terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Situação de famílias do Pinheirinho é ‘inadmissível’, diz Anistia Internacional




Destroços do que foi o assentamento Pinheirinho, em São José dos Campos,
que sofreu reintegração de posse no início do ano Foto: Murilo Machado


A organização de Direitos Humanos Anistia Internacional definiu como “inadmissível” a postura do poder público um ano após o violento despejo de 5.534 mil pessoas da comunidade de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). No aniversário da ação, a ONG criticou, em nota, a incapacidade do poder público em encontrar uma solução “adequada e permanente” para as famílias removidas do local.

Em 22 de janeiro de 2011, a Polícia Militar e a Guarda Civil despejaram os moradores que ocupavam a área de quase 1,3 milhão de metros quadrados desde 2004. O terreno pertence à massa falida da Selecta, holding de 27 companhias do megainvestidor Naji Nahas.

A ação foi duramente criticada por defensores de direitos humanos, principalmente por ter utilizado cães, gás lacrimogênio e balas de borracha contra as famílias que não tiveram tempo de retirar seus pertences das casas.

À época, um relatório do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) identificou mais de 1800 denúncias de violações de direitos humanos por parte da PM e Guarda Civil. As mais citadas (13,6% do total de denúncias e citada por 41% dos entrevistados) se referiram a ameaças e humilhações. Das 634 pessoas que responderam ao questionário, 166 (26,2%) relataram ter sofrido algum tipo de agressão física e 205 afirmaram que suas casas foram demolidas sem tempo para a retirada de seus bens. Além disso, 80 pessoas disseram ter ficado sem emprego ou fonte de renda por conta do episódio. Para piorar, ao menos 71 casas foram saqueadas e 67 moradores foram ameaçadas por pessoas armadas.

A Anistia Internacional alerta que, atualmente, as famílias despejadas vivem “em condições precárias e moradias inadequadas” e em áreas de risco. A única alternativa oferecida pela prefeitura e o governo do Estado foi uma bolsa-aluguel de 500 reaispor mês. “A bolsa-aluguel deveria ser uma solução temporária. No entanto, essa foi a única medida de apoio às famílias no período e, mesmo assim, há relatos de que o valor é insuficiente e o pagamento atrasa – gerando situação difícil e constrangedora para os que dependem do recurso para pagar o seu aluguel.”

A organização ainda destaca que as famílias não foram reassentadas em nenhum programa de habitação e “tiveram que encontrar por si mesmas alternativas de moradia.” Segundo a ONG, o terreno permanece desocupado “sem cumprir qualquer função e acumula dívidas de 50 milhões de reais com a prefeitura, entre pagamento de IPTU e multas”.

A mídia como exército regular




“Buscar a presença de diversidade e pluralismo nos meios de comunicação significa se irritar todos os dias com a ausência deles

João Brant, no Brasil de Fato / Revista Fórum

Quando se analisa a ligação entre comunicação e política, a tendência é olhar para a cobertura do período eleitoral ou para os escândalos políticos. São, de fato, dois bons termômetros. Mas entre uma eleição e um escândalo há o noticiário do dia a dia, aquele que fala dos fatos de hoje que serão esquecidos depois de amanhã, mas que ajudam a consolidar o entendimento de cada um sobre o mundo.

Não dá para falar de como os meios de comunicação contribuem para a disputa de hegemonia sem olhar para esse “varejo”. Quase todos os especialistas ouvidos pelos noticiários de televisão têm pensamento alinhado com o da emissora – em geral, liberal do ponto de vista econômico e conservador no campo político. Os mesmos nomes se repetem em várias emissoras, muitas vezes sem especialidade alguma sobre o assunto.

Pois bem, escrevo esse texto no dia em que assisti a um programa de debates da Globo News sobre a situação política da Venezuela. Os três convidados tinham abordagens diferentes, mas todos em torno de um certo ponto de partida comum, que enxerga Chávez como um ditador e o chavismo como um fenômeno a ser derrotado. Nenhum deles ousou ao menos se perguntar por que será que o povo apoia Chávez e suas políticas.

Já há mais de 15 anos que estudo os meios de comunicação e é evidente que essas coisas não me surpreendem mais, como não devem surpreender a nenhum leitor deste Brasil de Fato. Mas o problema está justamente aí. A exclusão de determinadas vozes do noticiário e dos raros programas de debate é tão comum que nós já naturalizamos este fato. Buscar a presença de diversidade e pluralismo nos meios de comunicação significa se irritar todos os dias com a ausência deles. Nestes casos, não é raro a resignação se tornar uma autodefesa.

É claro que a experiência pessoal de cada um e os espaços alternativos de informação, em especial na internet, ajudam a contrabalançar este quadro. Mas o cenário ainda é muito desigual. Como avaliou outro dia o sociólogo Emir Sader, “eles têm o exército regular, nós só contamos com a guerrilha”.

Concurso da Prefeitura de Ubatuba será suspenso


 
O concurso público com provas previstas para fevereiro, para provimento, em caráter efetivo e sob o regime estatutário, de 373 cargos na Prefeitura de Ubatuba, será suspenso. O procurador Paulo Neto, da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região, confirmou nesta segunda-feira que a decisão foi negociada entre o órgão e a atual administração municipal. Segundo o procurador, a atual administração, do prefeito Maurício Moromizato, argumentou que, após análise, concluiu que os cargos previstos não seriam suficientes para atender às exigências previstas em termo de ajustamento de conduta - TAC, firmado entre a administração anterior, do ex-prefeito Eduardo César, e o Ministério Público do Trabalho - MPT, o que resultaria em duplicidade de gastos da Prefeitura com a realização de concursos.
A suspensão do concurso está em fase de negociação com a Fundação Vunesp, contratada pela administração anterior. Segundo fonte da Prefeitura, o concurso foi formatado, basicamente, com o uso de uma cópia de um organograma de Mogi das Cruzes, que tem uma realidade administrativa muito diferente de Ubatuba. Tanto o número de cargos efetivos como os de livre nomeação (os chamados cargos de confiança) não suprem as necessidades de Ubatuba. Os níveis salariais previstos também merecem atenção, pois alguns estão defasados. O caminho mais provável para a solução é a elaboração de uma reforma administrativa, que precisará ser aprovada pelo Legislativo municipal.
O processo 100.2004.15.002/3-42, da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região, está sob sigilo (exceção à regra geral que é a da publicidade) e teve início no final da gestão do ex-prefeito Paulo Ramos. O TAC foi firmado no início da primeira gestão do ex-prefeito Eduardo César, mas jamais cumprido, até a abertura do concurso público, no mês anterior ao final de sua segunda gestão. O MPT chegou a ameaçar a estipulação de multa diária por descumprimento do TAC, mas ainda não efetivou a medida - que oneraria ainda mais os cofres municipais, transferindo para os contribuintes a responsabilidade financeira pela omissão do ex-prefeito Eduardo César.

2014 já começou



Ainda faltam 21 longos meses para a eleição presidencial de 2014, tempo suficiente para que muita coisa aconteça no país e no mundo, mas parece, pelo menos para a maioria dos "analistas" e dos políticos, que a campanha já começou e os candidatos, embora nem se saiba quem são realmente, estão em plena atividade.
Não há um dia sequer que alguém não escreva uma hipótese sobre a eleição, com o intuito evidente de dar a  sua contribuição para tumultuar o processo, minar o PT e aliados e dar um empurrãozinho naqueles que são contrários ao projeto de levar o Brasil à modernidade.
É fofoca para todo lado e para todos os gostos. Porque o que se faz não é jornalismo, muito menos aquilo que chamam de "ciência política" ou "social" - uma atividade que no mundo pode ter algum resquício científico, mas no nosso país é apenas um mero exercício de deformação de fatos para enquadrá-los à vontade do "pesquisador".
Numa hora o governador pernambucano Eduardo Campos será candidato porque não aguenta mais ficar sob as asas de Lula e do PT, noutra ele se reuniu com a presidente Dilma para avisá-la que não pretende concorrer; num momento Lula vai concorrer ao governo de São Paulo para acabar com o longo reinado tucano, noutro ele já está botando sua campanha na rua para voltar ao Planalto...
Na verdade ninguém sabe como está esse xadrez sucessório.
Tudo que existe por aí são chutes, ilações e desejos das pessoas.
Claro que os políticos profissionais devem estar pensando em 2014 todos os instantes - se não fizessem isso seriam simples amadores.
Mas nenhum deles tem nenhuma certeza sobre qual a melhor estratégia para a ocasião, já que qualquer uma que for adotada depende de como vai se comportar a economia neste ano que mal começou, e está vinculada à continuidade ou não da aprovação popular ao governo.
A única coisa que se sabe é que essa vergonhosa tática da oposição de sabotar o governo federal e os esforços para livrar o país das amarras que o prendem a um passado sombrio será intensificada.
A fábrica de boatos, desinformação, mentiras e propaganda trabalhará a plena capacidade, já que a oposição não tem bandeiras nem candidato.
cronicasdomotta

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Por que Lula apoia Dilma e não será candidato


lula e dilma sp Por que Lula apoia Dilma e não será candidato
Na falta de um candidato competitivo da oposição até agora, setores da mídia resolveram lançar dois candidatos do PT, Dilma e Lula, em mais uma tentativa de jogar um contra o outro.
Estão perdendo seu tempo. Dilma é a candidata de Lula à reeleição desde a sua vitória em outubro de 2010, quando já começavam as especulações na imprensa sobre a sua possível volta em 2014.
Numa das últimas conversas que tivemos no Palácio da Alvorada, logo após a vitória de Dilma, o então presidente Lula apresentou dois bons argumentos para justificar sua decisão de não mais disputar eleições.
"Em primeiro lugar, quem me garante que seria eleito? Em segundo lugar, se eleito, quem me garante que teria condições de fazer um bom governo e sairia com a mesma aprovação popular de agora?".
Podem chamar Lula de tudo, menos de burro. Nenhum outro presidente da República deixou o cargo com mais de 80% de aprovação depois de eleger para sucedê-lo sua ministra Dilma Rousseff, que nunca havia disputado uma eleição. Para que arriscar, se já havia passado para a História?
A alta aprovação popular de Dilma e de seu governo até agora é também uma vitória de Lula e nada indica que ele tenha mudado de posição após a nossa conversa no Alvorada.
Mil vezes ele já desmentiu a intenção de se candidatar, mas não adianta. Qualquer movimentação de Lula é apontada como tentativa de voltar em 2014.
Ainda nesta segunda-feira, este foi o tema mais tratado pelos jornalistas com os principais assessores do ex-presidente no Instituto Lula. Todos negaram que Lula tenha intenção de se candidatar na próxima eleição presidencial.
"Na disputa federal, Lula vai gastar toda sua energia para a manutenção da aliança entre PT, PMDB e PSB", disse o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos e diretor do Instituto Lula, Paulo Vanucchi. Segundo o ex-ministro, Lula também não pretende disputar a eleição de 2018 e não se opõe a apoiar uma candidatura de aliados do PT.
Na mesma linha, o diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também negou que Lula tenha qualquer plano de se candidatar novamente.
"A nossa candidata em 2014 chama-se Dilma Rousseff. Vamos trabalhar pela sua eleição, para que a gente continue neste governo extraordinário que, apesar das dificuldades, pode fazer muita coisa pelo Brasil.
O fato de Lula descartar qualquer candidatura, não quer dizer que ele tenha se aposentado da política.
Ao contrário, como um dos principais líderes políticos do país, Lula continua em plena atividade, como mostrou ainda hoje ao abrir o seminário sobre os rumos da América Latina promovido pelo seu instituto com a participação de membros do governo e autoridades convidadas de outros países da região.
Da mesma forma como não deixou de participar de debates e reuniões políticas aqui e no exterior, empenhando-se para valer na última campanha municipal, apesar do duro tratamento contra um câncer na laringe, Lula voltará a percorrer o país a partir de fevereiro para discutir com segmentos e grupos sociais as mudanças que ocorreram nos dez anos de governos petistas.
O que Lula quer é defender em contato direto com a população o legado do seu governo, duramente atacado pela mídia desde o julgamento do mensalão e com as revelações da Operação Porto Seguro.
Assim ele se prepara para ser, em 2014, o maior cabo eleitoral da candidatura de Dilma à reeleição. O resto é poesia ou má-fé.
Ricardo Kotscho

Greve em vitrine do PSDB é ignorada pela mídia em São Paulo



Paralisação de quarenta dias no Poupatempo Lapa insurge-se contra modelo de gestãoprivatizada, que adota políticas salariais diferentes para o mesmo serviço. Criado em 1996, na gestão de Mario Covas, o programa concentra em um único local diversos serviços públicos, como emissão de cédula de identidade, carteira de motorista, certificado de antecedentes criminais, entre outros.


Quase não saiu na imprensa, mas uma greve de quarenta dias paralisa totalmente uma das vitrines do governo Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo. Trata-se do Poupatempo do bairro da Lapa.

Criado em 1996, na gestão de Mario Covas, o programa concentra em um único local diversos serviços públicos, como emissão de cédula de identidade, carteira de motorista, certificado de antecedentes criminais entre outros. Seu sucesso foi instantâneo, por agilizar a emissão de documentos que antes eram disponibilizados por diversos órgãos governamentais. Atualmente há seis postos na capital paulista, 22 nas principais cidades do interior, além de seis unidades móveis.

Administrado pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), a gestão do Poupatempo é toda privatizada. Isso gerou distorções em sua administração, pois cada concessionária tem uma política de pessoal e diferentes faixas de remuneração. A unidade Lapa, por exemplo, tem piso salarial de R$ 655,40, enquanto o valor em outras unidades é de RS 953,52. A principal bandeira é a equiparação.

Nesta segunda-feira (21), um ato de protesto foi realizado na avenida Paulista pelos trabalhadores parados. O julgamento da greve ocorre na sede do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo.

A greve teve início dia 10 de dezembro. A unidade Lapa tem capacidade para até 10 mil atendimentos diários. Os trabalhadores terceirizados, o Sindicato dos Empregados em Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão-de-Obra (Sindeepres) e o Consórcio Lapa Poupatempo não chegaram a acordo nas inúmeras reuniões e audiência de instrução e conciliação realizada no dia 20 dezembro no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Vale perguntar: a cobertura da imprensa seria melhor se a greve não acontecesse contra um governo do PSDB?”

Por que o embate entre Carlos Dornelles e a Globo é de grande interesse público


Paulo Nogueira, Diário do Centro do Mundo

“A sociedade tem que saber mais sobre as práticas fiscais de corporações como a Globo

Carlos Dornelles é um verbete grande no espaço de memórias do site da Globo.
Ali ficamos sabendo que Dornelles, gaúcho de Cachoeira do Sul nascido em 1954, fez muitas coisas na Globo.
Vou transcrever um trecho para conhecermos melhor Dornelles na Globo segundo a própria Globo:

Esteve à frente de importantes coberturas, tais como a do comício no Vale do Anhangabaú pela campanha das Diretas Já, em 1984. (…)

Também integrou a equipe mobilizada para a cobertura da doença e, em seguida, do falecimento do então presidente eleito Tancredo Neves. 

Em abril de 1989, Dornelles foi transferido para o escritório da TV Globo em Londres, onde começou a trabalhar como correspondente. Durante os anos em que esteve na Inglaterra, realizou importantes coberturas jornalísticas sobre a crise do leste europeu. Na então Tchecoslováquia, cobriu a chamada Revolução de Veludo, em novembro de 1989. No mesmo período, esteve no Irã, onde foi responsável pela cobertura da morte do aiatolá Khomeini, cujo enterro reuniu cerca de dez milhões de iranianos; e na Alemanha, onde acompanhou o primeiro ano-novo após a queda do Muro de Berlim.

Em outubro de 1990, recém-chegado de Londres, Carlos Dornelles foi convidado (…) para trabalhar como correspondente em Nova York. No ano seguinte, participou da equipe de cobertura da Guerra do Golfo, um dos momentos mais marcantes de sua carreira.  (…) Ainda como correspondente em Nova York, realizou a cobertura da prisão e da morte do traficante colombiano Pablo Escobar, em 1991 e 1993, e esteve diversas vezes no Peru cobrindo o governo e a queda do ex-presidente Alberto Fujimori.

Ao longo de sua carreira, também participou de importantes coberturas esportivas, como a da Copa do Mundo de 1990, na Itália; a de 1994, nos Estados Unidos, em que o Brasil conquistou o tetracampeonato; e a de 1998, na França. Fez parte, ainda, da equipe que cobriu as Olimpíadas de Seul, na Coreia do Sul, em 1988, e de Sidney, na Austrália, em 2000. 

Bem, tanta coisa não foi suficiente para que Dornelles não fosse demitido, em 2008. Dornelles, algum tempo antes, tinha manifestado publicamente seu incômodo com a forma como a Globo vinha cobrindo política.

Antes de ser mandado embora, passou pelo exílio jornalístico siberiano  do Globo Rural, encostado e visto por agricultores sem muito que fazer nos domingos pela manhã.

Tanta coisa, também, não foi suficiente para que Dornelles, a partir de um determinado momento na Globo, desfrutasse dos direitos trabalhistas nacionais.

Dornelles foi instado a se tornar, como tantos outros funcionários graduados da Globo, o chamado “PJ” – pessoa jurídica.

É uma manobra comum entre as empresas jornalísticas, com raras e caras exceções como a Abril. Usar PJs é uma gambiarra de discutível legalidade e indiscutível imoralidade.

O objetivo é simplesmente não pagar o imposto devido. A empresa simula que o funcionário presta serviços eventuais, e com isso economiza consideravelmente. Dornelles era um PJ ao deixar a Globo, embora isso não esteja em seu verbete.

Para os cofres públicos, a proliferação de PJs é uma calamidade. Falta dinheiro que poderia construir escolas, ou pontes, ou hospitais.
Para o empregado, é nocivo. Fundo de garantia, 13.o salário, férias etc simplesmente desaparecem.

É bom apenas para os acionistas.

O que leva uma empresa como a Globo a isso? Falta de dinheiro? Ora, a Globo – por causa de outro expediente de duvidosa ética, os chamados BVs, algo que mantém as agências de publicidade numa virtual dependência da empresa – fica, sozinha, com praticamente metade de toda a receita publicitária brasileira. (Os BVs — bonificações por volume — explicam em boa parte o milagre de a receita publicitária da Globo aumentar no ano em que teve a pior audiência de sua história. De Xuxa a Faustão, do Jornal Nacional ao Fantástico, o Ibope marcha soberbamente para trás.)

Isso, para resumir, significa o seguinte: a Globo teria que ser administrativamente muito inepta para não ser muito lucrativa com tanto faturamento.

Por que, então, tornar PJs funcionários como Carlos Dornelles, se não é por sobrevivência?

A melhor resposta é: por ganância, associada a um sentimento de impunidade comum em quem tem muito poder de retaliação e intimidação. E esperteza: fazendo este tipo de coisa, a empresa ganha vantagem competitiva sobre as rivais seus custos diminuem. A Abril, que não tem PJs, já foi maior que a Globo.  Hoje é algumas vezes menor.

O risco para a empresa é que, em algum momento, em geral na saída, o PJ a processe.

Foi o que Dornelles fez. Ele reivindica mais de 1 milhão de reais da Globo na Justiça.
Empresas jornalísticas deveriam ter um comportamento exemplar nas práticas administrativas, dado o seu papel fiscalizador.  Você não pode cobrar retidão de governos e políticos  se faz curvas. Isso se chama cinismo. Há que ter muita desfaçatez para dar lições de moral quando você agride o interesse público ao recolher menos imposto do que deveria.

Em vários países, as autoridades estão trazendo à luz aberrações fiscais para que a sociedade se inteire de algo que é crítico para seu bom funcionamento.

Na Inglaterra, vieram à luz os impostos pífios pagos por colossos como Google, Amazon e Starbucks com o propósito de embaraçar as empresas e forçá-la a pagar sua taxa justa.

O caso Dornelles é uma lembrança oportuna de que o governo brasileiro deveria jogar luzes – o mais eficiente desinfetante —  nas práticas fiscais de empresas como a Globo com seus PJs de araque.”

Mauricio visita bairros da região norte de Ubatuba


Na semana que passou o prefeito de Ubatuba, Mauricio (PT) escolheu a região norte do município para fazer uma visita. Mauricio, que esteve acompanhado do administrador regional Norte, Leonildo Rolim, percorreu alguns bairros e tomou nota das necessidades encontradas na região. 

O primeiro local a ser visitado foi a Escola Municipal José Belarmino Sobrinho, localizada no bairro Puruba, que recebeu uma reforma no valor de quase dois milhões de reais e estava prevista para terminar em 26/04/2011. A escola foi encontrada repleta de problemas e com uma obra inacabada. Algumas salas já apresentam infiltrações e goteiras, o sistema de água está sem tratamento adequado para consumo e até mesmo um elevador foi encontrado inoperante, totalmente desmontado e com as peças amontoadas pelo pátio. A diretora Sueli e o vice-diretor Sandro afirmam que ficaram surpresos quando viram uma matéria sobre a suposta inauguração da escola publicada no jornal local, em dezembro passado. Mauricio prometeu todo empenho possível para resolver mais esta situação de abandono e descaso, para que o início do ano letivo na região não seja comprometido.

As Unidades Básicas de Saúde do Puruba e do Sertão do Ubatumirim também receberam a visita do prefeito, que fez questão de conversar com os funcionários e pedir total empenho e qualidade na prestação dos serviços. Mauricio ressaltou que a construção de um sistema de saúde eficiente no município deve começar pela base, nos postos de saúde, onde a população recebe os primeiros atendimentos. Para que isso ocorra a prefeitura pretende investir na melhoria das instalações e no aumento e qualificação do efetivo que trabalha dos postos.

No sertão do Ubatumirim, Mauricio foi conferir de perto a situação de um trator da prefeitura que está quebrado e foi abandonado no meio do mato. A secretaria de obras será acionada para que a máquina receba os devidos reparos e volte a funcionar o mais breve possível.

Terminando a visita, foram percorridas algumas estradas que receberam reparos emergenciais logo no início do ano. Leonildo Rorim resaltou que sua equipe esta empenhada para reparar os estragos causados pelas fortes chuvas de verão, e informa que já vem realizando estudos para execução de futuras obras que possam resolver de forma definitiva os principais problemas da região.

Por conta da agenda na região, o Deputado Federal Carlos Zarattini (PT), que estava de passagem pelo município, foi recebido pelo prefeito na sede da administração regional norte. Zarattini parabenizou o novo prefeito e disse que as portas do gabinete estarão abertas para ajudar Ubatuba no que for possível.

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domingo, 20 de janeiro de 2013

Pesquisa mostra que estudantes do ProUni ampliaram perspectivas profissionais e garantiram melhores salários



Mariana Tokarnia, Agência Brasil 
 
“O nível educacional no Brasil não determina maior renda, mas está ligado à satisfação pessoal e à abertura de novas perspectivas profissionais. O Programa Universidade para Todos (ProUni) tem sido fundamental para o acesso ao ensino superior e embora o nível educacional não determine maior renda, está ligado à satisfação pessoal e à abertura de novas perspectivas profissionais, conforme conclusões da pesquisa O ProUni e seus egressos: uma articulação entre educação, trabalho e juventude, da doutora em educação Fabiana Costa, apresentado pela primeira vez no 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional de Estudantes (UNE).
Em 2012 a pesquisadora consultou 150 egressos do ProUni na cidade de São Paulo. Para a maioria dos profissionais consultados (91,9%), a formação universitária possibilitada pelo programa ampliou os horizontes e facilitou a articulação na área profissional. Os entrevistados apontaram as várias dificultdades que tiveram durante o curso: 85% já trabalhavam e continuaram trabalhandodurante a graduação.

“Esses estudantes superaram não apenas as dificuldades ao longo da graduação, mas de toda a formação. São problemas que vêm desde a escola. Eles já trabalhavam antes. Muitos como eles tiveram que escolher entre estudo e trabalho e acabaram deixando os estudos”, disse Fabiana.

Os entrevistados tiveram uma melhora na carreira e mais de um terço aumentou de 71% a 100% o salário que ganhava. Isso não significa que os rendimentos sejam altos: 33,9% recebe entre um e dois salários mínimos mensais, 27,1% recebem entre dois e três salários mínimos, 15,3% entre três e quatro e apenas 8,5% ganham mais de cinco salários mínimos por mês. Esses profissionais, no entanto, ganharam mais estabilidade com a formação – 85% estão empregados e 64,4% têm a carteira assinada.

Outro dado que chamou atenção da pesquisadora foi que 72,6% trabalham na área que estudaram. “Isso mostra que o programa está funcionando, que as pessoas estão colocando em prática o que aprendem e estão melhorando a carreira que escolheram."

O Programa Universidade para Todos (ProUni) concede bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica em instituições privadas de educação superior. Neste primeiro semestre estão sendo oferecidas 162.329 bolsas, distribuídas em 12.159 cursos de 1.078 instituições de todo o país. Até sexta-feira (18) o Ministério da Educação havia registrado mais de 620 mil inscritos.

O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do ProUni (Conap), Valmor Bolan, acrescentou que os estudantes do programa têm aproveitamento semelhante ou superior aos demais estudantes. Em uma pesquisa feita na Universidade Católica de Brasília, em Taguatinga, no Distrito Federal, os estudantes do ProUni tiveram média de nota quase um ponto superior em relação aos outros.

“É comum que alunos em condições desfavoráveis tenham mais garra para vencer. Se você der uma chance a esses alunos, eles vão demonstrar que conseguem superar na caminhada aqueles que partem de uma situação mais favorável”, explicou Bolan.
O 14º Coneb da UNE acontece em Recife (PE) até segunda-feira (21). Este ano foram mais de 3,5 mil inscrições de entidades de todas as regiões do país. Sob o tema “A Luta pela Reforma Universitária: do Manifesto de Córdoba aos Nossos Dias”, o Coneb oferece debates e grupos de discussão sobre temas ligados às universidades e ao Brasil. Ao final, os delegados vão decidir os rumos e posicionamentos da UNE para 2013. O evento antecede a Bienal da UNE, espaço de diálogo de estudantes e movimentos culturais que, este ano, está em sua 8ª edição.”

Lulopetismo e miopia


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Sintomas do Lulopetismo que atinge principalmente a camada mais pobre da população: amor e esperança
Os colunistas-jagunços da chamada grande imprensa inventaram o termo “lulopetismo” e o traduzem como sendo uma espécie de doença social, uma epidemia que se abateu sobre o Brasil a partir de 2002. Cães raivosos das quatro famiglias donas da mídia, latem ferozmente contra o governo em seus blogs. Insultam PT, petista, presidenta e ex presidente e orquestram uma horda de seguidores brutamontes mentais, numa missão um tanto quanto impossível: apagar Lula e, se possível, seu partido da história do Brasil. De preferência, antes da campanha de 2014 começar!
O plano concebido para atacar a “epidemia lulopetista” pode falhar, como já falhou outras vezes. Mas, Tempos Modernos, acompanhados da tropa do STF travestida de Ku-Klus-Klan tropical, enxergam possibilidades de tornar Lula inelegível em 2014, através de alguma acusação formal, baseada em declarações de qualquer condenado vendido antes mesmo de ser pago. Espera-se que a pirotecnia midiática em torno da conversa mole de Marcos Valério provoque tamanho estrago, que Dilma chegaria ao fim de seu mandato – se chegasse! – enfraquecida, desmoralizada, carta fora do baralho da sua própria sucessão. Assim, na carona da imobilização do PT e renascidos das cinzas, Serra & Aécio disputariam a presidência “democraticamente”, sem a presença de qualquer nome que ameace seu “favoritismo” na cédula eleitoral.
São míopes. O fato de Lula ser tão querido não o torna imprescindível. Além disso, não precisa de cargo político para fazer política. A essa altura do campeonato, não é somente o melhor e mais popular presidente da história deste país. Lula simboliza mais do que o cidadão Luiz Inácio da Silva pode incorporar. É o sentimento de resgate de cidadania de milhões de brasileiros. É ícone mundial no combate à pobreza. Não há golpe de estado, reportagens de capa ou edições inteiras do Jornal Nacional que revertam suas realizações e o amor que o povo lhe tem. E isso não é populismo barato. Estatísticas insuspeitas, feitas por instituições nacionais e internacionais apontam para as inéditas realizações de seu governo – razão de ser tão querido, principalmente nas camadas mais pobres da população. E não há como nossa imprensa convencer a opinião pública mundial que este não é o Lula que recebeu inúmeros prêmios e homenagens internacionais durante e depois de seus mandatos.
Qualquer jornalista, de qualquer parte do mundo, minimamente comprometido com os ideais de sua profissão e antenado no Brasil, sabe que nossa imprensa é um lixo arcaico. Mesmo assim, muitas vezes, levam a sério as acusações publicadas aqui e dão com os burros n’água. No caso de José Genoino, ao ver sua única propriedade, uma casa simples, comprada pelo BNH, onde mora há 28 anos, o repórter da Der Spiegel, comentou, mal disfarçando seu deboche com nossa imprensa: “Quer dizer, então, que o senhor é corrupto…” O mesmo se deu com o Financial Times, que mandou reportagem conferir a grande descoberta patrimonial de Lula: o apartamento onde vive há 40 anos, em São Bernardo, e mais duas casinhas caindo aos pedaços em bairros de baixo valor imobiliário. Outra vez deram risadas da nossa imprensa rasa.
Há dez anos centenas de jornalistas reviram os quatro cantos do mundo à procura de um tesouro espetacular: algo que incrimine Lula. Mesmo na época das acusações do chamado mensalão, nada foi encontrado que servisse para destituir ou, ao menos, afastá-lo da presidência. E olha que a direita tem muita grana para pagar investigações, corromper, “criar” fatos e personagens.
A verdadeira quadrilha que se formou no Brasil reúne a elite conservadora, sua imprensa e o novo colega de “classe”: o STF. Encharcados de soberba e protegidos por uma imprensa golpista desprovida de qualquer escrúpulo, os “supremos” podem se sentir à vontade para tomar do PT o poder a ele conferido pelo voto popular. Seria a toga substituindo a farda. Mas o corpo vestido, o mesmo de sempre: o incapaz de vencer pelo voto.
O PiG está em todas, menos com o povo. Segundo os últimos resultados das Urnas, foi mais fácil a imprensa manipular o STF que o povão. Até paulistanos conservadores, casca dura, deram uma banana para a mídia e o remarque da novela “mensalão” e elegeram Haddad.
Uma das modernas técnicas de manipulação das massas consiste na criação da doença seguida da apresentação de sua cura. Em miúdos, neste caso, 2013 será o ano da criminalização do PT seguida do remédio: votar contra o Lulopetismo em 2014. Vai faltar combinar com os “doentes” de norte a sul do país e com o resto do mundo.

 No, oqueseraquemeda