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terça-feira, 2 de junho de 2015

A distopia reacionária da redução da maioridade penal


Por Erick da Silva

Um dos sonhos de todo reacionário brasileiro (mas não somente) é a redução da maioridade penal, que deverá em breve ser votada no congresso nacional comandado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Os argumentos favoráveis em torno desta proposta são, em geral, permeados por uma boa dose de preconceito social e ausência de dados empíricos.

Não importa se 10 em cada 10 especialistas afirmem que tal medida em nada melhoraria o quadro da segurança pública no país. Para estes "nobres" deputados e deputadas favoráveis a redução da maioridade penal dos atuais 18 anos para 16, o que importa é dar "uma resposta para a sociedade". Mesmo que ela não passe de um embuste.


Esta agenda conservadora, que à muito tempo vem sendo "fermentada" nos subterrâneos do conservadorismo brasileiro, de tempos em tempos, ganha maior relevância a partir de algum crime bárbaro que direta (ou indiretamente) teve a participação de algum menor.

A seletividade acusatória é notória e fomenta uma falsa ideia de "impunidade". Como disse antes, mesmo que os fatos e os dados estatísticos apontem para o inverso.

Um exemplo gritante desta seletividade é promovido pela rede Bandeirantes. que nos últimos anos tomou o tema da redução da maioridade penal como sua grande "cruzada moralizadora nacional". Raramente oportunizando espaços para opiniões contraditórias, trata como heróis a todos os parlamentares que desfraldam a mesma bandeira em nome da segurança. O fato de no Brasil, a responsabilidade social das emissoras de TV e rádio, mesmo sendo concessões públicas, praticamente inexistirem, permite que uma pauta deslocada como esta, converta-se em uma "agenda nacional", mesmo sem um lastro social real.

O sonho último destes defensores de políticas punitivas (e não educativas e assistenciais) seguramente é que não houvesse idade penal alguma. Em última instância, acalentam o sonho mal-disfarçado de converter qualquer brasileiro (mesmo que ainda na menor infância) em potencial réu. Para muitos destes, o simples fato de ser pobre já o converte em um suspeito em potencial.

O sonho de deputados da extrema-direita carioca, como Bolsonaro e Eduardo Cunha seria "exportar", em larga escala para todo o país o modelo de segurança publica socialmente excludente que os moradores dos morros cariocas à tanto tempo conhecem.

A chocante imagem acima, de soldados revistando crianças no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, no que depender da bancada BBB (bancada do boi, da bala e da bíblia) se tornaria corriqueira em todo o país.


Esta é a distopia acalentada pelos reacionários a favor da redução da maioridade penal.
no: http://www.aldeiagaulesa.net/2015/06/a-distopia-reacionaria-da-reducao-da.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+aldeiagaulesa%2FvSKk+%28Aldeia+Gaulesa%29#.VW5nIs9Viko

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Racismo e mentalidade direitista

    

      Voltando às comunidades racistas apontadas no Facebook, notamos com facilidade que nelas prevalece uma orientação política de direita, não somente no discurso dos administradores, como também nas intervenções da quase totalidade dos participantes.  O deputado federal Jair Bolsonaro é uma das figuras mais caras a estes movimentos.  Temos amostra bem instrutiva numa postagem da ONG Raça Branca, onde se estabelece conexão com a páginaDireita Política.     


     Poupando-nos de pequenos esforços interpretativos, o próprio coordenador da "ONG" se classifica (e aos seus seguidores) como direitista. 


        Em Orgulho de Ser Branco, podemos ver diversas manifestações de apreço à herança da ditadura civil-militar de 1964, entre elas a divulgação deste quadro pretensamente jocoso.


      No alto da mesma página, os "orgulhosos" expõem sua sintonia com os restauradores do partido que sustentou os governos dos  presidentes-generais. 



      O "Cavaleiro Paladino" http://www.facebook.com/cavaleiro.paladino.3?ref=ts&fref=ts, à frente da Orgulho Eurodescendente, não deixa dúvidas de que sua briga é contra o PT,


       (...) e, sem cair em contradição, curte e recomenda Direita Política.




   Nesta página, Orgulho branco/eurodescendentehttp://www.facebook.com/pages/Orgulho-brancoeurodescendente/366569136792164, que ainda não tínhamos visitado, os membros se unem na rejeição a comunistas, lulistas e "petralhas".


       Algum conservador, com sua dose de razão, poderia me questionar: -Cadê o racismo?  O quadro abaixo, difundido pelo grupo, neste caso me dispensaria de gastar retórica.  



      Não pretendo, é claro, usar estes exemplos, cujo número poderia ampliar em meia hora, para chegar a  generalizações pouco inteligentes do tipo "Todo direitista é nazista" ou "Todo racista é de direita".  Isto não me impede de trazer a público certas considerações.  Todo direitista, sem margem para exceções, é uma pessoa que tem as hierarquias socioeconômicas, ou pelo menos uma parcela importante delas, como dados naturais, mesmo que variem as justificativas para o estabelecimento destas relações.  Para alguns, o esforço individual explica a proeminência de determinados homens ou grupos; para outros, riqueza e pobreza, domínio e subalternidade, derivam da vontade dos Céus; para terceiros, os genes definem desde a concepção a força, a inteligência e as qualidades morais dos indivíduos, com reflexo direto e inevitável na organização social. 
      A vinculação a qualquer uma destas visões não constitui obstáculo para a eventual simpatia pelas demais.  Ao cidadão que explica a riqueza pela eleição divina não parecerá estranho que os eleitos, pressentindo sua condição, sejam mais ativos e esforçados do que os amaldiçoados; o que vê a iniciativa individual como única base para o sucesso talvez julgue razoável que o empreendedor seja dono do melhor DNA; o adepto da estratificação segundo a genética pode ser convencido de que a existência de raças superiores e inferiores foi concebida fora do mundo material. 
       Indo além de tais especulações, me parece fora de questão que alguém que considera normal, digamos, a subordinação dos interesses de milhares de funcionários e milhões de usuários das empresas de ônibus aos de um punhado de famílias de proprietários, já providas de contas bancárias milionárias há várias décadas, estará mais propenso a aceitar que alguns grupos étnicos devam se sujeitar a outros.  Como também aceitará mais facilmente do que qualquer pessoa de índole progressista que determinados segmentos da sociedade sejam impelidos para a obscuridade em decorrência do sexo, da orientação sexual, da filiação religiosa, da origem regional ou de classe.  Só nisto encontro ânimo para combater a direita por mais uns cinquenta anos.
Obs: Percebi em outras incursões no Facebook que um bom número de membros da rede tem dificuldade em denunciar os crimes de ódio.  Volto, então, a compor um roteiro:

1- Acesse o site da Polícia Federal em denuncia.pf.gov.br .

2- Clique na opção "crimes de ódio". 

3- Cole o link da página a ser denunciada em "Página da Internet" e mencione as falas comprometedoras em "Comentário".