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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

METÁSTASE NA POLÍTICA E NA ECONOMIA

 


Dístico dos inconfidentes mineiros
É a economia quem define o modo de ser da política. 

Todas as formas de organização social na história da humanidade foram moldadas pelo modo de produção social, que mais não é do que as regras pelas quais se obtém a sustentação social (além da produção, a distribuição e o consumo).

É o modo de produção que define o modo de distribuição e consumo, ou seja, o modo de apropriação dos bens e serviços indispensáveis ao consumo social. O termo economia, que deriva do grego, tinha o significado de regras da casa

Destarte, a economia é a regra socialmente definida, que tem sua aplicabilidade explicitada por regras comportamentais de controle social materializadas e  determinadas pela política. 

Num sentido amplo, economia é uma definição política (que tem sido historicamente imposta de cima pra baixo) de comportamento macrossocial de produção e consumo.

Em sentido estrito, política é o regramento jurídico governamental e comportamental do indivíduo social, enquanto homo economicus transformado em cidadão (detentor de direitos e obrigações próprias à cidadania definida economicamente). 

Não é por menos que há cidadãos de primeira classe (aqueles a quem os países concedem o direito de ir e vir livremente, desde que tenham posse para financiar o turismo de passeio ou negócios); e os de segunda classe, obrigados a enfrentas as intempéries de uma migração clandestina. 

A superestrutura é formada por definições jurídicas que evidentemente estão sempre permeadas por outras injunções comportamentais, como a arte, a filosofia, a religião, a literatura, a estética corporal e urbana, etc. 

Mas todos esses fenômenos sociais são contaminados (no caso da ciência social aplicada à economia capitalista) ou estabelecidos por um modo econômico-social de produção e convivência que historicamente tem sido imposto de cima para baixo. 

Daí a conclusão óbvia de que a política é serviçal da economia e tem uma soberania de vontade relativa, presa que está à dependência econômica. 

Se quisermos dar à política um conceito mais abrangente, de vontade soberana, teremos de defini-la de modo também mais abrangente, como modo de relação social (ou seja, como economia social, que assim abrange um pensar político fora da caixa, cujos conceitos vão além da economia burguesa). 

Daí Marx ter intitulado de Crítica da Economia Política as suas reflexões sobre a forma-valor enquanto instrumento de escravização indireta moderno e contraditório nos seus fundamentos, e como tal fadado ao desaparecimento, uma vez que é dado histórico, com começo, desenvolvimento e morte.

O atual estágio de degradação da política advém da degradação da economia e não o contrário, como tentam fazer-nos crer aqueles que a apresentam como algo intrinsecamente salutar, mas prejudicado pela crapulosa política atual. Trata-se apenas de uma versão conveniente para quem está empenhado em preservar o modo de produção capitalista. 

É a velha economia aquilo que faz um farsante como o capitão Boçalnaro, o ignaro, optar por:
— dar um giro de 180° no seu propósito original (eleitoral-absolutista-militar-golpista-nacionalista-liberal), que é contraditório desde o seu enunciado;
 abraçar um projeto eleitoral populista de quinta categoria, que nega os conceitos liberais de seu ministro da Economia e dos manuais clássicos do ramo, deixando o grande empresariado e o mercado com as barbas de molho, indagando-se sobre em quantas heterodoxias mais ele incorrerá para tentar reeleger-se;
 concluir que, com o desemprego estrutural no atual estágio de debacle econômica mundial e brasileira, turbinado por uma pandemia virótica assombrosa, seu projeto original teria de ser momentaneamente abandonado (ainda que por mero oportunismo político e somente até que as suas pretensões originais possam ser retomadas, segundo sua visão míope de golpista primário).

Mas a metástase da economia em estágio avançado de decomposição não aponta para uma harmonia política capaz de mantê-lo com níveis de popularidade aceitáveis, perante uma população desassistida em razão de uma ordem econômica que faz água por todos os lados.

Se o quadro econômico brasileiro é depressivo, quadro político chega a ser desolador. 

O que dizer de um Estado como o Rio de Janeiro, cujos últimos governadores foram, estão ou serão presos por corrupção (causa relativa, pois a primária é a falência capitalista), tendo à desgraça deles se acrescentado agora a desse farsante corrupto, sem passado, sem presente e sem futuro, Wilson Witzel, que se elegeu com o mesmo discurso anticorrupção do Boçalnaro e de seus filhos zero à esquerda???

O que dizer de um partido que terminou o seu ciclo de mais de 13 anos na presidência da República envolvido em comprovadas maracutaias (mensalão, petrolão e outras) com o que há de pior na tradicionalmente putrefata política brasileira??? 

O que dizer de um presidente que se ofende e ameaça esmurrar um profissional do jornalismo em serviço, pelo simples fato de este fazer a pergunta (por que o Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da Michelle?que até os paralelepípedos da ruas repetem???  

O que dizer de um parlamento composto em sua maioria pelo chamado centrão, que chantageia todos os governantes em troca de cargos públicos para ali promoverem as mais descaradas práticas corruptivas e de exercício de poder como forma de manter as suas reiteradas elegibilidades pelo voto de cabresto dos grotões empobrecidos??? 

A política apenas reproduz aquilo a que serve: o capitalismo, cuja natureza é a corrupção contida na apropriação indébita do trabalho abstrato produtor de valor, mecanismo pelo qual ocorre a acumulação do capital pelo capitalista. 

Isto no Brasil, que tem o triste galardão de:
 ser uma das últimas nações a abolir a escravidão dos africanos, aqui trazidos como mercadoria; 
— ser o único país que derrubou o império monarquista e instaurou a república pela força militar em conluio com uma elite política de direita, mais conservadora do que o Imperador destituído; 
 nos anos de chumbo do século passado, ter hipocritamente entronizado no poder político, após a queda da ditadura de 1964-1985, o antigo presidente do partido fantoche dessa mesma ditadura (José Sarney). 
Por aqui é oficialmente proibido o custeio eleitoral pelo poder econômico (empresas industriais, bancos, grande comercio, ricaços em geral, etc.), mas se destina, no empobrecido orçamento público, uma criminosa verba para os partidos políticos, presididos por verdadeiros gangsters que a usam para se perpetuarem como chefões de suas respectivas legendas. 

Portanto, além de o povo financiar a sua própria opressão política, ainda ocorre por debaixo do pano (o famoso caixa 2) a influência do poder político econômico empresarial e do enriquecimento ilícito da corrupção com o dinheiro público. Além de queda, coice. 

Sem querer elogiar o Grande Irmão estadunidense, que é a meca da exploração mundial econômica e bélica, devemos enfatizar que pelo menos na questão da influência do poder econômico nas eleições de lá, a coisa se passa de maneira explícita: os candidatos que mais arrecadam dinheiro publicam tal ocorrência como forma de demonstração de prestígio e de forte apoio político na pátria do capital. 

O eterno pêndulo da ineficácia eleitoral entre progressistas e conservadores corresponde a uma farsa de manifestação da vontade popular pelo voto, que nada mais é do que a legitimação do roubo na economia e do exercício do poder político que lhe é subserviente. 

Se num passado distante a conquista da sufrágio universal representou um avanço com relação ao absolutismo feudal e capitalista dos primórdios, a democracia burguesa atingiu um estágio tal de decomposição e degeneração que votar em suas eleições significa corroborar e legitimar um sistema que sofre de metástase orgânica funcional, cuja morte está anunciada.

Daí nossas recomendações:
 não vote! 
 conscientize-se da importância do seu protesto contra tudo que está aí!
 supere todas as categorias capitalistas (valor, trabalho abstrato, dinheiro, mercadoria, mercado, política, Estado, partidos políticos, etc.)! 
 promova a emancipação social e a verdadeira justiça!!! 

(por Dalton Rosado) 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

ESCOLHA DE FACHIN PARA RELATOR DO PETROLÃO TERÁ SIDO UM JOGO DE BITS MARCADOS?


Foi uma reviravolta do destino...
Edson Fachin era o mais conveniente para substituir o falecido Teori Zavascki como relator do mensalão por ter perfil eminentemente profissional e ser um dos ministros mais discretos, não podendo, em princípio, ser acusado de pretender favorecer qualquer parte envolvida ou que possa beneficiar-se de suas decisões.

Mais: era o preferido da presidente do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia, que deu sinal verde para que trocasse de turma, colocando-se em situação de ter seu nome sorteado.

Então, evidentemente surgirão suspeitas de que o computador estava viciado, de que se tratou de um jogo de bits marcados.

Bem, não serei eu a acusar a mais alta corte do País de ter feito batota, como naqueles sorteios do jogo do bicho em que a bolinha que convinha a algum banqueiro era mantida no congelador durante horas, de forma que quem enfiasse a mão no saco percebesse de imediato ser aquela a que ele deveria apanhar.

Mas, que houve um certo direcionamento, lá isto houve. Presumo até que tenha sido bem intencionado.

Primeiramente, o herdeiro dos processos da Lava-Jato, segundo o Regulamento Interno do STF, deveria ser o ministro que o presidente Michel Temer indicasse para a cadeira que vagou com a morte da Zavascki. Está lá no artigo 38, dedicado a substituições:
IV – em caso de aposentadoria, renúncia ou morte:
a) pelo Ministro nomeado para a sua vaga [as opções b e c são irrelevantes]
...que deve ter surpreendido até o próprio Fachin.
Mas, como o nome do próprio presidente da República já andou aparecendo em delações da Lava-Jato, seria temerário ele ter o poder de indicar alguém que pudesse vir a salvar sua pele. 

Então, o dispositivo abaixo foi, com um tanto de forçação de barra, utilizado para tirar a escolha das mãos de Temer:
Art. 68. Em habeas corpus, mandado de segurança, reclamação, extradição, conflitos de jurisdição e de atribuições, diante de risco grave de perecimento de direito ou na hipótese de a prescrição da pretensão punitiva ocorrer nos seis meses seguintes ao início da licença, ausência ou vacância, poderá o Presidente determinar a redistribuição, se o requerer o interessado ou o Ministério Público, quando o Relator estiver licenciado, ausente ou o cargo estiver vago por mais de trinta dias. 
Mas, já havia precedente de, em caso semelhante, ter sido feito um sorteio apenas entre os integrantes da turma a que pertencia o ministro a ser substituído. No presente caso, contudo, os quatro restantes não eram a opção ideal:
  • Gilmar Mendes por receios de que fosse favorecer os réus governistas e Ricardo Lewandowski por receios de que que fosse favorecer os acusados petistas;
  • Dias Toffoli por receios de que adotaria a postura recomendada por Gilmar Mendes;
  • Celso de Mello por seu hábito de fazer afirmações bombásticas, o que não convém quando se é responsável por processos tão polêmicos e melindrosos.
Houve umas gambiarrinhas...
Então, a segunda gambiarra foi a sugestão a Fachin de que solicitasse mudança de turma (tendo ele aquiescido).

Decidida a realização do sorteio e garantida a participação de Fachin, como fazerem com que o melhor candidato fosse o feliz contemplado?

Se todos estivessem em igualdade de condições, suas chances seriam apenas de 20% cada. Mas, como explicou a Folha de S. Paulo, a coisa não é bem assim:
"Para entender o sorteio eletrônico, (...) deve-se imaginar uma régua que vai de zero a cem.
Se a distribuição (ou redistribuição) for realizada apenas entre os cinco ministros que compõem uma das duas turmas do Supremo (...), imagina-se essa régua dividida em cinco partes iguais.
No entanto, o sistema tem um componente que leva em conta, também, o histórico de distribuição de processos para cada gabinete de 2001 para cá. Por gabinete entende-se não só o ministro atual que o ocupa, mas todos os seus antecessores, desde 2001.
Quanto mais processos um determinado gabinete tiver recebido desde aquele ano, fica ligeiramente menor a chance de ele ser escolhido no sorteio".
Então, há possibilidade de que Fachin tenha entrado no sorteio com chances maiores do que cada um dos outros participantes; e até de que isto fosse conhecido quando se resolveu convencê-lo a habilitar-se para a vaga.
...mas valeram as intenções.

Em nome da transparência, o STF deveria agora informar ao distinto público qual era o percentual de chances de cada candidato. Só assim se dissipariam (ou confirmariam) as presunções de que ganhou quem se queria que ganhasse.

Melhor teria sido, na minha opinião, uma decisão monocrática de Carmen Lúcia durante o recesso do Supremo. Os caminhos sinuosos dificilmente são os melhores, ainda mais para quem pretende fazer prevalecer a melhor solução para o País e não defender os próprios interesses.

Afinal, à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta...

https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2017/02/escolha-de-fachin-para-relator-do.html

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

PIZZA PRONTINHA PARA SAIR DO FORNO: DEPUTADOS FARÃO NOVA TENTATIVA DE IMPLODIR A OPERAÇÃO LAVA JATO!!!

A ANISTIA VEM A GALOPE
Enquanto a torcida se distrai com as eleições municipais, os deputados articulam uma nova jogada na Câmara. O plano é driblar o Ministério Público e aprovar uma anistia geral ao caixa 2. Se der certo, será um gol de placa do sistema político ameaçado pela Lava Jato.

A ideia é ousada: usar um pacote moralizador para legalizar o financiamento ilegal de campanhas. Os parlamentares prometem aprovar a criminalização do caixa 2, uma das chamadas 10 medidas contra a corrupção. Parece boa notícia, mas há um detalhe. Ao proibir o trambique no futuro, a Câmara quer perdoar quem o praticou no passado.

O lance já foi ensaiado em setembro. A bola não entrou graças a deputados da Rede e do Psol, que se insurgiram contra o acordo fechado pelos grandes partidos. 

Agora a anistia ameaça voltar a galope. O motivo da pressa é a delação da Odebrecht, que deve entregar mais de 200 políticos de todas as siglas.

O novo acordão paraestancar a sangria tem o aval do governo Temer e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Na quarta (26), ele repetiu uma tese dos réus do mensalão: caixa 2 e corrupção seriam "coisas distintas", sem ligação entre si.

Em entrevista a Mario Sergio Conti, na Globo News, o deputado indicou que apoia o perdão ao financiamento irregular das eleições passadas. "Nós temos que dar um corte e dizer que daqui para a frente está criminalizado", disse, apesar de a lei já prever punições ao caixa 2.

Questionado se estava defendendo uma anistia a criminosos, Maia abriu o jogo: "Alguma solução vai ter que ser dada. Eu acho que anistia é uma palavra forte". De falta de transparência, não poderemos acusá-lo.
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/10/pizza-pronta-para-sair-do-forno.html

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Entenda como funciona o esquema do Merendão




Por Diógenes Brandão.

Imagine que você tenha sido reeleita diretora de uma escola e depois de algum tempo, ao determinar a fiscalização e controle mais rígido dos recursos financeiros e de sua gestão, é informada de que  alguns funcionários desviam merenda escolar do depósito, há mais de 20 anos e que os mesmos foram contratados por um ex-diretor, que mesmo sabendo, nada fez para impedir a corrupção na escola. 

Por ter autorizado a investigação, você passa a ser acusada de ser a mandante do esquema de desvios, feitos pelos funcionários corruptos que você demitiu assim que foi comprovada a participação deles e de fornecedores no que ficou conhecido de Merendão e ordena que apure tudo, doa a quem doer. 

Com receio de ser responsabilizado por conivência e omissão, o ex-diretor que soube e nada fez para coibir os desvios, usa a amizade que tem com amigo$ da imprensa e lhe acusa dia e noite de ser a única e principal responsável pela máfia descoberta pela eficiência de sua gestão.

Como se não bastasse, há empresários de outras cidades interessados em privatizar sua escola, pois descobriram que ela está construída em cima de uma mina de ouro e por isso, fizeram um acordo financeiro com os donos das rádios, jornais e emissoras de televisão da cidade, criando um escândalo midiático, afim de convencer a população e toda a opinião pública, de que a melhor opção para dar fim à corrupção na escola, é vendê-la. 

Desta forma, parte dos cidadãos mais desprovidos de inteligência e memória são convencidos pelos veículos de imprensa a se juntarem aos amigos do ex-diretor para reclamarem, nas ruas e nas redes sociais, de tudo que não foi feito durante toda a existência da escola, que completou 500 anos outro dia. Como estão interessados em assumir novamente o seu lugar na coordenação da escola, mas não aceitam esperar mais 4 anos para concorrem novamente às eleições, rompem com o processo democrático e preparam atos de protestos em vários pontos da cidade, mas que são esvaziados,  pois o povão não acredita e nem os seguem e por isso não conseguem dar o golpe pretendido. 

Enquanto isso, os funcionários corruptos que foram presos ficam sabendo de que se "delatarem" outros funcionários da escola, podem sair da cadeia e ficarem livres, bastando pagar uma multa e prestar serviços comunitários. 

Com tudo isso acontecendo, a grande escola continua resistindo bravamente, com o apoio dos seus funcionários éticos, seus alunos esforçados e a maioria da comunidade, que finalmente percebeu que os interesses do mercado financeiro e da turma do ex-diretor não são a melhor alternativa para a escola, que finalmente cresce, trata bem seus funcionários e alunos, e está finalmente sendo passada a limpo, pois não aceita mais que a sujeira seja varrida para debaixo dos tapetes, nas várias salas de aula desta imensa instituição chamada Escola Brasil.

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No: http://diogenesbrandao.blogspot.com.br/2015/02/entenda-como-fuciona-o-esquema-do.html

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O Brasil, o "petrolão" e o Triangulo das Bermudas


 

"Nas ultimas semanas, o Brasil tem vivido sob o impacto das notícias da "Operação lava-Jato", que,  em busca de associar ao Mensalão, muitos chamam de Petrolão, esquecendo-se de que, enquanto se eleva esse novo escândalo ao posto de "o maior da história", outros parecem ter se escafedido em um imenso Triangulo das Bermudas, como se tivessem sido reduzidos a pedacinhos pelas lâminas de Freddy Krueger, ou abduzidos por alienígenas. 
Esse é o caso, por exemplo, do "Mensalão do PSDB" - perpetrado, de forma pioneira, com a ajuda do mesmo Marcos Valério, durante o governo do Sr. Eduardo Azeredo, em Minas Gerais. 

Esse é o caso do "Escândalo do Banestado", de desvio de mais de  100 bilhões de reais para o exterior, no qual foram indiciados vários personagens ligados ao governo FHC, incluído o Sr. Ricardo Sérgio de Oliveira, "arrecadador" de recursos de campanhas do PSDB, perpetrado, entre 1996 e 2002, também no Paraná, com a ajuda do mesmíssimo "doleiro" Alberto Youssef,  do atual escândalo da Petrobras.  

Esse parece ser também o caso, do Trensalão  do PSDB de São Paulo, que, apesar de ter tido mais de 600 milhões de reais das empresas envolvidas bloqueados pela justiça no dia  13 de dezembro, parece ter sido coberto por um Manto da Invisibilidade digno de Harry Potter, do ponto de vista de sua repercussão. 

Seria ótimo se - hipocrisias à parte - o problema do Brasil se resumisse apenas a uma briga entre "bonzinhos" e "malvados". 

Está claro que temos aqui, como ocorre em muitíssimos países, bandidos recebendo propinas no desvio de verbas públicas, atuando como "operadores" e facilitadores no trabalho de tráfico de influência, no superfaturamento e na "lavagem" de dinheiro e no envio de recursos para o exterior.  

E também empresários que se acostumaram, com o tempo, a pagar ou a ser extorquidos, a cada obra, a cada licitação, a cada aditivo de contrato, pelos "intermediários" e oportunistas de sempre, e que já sofrem sucessivas paralisações, atrasos e adiamentos nas grandes obras que executam, que ocorrem devido a razões que muitas vezes escondem interesses políticos que nem sempre correspondem aos do próprio país e da população.  
E padecemos, finalmente, ainda, da falta de coordenação e entendimento, entre os Três Poderes da República, em torno dos grandes problemas nacionais. 

Leis, projetos e obras que são essenciais para o futuro do País, não são discutidas previamente entre Executivo, Legislativo e Judiciário, antes de serem encaminhadas para aprovação e execução, o que acaba levando, nos dois primeiros casos, a relações de pressão e contrapressão que acabam descambando no fisiologismo e na chantagem e que afetam, historicamente, a própria governabilidade.     
   
Na contramão do que imagina a maioria das pessoas, com algumas exceções, ao contrário dos corruptos e dos "atravessadores", os homens públicos - incluindo aqueles que trabalham abnegadamente pelo bem comum - estão muito mais preocupados com o poder, para executar suas teses, ideias e projetos, ou apenas exercê-lo, simplesmente , do que com o dinheiro.  

No embate político, ter recursos - que às vezes chegam de origem nem sempre claramente identificada, pelas mãos de "atravessadores" que se oferecem para "ajudar" -  é essencial, para conquistar o poder, na disputa eleitoral, e nele manter-se, depois, ao longo do tempo.  

Esse é o elemento mais importante da equação. Mas ele só começará a ser resolvido se houver uma reforma política que proíba, definitivamente, a doação de dinheiro privado a agremiações políticas e candidatos a cargos eletivos, promova a cassação automática de quem usar Caixa 2 e aumente a fiscalização do uso dos recursos partidários ainda durante o período de campanha.  

Por mais que sejam importantes, e impactantes, as prisões dos corruptos envolvidos no escândalo da Petrobras e a recuperação dos recursos desviados, se não for feita uma reforma política, de fato, elas não impedirão que mais escândalos ocorram, no financiamento de novas campanhas, já nas próximas eleições."

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Por que a Mídia esconde o Trensalão e explora Petrobrás? Qual o interesse deles?


É o Pré Sal, gente! É o Pré Sal! Será que as pessoas ainda não se deram conta de que o massacre midiático que está acontecendo com a Petrobras tem a ver com o Pré Sal? Vimos hoje o Editorial do Globo falando sobre isso. Defendendo que o modelo de partilha seja substituído pelo das concessões e que multinacionais como Chevron, Shell e outras se apossem de nossas riquezas.
E vocês acham que nessas multinacionais não tem corrupção? Me deem uma pausa para rir… Você acham mesmo que só em empresas estatais tem corrupção? Mais uma pausa para rir… Se acham isso são muito ingênuos, para não dizer, tolos.
Sabemos que a corrupção existe e tem que ser punida e combatida, desde a ditadura empresarial-militar ela grassa nas instituições públicas e privadas brasileiras e estamos no exato momento colocando um fim na impunidade que acontece desde então. Nada mais será como antes e sabe por que?
Desde que o PT chegou ao poder os controles começaram a ser feitos. Não existia nada antes. Tudo era informal demais e bom para quem gosta de propina. No Governo Dilma esses controles foram aperfeiçoados e muita gente começou a ficar mais incomodada, pois o cerco estava se fechando para eles.
É aí que a Mídia, sempre ela, entra para poder ajudar os sonegadores, corruptos e corruptores. São todos seus sócios. A velha imprensa colonialista não quer mudanças. Sempre viveu das benesses dos empresários e de vários políticos. Ganha dinheiro fazendo intrigas e maledicências contra os adversários de seus amigos. Protege os partidos de direita e todos seus aliados: PSDB, PP, DEM e até mesmo o PMDB. Os escândalos, e são muitos os escândalos de corrupção que envolvem o PSDB são omitidos. Eles querem que você acredite que a corrupção começou com o PT e que o PT é que é corrupto. Querem tirar o PT do poder não somente porque o PT mudou as prioridades que antes eram dos ricos para dar oportunidades para todos. Querem tirar o PT do poder porque o PT está combatendo a corrupção e a sonegação como nunca se combateu nesse país.  E eles estão no meio disso tudo.
Dilma precisa agir e se comunicar com o povo brasileiro. O povo quer mudanças e irá apoia-la contra esses abutres. Mas, não pode demorar muito a fazer isso. Em comunicação todo cuidado é pouco e a agilidade em dar respostas positivas é de suma importância.
Vejam o artigo de Claudio Ribeiro no site Palavras Diversas:
Essa é a imagem símbolo do massacre midiático que sofre a presidenta Dilma.
Imagem símbolo do massacre midiático que sofre a presidenta Dilma
O cerco midiático a que o governo é exposto é, sem qualquer dúvida, o maior movimento orquestrado desde 1964 contra um governante, democraticamente eleito.
O que jornais, televisão e portais poderosos da internet fazem nos dias de hoje é similar ao que João Goulart sofreu durante todo o seu mandato.
Com fatos dissonantes: durante o mandato do presidente trabalhista, haviam jornais que o apoiavam em meio aos seus poderosos oposicionistas midiáticos, pelo lado político o mundo vivia um período tenso da guerra fria.
Posto isso e com mais outras questões de fundo político-partidário que estão colocadas na agenda do dia e apresentam os mesmos personagens desde 1994, é o que pode explicar o comichão das redações da grande imprensa em tudo aquilo que envolva e possa turvar os nomes PT, Lula e Dilma junto a opinião pública.
E que serve, também, para dissolver qualquer impulso jornalístico investigativo contra os malfeitos tucanos e seus associados, políticos e privados.
É o que demonstra, com uma clareza cintilante, porquê é São Paulo o epicentro das minguadas e acéfalas manifestações pró-intervenção militar e impeachment de uma presidente recém eleita. Lideranças importadas de outros estados e de outros palcos, disfarçam os verdadeiros promotores da arruaça contra a democracia: o grão tucanato e a mídia hegemônica.
As distorções editoriais que forçam a barra para multiplicar os números dos participantes de protestos contra Dilma e que, no mesmo esforço para adulterar a realidade vigente, escondem os escândalos de desvios de verbas das obras nos trens e metrôs de São Paulo e da grave crise de racionamento de água, provam o partidarismo selvagem que contamina o jornalismo brasileiro.
Aos amigos toda a proteção midiática e tutela política.
Aos inimigos toda a fúria editorial, embalada em textos deformados, muito bem costurados em retalhos partidários exacerbados.
Dilma enfrenta, em parte pela incapacidade política de seu governo de se comunicar e enfrentar seus agressores de forma eficaz, um noticiário histérico e corrompido na origem dos fatos.
Apesar de todo bombardeio a presidenta mantém 42% de avaliação ótima ou boa, segundo o último levantamento do Datafolha.
Mas apanhar calado, não responder com ênfase e não mobilizar suas bases sociais em defesa do projeto trabalhista em vigor, pode não ser suficiente para resistir, a longo prazo, a odiosa e ininterrupta blitz oposicionista que pretende demolir o virtuoso legado político-social construído por Lula, desde a chegada do PT ao poder central em 2003.
Do: http://www.ligiadeslandes.com.br/14/12/2014/por-que-a-midia-esconde-o-trensalao-e-explora-petrobras-qual-o-interesse-deles/

terça-feira, 18 de novembro de 2014

DELAÇÃO PREMEDITADA E FARSA DO PETROLÃO


Repetições e Farsas


Por F.Prieto, via Sala Fério


          Inicia-se, com o caso já batizado 'petrolão', a tentativa de repetição da farsa do ‘mensalão’. Não estou afirmando aqui que quaisquer das acusações, em ambos os casos maximamente explorados pela mídia e alçados de imediato ao status de ‘escândalos nacionais’, seja verdadeira ou falsa. O que afirmo é que as acusações e julgamentos têm sido manipulados para dar a entender que os esquemas denunciados teriam se iniciado com o PT e que só esse partido teria incorrido nessas supostas práticas. E têm sido manipuladas, também, para criar um clima político de oposição e rejeição pública ao partido que chegou ao poder por último e pelas urnas, penalizando ainda as alianças que porventura tenha no momento. Em ambos os casos, as atuações dos órgãos judiciais, das polícias a ele vinculadas e do ministério público pareceram (e parecem ainda) algo orquestrado para dar a impressão de que o PT inventou a corrupção no país e no mundo e de que seria o único beneficiário da mesma, o que sabemos não ser verdadeiro e que nos traz a percepção de uma farsa repetida.

              Percebe-se que as investigações a mando de juízes que declaram aversão pública ao partido dos trabalhadores e simpatia a candidatos tucanos e executadas por delegados que seguem a mesma linha política servem para formar libelos acusatórios escritos a quatro mãos por procuradores tampouco isentos e esses próprios magistrados – alguns dos quais chegam ao cúmulo de receber publicamente comendas dos adversários políticos do PT e prestigiar eventos de seus inimigos declarados – estão longe de ser limpas e transparentes. Tudo isso nos repugna porque é usado como um escudo para punir um único grupo político e isentar os que de fato usaram e abusaram de tais esquemas em passado recente e com toda certeza ainda se utilizam deles.

               Sim, somos a favor do combate sem tréguas à corrupção e desvios de quaisquer tipos, mas esse combate não pode ser dirigido só contra o partido dos trabalhadores ou preferencialmente a ele. A ética não pode ser seletiva! A nossa não é e a de juízes, promotores e delegados teria que ser inatacável, mas não o é. Aqueles que ordenam e realizam as investigações e os que preparam os libelos acusatórios, isto é, a denúncia, têm que ser isentos no mínimo em aparência, já que seus códigos de conduta funcional exigem tal comportamento e consideram transgressões disciplinares quaisquer manifestações públicas de apreço ou desapreço a autoridades, mas fingem estar acima desse regulamento e são aplaudidos por uma mídia em permanente ataque ao PT, mas que apoia e ajuda a esconder delitos dos adversários políticos desse partido. Esses meios, ao invés de informar os fatos de maneira clara e imparcial, manipulam manchetes, imagens e conteúdos de matérias jornalísticas para dar a entender que só o PT e seus aliados de momento, seriam os únicos a errar, o que é igualmente falso e tendencioso, em especial pelo fato desses esquemas – supondo serem verdadeiros e ocorrerem de acordo com a denúncia – certamente preexistirem à chegada do PT ao poder.

              E esse é o ponto chave da discussão: se é fato, e verdadeiramente é, que Marcos Valério já fora operador financeiro do PSDB e do DEM bem antes de intermediar verbas de campanha para o PT, e se também é fato que o delator premiado do atual caso da Petrobras, Paulo Roberto Costa,  já trabalhava na empresa desde 1978 e já fora chefe de logística e diretor da Gaspetro durante gestões tucanas e nomeado por eles, as investigações sobre possíveis delitos em que estivessem envolvidos não poderiam e não podem se limitar a administrações petistas. Em ambos os casos, fazer isso soa como ocultar parte dos fatos para tentar prejudicar um grupo político específico e beneficiar outro. O marco temporal e o foco das investigações e das denúncias está, em ambos os casos, visivelmente manipulado e errado. Soa como dizer que alguém virou um alcoólatra a partir somente dos últimos copos ou só depois que experimentou determinada marca de vodca ...
sugado do: http://blogdoitarcio.blogspot.com.br/2014/11/delacao-premeditada-e-farsa-do-petrolao.html