segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Os tucanos se bicam.









Como se dizia antigamente, com os amigos que têm os tucanos, não precisam de inimigos. Dia sim, outro também, seus líderes se atacam e se acusam, expondo, sem qualquer comedimento, as desavenças em público.
O protagonista do capítulo mais recente foi ninguém menos que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Justo o presidente de honra da legenda, a quem, imagina-se, estaria confiado o papel de “sábio-estadista”, de eixo de equilíbrio entre seus grupos e facções. Se, aos 80 anos, FHC continua a atiçar as fogueiras, imagine do que são capazes seus correligionários (e o que ele próprio fazia quando era mais jovem).
Semana passada, ele aproveitou a oportunidade de uma entrevista à edição eletrônica da revista inglesa The Economist para falar coisas extraordinárias. Os velhos bordões a respeito de seus governos – na linha do “fui eu que fiz tudo de bom que hoje existe”- estavam lá, mas em meio a algumas novidades.
Foi, provavelmente, a mais explícita manifestação sobre José Serra e suas tentativas de chegar à Presidência. Em uma avaliação cruel e sem meias-palavras, colocou no colo do ex-candidato a responsabilidade pelas derrotas. E deixou claro seu temor de que Serra volte a representar o PSDB em futuras eleições presidenciais.
(É possível que a franqueza do ex-presidente tenha uma explicação prosaica: ao que parece, preferiu dar a entrevista em inglês. Embora FHC se orgulhe de conseguir se expressar muito bem nesse idioma, nunca é a mesma coisa que falar em português. Fogem as palavras para os eufemismos e os circunlóquios. As coisas ficam mais duras: pão é pão, queijo é queijo).
Não que fizesse revelações. A história de como Serra tornou-se candidato em 2002, por exemplo, era conhecida. Mas não havia sido contada por FHC ou outra autoridade peessedebista: a “tensão”entre os pré-candidatos do governismo de então, o modo como Serra se impôs sobre eles, sua vitória “inconvincente”. Diz FHC que seu “candidato natural” seria Mário Covas, se a fatalidade não o tivesse levado um ano antes. Serra foi apenas quem sobrou (depois de eliminar seus concorrentes), mas não conseguiu “convencer” o eleitorado. Ou seja, a vitória de Lula – e o início do ciclo petista no Planalto, que não dá sinais de que terminará em 2014 – nada tem a ver com o julgamento desfavorável de seu governo. A culpa é de Serra.
Como é ele, também, a explicação da derrota em 2010. Sua “arrogância” o impediu de formar alianças, seu “isolamento”o levou a conduzir uma campanha onde “erros enormes”foram cometidos. Perguntado se teria sido possível ao PSDB vencer Dilma, apesar do endosso de Lula, disse que sim. Desde que o candidato não fosse Serra.
O fascinante na formulação é que ele nunca se considera responsável pelo que faz o partido que preside. O presidente da República era ele em 2002, mas, como estava “cansado de exercer a liderança política” - e “não apenas por generosidade”-, resolveu lavar as mãos. Em 2010, achava que Serra não era a melhor opção, mas ficou quieto (ou não conseguiu fazer nada para impedi-lo de, outra vez, se arrogar o direito de ser candidato).
Essa liderança que não lidera conflita com a autoimagem que tem. Sem qualquer modéstia – e pouca visão da realidade-, FHC acha que ele e Lula são “os dois únicos líderes” brasileiros dos “últimos 20 anos” (o que entende ser pouco para “um país tão grande').
Como se houvesse qualquer semelhança entre as trajetórias de ambos: sem três ou quatro acidentes (a morte de Tancredo, o fracasso de Sarney, o impeachment de Collor, o desaparecimento de Covas), FHC não existiria (ou seria muito menor do que é), enquanto Lula continuaria a ser Lula, pois não precisou do acaso – e nem de um Plano Real – para chegar aonde chegou. Fernando Henrique diz que o PSDB tem de “reorganizar a hierarquia da liderança” (o que, em tucanês, quer dizer definir quem manda no partido), pois ninguém surgiu para ocupar o lugar que tinha. Quanto a si mesmo, explica que “tomou a decisão (…) de abrir espaço”, pois, na altura da vida em que está, “perdeu a vontade” de liderar.
A entrevista reflete o clima em que vive o PSDB. Seu presidente de honra divide, em vez de somar. É magnânimo na repartição das responsabilidades pelas derrotas, mas avaro na reivindicação dos sucessos. Acredita que cabem (somente) a Serra as culpas pelas decepções recentes. Parece ter de Geraldo Alckmin uma opinião nada elevada, nem ao menos o considerando um ator na próxima sucessão presidencial.
Quanto a Aécio, foi enfático ao dizer que é o “candidato óbvio” do PSDB em 2014, mas, perguntado se teria condições de ganhar, tergiversou. Repetiu a trivialidade de que ele tem “algum apoio” em Minas, mas que será obrigado a brigar com Serra para se tornar candidato. Não disse sim, nem sequer que poderia vencer.
Com lideranças desse tipo, é impossível que um partido esteja bem.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Descoberto quarto novo planeta potencialmente "habitável"


 O planeta, situado fora do sistema solar e a 22 anos luz da terra, foi descoberto por um grupo de cientistas internacionais a trabalhar em Washington. Demora 28 dias a fazer o movimento em torno do astro que está no centro do seu sistema.

 

Batizado "GJ 667Cc", e com um tamanho e peso superiores aos da Terra, o planeta tem características rochosas e capacidade para reter água.
 
Desta forma, a hipótese de poder vir a albergar vida ainda não foi descartada pela comunidade científica, uma vez que o planeta se encontra a uma distância da sua estrela que garante que as temperaturas aí registadas não sejam nem muito quentes nem muito frias, permitindo que a água permaneça em estado líquido.
 
O grupo de cientistas descobriu, também, indícios que levam a crer que pelo menos outros três planetas estão em órbita na mesma estrela.
 
A descoberta vai ser publicada numa revista científica.
 
 
 
Nem Ki Lask

domingo, 5 de fevereiro de 2012

No Hemisfério Norte faz mais frio do que aqui?


Quando se fala sobre os fatores que influenciam no clima ou das características climáticas de um determinado lugar, uma observação pra lá de recorrente diz respeito à indagação que encabeça esta postagem.

A impressão de que se faz mais frio no Hemisfério Norte do que no Sul não está de todo errada. Basta observar o planisfério para perceber que ao sul da linha do Equador existe uma menor quantidade de terras emersas do que acima dessa linha imaginária; e quanto mais nos dirigimos em direção ao Polo Sul, menor é a quantidade de terras.

Tomando como exemplo as Zonas Temperadas, nas regiões de médias latitudes (em verde na representação acima), uma simples vizualização do mapa nos leva à seguinte constatação: menor o território, menor o número de habitantes e, consequentemente, menor também será a quantidade de pessoas sentindo os efeitos do frio.

Tal pensamento é tão presente que muita gente enxerga essa “inexistência” de frio intenso como um sinal de subdesenvolvimento. 

É interessante que a imagem transmitida, em muito reforçado pelo cinema, chega a carregar um sentido de “inferioridade” por não termos aqui as quatro estações do ano bem definidas. E como a maioria dos filmes que assistimos são produções estadunidenses ou europeias, que tem grande parte de seus territórios na área de abrangência da Zona Temperada do Norte, a ideia de que não existe frio abaixo do equador se propaga com extrema facilidade.

 no Geografia e Tal

'Tudo foi manipulado', diz fotógrafo que fez imagem de Herzog

Portal Terra

“Aluno do curso de fotografia da Polícia Civil de São Paulo em 1975, Silvaldo Leung Vieira, então com 22 anos, fez em 25 de outubro daquele ano a imagem mais importante para o Brasil naquela década: a foto do corpo do jornalista Vladimir Herzog, pendurado por uma corda no pescoço, numa cela de um dos principais órgãos de repressão da ditadura, o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). "Ainda carrego um triste sentimento de ter sido usado para montar essas mentiras", contou o fotógrafo, que teve de abandonar o emprego e o País; ele vive em Los Angeles, nos EUA, desde 1979. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Dezessete dias depois de iniciar o curso de fotografia na instituição, Silvaldo foi convocado para sua primeira aula prática no complexo da rua Tutoia, no bairro do Paraíso, em São Paulo. Quando chegou ao DOI-Codi, a cena do suposto suicídio já estava montada. Em uma cela, o corpo pendia de uma tira de pano atada a uma grade da janela; as pernas estavam arqueadas e os pés encostados no chão, onde havia papel picado. "Eu estava muito nervoso, toda a situação foi tensa. (...) Havia uma vibração muito forte, nunca senti nada igual. Mas não me deixaram circular livremente pela sala, como todo fotógrafo faz quando vai documentar uma morte. Não tive liberdade. Fiz aquela foto praticamente da porta. Não fiquei com nada, câmera, negativo ou qualquer registro. Só dias depois fui entender o que tinha acontecido", disse ele. "Tudo foi manipulado, e infelizmente eu acabei fazendo parte dessa manipulação." Publicada na imprensa, a imagem corroborou a tese de que o "suicídio" de Herzog era uma farsa, e foi decisiva para mudar os rumos da ditadura.”

A televisão me deixou burro demais

Domingo as pessoas ficam presas às TV's,  expostos a uma massiva reprodução de conceitos vulgares e manipuladores

Em época que os Titãs eram críticos criativos da sociedade, "televisão" era tocada nas tv's para lhes dizer que a tv deixava as pessoas burras demais.  Para alertar que as "verdades televisivas" eram tão somente parte de um script político comercial, embalado e distribuído, massivamente, para todas as pessoas, para tornar tudo que era diferente em "coisas iguais".

Alguma coisa mudou?

A programação da televisão brasileira aos domingos, principalmente das maiores emissoras de tv aberta, é o ápice da divulgação de mensagens insossas, inócuas, pueris, vulgares e, disfarçadamente, manipuladoras.

Televisão
(Titãs)
A Televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
Oi! Oi! Oi!
Agora todas coisas
Que eu penso
Me parecem iguais
Oi! Oi! Oi!...

O sorvete me deixou gripado
Pelo resto da vida
E agora toda noite
Quando deito
É boa noite, querida....

Oh! Cride, fala pra mãe
Que eu nunca li num livro
Que o espirro
Fosse um vírus sem cura
Vê se me entende
Pelo menas uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe!...

A mãe diz pra eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oi! Oi! Oi!
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
Oi! Oi! Oi!

É que a televisão
Me deixou burra
Muito burra demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais...

Oh! Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe!...

A mãe diz pra eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oi! Oi! Oi!
A luz do sol me incomoda
Então deixo
A cortina fechada
Oi! Oi! Oi!...

É que a televisão
Me deixou burra
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais...

E eu digo:
Oh! Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe.



No palavras diversas

Exclusivo: vídeo do planejamento da desocupação do Pinheiro, por Alckmin


By: Com textolivre

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Para breve, máquina de ler pensamentos



Ser capaz de ler os pensamentos de alguém é uma ideia que faz oscilar entre a curiosidade e o medo. Um grupo de cientistas norte-americanos deu mais um passo neste sentido e conseguiu identificar as palavras em que algumas pessoas estavam a pensar. O objectivo era ajudar os doentes impedidos de comunicar a expressar-se.
O estudo (ver PDF, em inglês), desenvolvido pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, acaba de ser publicado na revista científica PLoS Biology e explica que os investigadores conseguiram reconstruir algumas palavras em que os participantes estavam a pensar, a partir das ondas cerebrais emitidas.
A equipa conseguiu decifrar a actividade eléctrica de uma zona do cérebro associada à audição humana e à linguagem que se chama circunvolução temporal superior (STG, na sigla em inglês). Ao analisarem os padrões de actividade da STG os investigadores conseguiram reconstruir algumas das palavras que os participantes estavam a ouvir numa conversa normal.

“Esta investigação baseia-se nos sons que uma pessoa ouve realmente”, esclareceu o autor principal, Brian N. Pasley, investigador da Universidade de Berkeley. Pasley clarificou que o objectivo principal do estudo foi explorar como funciona o cérebro humano, sobretudo em termos de codificação da fala, para determinar que aspectos da linguagem são mais importantes para a compreensão. “Em algum momento, o cérebro tem de extrair a informação auditiva e mapeá-la numa palavra, já que podemos entender a linguagem e as palavras, independentemente de como soam”, acrescentou.

Segundo o investigador, “existem provas de que a percepção e a imaginação podem ser muito semelhantes no cérebro”, pelo que se o doente entende a relação entre o som e o que chega ao cérebro é, pois, possível “sintetizar o som real em que a pessoa está a pensar ou simplesmente escrever as palavras com algum tipo de dispositivo que sirva de interface”.

As palavras foram reconstruídas com a ajuda de um modelo computorizado baseado em algoritmos e deram continuação a um estudo publicado no ano passado, no qual os participantes que tinham eléctrodos colocados directamente no cérebro foram capazes de mover o cursor do rato num computador pensando apenas em sons de vogais. Para a investigação agora publicada o grupo recorreu a ressonâncias magnéticas funcionais, um exame médico capaz de mostrar o fluxo sanguíneo no cérebro e centrou-se na STG pela sua grande importância tanto na recepção como na elaboração de linguagem.
A equipa monitorizou as ondas da actividade cerebral de 15 doentes submetidos a cirurgias para a epilepsia ou para remoção de tumores, ao mesmo tempo que passava uma gravação áudio com vários intervenientes a dizerem frases ou simples palavras. Com a ajuda de um modelo computorizado a equipa conseguiu perceber que zonas do cérebro eram activadas em cada momento e com que intensidade. De seguida foram ditas várias palavras aos doentes que tinham de escolher algumas em que deveriam pensar e os investigadores foram capazes de descobrir quais. E foram ainda mais longe: conseguiram mesmo reconstruir algumas palavras, transformando as ondas cerebrais em som.
“Este estudo é muito importante para os doentes que têm danos nos mecanismos da fala na sequência de um acidente cerebrovascular” ou de outras doenças, exemplificou, por seu lado, Robert Knight, outro dos autores do estudo e professor de Psicologia e Neurociências na mesma universidade. Knight salientou, também, que este trabalho traz desenvolvimentos tanto ao nível do conhecimento de como funciona o cérebro como eventuais futuros benefícios para pessoas com perturbações no discurso.
Os autores acreditam que, no futuro, este tipo de técnica pode ser disseminada nos hospitais para facilitar a comunicação com doentes cujas capacidades de comunicação estão limitadas. No entanto, alertam que a investigação ainda está numa fase muito prematura e que são necessários muitos mais estudos e melhorias até se chegar a uma técnica que possa ser implementada na realidade.
Fonte: Público
Algo a fazer lembrar o Relatório Minoritário, obra homónima de Philip K. Dick.

Somos Catalisadores de Nossas Vidas!

Seja por culpa da monotonia, da solidão, de um emprego sem perspectivas, da situação de moradia, de alguns quilos a mais... há dias em que nos pegamos desesperados por mudança. Num clique mental, o que parecia um quadro acertado, distanciava-se do que a alma aspirava. O que fazer?

Uma das revelações mais libertadoras - e devastadoras - fixa-se na realização de que o nosso presente é fruto das pequenas escolhas que fizemos - ou deixamos de fazer -  no passado. O dia em que negou aquele beijo; A festa em que exagerou; A briga que não deu para se retratar; Um esquecimento qualquer; Uma postura nova adotada; É neste jogo de minúcias que nossas vidas vão se formando. Sim, somos nós os catalisadores de nossas existências. 
So, my true nature is to be a catalyst?
 - Joan of Arcadia
A grande magia de ser um catalisador está na variedade de reações possíveis alterando-se as situações. Uma modificação de hábito, como por exemplo a de acordar mais cedo, pode criar a cadeia de ações e reflexos necessárias para que o objetivo do espírito torne-se concreto. Caso a atitude tomada resultou em um desfortúnio, deixe de temer! O catalisador não é consumido durante o processo.

Comigo foi assim, no conforto de uma decisão que há tempos sentia brotar e calava. Cansei de lamentar as dores que me infligi no uso desenfreado de meu livre arbítrio. Nestes poucos meses em que busco por uma vida mais saudável, percebo o reflexo de minhas escolhas no cotidiano. Mudando a energia das variáveis recaí em um presente inesperado. Assim como no filme Mais Estranho que a Ficção, estou vivendo em esperança gloriosa de quem age para salvar a si mesmo.


Assuma seu papel de catalisador e 
Transmute-se!

No blog catalisadores por natureza

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A História da Água Engarrafada



Aldeia gaulesa

O indefeso consumidor



"Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há-de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há-de precipitar a tua audácia sem freio? (...) Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? (...) Oh tempos, oh costumes!"
(Cícero, "Catilinárias")

O Procon paulista soltou uma nota para esclarecer os consumidores sobre essa confusão toda causada pelos supermercados, que resolveram não embalar mais os produtos que vendem, e assim aumentar seus lucros, com o pretexto de "salvar" o mundo.
Diz a nota, depois de um blá-blá-blá sobre consumo "sustentável e consciente", que "no caso da campanha realizada nos supermercados, que visa a substituição de sacolas plásticas comuns por biodegradáveis, o Procon-SP esclarece que a par da informação prévia e adequada acerca de eventual cobrança e, ainda, do devido e contínuo esclarecimento e conscientização da população quanto a tais procedimentos, os estabelecimentos devem oferecer uma alternativa gratuita para que os consumidores possam finalizar sua compra de forma adequada, devendo essa medida ser adotada pelo tempo necessário à desagregação natural do hábito de consumo".
E continua: "É importante destacar que, na ausência de opção gratuita para que o consumidor possa concluir sua compra, fruindo de maneira adequada o serviço, o estabelecimento deverá fornecer gratuitamente a sacola biodegradável, respeitando assim os ditames do Código de Defesa do Consumidor (CDC)."
Parece incrível, mas é verdade: um órgão que deveria defender o consumidor, num caso flagrante de abuso aos seus direitos, fica no muro. Ora, a tal "alternativa gratuita" às sacolinhas de plástico, todos sabem, nada mais é que aquelas caixas de papelão imundas que embalam as mercadorias que os supermercados compram e que antes eram jogadas fora.
Com essa saída, o Procon acha que agradou tanto aos consumidores quanto aos supermercados. Agiu, isso sim, de forma a atender aos desejos dos empresários, que nunca estiveram, não estão, e nunca estarão preocupados com "consumo sustentável e consciente", com direitos do consumidor ou qualquer outra coisa que prejudique o seu faturamento.
É como a conhecida a fábula do escorpião e do sapo: o escorpião ferroa o sapo que lhe dava carona para atravessar o rio, selando a sorte de ambos, com a justificativa de que não podia deixar de fazer aquilo porque aquela era a sua natureza. Com os supermercados ocorre o mesmo: eles não vão nunca deixar de levar vantagem sobre o consumidor porque isso está no seu DNA.
E assim, sem amparo de ninguém, bombardeado por uma propaganda incessante, o cidadão comum vai se acostumando a ser cada vez mais espoliado, mais explorado, mais feito de trouxa.
Crônicas do Motta