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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A informação e a desinformação


 A informação:  

Não se deixe enganar: resultados da PNAD apontam para um Brasil cada vez mais inclusivo

Não é segredo pra ninguém que alguns setores da mídia tem se empenhado muito para construir manchetes negativas para o governo Dilma, apesar dos resultados positivos que apontam para mais inclusão social . Ontem, foram divulgados os resultados da Pnad 2013 (Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio) e, apesar das diversas notícias positivas trazidas pela pesquisa, alguns veículos da grande imprensa fazem ginástica, usando todas as lições de retórica possíveis, para estampar em suas manchetes dados negativos.

Como a gente tá aqui pra divulgar a verdade, vamos lá:

1. O índice de desemprego aumentou de 6,1% para 6,5% do ano passado pra cá. O que os nossos amigos não colocam nas manchetes é que essa taxa ainda continua sendo a menor desde 2004, quando começou a medição pela Pnad. E nós ainda vivemos um cenário de pleno emprego, diferentemente do resto do mundo que se afundou na crise e já desempregou 100 milhões de pessoas. No Brasil, com Dilma, foram criados 5 milhões de postos de trabalho.

2. Os empregos com carteira assinada aumentaram em todas as regiões do Brasil. A variação foi de 3,6% do ano passado pra cá, passando de 74,6% da população economicamente ativa em 2012 para 76.1% em 2013.

3. A disparidade entre os sexos no mercado de trabalho diminuiu. O rendimento médio mensal de todos os trabalhos dos homens foi de R$ 1 890,00 e o das mulheres, R$ 1 392,00. Em termos proporcionais, as mulheres receberam em média 73,7% do rendimento de trabalho dos homens. Em 2012, essa proporção era de 72,8%.

4. A renda cresceu acima da inflação. O rendimento médio mensal de todos os trabalhos foi de R$1.681 em 2013 – 5,7% superior a 2012, quando era de R$ 1.590.

Além disso, o trabalho infantil diminuiu (queda de 12,3% entre 2012 e 2013), aumentou o número de brasileiros conectados à internet, o analfabetismo caiu (de 8,7% para 8,3%) em todas as regiões do país, aumentou o número de brasileiros maiores de 25 anos com ensino médio e o número de crianças na escola.

Parte da imprensa também tenta alardear um suposto “aumento da desigualdade no Brasil” baseado em dados do Índice de Gini. Os dados apresentados acima já são suficientes para dizer que isso não é verdade, mas ainda tem mais. O índice que mede a desigualdade no Brasil passou de 0.496 em 2012 para 0.498 em 2013, levando em conta que quanto maior for a proximidade de zero, menor a desigualdade medida no país. Esse índice não indica uma aumento da desigualdade, mostra que o país segue estável mesmo em um cenário mundial extremamente instável, que segue demitindo milhões de pessoas, cortando salários e eliminando direitos sociais. Nas palavras da presidente do IBGE, Wasmália Bivar, a elevação do índice “não corresponde à interrupção do processo de melhora da distribuição de renda, mas sim a uma estabilidade dessa tendência”.

Isso tudo significa que as conquistas desses 12 anos de governo democrático e popular estão concretizadas e melhoraram muito a vida dxs brasileirxs, mas agora precisamos mais. E Dilma está ciente disso, por isso quer mudar ainda mais. Para um segundo mandato, nossa presidenta promete o aprofundamento das políticas sociais já implementadas e a criação de outras para que todxs possam continuar nesse processo de melhoria de vida e tenham a vida digna desse povo que, agora, anda de cabeça erguida.

 A desinformação:  

segunda-feira, 4 de março de 2013

Desempenho do PIB não interfere no ânimo do eleitorado



O fraco crescimento do PIB de 2012 vem se mostrando objeto de esperança dos grupos políticos, econômicos e midiáticos de oposição ao projeto político que governa o Brasil desde 2003. Mais uma vez.
Em alguma medida, no entanto, fazer essa aposta outra vez chega a espantar. Afinal, não faz muito tempo que foi feita e perdida por quem fez.
Em 2009, às portas do ano eleitoral de 2010, o discurso tucano-midiático era exatamente o mesmo que o de hoje, só que a situação era muito mais grave. 2008 terminara sob a égide da eclosão da crise econômica das hipotecas norte-americanas que, dali em diante, contaminaria o mundo.
O desemprego aumentou consideravelmente entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. A produção e as vendas no comércio praticamente ficaram paralisadas, até que o governo começasse a liderar a reação da economia brasileira investindo pesado.
O ano que precedeu a eleição presidencial de 2010, sob o aspecto do PIB, foi um presente para a oposição. Afinal, em 2009 o Brasil não teve “pibinho”, teve recessão. Isso mesmo, o tamanho da economia brasileira reduziu-se em 0,2% e o nível de emprego, ao fim daquele ano, apenas retornou ao que estava ao fim de 2008, quando a crise internacional explodiu.
Contudo, a partir do segundo semestre de 2009 já se começava a sentir uma reação da economia como a que já se faz sentir agora e que, ao longo do ano eleitoral de 2010, chegaria a experimentar crescimento próximo ao nível chinês, com aumento do PIB de 7,5%.
Diante dos resultados ruins do último trimestre de 2008 e do primeiro semestre de 2009, mídia e oposição duvidaram de que fosse possível uma reação e já davam como favas contadas a derrota do “poste” Dilma – outros viriam – não apenas pelo nível de emprego que sofrera a primeira redução em anos, mas por a candidata à sucessão de Lula nunca ter disputado uma eleição na vida.
O fim dessa história todos conhecemos. Mas o que há para resgatar é a velha discurseira tucano-midiática que se abate sobre o país toda vez que o resultado do PIB não é brilhante, mesmo que indicadores sociais revelem que mais ou menos crescimento não é fator determinante das condições de vida da maioria.
Se tomarmos como exemplo um editorial da mídia oposicionista de março de 2009, encontraremos uma argumentação igualzinha à que tem sido vista nesses veículos nos últimos tempos.
Abaixo, editorial da Folha de São Paulo de 11 de março de 2009.
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FOLHA DE SÃO PAULO
11 de março de 2009
Editorial
Queda vertiginosa
Recuo no PIB reafirma necessidade de ações anticrise, mas arsenal é limitado pelo pendor à gastança dos governos
A HISTÓRIA , mais à frente, irá decerto atenuar a sensação de que uma nova era da economia global se impôs, num chofre, entre setembro e outubro, subvertendo o que prevalecia até o instante imediatamente anterior. Mas é essa a impressão que resta depois da divulgação de estatísticas como a do PIB brasileiro.
A produção de bens e serviços no país crescia num ritmo anualizado de 7% até setembro; entrou em mergulho radical nos três meses seguintes, quando a taxa, se anualizada, resultaria em -13,6%. Não há cenário, previsão, estimativa ou modelo econométrico que parem de pé diante de inversão dessa magnitude. A incerteza sobre o comportamento da atividade econômica, em especial para este ano e o próximo, atingiu proporções ofuscantes.
Os números do IBGE confirmam que veio da indústria o principal vetor de retração no último trimestre de 2008. O volume da produção fabril decresceu 7,4% em relação ao período imediatamente anterior. As decisões de frear fortemente as linhas de montagem foram concomitantes a outras, destinadas a cortar, também brutalmente, as despesas com aquisição de máquinas, equipamentos e construção civil.
Esta classe de gastos, os investimentos produtivos, se expandia numa velocidade “chinesa”: suficiente para duplicar o volume de dispêndios em expansão da capacidade produtiva a cada nove anos. Passou-se no quarto semestre, sem direito a fase intermediária, a uma realidade que lembra a Grande Depressão -os investimentos diminuíram ao ritmo, anualizado, de 33%.
Não se pode, obviamente, tomar a pior fase da crise, até aqui, pelo todo. Dados preliminares acerca dos primeiros dois meses de 2009 mostram que aqueles índices de vertiginosa retração não se repetiram. Em alguns setores, caso da indústria automobilística, há sinais de incipiente recuperação. Nada, contudo, que já possa assegurar crescimento positivo do PIB neste ano.
Tampouco é recomendável desprezar a notável prosperidade verificada entre 2004 e 2008. Na esteira da bonança global, a economia brasileira mais que dobrou seu ritmo de expansão em relação às duas décadas anteriores. Com saldos comerciais expressivos e entrada maciça de capitais, o Brasil pôde, mediante prudente acumulação de poupança em dólares, aumentar a proteção contra crises externas.
Infelizmente, essa linha de prudência não abrangeu os gastos de custeio dos governos -federal, estaduais e municipais-, que dispararam no período. Se o poder público tivesse controlado seu pendor natural à gastança, teria agora um arsenal menos limitado para combater os efeitos deletérios da derrocada global.
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As semelhanças com o presente não são mera coincidência. Era ano pré-eleitoral como este e vínhamos de um fim melancólico do ano anterior, em termos de crescimento e emprego. A única diferença é a de que em março de 2009 as expectativas pareciam menos promissoras do que as de março de 2013.
Todavia, como já havia expectativa de retomada o discurso era exatamente o mesmo de hoje, de relativizar os sinais de aquecimento na economia dizendo, de uma forma ou de outra, que o modelo econômico em curso – baseado no consumo de massas – estaria “esgotado”.
Chega a ser risível dizer que o consumo de massas possa estar perto do patamar de estabilização em um país em que tanta gente ainda não consome mais do que o básico do básico. Mas, enfim, é nisso que a direita midiática acredita – ou quer acreditar.
Enfim, a aposta no ritmo mais fraco da economia se mostra fadada a novo fiasco por duas razões.
Primeira razão: o país deve retomar o crescimento em 2013 e não no ano eleitoral de 2014, enquanto que no penúltimo ano pré-eleitoral não houve retomada e houve até recessão, o que permitiu à oposição brandir a retração de 0,2% de 2009 na campanha de 2010.
Segunda razão: assim como o discurso sobre 2009 não empanou a sensação de bem-estar da população em 2010, em 2014 o “pibinho” de 2012 será história e o de 2013 deve ser no mínimo saudável, segundo já reconhecem mesmo os analistas da oposição.
Por fim, resta dizer que mesmo que a eleição fosse neste ano, com “pibinho” em 2012 e crescimento apenas médio em 2013, dificilmente isso iria interferir na visão que o brasileiro vem mantendo de que o governo impede que a crise chegue a si.
Trecho do Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) A Década Inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Política de Renda permite entender melhor a questão.
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Numa sociedade de 10 pessoas, se 1 tem renda 10 e os 9 restantes tem renda 0; ou no extremo oposto, se 10 tem a renda igual a 1; o PIB é o mesmo. O PIB é uma medida de bem-estar social que por construção não se importa com as diferenças entre pessoas, apenas com a soma das riquezas produzidas”.
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Ora, o mesmo estudo mostra que a distribuição da riqueza, seja ela alguns pontos percentuais maior ou menor, é o que importa, pois é o que as pessoas sentem.
Nesse aspecto, segundo o Ipea, durante a última década o Brasil reduziu a desigualdade, fato que não ocorria de forma contínua e não chegava a índices tão baixos desde 1960, quando a série histórica começou a ser construída.
“Este é o menor nível de desigualdade da história documentada, embora o Brasil ainda seja desigual”, enfatizou o Pesquisador do Ipea Marcelo Néri. O Índice Gini, que mede a desigualdade, chegou a 0,527 em 2011 e em 2012 chegou a 0,519 – quanto mais próximo de 0, menos desigual é um país.
Em 2001, o Índice de Gini do Brasil era de 0,61 e, em 1960, era 0,535. Durante a ditadura militar a riqueza se concentrou fortemente, a desigualdade chegou a cair um pouco no início do plano real e depois, ao fim do governo FHC, voltou a subir.
Há anos que este blog vem dizendo que não é o nível do PIB e não é, apenas, o nível de emprego que mantêm o governo bem avaliado pelo eleitorado, mas a distribuição de renda.
Há alguns dias, algumas dezenas de manifestantes foram às ruas protestar contra Lula em São Paulo. Na quase totalidade, eram pessoas favorecidas pela sorte e que não se conformam com um fenômeno que a Era Lula-Dilma inaugurou no Brasil: distribuição de renda.
No imaginário do brasileiro remediado, que hoje é maioria, há uma elite branca e preconceituosa que quer tirar o PT do poder e pôr o PSDB porque é o partido que defende os interesses dos ricos. Até aqui, essa percepção não mudou uma vírgula. E não será “pibinho” que irá operar tal milagre.
http://www.blogdacidadania.com.br/2013/03/desempenho-do-pib-nao-interfere-no-animo-do-eleitorado/

segunda-feira, 12 de março de 2012

PT: ruim com ele, pior sem ele


Editar um blog de abrangência nacional que recebe comentários de pessoas dos quatro cantos do país, de todas as idades e classes sociais, ensinou-me mais sobre o Brasil e a natureza humana do que toda a minha experiência de vida anterior à criação deste espaço. Ontem, porém, ensinou-me uma lição vital e que preciso dividir com todos.
O Blog da Cidadania chegou ao seu sétimo ano de existência. Nesse período, quase meio milhão de comentários de leitores. Interagi com essas pessoas, confraternizei, briguei, dividi momentos duros de minha própria vida – como quando minha filha caçula esteve às portas da morte, entre o final de 2009 e o começo de 2011 –, mas nunca lera comentário tão emblemático da natureza da elite brasileira quanto o que um leitor postou aqui no último domingo.
O nome do leitor não importa. Prefiro não identificá-lo porque, aqui, não se trata de demonizar indivíduos, mas de aferir a face mais cruel, estúpida, egoísta e até algo psicótica da elite étnica, regional e social que transformou o Brasil no país virtualmente mais injusto do mundo, até que a situação começasse a mudar no limiar do novo século.
No domingo, escrevera sobre experiência assustadora que me mostrou que São Paulo, cidade em que nasci e na qual me antecederam meus pais, avós, bisavós e tetravós, transformou-se em uma selva. Relatei agressão de um motorista enquanto eu passeava de bicicleta com familiares: por “brincadeira”, gratuitamente, o motorista atirou seu veículo contra mim, para me assustar.
Decidi escrever sobre comentário que o leitor colocou naquele post porque constitui uma radiografia da mentalidade da elite que concentra renda no Brasil como em nenhuma outra parte.
Disse o leitor:
– Esse é o governo petista. Se os salários não estivessem supervalorizados artificialmente, não haveria tantos carros nas ruas (…) A vida não é só carros nas ruas e TVs de plasma em casa. O grosso da população não precisaria nem de um nem de outro para viver. Automóvel é um bem cuja propriedade deveria ser limitada (…).
E arrematou:
– Na próxima eleição, façam como eu: 45 na cabeça.
Quem quiser entender por que o PSDB vem perdendo eleições presidenciais desde 2002 (já foram três eleições consecutivas), eis a explicação. O fato é que a sinceridade desse leitor apenas reflete a mentalidade da classe social a que pertence.
A distribuição de renda promovida pelos governos petistas fez o índice de Gini (que mede a desigualdade nos países) cair de 0,59 para 0,51 entre 2003 e 2011 (a maior redução da desigualdade em tão curto período na história do país). Para desespero da elite, agora os “pobres” compram carros, tevês de plasma e muito, muito mais.
Esse fato obscurece qualquer crítica que se possa fazer ao partido.
Resido em um bairro de classe média alta de São Paulo, ainda que essa não seja a minha realidade – resido nele pois foi onde nasci. As madames da região estão exasperadas. Não há mais empregadas domésticas trabalhando a troco de migalhas, por um quartinho sem janela, um prato de comida e uns trocados ao fim do mês.
Conheço “diaristas” que estão fazendo faculdade, andam de carro zero-quilômetro e compram roupas no mesmo shopping que as patroas. Muitas têm celulares melhores do que os delas. Algumas chegam a viajar ao exterior, nas férias. Conheço uma que enviou a filha de 15 anos à Disneylândia, ano passado – fazendo faxina em casas de madames, ganha mais de R$ 7 mil/mês.
Sendo franco, há muita coisa no governo Dilma que me desagrada, sobretudo do ponto de vista político. Um dos maiores problemas é a ausência de medidas para regular a mídia, um aparato da direita que foi o que permitiu a essa elite que diz essas barbaridades aprofundar de tal forma a desigualdade. Mas quem pode garantir que haveria outra forma de mudar as coisas, no Brasil?
Quando a gente vê quem está do outro lado, quando se mensura o risco de essa elite colocar de novo seus despachantes no poder para impedir que qualquer um tenha carro ou tevê de plasma sob a premissa de que pobre não precisa dessas coisas, percebe-se que o PT continua sendo a única saída.
Não existe outra corrente política com um projeto de poder socialmente mais ambicioso que seja viável. Partidos de esquerda com discurso socialmente mais ousado adotam uma postura de tudo ou nada. Ou seja: se não fosse o PT, carro e tevê de plasma continuariam sendo prerrogativas de rico, no Brasil.
Ao fim e ao cabo, a única conclusão possível é a de que pode ser ruim com o PT, mas seria pior sem ele. É o único instrumento para manter esses dementes longe do poder tempo suficiente para que a desigualdade ímpar que essa elite impôs ao país reflua até um patamar minimamente aceitável.