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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Coisas que tenho aprendido sobre o tempo


(As mãos de Rachel de Queiroz por Eder Chiodetto)
Por Cynara Menezes, Socialista Morena -

A primeira coisa que eu descobri é que o tempo é igual ao joelho. Com sorte, você não vai se lembrar dele até os 40 anos, mais ou menos. Durante a infância e a juventude, o tempo e o joelho são indolores. Como o joelho, a gente só sente o tempo quando começa a doer.

Tenho 49 anos e nunca tinha me preocupado com a passagem do tempo antes. Quando a gente é criança ou adolescente não fica olhando para trás, né? A gente vive, simplesmente, às vezes ligado no futuro, mas totalmente desligado do passado – a não ser por traumas, raramente por nostalgia. Depois dos 40 é que o tempo passa a ser uma questão.

Dentro da gente, o tempo do tempo é outro e cada um tem o seu. Tanto é que é mais fácil enxergar que o tempo passou no outro do que na gente mesmo. Por dentro, é possível ter 20 anos para sempre ou ser sexagenário aos 17. O tempo de fora só encontra com o de dentro quando morre alguém que a gente ama.

A saudade é diretamente proporcional ao tempo: quanto mais tempo a gente vive, mais saudade a gente sente. Viver mais é superar o desafio de conviver diariamente com a ausência dos seres queridos.

Mesmo que, por dentro, o tempo só passe se a gente quiser, inevitavelmente a infância fica cada vez mais longínqua. Não temo as rugas, os cabelos brancos algum dia assumirei, mas pensar que poderei, no final dos dias, não recordar minha infância me apavora.

O tempo, ao contrário da crença geral, não faz todo mundo ficar mais sábio e sim mais verdadeiro consigo mesmo. Acho que a “sabedoria” surge justamente daí, de se dar o direito de ser o mais verdadeiro consigo mesmo possível.

A juventude passa lentamente e a idade madura passa rápido. Mas quando a gente chega à idade madura tem a sensação de que tudo passou rápido, e rápido demais. Aquela sensação de “parece que foi ontem” é constante.

O tempo é muito relativo e pessoal. Tem gente que pensa em envelhecer para se aposentar. E tem gente que só enxerga a velhice trabalhando. Eu sou assim.
Num mundo ideal, a aposentadoria não deveria ser por idade, mas de acordo com o pique de cada um. Eu, por exemplo, gostaria de ter estado “aposentada” até os 30 e ter começado a trabalhar a partir daí. Agora estou a mil e não penso em parar tão cedo. Sinto que, em movimento, o tempo faz o cérebro da gente ficar mais e mais afiado. E que, parado, ele perde o fio.

O bom do tempo é quando ele é sinônimo de aprendizado, e isso não tem tempo para acabar.

Por Cynara Menezes, Socialista Morena -

Beijar vale mais do que uma boa dose de antidepressivos


sexta-feira, 25 de março de 2016

O MALANDRO SINCERO


Pelo menos uma vez na vida, você deve ter se perguntado como pode um malandro parecer tão honesto, ou melhor como é possível que haja malandros que parecem verdadeiramente sinceros, gente do bem, que quer fazer o bem e consegue lhe convencer de sua total candura interior.

Você não é burro, já encontrou vários malandros e sabe como funcionam, conhece seus jeitos e trejeitos, falas e movimentos. Mas, na hora você jura que o tal sujeito é verdadeiro, que é uma pessoa confiável e você até gosta dele pra caramba! Sente uma alegria no coração por ter encontrado uma pessoa tão legal e interessante, e ainda por cima interessada em fazer o bem de seus semelhantes.

Mas aí, após uns tempos, e longe da pessoa – é importante este detalhe: estar afastada da pessoa e observar de longe – se percebe que tem algo estranho. O tempo passa e você nota que há uma incongruência entre o sentimento que a pessoa lhe despertou e o que você vê ela fazer, ou deixar de fazer. Vêm à tona comportamentes que não são pertinentes com o que preconizamos como honestidade e sinceridade. De onde veio isso tudo? Quando você volta a pensar em seu primeiro encontro com a pessoa nada naquele momento parecia “errado” e “desonesto”...

Honestidade significa, entre outras coisas, ser consequentes, ou seja você cumpre o que promete, fala o que pensa e faz o que diz. A honestidade tem uma coerência interna e é porque falta essa coerência que chegamos à conclusão que aquela sinceridade que na hora nos tocou o coração não era pura. Como é possível ser profundamente malandro e profundamente sincero ao mesmo tempo?

Há uma explicação para isso, as coisas são menos malucas do que parecem ou mais malucas, dependendo do ponto de vista.

É possível ter os opostos dentro de si: basta não se aperceber deles! Uma pessoa dividida internamente, pode na hora em que falar com você, por exemplo, querer lhe vender um produto, ser de alguma forma verdadeiramente sincera. É como um ator que faz tão bem sua parte que lhe convence porque ele está sinceramente e totalmente comprometido com a parte que está atuando. Ele está convencido de sua própria sinceridade e é este convencimento dele que ele consegue vender!

Mas nem tudo o que ele é está lá, visível. Eis o truque. A pessoa tem outros aspectos, outras agendas, mas na hora do encontro entre vocês ela é capaz de colocar qualquer outro conteúdo próprio de lado e mergulhar completamente no motivo de sua reunião e, claro, irá parecer perfeitamente sincera. Um amor de pessoa!

Infelizmente, não tem como saber que há bastidores e outros cenários por trás das aparências, porque estas são trabalhadas com tamanha credibilidade que é impossível discernir algo distoante.

É somente no tempo e observando os demais comportamentos e escolhas que temos uma visão mais completa da pessoa em questão. É como se várias pessoas convivessem dentro de um corpo só. Mas a pessoa “não o sabe”, como diz o ditado: não saiba a mão direita o que faz a esquerda. Ela acredita ou está empenhada em acreditar, tão sinceramente no papel que exerce, que simplesmente omite a si mesma o “resto”. Com esta especial forma de loucura “normalizada” se obtém o pacote inteiro: o amor do mundo por “estar fazendo o bem” e a satisfação dos mais ocultos e menos nobres desejos que os outros, tendo recebido tanto “bem”, não percebem e até ajudam a ocultar.


Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente – Presencial, Skype, por telefone e por escrito. Boca Raton, FL +15613055321. www.adrianatanesenogueira.org.

domingo, 6 de março de 2016

Alegria também pode provocar doença no coração, indica estudo suíço


Emoções positivas também estão por trás de doença cardíaca
Um estudo suíço concluiu que dores no peito e falta de ar podem ser causadas não apenas pelo estresse emocional despertado por momentos de raiva, tensão e pesar, mas também pela alegria.

Da BBC -

De acordo com pesquisadores do Hospital Universitário de Zurique, pelo menos 1 entre cada 20 casos da cardiomiopatia de Takotsubo, uma alteração no ventrículo esquerdo do coração ligada ao estresse, é causado por alegria em excesso. As conclusões foram divulgadas na publicação científica European Heart Journal.

A condição costuma ser temporária – os pacientes geralmente se recuperam.

O estudo do hospital analisou 1.750 pacientes. Os médicos descobriram que alguns deles apresentaram problemas cardíacos causados por uma série de ocasiões felizes, entre elas:

  • Uma festa de aniversário
  • O casamento de um filho
  • Um reencontro de amigos após 50 anos
  • Tornar-se avó
  • A vitória de uma equipe esportiva
  • Ganhar em um cassino
  • O resultado positivo de um exame de saúde
Segundo os pesquisadores, a maioria dos casos era de mulheres que passaram pela menopausa.

Doença é conhecida como 'síndrome do coração partido'
Jelena Ghadri, uma das cientistas, disse que o estudo revelou a existência de mais mecanismos por trás da cardiomiopatia de Takotsubo, desafiando o estereótipo de quem sofre da doença – geralmente definido como paciente da "síndrome do coração partido".

"A doença também pode ser causada por emoções positivas. Os médicos precisam estar a par de que pacientes que chegam à emergência de um hospital também podem estar sofrendo da síndrome de Takotsubo mesmo depois de um evento feliz."

Ghadri afirma que os resultados sugerem que tristeza e alegria compartilham o mesmo "caminho emocional" que leva à doença.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

5 MENTIRAS QUE LHE MANTÉM PRESO NA SUA ZONA DE CONFORTO


Um rei foi presenteado com dois jovens falcões. Este, imediatamente contratou um mestre em falcões para treiná-los. Depois de vários meses, o instrutor disse ao rei que um dos falcões foi bem educado, mas não sabia o que estava acontecendo com o outro.
Desde que ele tinha chegado ao palácio, ele não havia se mudado de galho, ainda tinha que levar a comida diariamente a ele.
O rei chamou diversos curadeiros, especialistas em aves, mas nenhum pode fazer o pássaro voar. Desesperado, ele emitiu um decreto proclamando uma recompensa para aqueles que fizessem o falcão voar.
Na manhã seguinte, o rei viu o pássaro voando em seus jardins.
– Traga o autor deste milagre! Ordenou o rei. 
Apareceu diante dele um simples camponês. O rei perguntou:
– Como você conseguiu fazer o falcão voar? Você é um mago?
– Não foi muito difícil meu rei – disse sorrindo o homem. – Eu só cortei o galho que ele estava. Naquela ocasião, o pássaro foi deixado sem nenhuma outra alternativa senão levantar vôo.
gaviao
Esta fábula ensina-nos que às vezes é necessário permanecer em uma zona campo para recarregar, mas permanecer aí por um longo tempo, nunca saberemos o quão longe poderíamos chegar.
Portanto, precisamos expandir cada vez mais nossa zona de conforto. Nós só crescemos fora da zona de conforto.
Quer gostemos ou não, a capacidade de deixar conscientemente nossa zona de conforto e se atrever a descobrir novos horizontes e realizar nossos sonhos é o que nos torna diferentes dos outros, é o que nos permite ter novas experiências que enriquecem e dão sentido a nossas vidas.
Infelizmente, a maioria das pessoas preferem ficar em sua zona de conforto, o espaço em que eles se sentem mais ou menos confortável e seguro.
Para entender a zona de conforto pode imaginar dois círculos concêntricos, um pequeno dentro de um maior.
O pequeno círculo representa todas as coisas a que estamos acostumados, nossos hábitos e rotinas que normalmente visitam os locais e pessoas que frequentam. É nossa zona de conforto.
Zona-de-Conforto
À primeira vista, tudo pode parecer grande, mas o fato é que a permanência dentro desse círculo não é uma garantia de felicidade e não garante que no final de sua vida não terá arrependimentos.
Na verdade, ficar na zona de conforto limita você, porque não lhe permite descobrir nada de novo. Assim, você pode morrer um pouco a cada dia. Lembre-se de que a vida começa onde termina sua zona de conforto.
No entanto, há um círculo muito maior, composto de coisas que você não conhece, o desconhecido, seus sonhos, novos lugares … É o círculo da aprendizagem, ai que ocorre a expansão.
Para muitas pessoas dar esse salto assusta-os demasiadamente, porque não sabem o que vão encontrar no outro círculo, de modo que colocam em prática um mecanismo de auto-sabotagem, para permanecer em sua zona de conforto e não ser forçado a sair.

As mentiras que contamos a nós mesmos para não sair da zona de conforto:


 1. “Eu não tenho porque fazer”

É verdade, ninguém pode empurrá-lo para fora de sua zona de conforto e você não é obrigado a sair, mas se você ficar dentro da caixinha, não irá crescer.
Lembre-se que não crescemos simplesmente pelo passar dos anos, mas pelos os desafios que enfrentamos.
Quando você pensa em um projeto que representa um grande desafio e de repente sua voz interior lhe diz que você não tem porque fazer, em realidade o que você está expressando é uma resistência à mudança, porque uma parte de você deseja que fique dentro dos limites do conhecido.
No entanto, se você pensar que não há nenhuma razão para realizar algo novo, lembre-se que simplesmente fato de crescer e descobrir, são razões mais que suficientes.
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2. “Não é o momento certo”

Condições perfeitas para empreender algo raramente ocorrem, mas para perseguir um sonho significa lutar contra o vento e a maré, criando condições ao longo do caminho.
Quando você diz a si mesmo que não é o momento certo, você está ativando o medo, provavelmente um intenso medo do fracasso inoculado em você desde a infância.
Claro, não se trata de se lançar-se a uma aventura sem avaliar os prós e contras, mas se nós realmente queremos alçar vôo, devemos ser conscientes que não podemos ficar parados, precisamos ir em pequenos passos.
E quando percebermos já estamos caminhando  melhor.
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3. “Vou começar quando …”

Esta é uma das desculpas mais comuns para ficar seguro em nossa zona de conforto. Na prática, é o engano perfeito, porque não estamos desistindo do sonho ou do projeto que temos em mente, mas apenas colocando-o de lado até que determinada situação ocorre.
O problema é que essa desculpa leva diretamente a procrastinação, por isso é provável que quando a condição da demanda for atendida, criaremos outra, e mais outras.
Desta forma, mantemos a esperança viva, mas ao mesmo tempo, temos que trabalhar duro para tornar esse sonho uma realidade.
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4. “Não é para mim”

Basicamente, por trás dessa frase a ideia de que nós não somos o suficiente bom ou capazes. Esta é a desculpa perfeita para inseguros e pessoas com  baixa auto-estima.
Também é uma desculpa usada por pessoas que têm medo do mundo e se fecham para novas experiências. Em qualquer caso, você não pode saber se algo que você  gosta ou não até prová-lo.
Na verdade, é provável que em mais de uma ocasião tenha pensado que algo não foi feito para você, mas depois de provar, você amou e se tornou empolgado com a nova situação.
Portanto, não feche  para novas experiências nem se limite como uma pessoa. É a pior coisa que poderia fazer.
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5. “Eu não sei como fazer”

As coisas novas podem assustar, então uma das desculpas que inventamos para ficar em nossa zona de conforto é dizer-nos que não sabemos como enfrentar o desafio.
Podemos pensar que não temos habilidades ou que nunca podemos desenvolver. No entanto, lembre-se que quando você tem um “quê”, os “comos” vem sozinhos.
É verdade, para realizar determinados projetos a preparação é necessária, mas isso não significa que você não pode fazê-lo, significa apenas que levará mais tempo ou precisa de alguém para ajudá-lo.
Nenhuma habilidade vem do nada, todos tem na sua base muita paixão e esforço para o que a realiza, é assim com todos que atingiram esses patamares.
No fechamento, tenha sempre em mente o que Nelson Mandela disse: “Impossível é tudo aquilo que não se tenta” ou como disse Michel Jordan: “Você erra 100% das bolas que não arremessa
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Fonte das fotosFoto1Foto2, Foto3, Foto4, Foto5Foto6Foto7

http://yogui.co/5-mentiras-que-lhe-mantem-preso-na-sua-zona-de-conforto/

sábado, 21 de novembro de 2015

Caráter é aquilo que você é quando ninguém está olhando


Lara Brenner, Revista Bula

Aviso: este texto não é um manual, mas um conjunto de devaneios sobre como essa sequência de desastres pode estar intimamente ligada à vida de cada um de nós. Sinta-se livre para discordar, todavia, caso o faça, não seja agressivo. Apenas um debate amigável pode promover o crescimento.

A sensação que dá é a de que o apocalipse chegou mesmo para ficar. Profecias concretizam-se umas após outras e passagens bíblicas de desastres se fazem presentes a todo instante. Debates são fomentados e repensados nas redes sociais, desde os mais frutíferos até os mais improdutivos.

A quem se deve prestar mais solidariedade? Às vítimas do Bataclan na França? Aos 224 mortos do ataque contra o avião russo no Egito? Às famílias que perderam tudo no desastre de Mariana? Aos imigrantes famintos e humilhados que carregam nas costas o fardo produzido por um grupo de loucos e radicais?

Aos 2 bilhões de miseráveis espalhados pelo mundo, que parecem ter sido incorporados à paisagem e para quem a grande mídia sequer reserva mais fatias de seu nobre horário?

Afinal de contas, solidarizar-se com alguma dessas tragédias seria ignorar as outras? Faz algum sentido tentar medir o imensurável — a dor e a desgraça — em um momento como este?

Cada um absorve e vive a vida de uma forma particular, mas, por alguma razão muito bizarra, é comum que se vejam indivíduos usando as próprias réguas para medir os outros. Posts e mais posts de brigas virtualmente homéricas tentam mensurar que dor é maior e quem merece mais atenção. Uma bobagem sem fim, que renderá tanto fruto quanto discutir sexo de anjo.

O curioso é que a grande maioria dos que esbravejam contra tudo e todos parece se contentar com seus discursos despropositados. Param por aí. Criticam o governo, as empresas privadas, os cidadãos que não sabem votar, os partidos, a corrupção e qualquer desavisado que ouse cruzar-lhes os caminhos.
Agir, que é bom mesmo, nada.

O mesmo cara que profere moralidade e baba regra na internet costuma não perceber que a única possibilidade de fazer com que a esse cenário tenha alguma chance de melhorar é olhar para dentro.

De que adianta comprar mil brigas na internet e depois pegar o carro, dirigir pelo acostamento, destratar o porteiro, jogar lixo na rua, ou não devolver o troco que veio errado?

De que adianta criticar a corrupção nas licitações e depois vender sentença, atestado médico, monografias, carteiras de estudante ou comprar peças furtadas de carro?

E o que isso tem a ver com Mariana? Bem, Mariana é um misto de corrupção, negligência, imperícia e descaso. A mesma corrupção do advogado que compra sentença; a mesma negligência do perito que recebe honorários para preencher mecanicamente uma planilha padrão, sem se importar com as consequências; a mesma imperícia de um clínico geral que se mete a fazer uma delicada cirurgia cardíaca; o mesmo descaso do pai que vê o filho se tornar um pequeno delinquente e culpa apenas a escola.

Os indivíduos que chegam ao poder, seja na esfera pública ou privada, só o fazem porque são afiançados a cada passo sujo que dão. Um grande corrupto é, antes de tudo, um pequeno corrupto. Em maior grau, são ambos espelho de quem os rodeia.

Quer ajudar Mariana e as demais cidades afetadas? Aja. Recolha mantimentos, programe a logística, procure saber quem está por trás do desabamento e ajude a disseminar consciência, informação, reflexão, e não discursos aparentemente moralistas e sem sentido.

Deseja um mundo melhor? A não ser que queira devotar sua vida a combater frontalmente o Estado Islâmico, as milícias, as quadrilhas de tráfico e toda essa barbárie organizada, o jeito é agir no microcosmo individual, procurando ser bom, honesto, íntegro, propagador de consciência e educação.

Que de tanta tragédia e horror possam surgir reflexões profundas, sinceras e transformadoras.

*Título tomado de empréstimo de Epicuro.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Dinheiro compra felicidade? Novo prêmio Nobel de economia diz que sim


Conclusões de Angus Deaton podem ser surpreendentes para quem pensa que felicidade não se compra
"Poucos temas são tão universais como "dinheiro" e "felicidade".

BBC Brasil


O britânico Angus Deaton ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2015 por sua pesquisa sobre consumo, pobreza e bem-estar, mas diz que seu trabalho só mexeu com a imaginação do público quando ele escreveu sobre felicidade.

"É o único artigo que escrevi sobre o qual você ouve pessoas conversando em supermercados", disse Deaton à BBC.

As conclusões de Deaton podem ser surpreendentes para quem pensa que felicidade não se compra.

Como você quantifica a felicidade?
O que é felicidade?

Filósofos discordam há milhares de anos sobre o significado de felicidade, o que torna o conceito difícil de medir.

E para quantificar a felicidade, Deaton diz ter se focado em duas perguntas.
Uma é a questão de curto prazo sobre felicidade cotidiana, e outra é a indagação mais ampla sobre o rumo geral da vida.

Ele poderia perguntar, por exemplo: "Aqui temos uma escada com o degrau zero sendo a pior vida possível que possa imaginar, e o degrau dez, a melhor. Onde você se colocaria?"

Os estudos de Angus Deaton identificaram uma forte relação entre renda e satisfação com a vida
Dinheiro pode comprar felicidade

O professor Deaton diz que se você perguntar a alguém sobre o grau de satisfação dela, a resposta terá relação direta com a renda da pessoa.

Deste modo, ele diz, um bilionário como Bill Gates, da Microsoft, irá declarar maior satisfação com a vida do que alguém menos rico.

"É uma escala logarítmica, então você precisa de cada vez mais dinheiro para subir outro degrau, mas a escada nunca para de subir", diz Deaton. "E isso é verdade não só para indivíduos, mas entre países."

Então dinheiro pode comprar felicidade, ao menos no sentido de satisfação na vida.

O economista britânico diz que a felicidade cotidiana depende menos da renda
Alegria cotidiana

Mas e a alegria do dia a dia? O que ocorre se você perguntar às pessoas: "Você teve um bom dia? Foi um dia estressante?"

O professor diz acreditar que o dinheiro também afete a felicidade nesse quesito, mas apenas para quem tenha renda anual superior a R$ 290 mil.

Ganhar menos do que US$ 75 mil nos EUA (ou R$ 290 mil no Brasil) pode afetar seu nivel de felicidade
Ele afirma que quem ganha menos do que isso tende a se preocupar muito com dinheiro, e isso tornaria essas pessoas menos felizes.

"Quando aquele medo permanente vai embora, isso faz uma enorme diferença na vida das pessoas, e a falta de dinheiro pode te deixar bem para baixo no dia a dia", diz Deaton, ressaltando que ganhos adicionais após esse "limite da felicidade" não fazem tanta diferença.

Em resumo, a resposta à pergunta "O dinheiro compra felicidade" depende de quanto dinheiro está em jogo e da definição de felicidade de cada um."