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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

[reflexões] Infelizmente a renda define muita coisa em nossa vida


Neste sábado (16), logo pela manhã, minha esposa pela primeira vez começou a sentir dor na parte de baixo das costas, bem na região dos rins.

Quando essa dor aumentou e se tornou insuportável, resolvemos procurar um hospital.

Peguei nosso carro na garagem e dirigi o mais rápido que pude até o hospital da empresa da qual temos plano de saúde, que fica a uns 12 quilômetros da nossa casa.

Chegando lá, a fila de pacientes estava bem pequena, o que resultou num atendimento rápido. 

Em torno de 20 minutos ela foi encaminhada para uma sala de observação bem confortável, onde recebeu um analgésico e ficou descansando lá até o médico estar pronto para fazer uns exames.

Em pouco mais de uma hora depois de chegarmos ao hospital, já estávamos na sala do médico, fazendo os exames para identificar qual era o problema dela. Depois voltou para a sala de observação e descansou mais um pouco.

No fim das contas deu tudo certo. Em torno de duas horas e meia depois que saímos, já estávamos voltando para casa satisfeitos com o atendimento e comentamos sobre o alívio que sentimos por termos um plano de saúde numa hora como essa.

Mas outro pensamento invadiu minha cabeça por esses dias:

Como essa história teria ocorrido se fôssemos um casal muito pobre?

Provavelmente teríamos esperado um pouco mais antes de ir ao hospital, pois ir de ônibus seria muito difícil e demoraria muito. Ela tomaria um analgésico em casa, esperando que a dor passasse sozinha.

Se a dor passasse, nem iríamos mais ao hospital. Mas se ela não passasse, teríamos que tentar conseguir algum vizinho ou amigo com carro, disposto a nos levar até o hospital, ou ir até a avenida mais próxima e aguardar até um táxi passar, para chamá-lo até próximo de casa e fazer minha esposa embarcar.

Caso não tivesse uns R$ 35 para o táxi, nem conseguisse emprestado, o jeito seria sofrer numa longa viagem de ônibus até o hospital.

Chegando lá, teríamos de esperar na fila da emergência, junto a uma grande quantidade de pessoas, por atendimento pago pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.

Após horas aguardando o atendimento e passando mal, ela seria encaminhada para uma enfermaria cheia, onde aguardaria o atendimento de um médico, que mal olharia para a paciente, receitaria alguns medicamentos para tomar e exames para fazer. Talvez nem fosse possível fazer os exames naquele dia, sendo necessário voltar depois para isso.

Voltaríamos para casa num ônibus cheio, com minha esposa se sentindo mal. Precisaria pedir por favor para que alguém cedesse o lugar a ela. No calor insuportável do ônibus lotado, sem ar-condicionado, ela ficaria se sentindo ainda pior e quase desmaiando.

Quando fosse na farmácia, teria bem pouco dinheiro para comprar os remédios dela e seria necessário economizar numa série de gastos durante o resto do mês, para não ficar sem dinheiro antes de receber o meu salário de 500 reais novamente. 

Talvez teria atrasado o pagamento do aluguel e precisaria conseguir um "bico" para ganhar uma grana extra para não faltar comida na mesa.


Os pobres vivem em risco constante

Após refletir como o episódio poderia ter sido, caso fôssemos um casal bem pobre, percebi que o problema nem de longe é apenas um plano de saúde: É o plano, é o transporte, a casa própria, o emprego, os remédios, dentre várias outras coisas. 

Tudo isso é definido quase exclusivamente com base na nossa renda.

Viver na pobreza ou na miséria no Brasil é viver em situação de risco nas mais diversas situações. 

Por isso, é imprescindível a luta pela diminuição da enorme desigualdade social brasileira, mas não apenas em termos de renda, mas principalmente de acesso a serviços essenciais.

Enquanto o acesso a serviços como o tratamento de saúde de qualidade forem totalmente dependentes da nossa renda, por muito tempo os brasileiros irão sofrer, pois temos uma desigualdade de renda brutal, que, apesar de diminuir a cada ano, está muito longe de chegar a um nível minimamente aceitável.
sugado do:http://fabiano-amorim.blogspot.com.br/2014/08/reflexoes-infelizmente-renda-define.html 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

NO BRASIL 5.000 FAMÍLIAS DETÉM 40% DO PIB

Por André Forastieri - para o blog R7

"As cinco mil famílias mais ricas do Brasil possuem um patrimônio equivalente a 40% do PIB do país. Em números de 2010, equivale a R$ 1,65 TRILHÕES de reais. É uma média de R$ 294 milhões por família.

O estudo foi realizado em 2004 pelo economista Márcio Pochmann, atual presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), e atualizado este ano.

É a base para um novo projeto de taxar grandes fortunas. A proposta é a da deputada Jandira Feghali, do PC do B do Rio de Janeiro. Foi encampada como bandeira pela CUT, que já a apresentou à Dilma Rousseff.

O texto prevê a criação de nove faixas de riqueza em que os contribuintes ficariam obrigados a pagar esta contribuição. Só paga quem tiver patrimônio acima de R$ 4 milhões.

Começa pagando anualmente 0,4% sobre o patrimônio, vai subindo até 2,1% para fortunas de R$ 150 milhões ou mais. Tem muita gente com tanta grana?

Em 2008, eram 997 contribuintes do Imposto de Renda com patrimônio superior a R$ 100 milhões.

Considerando-se que quanto mais dinheiro, mais fácil escondê-lo, fica transparente que muita gente tem dinheiro de sobra no Brasil.

E na velocidade em que estamos criando milionários, a cada dia o bolo aumenta. Está na hora de dividir.

A questão é: vai tirar esse dinheiro dos ricaços para fazer o quê? Para o governo distribuir para outros ricaços, amigos dos amigos? É aí que está o coração do projeto da deputada.

Por que não seria um novo imposto – que vai para o cofre geral do governo – e sim uma contribuição, que tem destino específico. A ideia é que toda a grana arrecadada vá, integralmente, para a Saúde, para o SUS.

Segundo Jandira, a expectativa de arrecadação anual é de quase R$ 14 bilhões.

É muitíssimo mais justo que a CPMF, que para bancar a saúde tirava dinheiro igualmente de bilionários e proletários. Quem tem muito que ajude quem tem pouco. Para mim ainda é pouco.

Porque segundo a Organização Mundial da Saúde, o gasto público do Brasil com saúde é de US$ 385 por ano; a média do mundo é US$ 524 por ano (dados de 2008).

Diferença grande – está explicada a desgraceira na nossa saúde? Está. Um estudo da Dieese conclui que para o Brasil chegar à média mundial (que já não é aquela beleza), teríamos que investir quase R$ 50 bilhões A MAIS por ano.

Isso que dá ter população grande. Uma família que tem R$ 294 milhões de patrimônio pode abrir mão de bem mais que 2,1% disso ao ano. Não é pedir muito – aliás, não é pedir; nos cabe é exigir.

blog do paulinho

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Só o trabalho interessa os jovens brasileiros

Temos muitos dados que revelam a crise do ensino médio no Brasil. Além de dados que comprovam que maior instrução não gera - como se divulga por aí - maiores salários. Vamos aos dados de duas matérias da Folha de São Paulo a respeito, a última divulgada ontem:

Rudá Ricci