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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Os partidos como máquinas burocráticas despolitizadas



Quando o Partido exerce o poder, torna-se o Estado da ordem, o qual cada vez mais se transforma num aparato despolitizado, uma máquina burocrática, e não exerce mais a função de estimular ideias e práticas (...). Isto implica que o Partido não cumpre mais sua função política de outrora, torna-se apenas um aparato do Estado. (...) não possui mais suas próprias convicções político sociais, podendo ter apenas uma relação estrutural e funcionalista com a manutenção do Estado.

As palavras acima são do artigo “Política despolitizada do oriente ao ocidente”, de Wang Hui, professor da universidade chinesa de Qinghua, publicada na revista 
Leste Vermelho. Poderiam referir-se ao Partido dos Trabalhadores, mas seu autor pretende que este seja um traço comum a todos os partidos do mundo.

Ainda que 
a afirmação soe exagerada, sem dúvida, retrata a realidade de grande parte dos sistemas políticos do planeta. Daí, a enorme desilusão em relação às representações partidárias, que se manifesta em formas de luta direta em vários cantos do mundo.

Quanto ao PT, sua militância vinha defendendo abandonar o programa econômico que seu próprio governo vinha implementando. Mas encerrado seu 6º Congresso Nacional, nenhuma resolução foi adotada nesse sentido.

Apesar das paixões envolvidas, e da justa indignação das forças de esquerda com os rumos petistas, o fenômeno pode ser olhado como mais uma consequência da esterilização da política pela economia. Algo que o capitalismo pressupõe, mas que sua fase neoliberal radicaliza.

Ou seja, as palavras de Wang parecem servir também a toda a esquerda partidária nacional. E será assim enquanto nossas organizações priorizarem as disputas eleitorais ou por aparatos burocratizados. 
http://pilulas-diarias.blogspot.com.br/2015/06/os-partidos-como-maquinas-burocraticas.html

sábado, 3 de dezembro de 2016

A estética e a linguagem no processo de amoldamento de um Partido Socialista à ordem burguesa


manifestação de apoiadores do Syriza antes da eleição
Alguns meses atrás, debrucei-me no estudo do livro “As metamorfose da consciência de classe – o PT entre a negação e o consentimento”, de Mauro Luis Iasi. O livro é produto da tese de doutoramento do professor e expressa, também, uma espécie de “acerto de contas” sobre o rumo do seu partido antigo no processo de rompimento com o PT e sua volta ao PCB. 

De uma erudição incrível e com desenvolvimentos de difícil compreensão, o que mais me chamou atenção no livro foi o estudo sistemático sobre o processo de amoldamento à ordem burguesa – que na linguagem mais clássica do marxismo,chamaríamos de degeneração – de um partido operário e socialista: o PT. De um ponto de vista político, me parece evidente a importância desse debate na situação atual do Brasil; de um ponto de vista teórico, conheço poucos escritos de qualidade em português que procurem estudar o processo de amoldamento à ordem burguesa que acometeu partidos operários pelo mundo. – nesse exato momento, estou lendo um livro fantástico sobre o tema: Capitalismo e social democracia, de Adam Przeworski. É muito mais fácil encontrar bibliografia “crítica” sobre a URSS do que sobre o eurocomunismo ou a falência da socialdemocracia, por exemplo. 

Clarificando de agora, o livro de Iasi não é uma história social do PT e muito menos um mergulho nos seus meandros institucionais. Iasi procura analisar o movimento contraditório entre a negação e o amoldamento à ordem burguesa no PT através dos documentos do Partido (resoluções de encontro, congressos, etc.) e ideias expressadas pelos principais lideres partidários. Embora esse seja o foco, o candidato à presidência pelo PCB em 2014, em sua brilhante análise, elenca muitas questões determinantes desse processo, sem, contudo, aprofundar-se tanto na maioria das vezes. Uma destas questões, a que mais nos importa nesse momento, é sobre a linguagem e a estética do Partido nesse movimento. 

Estética não como a área da filosofia, e sim como o conjunto de elementos que constituem a imagem do partido: suas cores, símbolos, marcos históricos, palavras de ordem, etc. e as formas de linguagem de que se reveste o programa teórico, o discurso dos líderes e a formulação dos principais intelectuais orgânicos do partido. Em poucas palavras: que palavras e o que elas expressam um partido escolhe para apresentar seu programa (definições de minha responsabilidade e não do Mauro Iasi). 

Infelizmente, em vários estudos sobre o amoldamento à ordem burguesa de partidos socialistas/comunistas, destaca-se muito a crítica individualista – tal ou qual líder que abandonou os ideais da revolução etc. – e quando não maniqueísta, como a tradição de buscar “traições” ao longo da história pelos trotskistas. O processo de amoldamento de um partido operário à ordem burguesa é multifacetado e contém uma riqueza imensa de processos variados de acordo com a época histórica mais geral, os determinantes da formação social em que se fincam as raízes concretas do partido e a luta de classe em determinada conjuntura. Essa variabilidade de processos, porém, não nos impede de apontar alguns traços gerais presentes em vários exemplos nos dados pelas experiências do século XX. 

Um desses traços gerais expostos pelos elementos universais do amoldamento à ordem, a despeito de toda diversidade de formação social, conjuntura e dinâmica das lutas de classes, é o abandono da teoria revolucionária e dos seus corolários em estética e formas de linguagem. O famoso Bernstein-debate, isto é, a polêmica dentro do Partido Socialdemocrata alemão (SPD) sobre as ideias de Bernistein e seus seguidores – a direita do partido – e seus críticos, como o defensor da “ortodoxia”, Karl Kautsky, e a crítica demolidora da jovem polemista Rosa Luxemburgo é uma das demonstrações fáticas de nossa tese. 

A primeira grande expressão do revisionismo, a teorização aberta do amoldamento à ordem burguesa, dispensou, com a justificativa de renovação e revisar os erros em Marx e Engels, a teoria revolucionária. Lênin, em seu clássico “Que Fazer?”, colocou com brilhantismo inigualável o papel da teoria revolucionária na luta revolucionária. A frase “sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária” é mais que conhecida e rica em consequências teórico-políticas. Pegando o gancho de Lênin, mas ampliando seu sentido, podemos dizer, avançando um pouco em nossa argumentação, que toda prática política requer uma teoria de legitimação e guia, ainda que, em vários momentos históricos, haja uma dissociação aberta ou velada entre prática e teoria. 

A história mostrou que, dentro do SPD, o grupo de Bernstein ganhou a grande luta de classes. Contudo, demorou décadas até que o SPD deixasse de anunciar o socialismo como seu objetivo político. O próprio Bernstein defendia, segundo suas palavras, o socialismo, afirmando que sua “revisão” do marxismo é que poderia garantir alcançar o socialismo. Vejamos o que Lênin, em “Que Fazer?”, diz sobre o a tendência revisionista no seio da socialdemocracia internacional:

A socialdemocracia deve se transformar, de partido da revolução social, em partido democrático de reformas sociais. Bernestein respaldou essa reivindicação política com toda uma bateria de "novos" argumentos e considerações harmoniosamente orquestrados. Negaram a possibilidade de fundamentar cientificamente o socialismo e demonstrar, segundo a concepção materialista da história, sua necessidade e inevitabilidade; negaram a crescente miséria, a proletarização e o acirramento das contradições capitalistas; declararam inconsistente o próprio conceito de "objeto final" e rejeitaram completamente a ideia de ditadura do proletariado; negaram a oposição de princípios entre liberalismo e o socialismo; negaram a teoria da luta de classes, dando-a como não aplicável a uma sociedade de fato democrática, governada conforme vontade da maioria etc. [1]

Agora vejamos o que Mauro Iasi, mais de cem anos depois de “Que Fazer?”, ao tratar o processo de aburguesamento do PT, diz sobre a linguagem do partido:

As mudanças que se verificam não se operam aleatoriamente, mas no sentido de recolocar a consciência que se emancipava de volta nos trilhos da ideologia. Não é, em absoluto, certas palavras-chaves vão substituindo, pouco a pouco, alguns dos termos centrais das formulações: ruptura revolucionária por rupturas, depois por democratização radical, depois por democratização e finalmente chegamos aos “alargamento das esferas de consenso”; socialismo por socialismo democrático, depois por democracia sem socialismo; socialização dos meios de produção por um controle social do mercado; classe trabalhadora, por trabalhadores, por povo, por cidadãos; e eis que palavras como revolução, socialismo, capitalismo, classes, vão dando lugar cada vez mais marcante para democracia, liberdade, igualdade, justiça, cidadania, desenvolvimento com distribuição de renda. A consciência só expressa em sua reacomodação no universo ideológico burguês, nas relações sociais dominantes convertidas em ideias, a acomodação de fato que se operava no ser mesmo da classe no interior destas relações por meio da reestruturação produtiva e o momento geral de defensiva na dinâmica da luta de classe [2]

Em ambos os casos, SPD e PT, percebe-se a procura por realizar uma adaptação léxica aos imperativos da ordem burguesa – essa adaptação de linguagem é também, como fica evidente, política e ideológica. O PT, até o início dos anos 2000, mantinha uma presença significativa do suposto objetivo socialista em seus documentos e discursos de líderes. Esse “objetivo final”, contudo, era negado diariamente pela prática política, e negado, também, teoricamente pela estética do partido e suas palavras e conceitos. Aqui podemos avançar na segunda tese: historicamente, os processos de degeneração dos partidos socialistas avançam não negando em todo o programa socialista, mas dissociando teoria e prática e dotando a teoria de nexos de adaptabilidade à ordem burguesa.  

Agora vamos trabalhar com um exemplo ilustrativo inventado. Imagine um partido socialista e operário do tipo “clássico” do século XX. Esse partido sofre divisões e surgem no seu seio novos frações. Uma delas continua se proclamando socialista, mas retira o vermelho de suas cores, nega os símbolos do movimento operário do século XX, oculta em sua simbologia qualquer referência aos processos revolucionários do século passado, busca com desespero patético referências nos “sucessos” do movimento (Syriza, Podemos, etc.), as palavras classe trabalhadora e trabalhadores tornam-se cada vez mais raras no discurso e, no lugar de palavras-conceitos fundamentais do arcabouço marxista, como revolução, surge “transformação social”, no lugar de combater a propriedade privada, “reduzir as desigualdades” etc. 

Em nosso exemplo hipotético, ainda que os militantes dessa organização sejam socialistas sinceros e a organização em si continue se proclamando como socialista, existe, a nível molecular, uma adaptação à ordem. Esse tipo de transformação estética e discursiva muita vezes, senão na maioria, é mostrada como necessária para “atribuir o público”. 

Embora o debate sobre as formas de consciência, a ação política e sua relação não seja o foco do nosso texto, é importante tecermos algumas palavras sobre esse debate. A grande polêmica sobre as formas de consciência das massas, especialmente o senso comum, e como o partido revolucionário deve atuar contém inúmeras posições, de nossa parte, sem aprofundar nos porquês, consideramos a posição de Lênin a mais acertada. Lênin considera que a classe trabalhadora na sua experiência diária de trabalho e luta sindical, enquanto classe, não consegue transcender o nível da luta economicista – ou nos termos de Gramsci: econômico-corporativa –, o que não quer dizer, por suposto, que operários individuais e seguimentos da classe não o consigam. 

A consciência revolucionária vem de fora da classe em sua experiência cotidiana e sindical. Um partido revolucionário formado por operários destacados e intelectuais atua como uma mediação entre as lutas imediatas e o horizonte revolucionário, sendo um instrumento da classe trabalhadora para construir a capacidade revolucionária da classe trabalhadora. O que isso significa frente ao senso comum? Que o partido revolucionário irá partir do senso comum, considerar suas formas e peculiaridades, adotar formas de flexibilidade tática na agitação e propaganda e ação política, mas nunca, sob hipótese alguma, adaptar-se a esse senso comum. O partido revolucionário parte do senso comum considerando-o em sua ação, para, na mesma ação, negá-lo, galgando um nível mais elevado de consciência da realidade:

Vosso dever consiste em não descer ao nível das massas, ao nível dos setores atrasados da classe. ISSO NÃO SE DISCUTE. Tendes a obrigação de dizer-lhes a amarga verdade; de dizer-lhes que seus preconceitos democrático-burgueses e parlamentares não passam disso: preconceitos. Ao mesmo tempo, porém, deveis observar com serenidade o ESTADO REAL de consciência e de preparo de toda a classe (e não apenas de sua vanguarda comunista), de toda a massa trabalhadora (e não apenas de seus elementos avançados) [3]

Isso posto, para Lênin, tomar o senso comum como fato dado e formatar o partido de tal forma que fique atrativo ao senso comum é, além de uma forma de oportunismo, a negação da prática política revolucionária, e diria mais: outra maneira de adaptação molecular à ordem, dado que o senso comum é uma expressão da ideologia dominante [burguesa]. Ou seja, a fala corrente de que os partidos e organizações de esquerda “precisam saber dialogar melhor” e que a “direita tem uma linguagem mais fácil que a esquerda” pode também guardar muitas armadilhas embutidas. 

Enfim, à guisa de conclusão, quis, brevemente, demonstrar nesse texto que o processo de amoldamento à ordem burguesa de um partido socialista dá-se de diversas maneiras. Estar apenas atentado para grandes movimentos, como passar a receber dinheiro de empresas ou fazer alianças eleitorais com a direita, e perder outros elementos que parecem “pequenos”, mas na verdade são profundamente importantes, pode nos desarmar para impedir que organizações socialistas tornem-se aparelhos ideológicos e políticos da burguesia. 



[1] -  V. I. Lênin. Que Fazer? Problemas candentes do nosso movimento. Expressão Popular.
[2] – Mauro Luis Iasi. As metamorfose da consciência de classe – o PT entre a negação e o consentimento. Expressão Popular. 
[3] - V. I. Lênin. Esquerdismo: doença infantil do comunismo. Expressão Popular. 

http://makaveliteorizando.blogspot.com.br/2016/09/a-estetica-e-linguagem-no-processo-de.html

quinta-feira, 4 de junho de 2015

O Fla x Flu político atual não é contraproducente, muito pelo contrário

Francy Lisboa, GGN

"Jargões parecem ser a síntese do simplismo que busca explicar tudo na terra Brasilis. Há jargões econômicos: “pedaladas fiscais”; “pibinho”; “tempestade perfeita”, “dragão da inflação”; “tsunami”; “dólar derretendo”; “marolinha do Lula”; entre outros. Há jargões relacionados à segurança: “BB-BM: bandido bom é bandido morto”; “tá com pena ? Leva pra casa!”; “Direitos humanos para pessoas direitas”; etc. Bem tudo isso não é novidade para nós, não é mesmo?

Mas há um jargão que trata diretamente do ponto desse post: “Fla x Flu político”. Isso tem íntima relação com o surgimento da terceira via como profecia de Marina Silva que, na época pré-eleição de 2014, se julgava (não sei se ainda julga-se) capaz de arrebanhar os bons e impolutos da política, aqueles que gravitam acima do bem e do mal da humanidade como em uma linda roda de ciranda.

A relação entre a visão messiânica de Marina e o jargão Fla x Flu se dá pela visão dosemcimadomuristas (não necessariamente marinistas, mas pretensos seres acima das paixões) de que a polarização política entre odiadores do PT e não odiadores, também referida como Fla x Flu, é contraproducente para o país. Isso é repetido a torto e a direito por onze de cada dez análises, em especial na blogosfera dita progressista. Dizem eles: é uma guerra.

Sim, sem dúvida é uma guerra, Mas guerras são também apontadas por historiadores sérios, não aquele exonerado da UFSCAR, como motores de evolução da própria humanidade. É preciso conhecer o adversário para se traçar estratégias de combate ideológico, do contrário, haverá espaço para a turma do deixa disso entrar em cena com promessas de reconciliação de curto prazo: sebastianismo a toda prova.

No começo, ai tomemos como ponto de partida a posse do sapo barbudo, a distinção não era clara: pobres contra ricos, aspirantes a rico versos bolsistas federais sugadores de impostos dos aspirantes; o preconceito em relação às cotas versos o reconhecimento do passado escravista brasileiro. Isso tudo obra do anticristo Lula, segundo alguns líderes neopentecostais. Há quem diga que o Brasil estava melhor antes, não tinha essa divisão: ôôô inééércia de nós todos!

Sim, sim e sim. Não havia isso. A coisa foi ficando cada vez mais clara como em um ajuste de nitidez das antigas televisões. No contraste atual é evidente quem é quem nesse Brasil polarizado: o lado A, o lado B, e os “acima disso”. Valores cristão que, presumivelmente deveriam ser seguidos a risca, precisam ser mandados às favas para reduzir o tom de hipocrisia. A sugestão óbvia seria a convocação moralista para umnovo Concílio de Niceia, uma espécie de Constituinte exclusiva, a fim de apagar pregações de perdão, amor um pelos outros, dar a outra face, entre outras coisas incomodas.  Seguindo essa racionalidade, daqui a pouco sobra até para o Natal. Afinal, é preciso aparar os contrapesos morais para que a bestialidade possa ser exercida sem arrependimentos.

De fato, a polarização ajudou a reduzir os mascaramentos do moralismo cristão que enreda a sociedade brasileira, mesmo aqueles que não se julgam cristãos. É ou não é um lado positivo da polarização? Saber quem joga contra os trabalhadores; quem não tem vergonha de dizer que sonegação não é corrupção; quem tem asco ao funcionalismo público; quem quer intervenção militar; quem quer fiscalizar o uso do ânus alheio; quem é a favor da “rápida resposta a sociedade” mesmo que isso implique eventuais erros; quem chama a morte de milhares de um lado e uma dúzia do outro de “guerra”; quem acha normal “arrogância petista de Zé Dirceu” seja tratada como crime tipificado em Lei; quem acha que mais direitos para domésticas é retrocesso; quem grita vai pra Cuba! Etc, etc, etc. Hoje, muitos de nós constatamos sermos amigos, ou abrigar em nossos círculos, bestas insensíveis outrora adormecidas. É ou não é?

Em brigas estúpidas de escolas os dois lados beligerantes engalfinha-se devido, como já dito, às mais estúpidas razões. De vez em quando, muito de vez em quando, a beligerância é interrompida pelo chamado lado do deixa disso, caracterizado por gestos e narrativa pertencentes a uma faixa etária que, sinceramente falando, ainda nem adentrou: tudo cena! Mas no caso do debate político atual, a cena deu lugar ao contraste claro: (1) petista Petralhas bolivarianos comedores de criancinhas versos (2) a frente conservadora com a proteção da bancada da bala alimentada pelo Agro e divinamente orientada pela bíblia de pentecostes. Tá tudo mais claro minha gente, graças à “tchulma” do PT, um dos lados do jargão Fla x Flu. Aquele jargão que muitos ainda insistem em dizer que não serviu para nada senão a barbárie. Sei..."

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A culpa é das estrelas vermeklhas



Uma vez li que o Brasil tem predisposição em ser uma monarquia. Digo mais: o Brasil tem predisposição em ser uma botãocracia. É um país de tolos que se acham politicamente engajados mas não compreendem o mínimo funcionamento do sistema em que vive. Acha que o maior dos problemas estruturais pode ser resolvidos por um rei (ou rainha) apenas apertando um botão vermelho na mesa da presidência.
O problema da educação? Oras, todo mundo sabe, é só investir. É só apertar o botão. Por que é que ninguém até hoje ainda não apertou? É o que indaga o sujeito super revoltado achando que nossos problemas não são resolvidos por preguiça. Daí você pergunta: que tipo de educação é essa? O que você acha da proposta do MEC de englobar matérias? O que você acha da priorização do ensino técnico? E do projeto de federalização?
Um livro com toda a culpa do PT.
Silêncio. Na mente dessas pessoas, a solução é óbvia. Não, a solução para nada no Brasil é óbvia. Há centenas de modelos educacionais brigando por espaço. Há problemas estruturais gigantes na área da saúde que não são resolvidos apenas construindo mais hospitais. E não, a culpa não é só do PT.
Esse é um fenômeno curioso, e ao mesmo tempo irritante. Todos os problemas recaem sobre o PT ou sobre o Lula/Dilma, como se vivêssemos numa ditadura (alguns diriam seriamente que sim) ou monarquia. Nem nesses regimes há tanto poder para que tanta culpa recaia sobre eles.
A gente pode estar pesquisando uma receita de bolo na internet que vemos um comentário de que o bolo ficou solado por culpa do PT. Saindo na rua de bairros de elite, se um cocô tá na calçada é culpa do bolchevismo da Dilma. Se acontece uma tragédia no Japão, a culpa é do PT, berra o Arnaldo Jabor. É como se fosse a personalização política da teoria do caos. Se o Lula solta um pum em Rondônia, toda uma cadeia eventos resulta em um tornado no Estados Unidos.
Não há nenhuma formação do funcionamento da democracia, da divisão de poderes, da responsabilidade do município, do estado ou da esfera federal. Não, não há interesse em saber o real culpado, o único interesse é de bancar o engraçadinho ou o cara super politizado colocando a culpa nas estrelas vermelhas. Isso além de ser imbecilizante, faz com que tenhamos que ficar mais tempo explicando o que não é culpa do PT em vez de realmente focar no que é culpa dele.
É por isso que temos um debate político tão rasteiro e burro no Brasil. O mais triste é que esse discurso vem em boa parte das pessoas que deveriam ser mais inteligentes, mas que talvez mostre que a nossa educação é realmente um problema, pois não ensina a pensar, e sim a apenas ensinar algum aspecto técnico.
A culpa? Claro, do PT!
Lambido do,  http://jovempolitico.com/culpa-do-pt/