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sexta-feira, 24 de junho de 2016

TUDO NA VIDA TEM UM FIM. PARA O BEM OU PARA O MAL.


              O muro do apartheid que israel construiu para segregar os semitas palestinos

Todos sabemos que o racismo é produto do medo.

Quem navega pela história sabe.

Os colonialistas sempre fizeram do racismo sua principal razão de ser.

Os naturais dos continentes africano, asiático e americano sentiram isso na pele.

Oceania e Europa também.

O medo gera a violência, que gera a brutalidade que desemboca na crueldade.





 O invasor está sempre preparado para agredir.

Nunca para negociar.

Israel é um exemplo clássico.

Que o digam os palestinos.

Não satisfeito em segregar os palestinos, o governo de Israel importa criminosos de todo o mundo para ocuparem o pouco que resta da Palestina Histórica.

Tripudiam de tudo e de todos graças aos meliantes que governam os Estados Unidos e de seus satélites europeus.

Mas tudo na vida tem sempre um fim.

Para o bem ou para o mal.

 E cabe aos racistas israelenses decidirem que fim querem para si.

Uma pequena aula sobre OM
( agradeço ao companheiro Wanderley Diniz o envio do vídeo abaixo)



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Assim se prepara uma nova Guerra Mundial



França, Grã-Bretanha e Alemanha, além dos EUA, ampliam intervenção no Oriente Médio; o alvo principal não é o EI, mas a Rússia


Por Joseph Kishore

Os eventos da semana passada passarão à história como divisor de águas na constituição do imperialismo no século XXI. No período de poucos dias, EUA, Grã-Bretanha e Alemanha ampliaram o respectivo envolvimento militar na Síria, depois que a França intensificou sua campanha de bombardeio no mês passado.

O pretexto para essas operações são os ataques terroristas de 13 de novembro em Paris, seguido agora pelo horrendo ataque a tiros em San Bernardino, Califórnia, na quarta-feira passada. As razões declaradas publicamente, contudo, pouco têm a ver com discussões estratégicas que estão acontecendo nos escalões superiores das forças militares e das agências de inteligência.

Por trágica que seja a matança de 130 pessoas em Paris e 14 em San Bernardino, não explicam a repentina convulsiva escalada militar das principais potências imperialistas contra o Oriente Médio. Não é difícil ver semelhanças e diferenças em relação a 1915, quando os EUA recusaram-se a entrar na Primeira Guerra Mundial, mesmo depois do afundamento do RMS Lusitania, com perda de 1.198 vidas. Naquele momento, a classe capitalista norte-americana ainda estava dividida sobre se seria aconselhável intervir na então chamada “Grande Guerra” (que só passou a ser chamada “Primeira Guerra Mundial” depois que houve a Segunda).

A força básica por trás da guerra na Síria é a mesma que motivou a formatação imperialista de todo o Oriente Médio: os interesses do capital financeiro internacional. As grandes potências imperialistas sabem que, se quiserem pôr a mão no butim, têm também de fazer sua parte da matança.

Esse movimento de guerra no Oriente Médio é altamente impopular, o que explica o frenesi para utilizar os ataques recentes na Europa, além da atmosfera de medo que a mídia-empresa cria e infla, para ativar as ações o mais rapidamente possível. Considerem-se os eventos da semana passada:

Na terça-feira, o governo Obama anunciou que enviaria novo contingente de Forças de Operações Especiais, oficialmente contra o EI (Estado Islâmico no Iraque e Levante). Em conferência de imprensa no mesmo dia, Obama repetiu que qualquer acordo na Síria terá de incluir a derrubada do presidente Assad da Síria, aliado chave da Rússia.

Na quarta-feira, o parlamento britânico aprovou apoio à ação militar na Síria, depois que o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, desimpediu qualquer caminho rumo à guerra, ao aceitar “livre votação” sobre o tema para os deputados de seu partido. Aviões britânicos decolaram imediatamente para bombardear alguns alvos na Síria já na quarta-feira à noite, com o primeiro-ministro Cameron declarando “simpatizante de terroristas” quem se opusesse à guerra.

Na sexta-feira, o parlamento alemão correu a aprovar moção para que a Alemanha também se juntasse à guerra contra a Síria, praticamente sem nem discutir a questão. A aprovação parlamentar ao envolvimento da Alemanha na guerra veio depois da decisão do governo Merkel, no início da semana, de enviar 1.200 soldados, seis jatos Tornado e um navio de guerra para a região.

E então, durante o fim de semana, a mídia-empresa nos EUA e todos os políticos doestablishment dedicaram-se a explorar o tiroteio em San Bernardino, Califórnia, para pressionar a favor da expansão da guerra no Oriente Médio. Os candidatos republicanos à presidência dispararam “declarações” beligerantes insistindo que os EUA estariam diante da “próxima guerra mundial” (governador de New Jersey, Chris Christie); que “o país precisa de presidente para tempos de guerra” (senador Ted Cruz, do Texas), e que “eles declararam guerra contra nós e nós temos de declarar guerra contra eles” (ex-governador da Flórida, Jeb Bush).

Em discurso no domingo à noite, Obama defendeu, contra os críticos republicanos, a própria política na Síria; repetiu que se opõe ao envio massivo de soldados em solo para a área de Iraque e Síria, e que é a favor de acelerar os ataques aéreos; o financiamento para grupos dentro da Síria; e o uso de tropas de países vizinhos. Elogiou os movimentos de França, Alemanha e Reino Unido, e declarou: “Desde os ataques em Paris [dia 13/11], nossos mais próximos aliados (…) aceleraram a contribuição deles à nossa campanha militar, que nos ajudará a acelerar nossos esforços para destruir o EI”.

Por mais que pressionem e pressionem a favor de mais guerra, nem Obama nem qualquer outro setor do establishment político nos EUA diz sequer uma palavra sobre as raízes reais do ISIS, que já serviu de pretexto para a “guerra ao terror” a partir do qual começou, e nunca mais se alterou, a política externa dos EUA para 15 anos.

No discurso de domingo, Obama fez uma referência oblíqua ao crescimento do EI “em pleno caos da guerra do Iraque e depois na Síria” – como se nada tivesse a ver com a própria política dos EUA. A verdade é que EUA e aliados é que ocuparam (ilegalmente) e devastaram (consequentemente) o Iraque, e na sequência criaram e ou inflaram grupos de islamistas fundamentalistas na Síria, a partir dos quais o ISIS emergiu como cabeça de ponte da guerra contra o presidente Bashar al-Assad da Síria.

Os terroristas do EI que executaram os atentados em Paris puderam viajar livremente, entrando e saindo da Síria, porque milhares de jovens como eles viajavam da Europa para a Síria, livremente, e com o apoio de autoridades, para que se unissem ao golpe e à guerra contra Assad.

Quanto ao ataque em San Bernardino, funcionários citaram a viagem dos dois atiradores à Arábia Saudita e seus contatos com indivíduos da Frente Al-Nusra, para poderem referir-se ao tiroteio como ataque terrorista. A Arábia Saudita, centro de financiamento e apoio para os grupos fundamentalistas islamistas em todo o Oriente Médio, é aliada-chave dos EUA na região, e a Frente Al-Nusra, afiliada da Al-Qaeda, é aliada de facto dos EUA na Síria.

Em vez de resposta contra os ataques recentes, as ações das potências imperialistas são a realização de planos já existentes e de ambições já conhecidas há muito tempo.

Na Grã-Bretanha, votação dessa semana reverteu a decisão de 2013, da Câmara de Comuns, segundo a qual o país não participaria de guerra planejada e liderada pelos EUA contra a Presidência da Síria. A elite governante alemã não para de “exigir” que o país participe mais ativamente do avanço militar na Síria, para afirmar a própria posição como potência dominante na Europa.

Nos EUA, antes dos ataques em San Bernardino, ouviam-se vozes insistentes do establishmentpolítico e da mídia-empresa a favor do envio de tropas de solo e da imposição de uma zona aérea de exclusão sobre a Síria.

Com os EUA à frente, as potências imperialistas já se engajaram numa guerra infinita, centrada no Oriente Médio e Ásia Central, já há um quarto de século. Mais de um milhão de pessoas já foram mortas e outros muitos milhões foram convertidos em refugiados. Depois das guerras no Afeganistão e no Iraque durante o governo Bush, Obama supervisionou a guerra na Líbia e as campanhas conduzidas pela CIA para mudança de regime na Ucrânia e na Síria. As consequências desastrosas de cada operação prepararam o terreno para que o governo Obama expandisse e intensificasse a guerra.

O que se vê hoje é uma reformatação para recolonização do mundo. Todas as velhas potências levantam-se, exigindo a parte de cada uma no neobutim. Embora hoje centrado no Oriente Médio rico em petróleo, o conflito na Síria já se vai convertendo em “guerra por procuração” contra a Rússia. Do outro lado da massa de terra eurasiana, os EUA dedicam-se a ações cada vez mais provocativas contra a China no Mar do Sul da China.

A situação geopolítica é hoje mais explosiva que em qualquer outro momento anterior, desde as vésperas da Segunda Guerra Mundial. Acossada por crise econômica e social para a qual a classe das elites governantes não têm resposta progressista a oferecer, aquela classe das sempre mesmas elites cada vez mais recorre à guerra e ao saque, como a única resposta que conhecem para quaisquer das suas dificuldades.

(*) Artigo originalmente publicado em português pelo site Outras Palavras e, em inglês, peloWorld Socialist Web Site.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Quem semeia terrorismo colhe atentados

Osvaldo Bertolino: Quem semeia terrorismo colhe atentados

Por Osvaldo Bertolino, em seu blog

A violência que choca o mundo tem duas vias: a que leva injustiças, ameaças e carnificinas e a que traz retaliações com o mesmo teor. Fazem parte do caminho por onde circulam a estupidez, a ganância e a tentativa de manter uma ordem mundial obsoleta e geradora de crises cada vez mais profundas e desumanas.

Por qualquer ângulo que se olhe para os atentados em ParisFrança, que deixaram quase cento e trinta mortos e três centenas de feridos, oitenta em estado grave, é impossível não ver um crime repugnante. Mas é preciso olhar também para o passado recente da política norte-americana para o Oriente Médio, quando o governo do presidente George W. Bush atuou como um “serial killer”, atacando e ameaçando todos os países que não se alinhavam com o seu regime. Bush, certamente, não era um mero sujeito que bebia sim e ia… hic… vivendo, enquanto muita gente estava morrendo.

Ele era isso tudo e agia como um típico líder do Partido Republicano, que não dava a menor importância às pessoas individualmente. Essa facção dominante do Estado norte-americano inclui entre seus líderes os altos chefes militares e deixou como legado a política externa agressiva que o governo do democrata Barak Obama tem mantido. Os senhores da guerra hoje são, pela natureza daquele regime, uma importante fonte de poder.

ordem militar, até a década de 1950 uma instituição débil, transformou-se no escalão mais importante e mais caro dos Estados Unidos. No governo Bush, os sorridentes homens de relações públicas praticamente saíram de cena e apareceu a face da sinistra burocracia instalada na máquina de guerra. Todos os fenômenos políticos e econômicos passaram a ser julgados à luz das interpretações militares da realidade. O “realismo militar” dos chefes militares instalados no poderoso Estado-Maior Conjunto transformou-se no guia mais inspirado do grupo dirigente do país.

Capital em grande escala

Desde os anos da Segunda Guerra Mundial, essa força ampliou seu campo de ação em assuntos relativos à política exterior e doméstica do país e atualmente pode-se dizer que a ordem militar do Estado-Maior Conjunto está solidamente instalada no Estado. Existem dois governos nos Estados Unidos: o que informa o mundo pelos jornais e as televisões, e as crianças nos livros escolares, e o que conduz a espionagem e a rede de informações, um aparato maciço que emprega centenas de milhares de pessoas secretamente e conduz a política externa do país.

Esse governo invisível emergiu das imposições dos Estados Unidos no pós-Segunda Guerra Mundial. Os demais países centrais, exaustos pela guerra, foram obrigados a aceitar essa ordem em troca de ajuda para a sua reconstrução. Assim, os Estados Unidos deixaram de ser apenas mais um agregado no conjunto de países que lutavam por pedaços do mundo e passaram a ocupar o pico de uma pirâmide solidamente dirigida por eles. As regras desse jogo foram definidas num momento privilegiado para o grande país americano.

Nenhum representante do chamado Terceiro Mundo participou desses tratados. A Europa, destruída por duas grandes guerras num curto espaço de tempo, não estava em condições de se opor à grande capacidade de produção norte-americana proporcionada pela Segunda Revolução Industrial – que dotou o país de uma poderosa e inovadora indústria. Na Ásia, o Japão, destroçado pela guerra, foi ocupado pelos Estados Unidos, que ditaram o rumo da sua reconstrução.

Esse processo do pós-Segunda Guerra Mundial que desencadeou a dominação norte-americana no chamado mundo ocidental, portanto, levou o capitalismo a uma transformação profunda. No final dos anos 1940, somente os Estados Unidos estavam em condições de exportar capital em grande escala. E o país usou essa condição privilegiada para manter sob o seu controle as rédeas num mundo que buscava alternativas ao seu modelo político e econômico.

Pratos da balança da Guerra Fria

Na Europa, o projeto social-democrata procurou adaptar a economia planejada à tradição comercial liberal do velho continente. No Japão, o Estado se reforçava para desempenhar um papel de destaque no planejamento econômico. E cerca de um terço da população mundial rompeu com esses paradigmas e se juntou à União Soviéticapara reforçar o sistema de economia totalmente planificada.

Desde então, os Estados Unidos intervieram em vários países e promoveram uma feroz cruzada anticomunista. A derrota da experiência socialista, depois de ela surgir triunfante e ter parecido realmente capaz de superar o capitalismo — especialmente nos dois pós-guerras —, fez com que o domínio norte-americano da pirâmide mundial passasse a ser ainda mais ditatorial.

Com a derrocada de um dos pratos da balança da Guerra Fria, a oposição aos ditames de Washington praticamente desapareceu. Hoje, os países que se contrapõem a essa ofensiva ainda são frágeis internacionalmente. E a consciência anti-imperialista das massas é algo que, embora veloz e ampla, ainda está se formando. Ela parece mais viçosa nos países do Oriente Médio. Uma das explicações para esse fenômeno talvez seja o histórico de lutas dos povos árabes contra as invasões ocidentais do século XX.

Prioridade da política exterior de Washington

O Oriente Médio sempre despertou o interesse dos impérios por ser uma rica fonte de matéria-prima e estar no entroncamento de três continentes. Já no pós-Primeira Guerra Mundial, os trustes norte-americanos se empenharam em conseguir ali concessões petroleiras, apesar da resoluta oposição da Inglaterra e da França – países que controlavam a região.

Em 1940, as petroleiras inglesas controlavam 72% de todas as reservas de petróleo exploradas, enquanto as empresas norte-americanas controlavam 9,8%. No pós-Segunda Guerra Mundial, a região passou a ser um dos principais pontos de prioridade da política exterior de Washington. Por estar nas proximidades da Rússia e da China, o Oriente Médio também sempre mereceu atenção dos Estados Unidos quanto à influência de ideias que poderiam se traduzir em ações concretas de anti-imperialismo.

Logo após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos iniciaram uma série de “tratados” e “pactos” envolvendo Inglaterra, França e alguns países da região – com o intuito de jogá-los uns contra os outros. No centro da estratégia imperialista estava oEstado de Israel, que desde a sua criação agiu como força de choque da política imperialista no Oriente Médio.

Reserva de ódio, medo e desesperança

Segundo dados do Instituto Internacional de Estocolmo de Estudos para a Paz, nos cinco anos transcorridos depois da guerra de outubro de 1973 entre Israel e seus vizinhos árabes os países pró-Estados Unidos do Oriente Médio receberam 70% de todas as armas norte-americanas exportadas para os países do chamado Terceiro Mundo. Em 1979, o Irã fez a revolução que derrocou o regime dos Estados Unidos no país e desencadeou mais uma onda de ações anti-imperialistas na região.

No mesmo ano, o conflito no Afeganistão, ocupado por forças militares soviéticas, marcou mais uma etapa da presença dos Estados Unidos no Oriente Médio – que armaram grupos fundamentalistas para combater os invasores. Mais tarde, esses grupos angariaram para si o resultado de toda uma reserva de ódio, medo e desesperança e levaram a efeito o ataque terrorista do dia 11 de setembro de 2001.

E rezaram por uma reação violenta por parte dos Estados Unidos, que terminará mobilizando outros em torno de sua causa. E assim o mundo entrou num círculo vicioso — um efeito gerando outro e mergulhando os povos na hedionda “guerra infinita” de Bush. Os terroristas fundamentalistas compartilham de um ódio que é sentido em todo o Oriente Médio pela presença norte-americana em países da região, pelo apoio dos Estados Unidos às atrocidades cometidas por Israel contra o povo palestino e pela devastação da sociedade civil no Iraque e no Afeganistão.

Encrenqueiro vizinho do norte

carnificina de Bush e seus aliados no Iraque, portanto, chocou porque, primeiro, ela foi cruenta e, depois, porque criou assustadoras perspectivas. Foi, a rigor, uma guerra contra os povos — uma vez que não há, no curto prazo, nenhum outro motivo para tamanha insanidade. As velhas senhoras do continente europeu — em particular aInglaterra — parecem não estar dispostas a perder o sono em decorrência desse conflito.

A oposição à guerra por parte da França, Alemanha e Rússia foi importante, mas não há indícios de que esses países estão a fim de usar seu poderio — inclusive bélico, uma das garantias de suas posições no cenário global —, em favor de uma ordem mundial mais equilibrada e de paz, apesar da salutar presença russa na Síria. Outra coisa não faz a política de grupos como a Otan e a OMC. A pirâmide de poder dessas potências funciona pela regra da força bruta, pela qual chora menos quem pode mais.

Nosso incômodo e encrenqueiro vizinho do norte também sempre ameaçou a América latina. A própria constituição dos Estados Unidos como nação encerra uma contradição entre o que foi proclamado dia 4 de julho de 1776, quando o povo norte-americano aprovou a Declaração de Independência, e a política exterior da jovem pátria. As premissas do expansionismo continental norte-americano foram criadas com as guerras contra a população indígena e as reivindicações dos latifundiários do sul do país de ampliar o território avançando pelas fronteiras de seus vizinhos.

Doutrina do direito natural

William Foster, estudioso da história política do continente americano, diz que o próprio nome do país — Estados Unidos da América — expressa suas pretensões panamericanas. Já no começo do século XIX, a contradição entre os princípios humanitários e democráticos proclamados pela Declaração de Independência e a política exterior do jovem Estado levou à renúncia das suas tradições libertárias. A doutrina do direito natural de todos os povos decidirem seu próprio destino — um dos fundamentos da Declaração de Independência — passou a ser interpretada de modo a justificar como “natural” o expansionismo norte-americano. Para os dirigentes dos Estados Unidos, essa doutrina dava ao país o direito de encarar o continente como sua área de influência direta.

Com esse argumento, a princípio os presidentes Thomas Jefferson e John Adams“compraram” a Luisiana — que pertencia à França — e ocuparam a Flórida — que pertencia à Espanha. Depois, no dia 2 de dezembro de 1823, com a mensagem do presidente James Monroe ao Congresso foi proclamada a famosa “Doutrina Monroe” — que expressa sem ambiguidades as pretensões norte-americanas à hegemonia em todo o hemisfério ocidental.

Em Deus nós confiamos

Desde então, a propaganda imperialista invocou esses princípios para justificar as ações políticas e militares extraterritoriais dos Estados Unidos. Para os meios de comunicação fortemente vinculados ao poder econômico, os norte-americanos têm o dever natural e sagrado de levar as suas tradições liberais e “democráticas” aos povos “incultos” do resto do mundo.

Por mais simplista e racista que esse pensamento possa parecer, ele é abertamente proclamado no país desde a instauração do chamado “Destino Manifesto” — uma “teoria” que surgiu e se difundiu nos Estados Unidos na metade do século XIX, segundo a qual os norte-americanos nasceram para ser o melhor povo do mundo. É muito forte a influência da religião nessa “teoria”, um destino que teria sido profetizado pela“providência divina”.

O Estado norte-americano leva ao pé da letra a frase “In God we trust (Em Deus nós confiamos)” impressa em cada nota do dólar. Na Casa Branca de Bush, por exemplo, as reuniões ministeriais começavam com uma oração e frases bíblicas sempre apareciam em seus discursos. Em sua gestão, Bush propôs a canalização de recursos sociais para entidades religiosas, a autorização de preces e sermões em escolas públicas, o subsídio a faculdades geridas por grupos religiosos e o financiamento do trabalho de entidades religiosas em presídios.

Aparato de propaganda norte-americano

Essa grande ofensiva jamais feita, apesar da tradição religiosa do país, contraria a separação entre igreja e Estado, um dos princípios basilares consagrado na Primeira Emenda à Constituição. Mas os presidentes norte-americanos certamente não são reféns da fé e pode-se dizer que a rigor eles tomam o nome de Deus em vão. Por trás de sua política estão os interesses de uma parcela significativa da economia que lidera o mundo. Essa simbiose é histórica.

A ideologia do “Destino Manifesto” age como um poderoso elemento mobilizador da energia do país para a conquista de novos territórios. Ao longo da história, ela foi um verdadeiro elixir do expansionismo e do intervencionismo norte-americano. No século XX — particularmente na sua segunda metade — essa ideia, traduzida emanticomunismo sem escrúpulo, permeou a propaganda norte-americana. E isso explica a visão dominante no país de que o restante do planeta — sobretudo o chamado Terceiro Mundo — é cultura e economicamente subdesenvolvido.

Essa propaganda ganhou, evidentemente, novos contornos desde a queda do muro de Berlim. Mas sua essência permanece a mesma e se constitui, basicamente, em levar a “democracia” aos países que recusam a cartilha de Washington e em “ensinar” os “segredos” da boa gestão econômica. O aparato de propaganda norte-americano, por exemplo, contra todas as evidências diz que sua força militar e diplomática atua no mundo em missão modernizadora e libertária. Mesmo quando os fatos insistem em desmenti-lo, nas entrelinhas essa ideia é largamente difundida.

Propaganda sub-reptícia

As duas principais revistas brasileiras — a “Veja” e a “Época” —, por exemplo, publicaram, simultaneamente, uma entrevista e um artigo com “especialistas” norte-americanos proclamando as “boas intenções” dos Estados Unidos em sua cruzada imperialista. Na primeira, o “guru” do ex-vice-presidente norte-americano Dick Cheney, o professor emérito da Universidade Princeton Bernard Lewis, chegou a dizer que as chances de a “democracia” criar raízes no Oriente Médio “são boas”.

No segundo, o diretor de “Estudos Latino-Americano do Conselho de Relações Exteriores de Nova York”, Kenneth Maxwell, diz que o principal perigo da guerra é colocar em risco “a vida de jovens corajosos nas estradas poeirentas do Iraque e nas ruas de Bagdá”. Essa propaganda sub-reptícia permeia todo o noticiário da mídia. Os Estados Unidos aprimoraram o sentido de propaganda política nos últimos anos. Desde que as trevas sobre a terra dos computadores começaram a encontrar seu fim, o aparato de mídia do país ganhou um poderio jamais visto.

Mas por trás dessa tecnologia poderosa e inovadora se encontram imensas contradições. As facilidades que uma tela com ícones autoexplicativos plugados com o mundo oferece para um lado, também existem — evidentemente guardadas as continentais diferenças conferidas pelo poder econômico — para o outro. Cabe, a bem da luta progressista e democrática, uma grande campanha para difundir o poderio que esse admirável mundo novo das comunicações oferece.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Por que as negociações no Oriente Médio sempre falham?

As negociações entre Israel e Palestina não chegaram a nenhum resultado. Os próprios emissários norte-americanos ficaram surpresos com a intransigência de Netanyahu; por ora, isso não coloca em questão o apoio de Washington a Tel-Aviv.


por Alain Gresh

As negociações deveriam ter começado com a decisão de interromper a construção dos assentamentos. Mas achamos que isso não seria possível, por causa da composição do governo israelense, então abrimos mão.” Entrevistada pelo famoso jornalista Nahum Barnea, do jornal israelense Yediot Ahronot, em uma reportagem1 sobre o fracasso das negociações entre israelenses e palestinos, a autoridade norte-americana, que prefere o anonimato, continuou: “Não percebemos que [o primeiro-ministro Benjamin] Netanyahuutilizava as licitações de construção nos assentamentos para garantir a sobrevivência de seu próprio governo. Também não percebemos que o prosseguimento das construções permitia que ministros sabotassem de maneira muito eficaz o sucesso das negociações. [...] Somente agora, com o fracasso das negociações, entendemos que essas construções [14 mil moradias] significavam a expropriação de terras em grande escala”.

Os norte-americanos “não sabiam”

À pergunta “vocês ficaram surpresos quando descobriram que os israelenses não estavam realmente interessados nas negociações?”, o oficial da administração Obama respondeu: “Sim, ficamos surpresos. Quando Moshe Yaalon, seu ministro da Defesa, declarou que a única coisa que [o secretário de Estado norte-americano] John Kerry queria era ganhar o Prêmio Nobel, foi um grande insulto, afinal, estávamos fazendo tudo aquilo por vocês”.

Embora todas as fontes de Barnea sejam anônimas, sabemos que o autor teve acesso a todas as autoridades norte-americanas, inclusive Martin Indyk, encarregado pelo presidente Barack Obama de supervisionar as negociações entre israelenses e palestinos. O argumento principal resume-se a três palavras: “Nós [os norte-americanos] não sabíamos”. Não sabiam o que significavam os assentamentos; não sabiam que o governo israelense não estava interessado nas negociações.

É possível acreditar nisso? Os Estados Unidos, principais aliados de Israel, envolvidos no “processo de paz” há quatro décadas, “não sabiam”? Como acreditar que o secretário de Estado John Kerry atravessou oceanos dezenas de vezes, conduziu centenas de horas de negociações, conversas telefônicas e videoconferências, realizou inúmeros encontroscom a maioria dos líderes da região, em detrimento de outras questões internacionais – em uma palavra, como acreditar que ele dedicou tanta energia à resolução desse conflito para “só agora perceber” que as negociações não interessavam aos israelenses? Já faz mais de uma década que o “processo de Oslo” está morto e enterrado debaixo dos assentamentos. Desde 1993, mais de 350 mil colonos instalaram-se na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. E Washington ainda não entendeu?

O que se passa na cabeça de John Kerry? Por que insistir tanto no fracasso? Ele realmente “não sabia”? Na verdade, Kerry, o presidente Obama e todos os seus antecessores abraçaram com tamanha adesão o ponto de vista de Israel que já não conseguiam enxergar a realidade, não compreendiam o ponto de vista dos palestinos. Saeb Erekat, chefe dos negociadores palestinos, disse aos israelenses: “Vocês não nos veem, somos invisíveis”. Essa observação aplica-se perfeitamente aos Estados Unidos.2Para eles, assim como para os israelenses, vale um velho princípio: “O que é meu é meu; o que é seu, podemos negociar”. As terras conquistadas em 1967 são “territórios em disputa”, e todos os direitos dos palestinos são negociáveis, sejam eles sobre Jerusalém Oriental, os assentamentos, a segurança, os refugiados, a água etc. Todas as concessões devem ser feitas pelos ocupados, não pelos ocupantes. Israel pode bradar aos quatro ventos, quando aceita entregar 40% da Cisjordânia, que isso é uma concessão dolorosa, que coloca em questão a segurança, os direitos do “povo judeu” à Erez Israel (terra de Israel) etc.

Essa posição serve para o governo de Israel acumular obstáculos, reivindicando uma concessão após outra, sem que nenhuma seja suficiente. Se os palestinos reconheceram o Estado de Israel – e a recíproca não é verdadeira –, então é preciso exigir-lhes o reconhecimento de seu caráter judeu, coisa jamais exigida nem do Egito, nem da Jordânia,3 nem dos palestinos na época do primeiro mandato de Netanyahu (1996-1999).

Desta vez, no entanto, uma intransigência tão arrogante suscitou o mau humor das autoridades norte-americanas, que estourou certas vezes. Algumas delas, inclusive o presidente Obama, lembraram o fato de que não há alternativa para esses dois Estados, a não ser um Estado único no território histórico da Palestina. O próprio Kerry alertou contra um sistema de “apartheid” – embora tenha logo se retratado.4

Em um primeiro momento, os Estados Unidos revelaram-se satisfeitos com o andamento das negociações. Iniciadas em julho de 2013, elas deveriam durar nove meses, e a Autoridade Palestina fez várias concessões relativas à legalidade internacional: desmilitarização do futuro Estado palestino; presença militar israelense na Jordânia por cinco anos, substituída então pela dos Estados Unidos; PASSAGEM dos assentamentos de Jerusalém para a soberania israelense; troca de territórios permitindo que 80% dos colonos da Cisjordânia sejam integrados ao Estado de Israel. Por fim, o retorno dos refugiados seria condicionado a um acordo com Israel.5 Nenhum dirigente palestino foi tão longe como Abbas nas concessões, e é pouco provável que, no futuro, outro as aceite.

A todos esses avanços (ou retrocessos, dependendo do ponto de vista), Israel respondeu com um retumbante “não!”. Como relata umas das fontes norte-americanas de Nahum Barnea: “Israel apresentou suas necessidades de segurança na Cisjordânia. Pediu o controle total dos territórios [os norte-americanos nunca dizem ‘ocupados’, apesar da Resolução n. 242 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), de novembro de 1967]. Isso significou, para os palestinos, [...] que Israel continuaria a controlar a Cisjordânia para sempre”. No entanto, a cooperação de segurança entre Israel e a Autoridade Palestina nunca foi tão estreita, a segurança dos israelenses tão garantida – à custa, é preciso lembrar, da dos palestinos, que estão enjaulados pelo recorte dos territórios, humilhados pelos controles incessantes e regularmente realizados na Cisjordânia e em Gaza. Em 2013, 36 palestinos foram mortos, três vezes mais que no ano anterior, de acordo com a organização de defesa dos direitos humanos B’Tselem.

Retaliação alemã

Algumas semanas antes do prazo de 29 de abril, ficou claro que Netanyahu estava apenas tentando ganhar tempo. Primeiro ele quebrou a promessa de libertar o quarto grupo de prisioneiros palestinos presos desde antes de 1993. A Autoridade Palestina respondeu ratificando uma série de tratados internacionais – especialmente as Convenções de Genebra, que regulamentam as obrigações das potências ocupantes e que o governo israelense alegremente viola desde 1967. Mas absteve-se, por enquanto, de ratificar a convenção do Tribunal Penal Internacional (TPI), que permitiria processar os líderes israelenses por crimes de guerra e contra a humanidade. Para o TPI, a instalação de assentamentos em território ocupado é crime de guerra.

Quando o governo israelense confirmou sua determinação em prolongar o controle da Cisjordânia “para todo o sempre” (Bíblia, Livro de Daniel, 7-18), o presidente Mahmud Abbas, impopular e fortemente contestado dentro do Fatah, decidiu que havia chegado a hora de acabar com a divisão que, desde 2007, enfraquecia a causa palestina. As condições estavam maduras para ambos os lados. O próprio Hamas – enfraquecido pelo bloqueio conjunto de Israel e das novas autoridades egípcias, bem como pela violenta campanha antipalestina orquestrada pelo Egito, e internamente contestado por organizações mais radicais, sobretudo a Jihad Islâmica e grupos que reivindicam lealdade à Al-Qaeda – concordou com a ideia.

No dia 23 de abril, foi assinado um acordo para a criação de um governo de “técnicos”, presidido por Abbas, e para a realização de eleições legislativas e presidenciais em um prazo de seis meses. A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) também deveria realizar eleições internas e integrar o Hamas, que nunca foi seu membro. Esse acordo repete aquele assinado no Cairo, em 2011, e confirmado em Doha, em 2012, porém nunca colocado em prática. Embora tal acordo não tenha despertado a indignação dos Estados Unidos e tenha sido saudado pela União Europeia, Israel usou-o como pretexto para romper negociações que, de qualquer forma, já estavam em um impasse. “Abbas deve escolher entre a paz com Israel e a reconciliação com o Hamas”,6 declarou Netanyahu, que, meses antes, questionara a “representatividade” de Abbas por controlar apenas Gaza... O líder respondeu que o futuro governo seria composto por tecnocratas e independentes: “Os israelenses perguntam: esse governo reconhece Israel? Eu respondo: claro que sim. E renuncia ao terrorismo? Claro que sim. E reconhece a legitimidade internacional? Claro que sim”.7

Poderíamos fazer essas mesmas perguntas a Netanyahu e sua coalizão governamental, e aos partidos de caráter fascista que dela participam, como o Lar Judaico, de Naftalli Bennett, com seus doze deputados (de um total de 120).8 Eles reconhecem um Estado palestino independente dentro das fronteiras de 1967? Reconhecem as resoluções da ONU? Claro que não.

No entanto, a interrupção prolongada das negociações aborrece Washington e Tel-Aviv: “Há uma ameaça muito real e imediata para Israel se ele tentar impor sanções econômicas aos palestinos”, explica uma autoridade norte-americana a Nahum Barnea. “Isso pode ter um efeito bumerangue. [...] Pode levar ao desmantelamento da Autoridade Palestina, e os soldados israelenses teriam de administrar a vida de 2,5 milhões de palestinos, para grande desespero de suas mães. Os países doadores deixariam de pagar, e a conta de US$ 3 bilhões teria de ser paga pelo seu ministro das Finanças.”9

Enquanto durar o suposto “processo de paz”, o pedido de sanções contra Israel e o boicote ao país são menos críveis. Não é coincidência que o governo da Alemanha tenha decidido, com a suspensão das negociações, não subsidiar a compra israelense de submarinos nucleares alemães, o que custará centenas de milhões de dólares ao contribuinte israelense.10 E a União Europeia poderá, depois de muito adiamento e complacência em relação a Israel, impor sanções.

Uma coisa não vai mudar: quaisquer que sejam as violações do direito internacional cometidas, os Estados Unidos ficarão firmes ao lado de Israel. Como explicou Indyk recentemente: “As relações entre Israel e Estados Unidos mudaram de maneira fundamental [desde a guerra de outubro de 1973]. Só quem conhece a situação por dentro – como eu tenho o privilégio de conhecer – sabe quão fortes e profundos são os laços que unem nossas duas nações. Quando o presidente Obama fala, com orgulho justificável, em laços ‘inquebráveis’, ele fala sério e sabe do que está falando”.11 E Indyk completa que, ao contrário do que ocorreu após a guerra de outubro de 1973, quando o secretário de Estado Henry Kissinger negociou um acordo entre Israel, de um lado, e Síria e Egito, de outro, Obama jamais suspenderia as relações militares com Tel-Aviv, como fez o presidente Richard Nixon.

Amanhã veremos o Estado palestino, sempre amanhã – assim se pode resumir o discurso norte-americano.12 Devemos aceitar que os Estados Unidos não conseguirão sozinhos e sem pressão a paz no Oriente Médio. Serão necessárias medidas fortes de sanção dos Estados contra Israel e boicote da sociedade civil, para que, enfim, os palestinos possam celebrar “o próximo ano em Jerusalém”. 
Alain Gresh é jornalista, do coletivo de redação de Le Monde Diplomatique (edição francesa).
Ilustração: João Montanaro
1 Nahum Barnea, “Inside the talks’ failure: US officials open up” [Por dentro do fracasso das negociações: autoridades norte-americanas abrem o jogo], 2 maio 2014. Disponível em: .
2 Citado por Martin Indyk, “The pursuit of Middle East peace: a status report” [A busca pela paz no Oriente Médio: relatório de situação], Washington Institute for Near East Policy, Washington, 8 maio 2014.
3 Sylvain Cypel, “L’impossible définition de l’‘État juif’” [A impossível definição do “Estado judeu”], OrientXXI.info, 5 maio 2014.
4 “John Kerry dément d’avoir qualifié Israël d’État d’apartheid” [John Kerry nega ter chamado Israel de Estado de apartheid], Lemonde.fr, 29 abr. 2014.
5 Ler Charles Enderlin, “Les Américains rejettent la responsabilité de l’échec sur Israël” [Norte-americanos rejeitam a responsabilidade pelo fracasso a Israel], Blog Geópolis, 3 maio 2014.
6 Herb Keinon, “Netanyahu: Abbas must choose, peace with Israel or reconciliation with Hamas” [Netanyahu: Abbas deve escolher entre a paz com Israel e a reconciliação com o Hamas], JPost.com, 23 abr. 2014.
7 Entrevista para rede de televisão via satélite palestina, 8 maio 2014, transmitida pela BBC Monitoring, Londres, 10 maio 2014.
8 Ler Yossi Gurvitz, “Israël aussi…” [Israel também...], Manière de Voir, n.134, abr./maio 2014.
9 Citado por Nahum Barnea, op. cit.
10 Barak Ravid, “Germany nixes gunboat subsidy to Israel, citing breakdown of peace talks” [Alemanha nega subsídio para compra de embarcações militares a Israel, citando fracasso das negociações de paz], Haaretz, Tel-Aviv, 15 maio 2014.

11 Martin Indyk, op. cit.
12 Ler “Demain l’État palestinien, toujours demain” [Amanhã veremos o Estado palestino, sempre amanhã], Le Monde Diplomatique, out. 2011.
Le Monde Diplomatique Brasil, via http://geografianovest.blogspot.com.br/2014/11/por-que-as-negociacoes-no-oriente-medio.html

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Irã e a perigosa aposta de Israel



Do Blog do Mauro Santayuana 
Mauro Santayana

Não se trata mais de hipótese: os falcões americanos e o governo britânico estão dispostos a apoiar ação militar de Israel contra o Irã, embora grande parte da opinião pública israelita advirta que essa aventura é arriscada. Aviões militares de Israel fazem manobras no Mediterrâneo e já se fala no emprego de mísseis de alcance médio contra o suposto inimigo. Seus líderes da extrema-direita, entre eles religiosos radicais, estimulam os cidadãos, com o argumento de que se trata de uma luta de vida ou morte.

Toda cautela é pouca na avaliação política da questão de Israel. Em primeiro lugar há que se separar o povo judaico do sionismo e do Estado de Israel - que parece condenado a sempre fazer guerra. Como disse um de seus grandes pensadores, se todos os estados possuem um exército, em Israel é o exército que possui o estado. É explicável que, com sua história atribulada e as perseguições sofridas, sobretudo no século 20, sob a brutalidade nazista, os judeus se encontrem na defensiva. Isso, no entanto, não autoriza a insânia de sua política agressiva contra os palestinos em particular, e contra os muçulmanos, em geral.....