segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Receita neoliberal afunda templo neoliberal


O "Diário do Comércio", da Associação Comercial de São Paulo, fechou. Terá agora, como tantos outros, só uma versão na internet. 
Segundo consta, contribuiu muito para a decisão de acabar com o jornal a demissão em massa dos jornalistas terceirizados no ano passado: o passivo trabalhista comprometeu irremediavelmente o frágil equilíbrio financeiro da publicação. 
Em outras palavras, o "Diário do Comércio" morreu vítima da receita neoliberal que sempre pregou em suas páginas.
Lamento pelos profissionais que lá estavam, muitos dos quais colegas nas redações da vida, muitos deles veteranos como eu, que encontrarão sérias dificuldades para seguir em frente na profissão.
Nos últimos anos, vários jornais, no Brasil e no mundo, acabaram, seja pelo avanço inexorável da internet, seja pela incompetência de seus donos.
No Brasil, o cenário é desolador.
A soma da tiragem dos três jornais mais tradicionais - O Globo, Estadão e Folha - é de cerca de 1 milhão de exemplares - para uma população de mais de 200 milhões de pessoas.

Os jornais populares apenas sobrevivem, assim como os que buscaram um nicho de mercado, seja os esportes, no caso o Lance, ou a economia, no caso do Valor Econômico, que pertence aos grupos Folha e Globo.
Mas não só a internet e a péssima gestão administrativa explicam a falência dos jornais impressos.
Talvez o maior problema seja mesmo o fato de que eles abandonaram, de alguns anos para cá, a sua função principal, que é imprimir notícia, fazer jornalismo, para se tornar meros panfletos partidários, instrumentos da luta da oligarquia nacional contra o governo trabalhista.
Com isso se distanciam da realidade brasileira e acabam agradando apenas os convertidos à sua causa.
Falam apenas para quem apoia as suas ideias.
Ao negar o pluralismo e desprezar o contraditório, escolheram fechar-se num clubinho de amigos.
Apesar de contar com a generosa ajuda do governo federal, que gasta centenas de milhões de reais em publicidade, numa atitude incompreensível, o futuro dessas publicações é ficar cada vez mais fracas.
O grau de incompetência de seus executivos é tão grande que até hoje eles discutem formas de conseguir receita na internet...
O mundo digital já é uma realidade faz tempo.
Os jornalões se fossilizaram. 
Neste universo povoado de smartphones, tablets e notebooks, que a cada minuto se aperfeiçoam, são peças de museu apreciadas apenas por um público cada vez mais reduzido e envelhecido.
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Como a internet está destruindo a supremacia da tevê na mídia



, DCM
"Dois anos atrás, num encontro de diretores da Abril com jovens talentos recrutados para treinamento, foi-lhes perguntado quem via o Faustão.
Ninguém.

O Fantástico?

Ninguém.

O ambiente festivo, na ocasião, só foi sacudido quando rarefeitas mãos se ergueram quando foi perguntado quem lia a Veja.

Aqueles garotos e garotas representavam, numa expressão, a Era Digital.
Um estudo global da consultoria PWC – antiga Price Waterhouse – faz você compreender a força transformadora da internet no universo da mídia.

A internet, aponta o estudo, está se aproximando velozmente da televisão para se tornar a mídia que atrai mais investimentos publicitários.
Globalmente.

“Em 2013, o total de publicidade na internet foi de 117,2 bilhões de dólares”, afirma a PWC. “Este montante deve subir para 194,5 bilhões em 2018, num crescimento de 10,7% ao ano. É um salto significativo em relação a 2009, quando a tevê atraiu 132 bilhões de dólares em publicidade e a internet apenas 58,7 bilhões.”

Na Inglaterra, um terço do bolo publicitário   já pertence à internet. Nos Estados Unidos, também.

No Brasil, a marcha é mais lenta. O pedaço da internet é metade daquilo, cerca de 15%.

Mas passos significativos vão sendo dados também em solo brasileiro.
Poucas semanas atrás, por exemplo, a filial brasileira da L’Oreal informou que estava deixando de anunciar um revistas.

Foi uma decisão catastrófica para as publicações femininas. Ao longo dos anos, no caso brasileiro, a L’Oreal foi o maior anunciante de títulos como Claudia e Nova, da Abril.

No âmbito do governo federal, a Era Digital está ainda menos refletida nos gastos com publicidade.

Em 2012, a cota digital no total da publicidade governamental foi de 5,3%. A da televisão, de 62,6%.

A Secom, divisão do governo que administra a receita de publicidade, trocou de chefia, há alguns meses.

No comando agora está o jornalista Thomas Traumann, a quem, segundo foi veiculado, está atribuída a tarefa de fazer refletir a exuberância digital na publicidade do governo.

O chamado orçamento de base zero pode contribuir neste desafio.

Nele, como fazem corporações bem geridas, cada despesa em toda área é determinada não a partir do que se gastou no ano anterior – mas da base zero.

É uma forma de ganhar eficiência e evitar aumentos inerciais.

A “base zero” poderia ter levado a Secom a questionar, em algum momento nestes últimos anos, se havia razão para aumentar os gastos com publicidade federal de 964 milhões de reais, em 2003, para 1,8 bilhão, em 2012.

A “base zero” na Secom pode ser extraordinariamente útil neste segundo governo Dilma, assim como um olhar mais profundo para a revolução digital que varre a mídia."

Imprensa: muita calma nesta hora



Carlos Castilho, Observatório da Imprensa

"A ressaca da campanha eleitoral criou uma situação extremamente delicada em que o papel da imprensa passa a ser ainda mais relevante do que antes do segundo turno. A radicalização político-emocional, promovida por veículos como a revista Veja, fez aflorar velhos preconceitos e vestígios autoritários gerados pela frustração eleitoral.
O ambiente político surgido logo após a divulgação dos resultados do segundo turnoconfere à imprensa uma função complexa em que a produção de notícias torna-se menos importante do que o papel do jornalismo na extinção de um estopim informativo de consequências imprevisíveis. É o momento em que os veículos de comunicação precisam pensar mais nas implicações de suas decisões do que na preocupação com suas estratégias comerciais.

Pode parecer paradoxal, mas tudo indica que a imprensa é no momento a única instituição capaz de promover um mínimo equilíbrio entre percepções opostas da realidade política pós-reeleição de Dilma Rousseff. A presidente prometeu diálogo, mas suas intenções ainda estão marcadas pela campanha e, portanto, sujeitas a dúvidas sobre sua credibilidade.

Os políticos voltaram à velha estratégia de desconstruir a proposta de plebiscito sobre reformas políticas numa tentativa de preservar seu cacife num tema que vem se arrastando há décadas. A estratégia é clara: deputados e senadores não abrem mão delegislar em causa própria, mesmo diante da inequívoca perda de prestígio popular.

A imprensa tem um papel a cumprir neste provável confronto entre o Palácio do Planalto e o Congresso, porque isso pode radicalizar ainda mais os passionalismos políticos. A presidente provavelmente usará as reformas para neutralizar a renovada militância de deputados e senadores oposicionistas. Estes devem concentrar sua artilharia na denúncia de uma eventual tentação presidencial de repetir o caráter plebiscitário que permitiu a vitória de Dilma no segundo turno.

A imprensa não é uma instituição qualquer e nem uma máquina de fazer dinheiro. Sua matéria-prima é a noticia a partir da qual os cidadãos tomam decisões, para o bem ou para o mal, de cada indivíduo e da comunidade. A imprensa é, portanto, corresponsável nos equívocos políticos a que estão sujeitos os leitores, ouvintes, telespectadores e internautas.

Não há como fugir disso alegando que o papel dos jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão é apenas repassar conteúdos. Esta desculpa está inutilizada pelo resultado de dezenas de pesquisas científicas que mostram como as pessoas, inclusive jornalistas, incorporam percepções pessoais à narrativa de fatos e eventos.

O universo dos sentimentos desencontrados revelado pelas mensagens postadas nas redes sociais da internet logo depois do segundo turno mostra uma tendência à irracionalidade política que, se alimentada pelo noticiário da imprensa, pode acabar gerando situações cujo preço pode ser trágico, como mostram os efeitos da Marcha da Família com Deus e pela Liberdade nos idos de 1964.

A imprensa já acumulou ao longo de sua história recente experiências suficientes para mostrar que ela acaba também sendo vitimada pela radicalização que tolerou, consciente ou inconscientemente. Quando as pessoas começam a falar em muros separando pobres e ricos no Brasil, em impeachment da presidente reeleita, em supostas fraudes eleitorais e pedir que os militares retomem o poder, fica clara uma radicalização que só a imprensa pode ajudar a neutralizar. Ela deve resistir a ser protagonista de um jogo entre partidos que desejam manter ou conquistar influência nos negócios estatais.

Além disso, a imprensa precisa recompor sua relação de credibilidade com o seu público-alvo porque ela vive uma crise de transição de modelos de negócio em que a fidelização dos consumidores tem um papel crucial. Alguns veículos podem até tentar manter leitores endossando o passionalismo, sectarismo, xenofobia e autoritarismo. Mas a história recente do país mostra que esta estratégia nunca deu certo."

A palavra é uma forma de resistência


O dramaturgo romeno Matéi Visniec
"Na Bahia, dramaturgo romeno compara anos de regime comunista, quando era fácil identificar o comunismo, com a sociedade de consumo atual 

Marsílea Gombata, CartaCapital 

De Cachoeira

Foi ao lembrar da infância na Romênia e da posterior mudança para a França que o autor Matéi Visniec explicou a 350 pessoas presentes à 4ª Flica (Festa Literária Internacional de Cachoeira), cidade no Recôncavo Baiano, por que escrever é um ato político. Ao rememorar a censura que seus textos sofriam sob o regime de Nicolau Ceausescu, ele contou que na primeira vez que publicou um texto percebeu a dimensão do poder que aquilo tinha: "Quando tinha 11 anos, publiquei um poema na revista da escola e me dei conta de que todo mundo poderia lê-lo. Foi a revelação da força da palavra. Decidi me tornar escritor e lutei para poder publicar as minhas palavras", disse.

"No país onde nasci, antes do fim do comunismo, era muito difícil conseguir fazer com que nossa palavra circulasse. Percebi ali que a palavra é uma forma de resistência, de se colocar contra a ditadura. A poesia era sempre mais forte que o poder. E, em um país onde não há liberdade, a cultura é um oxigênio social".

Cansado da censura, em 1987 Visniec decidiu viver na França. A ideia que tinha de liberdade em países democráticos, no entanto, foi frustrada pelo estilo de vida capitalista que vigorava no país da Europa ocidental. "Entendi que nos grandes países democráticos existem ouras formas de ditadura, e precisamos resistir também a outras formas de lavagem cerebral", contou o autor cujos textos trazem figuras famosas como Chekhov, Stalin e Godot, personagem de Samuel Becket. "A minha impressão é que o meu papel não mudou, seja no totalitarismo da Romênia e também no totalitarismo do consumo."

O autor, que dividiu a mesa com o diretor teatral Marcio Meirelles, sob mediação de Gil Vicente Tavares, agradeceu à sua editora no Brasil (É Realizações) por ter traduzido vinte peças suas. "Isso é uma forma de dizer que existe uma comunidade internacional da resistência, com pessoas que fazem circular a cultura e constroem pontes através dela. Graças a isso tenho hoje muitas peças presentes nos palcos do Brasil", disse sobre História do Comunismo Contada aos Doentes Mentais e Espelho para Cegos, inspirada em Teatro Decomposto e montada por Meirelles. "Quando o li foi como se eu visse meu pensamento fora de mim. Com alguém falando muito melhor aquilo que penso em palavras", afirmou Meirelles.

Ao longo de fala de duas horas, o autor lembrou episódios de sua resistência através dos anos. No mais longínquo deles, Visniec tinha 10 anos e se preparava para uma festa nacional de homenagem a Ceausescu. "Os alunos tinham obrigação de cantar poesias para glorificar o ditador. Eu comecei a cantar meu texto e depois eu tive um branco, esqueci o poema. Aquilo foi muito grave. Havia mais de mil pessoas esperando, e eu tive um bloqueio", lembrou. "Aquilo, de certa maneira, foi uma forma de resistência. Eu não queria glorificar o presidente."

Além de recordar o momento em que decidiu ser autor e não ator – "Entendi naquele momento que não queria mais subir no palco" -, ele comparou as formas de "resistência cultural" quando vivia na Romênia e, depois, na França. "Quando era jovem e escritor na Romênia, era muito fácil porque o mal era visível, sabíamos o que tínhamos de criticar, os símbolos do regime totalitário estavam presentes: o presidente, o partido, a polícia política", disse. "Mas, nas grandes sociedades de consumo, às vezes não podemos ver onde está o mal. Na época de Stalin, era muito fácil criticar e identificar o mal. Mas como fazer isso hoje? Com a manipulação pela imagem, a indústria da televisão?

Porque é muito mais fácil ter uma tela sem ter uma civilização por trás".
A menção à televisão retomou uma vivência que o autor teve na manhã de sexta-feira, 31. Em um passeio turístico pela cidade baiana, ele viu "paisagens maravilhosas, praças, igrejas e bairros mais pobres". Perguntou se dentro dessas casas as pessoas pobres têm uma televisão. Recebeu um "sim". "Então, pensei: estamos construindo o mundo, com milhões de pobres em casinhas minúsculas, mas todos com uma TV. Essa droga, a invenção do século, é uma forma de manipulação incrível. A televisão deveria chegar a uma casa depois da prosperidade, da água quente".

Além de dramaturgo, Visniec é também jornalista. Longe de pensar que um ofício se opõe ao outro, ele defende as duas correntes como forma de sobrevivência. "Eu sempre vi a literatura como maneira de conhecer o mundo e me conhecer. Os jornais nunca vão poder dar respostas interessantes. A literatura vai ajudar a descobrir o homem em sua complexidade, com suas contradições. O que a literatura faz, ninguém pode fazer", disse. "Mas o autor em mim tenta consertar talvez o jornalista que existe dentro de mim. Mesmo nas peças em que falo de guerra e fome humana, há esperança".

* A repórter viajou a convite da organização da Flica.

Steinbruch: segundo mandato de Dilma será melhor


"Presidente da Fiesp e dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch afirma que Dilma Rousseff vai querer entrar para a história como uma boa presidente para o Brasil; “Se antes tinha dependências partidárias, agora tem condição de fazer o governo em que acredita”; segundo ele, um bom nome para o ministério da Fazenda trará "conforto ao investidor", mas diz que o aumento de juros foi desnecessário

Brasil 247 

O presidente da Fiesp e dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, prevê que o segundo mandato de Dilma Rousseff será melhor. “Se antes tinha dependências partidárias, agora tem condição de fazer o governo em que acredita. Com certeza vai querer ser lembrada como uma boa presidente. Aí, tem de fazer as coisas para entrar para a história”, disse.

Em entrevista à “Folha de S. Paulo”, ele diz ainda que um bom nome para o ministério da Fazenda, além de outras medidas, trará "conforto ao investidor".

“A indústria não tem confiança para produzir e o consumidor não tem confiança para consumir. Juros altos e o real valorizado que inunda de importados aqui, não ajudam. O aumento de juros foi desnecessário. Foi uma autoafirmação do Banco Central para demonstrar uma certa independência, disposição de controlar inflação”, afirma (leiaaqui)."

domingo, 2 de novembro de 2014

Cientistas creem em relação entre falta de água e saudade da ditadura em SP


secaPor Leonardo Sakamoto.
Pesquisadores do Instituto de Ciências Biosociais da Universidade de São Paulo afirmam que metais pesados presentes na água do volume morto do reservatório da Cantareira podem ser responsáveis por surtos de amnésia coletiva em parte da população. A perda de memória estaria relacionada às partes do cérebro responsáveis pelo armazenamento das aulas de história.
Essas substâncias, absorvidas durante atos simples como escovar os dentes ou tomar banho, atuariam nos receptores dos neurônios, impedindo sinapses e levando o indivíduo a ignorar o passado e produzir discursos desprovidos de razão.
O volume morto é um reservatório com 400 milhões de metros cúbicos de água situado abaixo das comportas das represas do sistema Cantareira. Conhecida também como “reserva técnica”, essa água nunca havia sido utilizada antes para atender a população e cientistas temiam seus efeitos nocivos.
O estudo aponta que o efeito é potencializado quando os metais pesados do volume morto são combinados com outros produtos químicos, como os presentes em potes de iogurte grego premium e drinks feitos com Aperol. Nesses caso, os pesquisadores têm registrado significativa diminuição na capacidade de empatia com o sofrimento alheio.
Uma equipe do Instituto esteve, neste sábado (1), na avenida Paulista para colher amostras de saliva de manifestantes que pediam uma “intervenção militar” no país e claramente demonstravam alguns dos sintomas.
“Queremos deixar claro para a população paulistana que estamos fazendo o possível para encontrar uma forma de interromper o processo de contaminação. E também, claro, uma cura”, afirma Jacob Gorender, coordenador da pesquisa. “Como medida paliativa, a fim de exercitar as partes afetadas do cérebro, sugerimos a leitura de livros de história do ensino médio ou apostilas de cursinho sobre o período 1964 a 1985?, completa.
O governador Geraldo Alckmin rebateu os dados da pesquisa - que apontam para um agravamento do problema com o uso da segunda cota do volume morto do Cantareira. E disse que um racionamento está fora de cogitação: “Vivemos a normalidade”.
Gorender, contudo, explica que, se nada for feito, após atingirmos a terceira e última cota do volume morto (que concentra a maior quantidade de metais pesados), podemos esperar que a amnésia coletiva atinja a memória sobre a Proclamação da República e até a Lei Áurea.
“As pessoas irão tratar negros como cidadãos de segunda classe, sem os mesmos direitos que os brancos. Será assustador “, conclui.
Foto: CC/Comunidade de Sistema Cantareira

TSE: PETIÇÃO APRESENTADA PELO PSDB É DESCABIDA E ANTIDEMOCRÁTICA.

A MAIORIA DOS MINISTROS DO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE) AFIRMOU QUE A PETIÇÃO APRESENTADA PELO PSDB DE AUDITORIA NA VOTAÇÃO DE SEGUNDO TURNO É DESCABIDA E ANTIDEMOCRÁTICA. NOS BASTIDORES, SEGUNDO REPORTAGEM DO ESTADÃO DESTE SÁBADO (1º), QUATRO DOS SETE MINISTROS DA CORTE FAZEM OBSERVAÇÕES RECHEADAS DE CRÍTICAS.

Bruno Magalhães/ Coligação Muda Brasil
O coordenador jurídico da coligação Muda Brasil, deputado federal Carlos Sampaio e o advogado Rodolfo Viana, da coligação Todos por MinasO coordenador jurídico da coligação Muda Brasil, deputado federal Carlos Sampaio e o advogado Rodolfo Viana, da coligação Todos por Minas
O pedido deve ser avaliado na sessão da próxima terça-feira (4). Os ministros indicam que não há nada que comprometa a lisura do processo eleitoral, e se os tucanos quiserem avançar em uma “auditoria” terão de fazer com recursos próprios, ao analisar os dados entregues pelo tribunal aos partidos. Segundo a reportagem, a avaliação inicial da corte é de indignação com a postura dos tucanos.

A reportagem afirma que o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, considera o pedido do PSDB prejudicial à democracia. "Não há nada que comprometa" a lisura do processo eleitoral, avaliou o corregedor.

Outros pares de Noronha ainda usaram as expressões “antidemocrático” e “desserviço”. O TSE destacou que os partidos políticos participaram das verificações do software das urnas eletrônicas e tiveram equipes jurídicas presentes em todo o processo.
http://www.vadcnete.com/2014/11/ministros-do-tse-classificam-peticao-do.html

DIVIDIR PARA CONQUISTAR

A eleição acabou, mas ainda são ouvidos os ecos de uma facção que não aceita as regras democráticas. Como disse uma prima, ao votar, você endossa o que as urnas apontam, seja favorável às suas ideias ou não. Infelizmente, não é o pensamento dominante entre os defensores do impeachment: insistem em absurdos, como a suposta supressão das liberdades individuais, vociferando contra o governo a plenos pulmões e por todos os canais possíveis e imagináveis.


Esse pessoal lembra os boleiros sulamericanos. Argentinos, chilenos, uruguaios e paraguaios são useiros e vezeiros desta prática: quando percebem a derrota iminente e que não têm mais forças para reagir, se entregam às botinadas, procuram todo tipo de confusão, tentam diminuir a conquista do rival, não aceitando o destino inglório da derrota.

Para não ser mal interpretado, esclareço que é apenas uma metáfora, pois eleição não é uma competição desportiva. Ninguém é obrigado a comemorar a derrota, mas sim a acatar o resultado legítimo que representa a voz do povo. Não existe o tal Fla x Flu eleitoral, como bem lembrou Ana Moser: você faz opções políticas racionais e, independente das escolhas da maioria, as mantém, de acordo com a força das suas convicções.

Outra tese berrada por essa turma é a da divisão do país. Um ícone das liberdades ameaçadas pelo governo, Romeu Tuma Jr.propôs um muro ao estilo Palestina x Israel, para dividir o Brasil entre o que ele gosta e o que ele despreza. É interessante que ele toma para seu lado MG e RJ, estados onde Dilma venceu e desdenha de RO, AC e RR, onde seu candidato saiu-se melhor. Deste "país da maravilhas" de Tuma Jr., saíram quase 30 dos 54 milhões de votos que elegeram Dilma Presidenta da República. Outro defensor das garantias ameaçadas pelo PT, o coronel Telhada dá ares de seriedade ao seu manifesto: "Já que o Brasil fez sua escolha pelo PT entendo que o Sul e Sudeste (exceto Minas Gerais e Rio de Janeiro que optaram pelo PT) iniciem o processo de independência de um país que prefere esmola do que o trabalho, preferem a desordem ao invés da ordem, preferem o voto de cabresto do que a liberdade".

Não é a primeira vez que o Brasil é atacado por separatistas. Na ditadura militar, de onde emergem alguns destes que pregam novamente a secessão, ficou famoso o slogan "Ame-o ou Deixe-o", sem qualquer espaço para o diálogo ou a construção de uma nação plural. A mensagem era clara: ou se amava o país, do jeitinho que os militares o tratavam, ou a porta da rua era serventia da casa. Ao contrário do que fez Lobão, que prometeu chispar e arregou, essa possibilidade não existia naquela época.

Como disse Breno Altman, por ora, a tese da divisão do país mal acoberta a tentativa de desestabilização e sabotagem de um governo recém-eleito. Em sua faceta mais visível, esse tese busca coagir este governo a medidas e nomeações afeitas ao bloco político-social batido nas urnas. Como se a vitória por margem estreita retirasse legitimidade da governante, que só a recuperaria se atendesse aos interesses dos adversários. Alguém imagina o contrário, Aécio Neves eleito por exígua diferença sendo obrigado a nomear um ministro do trabalho sindicalista ou ainda a reduzir taxa de juros como indutor do crescimento da economia?

Sobre a vantagem da candidata eleita ser pequena e isso ensejar o movimento sepatista, é sempre bom ter à mãonúmeros confiáveis. Em 2012, na França, Hollande derrotou Sarkozy por 51,6 x 48,4, mas nem o Le Pen ousou questionar a legitimidade do sufrágio.

É a velha chantagem do dividir para conquistar. Vem de Felipe da Macedônia, passa por Júlio César e Napoleão. Os europeus ao chegarem aqui, a utilizaram, explorando as rivalidades locais entre os indígenas. Expediente retido à exaustão nas colõnias da África e da Ásia. Ao colonizado, resta o papel de joguete das potências, o que cai como luva na mentalidade de Tuma Jr, Telhada, Lobão e companhia golpista.
sugado do: http://oantipig.blogspot.com.br/2014/10/dividir-para-conquistar.html

A marcha fascista precisa ser interrompida


Andei pensando - quando em vez faço isso.
Está claro que os tucanos querem esticar a corda, manter o clima de tensão no país depois que perderam a eleição que achavam que ganhariam. 
Acho até que estão pouco se lixando para chegar ao poder pela via legal, ou seja, por meio do voto popular.
Já devem ter jogado a toalha quanto a isso.
Sabem que Lula é o candidato natural do PT em 2018.
E eles não têm nenhum nome viável.
Aécio foi a última esperança branca, depois de insistirem com Serra e tentarem uma alternativa com Alckmin.
Por isso, para eles é mais fácil trabalhar com a hipótese de derrotar o PT por meio de um golpe, seja ele de que tipo for.

E o melhor caminho para isso é estimular seus apoiadores da extrema direita para ganhar espaço nas ruas e na mídia, tentando espalhar um clima propício para outras medidas de desestabilização do governo federal, seja via Congresso, seja via Judiciário, ou mesmo via intervenção militar - nenhuma hipótese deve ser excluída.
Eles têm know how, têm muito dinheiro, estão organizados, contam com muitos aliados em todos os setores sociais, têm apoio externo.
Não são uma força desprezível.
Não sei como os progressistas e legalistas, incluindo o próprio PT e o governo Dilma, vão atuar para se contrapor a esse movimento claramente golpista - e fascista.
Mas se algo for feito, precisa ser feito logo.
O caldo está começando a esquentar.
O silêncio dos próceres da oposição em relação aos atos fascistas é revelador. Significa que eles apoiam essa marcha da insensatez.
Importante também notar o papel da mídia nesse processo. 
No ano passado, as manifestações de rua cresceram porque tiveram uma cobertura massiva e favorável de toda a imprensa.
O efeito manada foi irresistível a milhares de jovens com seus hormônios borbulhando.
Os jornalões atuaram de maneira irresponsável, estimulando a baderna, e só tiraram o pé no acelerador quando viram que a situação estava ficando fora do controle.
Desta vez, por causa da gravidade do momento, espera-se muito mais responsabilidade.
E racionalidade.
Afinal, quem teria a ganhar se, desgraçadamente, o apelo fascista se impusesse?
Certamente não a imensa maioria da população brasileira.
O golpe só beneficiaria essas pessoas que o patrocinam - e que nem de longe desejam o melhor para o Brasil.
O embrião da serpente está crescendo. 
É preciso matá-lo antes que rompa do ovo.
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Tetracromatismo: as mulheres que enxergam cores 'invisíveis'


Em tese, só as mulheres têm possibilidade de ter tetracromatismo
"A professora americana Concetta Antico passou anos levando seus alunos de arte para o mesmo parque. Ela costumava perguntar a todos: "Vejam a luz na água, vocês conseguem ver o rosa brilhando naquela rocha? Ou o fio vermelho naquela folha?"

BBC Brasil / 

Só depois de muitos anos que ela descobriu que seus alunos estavam apenas respondendo "sim" por educação. Ninguém via as mesmas cores que ela.
Ela sofre com uma condição conhecida como tetracromatismo. Graças à variação de um gene que influencia no desenvolvimento das retinas, pessoas como Antico veem cores invisíveis para a maioria de nós.

Um exemplo é uma trilha cheia de pedras. Para a maioria, ela é cinza e sem graça. Para Antico, o caminho parece mais uma vitrine de joalheria.
"As cores das pedras 'saltam' em tudo que é direção, com laranjas, amarelos, verdes, azuis e rosas. Eu fico espantada quando descubro que os outros não veem isso", diz ela.

Cones e daltonismo

Tetracromatismo é uma condição rara.

Por muito tempo, acreditava-se que todos percebiam as cores da mesma forma. Quase todos possuem três tipos de cones, que são células na retina. Cada tipo responde a uma frequência diferente de cor.

Daltônicos possuem um defeito em um dos cones, e por isso têm dificuldade de distinguir entre algumas cores, como verde e vermelho, por exemplo.

Alguns animais são dotados com um "quarto cone". É o caso de peixes dourados e o pássaro diamante-mandarim. Esses animais provavelmente conseguem distinguir melhor as nuances entre as cores.

Há 20 anos, os cientistas Gabriele Jordan, da Universidade de Newcastle, e John Mollon, de Cambridge, levantaram a hipótese de humanos poderem fazer isso.

Condição especial fez Antico se destacar no mundo das artes
A hipótese é baseada no fato de o cromossomo X carregar dois tipos de cones - que percebem o vermelho e o verde. Como as mulheres possuem dois cromossomos X, elas poderiam, em tese, carregar quatro cones diferentes, cada um sensível a um espectro de cores diferentes. Essa hipótese dos quatro cones que deu origem ao termo "tetracromatismo".

Em tese, ela só se aplica a mulheres, já que os homens não possuem dois cromossomos X.

'Ir no supermercado é um pesadelo'

Provar essa hipótese dos cientistas foi uma jornada longa de duas décadas. Jordan e Mollon passaram anos administrando um teste de cores em vários voluntários. As cores apresentadas tinham diferenças tão sutis que apenas uma pessoa com quatro cones poderia percebê-las.

Em 2010, eles finalmente acharam uma pessoa capaz de fazer isso. A identidade dessa pessoa foi preservada, mas a pesquisa publicada fez com que vários outras pessoas com tetracromatismo se voluntariassem para outros estudos.

Uma delas é Maureen Seaberg, uma jornalista americana que passou anos reclamando das roupas que as pessoas usavam. Ela achava que muitas pessoas não sabiam combinar bem uma saia com uma blusa, por exemplo. Ao reformar sua casa, ela rejeitou 32 tipos de tintas diferentes até achar a ideal.

"O bege era amarelado demais, e não tinha tons azuis o suficiente; o amêndoa era alaranjado demais", conta ela. Esse tipo de descrição só confundia os seus decoradores e arquitetos.

Com cone extra nos olhos, diferentes tons de cores são percebidos
Antico conta que sempre soube que tinha uma visão especial e diferente da dos demais. Justamente sua sensibilidade aguçada a levou ao mundo das artes. Hoje ela é dona de uma galeria em San Diego, na Califórnia.

Suas pinturas são vibrantes em cores. Um eucalipto comum vira uma erupção de violetas, amarelos e verdes. Se os quadros realmente são uma representação de como ela vê o mundo, o resultado mostra que sua percepção é radicalmente diferente da maioria das pessoas.

Foi um cliente da galeria que sugeriu que ela fosse trabalhar com a cientista Kimberly Jameson, da Universidade da Califórnia. Jameson imediatamente suspeitou que a resposta estava nos genes.

O ganho em sensibilidade - apesar de parecer ser uma habilidade extra - pode também ser uma maldição.

"Ir ao supermercado é um pesadelo. É como uma lata de lixo de cores pulando de tudo que é lado", conta. Por isso, sua cor preferida é o branco.

"As pessoas acham incrível que minha cor favorita seja o branco, mas isso faz sentido porque ela é pacífica e agradável aos olhos. Ainda tem bastante cor presente ali, mas elas não me agridem."

Antico e Jameson querem criar um sistema de treinamento com crianças com tetracromatismo, para que elas aprendam a usar melhor seu potencial raro.

Como professora de arte, Antico tem uma ambição ainda maior: a de mostrar aos demais como ela enxerga o mundo. Sem o gene extra, é impossível que as pessoas consigam as cores que ela enxerga. Mas ela trabalha descrevendo os diferentes tons a quem não consegue enxergá-los.

Isso se tornou ainda mais importante depois do nascimento de sua filha. A artista americana que possui um dom raro não conseguiu passar esses genes a sua filha. E curiosamente o oposto aconteceu: a filha nasceu com daltonismo."