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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Rede quer ser o novo. Um novo velho partido...



Daqui para a frente, diante do bom desempenho nas pesquisas para a eleição presidencial de 2014, os jornalões vão falar, cada vez mais, da ex-senadora do PT, ex-candidata à presidência pelo PV e atual integrante da comissão nacional provisória e coordenadora-geral e porta-voz da comissão executiva nacional provisória da Rede Sustentabilidade, Marina Silva.
A Rede tenta se viabilizar. Tem até outubro para apresentar à Justiça Eleitoral 492 mil assinaturas certificadas pelos cartórios eleitorais. Se conseguir, Marina Silva será a candidata à presidência.
Ela é apresentada como uma "terceira via" à polarização PT-PSDB. 
Foi bem na eleição de 2014.
Hoje, as pesquisas eleitorais são ainda mais favoráveis a ela.
É bem provável que a oligarquia abrace a sua candidatura, por considerá-la mais competitiva que a de Aécio Neves, José Serra ou Eduardo Campos.
Afinal, para os setores conservadores, que lutam desde 2003 para tirar o governo trabalhista do Palácio do Planalto, vale tudo.

Vale até mesmo se arriscar numa aventura como essa, de patrocinar a ex-petista Marina Silva - o que, de certa forma, já fazem, pois a Rede conta, em seus quadros, com vários representantes da alta burguesia nacional.
Além disso, não há nenhum perigo, para esses setores, de que a Rede, em que pese todo o palavrório contido em seu manifesto, promova, se chegar ao poder, alguma mudança significativa - ou mesmo alguma mudança - no modo de fazer política no Brasil.
Basta dar uma olhadinha no seu estatuto para ver que a Rede, que se propõe a fazer um novo tipo de política no Brasil, nada mais é que um partido político tradicional.
Com exceção de alguns trechos, o estatuto parece uma cópia de outros da constelação de partidos que forma o sistema político brasileiro.
O saudoso Leonel Brizola tinha razão quando dizia que programa partidário podia se encontrar em qualquer banca de jornal...
O Capítulo IV (direitos e deveres dos filiados) é ilustrativo do caráter absolutamente conservador da Rede (os grifos são meus):

Art. 14- Constituem DEVERES dos filiados:
I - participar das reuniões dos órgãos partidários aos quais pertença, bem como dos órgãos de Direção, com a periodicidade estabelecida pelo órgão, salvo com justificativa;
II - divulgar, defender e encaminhar o Programa e o Estatuto da REDE;
III - manter uma conduta pessoal, profissional e social de acordo e compatível com os objetivos e princípios éticos da REDE;
IV - contribuir financeiramente para o Partido, observando-se os critérios estabelecidos pelo presente Estatuto e em suas resoluções;
V - combater todas as manifestações de discriminação atentatória aos direitos e liberdades fundamentais;
VI - acatar e cumprir as decisões partidárias;
VII - participar das campanhas de filiação, de arrecadação de fundos e outras aprovadas nas instâncias da REDE;
VIII - comparecer, quando convocado, para elucidar fatos em procedimentos disciplinares;
IX - emitir voto sobre questões submetidas à consulta pelas instâncias de direção da REDE;
X - renunciar ao mandato eletivo no caso de desligamento da REDE, quando não se tratar de candidatura cívica independente.
Art. 15 - Não poderá ser votado para cargos dos órgãos partidários, ser indicado pela REDE para ocupação de cargos públicos ou se candidatar a mandatos eletivos os filiados que deixe de pagar as contribuições financeiras estabelecidas pelo presente Estatuto.
§1º - A presente suspensão perdurará até a regularização da falta apontada, ou até que o órgão diretivo que aplicar a penalidade a reconsidere, ou o órgão superior a reforme.
§2º - Resolução da Comissão Nacional estabelecerá as hipóteses adicionais de inelegibilidade aos cargos referidos no caput ou para aceitação no quadro de filiados, tais como, dentre outros, condenações por crimes de corrupção, improbidade administrativa, tráfico de drogas, dentre outros, assim como suas exceções.
Art. 16 - O cancelamento imediato da filiação partidária verificar-se-á nos casos de:
I – Morte;
II - Perda dos direitos políticos;
III – Expulsão, garantido o contraditório e a ampla defesa nos termos deste Estatuto Partidário;
IV – Por requerimento do filiado ou filiada, cabendo exclusivamente a este a comunicação ao juízo eleitoral competente.

Qualquer semelhança com o PSDB, o DEM, o PPS, o PT, o PR, ou outra sigla, não é mera coincidência.
A Rede, contrariando um de seus objetivos, que, segundo seu "manifesto" é a "diversificação da matriz energética em busca de uma matriz limpa e segura", faz, na verdade, muita fumaça para tratar de assuntos que estão, há séculos, em discussão pela sociedade - uma fumaceira que ajuda a poluir mais o ambiente político brasileiro.

http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2013/08/rede-quer-ser-o-novo-um-novo-partido.html

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

As duas caras de Marina Silva

 duas caras da Marina Silva


O O SÚBITO INTERESSE, de alguns meios de comunicação e de setores empresariais poderosos, pela candidatura da senadora Marina Silva, recomenda aos nacionalistas brasileiros alguma prudência. A militante ecológica é apresentada ao país como a menina pobre, da floresta profunda, que só se alfabetizou aos 16 anos e fez brilhante carreira política. Tudo isso é verdade, mas é preciso saber o que pensa realmente a senadora do Brasil como um todo.

Convém lembrar que a senhora Silva (que hoje se vale do sobrenome comum para atacar Dilma Rousseff) esteve associada a entidades internacionais, e recebeu o apoio declarado de personalidades norte-americanas, como Al Gore e o cineasta James Cameron.

James Cameron, autor de um filme de forte simbolismo racista e colonialista, Avatar, intrometeu-se em assuntos nacionais e participou de encontro contra a construção da represa de Belo Monte. A respeitável trajetória humana da senadora pelo Acre não é bastante para faz er dela presidente da República. Seu comportamento político , ao longo dos últimos anos, suscita natural e fundada desconfiança dos brasileiros.

Seus admiradores estrangeiros pregam abertamente a intervenção na Amazônia, “para salvar o mundo”. Não são os ocupantes do vasto território que ameaçam o mundo. São as grandes potências, com os Estados Unidos de Gore em primeiro lugar, que, ao sustentar grandes e bem equipados exércitos, pretendem governar todos os povos da Terra.

Al Gore, que festejou a candidatura verde, é o mesmo que pron unciou, com todas as sílabas, uma frase reproduzida pela imprensa: “Ao contrário do que os brasileir os pensam, a Amazônia não é só deles, mas de todos nós”. Desaforo maior é difícil. Ninguém, de bom senso , quer destruir a Natureza, e será necessário preservar a vida em todo o planeta, não só na Amazônia.

A senadora Marina Silva tem sido interlocutora ativa das ONGs internacionais, tão zelosas em defender os índios da Amazônia e desdenhosamente desinteressadas em ajudar os nativos da região de Dourados, em Mato Grosso do Sul, dizimados pela doença, corrompidos pelo álcool e, não raras vezes, assassinados por sicários. Argumente-se, em favor da senadora, que o seu fervor quase apostólico na defesa dos povos da Floresta dificulta-lhe a visão política geral.

Mas seu apego a uma só bandeira, a da ecologia radical, e o fundamentalismo religioso protestante que professa, reduz em as perspectivas de sua candidatura. Com todos os seus méritos e virtudes, não é provável que entenda o Brasil em toda a sua complexidade, em toda a sua inquietude intelectual, em toda a sua maravilhosa diversidade regional. As conveniências da campanha eleitoral já a desviaram de alguns de seus compromissos juvenis.

Esse seu pragmatismo está merecendo a atenção do ex-presidente Fernando Henrique, que pretende um segundo turno com a aliança entre Serra e Marina. Como sempre ocorre com os palpites políticos do ex-presidente, essa declaração é prejudicial a Serra e, provavelmente, também a Marina. Ela, vista por muitos como inocente útil daqueles que nos querem roubar a Amazônia, é vista pelo ex-presidente como inocente útil da candidatura dos tucanos de São Paulo .

É possível desculpar a ingenuidade na vida comum, mas jamais aceitá-la quando se trata das razões de Estado. José Serra poderia ter tido outro desempenho eleitoral, se tivesse desouvido alguns de seus aliados, como Fernando Henrique, que lhe debitou a política de privatizações, e Cesar Maia, que lhe impôs o inconveniente e troglodita Indio da Costa como vice. O apego de Marina a uma só bandeira e o fundamentalismo religioso não a ajudam.
Jornal do Brasil, via jornalisticamente falando