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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

"A mídia brasileira não defende a liberdade de expressão!"


ScreenHunter_5470 Jan. 18 09.21

É preciso enterrar esta mentira.

A mídia brasileira não defende a liberdade de expressão.

Nem absoluta, nem parcial, nem nenhum tipo de liberdade de expressão.

A única liberdade que a mídia conhece é aquela que lhe interessa comercialmente.

A mídia brasileira não deu quase nada sobre a sonegação da Rede Globo.

Houve um sinistro pacto de silêncio em torno do assunto, apesar de envolver 1 bilhão de reais, roubo de processo e lavagem de dinheiro em diversas off shore no exterior.

A mídia brasileira apoiou o golpe, sustentou a ditadura e se enriqueceu à margem de um regime totalitário que censurava, matava e prendia quem tinha coragem de se expressar livremente.

Além disso, a liberdade de expressão não existe num regime de monopólio.

O sistema de comunicação brasileiro não é democrático e, portanto, não é livre.

E se não é livre, não existe liberdade de expressão.

O poder de poucas famílias sobre tvs, rádios e jornais, não encontra paralelo no mundo democrático.

O arcabouço legal, após o fim da lei de imprensa, também não colabora para a liberdade de expressão.

Ricos e poderosos podem processar judicialmente qualquer um que lhes incomode. Como não há lei, depende-se da opinião de juízes, que infelizmente ainda formam, no Brasil, um estamento patrimonialista a serviço da classe dominante

É o caso, por exemplo, de Ali Kamel, que processa vários blogueiros, por conta de ninharias.

Ninguém lhe chamou de ladrão. Ninguém ofendeu sua família. Ninguém o desrespeitou como pessoa.

Houve apenas humor, chiste e, no meu caso, uma crítica política ao chefe do jornalismo do maior monopólio da América Latina.

Não existe liberdade de expressão nem na própria mídia.

Se alguém elogiar um político do qual a mídia não gosta, é demitido.

Se alguém fizer uma charge crítica ao político que a mídia gosta, é demitido.

O jornalismo brasileiro encontra-se cada vez mais oprimido por um patronato sectário.

Não há liberdade nenhuma!

Enquanto todas as profissões liberais se expandem no Brasil (médicos, advogados, arquitetos, etc), o jornalismo declina.

Os salários são cada vez menores, há cada vez menos empregos. Os jornalistas se sentem cada vez mais oprimidos nas redações.

Não podem pensar, não podem falar, não podem desenhar, não podem sequer desabafar nas redes sociais.

Quer dizer, podem desabafar sim, desde que o desabafo seja agradável aos patrões!

Podem falar o que quiser, desde que toquem conforme a música dos barões da mídia!

E agora a mídia brasileira, uma mídia monopolista, conservadora, golpista, astutamente, toma para si a bandeira de Charlie, um jornalzinho nascido na luta contra os monopólios, contra os conservadores, e que sempre defendeu, de verdade, a democracia.

No enterro de Charb, seus amigos cantaram a Internacional, a famosa canção revolucionária, com os punhos erguidos, e Jean-Luc Melechon, uma das principais lideranças da esquerda francesa, fez o discurso principal.

Melechon foi o candidato a presidente da Frente de Esquerda, nas eleições de 2012. É um homem público extremamente sério e respeitado pela esquerda européia.

A esquerda francesa defende a Palestina, defende os imigrantes, defende todas as minorias, lança candidatos muçulmanos, contra uma direita cada vez mais racista, cada vez mais reacionária quando o tema é imigração.

A nossa mídia nunca fez um “Globo Repórter” em detalhes sobre o socialismo francês, que inclui um sistema tributário progressivo, leis sobre a herança e sobre as grandes fortunas, educação e saúde públicas para todos.

O socialismo francês hoje está em crise inclusive por seus excessos, e pelos vícios do próprio homem. Por exemplo, há 25 anos, o Estado francês, a partir de conselhos de psicanalistas, começou uma nova política em relação aos órfãos. Ao invés de orfanatos, as crianças eram alocadas em famílias que receberiam auxílio do Estado para criá-las. Resultado: uma quantidade crescente de famílias que rejeitavam os filhos quando este completavam 18 anos, e o Estado parava de pagar o auxílio.

Os terroristas do atentado são um exemplo. Eles foram criados por famílias que recebiam auxílio do Estado, e foram rejeitados em seguida, ingressando no mundo do crime e, depois, aderindo ao terrorismo.

A mídia brasileira é uma talentosa alquimista. Ela consegue inverter tudo. No primeiro dia da ditadura, os jornais diziam que a democracia tinha voltado.

Transformaram a democracia de Jango em ditadura, e a ditadura em democracia.

E agora transformam um jornalzinho comunista-libertário de Paris em ícone da sua visão distorcida, monopolista, hipócrita de liberdade de expressão!

Os chargistas do Globo apenas podem fazer charges que corroborem a linha reacionária do jornal.
Nenhum chargista do Globo tem ou terá liberdade de expressão para praticar uma arte livre e irreverente!

Sobretudo se a crítica deriva de uma ideologia socialista, anarquista ou libertária, como era a dos chargistas do Charlie.

Ao contrário, a mídia demite imediatamente qualquer empregado que tenha manifestação de livre pensamento, sobretudo se esta liberdade se volta em defesa da classe trabalhadora.

O controle da narrativa permite à mídia criar um universo paralelo, para dentro do qual até mesmo a esquerda se vê abduzida.

No afã de ser contra a mídia, muitas vezes fazemos exatamente o jogo dela.

A mídia, malandramente, pegou o discurso de liberdade de expressão, que é um discurso vencedor, e passou a defender um Charlie e uma França que sempre representaram tudo que a nossa mídia não é: socialista e libertária.

No grande jogo da geopolítica mundial, um jogo hoje profundamente midiatizado, a mídia brasileira quer posar ao lado dos vencedores, mesmo que estejamos falando de um jornaliznho comunista e libertário de Paris.

No fundo, ela age certo.

A esquerda, neste caso, é que pode ter cometido um erro, ao se deixar levar por um pensamento binário (a mídia é favor, então sou contra), permitindo que a mídia brasileira se finja de paladina de valores que ela, a mídia, historicamente, nunca defendeu: a democracia e a liberdade de expressão.
A mídia brasileira, tal como ela é hoje, se consolidou na ditadura.

Jornalzinhos como Charlie Hebdo, havia de montão no Brasil na década de 60, atendendo a atmosfera da época, profundamente libertária. Todos foram censurados. Os jornalistas e chargistas só encontraram emprego em dois ou três jornais do eixo Rio e São Paulo.

Sem concorrentes, sem outros jornais, empresas como Globo e Folha passaram a dar as cartas na opinião pública brasileira, durante décadas, e sua influência cresce vertiginosamente após a redemocratização.

Os poucos artistas do texto e da charge que sobreviveram à hecatombe da ditadura e às terríveis crises econômicas das décadas de 80 e 90, tiveram que se tornar submissos intérpretes do pensamento patronal.

Em suma, temos que deixar isso bem claro: a mídia brasileira é exatamente o contrário de tudo que se pode chamar de liberdade de expressão.

Miguel do Rosário  

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

DIREITO DE SE EXPRESSAR NÃO É DIREITO DE OFENDER



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Existe uma coisa sobre a qual deveríamos todos prestar muita atenção. É o emburrecimento crônico da sociedade. 

Não é possível fazer um recorte histórico para saber com certeza, quando as pessoas foram mais burras. Se no passado, ou agora. Mas é fato que a falta de critérios razoáveis para embasar qualquer discussão chegou a um nível de pobreza, que honestamente, dá preguiça conversar com determinadas pessoas, sobre quase qualquer assunto.

A barbaridade do momento foi o atentado ao Charlie Hebdo. Quando se tenta mostrar que o jornal não era santo e que no mínimo, provocou o próprio destino, nos acusam de coadunar com a violência. É de um pauperismo intelectual brutal. Dizem alguns que estamos culpando a vítima, tal qual não se pode fazer no estupro. 

Ora, ora. São casos completamente diferentes e só se utiliza de um exemplo como esse, quem não tem a menor noção do mundo no qual está vivendo. Acusar a vítima pelo estupro é estapafúrdio porque ela, ainda que estivesse "provocando" o criminoso, estaria fazendo isso na esfera privada que é para todos os efeitos, indevassável. Quando uma pessoa "provoca" a libido de alguém o faz dentro de seu legítimo direito, direito esse, similar ao da própria existência. Usar roupa curta, perambular por determinadas regiões só pode ser considerado "provocar", por uma mente igualmente perturbada. Quando uma mulher usa uma roupa curta, não o faz dizendo "ok, venha me estuprar porque é isso que eu quero, afinal estou de roupa curta". Ela apenas se mostra, o que nenhum problema tem. Esteja ela adequada ou não ao ambiente em que se encontra, a suposta provocação não pode ser entendida como uma permissão nem uma justificativa. Ou seja, NÃO É uma provocação. 

Do mesmo modo, não se pode considerar razoável que um torcedor usando a camisa de seu time, seja espancado até a morte, simplesmente por causa da vestimenta.

Por certo que a violência nunca se justifica. Um torcedor não pode ser surrado por expressar seu amor ao time, quando faz isso de maneira coerente e respeitadora, estará sempre coberto de razão. Por outro lado, se ao vestir sua camiseta e ao expressar sua torcida, a pessoa venha a agredir o adversário, verbal ou fisicamente, a situação alcança outro patamar. Ela estará efetivamente dando causa à resposta do agressor. A resposta do agressor não o exime do crime, e não o isenta, como imaginam alguns. Porém, dar causa a um delito, também é merecedor pela lei penal, senão de sanção, ao menos de reprovação.

Por isso que nos casos extremados de brigas de torcidas, normalmente ambos os lados são punidos. Por que se provocam mutuamente, e não se respeitam. Já no caso de um estupro, a menos que a vítima colocasse uma arma na cabeça do estuprador e o obrigasse ao fazê-lo, ela não poderá nunca ser punida nem censurada.

E o caso da revista Charlie vai exatamente nesta linha da provocação extremada. Era uma  revista racista e intolerante, que se escondia atrás de um suposto pensamento de esquerda e da liberdade de expressão que as Constituições dos países chamados civilizados, lhe conferem.

Chamar através de charges uma ministra de macaca só porque ela é negra, não encontra justificativa na liberdade de expressão. Liberdade de expressão seria discordar das atitudes da ministra enquanto profissional, dentro da razoabilidade e da coerência.

Fazer uma charge onde Jesus Cristo aparece currando Deus, ou um muçulmano que aparece defecando na própria boca, não pode ser visto como mera liberdade de expressão. 

Direito de se expressar não é direito de ofender, gratuitamente, outras pessoas, naqueles valores que lhe são mais caros.

A imprensa e a população, apressadamente como é de costume numa sociedade midiática como a nossa, vestiu a camisa do Charlie Hebdo, como se fossem os mais injustiçados da história. Evidentemente, evidentemente, evidentemente (direi isso mil vezes se necessário) que não se justifica uma chacina por causa disso, mas se compreende o nexo causal. Se os mortos da Hebdo estivessem vivos e fossem a um hipotético tribunal, os atiradores terroristas seriam sentenciados pelo tiroteio, e os provocadores, pelo crime de injúria racial e religiosa.

Os Charlie Hebdos, apesar de claro, não merecerem o fim que tiveram, jamais poderiam ser considerados absolutamente inocentes e injustiçados.

Mas como no início deste artigo dissemos que no mundo de 2015 é quase impossível que as pessoas tenham um tendência a fazer análises isentas, acabamos derivando para o trololó de sempre. Ou se está deste lado, ou se está daquele lado.

The Independent da Inglaterra disse que os cristãos atiradores da Noruega, nunca tiveram que se desculpar pelo atentado horroroso que um extremista executou, só porque o maluco usava o nome de seu deus pra isso. Da mesma forma, os muçulmanos não tem nada a ver com os ensandecidos que mataram dez na França. (veja aqui, em inglês). Afinal, não estamos falando de religião, estamos falando de gente doida.

Dito isso, vemos proliferar na mídia falada, escrita e cibernética, os fanfarrões de sempre, sempre dispostos a tirar uma casquinha de qualquer evento, e capitalizá-la da melhor forma possível. 

Rachel Sheherazade pode ser fisicamente atraente e ter um rostinho até bonitinho, mas tem uma mente perigosa. Se utiliza de uma situação triste e preocupante como esse atentado, para comparar o ocorrido à liberdade de expressão que é "ceifada" (na visão dela, claro), da revista Veja.

Uma revista que ao estilo da Charlie Hebdo, não se utiliza da razoabilidade nem da coerência para fazer críticas. Se utiliza somente da intolerância e da falta de critério intelectual de uma parcela de seus leitores. Mas como o jornalismo empobreceu, alguns dos representantes dessa então nobre classe, optaram por estender a lona de um circo, pavoneando-se no picadeiro à cata de quem os ovacione. 

Haverá, como de fato há, quem o faça. 

Um ilustre desconhecido do ramo da prestação de serviços, sempre me disse que muito mais importante do que a quantidade de clientes que se tem, o que vale é a qualidade. O ignorante é facilmente cooptado por outro circense que lhe pareça mais apropriado para o momento, de modo que o palhaço velho, é largado à míngua tão logo seja trocado. A audiência qualificada por outro lado, acompanhará o artista enquanto ele for merecedor de honrarias.

Mas para que isso se perpetue, o artista como dito, tem que ser MERECEDOR. Ou seja, ele tem que ter qualidades. O que nossa imprensa tem demonstrado a cada dia, que pouco tem.

Sheherazade mostra com sua defesa, a priori, da Veja, sem que sequer houvesse algo a ser falado nesse sentido, que é no modesto entendimento deste escriba, uma jornalista em fim de carreira, apesar do pouco tempo que tem de exposição até agora. 

Se embebeda nos 15 minutos de fama que Andy Warhol falou. Logo ela será esquecida porque será sobrepujada pela bobagem que diz a cada dia. E como bobos não faltam no mundo, sempre haverá alguém para substituí-la.

Sua claque continuará perambulando à busca de um novo rostinho e de uma nova voz que espelhe sua intolerância e virulência.

Como sabemos, vírus criados em laboratório, no início infectam as cobaias, depois os alvos. Num momento posterior, se espalham e atingem a todos, sem nenhum critério.

Sheherazade, Hebdos e outros como eles, deveriam levar isso em consideração.

Mas acho que seria pedir demais, uma coisa dessas.
http://anaispoliticos.blogspot.com.br/2015/01/direito-de-se-expressar-nao-e-direito.html

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A mídia e a sociedade do espetáculo


O conceito de sociedade do espetáculo apareceu pela primeira vez em 1967, quando o anarquista francês Guy Debord publicou seu livro La société du spectacle, estudo crítico sobre capitalismo, consumo e sociedade. Temas como a desilusão capitalista, negação da vida real e forma-mercadoria estão nesse livro, um dos textos paradigmáticos das manifestações de Maio de 68 em Paris. Pode-se dizer que é um estudo, mais que pioneiro, profético.

O comportamento empresarial, político e psicossocial que determina o que conhecemos hoje como sociedade do espetáculo só teve início consciente a partir dos anos 1970, desenvolvendo-se na década seguinte e fixando seus padrões nas décadas 1990 e 2000.

Na base dessa compreensão e dessa prática do ser para ser visto e não do ser por existir está o simulacro, a imagem e/ou o som da coisa no lugar da coisa em si, a sacralização da imitação, a virtualidade, a existência passada a limpo através das máquinas, a troca do sangue-suor-e-lágrimas da vida vivida pela magia das ficções, das telinhas e telões. A meta mais perseguida pelas novas tecnologias da comunicação é a realidade virtual, a criação de ambientes cibernéticos “realistas” (com aspas porque na verdade são ilusórios) onde as pessoas podem interagir com as coisas, e no futuro com outras pessoas, utilizando todos os sentidos. Na prática temos a popularização do 3D (terceira dimensão), o sexo virtual, o anonimato nas redes sociais onde você pode se mostrar ao mundo com a cara que desejar, postando outras caras ou modificando, embelezando, a própria.

Uma vertente importante no contexto espetacular é a cultura do narcisismo, desde as transformações do corpo nas máquinas, nas telas (fotoshop), até a transformação do corpo real: a onda mundial das tatuagens e piercings, a radicalização da body modification (modificação corporal), dos peitos e bundas siliconados, da implantação de membranas entre os dedos ou de chifres de plástico na cabeça. De maneira geral, a medicina não é contra essa prática, a cada dia aumenta o número de médicos dedicados a essas cirurgias duplamente invasivas (na matéria da carne e no imaterial da alma), essas alterações da natureza. Claro que o ser humano sempre fez pequenas alterações corporais, vide as escarificações dos povos africanos, as tatuagens tribais e a maquiagem. Mas de um costume culturalmente restrito, arcaico e grupal, de caráter defensivo (assustar animais e pessoas hostis), passamos a uma moda universal e vaidosa, no sentido do destaque pessoal.

Outra vertente é a espetacularização da política, aspecto que me levou a escrever essas mal traçadas, ainda impregnado pela truculência da recente campanha eleitoral brasileira, onde os candidatos atuaram como personagens de uma peça indecisa entre o Sonho de uma noite de verão de Shakespeare e A resistível ascensão de Arturo Ui de Brecht. Tudo bem ensaiado e sincronizado por um enxame de diretores, redatores, figurinistas, cenaristas, maquiadores e cabeleleiros. Mas a imagem não é tudo, existe também a fala e aí o bicho pegou. Quando ouvi um senador, líder do partido derrotado, esbravejar que não queria diálogo (em resposta a um convite da candidata eleita) não acreditei, inclusive porque nem o orador acreditava no que dizia, já que é um político e a sustentação democrática da política é o diálogo.

Na sociedade do espetáculo a verdade não tem importância, o que vale são as versões, as visões que podem ser criadas e recriadas. No centro desse holocausto da veracidade, ponteiam e brilham as grandes corporações midiáticas, as que têm maior interesse e maiores ganhos com as simulações. O melhor exemplo recente também vem da campanha mencionada, quando uma revista estampou na capa, na véspera da eleição, que a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula eram coniventes com a corrupção. A acusação, sem provas, baseava-se em uma frase de um delator premiado (que delata para ter sua pena reduzida). A revista disse que estava praticando a liberdade de expressão. Ou seja, a sociedade do espetáculo está incluindo, cada vez mais, a mentira como manifestação da liberdade de expressão. Que tempos virão?

Orlando Senna, cineasta, documentarista, escritor e colaborador da Diálogos do Sul.
No Blog do Miro, via http://www.contextolivre.com.br/2014/12/a-midia-e-sociedade-do-espetaculo.html

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lula e a grande mídia.

Enviado por Germano, de Campinas


Passo a vocês texto esclarecedor sobre quem ameaça
a Liberdade de Expressão no Brasil. Aliás, ameaça, não
impede!!!

Na realidade, a liberdade de expressão no país já está sob severo controle, mas esse controle tem sido exercido é pelos órgãos da grande mídia, que já deixaram de ser imprensa livre para se tornarem em veiculos de defesa dos interesses exclusivos dos donos desses grupos, interesses esses que não se coadunam com os interesses do povo brasileiro.

A opinião pública no Brasil está sob inacreditável controle dos donos dessas empresas exclusivamente comerciais e que usam a titulação de nós jornalistas para tentar exercer dominio não de informação, mas de formação.

Na condição de jornalista vivi alguns anos acuado sob o guante da censura da ditadura militar.

Hoje, graças a Deus, não dependo mais de trabalhar nesses órgãos, porque se tivesse de fazê-lo e trabalhando nas Editorias de Economia e Politica em cargo de confiança, teria de vender não apenas a capacidade profissional. Teria também de vender a consciência, coisa que nunca aceitei.

Como é que se explica que apresentadores de Telejornais e editores em geral nos jornais e TVS tenham salários mensais superiores a 200 mil reais, além de contratos de exclusividade anuais de 1 milhão de reais? E que os jornalistas que não opiniam, que não dão a cara para aparecer tenham salários em sua grande maioria que não ultrapassam 4 mil reais, ao lado do inicial que não chega a dois mil reais, e ainda ao lado da exploração de traines ganhando 600 reais?

Como se explica que os donos da grande mídia tenham feito pressão para que fosse abolido o diploma de jornalista como condição para exercer a profissão? Imprensa ser contra diploma de jornalista???

Como se explica que todos os veiculos da grande midia tenham sido contra o projeto de Regulamentação da Profissão de Jornalista? Médicos, enfermeiros, dentistas, engenheiros, relações públicas, tantas profissôes têm Conselhos Federais.

Qual a razão que leva os donos da grande mídia a combaterem a criação do Conselho Federal de Jornalismo?

Mais grave que isso: mentiram para a população que a ideia de criação do Conselho era da Presidência da República. E mentiram sabendo que não poderiam ser desmentidos publicamente, porque nós jornalistas não teríamos nenhum veiculo de "imprensa" para desmentir, porque não somos nós jornalistas que "orientamos" as publicações e sim eles os donos.

E a ditadura desses donos da grande midia é tão voraz que eles sabiam que nem o Presidente poderia desmentir, porque se tentasse fazer isso seria crucificado. Usaram da sua opressão para calar os deputados democratas, a classe de jornalistas e até o Presidente da República.

Ora, a criação do Conselho Federal de Jornalismo, e com a real intenção de estabelecer a responsabilidade na profissão e no seu uso pela grande midia foi luta de muitos anos da classe de jornalistas em todo o país. E de repente foi passada para a população que era ideia do Presidente e com fins de calar a imprensa. Que Crime! E Crime sem condições de defesa e muito menos de julgamento e condenação.

Vamos dar um exemplo, no campo da Engenharia. Há empresas comerciais que exploram o trabalho de engenheiros. Imaginemos se não existisse o Conselho Federal de Engenharia. Existindo, já ocorrem graves problemas, mas que se são denunciados são investigados. A função do Conselho Federal de Engenharia e dos Conselhos Regionais é de fiscalizar o exercicio profissional dos engenheiros. Todos os Conselhos Federais de todas as profissões têm esse dever.

Relações Públicas (que é também da área de Comunicação) tem Conselho Federal e Conselhos Regionais.

Qual será o motivo pelo qual Jornalistas não podem ter?

É que os donos da grande mídia não querem fazer imprensa livre. Querem fazer e estão fazendo é formação de opinião, a opinião que convém exclusivamente a eles.

Quem desejar saber a verdadeira História da luta pela criação do Conselho Federal de Jornalismo deve acessar sites dos Sindicatos de Jornalistas ou site da Federação Nacional de Jornalistas, porque nós jornalistas não temos a liberdade de esclarecer o caso em nenhum órgão da grande midia.

Veja que ironia e que absurdo: nós jornalistas não temos como nos comunicar com a população. Usam nosso nome, exploram nosso trabalho, e temos de ficar sentenciados ao silêncio. E ainda tendo de aceitar que meia dúzia de nossos colegas que vendem a consciência a peso de outro falem em nosso nome. Sim, a população acha que eles são apenas jornalistas...

Os jornais noticiam campanhas de aumento salarial de todas as profissões.

Alguma vez alguém já leu sobre campanhas salariais de jornalistas nos jornais? Ou ouviu em alguma rádio ou viu em alguma TV? Não. Nunca, porque nossas campanhas salariais são de âmbito exclusivamente do boca a boca na própria classe. Um dos lemas das últimas campanhas salariais (nos informativos publicados pelos sindicatos da classe) foi: "Nossa dor não sai nos jornais".
É possível isso? Temos imprensa livre no Brasil?

Temos.

Temos "imprensa"livre de qualquer obstáculo para fazer e acontecer da forma como desejarem os donos. Mentir, deturpar, lobos em peles de cordeiro.

Jornalistas - Uma classe calada e oprimida pelos órgãos da grande midia.

Edson Nunes
Jornalista
Ex-Diretor da Casa do Jornalista de Minas
Registro Profissional 1404.

Regulação em debate: três boas notícias

O povo brasileiro, a quem pertence o espaço de transmissão das mensagens de rádio e televisão, não dispõe, por efeito da escandalosa omissão do Poder Legislativo, do menor instrumento de defesa contra o eventual abuso de poder nesse setor. Mas há algumas boas notícias neste debate.

sábado, 25 de setembro de 2010

A imprensa como partido político

Esperei baixar a poeira. Em vão, porque a poeira existiu apenas na internet. E tudo porque me causou estranheza ler no diário cariocaO Globo (18/3/2010) a seguinte declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:
"A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo."E como a poeira não baixou resolvi colocar no papel as questões que foram se multiplicando, igual praga de gafanhotos, plantação de cogumelos, irrupção de brotoejas. Ei-las:

1. É função da Associação Nacional de Jornais, além de representar legalmente os jornais, fazer o papel de oposição política no Brasil?

2. É de sua expertise mensurar o grau de força ou de fraqueza dos partidos de oposição ao governo?

3. Expirou aquela visão antiquada que tínhamos do jornalismo como sendo o de buscar a verdade, a informação legítima, para depois reportar com a maior fidelidade possível todos os assuntos que interessam à sociedade?

4. Como conciliar aquela função antiquada, própria dos que desejam fazer o bom jornalismo no Brasil, como tentei descrever na questão anterior, com a atuação político-partidária, servindo como porta-voz dos partidos de oposição?

5. Sendo o Datafolha propriedade de um dos grandes jornais do Brasil e este um dos afiliados da ANJ, como deveríamos fazer a leitura correta das pesquisas de opinião por ele trabalhadas? O Datafolha estaria também a serviço de uma oposição "que no Brasil se encontra fragilizada"?

6. Na condição de presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) será que Maria Judith Brito não se excedeu para muito além de suas responsabilidades institucionais?

7. Ou será próprio de quem brande o estatuto da liberdade de imprensa que entidade de classe de veículos de comunicação assuma o papel de oposição política no saudável debate entre governo e oposição?

8. Historicamente, sempre que um dirigente ou líder de partido político de oposição desanca o governo, seja justa ou injustamente, é natural que o governo responda à altura e na mesma intensidade com que o ataque foi desferido. Mas, no caso atual, em que a ANJ toma si para a missão de atuar como partido político de oposição, não seria de todo natural esperar que o governo reaja à altura do ataque recebido?

9. E, neste caso, como deveria ser encarada a reação do governo? Seria vista como ataque à liberdade de expressão? Ou seria considerado como legítima defesa de da liberdade de expressão ou de ideologia?

Claro e transparente

10. Durante o período de 1989 a 2002, em que a oposição política no Brasil esteve realmente fragilizada, e ao extremo, não teria sido o caso de a ANJ ter tomado para si as dores daquela oposição, muitas vezes, capenga?

11. E, no caso acima, como a ANJ acha que teriam reagido os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso?

12. Com o histórico de nossos veículos de comunicação, muitos deles escorados em sua antiguidade, como aferir se há pureza de intenções por parte da ANJ em sua decisão de tomar para si responsabilidade que só lhe poderia ser concedida pelo voto dos brasileiros depositados nas urnas periodicamente? Não seria uma usurpação de responsabilidade?

13. Afinal, não é através de eleições democráticas e por sufrágio universal e secreto que a população demonstra sua aprovação ou desaprovação a partidos políticos?

14. Será legítimo que, assinantes de jornais e revistas representados pela associação presidida por Maria Judith Brito passem, doravante, a esmiuçar a cobertura política desses veículos, tentando descobrir qual a motivação dessa ou daquela reportagem, dessa ou daquela nota, dessa ou daquela capa?

15. E quanto ao direito dos eleitores de serem livremente informados... que garantias estes terão de que serão informados, de forma justa e o mais imparcial possível, das ações e idéias do governo a que declaradamente se opõe a ANJ?

16. Para aqueles autoproclamados guardiães da liberdade de expressão e do Estado democrático de direito: será papel dos meios de comunicação substituir a ação dos partidos políticos no Brasil, seja de situação ou de oposição?

17. Em isso acontecendo... não estaremos às voltas com clássica usurpação de função típica de partido político? E não seria esta uma gigantesca deformação do rito democrático?

18. Repudiam-se as relações deterioradas entre governo e mídia na Venezuela, mas ao que tudo indica nada se faz para impedir sua ocorrência no Brasil. Ironicamente, os maiores veículos de comunicação do país demonizam o país de Hugo Chávez. A origem do conflito político na Venezuela não está umbilicalmente ligado ao fato que na Venezuela os meios de comunicação funcionam como partido político de oposição, abrindo mão da atividade jornalística?

19. Esta declaração da presidente da ANJ, publicada no insuspeito O Globo, traduz fielmente o objetivo de a ANJ estabelecer a ruptura com o governo, afetar a credibilidade da imprensa e trazer insegurança a todos os governantes, uma vez que serve também aos governos estaduais e dos municípios onde a oposição estiver fragilizada?

20. Considerando esta declaração um divisor de águas quanto ao sempre intuído partidarismo e protagonismo político dos grandes veículos de comunicação do país, será que não seria mais que oportuno e inadiável a ANJ vir a público esclarecer tão formidável mudança de atitude e de missão institucional? Por que não abordar o assunto de forma clara e transparente nas páginas amarelas da revista Veja? Por que não convidar a Maria Judith Brito para ser entrevistada no programa Roda Vida da TV Cultura? Por que não convidá-la para o Programa do Jô? E para ser entrevistada pelo Heródoto Barbeiro na rádio CBN? Por que não solicitar a leitura de "Nota da ANJ"sobre o assunto no Jornal Nacional? Por que não submeter texto para publicação na seção "Tendências/Debates" do jornal Folha de S.Paulo, onde a presidente trabalha? De tão interessante não seria o momento de a revista Época traçar o perfil de Maria Judith Brito? E que tal ser sabatinada pela bancada do Canal Livre, da Band?

Prudente e sábio
Já que comecei falando de estranheza, estranhamento etc., achei esquisito a não-repercussão ostensiva da fala da presidente da ANJ junto aos veículos de seus principais afiliados. Estratégia política? Opção editorial? Ou as duas coisas?

Finalmente, resta uma questão de foro íntimo: que critério deverei usar, doravante, para separar o que é análise crítica própria de um partido político, para consumo interno de seus filiados, daquilo que é matéria propriamente jornalística, de interesse da sociedade como um todo?

Todos nós, certamente, já ouvimos centenas de vezes o ditado "cada macaco no seu galho". E todos nós o utilizamos nas mais diversas situações. O ditado é um dos mais festejados da sabedoria popular, é expressão de conhecimento, nascido da observação de fatos; um aprendizado empírico. Vem de longa data e se estabelece porque pode ser comprovado através da vivência e mais recentemente foi citado por Michel Foucault e Jurgen Habermas. No caso aqui abordado, o ditado popular cai como luva assim como as palavras de Judith Brito ficarão por muito tempo gravadas no bronze incorruptível da nossa memória.

Mesmo assim sinto ser oportuno aclarar que entendo como papel da mídia atividades como registrar, noticiar os fatos, documentar, fiscalizar os poderes, denunciar abusos e permitir à população uma compreensão mais ampla da realidade que nos abarca. Neste rol de funções não contemplo o de ser porta-voz de partido político, seja este qual for. Ora, o governo tem limites de ação: operacionais, constitucionais, políticos. A mídia, quando não investida de poderes supraconstitucionais, também tem seus limites que não são tão flexíveis a ponto de atender as conveniências dos seus proprietários ou concessionários. É prudente e sábio reconhecer que em uma sociedade democrática todos os setores precisam de regulação – e a mídia não é diferente. E é bom que não seja. Afinal, a lei é soberana e a ela todos devem se submeter, já escrevia o pensador Shoghi Effendi (1897-1957) na segunda metade de 1950. Nada mais atual que isto.
Washington Araújo 
By:  Observatório da Imprensa,via com textolivre

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ex-sócio da ANJ acusa organização de antidemocrática

A Associação Nacional de Jornais (ANJ), que representa os grandes jornais do país e vive clamando pela liberdade de expressão, foi acusada por um de seus integrantes, a Empresa Jornalística Econômico S.A. (Ejesa) de se esquivar “de defender os direitos do ser humano, os valores da democracia representativa, a livre inciativa, e, também, a livre concorrência”.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mídia e clichês de liberdade das Américas

A suposta dificuldade de sustentação da liberdade de expressão nas Américas, e em especial na Venezuela, tende atualmente a ser enquadrada no cenário midiático hegemônico no Brasil como um problema gerado por governantes autoritários em busca de promoção pessoal, que se esforçariam para interditar os meios de comunicação que os aborrecessem. É intrigante perceber como este clichê, embora bastante desgastado, pode ser revivido para obscurecer questões de enorme relevância para sociedades que pretendam aperfeiçoar seu sistema democrático de governo.