Haddad e suas ciclovias: coisa de louco (Foto: Fernando Pereira/Secom)
Reunião de condomínio é sempre interessante. Muito menos pelo que se discute sobre a ordem do dia, mas principalmente pelas conversas paralelas. Um dos condôminos, morador na capital, capitalizou a assembleia. Era só dar uma brecha que ele mostrava o quanto estava por dentro da conjuntura do país. - A situação não está só ruim aqui no interior, mas no Brasil todo - pontificou. Na discussão sobre uma obra num terreno ao lado do prédio, parada devido à falta de autorização ambiental, ele voltou a iluminar o salão social com suas observações: - Pois é - disse, virando-se para o síndico -, bem-vindo ao mundo real. Eu, no meu trabalho passo por isso todos os dias. A burocracia no Brasil é insuportável, principalmente nessa área de meio ambiente. Não podemos cortar uma árvore que é um escândalo... E seguiu nessa trilha. A certa altura, ao fazer uma comparação entre a capital e a cidade onde mantém seu apartamento de lazer, não se conteve: - Vocês daqui reclamam sem razão. Lá na capital temos um prefeito esquizofrênico, que passou a pintar de vermelho tudo quanto é rua para fazer ciclovias e não para de aumentar as faixas exclusivas de ônibus. Sobrou só uma faixa para os carros... Esse governo estimula há 12 anos a venda de carros, as pessoas saem comprando carros com não sei quantas prestações, os carnês até apodrecem, e agora ele não quer que a gente use o carro! Eu ando de bicicleta no fim de semana, mas imagine um executivo indo trabalhar de bike todos os dias, naquelas subidas... São Paulo não é Amsterdã. Depois dessa intervenção, ele passou a falar de sua família, do filho que está numa faculdade americana. - Fui visitá-lo neste ano, contou. E arrematou: - Ele ganhou uma bolsa daquele programa, "Ciência sem Fronteiras". A faculdade é maravilhosa, não tem bagunça como as daqui... Pelo jeito, ele é um bom pai, amoroso, gosta muito de sua família. Poderia, porém, ser mais justo: um dos criadores do programa "Ciência Sem Fronteiras" é justamente o prefeito "esquizofrênico" de São Paulo, Fernando Haddad, na época ministro da Educação. Aliás, o melhor ministro de Educação que o Brasil já teve. E um prefeito que vem revolucionando a vida na capital paulista, investindo contra dogmas ultrapassados e criando uma nova cultura urbanística e social. Sem esses loucos o homem ainda estaria morando nas cavernas.
Depois de investir pesado na iniciativa de implantar ciclovias na cidade de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad resolveu inovar em termos de políticas para a comunidade LGBT.
Seguem abaixo alguns trechos de uma matéria do Estadão:
Estadão - Haddad coloca gays e travestis na fila prioritária do Minha Casa Minha Vida (31/10/2014)
Uma resolução do Conselho Municipal de Habitação (CMH) definiu que gays em situação de violência, travestis moradoras em albergues e índios também podem ser beneficiados com prioridade nas unidades do Programa Minha Casa Minha Vida construídas em São Paulo. A norma complementar [...] também permite incluir na fila prioritária [...] idosos sozinhos com mais de 60 anos.
[...]O objetivo das regras é incluir entre os beneficiários prioritários do programa centenas de gays e mulheres que sofreram ameaças ou violência doméstica e que são atendidos em albergues e moradias da Prefeitura. Dezenas de travestis que também moram nos abrigos municipais vão ter direito a tentar entrar no programa, desde que comprovem que está “oriunda de situação de rua”. São mais de 8 mil pessoas atendidas todos os dias nos 62 albergues, abrigos e casas de acolhimento do governo.
[...]Ao todo, a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) está construindo na capital paulista 22 mil unidades do Minha Casa Minha Vida – a meta do governo é construir 55 mil até o final de 2016, para famílias que ganham menos de R$ 1.600 mensais. O programa do governo federal previa que o município parceiro nas obras poderia editar normas complementares para definir quem está em situação de vulnerabilidade na cidade.
Essa é uma iniciativa muito interessante do prefeito Fernando Haddad.
Programas como o Minha Casa Minha Vida, que são destinados principalmente à população de baixa renda deveriam atender prioritariamente a pessoas em situação de risco, como aquelas que vivem na rua e dormem em albergues. Ninguém possui mais necessidade de moradia que eles.
Hoje há muitos sem-teto entre a comunidade LGBT. Muitos são expulsos de casa pelos pais quando descobrem que são gays ou travestis.
Isso faz com que tenham de morar de favor na casa de algum amigo ou até em albergues, quando não possuem ninguém para ajudá-los.
No caso das travestis, a situação é ainda mais grave, pois dificilmente conseguem emprego. Para sobreviverem são obrigadas a se prostituírem na maioria dos casos ou até cometer crimes. Ajudar essas pessoas a terem uma casa própria é um grande passo rumo a uma vida mais digna para elas.
O rinoceronte Cacareco, antecessor de Tiririca, foi eleito vereador em SP
Pelé é até hoje criticado por ter dito que o brasileiro não sabe votar. Mas quando se constata, só para ficar num exemplo mais conhecido, que os paulistas, que já elegeram o "chuchu" Alckmin, estão prestes a cometer novamente essa barbaridade, até que dá para desculpar o "rei" do futebol pela sua frase. Citei Alckmin, mas poderia citar vários outros políticos que os paulistas sufragaram majoritariamente para cargos do Executivo: Celso Pitta, José Serra, Gilberto Kassab e Paulo Maluf, por exemplo. Não é um quarteto notável? A democracia tem dessas coisas. O eleitor pode, perfeitamente, errar, eleger um picareta ou um sujeito sem nenhuma qualificação intelectual para o cargo de prefeito ou governador de Estado. Ou de presidente da República. Acontece. Mas a democracia também permite que esse mesmo eleitor que se enganou uma vez se redima e, numa próxima eleição, rejeite esse político que o decepcionou. Esse é o grande mérito do regime democrático: dar voz ao povo, propiciar que ele escolha, livremente, seus governantes, que promova uma alternância no poder. O que ocorre no Brasil - e mais especificamente em São Paulo -, porém, foge à razão. Ou melhor, é motivo para que os mais sábios dos sábios se debrucem nos seus preciosos livros para tentar decifrar o enigma. Há duas décadas o Estado mais rico da federação, que já foi chamado de "Locomotiva da Nação", é governado por um grupo político que hoje, em nível federal, faz oposição feroz aos trabalhistas. Esse grupo representa o que de mais atrasado existe na vida social do país. É totalmente desligado das organizações populares e sindicais, criminaliza os movimentos sociais e reivindicatórios, exibe resultados menos que medíocres em todas as áreas de governo, aumenta taxas e impostos indiscriminadamente, despreza a transparência administrativa, mente compulsivamente sobre todas as questões que possam significar início de uma crise - e mesmo assim é aprovado pela maioria dos cidadãos! É fato notório que o prefeito paulistano, o petista Fernando Haddad, tem sido vítima de uma perseguição cotidiana por parte da oligarquia paulista, imprensa incluída. E também notório que Haddad é um dos melhores quadros políticos já surgidos no passado recente do país. A tentativa de exterminá-lo politicamente, ao mesmo tempo em que as inúmeras mazelas provocadas por 20 anos de governos tucanos em São Paulo são inteiramente escondidas da população, prova de que a democracia brasileira ainda é muito imperfeita. Talvez por ser ainda dominada por um grupo de pessoas que preza muito mais manter os imensos privilégios que ainda goza do que ver o país em que vive se transformar numa terra mais justa para todos. E não há no país local mais exemplar dessa criminosa interferência no processo de consolidação democrático do que São Paulo. Triste destino o dos paulistas...
A revista Free São Paulo traz na capa de sua edição de hoje, 31, uma matéria sobre as investigações acerca da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002. A apuração feita pela revista tem informações contraditórias e que não se sustentam. Na verdade, trata-se de um panfleto político com tintas jornalísticas.
O histórico da revista dá rastros fortes da origem dos ataques. A primeira edição da Free São Paulo, lançada em outubro do ano passado, tem como destaque uma entrevista com Bruno Covas, que na época era apontado como provável candidato do PSDB para a Prefeitura de São Paulo.
Na edição 14, a revista aborda um “calote” do Ministério da Educação nas universidades federais e coloca na capa uma foto quebradiça do então ministro da Educação, Fernando Haddad.
Na edição 25, a Free Brasil compara os governos FHC e Lula e coloca o tucano em vantagem, sem explicar a escolha por dados de meses diferentes na comparação das gestões.
O redator chefe da Free Brasil atende por Ernesto Zanon. No seu twitter pessoal Zanon costuma dar RTs e divulgar notas do candidato à prefeitura de São Paulo, José Serra.
Além deste histórico de matérias favoráveis ao PSDB, a publicação é impressa pela gráfica do grupo Folha de S.Paulo, a Plural Industria Gráfica. A gráfica é a mesma onde ocorreu o vazamento das provas do Enem em 2009. Caso que até hoje é atribuído na conta do atual candidato a prefeito de São Paulo, o ex-ministro Haddad. Mas, mais do que isso, um dos clientes do grupo que a realiza (Mídia Guarulhos Ltda) é o deputado federal e presidente do PSDB de Guarulhos, Carlos Roberto. Neste link você pode conferir dois pagamentos de 10 mil reais por serviços prestados pela empresa para o deputado na chamada verba de gabinete.
A matéria sobre o assassinato de Celso Daniel começa em tom opinativo e faz diversas afirmações sem que fontes ou provas as atestem. A hipótese de que a morte de Celso Daniel teria motivações política é embasada por uma entrevista com o promotor Márcio Friggi de Carvalho, do Grupo de Atuação Especial Regional de Repressão ao Crime Organizado do ABC.
O promotor acusa diversos políticos petistas de participação em um suposto esquema de extorsão de empresários do transporte em Santo André. Segundo ele, o esquema teria o objetivo de alimentar o Caixa 2 de campanhas eleitorais petistas. Porém, apesar de acusar nominalmente varias pessoas de participação no esquema, o promotor diz que Celso Daniel morreu por não aceitar que o suposto dinheiro desviado para as campanhas acabasse servindo de fonte de enriquecimento para membros do esquema.
No entanto, o promotor, muito que provavelmente para não ser vítima de processo, não cita nenhum nome como mandante do crime. Nem apresenta provas de que o PT estaria diretamente ligado ao assassinato. Mesmo assim a entrevista com o promotor foi suficiente para que a publicação estampasse na sua capa a figura da morte com o emblema do PT, associando o partido ao assassinato do ex-prefeito de Santo André.
Além do promotor, a Free São Paulo utiliza como fonte para a matéria uma participação do irmão de Celso Daniel, Bruno Daniel, no programa Roda Viva da TV Cultura.
Mas o fato mais grave presente na matéria é o tratamento dispensado ao atual prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho. A revista o chama de “o novo gerente do esquema”. No entanto, em nenhum momento o promotor cita o nome de Marinho como envolvido no suposto Caixa 2 petista.
A reportagem ainda afirma que ele estaria sendo preparado para disputar o governo do estado em 2014, mas novamente não apresenta nenhuma fonte ou comprovação para tal afirmação.
O diretório estadual do PT divulgou nota em que rechaça a matéria publicada pela Free São Paulo e afirma que está tomando todas as medidas legais cabíveis para que os responsáveis respondam por seus atos. Na nota, o PT afirma que as investigações policiais sobre o assassinato de Celso Daniel chegaram à conclusão de crime comum, sem qualquer conotação político-partidária. Veja a íntegra da nota do PT:
O Diretório Estadual do PT-SP divulga nota de repúdio à matéria veiculada nesta quinta-feira (31), pela revista Free São Paulo, cujo conteúdo contraria investigações policiais concluídas. O PT reitera que as denúncias envolvendo o nome do Partido são infundadas e todas as medidas cabíveis já estão sendo adotadas para que os responsáveis respondam por seus atos. Confira nota na íntegra: O Diretório Estadual do PT em São Paulo refuta as declarações veiculadas na edição de número 32 da Revista Free São Paulo, dessa quinta-feira, dia 31 de maio.
Ao longo de sete páginas, a publicação elenca uma série de denúncias infundadas e contesta questões já esclarecidas pelas instituições policiais. O Partido dos Trabalhadores foi que mais cobrou que a morte do então prefeito Celso Daniel fosse esclarecida. Todas as investigações desenvolvidas pelas instituições policiais chegaram à conclusão de crime comum, sem qualquer conotação política-partidária.
O Partido dos Trabalhadores rechaça todas as tentativas de utilizar um episódio que ainda hoje nos entristece para atacar a nossa história e tentar tirar proveitos eleitorais. Esperamos que o Ministério Público e o Poder Judiciário cumpram as suas funções constitucionais e não se deixem envolver em disputas eleitorais que cabem somente a partidos políticos.
Ao contrário das leviandades publicadas pela referida revista, o PT representa um projeto que tem tirado milhões de brasileiros da miséria, da pobreza e exclusão social. Um projeto que tem garantido ao Brasil crescer economicamente com justiça social. Hoje o nosso país é paradigma internacional de desenvolvimento sustentável, com democracia e justiça social.
Os ataques feitos às nossas lideranças políticas têm o nítido objetivo de desgastar aqueles que são os representantes de um projeto político que é reconhecido internacionalmente e, principalmente, pelo povo brasileiro que tem nos dado a oportunidade de governar o Brasil, estados e municípios, propiciando qualidade de vida e tornando sujeitos históricos aquelas e aqueles que sempre foram oprimidos por uma elite que não consegue conviver com a igualdade de oportunidades.
Quanto ao festival de calúnias e difamações, o PT paulista está tomando todas as providências legais cabíveis e os responsáveis responderão pelos seus atos. Direção do PT do estado de São Paulo.
Assista abaixo o vídeo com a entrevista do editor Ernesto Zanon, no lançamento da revista Free São Paulo.