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domingo, 5 de março de 2017

RECADO PARA O TRUMP: O APOCALIPSE NÃO É UM REALITY SHOW!


Eu tinha acabado de fazer 12 anos quando a crise dos mísseis cubanos estava em grande destaque no noticiário. 

Ingenuamente, perguntei a um colega mais velho do ginásio se ele temia ser convocado para lutar numa eventual 3ª Guerra Mundial. 

Nem me passava pela cabeça que não haveria guerra, mas sim o extermínio quase instantâneo da espécie humana.

Agora que o presidente demente Donald Trump trama um aumento de 10% no orçamento militar dos Estados Unidos, podendo dar o pontapé inicial de uma nova corrida armamentista, fico pensando como seria bom se as novas gerações não olhassem tanto para o próprio umbigo, alheias a quase tudo que aconteceu anteriormente na história da humanidade.

Quantos saberão hoje em dia que, durante 13 dias do mês de outubro de 1962, a sobrevivência da espécie humana esteve por um fio? Quantos se mostrariam tão indiferentes aos planos sinistros de Trump se soubessem disto?

Rememoremos. O presidente John Kennedy deu um ultimato à União Soviética, exigindo a retirada de mísseis nucleares instalados secretamente em Cuba, cuja presença fora revelada por fotos de aviões espiões, e ordenou o bloqueio naval da ilha. A resposta do premiê Nikita Kruschev foi despachar uma força-tarefa rumo à linha do bloqueio. 

Militares linha-dura de ambos os lados acalentavam o sonho de destruírem o inimigo atacando em primeiro lugar com suas bombas atômicas. Isto não teria dado certo pois, além de empestear com radiatividade um enorme naco do planeta, ainda sobraria ao país atacado tempo suficiente para lançar seus mísseis antes de ser pulverizado.

Então, quando aquelas dezenas de navios de guerra se colocaram frente a frente, bastaria um dos comandantes perder a cabeça e gritar fogo! para as pedras de dominó começarem a tombar uma por uma. A guerra começaria no mar e, em  terra, logo os mísseis seriam libertados dos silos.

O perigo era tão dantesco que, do lado dos EUA, o próprio John Kennedy comandou com mão de ferro a operação. Inclusive contatava pessoalmente, por rádio, os comandantes dos navios, dando-lhes ordens e instruções. Ele e o irmão Bob (seu conselheiro militar) fizeram tudo que podiam para que a situação não escapasse de controle.

Não se sabe ao certo o que Kruschev fez nem quem foi o responsável pela decisão de ordenar aos navios soviéticos que dessem meia volta, desistindo de romper o bloqueio.

Mas o premiê soviético estava tão pressionado que, quando resolveu entrar em contato com John Kennedy para discutirem o impasse, optou por mandar recado por um canal inusitado, ao invés de recorrer aos diplomatas profissionais que imediatamente transmitiriam a novidade ao serviço de espionagem.

Ou seja, escondeu de todos seu governo que estava negociando em segredo com os EUA até fechar o acordo e só então apresentou o prato feito ao Politburo, obtendo seu aval (seria difícil discordar naquela altura).
Aceitara retirar imediatamente os mísseis soviéticos de Cuba, em troca da promessa de Kennedy de retirar dentro de algum tempo, sem alarde, os mísseis estadunidenses da Turquia e da Itália.

Ou seja, em termos concretos o resultado foi um empate, mas Kruschev permitiu que os EUA posassem de vencedores, pois esta era a imagem que os filmecos de Hollywood sempre impingiram ao resto do mundo. 

De quebra, foi instalado o célebre telefone vermelho, linha direta para os dois dirigentes supremos se contatarem em momentos de grave crise, como garantia adicional de que uma guerra apocalíptica não começasse por mero equívoco.

Chegamos a um passo do abismo e recuamos horrorizados; aí atravessamos mais de meio século sem sustos semelhantes. Agora, contudo, podemos voltar às paranoias do tempo da guerra fria, quando aquelas imagens horrorosas da destruição das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki assombravam-nos em pesadelos e cidadãos particulares chegavam ao cúmulo de construírem precários abrigos nucleares em suas residências.

Pior: tendo plena consciência de que, mais dia, menos dia, a casa acabará finalmente caindo, caso não transformemos radicalmente a nossa sociedade. Enquanto os artefatos de destruição em massa existirem, não teremos garantia nenhuma de estarmos vivos no dia seguinte.

https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/03/recado-para-trump-o-apocalipse-nao-e-um.html

sexta-feira, 29 de julho de 2016

JÁ ESTAMOS NA 3ª GUERRA MUNDIAL!


"Não sei com que armas a 3ª guerra mundial será lutada, 
mas a 4ª guerra mundial o será com paus pedras."
(Albert Einstein)
As estatísticas mais confiáveis demonstram que durante a 2ª guerra mundial, num período de cerca de seis anos (1939/1945), morreram diretamente na guerra e nas cidades bombardeadas cerca de 50 milhões de pessoas, entre militares e civis; milhões de outras ficaram mutiladas para sempre; e incontáveis seres humanos foram levados à loucura e ao suicídio por traumas de guerra. 

A população mundial era de pouco mais de 2 bilhões de habitantes, o que significa que o genocídio da guerra suprimiu 0,25% dos habitantes do planeta, correspondendo a um morticínio médio de 8,3 milhões de pessoas para cada ano do conflito. 

Um período deplorável da humanidade, no qual os horrores foram presenciados de perto por tantas e tantas pessoas, impactando também nas que os acompanhavam à distância, por meio da mídia de comunicação já existente (jornais, revistas, rádio, cinema e a incipiente televisão)! 

Acreditava-se que seria o último da história. Mas, como os seus pressupostos permaneceram intocados, cedo se viu que tudo permanecia na mesma, fato evidenciado na guerra fria que se sucedeu e que desembocou nas guerras da Coréia (1950/1953) e do Vietnã (1959/1970), com outros milhões de mortos entre militares e civis. Afora termos chegado em 1962 às portas extermínio da espécie humana, pois pouco faltou para a crise dos mísseis cubanos ser o estopim  de uma guerra nuclear entre EUA e URSS.  

E o que se observa, hoje, mundo afora? Vivemos outro tipo de guerra mundial, cujas características são mais abrangentes que as das duas grandes do século XX. É uma guerra não oficialmente declarada, sem o embate direto de exércitos em blocos, mas não menos letal. 
1945: Hiroshima depois da explosão da bomba.

É que a capacidade destrutiva nuclear de muitos países impede a declaração de guerra convencional de blocos, embora as motivações ainda sejam as mesmas do passado. 

Disse Caetano Veloso, na sua música Fora de ordem, que “Alguma coisa está fora da ordem/ fora da nova ordem mundial”; é que a nova ordem mundial está acentuando os genocídios e mortes da velha ordem mundial. Se não vejamos:
  • guerras civis nas quais exércitos convencionais nacionais e estrangeiros se digladiam (caso na Ucrânia, Síria, Somália, Afeganistão, Chechênia, etc.);
  • por golpes ou tentavas de golpes estados militares (como o do Egito e o que acaba de ocorrer na Turquia, para citar apenas dois);
  • violência urbana generalizada (crime organizado, conflitos entre policiais e bandidos ou entre bandidos policiais e concorrentes bandidos, milícias, traficantes, torcidas organizadas, adversários políticos, etc.);
  • aumento da fome e da volta de doenças que se consideravam praticamente erradicadas;
  • emigração desesperada de enormes contingentes populacionais por terra e por mar;
  • guerras do fundamentalismo religioso ou pela hegemonia econômica;
  • atentados terroristas indiscriminados em massa nas grandes cidades por racismo, homofobia, misoginia, e por aí vai. 
Não há estatísticas sobre o morticínio derivado desses fatores comuns à grande maioria dos países no mundo; mas, se existissem, o total certamente seria superior a dos óbitos causados pela 2ª guerra mundial. 
Um pesadelo do século 21: o terrorismo islâmico.

Isto significa que estamos numa guerra mundial muito mais perniciosa do que as do século passado; ou, se quisermos, que ainda estamos nelas, por extensão de tempo e ocorrências, na medida em que as suas causas permanecem motivando a barbárie genocida mundial, embora de forma diferenciada quanto ao seu modus faciendi.         

Diz-se que o pior cego é o que não quer ver; as sociedades mercantis, capitalistas todas, sejam elas neoliberais (defensoras do capitalismo liberal), keynesianas ou marxistas-leninistas (ambas adeptas do capitalismo de estado), padecem deste mal, pois preferem conservar suas cegueiras ideológicas. 

Ninguém quer enxergar que o mecanismo de transformação de um objeto de consumo em mercadoria implica toda uma estruturação social que vai desde a concepção da produção destinada ao mercado até a sua estrutura estatal, num mecanismo de mediação social irracional e segregacionista; uma lógica ilógica. 

E não é que todos ignorem a natureza desse mecanismo (apesar de sua essência ser desconhecida pela quase totalidade dos indivíduos sociais), mas porque admiti-lo significaria terem de sair das suas precárias zonas de conforto, das posições já consolidadas, partindo para o confronto com o novo. 

O novo representa o desconhecido, que pode ser um mal maior na mente de quem prefere a natureza do mesquinho mecanismo de mediação social do sistema produtor de mercadorias, ainda que, agora ele esteja chegando ao limite interno de expansão, o que prenuncia sua autofalência (e esta poderá nos arrastar a todos!). 
"Miséria social se transforma em guerras e mais guerras"

A guerra da barbárie em curso é o resultado do alheamento inconsciente coletivo medroso sobre a essência do que está posto. Considera-se que é melhor enfrentar os males conhecidos (o  assaltante armado da esquina; a bomba de um terrorista; a corrupção do político que lhe representa; as filas nos corredores dos hospitais, etc.) do que discutir formas alternativas de mediação social que prescinda mdo modelo anacrônico mercantil atual.    

Ninguém vai à raiz do problema, reconhecendo no capitalismo a causa primária das guerras ora em curso sob as mais variadas formas. É mais cômodo atribui-las à forma política da administração pública, à ganância do sistema financeiro e dos monopólios da economia real, à corrupção com o dinheiro (pretensamente) público estatal, à falta de solidariedade, à concentração de riqueza e muitas outras ocorrências e mazelas sociais que existem, mas que são questões que se situam como efeitos e não como causa, embora eles sejam a face explícita do cao, e como se nenhuma delas resultasse da natureza endógena do próprio capitalismo. 

O capitalismo, sistema desenvolvido com maior celeridade do século XIX até os dias atuais e que tem como marcos três grandes revoluções industriais (inglesa, de 1860 a 1910; fordista, de 1910 a 1970; e da microeletrônica de 1970), com sua lógica de imposição reificada, segregacionista e predatória da vida, não poderia gerar outra coisa se não miséria social que se transforma em guerras, guerras e mais guerras. 
Por Dalton Rosado

As quais agora se intensificam, pois estamos no momento mesmo da inviabilidade existencial do capitalismo, como consequência da incoerência e contradição dos seus próprios fundamentos. 

Será que a humanidade conseguirá superá-lo a tempo?