime organizado. Carlinhos Cachoeira deu mais de 200 ligações para o editor-chefe da publicação, Policarpo Jr, segundo revelaram os grampos legais efetuados pela Operação Monte Carlos da Polícia Federal.

Perguntas necessárias e incomodas
Quais os assassinatos de reputações foram cometidos pela revista Veja para difamar os adversários do mafioso? Quais capas sensacionalistas foram editadas para difundir seus negócios ilícitos e lucrativos? O que Cachoeira e o editor-chefe da Veja tramaram nos inúmeros telefonemas? O que combinaram nos secretos jantares? Até onde chega o poder corruptor da mídia nativa?

Como se observa, a CPI do Cachoeira promete fortes emoções. Isto se ela não for abortada e esvaziada nos próximos dias.

/tudo-em-cima

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Vídeo do mensalão foi obra de Cachoeira e Demóstenes

Em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, no Domingo Espetacular, o ex-prefeito de Anápolis (GO), Ernani José de Paula, afirmou que o vídeo que deu origem ao escândalo do mensalão foi obra do bicheiro Carlinhos Cachoeira.


A fita, que provocou uma crise no primeiro governo de Lula, mostra o funcionário público Maurício Marinho, à época chefe de um departamento dos Correios, recebendo suborno de três mil reais.



Quem mandava nos Correios era o PTB, presidido pelo ex-deputado Roberto Jefferson, que entendeu que o governo não agiu como devia na ocasião e resolveu denunciar um esquema de corrupção que chamou de “mensalão”.

O escândalo derrubou o chefe da Casa Civil, José Dirceu, então homem forte do governo. Na entrevista, Ernani José de Paula é categórico:
— Essa fita foi produzida pela equipe do Carlos Cachoeira. Ele me contou, comentou que aquele vídeo era dele, que tinha ajudado a produzir.

Segundo a reportagem, o maior interessado na história seria o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que ficou famoso por denunciar escândalos do governo.

O ex-prefeito de Anápolis diz que o vídeo foi, na verdade, uma vingança de Demóstenes contra Dirceu. O senador teria sido vetado pelo então ministro-chefe da Casa Civil na disputa por um cargo no Ministério da Justiça.