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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Elites negam-se a dar sua contribuição para resolver a crise econômica e social


Redação, Rede Brasil Atual


As elites brasileiras não aceitam fazer sua contribuição para resolver a situação de crise do país, criticou hoje (29) o economista, professor e escritor Marcio Pochmann em entrevista à Rádio Brasil Atual. “Os que mandam no país não aceitam pagar mais impostos”, afirmou, destacando que o esgotamento de políticas anticíclicas, como as desonerações da indústria para motivar o consumo, exige que o país adote reformas mais profundas para continuar combatendo a pobreza.

“A economia mundial continua extremamente frágil e o Brasil foi resistindo por mais tempo possível nessa tentativa das políticas anticíclicas. Só que isso acabou levando a uma incapacidade de o país continuar nesse rumo sem que fizesse reformas mais profundas, como é o caso de angariar recursos para o Estado através de uma reforma tributária que onerasse mais os ricos, os poderosos. E isso se tornou difícil e um problema político porque os que mandam no país não aceitam pagar mais impostos”, afirmou.

Pochmann também disse que o país vive “uma luta política em que o Estado tenta se reorganizar, mas há de certa maneira um bloqueio que vem dos ricos, que não aceitam fazer sua contribuição, e isso acaba sendo feito pelos mais pobres e pela parte produtiva e não financeira”, disse. Ele destacou que o setor financeiro hoje opera com taxas de juros extremamente elevadas, com ganhos "extraordinários" . "Esse é o problema político do Brasil, é como enfrentar aqueles que se protegem e que mandam no país, em um momento difícil em que a política tem ajudado muito pouco nesse enfrentamento."

Com seu perfil conservador e dominado pelos ditames do capital, o Congresso Nacional também pouco tem feito pouco para que o problema possa ser enfrentado. “O sofrimento da Nação hoje, principalmente os mais pobres, deve-se à ausência de uma maioria política que possa enxergar no país um outro caminho. Vamos lembrar, por exemplo, que o Brasil é um país em que 86% de sua população vivem nas cidades. Os problemas do país são urbanos, é o transporte, saúde, educação, no entanto, entre os eleitos em 2014, a maior bancada parlamentar é formada por ruralistas. Quer dizer, os que estão no Congresso representam interesses do campo e não das cidades. E os interesses das cidades não reverberam ou se transformam em iniciativas que possam ter encaminhamento pelo Legislativo”.

domingo, 15 de junho de 2014

Canalhice da elite bandida paulista ajudou Dilma eleitoralmente


Pra sabadear na Arena Corinthians, Itaquera, São Paulo
Rui Daher - Terra Magazine

Estava difícil de imaginar? Por acaso o evento não era programado acontecer no Estado mais conservador, mais paroquial, menos brasileiro, onde a meritocracia imigratória e o feudalismo do patronato rural se autoproclamaram locomotivas do País?

Ou já esqueceram do que vicejou politicamente por aqui? Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Paulo Maluf. Os raros intermezzos progressistas foram similares ao rinoceronte Cacareco que, nas eleições de 1959, foi o vereador mais votado.

Não foi em São Paulo que se pretendeu todo o empresariado no aeroporto, fugindo de um eventual governo que promovesse qualquer forma de inserção social?

Em 1964, a democracia não ficou a esperar o juramento do general Amaury Kruel de respeito à Constituição? Veio? 

Em que terras vocês acham que ainda marcha o cotidiano da Tradição, Família e Propriedade? O PSDB teria abandonado seus mais leves matizes de esquerda não tivesse percebido que somente à direita conquistaria o Estado e daqui o Planalto?

Como se faz nas escolinhas de futebol, em São Paulo se formam os principais craques que irão brilhar no time do ASEFC (Acordo Secular de Elites Ferrador Clube).

Algo esquizofrênico permeia a sociedade paulista. Ferrada, reclama e pede. Brindada, acha que mereceu, se vê exclusiva e cerra as portas para os que perderam o bonde.

“Eu estudei, eu trabalhei, eu formei meus filhos com muita luta, eu comprei meu carro”. Só você, certo? O Zé do Lote 14, em Nossa Senhora das Dores, no Agreste Sergipano, bobeou.

Dilma Rousseff lutou contra um Estado opressor, foi presa e torturada, passou por doença grave. Economista, ministra, foi eleita presidente na democracia e, através dela, garante ver-se diuturnamente criticada em sua gestão. Incomodar-se-ia de ser vaiada e xingada por plateia da ralé endinheirada desta província?

Dentre as autoproclamações paulistas está contar com os mais bem preparados aparelhos educacionais. O mais antigo e rápido processo de industrialização. Capitalismo financeiro em moldes potentes e modernos. 

Aqui se originou a franja mais significativa que comanda o Poder Executivo há quase 20 anos, por partidos aqui criados.

Pois, neste mesmo lugar, Arena Corinthians, Itaquera, São Paulo, essa força de grana, produção e cultura emburreceu e entregou, de mão beijada, apoio geral ao adversário que pretende destruir.

Merecem.  
Vi no, http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/06/canalhice-da-elite-bandida-paulista.html

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Quem é essa turma do vai tomar no cu ??

O Brasil é um país complexo e muito difícil de explicar, mas a sua elite não. Ela é previsível e está sempre no mesmo lugar. As elites do mundo não costumam ser muito diferentes, mas a brasileira é das piores.
Não à toa o Brasil foi o último país do planeta a acabar com a escravidão, não à toa somos um dos poucos países que só agora está vivendo um ciclo democrático de três décadas. Todos os outros nossos períodos de democracia duraram menos do que isso.
Na época da escravidão, essa elite também tinha lado
Na época da escravidão, essa elite também tinha lado
E todas as ditaduras e a escravidão longínqua que tivemos são obras da nossa elite. Que se julga o Brasil. Que se acha a dona do país. Que é altamente corrupta, mas que faz de conta que o que lhe move na política é a defesa do interesse público.
Os que xingaram Dilma na tarde de ontem de maneira patife e abjeta são os netos e bisnetos daqueles que torturam negros nas senzalas. São os filhos daqueles que apoiaram a tortura na ditadura militar. São os mesmos que há pouco fizeram de tudo para que não fosse aprovada a legislação da empregada doméstica e que nos seus almoços de domingo regados a champanhe francês e a vinho italiano sobem na mesa para gritar contra o Bolsa Família.
Essa elite que xingou Dilma daquela maneira no Itaquerão sempre envergonhou o país. E ontem só aprontou mais uma. Não foi um ponto fora da curva no processo histórico. E também não foi nada inocente.
Aécio Neves mais do que todos os outros candidatos que o PSDB já teve simboliza esse elite. É o típico bon-vivant, que nunca trabalhou na vida, que surfou até os 20 anos no Rio de Janeiro e que depois foi brincar de motocross até os 25 anos na montanhas de Minas Gerais, para só depois entrar na política e ir defender os interesses da família e de seu segmento social.
Ontem, Aécio deu uma entrevista ao Globo onde atiçava seu eleitorado a sitiar a presidenta da República. E ao mesmo tempo milhares de panfletos eram distribuídos na entrada do Itaquerão associando o PT à corrupção. Pra criar o clima do ataque à presidenta.
O mesmo Aécio que botou a polícia do Rio para invadir a casa de pessoas que ele suspeita estarem criticando-o na Internet. O mesmo Aécio que silenciou a imprensa de Minas Gerais e colocou-a de joelhos para os seus projetos pessoais.
Quem xingou Dilma não foi nem um punhado de inocentes e nem a massa ignara. Foi o pedaço do Brasil que odeia o brasileiro.
Para este pedaço do Brasil que é a cara de Aécio, tanto faz se o presidente é Dilma, Lula, José ou Maria. O que eles não aceitam e que o país não seja apenas um lugar para eles exercerem sua sanha dominadora.
E por isso que o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo, as políticas de cotas, a legislação da empregada doméstica e alguns outros programas sociais são tão abominados por essa gente. Eles querem que o povo morra de fome. Querem que o povo vá tomar naquele lugar. O xingamento não é para a presidenta. É para o Brasil que a elegeu. Porque na democracia desses patifes, o voto deles teria que valer mais do que o do sertanejo ou da mulher que luta pela sobrevivência dela e dos filhos nas periferias das grandes cidades.
Os netos e bisnetos dos escravistas e os filhos dos que apoiaram a tortura na ditadura. É esse Brasil que nos envergonha do ponto de vista histórico que nos envergonhou ontem xingando uma presidenta legítima, uma chefe de Estado que tem atuado dentro dos limites da Constituição.
Esse Brasil precisa ser derrotado mais uma vez. Porque se o projeto petista tem seus limites e poderia ser muito melhor, o desses caras é o que há de mais asqueroso. É o vai tomar no cu.
SUGADO DO: http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2014/06/13/quem-e-essa-turma-vai-tomar-cu/

domingo, 5 de dezembro de 2010

Fora, povo!



de Luis Fernando Veríssimo
Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante e inteligente que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora este tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras virtudes, a elite brasileira é mais bem vestida do que as classes inferiores, tem melhor gosto e melhor educação, é melhor companhia em acontecimentos sociais e é incomparavelmente mais saudável. E que dentes!
A pesquisa reforça uma tese que defendo há anos, segundo a qual o Brasil, para dar certo, precisa trocar de povo. Esse que está aí é de péssima qualidade. Não sei qual seria a solução. Talvez alguma forma de terceirização, substituindo-se o que existe por algo mais escandinavo. As campanhas assistencialistas que tentam melhorar a qualidade do povo atual só a pioram, pois, se por um lado não ajudam muito, pelo outro o encorajam a continuar existindo. E pior, se multiplicando. Do que adianta botar comida no prato do povo e não ensinar a correta colocação dos talheres, ou a escolha de tópicos interessantes para comentar durante a refeição? Tente levar o povo a um restaurante da moda e prepare-se para um vexame. O povo brasileiro só envergonha a sua elite.
Se não tivéssemos um povo tão inferior, nossos índices sociais e de desenvolvimento seriam outros. Estaríamos no Primeiro Mundo em vez de empatados com Botsuana. São, sabidamente, as estatísticas de subemprego, subabitação e outros maus hábitos do povo que nos fazem passar vergonha.
Que contraste com a elite. Jamais se verá alguém da elite brigando e fazendo um papelão numa fila do SUS como o povo, por exemplo. Mas o que fazer? Elegância e discrição não se ensina. Classe você tem ou não tem. Mas o contraste é chocante, mesmo assim. Esse povo, decididamente, não serve.
Se ao menos as bolsas-família fossem Vuitton…