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domingo, 30 de novembro de 2014

A ética do eleitor brasileiro

RAFAEL EGÍDIO LEAL E SILVA*
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Para que o leitor não se engane com relação a este texto, não trataremos a questão da ética como comumente é tratada: uma série de conselhos (de moral religiosa ou vitoriana), sobre como o sujeito deveria se comportar em determinada situação. Não consideraremos, neste contexto, a deontologia, ou seja, como o eleitor “deveria ser” no contexto democrático brasileiro. Tomaremos por ética o seu sentido mais radical, o ethos grego, que significava casa, morada. Como a casa era a unidade básica da sociedade escravocrata antiga, onde habitava a família (do latim famulus, servo ou escravo) era, portanto onde se cultivavam os “costumes”. Tomaremos o termo “ética” como uma síntese social de comportamentos, a fim de compreendermos o eleitor brasileiro e sua vivência democrática.
E claro que somos motivados pela necessidade de compreender o ódio verificado nos dois últimos pleitos, os quais, diante do resultado final, houve (e há) manifestações extremadas de aversão, segregacionistas, racistas e até mesmo grupos que pedem abertamente a implantação e intervenção do fascismo no governo brasileiro. O que chama a atenção é o fato da completa passividade do eleitor durante os mandatos, para se transformar em um ser completamente ativo conforme se aproximam os dias das eleições. O espaço de tempo entre o primeiro e o segundo turno é uma panela de pressão de ódio, que foi abundantemente destilado nos dias que se seguiram ao resultado final. Como explicar tal contradição?
guerra redes sociais
Temos então a necessidade de um olhar mais acurado sobre este fenômeno: quem são os grupos que se digladiam tão ferozmente? Observemos que são pessoas que constituem a mesma faixa de classe social: a classe média. É justamente o eleitor das classes sociais medianas e urbanas (tanto em termos de ganho, nível de escolaridade e ocupação) que se transforma no portador doodium eleitoral. Tanto as classes ricas (falamos das verdadeiramente ricas, e não a classe média que acredita ser rica) quanto as classes pobres, por terem projetos políticos mais claros e objetivos e também manobras políticas mais efetivas do que as ineficientes manifestações e mobilizações virtuais da classe média, ficam em silêncio com o resultado da eleição: para essas classes, política se faz com pressão política durante o mandato, e para atender aos seus interesses mais imediatos.
Claro que esta situação acontece também pelas opções históricas da forma e conteúdo da política. Optamos por uma democracia cujo voto é obrigatório. Optamos pelo esvaziamento político e ideológico capitaneado pelos partidos. Optamos por eleger os candidatos pela força da imagem, e não pela força das ideias. A vivência democrática brasileira, mais que tardia, é vazia de sentido e repleta de imagens e de imaginação.
0-acopa20Diante de tal panorama, onde podemos fundamentar o comportamento do eleitor brasileiro? Onde reside sua ética? Por um lado, temos a precariedade das instituições democráticas, e por outro, temos o futebol como esporte e atividade social estruturante da sociedade no século XX. O brasileiro pode não ter se acostumado à vivência política, mas está plenamente assimilado à vida futebolística. Desta forma, seu padrão de conduta não é a do cidadão, mas do torcedor: aquele que grita, chora, ri, faz barulho, briga se for necessário. Mas quando chega em casa abre uma cerveja e se afunda no sofá.
Nossa política não tem cidadãos, mas sim torcedores. O problema é que esses “torcedores” infantilmente expressam simpatias por ideologias que já provaram ser destrutivas à humanidade, o que pode corroborar a implantação de tais regimes no futuro. Um sério debate se faz necessário, e urgente. 
silva* RAFAEL EGÍDIO LEAL E SILVA é Professor de Sociologia do IFPR, Campus Umuarama; Mestre em Psicologia (UEM).
Do:  https://espacoacademico.wordpress.com/2014/11/29/a-etica-do-eleitor-brasileiro/

domingo, 22 de junho de 2014

Uma eleição barra-pesada


O PT torna oficial a candidatura da presidenta Dilma à reeleição.
Lula será o seu maior cabo eleitoral.
Falhou a tentativa da oposição de dividir o partido quando lançou o "volta, Lula", à revelia do personagem.
As últimas pesquisas sobre a eleição - se elas têm alguma validade neste momento -, mostram Dilma acomodada em torno de 40% das intenções de voto, mais que o dobro de seus dois adversários de verdade, Aécio e Campos - os outros, nanicos, entram no páreo apenas como força-tarefa da oposição, na tentativa de forçar um segundo turno.
Os petistas, porém, sabem que esta será a mais difícil eleição que vão enfrentar.
O outro lado - a turma do contra, a oligarquia brasileira, a Casa Grande que não suporta ver a Senzala se esvaziar - sabem os trabalhistas, vai fazer tudo, mas tudo, mesmo, para impedir um outro mandato de Dilma.
Nesse tudo estão incluídos, óbvio, campanhas difamatórias, falsificação de notícias, "escândalos" forjados, a atuação da Justiça Eleitoral, "protestos" de rua etc e tal.
A tropa que se formou contra o governo é poderosíssima. Conta com 99% dos empresários, 100% dos banqueiros, praticamente toda e imprensa (jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão), a totalidade do agronegócio. 
É uma força e tanto que se juntou na esperança de ver o Brasil regredir aos bons tempos em que essa tão propalada "elite" não era incomodada pelos seus serviçais - naquele tempo, cada um sabia qual era o seu lugar, não é como hoje, quando nordestinos, pretos, pardos, moradores em favelas e periferias, ingressam em universidades, viajam de avião, passam férias fora de suas habitações, invadem os shopping centers, compram roupas de grife, vão de carro próprio comer em restaurantes, abrem seus próprios negócios, trocam de emprego para ganhar mais, financiam imóveis com juros baixíssimos, ascendem social e economicamente.
Os dois principais adversários de Dilma já perderam o pudor e dizem abertamente porque estão na corrida presidencial: o discurso da moralidade administrativa é a mais manjada cortina de fumaça que existe para encobrir o desejo de manter os privilégios de classe, de exterminar qualquer tentativa de construir um país menos injusto.
As recentes manifestações de endinheirados, babando de ódio contra Dilma, Lula e companhia, devem ser entendidas como nada mais, nada menos que a revelação da alma dessas pessoas, às quais faltam valores fundamentais de quem se considera um ser humano.
No, http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/06/uma-eleicao-barra-pesada.html#more

segunda-feira, 4 de março de 2013

Desempenho do PIB não interfere no ânimo do eleitorado



O fraco crescimento do PIB de 2012 vem se mostrando objeto de esperança dos grupos políticos, econômicos e midiáticos de oposição ao projeto político que governa o Brasil desde 2003. Mais uma vez.
Em alguma medida, no entanto, fazer essa aposta outra vez chega a espantar. Afinal, não faz muito tempo que foi feita e perdida por quem fez.
Em 2009, às portas do ano eleitoral de 2010, o discurso tucano-midiático era exatamente o mesmo que o de hoje, só que a situação era muito mais grave. 2008 terminara sob a égide da eclosão da crise econômica das hipotecas norte-americanas que, dali em diante, contaminaria o mundo.
O desemprego aumentou consideravelmente entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. A produção e as vendas no comércio praticamente ficaram paralisadas, até que o governo começasse a liderar a reação da economia brasileira investindo pesado.
O ano que precedeu a eleição presidencial de 2010, sob o aspecto do PIB, foi um presente para a oposição. Afinal, em 2009 o Brasil não teve “pibinho”, teve recessão. Isso mesmo, o tamanho da economia brasileira reduziu-se em 0,2% e o nível de emprego, ao fim daquele ano, apenas retornou ao que estava ao fim de 2008, quando a crise internacional explodiu.
Contudo, a partir do segundo semestre de 2009 já se começava a sentir uma reação da economia como a que já se faz sentir agora e que, ao longo do ano eleitoral de 2010, chegaria a experimentar crescimento próximo ao nível chinês, com aumento do PIB de 7,5%.
Diante dos resultados ruins do último trimestre de 2008 e do primeiro semestre de 2009, mídia e oposição duvidaram de que fosse possível uma reação e já davam como favas contadas a derrota do “poste” Dilma – outros viriam – não apenas pelo nível de emprego que sofrera a primeira redução em anos, mas por a candidata à sucessão de Lula nunca ter disputado uma eleição na vida.
O fim dessa história todos conhecemos. Mas o que há para resgatar é a velha discurseira tucano-midiática que se abate sobre o país toda vez que o resultado do PIB não é brilhante, mesmo que indicadores sociais revelem que mais ou menos crescimento não é fator determinante das condições de vida da maioria.
Se tomarmos como exemplo um editorial da mídia oposicionista de março de 2009, encontraremos uma argumentação igualzinha à que tem sido vista nesses veículos nos últimos tempos.
Abaixo, editorial da Folha de São Paulo de 11 de março de 2009.
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FOLHA DE SÃO PAULO
11 de março de 2009
Editorial
Queda vertiginosa
Recuo no PIB reafirma necessidade de ações anticrise, mas arsenal é limitado pelo pendor à gastança dos governos
A HISTÓRIA , mais à frente, irá decerto atenuar a sensação de que uma nova era da economia global se impôs, num chofre, entre setembro e outubro, subvertendo o que prevalecia até o instante imediatamente anterior. Mas é essa a impressão que resta depois da divulgação de estatísticas como a do PIB brasileiro.
A produção de bens e serviços no país crescia num ritmo anualizado de 7% até setembro; entrou em mergulho radical nos três meses seguintes, quando a taxa, se anualizada, resultaria em -13,6%. Não há cenário, previsão, estimativa ou modelo econométrico que parem de pé diante de inversão dessa magnitude. A incerteza sobre o comportamento da atividade econômica, em especial para este ano e o próximo, atingiu proporções ofuscantes.
Os números do IBGE confirmam que veio da indústria o principal vetor de retração no último trimestre de 2008. O volume da produção fabril decresceu 7,4% em relação ao período imediatamente anterior. As decisões de frear fortemente as linhas de montagem foram concomitantes a outras, destinadas a cortar, também brutalmente, as despesas com aquisição de máquinas, equipamentos e construção civil.
Esta classe de gastos, os investimentos produtivos, se expandia numa velocidade “chinesa”: suficiente para duplicar o volume de dispêndios em expansão da capacidade produtiva a cada nove anos. Passou-se no quarto semestre, sem direito a fase intermediária, a uma realidade que lembra a Grande Depressão -os investimentos diminuíram ao ritmo, anualizado, de 33%.
Não se pode, obviamente, tomar a pior fase da crise, até aqui, pelo todo. Dados preliminares acerca dos primeiros dois meses de 2009 mostram que aqueles índices de vertiginosa retração não se repetiram. Em alguns setores, caso da indústria automobilística, há sinais de incipiente recuperação. Nada, contudo, que já possa assegurar crescimento positivo do PIB neste ano.
Tampouco é recomendável desprezar a notável prosperidade verificada entre 2004 e 2008. Na esteira da bonança global, a economia brasileira mais que dobrou seu ritmo de expansão em relação às duas décadas anteriores. Com saldos comerciais expressivos e entrada maciça de capitais, o Brasil pôde, mediante prudente acumulação de poupança em dólares, aumentar a proteção contra crises externas.
Infelizmente, essa linha de prudência não abrangeu os gastos de custeio dos governos -federal, estaduais e municipais-, que dispararam no período. Se o poder público tivesse controlado seu pendor natural à gastança, teria agora um arsenal menos limitado para combater os efeitos deletérios da derrocada global.
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As semelhanças com o presente não são mera coincidência. Era ano pré-eleitoral como este e vínhamos de um fim melancólico do ano anterior, em termos de crescimento e emprego. A única diferença é a de que em março de 2009 as expectativas pareciam menos promissoras do que as de março de 2013.
Todavia, como já havia expectativa de retomada o discurso era exatamente o mesmo de hoje, de relativizar os sinais de aquecimento na economia dizendo, de uma forma ou de outra, que o modelo econômico em curso – baseado no consumo de massas – estaria “esgotado”.
Chega a ser risível dizer que o consumo de massas possa estar perto do patamar de estabilização em um país em que tanta gente ainda não consome mais do que o básico do básico. Mas, enfim, é nisso que a direita midiática acredita – ou quer acreditar.
Enfim, a aposta no ritmo mais fraco da economia se mostra fadada a novo fiasco por duas razões.
Primeira razão: o país deve retomar o crescimento em 2013 e não no ano eleitoral de 2014, enquanto que no penúltimo ano pré-eleitoral não houve retomada e houve até recessão, o que permitiu à oposição brandir a retração de 0,2% de 2009 na campanha de 2010.
Segunda razão: assim como o discurso sobre 2009 não empanou a sensação de bem-estar da população em 2010, em 2014 o “pibinho” de 2012 será história e o de 2013 deve ser no mínimo saudável, segundo já reconhecem mesmo os analistas da oposição.
Por fim, resta dizer que mesmo que a eleição fosse neste ano, com “pibinho” em 2012 e crescimento apenas médio em 2013, dificilmente isso iria interferir na visão que o brasileiro vem mantendo de que o governo impede que a crise chegue a si.
Trecho do Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) A Década Inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Política de Renda permite entender melhor a questão.
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Numa sociedade de 10 pessoas, se 1 tem renda 10 e os 9 restantes tem renda 0; ou no extremo oposto, se 10 tem a renda igual a 1; o PIB é o mesmo. O PIB é uma medida de bem-estar social que por construção não se importa com as diferenças entre pessoas, apenas com a soma das riquezas produzidas”.
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Ora, o mesmo estudo mostra que a distribuição da riqueza, seja ela alguns pontos percentuais maior ou menor, é o que importa, pois é o que as pessoas sentem.
Nesse aspecto, segundo o Ipea, durante a última década o Brasil reduziu a desigualdade, fato que não ocorria de forma contínua e não chegava a índices tão baixos desde 1960, quando a série histórica começou a ser construída.
“Este é o menor nível de desigualdade da história documentada, embora o Brasil ainda seja desigual”, enfatizou o Pesquisador do Ipea Marcelo Néri. O Índice Gini, que mede a desigualdade, chegou a 0,527 em 2011 e em 2012 chegou a 0,519 – quanto mais próximo de 0, menos desigual é um país.
Em 2001, o Índice de Gini do Brasil era de 0,61 e, em 1960, era 0,535. Durante a ditadura militar a riqueza se concentrou fortemente, a desigualdade chegou a cair um pouco no início do plano real e depois, ao fim do governo FHC, voltou a subir.
Há anos que este blog vem dizendo que não é o nível do PIB e não é, apenas, o nível de emprego que mantêm o governo bem avaliado pelo eleitorado, mas a distribuição de renda.
Há alguns dias, algumas dezenas de manifestantes foram às ruas protestar contra Lula em São Paulo. Na quase totalidade, eram pessoas favorecidas pela sorte e que não se conformam com um fenômeno que a Era Lula-Dilma inaugurou no Brasil: distribuição de renda.
No imaginário do brasileiro remediado, que hoje é maioria, há uma elite branca e preconceituosa que quer tirar o PT do poder e pôr o PSDB porque é o partido que defende os interesses dos ricos. Até aqui, essa percepção não mudou uma vírgula. E não será “pibinho” que irá operar tal milagre.
http://www.blogdacidadania.com.br/2013/03/desempenho-do-pib-nao-interfere-no-animo-do-eleitorado/

domingo, 22 de julho de 2012

Corrupção, mensalão e eleição



Existem três tipos de corruptos.


1- o flagrado, filmado, gravado, testemunhado, documentado etc, 2 – o acusado, julgado e condenado sem nenhuma prova pela imprensa – seja pra vender mais jornal, seja para derrubar presidentes, e 3 – o corrupto desconhecido que, portanto, só vai nos interessar quando for descoberto.


Os 38 réus a serem julgados a partir de 2 de agosto pelo Supremo Tribunal Federal, foram reunidos num pacote de processos batizado de “mensalão” durante o festival pirotécnico de factóides promovido pela imprensa em 2005. Quem não se lembra que durante mais de 6 meses, acusações sem provas, palpitaria novelesca e uma enxurrada de sensacionalismo barato inundaram as páginas de todos os jornais, revistas e canais de TV acusando, julgando e condenando o governo Lula de cabo a rabo? Foi uma bola de neve sem pé nem cabeça que paralisou o governo, derrubou ministros e quase conduziu o país a um desastre institucional.


Nem impeachment, nem fracasso, Lula venceu, convenceu e manteve o projeto de governo avançando nas mãos de Dilma. 7 anos depois, num Brasil mudado para melhor, surgem muitos sinais da inconsistência do formato e conteúdo daquelas acusações.


vídeo que detonou o festival de linchamentos batizado de “mensalão” em 2005, sabemos agora graças à CPI do Cachoeira, que foi produzido pelo bicheiro a pedido de Demóstenes Torres para incriminar José Dirceu, atingir o PT e dar um golpe de estado em Lula.


Hoje podemos acompanhar as sessões de uma CPI em nossos computadores. Até em nossos celulares! Qualquer um pode acessar o áudio de centenas de horas gravadas pela polícia federal envolvendo Cachoeira e Demóstenes. Gravações revelam a associação criminosa entre o bicheiro o editor da revista Veja!!! Só isso já merece uma CPI exclusiva! E que fosse corajosa, voltando no tempo até os acordos de concessão firmados entre a ditadura militar e Roberto Marinho na década de 60!


A cada dia que passa, a teoria do “mensalão” se sustenta menos. O Tribunal de Contas da União acaba de considerar regulares os contratos do Banco do Brasil com as agências de publicidade de Marcos Valério. Também ficou demonstrado que o PT fez empréstimos bancários legais para pagar dívidas de campanha. Suas e de outros partidos da base aliada. Essa decisão do TCU alivia o peso nas costas dos juízes do STF invalidando o argumento “desvio de dinheiro público” – que é um dos pilares da teoria do “mensalão”. Outro pilar – o de que havia periodicidade de pagamentos de acordo com votações a favor dos projetos do governo no congresso – nunca passou de uma fantasia. Ora, um governo eleito por uma coligação de partidos que formaram uma bancada aliada que recebeu cargos e ministérios, não precisaria pagar pelo apoio destes mesmos deputados. Não tem lógica!


Os réus do chamado “mensalão” respondem a diferentes acusações. Uns podem ser condenados ou parcialmente. Outros absolvidos ou parcialmente. Mas duvido que se prove o tal “esquema mensal”… que “desviava recursos públicos”, que era orquestrado por Lula, Genoíno ou Zé Dirceu … e que deixou algum deles rico. E é isso que interessa estabelecer de uma vez por todas.


Certamente os juízes do STF reconhecem, com seus botões, que este processo bizarro só encontra parâmetros na idade média quando bruxas ardiam em praça pública. Mais do que ao tal “mensalão e mensaleiros”, certo mesmo é que estarão julgando a si próprios. E à instituição que representam. Sucumbirá o Supremo à pressão do PiG, levando consigo nossa democracia ralo abaixo, direto ao esgoto? Pois se embarcarem no charlatanismo denuncista da grande imprensa melhor esquecermos de vez todas as conquistas pós regime militar e nos conformarmos em voltar a ser uma republiqueta de bananas, governada por uma elite estacionada na escravatura e sustentada por uma famiglia de mafiosos midiáticos.


Sabemos que o julgamento do mensalão será usado pelo PiG para defender os muros de São Paulo contra o que consideram um inimigo mortal: o PT. É somente disso que se trata. Impedir que Haddad seja eleito e, pior ainda, faça um bom governo. Impedir que o PT tome a cidadela e devolva a cidadania a 3/4 da população que o PSDB mantém enlatados em vagões de trem há duas décadas…



Segundo a última pesquisa Datafolha, 45% dos paulistanos não conhece Haddad. Dividem suas preferencias entre Serra e Russomano. É triste notar que um país continental como o nosso seja informado por essa imprensa podre e que um candidato da envergadura de Haddad – que ficou à frente de um ministério tão importante quanto o da Educação por 10 anos – não seja conhecido por 45% da população da maior cidade do Brasil. É triste admitir que Haddad depende da campanha obrigatória na TV pra se fazer ver. Um ministro que revolucionou a educação e promoveu a inserção de milhões de brasileiros pobres nas universidades.


Voltando ao tema “julgamentos”. Os inocentes do grupo dos “mensaleiros”, caso este seja o veredicto para alguns, serão justiçados, a mídia obrigada a retratar-se além de indenizá-los? É pedir muito? Você acha mesmo?


sábado, 23 de outubro de 2010

Nove dias de fúria midiática – irracionalidade e cizânia



No momento em que escrevo, ainda faltam nove dias e cerca de seis horas para encerrar o processo que determinará os rumos do Brasil pelos próximos quatro anos.
E o que é que estamos fazendo? É de um ridículo atroz o que este país está vivendo nesta campanha eleitoral à Presidência. Se às vezes não fosse engraçado, eu choraria
O Brasil tem 8 trilhões de dólares enterrados em seu litoral e fica discutindo se o que atingiu Serra foi bolinha de papel ou fita crepe.
Enquanto o país tem os dois maiores eventos do esporte mundial para acontecer dentro de alguns anos, ficamos discutindo o aborto.
Enquanto atingimos o pleno emprego, sem inflação, com indicadores sociais subindo, continuamos discutindo a vitimização de José Serra.
Uma concessão pública de rádio e tevê, que também é a maior, sai em defesa de um candidato comprando e vendendo todas as suas acusações.
A violência explode nas ruas por divergências políticas em um país que está enriquecendo, diminuindo a miséria e a pobreza como nunca.
E os que criam esse clima de caos em um país que se torna um dos mais importantes ainda criticam o que fomentam com seus jornais e TVs.
O clima de hostilidade no Brasil deixa o mundo perplexo e se perguntando se não somos nós que não estamos sabendo lidar com o sucesso.
Quem teria autoridade moral, neste mundo, para proferir palavras que nos trouxessem de volta à realidade?
A cizânia que se forma em nossa sociedade pode ser compensada pela conquista do poder a qualquer preço, senhor Serra e senhora mídia?
blog da cidadania

domingo, 3 de outubro de 2010

Solte a sua voz



Desde 2006, a maioria que escolheu quem governaria o Brasil teve que assistir calada ao discurso dos que perderam aquela eleição. Como este é um país continental, só quem tem acesso aos meios de comunicação de massa – televisão e rádio, sobretudo – pode emitir opiniões e ser ouvido por muitos, e esses grandes meios de comunicação pertencem aos que apóiam o grupo político ao qual os brasileiros negaram votos naquele ano.
Quatro anos depois, o povo volta a ter a prerrogativa de falar acima de qualquer outra voz e de ser ouvido em cada quadrante desta pátria. A voz gutural da mídia se transforma no miado de um gatinho e a do povo, no rugido de um leão. A cada quatro anos, por um único dia, o povo pode dar uma opinião que se sobrepõe à de qualquer colunista, à de qualquer âncora de telejornal, à de qualquer manchete de primeira página. E a sua palavra vira lei.
Pouco importa quantos bilhões de reais são gastos pela Globo, pela Folha, pelo Estadão ou pela Veja, entre outros, para esmagarem opiniões ou esconderem fatos dos quais não gostam. Terá sido tudo inútil se a maioria eleitoral decidir vocalizar nas urnas um fato e uma opinião que desagrade aos barões da mídia. Eles terão que ouvir quietinhos, sem ter como responder, assim como a maioria dos brasileiros foi obrigada a fazer durante todos esses anos.
Um dos muitos recados que o povo terá dado ao fim da noite deste domingo será sobre a relativização que os donos dos meios de comunicação de massa fazem sobre a decisão das maiorias eleitorais. Quantas vezes esses empresários mandaram seus comentaristas dizerem que o apoio da maioria não garantiria ao presidente Lula o direito de fazer as escolhas que fez?
Ao fim da noite deste domingo, os brasileiros dirão que não é bem assim, e nenhuma rede de rádio e tevê, nenhuma manchete de jornal ou de revista terá como contestar. A realidade se fará conhecer. E essa realidade é a de que cada um pode dizer o que quiser, mas só a maioria do eleitorado tem o poder de fazer todos cumprirem a sua vontade.
Finalmente, cada faxineiro da Globo, da Folha ou da Veja estará em pé de igualdade com os donos daqueles impérios de comunicação.Na hora de escolher a quem será entregue o poder de tomar decisões que afetarão a todos nos quatro cantos da pátria, sejam pobres ou ricos, negros ou brancos, homens ou mulheres, cultos ou incultos, o voto do Otavinho Frias vale tanto quanto o daquele que faxina o seu gabinete.
É a sua vez, eleitor. É um momento de festa para o povo, sobretudo para aquela maioria esmagadora que teve que assistir calada às mentiras e até aos insultos que meia dúzia de magnatas da comunicação fazem às maiorias que elegem ou rejeitam políticos.
Fale, escreva, cante, dance. Em algumas horas, você ajudará a escrever o imenso texto que será divulgado quando forem promulgados os resultados das urnas. Tome consciência desse poder que dinheiro nenhum pode comprar, nas democracias. Entenda a sua dimensão.
Não se preocupe com o resultado da eleição. Você ajudou como pôde a construir esse resultado da forma que melhor lhe pareceu. A cartas estão na mesa. Você que discorda do discurso que prevaleceu acima de qualquer outro, já conseguiu uma vitória avassaladora. A mídia teve que recolher a sua metralhadora de balas de prata ao ver que ela não estava sendo eficiente.
Tudo que você disser ou escrever a partir de agora será imortalizado pela votação deste domingo. Cada palavra, cada vírgula daqui até a hora em que as urnas pararem de receber votos fará parte de um momento épico que será lembrado por gerações, o momento em que a maioria dos brasileiros disse um ensurdecer não aos barões da mídia, decretando o fim do poder que detiveram por tantas décadas de fazerem prevalecer seus interesses em eleições.
Você que falou e escreveu tanto durante este ano e não foi ouvido, agora está às portas de soltar um brado ensurdecedor que fará os verborrágicos barões midiáticos se esconderem em algum canto escuro, surpresos e assustados com o encolhimento de seu poder injusto e antidemocrático. É o momento, pois, de repetir tudo o que foi dito e não foi ouvido, pois agora será. Em cem anos, os historiadores ainda estarão ouvindo a sua voz e lendo as suas palavras.
A decisão que os brasileiros tomarão neste domingo tornará o Brasil uma das maiores potências do mundo. 3 de outubro de 2010 será um dia histórico, o dia em que será sepultada a crença alucinada da elite midiática de direita de que tem maiores direitos ou que sabe mais do que o povo. Neste momento, tudo o que você disser eles terão que ouvir ou ler. E acatar. Solte a sua voz, portanto. É agora ou só daqui a quatro anos.
Eduardo Guimarães

Seu voto mudará a sua vida



Peço ao leitor que envie este texto a quem achar que precisa lê-lo. Imprima ou envie por e-mail. E sugiro que use o título acima. Contudo, se achar outro título melhor, fique à vontade. Só não deixe de dar estas informações a todo aquele que se enquadra no tipo de eleitor que o texto descreve. Mas faça isso já, porque a eleição é neste domingo.
*
Você pode nunca ter percebido, mas passou a vida reclamando de alguma coisa que tem relação com o ato de votar. E pode não ter percebido isso ainda porque, em um país como o Brasil, desde a infância recebemos estímulos a não prestar atenção na política e a vermos “os políticos” como “coisas” das quais temos que manter distância.
Estou escrevendo este texto, portanto, para convencê-lo a escolher candidatos a todos os cargos para os quais será possível votar no próximo domingo, dia 3 de outubro de 2010. E faço isso porque, quando tais cargos forem ocupados por aquele em quem a maioria vier a votar, quem ocupá-los terá como interferir nas nossas vidas – e muito.
Por exemplo:
Quando você reclama do atendimento no hospital, seja ele público ou particular, está reclamando do governo. Não necessariamente daquele governo que está no poder no momento, a depender do tempo em que um presidente, por exemplo, estiver governando.
O mau atendimento no hospital naquele momento em que você mais precisa de apoio pode ter sido ruim e te feito sofrer – ou a alguém que você ama – mais do que seria inevitável se quem o atendeu, seja médico ou enfermeira, tivesse tido condições físicas ou psicológicas de cuidar dos seus pacientes da melhor forma possível.
Você poderia ter dado condições de trabalho àquele médico ou àquela enfermeira, eleitor, se tivesse escolhido melhor o seu candidato.
E, mesmo que tenha votado em outro candidato que não aquele que não cuidou para que hospitais públicos ou particulares sejam obrigados a dar o melhor atendimento – ou que tenham meios de dar tal atendimento –, você poderia ter trabalhado para eleger o candidato que agora você confirma que sabia que ele poderia ter sido a melhor alternativa.
O patrão faz com você o que quer e você não pode reclamar? É injusto o seu salário? Você acha que é explorado? Bem, você pode ser culpado por não ter votado em políticos que não apenas disseram que iriam melhorar a vida de quem tem que trabalhar para sobreviver, mas que tinham currículos que revelavam de que lado ficaram na hora de propor ou votar leis que poderiam proteger o trabalhador.
E não se esqueça de que trabalhador não é só aquele operário, aquele peão, mas também você que trabalha em escritórios, em lojas etc. Quando você vê gente dizendo que não dá pra fazer esta ou aquela lei que propõe tornar mais fácil a sua sempre dura vida de empregado, abra o olho.
Recentemente, um telejornal apresentou uma notícia sobre proposta de acabar com direitos trabalhistas como 13º salário, férias etc. para tornar mais “barato” para os patrões contratarem seus empregados, pois assim eles contratariam mais gente. O comentarista da emissora de televisão opinava que essa proposta seria melhor para quem trabalha.
Será que essa proposta é para o seu bem mesmo, eleitor? Onde está a prova de que isso é verdade. Você aceitará só a palavra do comentarista da televisão ou do jornal? Não acha que é pouco? Que tal ouvir uma opinião diferente e comparar as duas versões? Se o jornal ou a televisão ou a rádio não derem opinião diferente, desconfie.
Depois, para escolher o seu candidato, procure saber se ele defendeu uma idéia dessas, de reduzir os benefícios que sua empresa está obrigada a lhe pagar. E se não tiver ouvido falar do assunto, dessa proposta de diminuir direitos, procure se informar. De preferência com pessoas ou meios de comunicação que defendem cada um dos candidatos a presidente,e não só neste caso de leis trabalhistas.
Se você for autônomo, se for patrão ou mesmo se não precisa trabalhar, enfim, se você tiver uma vida mais confortável, dinheiro, saúde etc., lembre-se de que quando todo mundo está em dificuldade há mais pessoas que perdem o controle ou se desesperam a ponto de pensarem em cometer um crime para ter como sobreviver com mais conforto, com menos dificuldades.
As pessoas muito pobres estão sempre muito próximas de cometerem o ato de desespero de tirar alguma coisa de que precisam daquelas pessoas que têm de sobra o que lhes falta. Em geral, é dinheiro. E, quase sempre, conforme o grau de desespero que leva alguém a cometer um crime para obter aquilo de que precisa, a violência acaba sendo o caminho.
Claro que há aqueles que cometem os crimes porque são malvados. São pessoas que já vivem com dignidade, mas querem luxo. Essas precisam de outra providência dos que governam para impedir que façam mal às pessoas roubando ou até agredindo. Para essas pessoas, a solução é uma polícia que proteja a você e a todos nós.
Neste ponto, lembre-se de que uma boa polícia não é só aquela que tem carros e armas, mas uma polícia que queira ajudá-lo, protegê-lo. E para querer fazer isso o policial tem que ser não apenas bem escolhido, mas tem que ser pago de forma que esteja estimulado a se dedicar ao seu trabalho.
Quem escolhe o governo que paga o salário do policial, por exemplo, também é você, eleitor. Quando não vota ou prega que votar não adianta, você está trabalhando para que o malvado ou o desesperado que decidam tirar dos outros, por meio da violência, aquilo que querem ou que precisam, não sejam contidos pela polícia.
Esse princípio vale para tudo. A escola pública ruim, a escola particular que você paga para si ou para os seus filhos dentro dos seus padrões de renda e que não oferece ensino como o das escolas mais caras…
Tudo que não está bem, está desse jeito devido à escolha dos candidatos que poderiam mudar essa situação, sejam candidatos a vereador, a deputado, a senador, a prefeito, a governador, a senador ou a presidente.
Mas se as coisas estão indo bem para você e para os seus, não se esqueça de que isso pode ter muita relação com o voto que você deu. Se não tivesse dado aquele voto em uma época em que as coisas estavam ruins, talvez não tivessem melhorado.
Enfim, não tome uma decisão sobre esse fato só com base no que ouve dizer. Ouça ou leia várias opiniões, de quem pensa de um jeito ou de outro. Jamais as de um só lado.
Aliás, sempre que você tiver dificuldade em ler ou ouvir quem pensa diferente, desconfie. Se o jornal ou a televisão ou o rádio ou a internet dizem sempre a mesma coisa sobre este ou sobre aquele político ou partido, procure saber o que dizem os que pensam diferente. Jornalista não é Deus.
Ninguém tem a última palavra quando o assunto é política, quando o assunto é o SEU voto, que só pertence a você. Jamais dê bola quando alguém lhe disser que não deve nem prestar atenção ao que diz um dos lados em uma disputa entre políticos por cargos como presidente, deputado, governador etc.
E não pense só em você quando for escolher seu candidato. Lembre-se de que o que você acha que pode ser melhor para você, se não for melhor para todos você também poderá vir a ter problemas, pois em um país em que há muita gente sofrendo o ambiente se torna mais propício a que as pessoas façam loucuras, cometam desatinos que podem atingir a qualquer um, por mais rico ou satisfeito em suas necessidades que possa estar.
Se não foi assim que fez no passado, saiba que muito do que lhe aconteceu de bom e de mau pode ter acontecido apesar de você não ter votado bem ou por ter votado mal. E mesmo que tenha votado com a cabeça, se o seu voto não tiver funcionado isso pode ter acontecido porque você não tentou convencer outros a votarem direito.
Só não faça uma coisa, eleitor: não deixe de escolher com a cabeça e com cuidado os seus candidatos na eleição deste ano. Faça isso em benefício do seu futuro e do futuro daqueles que você ama. E não dê ouvidos a quem prega que não adianta votar porque “todos são iguais”. Essa pessoa está prejudicando a si mesma e a todos nós.
blog da cidadania

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Haverá uma última bala de prata?



As campanhas eleitorais em todos os níveis estão a (praticamente) uma semana daquele momento único da democracia em que o povo dá o seu veredicto final sobre tudo o que foi dito pelos protagonistas da disputa política – sobre si e sobre os adversários. E, claro, do que disse a imprensa sobre esses contendores.
Apesar de ser praticamente impossível encontrar um eleitor de Dilma, de Serra, de Marina ou de algum candidato nanico – ou até de ninguém – que tenha a mínima dúvida de que a revista Veja, a Folha de São Paulo, a Globo ou até o Estado de São Paulo lançarão um último “escândalo” contra Dilma no undécimo momento da campanha eleitoral, tenho lá minhas dúvidas de que isso ocorrerá.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Como a direita se enterra



Há uma reflexão que me parece importante para se compreender por que quanto mais o discurso da direita é amplificado pela mídia, mais prejudica o candidato conservador à Presidência da República, José Serra, bem como Marina Silva, sua preposta na disputa, uma candidata de mentirinha elaborada como pretensa forma de retirar votos da única candidata progressista com chance de vitória, Dilma Rousseff.