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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Pesquisa comprova: o brasileiro é ignorante


O site do serviço noticioso russo Sputnik News publicou interessante matéria sobre pesquisa que compara a percepção das pessoas a respeito da realidade de seus próprios países. 

E, adivinhem, o Brasil mostrou que tem uma das populações mais ignorantes do planeta.

Nenhuma novidade.

A seguir, a íntegra da reportagem:


Brasil fica no 6º lugar de ranking de
desinformação sobre o próprio país 

Pesquisa feita em 40 países pelo Instituto Ipsos Mori, comparando a percepção que as pessoas têm de seus países com a realidade, coloca o Brasil no sexto lugar do ranking, abaixo de Índia, China, Taiwan, África do Sul e EUA. Já as populações mais conscientes de suas realidades foram Holanda, Grã-Bretanha, Coreia do Sul, República Tcheca e Malásia.

Nesse tipo de ranking, quanto mais afastada do primeiro lugar melhor é a percepção real do que as pessoas pensam e de como a realidade é. A pesquisa abordou determinadas perguntas para avaliar o grau correto de informação, entre elas, por exemplo, qual o percentual de mulçumanos na população do país, quantos por cento se declaram felizes, quanto é investido em determinada setor, entre outras.

No caso do Brasil, o melhor resultado foi verificado quanto ao tamanho da população. A maioria das respostas apontou 200 milhões. O correto é 207,8 milhões. Já em outras avaliações, as resposas mostraram grande diferença com a realidade.

 Em Educação, a maioria acredita 25% do Produto Interno Bruto (PIB) é investido na área, quando na verdade são apenas 8%. Em tempos de escândalos políticos, o pessimismo também anda em alta por aqui. Quando indagados sobre qual percentual de brasileiros se sente feliz, a maioria das respostas girou em torno de 40%. Na verdade, pelos últimos levantamentos, esse percentual é de 92%.

Rafael Moura, pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) acredita que essa percepção distorcida do brasileiro sobre a própria realidade é fruto de vários fatores.  "Uma variável que contribui muito para isso é um problema estrutural dos meios de comunicação no Brasil. Em função de termos meios extremamente oligopolizados, e muito voltados para interesses particularistas ao invés de trazer a informação para o leitor e pluralidade de opiniões, o cidadão médio brasileiro acaba tendo muita dificuldade para assimilar todas as coisas que estão acontecendo no país e ter um juízo com um pouco mais de isonomia."

Moura diz que isso acaba repercutindo muitas vezes em uma cultura que o brasileiro tem — e já capturada nas pesquisas de ciência política — de sempre atribuir toda e qualquer crise econômica ao Executivo à figura do presidente.  "Temos um país com 200 milhões de pessoas, um PIB gerando em torno de R$ 4 trilhões, uma economia tão diversa e heterogênea que atribuir problemas na economia a uma única figura, a um único partido ou a um único fator é algo problemático e que acaba corroborando os dados desse instituto. A falta de juízo do cidadão brasileiro acerca da realidade que ela está vivenciando acaba levando a juízos equivocados."

 Na avaliação do pesquisador, as realidades nos países pesquisados variam muito. Segundo ele, a China tem a questão de um sistema político diverso, Índia e África (do Sul) são países com percentual elevado de analfabetos.  "Muitas vezes a percepção que chega aos brasileiros dos Estados Unidos também é equivocada. Os EUA também têm um sistema de comunicação extremamente oligopolizado que muitas vezes também não trazem a interpretação fidedigna da realidade, seja de lá, seja do mundo."

Para Moura, o Brasil, tem um legado muito grande de exclusão, de falta de acesso aos meios de comunicação.  "O problema é que, mesmo tendo os cidadãos acesso a esses meios, eles não são plurais. Você não vê muita diversidade de opiniões antagônicas. A mídia tem essa fachada de ser plural, de se preocupar com a variedade de opiniões, mas a gente sabe que em termos prático isso não é verdade."
http://segundocliche.blogspot.com.br/2016/12/pesquisa-comprova-o-brasileiro-e.html#more

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Toxina de vespa brasileira mata células de câncer

FONTE:http://www.istoe.com.br/reportagens/434732_TOXINA+PRODUZIDA+POR+VESPA+BRASILEIRA+MATA+CELULAS+DE+CANCER

O estudo, publicado na revista científica Biophysical Journal, poderá inspirar a criação de uma classe inédita de drogas contra a doença

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O veneno de uma vespa brasileira, Polybia paulista, contém uma poderosa toxina que mata células de câncer, sem danificar células saudáveis. Agora, um grupo de cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de Leeds, na Inglaterra, descobriu exatamente como a toxina, chamada MP1, consegue abrir buracos exclusivamente nas células cancerosas, destruindo-as.

O estudo, publicado nesta terça-feira, 1, na revista científica Biophysical Journal, poderá inspirar a criação de uma classe inédita de drogas contra o câncer, segundo os cientistas. De acordo com um dos autores do estudo, Paul Beales, da universidade inglesa, a toxina MP1 não afeta as células normais, mas interage com lipídios - moléculas de gordura - que estão distribuídos de forma anômala apenas na superfície das células de câncer. Ao entrar em contato com a membrana dessas células, a toxina abre buracos por onde escapam moléculas essenciais para seu funcionamento.
"Terapias contra o câncer que atacam a composição de lipídios da membrana da célula seriam uma classe inteiramente nova de drogas antitumorais. Isso poderia ser útil para o desenvolvimento de novas terapias combinadas, nas quais múltiplas drogas são utilizadas para tratar um câncer atacando diferentes partes de suas células simultaneamente", disse Beales.
De acordo com outro dos autores, João Ruggiero Neto, do Departamento de Física da Unesp em São José do Rio Preto, a Polybia paulista foi descoberta e descrita pelo professor Mário Palma, da Unesp de Rio Claro.
Os cientistas já haviam estudado a toxina MP1 e sabiam que ela agia contra micróbios causadores de doenças destruindo a membrana das células bacterianas. Mais tarde, os estudos revelaram que a toxina é promissora para proteger humanos de câncer e tem capacidade para inibir o crescimento de células de tumores de próstata e de bexiga, além de células de leucemias resistentes a várias drogas.
Até agora, no entanto, não se sabia como a MP1 é capaz de destruir seletivamente as células tumorais, sem danificar as células saudáveis.
"Desde que descrevemos a toxina do veneno dessa vespa, em 2009, sabíamos que ela contém peptídeos com uma forte propriedade antibacteriana, funcionando como um antibiótico potente. Mais tarde, pesquisadores coreanos e chineses começaram a fazer trabalhos com esses peptídeos sobre células de câncer e nós fomos estudar sua ação em linfócitos com leucemia", disse Neto ao jornal Estado de S. Paulo.
Mecanismo
O grupo da Unesp confirmou então que as toxinas eram extremamente seletivas, reconhecendo apenas os linfócitos leucêmicos, e não os sadios. Eles começaram suspeitar que a explicação para essa seletividade tinha relação com as propriedades únicas das membranas de células de câncer. "Fomos investigar o mecanismo", afirmou Neto.
Segundo ele, em membranas de células saudáveis, os fosfolipídios chamados PS e PE se situam na membrana interna, voltados para o lado de dentro da célula. Mas, nas células de câncer, os PS e PE ficam incorporados na membrana externa, voltados para o ambiente em volta da célula.
Os cientistas testaram sua teoria criando membranas-modelo contendo PE e PS e as expondo à MP1. Eles utilizaram uma ampla gama de técnicas biofísicas e de imageamento para caracterizar os efeitos destrutivos da MP1 sobre as membranas.
O resultado foi impactante: a presença de PS aumentava de 7 a 8 vezes a quantidade de MP1 que se ligava à membrana. A presença de PE, por outro lado, aumentava a capacidade da MP1 de danificar rapidamente a membrana, aumentando o tamanho dos buracos de 20 a 30 vezes.
"Formados em poucos segundos, esses poros são grande o suficiente para permitir o vazamento de moléculas críticas para a célula, como RNA e proteínas. O aprimoramento dramático da permeabilização induzida pela toxina na presença do PE e as dimensões dos poros nessas membranas foram surpreendentes", disse Neto.
Potencial
Em estudos futuros, os cientistas planejam alterar a sequência de aminoácidos da MP1 para examinar como a estrutura da toxina se relaciona à sua função, a fim de aprimorar sua seletividade e sua potência para propósitos clínicos.
Segundo Beale, entender o mecanismo de ação dessa toxina vai ajudar estudos translacioais - isso é, pesquisa científica aplicada clinicamente - para avaliar no futuro o seu potencial para o uso na medicina.
"Como ficou demonstrado em laboratório que a toxina é seletiva para células de câncer e não é tóxica para células normais, ela tem potencial para ser segura. Mas mais trabalho será necessário para provar isso", afirmou Beale.
vi no: http://oblogdoabelha.blogspot.com.br/2015/09/29-toxina-de-vespa-brasileira-mata.html

sábado, 8 de agosto de 2015

Conheça os empregos ameaçados pela automação (e os novos que surgirão)


"Acredite se quiser, mas uma das profissões do momento nos Estados Unidos é a de caminhoneiro. Com base em dados do Censo americano, o site da National Public Radio (NPR), a rede pública de rádios do país, mostra que se trata do emprego mais popular em 29 Estados americanos.



Isso não quer dizer que dirigir caminhões seja uma carreira disputada. Sua popularidade está apenas no fato de ter vagas disponíveis e pagar um salário decente.

Diferentemente de inúmeras profissões que decaíram nos últimos anos, o serviço como caminhoneiro se manteve imune às forças que eliminaram vários postos de trabalho.

Nas últimas décadas, computadores e máquinas automáticas substituíram secretárias, bancários, frentistas, caixas de supermercados e tantas outras profissões. Mas as entregas de bens ainda não podem ser feitas por um prestador de serviços em outro país, e os trajetos de longa distância ainda não foram automatizados.

Mesmo assim, os caminhoneiros podem ser os próximos na lista de empregos sob risco de extinção. Empresas como Google, Uber e Tesla estão desenvolvendo veículos sem motorista, começando justamente por protótipos capazes de cumprir viagens longas.

Se conseguirem automatizar as entregas, isso não seria apenas uma benesse para as empresas distribuidoras, mas também para a segurança nas estradas – apenas nos Estados Unidos, até 4 mil pessoas morrem a cada ano em acidentes envolvendo grandes caminhões (com a culpa quase sempre atribuída a um erro do condutor).
Caminhoneiro é uma das profissões mais populares em vários Estados americanos
Mas caminhões que dirigem sozinhos não seriam bem-vindos em todas as áreas. Alguns críticos do conceito ressaltam que o fim dos caminhoneiros teria um efeito dominó sobre outros empregos.

Nos Estados Unidos, até 3,5 milhões de motoristas e 5,2 milhões de pessoas que atuam diretamente no setor de distribuição e entregas ficariam desempregadas. Além disso, as inúmeras paradas localizadas nas principais rotas rodoviárias poderiam ficar abandonadas.

Ou seja, os caminhões autoconduzíveis poderão arruinar milhões de vidas e trazer consequências desastrosas para um setor significativo da economia.
Futuro sombrio

Esse tipo de alerta sombrio costuma ser emitido com frequência, não apenas na indústria da distribuição, mas também em várias outras áreas da força de trabalho mundial.

Conforme máquinas, softwares e robôs vão se tornando mais sofisticados, alguns especialistas temem que estejamos à beira de perder milhões de empregos.

Segundo um estudo recente feito por analistas da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, a próxima onda de avanços tecnológicos vai colocar em risco até 47% de todos os empregos dos Estados Unidos.
 
Mas será que essas projeções são verdadeiras? E se forem, devemos nos preocupar? Se os robôs tomarem nossos lugares, vamos virar preguiçosos profissionais, como retratado no filme Wall-E? Ou será que as inovações tecnológicas nos darão mais liberdade para ir atrás de empreitadas mais criativas e compensadoras?
A mão que alimenta

Para podermos responder a essas perguntas, devemos reconhecer que a tecnologia, a inovação e a mudança das normais culturais sempre alimentaram a rotatividade da força de trabalho.

As máquinas vêm tomando nossos empregos há séculos. "As economias de mercado nunca ficam paradas", afirma David Autor, professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). "As indústrias vivem ascensões e quedas, os produtos e serviços mudam – e isso vem acontecendo há muito tempo."

No passado, enquanto algumas profissões desapareceram, outras surgiram. Habilidades artesanais, que eram um grande trunfo para um trabalhador do século 18, foram substituídas pelo know-how da produção industrial, com o advento da manufatura de larga escala no século 19. Mas na década de 1980, muitas das tarefas feitas por pessoas durante a Revolução Industrial já eram executadas por máquinas.

De maneira geral, essas mudanças trouxeram resultados mais positivos do que negativos para a sociedade. "A automação nos deu mais tempo, e conseguimos realizar mais coisas", diz Autor.
Muitas redes ferroviárias já são autônomas, mas a tecnologia ainda pode trazer novas oportunidades
As máquinas de lavar transformaram uma tarefa de horas em algo que pode ser feito com um simples apertar de botão; ferramentas elétricas tornaram a construção civil mais eficiente; e computadores eliminaram trabalhosos cálculos e escritas. Houve uma melhora na qualidade de vida e na segurança das pessoas. "Deveríamos ficar felizes que muitos desses empregos desapareceram", afirma Carl Frey, um dos autores do estudo feito pela Universidade de Oxford.
Ritmo acelerado

Mas, em comparação com o passado, o ritmo com que as transformações no mercado de trabalho ocorrem hoje é muito mais acelerado. Com a possível exceção da Revolução Industrial, nunca assistimos a uma mudança tão rápida na sociedade e na economia.

E, apesar de ser cedo para confirmarmos, os números indicam que o mercado de trabalho não está evoluindo rápido o suficiente para acompanhar essas mudanças. A relação entre postos de trabalho e a população geral tem caído nos países desenvolvidos, independentemente da crise econômica mundial que começou em 2008.

"Acredito que isso mostra que a economia digital não criou muitos empregos diretos, e os empregos criados tendem a se concentrar em grandes cidades", afirma Frey. "Isso faz os preços aumentarem, cria desigualdades e impede que as pessoas morem ou se mudem para os lugares onde esses empregos estão surgindo."

Conforme alguns trabalhos começaram a marchar rumo à extinção, muitas pessoas que costumavam executá-los – agentes de viagens, telefonistas, técnicos de laboratório fotográfico,gráficos etc. – acabaram migrando para profissões que pagam menos – como garçons, faxineiros, jardineiros e outros – porque não tinham a formação necessária para ir para empregos da camada econômica equivalente.

"Há uma enorme mudança nas habilidades necessárias hoje no mercado de trabalho, mas ela não se reflete no nosso sistema educacional", explica Alison Sander, diretora do braço de análises para o futuro do Boston Consulting Group.
Robôs cirurgiões como o sistema da Vinci podem funcionar como as mãos dos médicos

Autor concorda: "De fato, há uma demanda cada vez maior por trabalhadores com formação superior e uma série de habilidades refinadas, mas uma queda vertiginosa na necessidade de pessoal com educação média".

Isso significa que uma enorme parcela da população que, nas últimas décadas, tinha um padrão de vida elevado, hoje já não pode mantê-lo.

E o problema só deve se intensificar nos próximos anos, à medida em que trabalhos que envolvam rotinas ou tarefas repetitivas mentais ou físicas têm mais chances de serem eliminados pela automação.
Empregos do futuro

Na lista de carreiras ameaçadas estão os atendentes de lanchonetes, caixas, operadores de telemarketing, contadores, garçons e até jornalistas.

Além disso, empregos que antes eram mais desafiadores e precisavam de uma alta especialização podem ser tornar comuns por causa da automação, como já ocorre, por exemplo, em certos setores da medicina, como a radiologia.

Mas a automação não necessariamente significa a ruína de vários outros setores. Enquanto houver tarefas que exijam algum nível de envolvimento humano, ainda há espaço para pessoas de carne e osso.

Quando a ferramenta de busca do Google começou a decolar, há pouco mais de uma década, por exemplo, houve o medo de que bibliotecários se tornariam seres obsoletos. Em vez disso, aumentou o número de vagas nessa carreira, exigindo novas habilidades. "Se uma máquina pode substituir um ser humano completamente, aquela pessoa é supérflua. Mas se essa pessoa puder gerenciar aquela máquina, ela se torna mais valiosa", explica Autor.

Junta-se a isso o fato de que máquinas e softwares muito provavelmente jamais poderão substituir certos empregos. Até hoje, o homem é muito superior em qualquer trabalho que envolva criatividade, empreendedorismo, habilidades interpessoais e inteligência emocional.

As carreiras que precisam delas? Clérigos, enfermeiros, palestrantes motivacionais, cuidadores, treinadores esportivos, artistas – todos com muitas chances de se dar bem em um mundo mais automatizado.

E mesmo que restaurantes comecem a usar tablets nas mesas para preparar os pedidos e robôs venham servir a comida, a sociedade pode não querer adotar essas mudanças. É possível que continuemos a querer que outros seres humanos venham a nossas mesas ou dirijam nossos táxis.

Este é um fenômeno que reflete na recente reaparição de artesões nos grandes centros urbanos do planeta. Hoje, há um mercado cada vez maior para móveis e outros objetos feitos à mão, para alimentos caseiros e com um toque pessoal, e por tantas outras artes e serviços. E isso significa também o surgimento de empregos digitais para ajudar a aumentar a venda desses produtos.
Exemplos de compensações

Ainda estamos longe de ter robôs que possam gerenciar uma sala de aula cheia de crianças
A realidade é que para cada carreira que a tecnologia elimina, sempre haverá uma onda de novos caminhos profissionais a serem explorados e criados. Assim como alguns dos empregos de hoje – gerente de mídias sociais, designer de aplicativos, diretor de impacto ambiental – teriam sido inimagináveis em 1995, não podemos prever que novos tipos de trabalho surgirão no futuro.

Mas conseguimos imaginar com base em números e tendências. Sander prevê um futuro onde conselheiros genéticos, biobanqueiros, autores de realidade aumentada, especialistas em antienvelhecimento e experts em mitigação de desastres naturais urbanos poderão ocupar os lugares mais quentes da economia, assim como outras profissões que decorrerão da concentração cada vez maior de pessoas nas grandes cidades.

Ao mesmo tempo, não devemos assumir que a economia vai se ajustar às mudanças. Não há garantias de que tudo funcione bem no futuro. Para tornar a transição o menos dolorida possível, precisamos ser proativos em assegurar que a destruição de certas carreiras seja feita com a provisão adequada para aqueles que perderem seu papel na sociedade.

"Se conseguirmos criar recursos sem uma grande demanda de mão de obra, o problema terá que ser: 'temos muita riqueza – como vamos distribuí-la?'", diz Autor.

Opções socialmente responsáveis podem incluir um apoio melhor para aqueles que estão temporariamente desempregados e treinamento acessível para ajudá-los a mudar para um novo setor.

Alguns países, setores e empresas estão respondendo melhor a essas mudanças do que outros. Para Sanders, de um lado, há organismos reguladores rígidos que podem impedir a inovação, como a recente proibição do Uber na França, por exemplo. Por outro, há o caso da Alemanha, onde 1,5 milhão de pessoas se matriculam em cursos preparatórios remunerados a cada ano, saindo deles com alta formação para atuar em áreas técnicas.

Hoje, mais de 4 mil empresas em todo o mundo montaram seus próprios centros de formação e treinamento. Outras companhias estão tentando mudar sua demografia para evitar a perda de empregos. A BMW, por exemplo, está modificando suas fábricas para atender às necessidades de seus funcionários mais velhos, em vez de obrigá-los a se aposentar.
No entanto, pode até ser que um dia as máquinas e a inteligência artificial tomem o lugar de seres humanos em várias áreas. Isso não é algo necessariamente ruim, especialmente se isso levar a um aumento da riqueza e do bem estar de todos."

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Do ponto G ao orgasmo múltiplo: ciência tenta desvendar segredos do prazer feminino


Existem várias vias pelas quais os genitais se comunicam com o cérebro na mulher
"O escritor americano J. D. Salinger afirmou, certa vez, que "o corpo de uma mulher é como um violino: é preciso um músico fantástico para tocá-lo direito".

 

Acariciada da maneira correta, uma mulher pode ser transportada a um êxtase tão incrível que, por alguns segundos, o resto do mundo deixa de existir. Mas basta um errinho para que a dor, a frustração ou uma sensação de vazio tomem conta.

É uma experiência altamente contrastante com aquela vivida pelo homem. Desde que ele consiga uma ereção, alguns minutos de estimulação vigorosa geralmente resultam na ejaculação.

Por que o orgasmo é tão prazeroso? Como as mulheres sentem o orgasmo múltiplo? E o famoso ponto G existe mesmo? Esses são alguns dos mais antigos mistérios da medicina.

"Conseguimos ir até a Lua, mas não sabemos o suficiente sobre nossos próprios corpos", afirma o professor de sexologia Emmanuele Jannini, da Universidade de Roma Tor Vergata e um dos cientistas que dedicam sua carreira a tentar explicar esses mistérios.

Nos últimos anos, a comunidade científica vem acompanhando uma enxurrada de estudos feitos por esses "mestres" do sexo, e finalmente as respostas estão surgindo.

Transando em nome da Ciência

Região cerebral que processa prazer pode ser ativada por drogas e certos alimentos

Talvez a maior habilidade desses cientistas tenha sido convencer algumas mulheres a deixar suas inibições de lado e se masturbarem – ou até transarem – em nome da Ciência, incluindo experiências em inusitado aparelho de ressonância magnética.

Um dos líderes dessas pesquisas é o psicólogo Barry Komisaruk, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, que queria avaliar se as diferenças cerebrais poderiam explicar por que homens e mulheres vivenciam o sexo de maneira distinta.

A conclusão é que, apesar das diferenças, homens e mulheres apresentam praticamente a mesma atividade neural durante o orgasmo. "As semelhanças são bem maiores do que as diferenças", afirma Komisaruk. "O que observamos é uma ativação completa do cérebro, com todos os sistemas funcionando ao mesmo tempo".

Mas se a floresta inteira está em chamas, é difícil identificar as pequenas fogueiras que estavam ali no início. Os cientistas, pelo menos, conseguiram encontrar uma delas: o núcleo accumbens, uma região do cérebro que lida com o prazer e a recompensa através da liberação de um neurotransmissor chamado dopamina.

Explicação para o orgasmo múltiplo?

Diferenças neurais explicam por que homens e mulheres reagem diferentemente depois do orgasmo
Experimentos mostraram que, se tiverem que escolher, ratazanas preferem receber estímulos elétricos nessa área cerebral do que comer – tanto que algumas chegavam a morrer de fome.

Esse ponto do cérebro também pode ser ativado por cocaína, anfetaminas, cafeína, nicotina e chocolate. Não há dúvidas sobre por que um orgasmo sempre faz a gente querer mais.

Depois do clímax sexual, no entanto, surgem algumas diferenças importantes, o que pode explicar por que homens e mulheres reagem de maneira tão distinta.
Komisaruk e a psicóloga australiana Kachina Allen descobriram indícios preliminares de que regiões específicas do cérebro masculino deixam de responder a estímulos sensoriais dos órgãos genitais logo depois do orgasmo.

Enquanto isso, o cérebro da mulher continua a ser ativado.

Isso poderia explicar porque algumas mulheres experimentam o orgasmo múltiplo, enquanto os homens, não.

Anatomia do prazer

O ponto G foi tem sido objeto de investigações desde os anos 50
Se as experiências com ressonância magnética geraram alguma polêmica, as tentativas de se entender a anatomia do orgasmo foram ainda mais controversas.

O pênis tem apenas um caminho para levar as sensações até o cérebro, enquanto o aparelho genital feminino tem três ou quatro vias.

No comando da sexualidade da mulher está o clitóris. A existência desse pequeno órgão já é conhecida desde pelo menos a última era glacial, mas só começou a ser objeto de estudos científicos no século 16, quando foi descrito como uma estrutura com a função de induzir o prazer.

Já no início do século 20, Sigmund Freud, o "pai da psicanálise", afirmou que mulheres mais maduras experimentavam mais intensamente o orgasmo por estimulação vaginal do que clitorial, posteriormente irritando muitas feministas, por parecer que a falta desse tipo de clímax seria culpa das próprias mulheres.

Para tentar desmistificar o assunto, o psicólogo Barry Komisaruk e a sexóloga Beverly Whipple, também da Universidade Rutgers, conduziram, então, um estudo que examinou mulheres com vários graus de lesão na medula espinhal.

Eles descobriram que mesmo aquelas que perderam as funções normais do nervo pudendo (que leva as sensações do clitóris ao cérebro) eram capazes de sentir toques e até orgasmo na vagina e no colo do útero. "Essa é provavelmente a melhor prova de que o orgasmo vaginal existe", afirma Komisaruk.

Isso ocorre porque são os nervos vagos, situados fora da medula, que conduzem as sensações da vagina para o cérebro. "As mulheres descrevem o orgasmo clitoriano como mais localizado e externo, e o clímax vaginal como interno e algo que envolve todo o corpo", explica o psicólogo.

A cruzada pelo ponto G

Portanto, se nervos diferentes podem conduzir sensações de partes distintas dos genitais femininos, será que algumas regiões da vagina são mais sensíveis do que outras?

O famoso ponto G foi, por muito tempo, o principal alvo das buscas de cientistas e casais. O termo foi criado no início dos anos 80 em homenagem ao ginecologista e obstetra alemão Ernst Gräfenberg. Em 1950, ele descreveu a existência de uma zona erógena na parede frontal da vagina, que correspondia à posição da uretra do outro lado.

Estudos posteriores revelaram uma complexa rede de vasos sanguíneos, terminações nervosas e reminiscências de uma espécie de "próstata" feminina na mesma área. Espalharam-se, então, os rumores sobre um "botão mágico" na vagina, capaz de detonar orgasmos poderosos.

Mas as evidências para comprovar ou refutar a existência de um ponto G ainda são imprecisas. Para complicar, ainda há um grande debate sobre a terminologia e a morfologia corretas das várias regiões internas do aparelho sexual feminino.

Entretanto, cientistas conseguiram demonstrar com consistência que existem diferenças físicas entre mulheres que experimentam o orgasmo vaginal e as que não. Em 2008, Jannini publicou um estudo envolvendo 20 voluntárias. Exames de ultrassom revelaram que aquelas que sentiam os estímulos vaginais apresentavam um tecido mais grosso no espaço entre a vagina e a uretra.

Na época, Jannini chegou a concluir que esse pedacinho do corpo seria o ponto G, mas logo repensou o assunto, com base em novos estudos. "A palavra 'ponto' sugere a existência de um botão, algo que precisa ser apertado para se obter prazer", afirma. "Isso implica uma estrutura concreta que ou está lá ou não está."

A redescoberta do clitóris

Se não for um botão, o que é o ponto G, então? Bem, cada vez mais cientistas estão chegando à mesma conclusão: que se trata de nada menos do que o clitóris.

Imagens de ressonância magnética recentemente revelaram que o órgão está longe de ser diminuto como se pensava: trata-se de uma estrutura volumosa que mede até 9 centímetros de comprimento, em foma de "Y" e que serpenteia por fora da vagina e sobe até a pelve ao longo da uretra.

Sua parte externa é, na realidade, a glande, e também a área mais sensível. Mas suas "pernas" se abrem pela abertura da vagina e se estendem pelos grandes lábios.

Tanto o clitóris quanto o pênis derivam do mesmo tecido embrionário e se diferenciam no início da gestação segundo o sexo do embrião. Mas o órgão feminino continua crescendo em resposta a hormônios mesmo depois da puberdade, enquanto o masculino não.

Outro estudo, realizado em 2009 por Rachel Pauls, uroginecologista em Cincinnati, no Estado americano de Ohio, analisou a influência do tamanho e da posição do clitóris na maneira como elas sentem o orgasmo vaginal. Com imagens de ressonância magnética de 30 voluntárias, a cientista descobriu que quanto menor a glande e quanto maior a distância entre o clitóris e a vagina, mais difícil é para a mulher chegar ao clímax.

Experimentar é preciso

Todas essas pesquisas significam que existem várias maneiras de as mulheres experimentarem o orgasmo. "Há uma boa base neuro-anatômica para diferentes tipos de orgasmos e diferentes tipos de sensações", afirma Komisurak.

Já para as mulheres que têm dificuldade de atingir o clímax durante a penetração – ou qualquer tipo de estimulação – a mensagem dos cientistas é simples: experimentem.

"Não há nada errado com essas mulheres. Todo o mundo é diferente e elas precisam explorar seus estímulos", afirma Pauls.

O psicólogo italiano Jannini concorda: "Além de curtir o sexo, curta se conhecer e entender quem você é hoje, porque amanhã você provavelmente será diferente". E não subestime a imensa variedade em oferta. "Não encare o corpo feminino como uma máquina que só pode operar de uma determinada maneira", conclui."

sábado, 31 de janeiro de 2015

Nascer em bairro pobre ‘prejudica ascensão social por décadas’

Na hora de determinar nosso destino econômico, poucas coisas importam tanto como o bairro em que nascemos e crescemos.
Todos sabemos que viver em uma região mais pobre reduz as possibilidades materiais de seus habitantes. Por isso, muitos sonham ir para uma parte mais afluente da cidade onde vivem.
Mas um estudo recente dos pesquisadores americanos Douglas Massey, da Universidade de Princeton, e Jonathan Rothwell, do Instituto Brookings, vai além: traz novas evidências de que simplesmente se mudar de um bairro precário para um melhor não é suficiente.
Estudo afirma que viver em um bairro pobre durante os primeiros 16 anos de vida afeta a renda por muitas décadas
Estudo afirma que viver em um bairro pobre durante os primeiros 16 anos de vida afeta a renda por muitas décadas
De acordo com a pesquisa, o local específico da cidade onde uma pessoa passa os primeiros 16 anos de sua vida é determinante na renda que ela terá muitas décadas depois, mesmo que mude seu local de residência diversas vezes.
A conclusão é uma má notícia para os que acreditam na possibilidade de ascensão e mobilidade social. E pode fornecer mais argumentos às discussões sobre propostas polêmicas de vários países, incluindo alguns latino-americanos, de levar habitantes de bairros pobres para viver em regiões mais ricas das cidades.
“O bairro é o ponto crítico onde se bloqueiam as aspirações das pessoas para subir na vida”, disse Massey à BBC.
Para ele, as experiências vividas no local de nascimento também são uma herança da qual é difícil escapar.
“Os bairros pobres tendem a ter taxas mais altas de desordem social, crime e violência. As pesquisas mostram cada vez mais que a exposição a este tipo de violência não tem somente efeitos de curto prazo, mas também de longo prazo na saúde e na capacidade cognitiva de seus habitantes”, afirma o pesquisador.
“Esses efeitos não se apagam quando as pessoas crescem.”
A exposição a altos índices de violência pode causar consequências permanentes nos jovens, segundo Massey e Rothwell
A exposição a altos índices de violência pode causar consequências permanentes nos jovens, segundo Massey e Rothwell

Integração

A vida nos bairros mais carentes implica frequentar escolas de má qualidade, ficar mais longe das oportunidades de trabalho e mais perto dos focos de violência de nossas cidades.
Segundo o estudo de Massey e Rothwell, um americano deixa de ganhar, em média, cerca de US$ 900 mil, ao longo de sua vida se vive em um bairro pobre, comparado com o que recebe uma pessoa de um bairro de classe alta.
Segundo os pesquisadores, a tendência é que esse valor aumente.
“À medida em que a distribuição de renda fica mais desigual, ocorre o mesmo com a distribuição dos bairros. A concentração da riqueza e da pobreza aumentou. Os bairros pobres se tornaram mais pobres e ficou mais difícil escapar do status socioeconômico da pobreza”, afirma Massey.
Mas qual seria a solução para evitar que nascer em determinado bairro se transforme em uma sentença?
Massey acredita que é importante acabar com a segregação por bairros, a mesma que faz com que a vida de cidadãos de diferentes classes econômicas acabem tomando direções opostas em suas vidas.
O pesquisador recomenda “ajudar as pessoas a se mudar de regiões de muita pobreza para áreas de classe média e alta, onde tenham acesso às vantagens que as comunidades mais abastadas oferecem”.
Ele sugere construir moradias públicas subsidiadas em bairros mais ricos para que os pobres possam sair dos bairros marginalizados das cidades.
Após a Segunda Guerra, Londres construiu moradias estatais subsidiadas em bairros ricos da cidade
Após a Segunda Guerra, Londres construiu moradias estatais subsidiadas em bairros ricos da cidade
Oferecer aos jovens de classes sociais mais baixas a oportunidade de começar suas vidas em regiões mais ricas, diz Massey, pode ter um grande impacto positivo em suas trajetórias de vida.
Esse é um dos argumentos usados em capitais europeias como Londres, onde, após a Segunda Guerra Mundial, foram construídos conjuntos habitacionais estatais subsidiados em meio aos bairros mais ricos da cidade – que ainda existem.
Nos últimos meses, a proposta do prefeito de Bogotá, Gustavo Petro, de um programa piloto para levar habitantes pobres para viver em um conjunto de edifícios de um bairro rico causou polêmica na Colômbia.
A ideia foi chamada por opositores de medida populista e classificada como uso pouco eficiente de recursos públicos escassos. Eles afirmam que estes recursos deveriam ser usados para melhorar as condições dos bairros pobres onde vive a maioria dos habitantes da capital colombiana.

Estigmatização

O estudo de Massey e Rothwell se baseou em informações sobre bairros nos Estados Unidos, mas Massey insiste que os resultados encontrados na pesquisa se aplicam a qualquer outro país onde há altos níveis de segregação por causa de classe social.
“É um fenômeno que se observa frequentemente na América Latina”, afirma.
Pesquisadores dizem que resultados da pesquisa, feita nos EUA, se aplicam a qualquer país com alto nível desigualdade e segregação
Pesquisadores dizem que resultados da pesquisa, feita nos EUA, se aplicam a qualquer país com alto nível desigualdade e segregação
No entanto, a conclusão da pesquisa causou mais surpresa nos Estados Unidos.
“Os americanos não gostam de admitir, mas a classe social está se tornando uma prisão para as pessoas porque os bairros determinam nossa sorte. Nossa taxa de mobilidade social está ficando para trás em relação à de outros países industrializados”, explica Massey.
“Nos Estados Unidos gostamos de pensar que qualquer pessoa pode ir para onde quiser com base apenas em seus talentos e habilidades. Mas isso é cada vez menos o que acontece. O talento e a habilidade se contraem quando as pessoas estão presas em ambientes segregados.”
VIA: BBC, sugado do: http://pensadoranonimo.com.br/nascer-em-bairro-pobre-prejudica-ascensao-social-por-decadas/

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Brasileiros ficam mais tempo conectados que assistindo TV, diz Pesquisa Brasileira de Mídia 2015

Maior levantamento sobre os hábitos de informação dos brasileiros, a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015 (PBM 2015) confirma que brasileiros passam mais tempo navegando na internet do que assistindo TV. No entanto os dados mostram a televisão ainda como meio de comunicação predominante (maioria dos entrevistados diz assistir); o rádio continua o segundo meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros; e os jornais são os veículos mais confiáveis. Os dados foram apresentados pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), nesta sexta-feira (19), no Palácio do Planalto.
Durante apresentação da PBM 2015, ministro Thomas Traumann destacou que o brasileiro tem migrado de forma consolidada para os meios digitais. Foto: Iano Andrade - Gabinete Digital/PR.
Durante apresentação da PBM 2015, ministro Thomas Traumann destacou que o brasileiro tem migrado de forma consolidada para os meios digitais. Foto: Iano Andrade – Gabinete Digital/PR.
Os usuários de internet ficam conectados, em média, 4h59 por dia durante a semana e 4h24 nos finais de semana, superior ao tempo médio que brasileiros ficam expostos ao televisor, respectivamente 4h31 e 4h14. Praticamente a metade dos brasileiros, 48%, usa internet. O percentual de pessoas que a utilizam todos os dias cresceu de 26% na PBM 2014 para 37% na PBM 2015. O hábito de uso da internet também é mais intenso do que o obtido anteriormente. De acordo com a pesquisa de 2014, o tempo médio conectado era 3h39 por dia durante a semana e 3h43 nos finais de semana.
“Uma função dessa pesquisa é orientar a aplicação dos recursos do governo em publicidade. Tem que levar em consideração que a internet cresce como meio de comunicação mais utilizado, que os jornais são mais confiáveis, mas têm uma penetração menor. Que a TV tem um alcance gigante, mas capta menos a atenção das pessoas, todas essas informações serão levadas em consideração”, disse o ministro da Secom, Thomas Traumann
Mais do que as diferenças regionais, são a escolaridade e a idade dos entrevistados os fatores que impulsionam a frequência e a intensidade do uso da internet no Brasil. Entre usuários com ensino superior, 72% acessam à internet todos os dias, com uma intensidade média diária de 5h41, de 2ª a 6ª-feira. Entre as pessoas com até a 4ª série, os números caem para 5% e 3h22 – 65% dos jovens na faixa de 16 a 25 se conectam todos os dias, em média 5h51 durante a semana, contra 4% e 2h53 dos usuários com 65 anos ou mais.
O uso de telefones celulares para acessar a internet já compete com o uso por meio de computadores ou notebooks, 66% e 71%, respectivamente. O uso de redes sociais influencia esse resultado. Entre os internautas, 92% estão conectados por meio de redes sociais, sendo as mais utilizadas o Facebook (83%), o Whatsapp (58%) e o Youtube (17%).
Televisão
Apesar do tempo médio conectado na internet ser maior, a televisão segue como meio de comunicação mais utilizado pela população. De acordo com a pesquisa, 95% dos entrevistados afirmaram ver TV, sendo que 73% têm o hábito de assistir diariamente. O tempo que o brasileiro passa exposto ao televisor diariamente também cresceu em relação à PBM 2014 que eram 3h29 de 2ª a 6ª-feira, e 3h32 nos finais de semana (4h31 e 4h14, respectivamente na PBM 2015).
Rádio
O rádio continua o segundo meio de comunicação mais utilizado pelos brasileiros, mas seu uso caiu na comparação entre a PBM 2014 para a PBM 2015, de 61% para 55%. Em compensação, aumentou a quantidade de entrevistados que dizem ouvir rádio todos os dias, de 21% em 2014 para 30% em 2015.
Jornais e revistas
Permaneceu estável o percentual de brasileiros que leem jornais ao menos uma vez por semana entre as duas rodadas da PBM: 21%. Apenas 7% leem diariamente, sendo a 2ª-feira o dia da semana mais mencionado pelos leitores (48%). A escolaridade e a renda dos entrevistados são os fatores que mais aumentam a exposição aos jornais: 15% dos leitores com ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos leem jornal todos os dias. Entre os leitores com até a 4ª série e renda menor que um salário mínimo, os números são 4% e 3%.
O uso de plataformas digitais de leitura de jornais ainda é baixo: 79% dos leitores afirmam fazê-lo mais na versão impressa, e 10% em versões digitais.
Foi detectado cenário semelhante ao dos jornais em relação às revistas: 13% dos brasileiros leem revistas durante a semana, número que cresce com aumento da escolaridade e da renda dos entrevistados. Versões impressas (70%) são mais lidas do que versões digitais (12%).
Mesmo que sejam baixas a frequência e a intensidade de leitura de jornais e revistas, eles são os meios de comunicação com maior nível de atenção exclusiva. Entre os leitores de jornal, 50% disseram não fazer nenhuma outra atividade enquanto o consome. Entre os de revista, 46%.
Comunicação de governo
Dentre as formas oficiais de comunicação do Governo Federal, o programa “A Voz do Brasil” é a mais conhecida pelos brasileiros: 57%. Além disso, o conteúdo do programa é bem avaliado por quem o conhece: 45% consideram-no “ótimo ou bom”; 20%, “regular”, e 12%, “ruim ou péssimo”.
Índice de confiança
Cresceu a confiança dos brasileiros nas notícias veiculadas nos diferentes meios de comunicação. Os jornais continuam como os mais confiáveis: 58% confiam muito ou sempre, contra 40% que confiam pouco ou nunca. Na PBM 2014, esses valores eram de 53% e 45%. Televisão e rádio têm nível de confiança similares. No caso da TV, 54% confiam muito ou sempre, contra 45% que confiam pouco ou nada. No caso do rádio, 52% confiam muito ou sempre, contra 46% que confiam pouco ou nunca.
Dentre os veículos tradicionais, a revista é o único que inverte essa equação: 44% confiam muito ou sempre, contra 52% que confiam pouco ou nunca.
Já em relação às novas mídias, a desconfiança predomina. Respectivamente, 71%, 69% e 67% dos entrevistados disserem confiar pouco ou nada nas notícias veiculadas nas redes sociais, blogs e sites.
PBM 2015
Encomendada pela Secom, a PBM 2015 foi realizada pelo Ibope com mais de 18 mil entrevistas entre 5 e 22 de novembro de 2014, por meio de entrevistas domiciliares. Como principal característica, manteve-se a representatividade nacional da pesquisa de 2014, com uma amostra que retrata adequadamente cada um dos 26 estados e o Distrito Federal.
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