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sábado, 25 de julho de 2015

A Globo é o principal agente da imbecilização da sociedade'


"A Rede Globo é o aparelho ideológico mais eficiente que as classes dominantes já construíram no Brasil desde o início do século XX.

Igor Fuser, Diário Liberdade (via Revista Fórum) 

 A Globo esteve ao lado de todos os governos de direita, desde o regime militar – no qual se transformou no gigante que é hoje – até Fernando Henrique Cardoso. Serviu caninamente à ditadura, demonizando as forças de esquerda e endossando o discurso ufanista do tipo “Brasil Ame-o ou Deixe-o” e as versões sabidamente falsas sobre a morte de combatentes da resistência assassinados na tortura e apresentados como caídos em tiroteios. Mais tarde, após o fim da ditadura, alinhou-se no apoio à implantação do neoliberalismo, apresentado como a única forma possível de organizar a economia e a sociedade.

No plano cultural, é impossível medir o imenso prejuízo causado pela Rede Globo, que opera como o principal agente da imbecilização da sociedade brasileira. Começando pelas novelas, seguindo pelos reality shows, pelos programas de auditório, o papel da Globo é sempre o de anestesiar as consciências, bloquear qualquer tipo de reflexão crítica.

A Globo impôs um português brasileiro “standard”, que anula o que as culturas regionais têm de mais importante – o sotaque local, a maneira específica de falar de cada região. Pratica ativamente o racismo, ao destinar aos personagens da raça negra papéis secundários e subalternos nas novelas em que os heróis e heroínas são sempre brancos. Os personagens brancos são os únicos que têm personalidade própria, psicologia complexa, os únicos capazes de despertar empatia dos telespectadores, enquanto os negros se limitam a funções de apoio. Aliás, são os únicos que aparecem em cena trabalhando, em qualquer novela, os únicos que se dedicam a labores manuais.

A postura racista da Globo não poupa nem sequer as crianças, induzidas, há várias gerações, a valorizar a pele branca e os cabelos loiros como o padrão superior de beleza, a partir de programas como o da Xuxa.

O jornalismo da Globo contraria os padrões básicos da ética, ao negar o direito ao contraditório. Só a versão ou ponto de vista do interesse da empresa é que é veiculado. Ocorre nos programas jornalísticos da Globo a manipulação constante dos fatos. As greves, por exemplo, são apresentadas sempre do ponto de vista dos patrões, ou seja, como transtorno ou bagunça, sem que os trabalhadores tenham direito à voz. Os movimentos sociais são caluniados e a violência policial raramente aparece. Ao contrário, procura-se sempre disseminar na sociedade um clima de medo, com uma abordagem exagerada e sensacionalista das questões de segurança pública, a fim de favorecer as falsas soluções de caráter violento e os atores políticos que as defendem.

No plano da política, a Rede Globo tem adotado perante os governos petistas uma conduta de sabotagem permanente, omitindo todos os fatos que possam apresentar uma visão positiva da administração federal, ao mesmo tempo em que as notícias de corrupção são apresentadas, muitas vezes sem a sustentação em provas e evidências, de forma escandalosa, em uma postura de constante denuncismo.

A Globo pratica o monopólio dos meios de comunicação, ao controlar simultaneamente as principais emissoras de TV e rádio em todos os Estados brasileiros juntamente com uma rede de jornais, revistas, emissoras de TV a cabo e portais na internet.

Uma verdadeira democratização das comunicações no Brasil passa, necessariamente, pela adoção de medidas contra a Rede Globo, para que o monopólio seja desmontado e que a sua programação tenha de se submeter a critérios pautados pela ética jornalística, pelo respeito aos direitos humanos e pelo interesse público.

*Igor Fuser é jornalista e professor de Relações Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC)"

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Janio, da Folha, critica Datafolha manipulado


"Colunista Janio de Freitas, da Folha de S. Paulo, condena a manchete do último domingo do jornal, que transformou uma minoria (43%) em maioria dos brasileiros que responsabilizam a presidente Dilma Rousseff pelos escândalos da Petrobras; "As duas interpretações levam a respostas com profunda diferença, estando, porém, embaralhadas tanto nos 43% subscritos em 'muita responsabilidade' de Dilma, como nos 25% de 'um pouco' de responsabilidade. Índices que, somados de maneira discutível, fizeram a notícia de que 68% responsabilizam Dilma por corrupção", afirma; a única certeza da pesquisa, diz ele, é que o governo Dilma é, para os brasileiros, o que mais combate a corrupção

Brasil 247

O jornalista Janio de Freitas, colunista da Folha de S. Paulo, criticou duramente a manipulação do último domingo da própria Folha, que estampou uma manchete tendenciosa: a de que 68% dos brasileiros responsabilizam a presidente Dilma Rousseff pelos escândalos da Petrobras – erro denunciado, em primeiro lugar, pelo blogueiro Eduardo Guimarães (leia aqui).

Na coluna Os outros números, ele afirma que a dubiedade da pergunta sobre a responsabilidade de Dilma na Petrobras leva a interpretações diferentes. Assim como Guimarães, Janio questiona a soma dos que atribuem "muita responsabilidade" (43%) aos que atribuem pouca responsabilidade (25%) para somar uma maioria esmagadora dos que culpam Dilma pela crise. "As duas interpretações levam a respostas com profunda diferença, estando, porém, embaralhadas tanto nos 43% subscritos em "muita responsabilidade" de Dilma, como nos 25% de "um pouco" de responsabilidade. Índices que, somados de maneira discutível, fizeram a notícia de que 68% responsabilizam Dilma por corrupção", diz ele.

Ele também questiona o uso da expressão 'sobre' na pergunta. "A dubiedade da pergunta tornou possível uma quantidade indefinida dos que a interpretaram com um sentido e dos que lhe deram outro. 'Responsabilidade SOBRE o caso' pode ser a de quem, detentor de uma posição hierárquica chefe de família, dirigente de empresa, governante – deve as providências para o melhor e correto andamento do que está sob sua responsabilidade. É admissível, para não dizer certo, que muitos terão recebido a pergunta nesse sentido", afirma.

A única verdade que a pesquisa aponta, diz Janio, é outra: "46% consideram que o governo Dilma é o que mais investigou a corrupção". Os tucanos, com FHC, aparecem mal, com apenas 4% das menções. "O segundo, longe, é o de Lula, com 16%."

"O investimento agressivo que a oposição faz para responsabilizar Dilma Rousseff pela corrupção na Petrobras, como também por assuntos menos gritantes, reproduz (com menos brilho, é verdade) mais de um período caracterizado pela mesma linha de oposicionismo. O resultado a que chega também reproduz o de seus inspiradores", conclui o articulista."

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Por que as catástrofes previstas por Arnaldo Jabor nunca acontecem?


Arnaldo Jabor prevê apocalipse no Brasil em caso de reeleição de Dilma Rousseff (captura)
"Como de costume em períodos pré-eleitorais, Arnaldo Jabor previu o apocalipse no Brasil. Não foi a primeira vez e nada indica que será a última. Confira a lista das catástrofes apontadas pelo comentarista da Globo caso Dilma seja reeleita

Kiko Nogueira, DCM

Arnaldo Jabor previu o apocalipse no Brasil. Não foi a primeira vez e nada indica que será a última. O Antônio Conselheiro do Leblon fez uma lista de catástrofes se Dilma for reeleita.

Confira comigo no replay:

– Com o controle da mídia, poder-se-á por em prática “a velha frase de Stalin: ‘As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, porque deveríamos permitir que tenham ideias?’.

– Serão criados “os conselhos de consulta direta à população, disfarce de ‘sovietes’ como na Rússia de Stalin”.

– “Continuaremos a ser um ‘anão diplomático’ irrelevante, como muito acertadamente nos apelidou o Ministério do Exterior de Israel.”

– “Continuaremos a ‘defender’ o Estado Islâmico e outros terroristas do ‘terceiro mundo’, porque afinal eles são contra os Estados Unidos”.

– “O Banco Central vai virar um tamborete usado pela Dilma, como ela também já declarou: ‘Como deixar independente o BC?’”.

– A Inflação vai continuar crescendo, pois eles não ligam para a ‘inflação neoliberal’.

– “Os crimes de corrupção e até a morte de Celso Daniel serão ignorados, pois, como afirma o PT, são ‘meias-verdades e mentiras, sobre supostos crimes sem comprovação…’”.

– “E, claro, eles têm seus exércitos de eleitores: os homens e as mulheres pobres do País que não puderam estudar, que não leem jornais, que não sabem nada. Parafraseando alguém (Stalin ou Hitler?) – ‘que sorte para os ditadores (ou populistas) que os homens não pensem’”.

Vou poupar você da profecia completa, mas ela está aqui, caso interessar possa.

É um tema antigo e caro ao Jabor, o da desintegração nacional. Há algum tempo, contou o que sentiu ao assistir uma reportagem da CNN sobre o Rio de Janeiro: “A repórter americana estava à beira de um colapso nervoso com a degradação do país, alertando estrangeiros civilizados sobre o perigo de vir à Copa. Já andei por fundos sertões e não sou criança, mas parecia que estávamos na Nigéria, na área do Boko Haram, um daqueles lugares mortos que não fazem parte nem do mundo pobre. Ficou-me claro que aqui já vivemos uma “pós-miséria” incurável, africanizada.”

Jabor olha para o mar de Ipanema e chora sangue diante do futuro que se avizinha. Sua transformação em adventista do sétimo dia representa um passo adiante em sua carreira.

Dilma e Lula são o anticristo, com o número 666 tatuado no couro cabeludo (daí o laquê da presidente). Por trás desse discurso está um desejo de que o país acabe para, entre outras coisas, ele poder gritar: “Eu não avisei?”

Jabor é pago para apregoar o desfortúnio e, se agarrar algum trouxa no meio do caminho, maravilha. Está sempre empurrando seu público para o limite, testando-o para ver o nível de absurdo a que ele está disposto a se submeter.
Estamos a caminho do bolivarianismo, não há dúvida. Seu filho dependerá de sovietes para decidir em que escola vai estudar. Se ele não preferir se alistar no Estado Islâmico. Etc.

O que menos importa é se existe algum pé na realidade. Quem não acredita que marchamos para o fim do mundo é um inocente útil, um ignorante, alguém que “não lê jornais” — ou um comunista, claro.

“As bestas ficarão inteligentes, os incompetentes ficarão mais autoconfiantes na fabricação de desastres”, diz ele. A destruição da liberdade continuará acontecendo no Brasil, segundo AJ. Se não acontecer, é importante que essa ameaça paire no horizonte, próxima o suficiente para manter fresco o arsenal de paranoia de extrema-direita que alimenta malucos como Arnaldo Jabor."

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Do que têm medo a Globo e os três Marinhos?


"A postura agressiva dos apresentadores do Jornal Nacional, que atingiu seu ápice quando Patrícia Poeta colocou o dedinho no rosto da presidente Dilma Rousseff, escancara que as Organizações Globo farão o que estiver a seu alcance para impedir sua reeleição; aparentemente, os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho tratam esta eleição como uma questão de vida ou morte; entre os motivos possíveis, estão a autuação da Receita Federal, o receio de que o país avance na democratização da mídia e a percepção de que a Globo, alvo dos protestos de junho por ter apoiado a ditadura, não é mais capaz de ditar os rumos do país

Marco Damiani, Brasil 247 

Donos do maior patrimônio pessoal entre todos os empresários de mídia do mundo, como o australiano Ruppert Murdoch, do grupo Media News, ou o americano Ted Turner, da rede CNN, os três irmãos Marinho – João Roberto, Roberto Irineu e José Roberto – consideram ter mais de um bilhão de motivos para atuarem, com sua poderosa máquina editorial, contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Nota sobre nota, eles têm, juntos, uma fortuna estimada pela revista Forbes em US$ 28,9 bilhões (R$ 74,2 bilhões de reais). Porém, com mais quatro anos de Dilma no Palácio do Planalto, os três temem perder dinheiro, prestígio e influência em doses imprevisíveis. Podem ser bastante fortes.

No ano passado, a Receita Federal venceu no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) uma disputa com a Globo de R$ 713 milhões. Hoje, a conta ainda não saudada está em mais de R$ 1 bilhão. Por outro lado, a reeleição da presidente vai, necessariamente, aquecer o debate sobre a regulação do funcionamento do setor de mídia no Brasil. Pilares da base do gigantismo da Globo, como propriedades cruzadas e presença majoritária em múltiplas áreas de atuação, configuram um oligopólio que fatura, anualmente, cerca de R$ 10 bilhões. É essa espécie de fábrica de fazer dinheiro, erguida a partir do período dos militares no poder do Brasil (1964-1985) e movida pelo B.V. (o famoso bônus de veiculação), que se vê ameaçada pela presidente candidata.

Um terceiro, mas não menos importante elemento, é o público em si. Em junho do ano passado, uma parte do vandalismo em que as manifestações degeneraram foi dirigido contra a Globo. Esterco chegou a ser jogado nas paredes da sede da emissora em São Paulo. A pressão popular sobre carros adesivados da emissora passou a ser um fato cotidiano, e sempre arriscado, na vida dos profissionais da empresa.

BELIGERÂNCIA NO DNA - É natural, na defesa de seus interesses bilionários, que os Marinho usem todos os canhões ao seu dispor. A beligerância, de resto, está no DNA do grupo empresarial que eles herdaram do pai. A Globo nasceu com obsessão pelo poder. A estratégia do empresário Roberto Marinho foi, desde as primeiras transmissões, em abril de 1965, exatamente um ano depois de os militares brasileiros derrubarem o presidente João Goulart, a de servir ao regime. Não há interpretação histórica que possa superar esse fato.

A Globo, apesar de algumas linhas de autocrítica publicadas no jornal O Globo por ocasião do cinquentenário do golpe militar, no ano passado, não quer cortar suas raízes com o autoritarismo. Pelo simples motivo de que foi a antítese da democracia que estabeleceu o modelo de concentração que a beneficiou. As Organizações enxergam a democracia como o regime que necessariamente vai enfraquecer seu poder, à medida em que permite a existência e o florescimento de outras fórmulas empresariais.

O nervosismo do âncora William Bonner e a descortesia da apresentadora Patrícia Poeta, ontem, diante de Dilma, na entrevista no Jornal Nacional, revelaram apenas a ponta do iceberg de interesses escondidos pela Globo em sua propalada isenção editorial. Não está no DNA da emissora ser isenta, ao contrário. Muito menos têm havido equilíbrio por parte da emissora no noticiário da atual sucessão presidencial. Pesquisadores da Uerj já havia mostrado que o JN dedicou, entre 1º de janeiro e 31 de julho, 83 minutos de noticiário avaliado por ele como negativo para Dilma contra 3 minutos de informações apontadas como positivas.

JN PERDEU IBOPE NOS ÚLTIMOS ANOS - Para tomar-se, apenas, os investimentosdo governo federal em publicidade, o que se tem é que eles diminuíram para a Globo a partir da introdução continuada de filtros técnicos para a aplicação das verbas. Acontece que a audiência da Globo como um todo, e em horários nunca antes ameaçados, está diminuindo. Apenas o Jornal Nacional, por exemplo, perdeu mais de 20 pontos no Ibope nos últimos anos. A introdução de novos mecanismos de medição de público, de outra parte, também mostra que o poderio real das Organizações Globo é declinante, no sentido do alcance e influência sobre público.

Em 1982, a Globo tentou ditar o resultados das eleições para governador do Rio de Janeiro, no que ficou conhecido como o escândalo da pró-consult – a assessoria que contava os votos em paralelo à Justiça Eleitoral. Em 1989, como o então todo poderoso global Boni admitiu em biografia festiva, a emissora manipulou o debate presidencial entre os candidatos Lula e Collor e usou, claro, o Jornal Nacional para desequilibrar ainda mais a cena real daquele disputa. Em ambos os casos, a Globo procurou interferir na disputa em seus momentos finais.

Dia 18, com a chamada entrevista em que a presidente Dilma foi interrompida 21 vezes, em 15 minutos de conversa, pelo âncora do JN, a Globo mostrou que partiu para o ataque desde o primeiro minuto. Certamente porque sabe, com seus sofisticados instrumentos de aferição dos humores da população, que enfrenta cada vez mais dificuldade para impor a vontade de seus herdeiros ao público."

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Globo mente sobre Padilha e Labogen


Altamiro Borges, Blog do Miro 

"A mídia tucana, que está em plena campanha para derrotar Dilma Rousseff no pleito presidencial deste ano, tem outros objetivos para a batalha em curso. Ela teme, também, que as forças de esquerda cresçam nas eleições dos governos estaduais, que jogam um peso decisivo na definição da correlação de forças do país. Neste sentido, ela fará de tudo para evitar desastres no chamado “triângulo das Bermudas” – que reúne os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O caso paulista é dos mais emblemáticos. Isto explica a ferocidade midiática contra Alexandre Padilha. Nesta sexta-feira (2), o jornal O Globo voltou a vincular o petista ao laboratório Labogen, do doleiro Alberto Youssef.

Segundo a “reporcagem”, o ex-ministro da Saúde teria assinado, como testemunha, um termo de compromisso com o laboratório, atualmente acusado de ser uma empresa de fachada para a lavagem de bilhões de dólares. A matéria também garante que a assinatura ocorreu apesar das recomendações técnicas feitas contra o acordo comercial. Em entrevista no programa Roda Vida, da TV Cultura, Alexandre Padilha rechaçou todas as acusações contra ele, mas a mídia demotucana não se deu por satisfeita. Diante dos novos ataques desferidos pelo jornal O Globo, o Ministério da Saúde divulgou neste sábado uma nota oficial esclarecendo o episódio. Reproduzo abaixo a íntegra da nota:

*****

O Ministério da Saúde esclarece que não firmou contrato com o laboratório Labogen, nem realizou pagamentos no âmbito da PDP firmada com o laboratório da Marinha, a Labogen e a EMS, cujo termo de intenções foi assinado no fim do ano passado. O Ministério informa, ainda, que a PDP está suspensa e os documentos da parceria foram entregues à Justiça e à Polícia Federal.

O Ministério da Saúde informa que a PDP é exclusiva para a aquisição de medicamentos para hipertensão arterial pulmonar. É importante destacar que em todas as PDPs firmadas pelo Ministério os produtores se comprometem a atender a dosagem solicitada pelo Ministério da Saúde.

No caso desta PDP, o foco é para o medicamento de 20mg, que é a dosagem de maior limitação no mercado para o tratamento desta doença. Mas a PDP também previa o medicamento na apresentação de 50 mg, de uso residual, assim sua aquisição foi prevista em escala complementar.

Os laboratórios normalmente utilizam o preço tabelado pela CMED, (órgão que fixa os preços máximos dos medicamentos no mercado) no início das negociações. Nesta PDP, o Ministério da Saúde já havia negociado uma redução de 74% em relação à oferta inicial do laboratório. Isso, ao longo dos cinco anos da PDP, representaria economia de R$ 29 milhões em relação ao valor pago atualmente pelo SUS. Com isso, se atingiria o objetivo da política de transferir tecnologia com economia de recursos.

Além disso, conforme dispositivo das PDPs, uma vez concretizado o convênio, em 2015 o Ministério da Saúde poderia reduzir ainda mais o valor, caso houvesse redução do valor no mercado.

A Labogen só entraria com o fornecimento de matéria-prima em 2016. Mas o processo de autorização na vigilância local já estava em andamento e o laboratório teria até o primeiro trimestre deste ano para estar apta a fornecer em 2016 para o laboratório público da Marinha. Caso não obtivesse a autorização ou não atendesse os requisitos, a PDP permite a troca do fornecedor da matéria-prima.

Como a empresa já tem as demais apresentações, ela já está apta para se adequar à apresentação de 20mg, que é de uso para o tratamento da hipertensão arterial pulmonar.

A adequação já estava prevista para o primeiro ano da parceria, portanto, para este ano. Cabe destacar que o registro desde o início seria do laboratório público da Marinha, com local de fabricação inicial na EMS, passando a ser produzido nas instalações do laboratório da Marinha a partir do 3º ano da parceria, em 2016.
 

*****

A nota de esclarecimento do Ministério da Saúde, porém, não deverá conter a onda de histeria contra o candidato petista. Nem sequer a recente declaração do deputado licenciado André Vargas, que negou que o ex-ministro tenha indicado um ex-assessor para dirigir o Labogen – conforme alardeou a mídia durante vários dias –, mereceu qualquer destaque nos jornalões e nas emissoras de televisão. O que está em curso no país é uma guerra e, como já foi dito, na guerra a verdade é a principal vítima. A mídia fará de tudo para evitar uma quarta vitória das forças progressistas na disputa presidencial e, de quebra, para impedir qualquer desastre no chamado “triângulo das Bermudas”.  

Alexandre Padilha que se cuide. Ele apanhará muito daqui até outubro. Os almoços e jantares promovidos para apaziguar os barões da mídia de nada serviram! Para os que ainda se iludem com a “neutralidade” da imprensa, esta campanha eleitoral será muito instrutiva... e dolorida!"

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Porque tudo isso é política


"A mídia nativa, por exemplo, não pode deixar de ser porta-voz da casa-grande

Mino CartaCartaCapital

Silvio Berlusconi dispensa apresentações e a respeito da lamentável figura direi apenas que começa para ele a prestação de serviço a doentes de Alzheimer. Trata-se de cumprir a pena cominada com sentença definitiva no processo por fraude fiscal. Outras condenações virão inexoravelmente, e bem mais pesadas, inclusive por compra de votos para derrubar o governo de Romano Prodi em 2008.

Pensei em Fernando Henrique Cardoso, comprador de votos durante seu primeiro mandato presidencial para conseguir a alteração constitucional destinada a permitir sua reeleição. Foi operação conduzida praticamente às claras, a contar inclusive com o testemunho de parlamentares envolvidos. A Justiça brasileira encarou os fatos com aquela olímpica impassibilidade recomendada quando lhe cabe zelar pelos interesses da casa-grande.

E que dizer do clangoroso silêncio que cercou a maior roubalheira-bandalheira da história do País, a fantasmagórica operação das privatizações da comunicação, embora não faltassem provas abundantes da tramoia tecida entre o Ministério das Comunicações, o BNDES e o banco Opportunity. Lá pelas tantas, surgiu a chance do recurso ao príncipe do jogo, FHC, alcunhado “bomba atômica”, conforme os grampos que tive o desprazer de ouvir à época.

 O interesse, no caso, era aquele de um grupelho de graúdos moradores da casa-grande, e para eles o desfecho do enredo não poderia ter sido melhor.
A Justiça brasileira não é vendada porque não se importa com quem está à sua frente e sim com o crime cometido. Ela desvenda-se a toda hora e faz triagem prévia dos crimes, a fim de excluir quantos põem em risco o privilégio.

 Está além do óbvio que esse gênero de atuação obedece a critérios e injunções políticas. Presta-se à disputa do poder a favor da minoria. Quando o ex-presidente Lula diz que o chamado “mensalão” foi um processo sobretudo político, constata apenas e tão somente a verdade factual.

É do conhecimento até do mundo mineral que mensalão, com o sentido de propina periódica, não houve. Nem mesmo formação de quadrilha o Supremo logrou provar. Houve uso de caixa 2, executado talvez com inédita desfaçatez.

 Mas o recurso é conforme a tradição da política à brasileira. E por que este delito não foi punido inúmeras vezes antes que respeitasse ao PT? E por que o mensalão tucano, bastante anterior ao petista, somente agora vem à baila, de sorte a encaminhar-se alegremente para uma tertúlia final na pizzaria?

A Justiça brasileira age politicamente desde o momento em que poupa o rico da cadeia. Já escrevi neste espaço, e me agrada repetir: este é o país onde José Genoino está preso e Daniel Dantas solto. Em Nova York e em Londres o banqueiro do Opportunity foi condenado, no Brasil não. Quem haverá de ligar para isso? Não será certamente uma minoria que imagina viver em Dubai, e seus aspirantes, ainda e sempre esperançosos de compartilhar visão tão peculiar.

Volto à fala de Lula, a suscitar o repúdio irado de Joaquim Barbosa, que o próprio ex-presidente elevou à glória do STF. De Barbosa não se espera que retribua com eterna gratidão, não foi esta, porém, a única oportunidade em que ele desrespeitou a lógica e o ordenamento democrático. Nem se fale do empenho midiático na tentativa de precipitar a derrota petista em outubro próximo. Que cada qual defina sua preferência por este ou aquele candidato, por este ou aquele partido, é digno, justo e salutar. No entanto, o que acontece por aqui no desempenho do jornalismo nativo é algo único na face da Terra.

A mídia, salvo raríssimas exceções, mira no mesmo alvo, é o que clamam as manchetes sobre a fala de Lula a respeito do “mensalão” e sobre o “repúdio” de Joaquim Barbosa, ou desfraldadas em nome de uma pretensa campanha à sombra do “volta Lula”. Não se exclua que vários políticos e empresários prefiram o ex-presidente em lugar de Dilma, mas uma campanha em marcha ao rufar dos tambores é a da própria mídia. A qual, ao apostar no besteirol reinante, preocupa-se até com o tamanho da cela ocupada por José Dirceu na Papuda, e a propósito veicula uma informação inexata. Exata é a seguinte: uma delegação de cinco parlamentares visitou a prisão, dois acharam a cela maior do que a reservada aos demais condenados do “mensalão”, três a viram igualzinha. E se fosse maior?"

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A fortuna dos filhos do Marinho




Altamiro Borges, Blog do Miro

“Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, herdeiros do império das Organizações Globo, não têm o que reclamar dos governos Lula e Dilma. Eles ganharam muita grana neste período e só fazem oposição raivosa por razões políticas, de classe. Após quase dez anos de ausência na lista dos bilionários da revista Forbes, a família Marinho voltou a ocupar posição de destaque no ranking mundial. Segundo a publicação, os filhos de Roberto Marinho acumulam fortunas individuais próximas de 5 bilhões de dólares.

Quando da morte do patrono da família, em agosto de 2003, o império midiático atravessava uma situação financeira complicada, quase falimentar. A Rede Globo tinha apostado as suas fichas na falsa estabilidade do governo FHC e se endividou aos tubos, inclusive junto ao generoso BNDES. Com a retomada do crescimento econômico no governo Lula, a corporação voltou a prosperar. Ela lucrou com a forte expansão do mercado publicitário e com outros negócios milionários – como o crescimento da tevê por assinatura.

Em agosto do ano passado, a edição brasileira da Forbes já havia apontado o vertiginoso enriquecimento dos herdeiros das Organizações Globo. Segundo a publicação, a família Marinho ocupava a sexta posição entre os 15 empresários mais ricos do país – já Roberto Civita, dono do Grupo Abril e chefão da asquerosa revista Veja, aparecia em 14ª lugar. Agora, os filhos de Roberto Marinho voltam a ocupar posição de destaque no ranking mundial, apesar da grave crise que abala a mídia tradicional no mundo inteiro.

O enriquecimento dos filhos de Roberto Marinho até mereceria uma investigação. Afinal, nos últimos anos a audiência da emissora na tevê aberta tem sofrido constantes quedas. Mesmo assim, no ano passado ela teve um estranho faturamento de R$ 12 bilhões – cerca de 10% acima do ano anterior. Todas estas “vantagens” não fizeram com que os filhos de Roberto Marinho refluíssem na sua postura de principal partido da direita nativa. Para tranquilizá-los, 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Por que o embate entre Carlos Dornelles e a Globo é de grande interesse público


Paulo Nogueira, Diário do Centro do Mundo

“A sociedade tem que saber mais sobre as práticas fiscais de corporações como a Globo

Carlos Dornelles é um verbete grande no espaço de memórias do site da Globo.
Ali ficamos sabendo que Dornelles, gaúcho de Cachoeira do Sul nascido em 1954, fez muitas coisas na Globo.
Vou transcrever um trecho para conhecermos melhor Dornelles na Globo segundo a própria Globo:

Esteve à frente de importantes coberturas, tais como a do comício no Vale do Anhangabaú pela campanha das Diretas Já, em 1984. (…)

Também integrou a equipe mobilizada para a cobertura da doença e, em seguida, do falecimento do então presidente eleito Tancredo Neves. 

Em abril de 1989, Dornelles foi transferido para o escritório da TV Globo em Londres, onde começou a trabalhar como correspondente. Durante os anos em que esteve na Inglaterra, realizou importantes coberturas jornalísticas sobre a crise do leste europeu. Na então Tchecoslováquia, cobriu a chamada Revolução de Veludo, em novembro de 1989. No mesmo período, esteve no Irã, onde foi responsável pela cobertura da morte do aiatolá Khomeini, cujo enterro reuniu cerca de dez milhões de iranianos; e na Alemanha, onde acompanhou o primeiro ano-novo após a queda do Muro de Berlim.

Em outubro de 1990, recém-chegado de Londres, Carlos Dornelles foi convidado (…) para trabalhar como correspondente em Nova York. No ano seguinte, participou da equipe de cobertura da Guerra do Golfo, um dos momentos mais marcantes de sua carreira.  (…) Ainda como correspondente em Nova York, realizou a cobertura da prisão e da morte do traficante colombiano Pablo Escobar, em 1991 e 1993, e esteve diversas vezes no Peru cobrindo o governo e a queda do ex-presidente Alberto Fujimori.

Ao longo de sua carreira, também participou de importantes coberturas esportivas, como a da Copa do Mundo de 1990, na Itália; a de 1994, nos Estados Unidos, em que o Brasil conquistou o tetracampeonato; e a de 1998, na França. Fez parte, ainda, da equipe que cobriu as Olimpíadas de Seul, na Coreia do Sul, em 1988, e de Sidney, na Austrália, em 2000. 

Bem, tanta coisa não foi suficiente para que Dornelles não fosse demitido, em 2008. Dornelles, algum tempo antes, tinha manifestado publicamente seu incômodo com a forma como a Globo vinha cobrindo política.

Antes de ser mandado embora, passou pelo exílio jornalístico siberiano  do Globo Rural, encostado e visto por agricultores sem muito que fazer nos domingos pela manhã.

Tanta coisa, também, não foi suficiente para que Dornelles, a partir de um determinado momento na Globo, desfrutasse dos direitos trabalhistas nacionais.

Dornelles foi instado a se tornar, como tantos outros funcionários graduados da Globo, o chamado “PJ” – pessoa jurídica.

É uma manobra comum entre as empresas jornalísticas, com raras e caras exceções como a Abril. Usar PJs é uma gambiarra de discutível legalidade e indiscutível imoralidade.

O objetivo é simplesmente não pagar o imposto devido. A empresa simula que o funcionário presta serviços eventuais, e com isso economiza consideravelmente. Dornelles era um PJ ao deixar a Globo, embora isso não esteja em seu verbete.

Para os cofres públicos, a proliferação de PJs é uma calamidade. Falta dinheiro que poderia construir escolas, ou pontes, ou hospitais.
Para o empregado, é nocivo. Fundo de garantia, 13.o salário, férias etc simplesmente desaparecem.

É bom apenas para os acionistas.

O que leva uma empresa como a Globo a isso? Falta de dinheiro? Ora, a Globo – por causa de outro expediente de duvidosa ética, os chamados BVs, algo que mantém as agências de publicidade numa virtual dependência da empresa – fica, sozinha, com praticamente metade de toda a receita publicitária brasileira. (Os BVs — bonificações por volume — explicam em boa parte o milagre de a receita publicitária da Globo aumentar no ano em que teve a pior audiência de sua história. De Xuxa a Faustão, do Jornal Nacional ao Fantástico, o Ibope marcha soberbamente para trás.)

Isso, para resumir, significa o seguinte: a Globo teria que ser administrativamente muito inepta para não ser muito lucrativa com tanto faturamento.

Por que, então, tornar PJs funcionários como Carlos Dornelles, se não é por sobrevivência?

A melhor resposta é: por ganância, associada a um sentimento de impunidade comum em quem tem muito poder de retaliação e intimidação. E esperteza: fazendo este tipo de coisa, a empresa ganha vantagem competitiva sobre as rivais seus custos diminuem. A Abril, que não tem PJs, já foi maior que a Globo.  Hoje é algumas vezes menor.

O risco para a empresa é que, em algum momento, em geral na saída, o PJ a processe.

Foi o que Dornelles fez. Ele reivindica mais de 1 milhão de reais da Globo na Justiça.
Empresas jornalísticas deveriam ter um comportamento exemplar nas práticas administrativas, dado o seu papel fiscalizador.  Você não pode cobrar retidão de governos e políticos  se faz curvas. Isso se chama cinismo. Há que ter muita desfaçatez para dar lições de moral quando você agride o interesse público ao recolher menos imposto do que deveria.

Em vários países, as autoridades estão trazendo à luz aberrações fiscais para que a sociedade se inteire de algo que é crítico para seu bom funcionamento.

Na Inglaterra, vieram à luz os impostos pífios pagos por colossos como Google, Amazon e Starbucks com o propósito de embaraçar as empresas e forçá-la a pagar sua taxa justa.

O caso Dornelles é uma lembrança oportuna de que o governo brasileiro deveria jogar luzes – o mais eficiente desinfetante —  nas práticas fiscais de empresas como a Globo com seus PJs de araque.”

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A oposição e o terrorismo inflacionário



Renato Rabelo, Correio do Brasil 
 
“A oposição de direita no Brasil tem usado de todas as armas à sua disposição no sentido de demarcar fronteira e radicalizar contra o governo e suas ações. Para isto conta com amplos espaços na mídia.
Não era de se surpreender que a mesma oposição que governou o país e o levou ao FMI por três vezes hoje esteja na vanguarda de um movimento que acusa o governo de conivente com a escalada inflacionária. A inflação para o ano de 2012 ficou acima da meta de 4,5%, chegando a 5,8%. Ou seja, no teto da meta.


A questão é política e envolve uma tentativa de sabotagem ao projeto político da presidenta Dilma Rousseff. Do ponto de vista estratégico, é muito claro que o projeto dos governos Lula e Dilma não encontra sinal de igualdade com o projeto que elegeu FHC em 1994. Sempre bom lembrar que essa oposição toma para si o apanágio de ter acabado com a era da hiperinflação, porém esquece-se de dizer que o fim da hiperinflação deu-se da forma mais cruel e reacionária, pela via da elevação exorbitante dos juros básicos da economia, do arrocho salarial, do endividamento público e da abertura comercial indiscriminada.

Claro que a agenda atual é divergente da vitoriosa em 1994. Arrocho salarial foi substituído por ganhos salariais reais, endividamento público foi trocado por maior expansão do PIB enquanto que a era da abertura comercial está sendo substituída por mais proteção à indústria e cobrança por mais conteúdo nacional nas obras em infraestruturas e nos investimentos de grandes empresas como a Petrobras. Trata-se de diferenças de fundo que estão sendo escancaradas na mesma proporção em que o rumo definido pelo governo obtém amplo respaldo popular diante de uma oposição sem voto, mas com grande força na mídia e nas altas instâncias do poder judiciário.

Mas o terrorismo inflacionário está aí posto. O próprio COPOM, de forma unanime, decidiu pela manutenção das taxas de juros (SELIC) na casa dos 7,25%. Para o PCdoB esta decisão já mostra uma atitude defensiva diante das violentas pressões dos monopólios financeiros diante das oportunidades que a crise internacional tem dado para o desenvolvimento nacional voltado ao mercado interno e na própria expectativa de investimentos futuros por parte dos empresários. Foi justa a reação imediata de trabalhadores e empresários contra esta política adotada pelo COPOM numa hora em que os juros deveriam estar caindo mais ainda para estimular a retomada do desenvolvimento nacional.
O nível em que a batalha está chegando apenas demonstra o que para nós não é nada novo. A luta política está se acirrando, tornando-se renhida e em grande medida despolitizada. Na economia o desafio é o de manutenção dos avanços obtidos em 2012. Não será nada fácil, como o próprio COPOM sinaliza.”

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Após mentiras divulgadas, Financial Times precisará pedir desculpas ao ex-presidente Lula



O jornalista inglês publicou informações sem checar se eram ou não mentirosas. Agora terá que se retratar publicamente


“O diário conservador inglês Financial Times (FT) precisará se retratar, publicamente, em relação à matéria publicada nesta sexta-feira, sob o título Lula’s ‘loot’: not much to look at (‘O butim de Lula: não há muito o que se observar‘, em tradução livre), em que atribui ao ex-presidente brasileiro imóveis que nunca lhe pertenceram. A resposta chegou nesta terça-feira, pela equipe de comunicação do Instituto Lula.

A notícia, assinada pelo editor-chefe da Editoria de Brasil do FT, Joseph Leahy, que já publicou outras matérias negativas em relação ao país, associa o nome do antecessor da presidenta Dilma Rousseff ao escândalo do ‘mensalão’. “Lula sempre negou qualquer conhecimento sobre o esquema. Agora os pedidos de investigação estão aumentando, sob alegações de que o ex-presidente recebeu dinheiro do ‘mensalão’ para uso pessoal”, alega o redator.

FT teve acesso às informações não confirmadas sobre o ex-presidente, que vazaram na rede na semana passada, e não se deu ao trabalho de checar se a fonte era confiável. “Endereços de propriedades, números de telefones, empresasregistradas em seu nome e documentos foram divulgados no Twitter”, escreveu o jornalista que cometeu o erro. A matéria atribui, ainda, quatro imóveis, que seriam de Lula, e reproduz imagens do Google Maps das fachadas dos bens.

A propriedade “mais respeitável”, segundo a publicação, fica situada em um condomínio em São Bernardo do Campo (SP). Trata-se, na realidade, do único imóvel que realmente pertence ao ex-presidente, segundo a assessoria de imprensa do Instituto Lula. Além deste, o texto cita uma casa em um “bairro não muito salubre” de São Bernardo, outra “humilde” em Sertãozinho, interior de São Paulo, que precisa de “uma mão de tinta” e a terceira em Natal, em uma região que “você não gostaria de passear à noite, especialmente quando uma busca no YouTube mostra vídeos de homicídios e outros problemas sociais”.

FT acrescentou que a fonte à qual consultaram, sem qualquer preocupação quanto à veracidade das informações divulgadas, a despeito de incriminar o ex-presidente – que tem sido taxado de “ladrão” pela direita brasileira – confirma que, mesmo se tivesse aquele patrimônio alegado, não seria nada de mais para quem tem mais de 30 anos de vida pública.

A matéria também não avançou sobre os imóveis subvalorizados que pertenceriam ao senador Aécio Neves (PSDB) no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Embora o líder tucano tenha um apartamento no Leblon e outro em Ipanema (entre outros imóveis em BH e Nova Lima, além da Rádio Arco-Íris), Aécio declarou um patrimônio de pouco mais de R$ 600 mil em sua última prestação de contas à Justiça Eleitoral.”

sábado, 12 de janeiro de 2013

O apagão que não houve




Depois de uma semana de terrorismo, por incrível que pareça, as luzes continuam acesas no Brasil


Pode parecer incrível, mas as luzes continuam acesas no País. Na última semana, quem se deixasse levar por análises catastrofistas teria comprado geradores e armazenado óleo diesel para mais um período de escassez energética. De repente, descobre-se que tudo não passou de terrorismo puro e simples. As chances de que o Brasil enfrente, em 2013, um apagão semelhante ao de 2001 são remotíssimas.

Como acontece em todo verão, as águas de janeiro, fevereiro e março deverão encher os reservatórios das usinas hidrelétricas. No entanto, o nível baixo das represas antes da temporada de chuvas, o que nem é tão atípico assim, foi usado como argumento pelos que vendiam o caos iminente. Fosse em abril, maio ou junho, vá lá, mas no início de janeiro, parecia mais torcida do que propriamente análise técnica e objetiva.

Com as tempestades, os arautos do apagão, aos poucos, começam tirar o cavalinho da chuva. Até porque o sistema brasileiro conta hoje com uma espécie de reserva técnica para períodos de escassez. Basta acionar usinas térmicas, construídas como resposta ao apagão de 2001. Com esse seguro, a energia se torna mais cara, mas não desaparece. 

Nesta semana, após uma reunião no Palácio do Planalto com grandes empresários, como Marcelo Odebrecht e Rubens Ometto, Dilma pediu a eles que transmitissem confiança e dissipassem os rumores de um novo apagão, somando-se ao discurso de vários porta-vozes oficiais – o que foi feito por eles. Além disso, em 2013, entrará no sistema a energia de novas usinas, como Jirau, no Rio Madeira, sem falar em vários outros projetos menores, enquanto são construídas usinas como Angra 3 e Belo Monte.

Diante de tudo isso, fica claro que o sistema elétrico brasileiro é hoje bem mais sólido do que o de 2001. Há falhas, evidentemente, com projetos que custam mais do que deveriam e que atrasam diante dos entraves burocráticos e ambientais. Mas isso não significa que a oferta energética não esteja sendo planejada para suprir a expansão do consumo. De espantoso mesmo, apenas a escuridão que move análises que se deixam contaminar pela disputa política.”

“Depois de uma semana de terrorismo, por incrível que pareça, as luzes continuam acesas no Brasil"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Uma semana para não esquecer




Saul Leblon, Carta Maior / Blog das Frases

“O jornalismo praticado pelo dispositivo conservador tem cada vez mais o prazo de validade de um pote de iogurte vencido. A 'grave denúncia' da noite azeda no contato com o oxigênio da manhã.
A manchete garrafal e assertiva da hora desaba ao primeiro sopro dos fatos. Como um frango desossado da Sadia, não se sustenta sem os ganchos de uma desconcertante indiferença à realidade.

Não raro, a afronta à opinião pública balança sua indignidade por dias seguidos nas páginas e sites, como a carcaça putrefata da credibilidade conservadora.

A insistência do vetusto 'Estadão' em manter uma 'barrigada' histórica na manchete --a 'decisão' do Ministério Público de pedir a investigação de Lula'-- é o exemplo arrematado da carnificina da notícia no cepo conservador.

No futuro, quando o historiador autopsiar esse açougue onde cortes especiais redesenham o país ao gosto de interesses pantagruélicos, será possível avaliar melhor as consequências da injeção sistemática de semi-informação, meias verdades, semi-cultura, mentiras e vulgaridade no imaginário social.

Não se trata apenas de aferir votos. A cidadania plena é inseparável da consciência histórica adquirida através da razão argumentativa que politiza os fatos e materializa os valores que sustentam a convivência compartilhada.

Por ora, trata-se de resistir à matéria tóxica em sentido contrário.

Poucas tarefas terão maior importância do que essa nos dias que correm.

A capacidade de entorpecer o discernimento social é o principal trunfo político de um feixe de interesses cada vez mais dissociado dos anseios da população. Cada vez mais disfuncional em relação à agenda do desenvolvimento. Cada vez mais avesso ao aggiornamento que a democracia requer em nosso tempo.

Sites e blogs progressistas devem redobrar esforços na tarefa de oferecer um contrapeso de equilíbrio ao aluvião beligerante embutido nessa asfixia narrativa.

Não ceder ao discurso panfletário já encerra em si um contraponto.

Mas ele somente será eficaz se adquirir a abrangência capaz de romper os torniquetes da infantilização da opinião pública promovida pelo monopólio midiático.

Discutir alternativas críveis a uma crise igual ou pior que a vivida pelo capitalismo em 1929 é o que de mais importante deveria fazer um sistema de comunicação plural e democrático.

A dimensão política dos impasses em jogo, rusticamente condensados na incompatibilidade entre a supremacia financeira e as necessidades vitais da sociedade, convoca a imaginação a erguer linhas de passagem não usuais ao passo seguinte da história.

Quando as coisas atingem o ponto a que chegamos a resistência concentrada nas questões convencionais de sobrevivência da sociedade não basta.

Urge uma disposição mudancista desassombrada para redefinir o papel do Estado e da democracia na retomada do crescimento em meio à desordem neoliberal.

O conjunto requer um salto de organização e engajamento que não se materializará sem a mobilização de ideias e agendas que um jornalismo isento teria obrigação de espelhar .

Não é esse o presente imediato, tampouco o horizonte visível do Brasil.

A sofreguidão midiática dos últimos dias colecionou provas suficientes de um empenho que avança na contramão desse percurso.

Foi uma semana para não esquecer.

Um apagão midiático, uma investigação contra Lula, salvas ao 'candidato anti-intervencionista' das gerais, a concentração de vapor golpista contra o regime venezuelano e um alarmismo inflacionário improcedente compuseram o repertório da isenção informativa aspergida insistentemente nos corações e mentes da sociedade.

saldo distorce os fatos, mas informa o que vem pela frente.

O incompreensível desdém do governo em relação aos meios de comunicação progressistas --a ponto de discriminá-los no agendamento da publicidade oficial de interesse público-- assume assim contornos de um erro político de consequências desestabilizadoras.

Sempre se poderá alegar em defesa da inércia que o limite do abuso é o contrapeso implacável da realidade objetiva. Esta favoreceria o discernimento político da sociedade.

Em termos.

O economicismo que se acredita autossuficiente na disputa pela hegemonia é tão equivocado quanto o laissez-faire, que dispensa ao Estado o menosprezo de um estorvo burocrático.

No fundo, ambos entregam o destino da Nação às forças de mercado. Com as consequências conhecidas, quando o conflito de interesses atinge a polarização prenunciada nas manchetes da semana que passou.”

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mídia, corrupção e opinião pública


Venício A. de Lima, Observatório da Imprensa
“A cobertura homogênea que a grande mídia vem fazendo do julgamento da Ação Penal nº 470 – paralelo ao período de campanha eleitoral – e os resultados das eleições municipais de 2012 recolocam a questão da formação da opinião pública, da percepção que ela tem sobre a corrupção e das consequências políticas dessa percepção, em particular na decisão do voto.

Em artigo anterior, neste Observatório, (“Poder da mídia, contradições e (in)certezas“) – reproduzi resultado e comentário do Ibope sobre pesquisa comparada que registrou as “preocupações dominantes” dos brasileiros nos anos de 1989 e 2010. Diz o comentário:

“Apesar das constantes notícias sobre o assunto, o combate à corrupção também preocupa menos o brasileiro: de 20% passou a ser citada por 15% dos entrevistados.”
Perguntava, então: qual a relação da queda da preocupação do brasileiro com a corrupção e as “constantes notícias” – uma verdadeira campanha de moralidade seletiva e criminalização da política – veiculadas na grande mídia desde 2005?
Ao contrário do que o artigo possa ter sugerido, não há resposta simples para essa questão.

Pesquisas sobre corrupção
O livro Corrupção e Sistema Político no Brasil,organizado pelos professores Leonardo Avritzer e Fernando Filgueiras, do Centro de Referência do Interesse Público (CRIP) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), lançado recentemente pela editora Civilização Brasileira, é uma coletânea de análises de resultados de pesquisas nacionais – realizadas em 2006, 2008 e 2009 – que investigam o tema da corrupção em variadas dimensões.
Artigo Completo, ::AQUI::

domingo, 22 de abril de 2012

A “ética” da Veja não resiste ao Código Penal



editoral da revista Veja sobre “ética jornalística” é uma peça de um cinismo à toda prova.
Parece que o que está sendo questionado no comportamento da revista é o fato de, eventualmente, ter se valido de informações provindas de um criminoso, no caso o bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Não foi isso o que aconteceu.
Veja e Cachoeira associaram-se de forma contínua, e o fizeram porque esta associação trazia vantagens para ambos.
Desde o casoWaldomiro Diniz até a demissão do sr. Luiz Antonio Pagot do Ministério dos Transportes, foram pelo menos sete anos de associação a um processo de chantagem. E a chantagem, não importa se o chantageado é ou não inocente – e no mais das vezes não é – do que se lhe pode acusar é um crime para o qual concorrem todos os que dele participam.
O chantagista, para ter sucesso, precisa ameaçar o chantageado com o conhecimento público daquilo que este quer esconder.
Mas, ao mesmo tempo o chantagista não pode, para escapar ao crime que comete e a seus envolvimentos, fazer de público esta denúncia.
Quando a chantagem é privada, apela-se para cartas anônimas para pessoas do círculo de relações da vítima.
Quando é relativa a negócios públicos, os meios de comunicação são as ferramentas. E jornais não publicam cartas anônimas: têm de conhecer muito bem as atividades de quem denuncia e saber quais foram as relações que lhe permitiram conhecer e até ter provas do objeto da chantagem.
Veja sabia que Carlinhos Cachoeira comandava um processo de extorsão e obtenção de favores sobre governos e agentes públicos e privados.
Sabia e associou-se a ele para ser beneficiária dos segredos com os quais se praticava a chantagem. Chantagem que, aliás, sequer era mencionada nas reportagens onde veiculava as informações trazidas por Cachoeira, para não abalar a “credibilidade” do seu informante.
Veja associou-se de forma contumaz – mais, permanente –   a Cachoeira, e isso não pode ser escondido por qualquer texto pretensioso sobre “pureza jornalística”.
Porque texto algum pode ter pureza se esconde a verdade.
As gravações da Operação Monte Carlo começaram no segundo semestre de 2010. o contraventor foi preso em fevereiro de 2012. O volume de ligações entre Policarpo Júnior e Cachoeira – cerca de 200 – revela que os telefonemas, portanto, eram quase diários, ou “dia sim, dia não”.
Jamais eventuais, pontuais. Sistemáticos, íntimos, parceiros.
Veja sabia estar colaborando para um esquema de extorsão, como um receptador sabe que está dando eficácia a um esquema de roubos e assaltos.
Foi sócia nas vantagens e cúmplice no crime.
PS. Na gravação do Jornal Nacional de ontem, apenas uma dúvida, pois sabemos perfeitamente que é o “ele anotou tudo”. Mas quem será  a outra vítima  sobre a qual Cachoeira estava “plantando em cima dele igual o que eu plantei do Pagot aquela hora”? Curioso -  não é? -  que quem teve o áudio não se interessasse em dizer quem era a vítima da chantagem de Cachoeira via imprensa. Outro caso de jornalismo “seletivo”.