Mostrando postagens com marcador Acidente na bacia de campos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Acidente na bacia de campos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Chevron está na marca do pênalti





Do site de O Globo, ontem:



- As melhores práticas internacionais não foram observadas e houve falsidade de informação. Não houve informação on-line e precisa à agência, o que prejudicou o trabalho. A ANP não foi tratada de forma correta pela Chevron – afirmou Haroldo Lima, após reunião comandada pela presidente Dilma Rousseff com a presença dos ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Celso Amorim (Defesa), além de técnicos.
- A empresa atuou em completa violação ao contrato de concessão e à própria legislação brasileira – reforçou Magda Chambriard, diretora da ANP, em relação à omissão de informações ao órgão regulador.(…)
Magda Chambriard considerou “inaceitável” o fato de a empresa ter fornecido imagens editadas à agência.
-Tivemos de ir até o local para fazer as imagens e ter noção do problema real – afirmou.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também criticou a Chevron pelas informações imprecisas.
- A empresa diz que tem 16 barcos e a gente vai a campo e vê que há três ou quatro – afirma. – Para o governo brasileiro é inaceitável qualquer empresa que forneça qualquer informação que não condiga com a verdade – acrescentou.
Precisa mais?
Multar a Chevron é correto, mas não basta. Até porque ela vai pagar a multa com o dinheiro do nosso próprio petróleo, que sai dali direto para a exportação.
Entre janeiro e julho deste ano, o a Chevron Brasil (?) Upstream Frade Ltda. exportou US$ 802 milhões, segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. E vinha exportando cada vez mais, porque só no mês de julho deste ano  foram US$ 204 milhões, contra zero do mês de julho de 2010.

Do Blog TIJOLAÇO.COM

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Esperteza da Chevron

por Fernando Brito

Finalmente hoje, os sites dos grandes jornaispublicam o que já tinha acontecido anteontem à noite e não quiseram publicar com todas as letras.
A Reuters publicou: Chevron assume responsabilidade total por vazamento no Brasil.
O presidente da empresa no Brasil, o americano Charles Buck (foto), afirmou que “a companhia subestimou a pressão do reservatório de petróleo que atingiu com o novo poço exploratório em Frade e superestimou a solidez da formação rochosa no fundo do mar”.
Tradução: não fez a cimentação necessária entre o lado externo do tubo e o furo na rocha, que representa tempo e dinheiro.
Achou que a rocha “aguentava a pressão” que poderia vir de baixo  sem ser apoiada e vedada por cimento – tempo e dinheiro – exatamente como fez a BP no poço onde houve acidente do Golfo.
Aliás, pior, porque a BP mandou embora para casa a equipe da empresa Schlumberger, que ia fazer a verificação da pegado da vedação do cimento (CBL – Cement Bond Log ). Não foi a causa do acidente, mas foi um grave risco descoberto nas investigações. A Chevron nem o cimento pôs.
O senhor Buck encontra petróleo, não Jesus. Não teve uma crise de consciência, nem uma epifania.
Está seguindo os ensinamentos de Neném Prancha: “arrecua  os arfe pra evitar a catastre”.
Sabe que a empresa errou criminosamente e criminosamente mentiu durante dez dias para o país que a recebeu.
Sabe que, se a opinião pública entender o que fizeram, põe essa petroleira para correr daqui.
Não pelo acidente, que merece punição severa. Mas pelo seu encobrimento, que a torna inconfiável para operar em nossas águas.
Agora, a Chevron é “sincera e transparente”. Assume seus erros.
Pretende uma espécie de “confissão premiada”.
Se arrependimento matasse, a Chevron-Texaco estaria vivinha da silva, porque não tem nenhum arrependimento. Sabia da verdade todo o tempo e a escondeu.
Como fez o Nem da Rocinha, tentou escapar na surdina, no porta-malas do silêncio.
Foi pega em flagrante, porque não contava que o silêncio da imprensa é como a rocha que está sob o petróleo: quando a gente fura com persistência, a verdade explode e vaza.
A Chevron vai descobrir que o Brasil não é uma república bananeira.
by: Doladodelá

domingo, 20 de novembro de 2011

WikiLeaks: as conversas de Serra com a Chevron sobre o pré-sal






Folha de S.Paulo – Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal – 13/12/2010


Petroleiras foram contra novas regras para pré-sal


Segundo telegrama do WikiLeaks, Serra prometeu alterar regras caso vencesse


Assessor do tucano na campanha confirma que candidato era contrário à mudança do marco regulatório do petróleo


JULIANA ROCHA

DE BRASÍLIA

CATIA SEABRA

DE SÃO PAULO


As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.


É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A organização teve acesso a milhares de despachos. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado à divulgação no site do WikiLeaks.


“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.


Um dos responsáveis pelo programa de governo de Serra, o economista Geraldo Biasoto confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo passado.


“O modelo atual impõe muita responsabilidade e risco à Petrobras”, disse Biasoto, responsável pela área de energia do programa. “Havia muito ceticismo quanto à possibilidade de o pré-sal ter exploração razoável com a mudança de marcos regulatórios que foi realizada.”


Segundo Biasoto, essa era a opinião de Serra e foi exposta a empresas do setor em diferentes reuniões, sendo uma delas apenas com representantes de petroleiras estrangeiras. Ele diz que Serra não participou dessa reunião, ocorrida em julho deste ano. “Mas é possível que ele tenha participado de outras reuniões com o setor”, disse.


SENSO DE URGÊNCIA


O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro.


O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem “senso de urgência”. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: “Vocês vão e voltam”.


A executiva da Chevron relatou a conversa ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio.


A mudança que desagradou às petroleiras foi aprovada pelo governo na Câmara no começo deste mês.


Desde 1997, quando acabou o monopólio da Petrobras, a exploração de campos petrolíferos obedeceu a um modelo de concessão.


Nesse caso, a empresa vencedora da licitação ficava dona do petróleo a ser explorado -pagando royalties ao governo por isso.


Com a descoberta dos campos gigantes na camada do pré-sal, o governo mudou a proposta. Eles serão licitados por meio de partilha.


Assim, o vencedor terá de obrigatoriamente partilhar o petróleo encontrado com a União, e a Petrobras ganhou duas vantagens: será a operadora exclusiva dos campos e terá, no mínimo, 30% de participação nos consórcios com as outras empresas.


A Folha teve acesso a seis telegramas do consulado dos EUA no Rio sobre a descoberta da reserva de petróleo, obtidos pelo WikiLeaks.


Datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos EUA com as novas regras. O crescente papel da Petrobras como “operadora-chefe” também é relatado com preocupação.


O consulado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam “turbinar” a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil.


O consulado cita que o Brasil se tornará um “player” importante no mercado de energia internacional.


Em outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, a executiva da Chevron comenta que uma nova estatal deve ser criada para gerir a nova reserva porque “o PMDB precisa de uma companhia”.


Texto de 30 de junho de 2008 diz que a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA causou reação nacionalista. A frota é destinada a agir no Atlântico Sul, área de influência brasileira.

by: Coversa Afiada