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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

VOCÊ É RICO POBRE OU MISERÁVEL? – (Decida)


Sede do Banco Mundial - Washington
VOCÊ É RICO, POBRE OU MISERÁVEL? – (Decida...)

Ouvimos falar muito sobre pobreza , mas na realidade boa parte da humanidade não sabe o que ela realmente é, como é produzida, e, pior ainda, a propriedade a confiabilidade e a veracidade da definição de “pobre”. Para o Banco Mundial, pobre é todo aquele que vive com menos de 1 USD (Um dólar norte americano) por dia, embora hajam outros índices que completam a definição de pobreza. Sabendo-se que o custo de uma passagem de Ônibus anda á volta desse valor, constata-se facilmente que um trabalhador iria trabalhar mas não poderia pagar a passagem de volta: Esse dólar por dia só seria suficiente para pagar a passagem de ida. Além disso, não teria dinheiro para roupas, residência, água, energia elétrica, alimentação, diversão.
Mas quem é o Banco Mundial?
O Banco Mundial é uma instituição financeira internacional que fornece empréstimos para países em desenvolvimento para programas de capital. Financiado pelos países mais ricos do planeta, cobram juros, é um grande negócio. O Banco Mundial é composto por duas instituições: o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). O Grupo Banco Mundial abrange estas duas e mais três: Sociedade Financeira Internacional (SFI), Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA) e Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (CIADI). Com o limite tão baixo do valor que define como necessário para que se deixe de ser pobre, repito, um miserável dólar por dia, os pobres deixam de ser pobres, pagam imposto de renda, as estatísticas desses países melhoram no conceito mundial, os governos ficam satisfeitos, o Banco engole bilhões de dólares de lucro dos investimentos, lucro esse que cresce a uma taxa média de 20% ao ano... Grande negócio!
A definição de pobreza do Banco Mundial é uma mentira!
A definição pode servir isso sim, para estabelecer um limite á miserabilidade, mas falta o limite superior que defina o que é “não ser pobre”. Quem vive com até um dólar por dia vegeta nas ruas de cidades dormindo no chão, não se locomove, ficando sempre no mesmo bairro, e gasta esse dólar em um pão e uns goles de cachaça para esquecer que é miserável... Basta andar pelas ruas de Paris, Nova York, Rio de Janeiro, S. Paulo, e nem vamos falar nos países asiáticos, do Oriente Médio, nem de África... Seria razoável definir a pobreza de outra forma: por País, em razão de um salário mínimo regional, o que ficaria mais próximo da realidade. Salário mínimo é o mínimo para não morrer de fome e se sustentar a si mesmo.
As cifras atuais de pobreza, com base no Banco Mundial são de cerca de 1.100.000.000 de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia, e cerca de 2.700.000.000 de pessoas que vivem numa “pobreza moderada” porque ganham menos de dois dólares por dia (3,4 reais, o que coloca todos os que vivem no Brasil com um salário mínimo como “pobres moderados”). Mais razoável seria dizer que pobre é todo aquele que ganha até 3 dólares por dia, e nesse caso teríamos cerca de 4.000.000.000 de pessoas pobres no planeta, ou seja, sessenta por cento da população mundial é pobre... Isso mesmo... O mundo é eminentemente pobre e miserável.
Os índices que nos mostram são políticos de conivência com os governos. Bancos e governos dividem entre si o botim das verbas públicas e as aplicam como desejam. As propagandas que emitem regularmente visam tranqüilizar a população, como “conversa para boi dormir”.
Se quisermos acabar com este Status Quo da política internacional, devemos ter voz firme e ouvida nas Assembléias e parlamentos nacionais, através de voto pessoal e não representativo como tem sido em países que se “dizem” democráticos. Isso se faz através da Democracia Participativa . Não podemos esperar que governos “concedam” a seus cidadãos a prerrogativa de falar através de voto nas decisões mais importantes da nação, porque são enormes e ricos os interesses que motivam cidadãos a se candidatarem a falar, no governo, em nome dos cidadãos, mas vemos que usam seu poder para aumentar os próprios salários, dividir verbas, ocupar ministérios que fraudam descaradamente. Esses “representantes”, alguns ministros, aconselham presidências, como por exemplo, a “doar” verbas públicas a Bancos para “salvá-los” das crises – que não existiam, mas que por causa disso, apareceram.
A maioria dos ministros de economia dos países mais ricos veio de instituições bancárias. Isso não é por acaso.
Veja neste site como se pode ter um mundo mais justo com a Democracia Participativa. http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/

Rui Rodrigues
 http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/voce-e-rico-pobre-ou-miseravel-decida

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Enquanto o 1% de cima tem 51%, os 50% de baixo só têm 1%



  
Para deixar ainda mais escandaloso o quadro, se fazemos as contas com os 10% mais ricos do planeta, veremos que eles acumulam 89% de toda a riqueza do mundo! Esta é a nova cifra calculada pelo informe anual da riqueza global do banco Credit Suisse. A cada ano, o Credit Suisse apresenta este informe, escrito pelos professores Tony Shorrocks, James Davies e Rodrigo Lluberas – que antes o elaboravam para a ONU.

Costumo escrever sobre ele a cada ano, em artigos que geralmente terminam se posicionando entre os mais populares.

Da última vez que tratei dos resultados desses informes, o 1% mais rico tinha 48% da riqueza global. Logo, neste um ano e meio, a desigualdade global aumentou ainda mais, segundo a pesquisa.

Entretanto, a proporção de riqueza acumulada pelo 1% ou pelos 10% mais ricos se reduziu entre 2000 e 2007, de um 50% (percentual similar ao deste último estudo) a um 46%. Uma diferença não muito grande, mas que marcava uma tendência de queda, que se inverteu depois da crise financeira, com os setores mais ricos voltando a perceber os níveis de concentração observados no começo deste século.

Os investigadores do Credit Suisse estimam que estas mudanças refletem principalmente a importância relativa dos ativos financeiros dos lares, que voltaram a aumentar de valor a partir de 2008, fazendo crescer a riqueza de muitos dos países mais ricos, e de muitas das pessoas mais ricas, em todo o mundo. Apesar de a proporção dos ativos financeiros se reduzir este ano, as partes dos grupos de riqueza superiores continuaram aumentando. No outro extremo da pirâmide da riqueza mundial, a metade inferior dos adultos possui coletivamente menos de 1% da riqueza total.

A principal razão principal desta enorme desigualdade é que há muitos pobres (em termos de riqueza) no mundo. Não se necessita muito para se estar na parte de cima da pirâmide. Deduzidas as dívidas, a pessoa só necessita ter 3,7 dólares para formar parte do grupo dos possuidores de riqueza.

Entretanto, se necessita cerca de 77 mil dólares para pertencer aos 10% mais ricos, e 798 mil dólares para se chegar ao 1%, o patamar superior, onde estão os donos de mais da metade da riqueza mundial. Assim, se você é dono de uma casa (ou seja, não paga aluguel) em qualquer cidade importante num país desenvolvido do hemisfério norte, você provavelmente é parte desse 1% superior. Não se sente rico por isso? Pois o cenário que demonstra essa riqueza é o do contraponto, a situação dos pobres, que são a grande maioria das pessoas no mundo: sem propriedade, sem dinheiro e, evidentemente sem ações, títulos ou bonos.

A investigação mostra que 3,5 bilhões de pessoas – 73% de todos os adultos do mundo – possuem bens e renda inferiores a 10 mil dólares em 2016. Outros 900 milhões de adultos (19% da população mundial) estão no leque entre 10 mil e 100 mil dólares. Os pobres se concentram no continente africano, na Índia e nas nações mais pobres da Ásia. Porém, também há um número significativo de pessoas que são pobres segundo esses parâmetros, e que vivem na América do Norte e na Europa – entre eles 9% dos norte-americanos, a maioria com um patrimônio líquido negativo, e 34% dos europeus. Essas pessoas não só carecem de riquezas como também vivem endividadas.

E quem são os que estão cada vez melhor? Certamente não são os indianos. A Índia tem só 3,1% das pessoas de classe média do mundo (com uma riqueza de entre 10 mil e 100 mil dólares) e essa proporção praticamente não mudou nos últimos anos. Pelo contrário, a China conta com 33% da população em níveis médios de riqueza, dez vezes mais que Índia, e essa proporção se duplicou desde o ano 2000. Isto nos mostra que a expansão econômica sem precedentes da China tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza, ainda que a desigualdade tenha aumentado.

Além disso, o número de milionários, que se reduziu em 2008, mostrou uma rápida recuperação depois da crise financeira, e agora é mais que o dobro da cifra de 2000. Na atualidade, há 32,9 milhões de milionários a nível mundial (ou sejam adultos com mais de 1 milhão de dólares em propriedades ou economias, descontadas as dívidas). Há somente 140 mil pessoas em todo o mundo com patrimônio superior a 50 milhões de dólares. E também há mais de 2 mil multimilionários, que são realmente os donos do mundo.

Supondo que não haverá mudanças na tendência de aumento da desigualdade com respeito à riqueza mundial, se espera que haja mais 945 multimilionários nos próximos cinco anos, elevando o total a quase 3 mil. Mais de 300 desses novos multimilionários devem ser da América do Norte. A China, segundo esses cálculos, somará mais novos multimilionários que toda Europa junta, situando o total de chineses nesse patamar acima dos. O Credit Suisse estima que a riqueza global total agora é de 334 bilhões de dólares, ao redor de quatro vezes o PIB mundial anual. No começo deste século, houve um rápido aumento da riqueza mundial, com um crescimento mais rápido na China, na Índia e em outras economias emergentes, que representaram 25% do aumento da riqueza, apesar de que possuíam somente 12% da riqueza mundial no ano 2000.

A riqueza mundial se reduziu em 2008, mas mostrou uma lenta tendência de recuperação a partir de então, com uma taxa significativamente mais baixa que a exibida antes da crise financeira. De 2010 em diante, a riqueza (em dólares) caiu em todas as regiões do planeta fora da América do Norte, Ásia-Pacífico e China. A riqueza per capita por adulto registrou crescimento pífio, e a riqueza média caiu desde 2010. Logo, o adulto médio é cada vez mais pobre.

Nos últimos 12 meses, a riqueza mundial aumentou em 1,4%, mal podendo manter o ritmo do crescimento da população. Como resultado, neste ano de 2016, a riqueza média por adulto se manteve sem mudanças pela primeira vez desde 2008, aproximadamente uns 52,8 dólares. Portanto, a população mundial em seu conjunto não se tornou mais rica no último ano e meio, mas a desigualdade aumentou.

* Michael Roberts é um reconhecido economista marxista britânico.

Tradução: Victor Farinelli


 Fonte: The Next Recession
http://www.vermelho.org.br/noticia/291248-1

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Desigualdade: estudos sobre as famílias ricas mostram que os pobres são os mesmos de sempre.

 

desigualdade


No ano de 1427, a então pequena província de Florença elaborou um censo entre seus habitantes com a finalidade de cobrar impostos. Ali ficou registrado, além do nome, o que faziam, quanto ganhavam e qual o patrimônio dos moradores da cidade que já tinha dado ao mundo Dante Alighieri e ainda nos presentearia com Leonardo Da Vinci.
Recentemente aquele levantamento foi digitalizado e disponibilizado na internet. Foi então que dois economistas da Banca D’Italia (o Banco Central italiano), realizaram um estudo com base nas informações disponíveis cruzando-as com as declarações de renda de famílias remanescentes na cidade até 2011. Guglielmo Barone e Sauro Mocetti ficaram espantados. Num arco de seis séculos, mais precisamente após 584 anos, as famílias mais ricas em 1427 eram as mesmas em 2011. E ainda: os sobrenomes dos contribuintes mais pobres também não haviam mudado.
A tecnologia da digitalização permitiu não apenas fazer um comparativo sobre uma linha temporal longa, como colocou em dúvida alguns mitos sobre o capitalismo. No geral esses estudos cobrem 2 ou 3 gerações contíguas e podem dar uma sensação de alternância ou de migração de riqueza para outras mãos. Por vezes, um filho playboy mais rebelde e inconsequente termina mal e isso indicaria, numa medição precipitada, que haveria uma anulação na transmissão de bens e nas vantagens sociais e econômicas. Errado. A hereditariedade e os mecanismos de proteção das elites, quando analisados numa linha de tempo maior, comprovam uma estabilidade assombrosa.
Nas estatísticas, desde então a renda per capita em Florença foi multiplicada por doze, a população aumentou dez vezes e a cidade cresceu. É a maior cidade e também capital da Toscana. Em números frios, tudo melhorou, certo? Porém os mais ricos continuam sendo os mais ricos e os mais pobres permanecem ralando dia e noite para chegar lá, sem sucesso. Onde está a mobilidade social?
Os italianos não foram os únicos a constatarem essa realidade. Pesquisadores ingleses também já tinham feito um outro levantamento no qual ficou demonstrado que famílias da Inglaterra são ricas e poderosas há 28 gerações. Uma prova de que o 1% está no alto do pódio há mais de 800 anos.
O trabalho dos pesquisadores da terra da rainha abrangeu o período entre os anos de 1170 e 2012 e, além de analisarem os dados priorizando os sobrenomes das famílias, utilizaram informações sobre grau de escolaridade e instituições de ensino frequentadas. Daí vemos aquela confirmação daquilo que todos intuímos.
Gregory Clark e Neil Cummins revelaram que as famosas Oxford e Cambridge despontam entre as classes mais ricas e evidenciam uma seletividade obscena mesmo com o acesso livre durante um período. Os pesquisadores acreditavam que o apoio do Estado com o fornecimento de bolsas para o ingresso nas universidades iria ser traduzido em uma maior variedade de sobrenomes entre aqueles que nelas se formavam. “Não há nenhuma evidência disso. Os nomes da elite persistiram tão tenazmente a partir de 1950 como antes do incentivo. O status social é fortemente herdado”, afirmaram. Ou seja, de nada resolve abrir as portas do ensino universitário sem ter oferecido uma boa base.
“Essa correlação é inalterada ao longo dos séculos. Ainda mais notável é a falta de um sinal de qualquer declínio na persistência de status social durante os períodos de mudanças institucionais como a Revolução Industrial do século XVIII, a disseminação da escolarização universal no final do século XIX, ou a ascensão do estado social-democrata no século XX. A mobilidade social na Inglaterra em 2012 foi pouco maior do que no tempo pré-industrial”, cravou Neil Cummins, da London School of Economics.
Thomas Piketty, em seu “O capital no século XXI”, sustenta que a concentração de renda vem aumentando os índices de desigualdade. Os estudos dos economistas italianos e ingleses não afirmam isso mas ratificam o livro do francês. Se o topo da sociedade é habitado pelos mesmos há séculos, se a correlação entre sobrenomes e status social não se altera nunca, é lógico supor que a propensão é por um maior distanciamento entre as camadas.
O que esses estudos dizem com todas as letras (e números) é que os ricos se mantém ricos ao longo de séculos sem muitas dificuldades. E que o capitalismo que sugere ser dinâmico, meritocrático, justo, etc e tal, não passa de propaganda enganosa. No longo prazo, pouca coisa muda. É culpa exclusiva do sistema então? Não, até porque concentração de renda é ruim para o próprio capitalismo. O dinheiro não circula, está sempre as mãos dos mesmos. Mas sem uma preocupação social de base, que realmente dê oportunidades iguais a todos, teremos que continuar a responder à pergunta “Qual a possibilidade de um jovem mudar seu destino em relação a suas origens?” com um desanimador “Praticamente nenhuma”.
O Brasil tem uma história recente (italianos e ingleses fizeram levantamentos desde um período em que Cabral nem haviam chegado por aqui), não temos portanto nenhum estudo que passe perto disso. Mas se puxarmos as listas da publicação Forbes, é possível constatar que não fugiremos da regra. O primeiro ranking da revista, feito em 1987, contava com apenas três brasileiros: Roberto Marinho, Sebastião Camargo e Antonio Ermírio de Moraes. Vinte e sete anos depois, em 2014, já eram 65 os bilionários brasileiros na lista e lá continuavam os Marinho, os Camargo e os Moraes. Com um detalhe que confirma as pesquisas de Mocetti, Barone, Clark e Cummins: dos 65 brasileiros, 25 eram parentes.
Este ano, a Forbes aponta uma redução do número de bilionários verdes-e-amarelos. São 31 mas… tcharam! Lá estão nosso amigos de sempre em companhia de nomes que sabemos irão se perpetuar e facilmente identificados em levantamentos recentes: Safra, Moreira Salles e por aí vai.
O filho de Michel Temer já possui um patrimônio de R$ 2 milhões em imóveis. Michelzinho tem 7 anos de idade. O que ele fez para isso? Nada, nasceu. Essa é a forma mais eficiente de ficar rico.
Por Mauro Donato, via DCM, no http://blogdoitarcio.blogspot.com.br/2016/07/desigualdade-estudos-sobre-as-familias.html

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Qual a prioridade? O banqueiro bilionário ou a criança faminta?

Por que existem alguns poucos bilionários no Brasil enquanto muitas outras pessoas passam fome?


Esses bilionários trabalham mais que os demais? Ou são mais inteligentes? Eles merecem suas fortunas? É uma questão de sorte?

Por que existem pessoas que trabalham muito durante toda a sua vida, vários são até considerados bem inteligentes, e mesmo assim não chegam nem perto de se tornarem milionários?

Por que algumas dessas pessoas, mesmo trabalhando muito e sendo capacitadas, vivem em condições precárias de vida?

Por que mendigos morrem de frio em frente a prédios com dezenas de apartamentos desocupados?

Essas perguntas, a princípio, possuem respostas bastante complexas, certo?

Pois é, mas há alguns dias eu estava folheando a revista do CREA/RS, edição de maio/junho de 2016, e me deparei com o seguinte gráfico representativo dos gastos do orçamento público brasileiro:




Só olhando para ele salta aos olhos a maior parte de todas as respostas para as perguntas que fiz acima. É tão flagrante que chega a ser constrangedor.  

Suponha que você fosse eleito para administrar o orçamento público e recebesse a informação que estava faltando dinheiro para os serviços básicos. Suponha ainda que você não tenha nenhuma noção de administração e finanças, e te mostrassem esse gráfico acima. Por onde devemos começar a mexer para ajustar o orçamento? Qual item é o mais crítico?

Uma criança seria capaz de responder facilmente a pergunta, é tão lógico que chega a ser infantil. Mas então por que só ouvimos os nossos governantes e nossos jornais citarem o “rombo” da previdência, o gasto com saúde, educação, programas sociais e quase nunca ouvimos falar em auditoria e renegociação da dívida pública?

Em resumo, praticamente metade de todo o nosso orçamento está indo para as mãos de banqueiros e especuladores financeiros, limpo, “legalmente”, enquanto crianças não têm acesso à educação básica e enquanto cidadãos que trabalharam a vida inteira estão morrendo nas filas de hospitais públicos sem atendimento. Esse tipo de gráfico explica em grande parte porque 0,9% dos brasileiros detêm 60% da riqueza do país. Veja bem: 46% para a tal dívida, enquanto a menos de 4% vai para a saúde e educação e pouco mais de 20% vai para custear a tão “badalada” Previdência Social.

Embora houve várias políticas inclusivas nos últimos anos e houve uma ascensão na renda das classes mais baixas da pirâmide social, nem o Presidente FHC, nem o Presidente Lula e nem a Presidenta Dilma tomaram qualquer atitude ou protagonizaram qualquer política para mexer nos privilégios dos poucos e riquíssimos brasileiros que se beneficiam da dívida pública para enriquecer sem produzir um único pirulito sequer. Nenhum deles jamais pensou em auditar essa grotesca e injusta dívida ou em taxar grandes fortunas. O fato de todos eles terem tido suas campanhas financiadas por grandes bancos e agentes financeiros deve ser pura coincidência.

Com o Sr. Michel Temer e sua “ponte para o futuro” obviamente não preciso nem dizer que não há possibilidade nenhuma de avanço nesse sentido. Os primeiros discursos de seus ministros apontam como ações para resolver o problema do orçamento público a Reforma da Previdência (fazendo novamente o trabalhador assalariado pagar a conta, se possível trabalhando e “contribuindo” até o dia de sua morte) ou então a genial “desvinculação de gastos públicos”, que retira a obrigatoriedade de reservar uma parte do orçamento para um determinado fim, como saúde e educação. Na prática, acabará diminuindo ainda mais os recursos para essas áreas, sucateando ainda mais a saúde e educação públicas, como ilustra bem a reportagem da BBC no link a seguir:http://www.bbc.com/portuguese/brasil/2016/05/160517_desvinculacao_saude_ab.

O fato das grandes empresas de planos de saúde serem também grandes financiadores de campanhas, inclusive os maiores financiadores das últimas campanhas do novo Ministro da Saúde Ricardo Barros, também deve ser pura coincidência.

Mas e nossa imprensa, por que continuam dizendo que a Previdência Social é o grande vilão do orçamento? (Veja você mesmo como o site da Rede Globo trata a questão do que chamam de “rombo” da Previdência: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/05/sem-mudar-fator-previdenciario-deficit-do-inss-ja-iria-r-7-tri-em-2060.html .

Por que as poucas família que controlam toda a nossa mídia (jornais, TVs, rádios e revistas) querem que os assalariados trabalhem até a morte e não discutem com clareza assuntos importantes como auditoria ou renegociação da dívida, ou ainda taxação de grandes fortunas? Por que os especuladores financeiros e donos de bancos continuam comprando seus helicópteros, lanchas e carros de luxo às custas do sangue da grande maioria da população e não há um Globo Repórter especial para denunciar esse escândalo?

Não vou responder a pergunta. Vou apenas citar alguns fatos abaixo e deixar que cada um chegue às próprias conclusões:

- Segundo a Revista Forbes, conforme publicação de 2014, a família Marinho, dona da Rede Globo, é a família mais rica do Brasil, com uma fortuna estimada em quase 30 bilhões de dólares:http://www.valor.com.br/empresas/3547766/familia-marinho-e-mais-rica-do-brasil-diz-forbes .

- Segundo reportagem da Revista Carta Capital, em 2015, mesmo com a crise financeira, o Grupo Globo aumentou seu lucro líquido, saltando para mais de 3 bilhões de reais, e grande parte desse lucro foi conseguido com o “mercado financeiro”, especialmente com a vulnerabilidade do câmbio e com a subida da taxa básica de juros. A reportagem é excelente e recomendo que tirem um tempo para leitura: http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/em-meio-a-crise-economica-globo-tem-lucro-liquido-superior-a-r-3-bi .

- A TV Globo vendeu mais de 3 bilhões de reis em cotas comerciais para 2006. Entre os seus principais parceiros estão os Bancos Itaú, Santander e Bradesco:http://propmark.com.br/midia/globo-vende-mais-de-r-3-bilhoes-de-cotas-comerciais-para-2016 .

Enfim, como disse antes, são só fatos. Cada um pode ligá-los como achar mais adequado.

Mas vou terminar o texto exatamente como comecei, com algumas perguntas para reflexão:


Será que a regulação da mídia e o controle de propriedade dos meios de comunicação, evitando o monopólio e a acumulação de meios por uma mesma família, como existe em quase todos os países desenvolvidos do mundo, pode ser considerado censura ou ataque à liberdade de imprensa?

Será que uma mídia mais diversificada e plural, com espaços para organizações públicas e não governamentais, não seria muito bom para o desenvolvimento da nossa sociedade e para uma participação mais ampla da mesma em temas polêmicos e importantes?

Será que são os políticos os únicos culpados pela pobreza, miséria, fome e violência existentes na sociedade brasileira?

Até onde pode chegar a ganância e o egoísmo em um ser humano?

“Quanto vale a vida”?

Até quando usarão a tal “meritocracia” para explicar o inexplicável e para justificar injustiças flagrantes?

A quem interessa que sejamos tão divididos?
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Vi no: http://francamente1909.blogspot.com.br/2016/06/qual-prioridade-o-banqueiro-bilionario.html




segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Por que um planeta desigual nunca será sustentável?


Foto: Too Much Online
"Quanto maior a concentração de riqueza e maior a desigualdade dentro dos países, menores são as chances de se alcançar a sustentabilidade mundial. Os mais conceituados ambientalistas já entenderam essa conexão, chegou a vez de nossas sociedades

Sam Pizzigati, em Too Much / Envolverde

O que será necessário para salvar o planeta da devastação ambiental? Apenas o poder do povo? Nós certamente vimos isso na véspera da Cúpula do Clima da ONU em Nova York. Quase 400 mil pessoas marcharam pelas ruas de Manhattan. Outras milhões se manifestaram no mesmo dia com mais de 2.600 ações em 162 países.

Ou simplesmente constranger os líderes mundiais a responderem mais seriamente aos desafios da mudança climática? Nós vimos um pouco desse constrangimento na semana passada também. A poeta Kathy Jetnil-Kijiner, das Ilhas Marshall – um dos países-arquipélago mais ameaçados pelas mudanças climáticas –, que ajudou a abrir a reunião da ONU, leu o poema que fez à sua filha de 7 meses, levando alguns líderes mundiais presentes às lágrimas.

Mas isso, infelizmente, não é o bastante para estimular o bom senso de tais líderes. Como aponta artigo da Christian Science Monitor, a Cúpula deixou a comunidade internacional “sem uma estratégia ampla para combater a mudança climática”, apenas com a esperança de que, talvez, a próxima reunião “possa estabelecer um plano que poderia, lenta e eventualmente, reverter a crescente emissão global de carbonos”.

As pessoas têm alimentado tais esperanças há muito tempo, como o colunista George Monbiot observou, desde que os líderes mundiais se reuniram pela primeira vez em cúpulas ambientais, em 1992. “Essas reuniões falharam pela mesma razão que os bancos falharam”, explica Monbiot. “Os sistemas políticos, que deveriam representar a todos, agora têm governos para os milionários, financiados para agir em nome dos bilionários.”

Esperar que tais governos protejam a biosfera faz tanto sentido quanto “esperar que um leão viva de comida vegetariana”, compara Monbiot.
Por que deveria ser esse o caso? Ao longo das décadas recentes, analistas e ativistas fizeram todo o tipo de ligações entre a crescente degradação do meio-ambiente no mundo e o aumento da concentração da riqueza mundial.

Os super-ricos, para começar, deixoaram um enorme rastro de carbono no planeta. O maior símbolo desse “pisoteamento”? Provavelmente seus jatos particulares.

Esses brinquedinhos superpoderosos da elite global emitem seis vezes mais carbonos por passageiro do que os aviões comerciais comuns. Entre 1970 e 2006, o número de aviões particulares cresceu dez vezes mais no mundo inteiro. Os super-ricos não apenas consumem em níveis que tornam insignificante o consumo dos “meros mortais”, seus gastos devassos estimulam um consumo infinito que se estende por todas as classes econômicas.

“Grandes abismos de renda”, como Rob Dietz e Dan O´Neill apontam seu livro Enough is Enough(algo como “já deu”, traduzindo livremente), “levam a um nada saudável status de competição e consumo de materiais e energia, além do que é necessário para satisfazer as necessidades das pessoas”. Em sociedades mais iguais, os analistas sugerem, a maioria das pessoas pode adquirir as mesmas coisas. Nesse tipo de ambiente, as coisas materiais não significam tanto assim.

Mas as “coisas” se tornaram um poderoso transformador de status social em sociedades desiguais nas quais a maioria das pessoas não tem o mesmo poder de compra. Nessas sociedades, ou você acumula mais e mais coisas ou se encontra rotulado como um fracassado.

Como conseguimos reverter esse ciclo de consumo infinito? Nós podemos superar “o status de competição destrutiva, tanto socialmente, quanto ambientalmente, se trabalharmos para estender a democracia para a esfera econômica”. Pelo menos é o que afirmam os cientistas sociais Richard Wilkinson e Kate Pickett, em seu recente A Convenient Truth (Uma verdade conveniente). Empresas com representantes dos trabalhadores em sua junta de diretores, companhias com funcionários- proprietários e cooperativas “geralmente têm uma diferença de salários bem pequena entre eles”, apontam Wilkinson e Pickett, autores também do best-seller “O Nível Espiritual: Porque sociedades mais igualitárias quase sempre vão melhor”. Nós também precisamos trabalhar juntos, sugere a socióloga Juliet Schor, para começarmos criar uma “comunidade que sustente nossas necessidades básicas”, através de, por exemplo, serviços de propriedade pública como energia para as casas a um preço razoavelmente sustentável.

Tudo isso funcionando ao mesmo tempo não será fácil. As pessoas, em algum ponto, terão que confiar uma nas outras, aponta Bill Kerry, do Equality Trust, no Reino Unido. De acordo com uma pesquisa da instituição, quanto mais desigual é uma sociedade, mais desconfiança é gerada dentro dela. Assim como as menos democráticas. Em países onde a renda e a riqueza são mais concentradas, os ricos podem usar de seu poder político gritantemente desproporcional para evitar as reformas ambientais que ameaçam suas minas de ouro. Por exemplo, executivos em empresas energéticas podem alterar os limites de emissões de carbonos, que eventualmente ameaçariam os lucros de suas empresas, assim com benefícios pessoais.

Esses executivos estão agora usando “seus consideráveis poderes político e financeiro”, aponta o ativista veterano Chuck Collins, “para bloquear políticas energéticas sensatas, conseguir subsídios através de impostos, difamar matrizes renováveis e limitar o poder de escolha dos consumidores”.

Os “prósperos” podem usar de sua riqueza para acabar com políticas para recursos naturais que de fato funcionariam. Na Califórnia sofrendo com a seca, por exemplo, os proprietários ricos em Montecito têm “pago 10 vezes mais que o valor da taxa de água” para contornar os limites de uso para a água local. Esses ricos proprietários tem “importado” de caminhão, água de poços particulares em outros locais do estado “em uma tentativa desesperada para salvar seus gramados bem cuidados e a topiaria decorativa”. Esses caminhões estão destruindo as estradas locais.

Outros prósperos de Montecito estão correndo para cavar poços em suas propriedades – cerca de 100 mil dólares por cada – que poderiam eventualmente secar os aquíferos locais. “Se o mundo não encontrar uma maneira coletiva de coibir emissões por esses ‘gastões’ entre países ricos, assim como os ricos nesses países, nós iremos pagar pelo alívio que os pobres entre nós não poderão arcar”, afirma o analista político Jim Tankersley.

As lutas contra a degradação ambiental e por uma sociedade mais igualitária precisam, em resumo, andar de mãos dadas. Um planeta profundamente desigual não pode nunca ser sustentável. A cidade “mais verde” do mundo, Oslo, não está por acaso em um dos países mais igualitários do planeta, a Noruega.

Ativistas ambientais estão cada vez mais compreendendo essa conexão. Espalhar essa consciência – e agir em cima dela – se tornou agora nosso maior desafio. Nós podemos resolver tanto os problemas ambientais como os sociais, mas “apenas se enxergamos ambas as lutas como apenas uma”.

Tradução: Vinicius Gomes.

** Publicado originalmente pelo Too Much e retirado do site Revista Fórum.

domingo, 17 de junho de 2012

Brasil empata com Japão e Reino Unido em novo índice de riqueza da ONU



A culpa é de Lula e de Dilma.

Um novo cálculo apresentado neste domingo (17) pelas Nações Unidas tenta integrar aspectos sociais e ambientais ao crescimento econômico para medir o grau de desenvolvimento sustentável de um país. No primeiro relatório do Índice de Riqueza Inclusiva da ONU, que analisou dados de 20 países, o Brasil ficou em quarto lugar – empatado com a Índia, o Japão e o Reino Unido e na frente de países como Noruega e Estados Unidos.


Pontuar melhor no índice de Riqueza Inclusiva significa ter um padrão de crescimento econômico mais sustentável, na visão da ONU. A China foi a primeira colocada, seguida pela Alemanha.


“É importante saber o quanto a economia de um país cresceu, mas também como ela cresceu”, disse Pablo Munoz, diretor científico do Relatório de Riqueza Inclusiva 2012. “Este índice alia as variações de estoque no capital econômico, no capital humano e no capital natural que sustentam o crescimento do país”, afirma Pablo Munoz, diretor científico do Relatório de Riqueza Inclusiva 2012.

O índice foi criado em parceria pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Universidade das Nações Unidas sobre Mudança Ambiental Global (UNU-IHDP) e apresentado durante a Rio+20. A Rio+20 é a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, que vai até o dia 22 de junho, no Rio.

Alternativa ao PIB


A substituição do Produto Interno Bruto -- a soma de todas as riquezas produzidas por um país -- por outro indicador de desenvolvimento pode ser uma das contribuições da Rio+20 para a comunidade internacional.


"Eu não diria que vamos substituir o PIB como medida de desenvolvimento, já que ele é medido hoje por cerca de cem países, com base em indicadores bastante confiáveis", diz Munoz. "Não sei em quanto tempo isso acontecerá, mas a tendência é que os índices de desenvolvimento evoluam para medir outros aspectos além da produção."


A consequência prática dessa mudança de paradigma seria que não só o crescimento do PIB, mas a melhoria de outros indicadores nacionais motivassem as políticas de cada país. O desafio é chegar a um índice que leve em conta as várias dimensões do desenvolvimento sustentável e seja aplicável internacionalmente, passível de ser medido em todos os países.


Desde a Rio 92, quando a revisão do PIB como indicador de desenvolvimento já estava em pauta, surgiram propostas de redefinição do indicador. Poucas, no entanto, foram testadas na prática e adotadas internacionalmente por outros países.


A mais conhecida e utilizada das medidas de desenvolvimento alternativas ao PIB é o Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela ONU desde 1990. Em 2010, o Índice passou por uma reformulação, a fim de refletir melhor os valores da sociedade com relação a desenvolvimento sustentável.