sábado, 9 de fevereiro de 2019

A violência de classe, segundo Rosa Luxemburgo


A violência de classe, segundo Rosa Luxemburgo

Kate Evans
Uma breve e didática explicação de Rosa Luxemburgo sobre violência de classe:

Se um “cidadão livre” é detido por outro contra a sua vontade e confinado por um tempo em uma sala fechada e desconfortável, imediatamente todos percebem nisso um ato de violência. No entanto, quando o mesmo processo ocorre de acordo com o livro chamado Código Penal, e a sala em questão é uma cela, tudo é prontamente considerado pacífico e legal. Se um homem é levado por alguém a matar outros homens, trata-se claramente de uma violência. Mas não é assim se o processo em questão é chamado de “serviço militar” (...). Se um cidadão é privado contra sua vontade de parte de sua propriedade ou lucros, é óbvio que se trata de uma violência. Mas se o processo é chamado de “impostos indiretos”, está tudo bem.

Em outras palavras, sob o verniz da legalidade esconde-se nada mais do que a violência de classe, elevada a um padrão obrigatório pela classe dominante (...). Elevado a norma obrigatória, tudo isso se apresenta na mente do advogado burguês (e também na do socialista oportunista) não como o que é, mas de ponta cabeça: o processo legal aparece como uma criação independente da “justiça” abstrata. E o Estado como consequência, mera “sanção” de direito. A verdade é exatamente o oposto. A legalidade burguesa (...) não passa de uma forma social particular sob o qual se expressa a violência política da burguesia, desenvolvida sobre bases econômicas específicas.

Foi esta legalidade que assassinou covardemente a grande revolucionária, em janeiro de 1919. No Brasil de Marielle, tudo muito parecido.



Sob as patas de Bolsonaro


Na campanha eleitoral, Bolsonaro afirmou que seu governo pretendia voltar ao Brasil de 50 anos atrás. Realmente, as recém-divulgadas propostas de Sérgio Moro para a segurança pública lembram o regime governado pelo AI-5.

A Reforma da Previdência pretendida por Paulo Guedes também remete a meio século atrás. Seu modelo previdenciário é o da ditadura Pinochet, que levou à miséria a grande maioria dos aposentadores chilenos.

Mas há propostas do governo que pretendem atrasar o País uns 80 anos, pelo menos. É o caso da Carteira de Trabalho verde e amarela. Quem optasse por ela, poderia abrir mão de seus direitos trabalhistas.

Voltaríamos aos tempos anteriores ao getulismo. Com direito a tratar as lutas sociais na base das patas de cavalos. Retornaríamos às “políticas públicas” dos tempos da República Velha.

Diante disso tudo, há os que enxergam com esperança algumas divergências surgidas no interior do governo. As mais importantes delas manifestadas pelo vice-presidente.

Mourão, no entanto, é outro saudosista. Não só dos tempos da barbárie do início do século 20, mas do poder fardado e absoluto. Vem bancando uma espécie de “tira bom” diante de Paulo Guedes, o “tira mau”. No meio deles, um presidente “Débi” com vários candidatos a “Lóide”.

Precisamos parar de buscar soluções em conflitos palacianos ou nas contradições das cúpulas parlamentares.

Elas podem e devem ser exploradas pela esquerda. Mas jamais ao custo de continuar a colaborar para a apatia em que se encontram alguns setores importantes das forças populares. Especialmente, o movimento sindical.

Ou rompemos com essa paralisia ou acabaremos nos acostumando a ficar sob patas de cavalos.


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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Ex-membro do Esquadrão da Morte é nomeado para integrar Governo Bolsonaro


Carlos Humberto Mannato, o Manato, durante campanha eleitoral no Espírito Santo
Secretário Especial para a Câmara dos Deputados, Carlos Humberto Mannato, fez parte do sinistro Esquadrão da Morte, a Scuderie Le Cocq


Saiu no Diário Oficial da União desta sexta (1º/2) a nomeação, assinada por Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni, do ex-deputado federal capixaba Carlos Humberto Mannato, o Manato, que fez parte do sinistro Esquadrão da Morte, a Scuderie Le Cocq. Manato foi exercerá o cargo de Secretário Especial para a Câmara dos Deputados da Casa Civil da Presidência da República.

Só no Espírito Santo, Estado onde Manato desenvolve suas atividades, a Scuderie Le Cocq matou 1.500 pessoas, segundo o Ministério Público Federal. A organização assassina foi extinta pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio/ES) no final de 2005. Para a Justiça, a entidade abrigou e protegeu, por vários anos, pessoas acusadas de pistolagem, tráfico de drogas e roubos a bancos. A Le Cocq foi apontada, entre os anos 80 e parte de 2000, como o braço armado do crime organizado capixaba!

As investigações sobre o braço direito de Bolsonaro, Fabricio Queiroz, e suas ligações com suspeitos de assassinar a vereadora Marielle Franco, estão atualizando as informações sobre o envolvimento da Famiglia Bolsonaro com grupos de milicianos. Mas a Famiglia não se importa com isso e agora nomeia um ex-integrante da mais famosa quadrilha de policiais matadores.

Aqui, você pode ler o perfil de Carlos Humberto Mannato, o Manato, e o histórico da atuação da Scuderia Le Cocq no Espírito Santo, elaborado pelo Blog do Elimar Côrtes. Vale a pena ler e conhecer a “turma” perigosa com a qual Bolsonaro quer trabalhar.


Carlos Humberto Mannato, o Manato, já integrou os quadros da temida Scuderie Detetive Le Cocq. O registro de filiação de Manato na Scuderie Le Cocq é o de número 687. O candidato afirma ter sido filiado da Le Cocq por três anos.

A Scuderie Le Cocq teve sua extinção confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio/ES) no final de 2005.

Para a Justiça, a entidade abrigou e protegeu, por vários anos, pessoas acusadas de pistolagem, tráfico de drogas e roubos a bancos. A Scuderie Le Cocq foi apontada, entre os anos 80 e parte de 2000, como o braço armado do crime organizado capixaba.

Candidato a governador do Espírito Santo em 2000, Manato apresentou como suas principais propostas a redução da maioridade penal para 16 anos e a liberação do porte de armas para cidadãos comuns. Ele defendeu a revisão do Estatuto do Desarmamento.

Quando entrou para a Scuderie Le Cocq em 1992, Manato era médico do Hospital Evangélico. Manato teve três padrinhos para entrar na Scuderie Le Cocq: dois delegados de Polícia e um investigador. Todos já estão aposentados.

Manato entrou na vida política em 1994, quando se filiou ao PSDB. Depois, em 2001, ingressou no PDT. Iniciou sua vida no setor público assumindo a Secretaria Municipal de Serviços da Prefeitura Municipal de Serra, entre os anos de 2001-2002. Na eleição de 2002, foi eleito pela primeira vez a exercer um mandato na Câmara dos Deputados. Foi reeleito em 2006, 2010 e 2014.

Carlos Manato desistiu do legislativo em 2018 para sair candidato ao governo do Espírito Santo, com o objetivo maior de dar palanque ao candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro.

Candidato diz em nota que foi convidado por policiais amigos e que pessoas de renome faziam parte da Scuderie Le Cocq

Em nota enviada ao Blog do Elimar Côrtes na tarde de sábado (08/09/2018), a Assessoria de Imprensa do candidato Manato confirmou que ele já integrou os quadros da Scuderie Le Cocq, mas que desconhecia o envolvimento da entidade e ou de associados com a prática de crimes.

“Em 1991, Carlos Manato, na época médico, concluiu o curso da Escola Superior de Guerra (ESG), vindo a integrar a Associação dos Diplomados na Escola Superior de Guerra (ADESG). Durante o curso, alguns amigos policiais o convidaram para também fazer parte da Le Cocq, que, segundo eles, seguia as mesmas linhas da ESG. Manato participou de algumas reuniões e não se identificou com os temas, achou que era bem mais restrito ao meio militar e não voltou às reuniões. A desfiliação só ocorreu cerca de três anos depois, pois encontrou certa dificuldade devido a mudança de endereço da sede da organização”.

Prossegue a nota: “É importante frisar que Manato não teve acesso, nem conhecimento de nenhuma prática criminosa que, por ventura, tenha sido imputada à organização enquanto participou das reuniões. É importante ressaltar também que, à época, pessoas de renome e conhecidos amigos faziam parte da Le Cocq o que dava credibilidade e uma aparente segurança para que Manato também participasse dessas poucas reuniões”.

Scuderie foi acusada de proteger assassinos, traficantes e assaltantes

A Scuderie Detetive Le Cocq, que era inscrita como Pessoa Jurídica na condição de entidade filantrópica, foi extinta depois de ser acusada pelo Ministério Público Federal de abrigar e proteger grupos de extermínio, traficantes e assaltantes.

Em dezembro de 2005, o desembargador federal Guilherme Calmon, do TRF-2, manteve a decisão do juiz Alexandre Miguel, da 12ª Vara Federal no Espírito Santo, que extinguiu a Scuderie Le Cocq. A decisão que extinguiu a Le Cocq proibiu também a utilização dos símbolos da entidade em bonés, camisas, chaveiros, adesivos e outros objetos.

Uma das vítimas de policiais militares ligados à Le Cocq foi o menino Jean Alves Cunha, 14 anos, assassinado com tiros na cabeça no Morro das Torres de TV, depois de ter sido sequestrado na avenida General Osório, no Centro de Vitória. Jean foi executado uma semana antes de representar o Espírito Santo no Encontro Nacional de Meninos e Meninas de Rua, em Brasília.

No Espírito Santo, entidade teria sido responsável por mais de 1.500 assassinatos, diz MPF

A Scuderie Le Cocq foi oficialmente fundada no Espírito Santo em 24 de outubro de 1984, pautada para “aperfeiçoar a moral e servir à coletividade”. Ao pedir à Justiça Federal a extinção da Scuderie Le Cocq, a Procuradoria Regional da República apontou que a entidade teria sido responsável por pelo menos 30 assassinatos de políticos capixabas cometidos em 18 anos e quase 1.500 homicídios anuais que transformaram o Espírito Santo no segundo Estado mais violento do Brasil, naqueles anos compreendidos entre 1990 e início de 2000, quando se deu início o processo de extinção.

A organização surgiu no Rio de Janeiro, em 1965, quando um grupo de policiais decidiu vingar a morte do detetive Milton Le Cocq. Cara de Cavalo, o bandido que matou Le Cocq, foi exterminado com mais de 100 tiros e seu corpo coberto com o cartaz de uma caveira.

Aliado de Manato, Magno Malta presidiu CPI que apontou os crimes da Le Cocq

Em 1998, o Congresso Nacional abriu a Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI) do Narcotráfico para apurar diversos crimes País afora, inclusive a atuação da Scuderie Detetive Le Cocq no Espírito Santo. A CPI Nacional do Narcotráfico teve como presidente o então deputado federal Magno Malta.

A CPI do Narcotráfico, presidida por Magno Malta, chegou a indiciar diversas autoridades capixabas por suposta ligação com a Le Cocq. Eram pessoas filiadas à Scuderie Le Cocq e acusadas de crimes que variavam da receptação de carros roubados à organização de assaltos a banco, passando por assassinatos e tráfico internacional de drogas.

Ao acolher pedido do Ministério Público Federal para extinguir a Scuderie Le Cocq, a Justiça Federal alegou também que a Scuderie Le Cocq “tem natureza paramilitar e persegue objetivos ilícitos em detrimento de órgãos e interesses da União”. Além disso, a Scuderie Le Cocq “intervém na apuração de crimes em que supostos associados estariam envolvidos, para assegurar-lhes impunidade”.

No Espírito Santo, entre a sua criação e até o início de 2002, a Scuderie Le Cocq chegou a ser formada por mais de mil associados, entre jornalistas, policiais civis, militares, advogados, delegados de Polícia, magistrados, coronéis, políticos, médicos, engenheiros, bicheiros, dentre outros.

Em maio de 2002, a Anistia Internacional divulgou um relatório em que o Espírito Santo era citado como um Estado em que os “defensores dos direitos humanos sofriam ameaças crescentes” e classificou a Scuderie Le Cocq como “uma estrutura paramilitar”, “com poderosos grupos econômicos e políticos no Estado, incluindo membros dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”.

Há 25 anos, policial civil foi executado com tiro na nuca dentro da sede da Le Cocq: claro, crime está impune

Um dos casos mais emblemáticos envolvendo a Scuderie Le Cocq foi o assassinato do investigador de Polícia Derneval Gonçalves Pereira, o Russo. Ele foi executado com um tiro na nuca, em outubro de 1993, dentro de um dos banheiros da sede administrativa/social da Le Cocq, no bairro Bento Ferreira, em Vitória.

Russo foi assassinado como queima de arquivo, assim como ocorreu com todos os pistoleiros – policiais e integrantes da Le Coc – envolvidos no assassinato do então prefeito da Serra, José Maria Miguel Feu Rosa, e do seu motorista Itagildo Coelho de Souza; e também envolvidos no assassinato do advogado Carlos Batista de Freitas – que defendia justamente os acusados do duplo homicídio.

O prefeito e seu motorista foram assassinados por pistoleiros capixabas em 8 de junho de 1990, na cidade de Itabela, na Bahia, onde José Maria Miguel Feu Rosa tinha uma fazenda. Carlos Batista foi sequestrado e morto em janeiro de 1992. De acordo com investigações, Russo teria atraído Carlos Batista – de quem era amigo e paciente – para o local onde foi torturado e morto a tiros, na Serra.

A morte de Russo foi praticada durante uma reunião onde estavam presentes dezenas de associados – a maioria policiais – na sede da Scuderie Le Cocq. Uma delegada de Polícia Civil, também ‘lecoquiana’ e que estava na entidade na hora do crime, mandou retirar o corpo do policial Russo de dentro do banheiro e levar para a calçada.

A mesma delegada ainda mandou lavar o local (banheiro) e a área externa por onde o corpo de Russo foi arrastado, retirando, assim, o sangue e prejudicando o trabalho da Perícia Criminal.

Vinte e cinco anos se passaram e até hoje a Polícia Civil capixaba “não conseguiu descobrir” quem matou o policial Derneval Gonçalves Pereira, o Russo, dentro da Le Cocq.






Os escribas da direita se esforçam para negar qualquer relação entre a privatização da Vale e as tragédias que se sucedem por negligência e irresponsabilidade da empresa. Hoje, Roberto Dias afirmou que se trata de um “argumento torpe” contra as privatizações. Ontem, também na Folha, foi Alexandre Schwartsman – como de costume, disparando coices contra seus desafetos e com argumentação ao nível do relincho.

Eles citam desastres ocorridos com empresas públicas e julgam que, assim, liquidaram a questão: não existe relação entre ser privado ou ser público e ter menos ou mais cuidado com a proteção ao trabalho ou ao meio ambiente. O fato de que a Vale do Rio Doce passou mais de 50 anos como empresa pública sem que ocorresse qualquer desastre digno de nota seria mero fruto do acaso.

É claro que ocorrem desastres com empresas públicas. Ocorrem desastres propriamente ditos (a origem da palavra remete aos “astros desfavoráveis”), advindos de causas incontroláveis ou de uma sucessão de pequenos equívocos, cada um sem maiores consequências quando isolado. E ocorrem tragédias causadas por irresponsabilidade e negligência.

Mas é de se esperar que, quando mais uma empresa for verdadeiramente pública, isto é, prestando contas à sociedade, maior será a pressão para que mantenha padrões elevados de segurança e maior será a capacidade de resistência de seus profissionais contra decisões de risco. Por outro lado, quanto mais as empresas públicas passam a emular as empresas privadas e a projetar o lucro como alfa e ômega de suas ações, que é a régua pela qual são medidas pelos economistas liberais, maior será a tendência de afrouxamento de seus padrões.

Para as empresas privadas, que prestam contas a acionistas sequiosos por dividendos suculentos, tudo entra num cálculo de custo-benefício – incluindo a vida humana, a dignidade humana, a segurança do trabalho, a proteção ambiental. Não é só a Vale. Das empresas automobilísticas fraudando a certificação de emissão de poluentes às grandes confecções operando com trabalho escravo, o registro das corporações é um show de horrores. E quando um escândalo ocorre, a resposta é muito mais uma ofensiva de relações públicas do que a alteração de práticas.

O que está em questão, portanto, é mais do que a oposição entre empresa pública e empresa privada. É a posição que a obtenção do lucro deve ocupar na nossa escala de valores. Empresas públicas estão mais bem posicionadas do que empresas privadas para resistir à pressão por lucro a qualquer custo; mas, para isso, devem resistir também à ideologia liberal que tudo avalia pela lucratividade.

É assim que as empresas públicas podem cumprir suas funções de estimular o desenvolvimento, combater desigualdades e garantir a soberania. Se o lucro for seu único ou principal objetivo, estarão desvirtuadas.

A discussão ganha urgência porque o governo Bolsonaro anuncia sua intenção de tudo privatizar. A ladainha é a mesma de sempre: as empresas públicas são deficitárias, ineficientes, incompetentes. Aliás, o primeiro adjetivo define os outros, já que eficiência e competência são definidas em função da capacidade de gerar lucros. Os ganhos prometidos de eficiência são tão grande que justificariam a venda das empresas por uma fração de seu real valor, como é de praxe na privataria brasileira.

Nos vinte anos de sua privatização, a Vale gerou lucros assombrosos para seus acionistas. Mas os brasileiros ganharam ou perderam?

Luís Felipe Miguel


do http://www.contextolivre.com.br/2019/02/com-privatizacao-da-vale-os-brasileiros.html

domingo, 27 de janeiro de 2019

Quando a barbárie governa


Em 06/01/2019, Paulo Arantes, professor de Filosofia da USP, deu um depoimento, publicado no portal Sul21, afirmando que:

...a ideia de que um que país periférico como o Brasil pudesse se tornar uma democracia com desenvolvimento social “foi rifada em 64”. Essa inviabilidade vai se tornar ainda mais evidente com a eleição de Collor, em um momento em que o capitalismo vivia um processo de reestruturação produtiva em nível internacional.




Neste momento de “catástrofe nacional”, no entanto, assinala Arantes, emerge um partido de massas, renovando as energias utópicas na sociedade brasileira. Para ele, porém, essa novidade, que foi a criação do Partido dos Trabalhadores, ignorou o diagnóstico da inviabilidade de construção de um projeto nacional, estabelecido em 64. “Havíamos batido no teto e a lógica era outra. A partir do período da redemocratização, a violência passou a ser o nexo social central”, sustenta.

O difícil é encontrar algum momento da história nacional em que a violência tenha deixado de funcionar como nexo social.

No entanto, três situações dão a esse quadro cores ainda mais sombrias. Uma delas é o assassinato de Marielle. Outra, a desistência do deputado federal Jean Wyllys, do PSOL, de reassumir seu mandato devido a ameaças de morte. Por fim, a condenação de quatro militantes do MST, em outubro passado, com base na lei antiterrorismo. Esta última, como se sabe, proposta e sancionada pelo governo Dilma.

Segundo Arantes, com o PT, as esperanças em uma governabilidade minimamente civilizada ruíram. “Não se governa mais”, conclui.

Mas, de fato e definitivamente, a barbárie governa. E disputar o governo da barbárie é participar dela.  



http://pilulas-diarias.blogspot.com/2019/01/quando-barbarie-governa.html

sábado, 5 de janeiro de 2019

A sombra chinesa sobre 2019

A sombra chinesa sobre 2019

Uma guerra comercial entre Estados Unidos e China é uma das mais graves ameaças para a economia mundial em 2019. Mas o gigante asiático também apresenta sérios problemas internos.

A China foi fundamental para evitar um colapso econômico mundial após a crise de 2008. Mas houve um custo. Entre 2000 e 2008, a dívida bruta chinesa ficou entre 150 e 180% do PIB. Mas de 2009 a 2018 essa proporção quase dobrou, chegando a 300%.

Os números são de um artigo de José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.

Já Jenny Clegg, especialista britânica em assuntos chineses, prevê que a China pode superar os Estados Unidos como potência econômica antes de 2030. Mas avisa que o país vem mantendo:

...níveis elevados de dívida e ainda pode ocorrer um crash ao estilo chinês. Poderá a China limitar, ou ao menos resistir, as pressões de uma guerra comercial com os Estados Unidos? De fato, as perspectivas para a economia estadunidense também não são boas. A recuperação da economia produzida pelo corte de impostos de Trump pode ser efêmera e o presidente do slogan “América primeiro” pode se ver obrigado a aprender que os Estados Unidos e a China se necessitam mutuamente.

O problema é que ninguém parece muito preocupado em aprender coisa alguma. Trump é péssimo aluno. A liderança chinesa, por sua vez, acha que pode fugir aos efeitos das implacáveis leis capitalistas tornando sua economia cada vez mais capitalista.

Enquanto isso, por aqui, o futuro presidente se elegeu dizendo que não entende nada de economia. Fora isso, tá tudo ok, certo?
http://pilulas-diarias.blogspot.com/2018/12/a-sombra-chinesa-sobre-2019.html


Ilegítimo, porém real

Ilegítimo, porém real...

por Chico Mello

Tudo é ilegítimo, mas, por outro lado tudo é sinistramente real.

Para fechar mais um capítulo do golpe que teve continuidade em 2016, a análise de Emir Sader resume, com propriedade, a farsa que terá como palco neste novo ano que se inicia a 'ilha da fantasia': Brasília.

O clima no país, hoje, sombrio, está dominado por milhões de 'bolsominios' que já se pode prever tornará a vida dos integrantes das chamadas minorias, muito difícil pois, 'bolsominios', como sabemos é uma massa ignara e ruminante e uma manada ruminante sem rumo é e sempre será um perigo...

Tudo é ilegítimo, mas, por outro lado tudo é real. Quando Emir fala em assalto, essa quadrilha que sai não nos parece muito diferente da que entra. Queiroz está aí para 'referendar' isso e como conhecemos as instituições ilibadas de que o país dispõe, já podemos antever que a atuação dele Queiroz não dará em nada pois, certamente, suas ações como tantas outras advindas de entes, indivíduos e entidades de direita sempre 'não virão ao caso'!

Acompanhe a seguir a análise de Emir Sader...

Não é uma posse, é uma apropriação indébita

Não poderia haver cerimonia sem legitimidade: Temer entregando o governo a Bolsonazi. Um, assaltou o poder por meio de um golpe. O outro, mediante as farsas prisão e condenação do Lula, da facada e das noticias falsas, com financiamento ilegal do empresariado. Tudo fake, tudo fajuto, tudo ilegal e ilegítimo.

Durante a ditadura o pais tinha sido acostumado a esse tipo de farsa: Auro de Moura Andrade dando posse a Castelo Branco. Castelo Branco dando posse a Costa e Silva. Costa e Silva dando posse a Geisel. Geisel dando posse a Figueiredo. Todos os empossados milicos, sem nenhum voto popular, que tinham assaltado o poder à forca de baioneta. Sarney, também sem voto popular, recebeu a presidência dos militares.

Só a partir daquele momento presidentes eleitos entregaram o governo a presidentes eleitos. Uma pratica rompida com o golpe de 2016, depois de 26 anos contínuos de democracia liberal. Tínhamos tido 19 anos de democracia, entre 1945 e 1964, seguidos por 21 anos de ditadura, entre 1964 e 1985, e 5 anos de governo não eleito pelo povo, entre 1985 e 1990. Desde 2016 o pais passou a ter governos não democráticos, que chegaram ao poder por meios ilegítimos, sem apoio popular.

O que se denominou chamar de posse do dia primeiro de janeiro, na verdade não será uma posse. Será uma apropriação indébita ilegítima, por meio de uma facada. E por meio de tantas outras arbitrariedades, que lhe tiram a legitimidade: o golpe contra a Dilma, o processo, a condenação e a proibição do Lula ser candidato sem nenhuma justificação jurídica, a fakefacada, as noticias falsas e seus robôs, o financiamento ilegal dos empresários para essas ilegalidades.

Alguém que se apropriou de maneira ilegal da presidência do Brasil, desmontou tudo o que de melhor tinha sido feito neste século no pais, contra a vontade da maioria dos brasileiros, entrega o cargo a outra pessoas que se apropria de maneira ilegal, indevida, do cargo. Para que os piores brasileiros protagonizem esse ato, é preciso que o melhor entre os brasileiros esteja ilegal e injustamente preso.

Não é uma posse, é uma apropriação indébita, ilegal, indevida, do cargo. Que, com razão, tem que ser boicotada, denunciada, escrachada, por todos os que prezam a democracia, que gostam do Brasil, que respeitam os direitos de todos, que valorizam a justiça e a solidariedade.

*Nota(s) do blog Frasista:
1 - O original de de Emir Sader encontra-se em brasil247.com.
2 – Imagens ilustrativas editadas/inseridas pelo blog Frasista.
3 - Em tempo: é essa gente da imagem abaixo que o povo brasileiro resolveu "alçar" ao poder...
...é mole?

http://frasistaneofito.blogspot.com/2018/12/ilegitimo-porem-real.html

sábado, 1 de dezembro de 2018

Sobre a onda obscurantista que varre o país. Relincha Brasil, a república dos jumentos.

por Pepe Damasco


Merece atenção uma mensagem publicada pelo juiz Rubens Casara em seu twitter:

“O empobrecimento subjetivo, que também leva à regressão do Eu, faz com que o brasileiro busque identificação com políticos, artistas, pastores, padres, comediantes e outras figuras públicas a partir daquilo que os une: a ignorância. Perdeu-se a vergonha de ser ignorante ou burro.”

Casara acertou na mosca: a onda obscurantista que varre o país pode ser comparada a uma espécie de epidemia galopante de burrice. Até há pouco tempo, era comum numa roda de amigos ouvir expressões do tipo “sou apolítico” ou “nada entendo de política, por isso não vou opinar” ou ainda a frase-síntese da alienação: “política, religião e futebol não se discutem.”

Se essa autoexclusão das pessoas do debate político revelava um preocupante déficit de consciência cidadã e participação democrática, hoje observamos um fenômeno inverso. Todos têm opinião pronta e acabada sobre política, mesmo que jamais tenham lido uma linha a respeito, mesmo sem terem visto um filme sequer capaz de lhes fazer saltar a veia crítica, mesmo que sistematicamente seus ouvidos estejam bloqueados para ideias e argumentos fora da mediocridade do senso comum.
É inescapável a constatação de que só um país profundamente ignorante e doente de ódio pode eleger um boçal do calibre de um Bolsonaro. E que fique claro: não me refiro à educação e cultura formais e eruditas. Lula, o melhor presidente da história do país, não tem curso superior, mas sempre demonstrou capacidade para discutir qualquer tema com os doutores que dão as cartas na política há mais de 500 anos. De Inteligência acima da média, Lula, além de um comunicador inigualável, tem sua genialidade política reconhecida até por adversários.

O meu ponto principal é o analfabetismo político que assola inclusive boa parte das classes média e alta, gente que teve acesso à universidade, mas segue iletrada e incapaz de deixar de raciocinar de forma simplista e binária.

Não há como fazê-la entender que seu ódio aos pobres só alimenta uma sociedade vergonhosamente desigual e excludente, cujos índices de criminalidade  crescentes se voltam contra a própria elite.

Enquanto os bem-nascidos se limitam a repetir os chavões e mantras reacionários do oligopólio da mídia, na parte de baixo da pirâmide os pastores charlatães, apresentadores de programas populares de televisão e o patrão antipetista até a raiz dos cabelos cuidam de fazer a cabeça do povão, naturalizando a violência contra pobres e negros. Pronto, está criado o terreno fértil onde vicejam levas e levas de políticos canalhas, que se elegem com o voto popular para depois colocarem seus mandatos a serviço dos ricos e do roubo dos direitos da maioria.

E neste oceano de estupidez muitos perderam qualquer constrangimento de expressar falta de conhecimentos básicos sobre o que estão falando ou escrevendo nas redes sociais. 

Babam contra a Lei Rouanet, mas se perguntados sobre o que ela significa emudecem; veem comunismo na própria sombra, mas desconhecem os fundamentos  mais elementares dessa ideologia; confundem bandeira de partido com bandeira nacional; tacham a Venezuela de ditadura, mas ignoram que é o país da América Latina que mais realizou eleições na última década; esconjuram Cuba, mas não têm  a menor noção dos avanços sociais extraordinários da ilha revolucionária. Ah, e o supra sumo da ignorância da história : eles estão convencidos de que o nazismo foi de esquerda.

Esse quadro ajuda a entender porque na campanha  eleitoral os “fake news bolsonaristas” mais  absurdos e grotescos influenciaram tantos eleitores. Afinal, só um completo imbecil  pode dar crédito ao  “kit gay” ou às mamadeiras simulando a genitália masculina.

*Nota(s) do blog Frasista:
1 – O original encontra-se em blogdobepe.com.br,
2 – Imagens ilustrativas editadas/inseridas pelo blog Frasista,
3 – E o resultado de tudo isso aí acima, graças aos ‘intéresses de expertos’ aliados a ignorância de estúpidos eleitores que votaram e elegeram uma fraude à presidência da república é explicitado na frase abaixo do juiz Casara e é hoje, uma sinistra realidade.

http://frasistaneofito.blogspot.com/

A GRANDE VERGONHA NACIONAL NÃO É A CORRUPÇÃO



O Brasil é a 8ª maior economia do mundo. Segundo reportagem do El País, cairemos uma posição no ano que vem e ficaremos com o 9º maior PIB do planeta Terra. Grandes potências e países desenvolvidos disputam posições conosco no ranking das maiores economias: Itália, Canadá, Reino Unido, Rússia.
Maravilha, não?
Agora vamos à nossa vergonha.
No ranking dos países mais desiguais do mundo, “subimos” uma posição e ocupamos o 9º lugar. Se atingirmos mesmo, no ano que vem, a 9ª colocação na lista das maiores economias, estará realizada a macabra ironia histórica.
O Brasil, um país tão rico em recursos naturais, população e PIB, será a 9ª maior economia do planeta, mas também o 9º país mais desigual do mundo.
Nesta lista da vergonha temos a companhia, à nossa frente, de oito países africanos, impiedosamente explorados e violentados por países que ostentam boas colocações no ranking da riqueza.

Na última segunda-feira (26), a ONG Oxfam divulgou relatório o qual aponta que a desigualdade de renda parou de cair no Brasil, após 15 anos de queda (leia aqui).
E o que aconteceu entre 2016 e 2017, quando estagnamos no combate à desigualdade?
O governo eleito em 2014 foi derrubado por um golpe midiático, judicial e parlamentar e, no seu lugar, assumiu um governo cujas “soluções” para a crise foram basicamente duas: privatizar patrimônio público e aprovar a Emenda Constitucional do teto dos gastos.
Com esta EC, congelou-se os gastos com educação, infraestrutura, saúde e etc., ou seja, os gastos que podem contribuir para aumentar a renda média da população e a sua qualidade de vida. Segundo a Oxfam, o volume de gastos sociais do Brasil retrocedeu ao patamar de 2001 e gastamos miseráveis 5% do nosso orçamento com educação.
Enquanto isso, gastamos algo próximo da metade do nosso orçamento com o pagamento de uma dívida que nunca foi auditada. É uma caixa preta que suga algo em torno de 50% do nosso orçamento todo ano! É claro que esses gastos com a dívida pública, que vão direto para os bancos e especuladores, não entraram na EC do teto dos gastos. No dinheiro que é sugado da população e vai direto para os super ricos, ninguém toca.
A tendência, com Bolsonaro, é tal quadro desesperador aprofundar-se ainda mais.
Procure alguma declaração do presidente eleito sobre desigualdade social. Em uma pesquisa rápida, achei apenas uma de abril, em que ele fala em militarizar escolas. Só.
Seu programa econômico, ou o de Paulo Guedes, vai na linha do governo Temer, mas muito mais radical. Vender ainda mais patrimônio público e cortar ainda mais gastos sociais.
Ora, isso obviamente não vai funcionar. Vai aumentar ainda mais a pobreza e a miséria. A morte de brasileiros e brasileiras.
A direita sabe disso, mas evidentemente não pode dizer. Resta mudar de assunto e ficar gritando que o problema é a corrupção dos políticos ou que prendemos e matamos poucos bandidos.
A corrupção dos políticos deve ser combatida sim, mas a nossa grande vergonha, a chaga que impede que tenhamos soluções duradouras para os nossos problemas, é a desigualdade social. Vivemos em um mundo capitalista, em que todos têm acesso à propaganda do sistema e recebem a mensagem: para ter valor na nossa sociedade, para ter algum status, é necessário possuir bens materiais caros e “de marca” – roupas, celulares, acessórios, carros, etc.
Todos são inoculados dia e noite com a propaganda capitalista, mas poucos têm acesso aos bens de consumo que conferem respeitabilidade social. É evidente que no 9º país mais desigual do planeta a criminalidade só pode explodir. Venda a ideia de que é preciso ter bens materiais para ser alguém e não permita que a maioria da população tenha acesso a esses bens, e pronto: temos a receita para a criação de um exército de criminosos.
O que é ótimo para o sistema. Os Datenas da vida podem colocar a culpa nos assaltantes de celular, transformando-os em inimigos do país; Bolsonaros da vida podem dizer que a solução é sair prendendo e matando todos eles; e a Justiça pode fazer o serviço sujo e ainda garantir o gordo aumento dos ministros do STF e juízes. Mesmo assim, a fábrica de criminosos pé-rapados não terá fim.
A pobreza e a miséria descomunais que atingem a 8ª maior economia do planeta garantem que continuaremos a produzir os bodes expiatórios para que os verdadeiros criminosos assaltem o orçamento do país. E aí não se trata de vender uma buchinha de cocaína na praça ou roubar um par de tênis, mas tirar bilhões de dinheiro público que poderiam ser investidos na melhora da qualidade de vida da população e revertidos em aumento na renda para colocar em poucas e gordas – figurativamente – mãos.
Enquanto isso, o futuro ministro da Educação diz que é “bobagem pensar na democratização da universidade”, porque nem todo mundo gosta ou quer fazer uma faculdade. “O segundo grau teria como finalidade mostrar ao aluno que ele pode colocar em prática os conhecimentos e ganhar dinheiro com isso. Como os youtubers, ganham dinheiro sem enfrentar uma universidade”, disse o inacreditável ministro.
Quem não gosta de universidade para todos é o conluio de espoliadores que quer dar apenas duas opções para a maioria da população brasileira: ou trabalhar duro e ganhar uma miséria ou ir para a criminalidade.
Não, senhor ministro, virar youtuber não é uma opção válida. É apenas uma sugestão estúpida e cruel da sua parte.
Como é estúpido e cruel o projeto da direita para o país.

PEDRO BREIER

Pedro Breier, colunista d'O Cafezinho, é formado em direito mas gosta mesmo é de jornalismo. Nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo.

FAZ SENTIDO TORCER PARA O GOVERNO BOLSONARO “DAR CERTO”?



Um fenômeno interessante ocorreu após a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais.
Muitos eleitores do futuro presidente ficaram espantados com o fato de tanta gente se declarar resistência e começar, logo após a divulgação do resultado, a fazer oposição ao novo governo.
As postagens nas redes sociais são na linha do “O cara nem assumiu ainda e vocês já estão torcendo contra?” ou “Vamos esperar, tem que dar um tempo para saber se vai dar certo!”.
Esse tipo de postura indica um desconhecimento de como funciona o processo político. Mas não se preocupem, este artigo vai esclarecer para vocês como funciona a coisa.
A disputa política institucional é, em essência, uma disputa de projetos para o país, o estado ou a cidade.
Na atual quadra histórica em que nos encontramos, podemos dizer, em um resumo extremamente simplista, que a esquerda acredita que o Estado tem papel central na indução do desenvolvimento do país e na melhora da qualidade de vida das pessoas, enquanto a direita pensa que o Estado mais atrapalha do que ajuda e o livre mercado, praticamente sozinho, é capaz de prover as necessidades da população.
São projetos antagônicos, como se vê.
Não faz sentido algum, para alguém de esquerda, “torcer para dar certo” um governo cujo programa é uma espécie de projeto Temer turbinado: mais venda de patrimônio público, mais corte de investimentos e mais retirada de direitos.
Isso simplesmente não tem como dar certo.
Se você, ainda assim, quiser esperar para ver, sugiro uma reflexão sobre as patacoadas que Bolsonaro está produzindo ainda antes de ser empossado.
O alinhamento canino a Trump, por exemplo.
Eduardo Bolsonaro posou com o boné do presidente dos EUA, como se vê na foto que ilustra este post. É uma atitude positivamente idiota, visto que em 2020 haverá eleição por lá e, caso Trump seja derrotado, teremos dado uma demonstração gratuita de hostilidade ao possível presidente democrata.
Tem como “torcer para dar certo” um movimento tão evidentemente estúpido?
Eduardo anunciou, usando o famigerado boné, que é certa a mudança da embaixada do Brasil em Israel. Não há um mísero benefício nessa atitude – a não ser que você considere que bajular Trump é bom para o nosso país. O potencial de prejuízos, por sua vez, é altíssimo: danos à imagem diplomática do Brasil (apenas a Guatemala seguiu os EUA nessa verdadeira provocação de Trump aos países árabes), danos às exportações do Brasil para os países árabes (sobre isso, Eduardo tranquilizou a nação: “temos que ter alguma maneira de tentar suprir caso venha a ocorrer esse tipo de retaliação”; ufa!) e a hipótese, há pouquíssimo tempo atrás impensável, de colocar o Brasil na rota do terrorismo internacional.
Repito: tem como “torcer para dar certo” um movimento tão evidentemente estúpido?
É claro que uma oposição inteligente também presta atenção nas contradições internas do futuro governo.
O ministro de Minas e Energia anunciado por Bolsonaro, por exemplo, é apontado como de viés nacionalista em algumas questões importantes, como a construção do submarino nuclear brasileiro.
Sinal de que, muito embora a porção entreguista do futuro governo seja patentemente mais forte, pode haver uma disputa de rumos com o nacionalismo estratégico que remanesce entre os militares. E isso é bom.
O negócio, portanto, é torcer e, muito mais importante, lutar para que o governo Bolsonaro não leve à cabo o projeto excludente e emtreguista que está anunciado.

PEDRO BREIER

Pedro Breier, colunista d'O Cafezinho, é formado em direito mas gosta mesmo é de jornalismo. Nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo.