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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ventos brasileiros semeiam empregos verdes




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Construção de parque eólico em Bom Jardim da Serra, Santa Catarina. Foto: Cortesia Abeeólica
A energia eólica, ainda marginal no Brasil, tem mais potencial para criar empregos verdes do que outras fontes renováveis.
A expressão “emprego verde”, criada para definir os postos de trabalho que contribuem de algum modo para preservar ou restaurar o meio ambiente, esta cada vez mais presente no vocabulário das empresas dispostas a atender a demanda social por uma economia mais limpa. O Brasil não fica alheio à tendência. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), sua economia conta com mais de 2,6 milhões de postos de trabalho formais que se ajustam a esses critérios e empregam 6,7% da força de trabalho....

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Molion, uma pá de cal na Energia Eólica

São bons ventos a energia eólica no Brasil?
O professor Luiz Carlos Baldicero Molion, diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da UFAL, e que já foi entrevistado aqui, envia este artigo em que questiona as vantagens da energia eólica. E olha que não se trata nem da morte de passarinhos pela instalação dos gigantes aerogeradores, mas pela enorme distância entre capacidade instalada e a quantidade de energia de fato capaz de ser produzida, aliada à seu alto custo de instalação. “Não que não devamos utilizar fontes alternativas, particularmente de energias renováveis e limpas.
É a maneira falaciosa como essas soluções são “vendidas” à Sociedade”, escreve o professor.
Considerações sobre a Energia Eólica no Brasil
Luiz Carlos Baldicero Molion
Um dos argumentos básicos contrários é que energia eólica não é uma fonte de energia segura ou firme, uma vez que o vento é extremamente variável e dependente do posicionamento e intensidade dos sistemas de alta e baixa pressões atmosféricas que, além de variarem de ano para ano, apresentam variações decadais relacionadas com mudanças climáticas. Por essa razão, existe um descompasso entre o suprimento (geração) e a demanda (consumo). Ao longo do ano, durante os períodos em que predominam os sistemas de alta pressão atmosférica, a velocidade dos ventos é baixa e a demanda, em geral, é alta.
No caso da Inglaterra, por exemplo, os sistemas de alta pressão estão associados a verões quentes e invernos frios e, em ambas as condições atmosféricas, a demanda de energia elétrica é maior e, portanto, há que se recorrer a outras fontes de energia. Embora a Associação Britânica de Energia Eólica (BAWE) utilize o percentual de 30% como “fator de capacidade” ou “fator de carga” – a fração de energia gerada pelo aerogerador com relação a sua capacidade nominal instalada durante um dado intervalo de tempo – na realidade, sua média tem sido 18% no presente inverno rigoroso, variando de 7% a 27% dependendo do local.
Note-se que o fator de capacidade médio na Inglaterra é maior que de outros países, como Alemanha, Dinamarca e Espanha. Na Dinamarca, em 2004, a energia eólica correspondeu a 20% da produção total de eletricidade do país, mas somente 6% foram consumidos, pois os campos de aerogeradores (“wind farms”) produziram excesso de energia em períodos de baixa demanda. Devido a esse aspecto, os países europeus têm enfrentado extrema dificuldade em balancear a carga elétrica em suas redes de distribuição. Ou seja, quando os aerogeradores estão em plena produção, as redes tendem a ficar sobrecarregadas, pois não há demanda. A Alemanha, por exemplo, estimou que precisasse de mais 2.700 km de linhas de transmissão de alta voltagem para transportar a carga gerada em áreas remotas.
Alguns aspectos de nosso clima merecem ser comentados. Grande parte do Brasil é dominada por sistemas de alta pressão durante parte do ano, portanto, como baixo potencial eólico. O Centro-Oeste e toda Costa Leste, por exemplo, ficam sob alta pressão de maio a novembro (período seco), quando o sistema de alta pressão do Atlântico Sul se torna mais intenso e se aproxima do continente, o que reduz a velocidade média do vento.
A Amazônia não tem ventos constantes. A região que apresenta maior potencial é a Costa Norte do Brasil, do Rio Grande do Norte ao Amapá. Entretanto, os aerogeradores instalados no Porto de Mucuripe (Ceará), em colaboração com a GTZ, demonstraram que o fator de capacidade foi 36%, ou seja, a energia gerada foi cerca de um terço da potencia nominal instalada. Sublinhe-se que esse número (36%) é um “relato oficial” e pode não representar a verdade, devido aos interesses comerciais óbvios daquele país.
No ciclo diário, em regiões litorâneas, a velocidade do vento é intensificada durante o dia por conta da brisa do mar, resultante do aquecimento solar diferenciado entre o continente e o oceano. No entanto, no entardecer e à noite, quando a demanda de energia é maior, a diferença de temperatura inverte, ou seja, a água do mar fica mais quente que o continente, e o vento total e o fator de carga diminuem.
O argumento que energia eólica vai diminuir a emissão de quantidade significativa de CO2 para atmosfera também deve ser tomado com restrições, pois tal redução não foi verificada na Alemanha e Inglaterra até agora. O aquecimento global, causado pelo aumento da concentração desse gás por meio da queima de combustíveis fósseis, é uma hipótese não comprovada e que carece de bases físicas sólidas. Mas, admitindo que essa hipótese venha a ser comprovada, as mudanças climáticas decorrentes devem influenciar o regime de ventos global.
Sabe-se que os ventos são gerados pela diferença de temperatura (pressão atmosférica) entre o equador e os pólos. Simulações feitas com modelos de clima indicaram que as temperaturas polares vão aumentar de 4 a 6 vezes mais que as tropicais, reduzindo as diferenças e enfraquecendo os ventos, o que tornaria o fator de capacidade dos aerogeradores ainda menor .
Nas apologias à eólica, dá-se ênfase à “capacidade instalada” no mundo e não ao “fator de capacidade”. Há que se tomar cuidado, pois capacidade instalada não significa energia gerada, energia disponível. A capacidade instalada na Alemanha, por exemplo, deve atingir 48GW em 2020. Contudo, essa energia é tão intermitente que será equivalente a apenas 2GW de geração estável com combustíveis fósseis. Cuidado deve ser tomado, também, com relação ao “lobby” das firmas que produzem essas máquinas.
Vários países europeus não estão mais investindo em eólica, devido ao baixo fator de capacidade e ao alto custo de implantação e manutenção das instalações, notadamente as “offshore” (sobre o oceano, fora do continente). O custo real do MWh produzido, e não o subsidiado com dinheiro público, passa a ser alto, entre US$80 e US$ 100, quando nossas hidrelétricas, além de ser uma fonte mais confiável que a eólica, o produzem por cerca de US$30. Esse aspecto, associado à crise econômica global, está fazendo com que a eólica perca mercado. A Vestas, uma das gigantes do setor, já está com 15% de sua capacidade de produção ociosa e a situação deve piorar com a crise.
Portanto, a afirmação que a implantação da indústria desse setor no Brasil geraria milhares de empregos é falaciosa. Já que o País não possui potencial eólico expressivo, para quem seriam vendidos os aerogeradores aqui produzidos? Em resumo, preocupam certos “direcionamentos tecnológicos externos”, que são colocados para o País como sendo “soluções ideais” para nossos problemas. Entre eles, está o uso da eólica dentro de nossa matriz energética. Não que não devamos utilizar fontes alternativas, particularmente de energias renováveis e limpas. É a maneira falaciosa como essas soluções são “vendidas” à Sociedade.
Energia eólica pode ser solução local para pequenos núcleos consumidores de energia, onde haja vento, ou seja, onde o fator de capacidade seja comprovadamente alto, mas não é, e jamais será, a “solução mágica” para complementar nossa, ou de qualquer outro país, matriz energética e salvar o mundo de um aquecimento global inexistente. Não se pode, portanto, planejar um crescimento social e econômico dependente de uma fonte de energia instável. O Brasil é muito rico em fontes de energia renovável, inexistentes em outros países do mundo, e a eólica seria a nossa última opção dentre as renováveis.
By: Blog do Maurício Porto

O que é bom para o Greenpeace, é bom para o Brasil?


Energia eólica é solução para ameaças das mudanças climáticas
O Greenpeace e o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) lançaram o relatório Wind Force 12, um projeto da indústria eólica que descreve como o poder do vento pode fornecer 12% da eletricidade mundial até 2020. A divulgação é realizada uma semana antes da reunião do G8 (7 e 8 de julho), que contará com a participação do Presidente Lula. As mudanças climáticas foram estabelecidas como prioridade do encontro.
O relatório Wind Force 12 demonstra que não há barreiras técnicas ou econômicas para o suprimento de 12% das necessidades globais de energia a partir de uma matriz eólica até o ano 2020. O relatório também é uma ferramenta crucial na corrida para diminuir em 12% o efeito estufa causado pelas emissões de gás. O documento também explicita o fato de 13 países-chave desempenharem papel de liderança no crescimento da energia eólica: Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Japão, Filipinas, Polônia, Turquia, Reino Unido.
Na América do Sul, o Brasil emergiu como o mercado mais promissor para o desenvolvimento da energia eólica. Como maior país do continente, atualmente obtém 70% de sua energia de grandes usinas hidrelétricas. O Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia) garante a instalação de 3300 MW de capacidade renovável até o final de 2006, uma das metas mais ambiciosas do mundo. Espera-se que aproximadamente um terço (1100 MW) desse total venha de energia eólica.
O Centro Brasileiro para Energia Eólica prevê que sejam instalados até 1350 MW de capacidade eólica até o final de 2006. Em uma segunda etapa do programa Proinfa, o governo brasileiro estabeleceu uma meta de que 10% da eletricidade do País será proveniente de fontes renováveis (vento, biomassa e pequenas hidrelétricas) até 2022. Isso poderá significar algo entre 100 e 200 MW de capacidade eólica sendo instalados a cada ano.
“É fundamental que o governo e o parlamento garantam a implementação da segunda fase do Proinfa, estimulando um aumento significativo da participação das energias renováveis (solar, eólica, biomassa e pequenas hidroelétricas) na matriz energética brasileira”, disse Marcelo Furtado, diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil.
Diferentemente de combustíveis convencionais, a energia eólica é uma fonte de energia permanentemente disponível em praticamente todos os países. Traz os benefícios da energia limpa e elimina os custos de outros combustíveis, evitando também os riscos prolongados de outras fontes e dependência econômica e política pela importação de outros países.
“A energia eólica tem um grande papel em nosso futuro e no combate às mudanças climáticas. Já é um dos setores da energia que mais cresce no mundo. Os países do G8 devem encorajar e apoiar o desenvolvimento do uso do poder do vento em todo o mundo para garantir que possamos controlar a emissão de gases causadores do efeito estufa”, disse Sven Teske, do Greenpeace Internacional. Hoje, o poder do vento instalado na Europa está economizando 50 milhões de toneladas de CO2 e tem até 2010 para cumprir um terço do compromisso de Kyoto com a UE. No relatório, o valor do mercado mundial para turbinas de vento deve passar dos atuais 8 bilhões de euros para 80 bilhões de euros anuais até 2020.
A demanda mundial de eletricidade pode dobrar de 2002 a 2030, representando 60% dos novos investimentos em tecnologia até lá. Os dados são da Associação Internacional de Energia (IEA) que faz a estimativa de acordo com as atuais tendências. O setor mundial de energia demanda 4800 GW – 2000 GW disso no OECD – da nova capacidade para aumentar e substituir infra-estrutura, num custo de 10 bilhões de dólares em geração de energia, transmissão e distribuição. Até 2030, o setor energético representa 45% das emissões de carbono. As decisões de investimento feitas agora determinarão o nível de emissões de dióxido de carbono por muitas décadas.
O Relatório
Wind Force 12 é a principal avaliação de energia eólica. Foi conduzida desde 1999 pela EWEA (Associação Européia de Energia Eólica) e pelo Greenpeace Internacional. O relatório de 2005 foi feito pelo Greenpeace e EWEA para o GWEC (Conselho Global de Energia Eólica). (Greenpeace)
By: Blog do Maurício Porto