quinta-feira, 9 de abril de 2015

Nossa cultura política


Nossa sociedade convive com naturalidade com extremos de desigualdade e abismos intransponíveis entre cidadãos
"Ao longo do século XX, foi exceção a normalidade democrática. E em toda a história, a participação popular, por ser combatida, é minúscula 

Marcos Coimbra, CartaCapital

Ao se considerar nossa trajetória, seria muito esperar que a cultura política brasileira fosse democrática e moderna. Nenhum país de passado semelhante conseguiu tal proeza. Parte da crise de imagem da presidenta Dilma Rousseff e de seu governo decorre de como essa cultura se estrutura e funciona. É outro dos componentes da situação atual fora de sua responsabilidade, que se juntam àqueles que provêm de decisões tomadas para agravar as dificuldades presentes.

Desde que nos entendemos por gente, nossa sociedade convive com naturalidade com extremos de desigualdade e abismos intransponíveis entre os cidadãos. Um sintoma, para recordar um fato que todos conhecem, é termos sido o último país do mundo ocidental a abolir a escravidão.

O sentimento antipopular das elites e das velhas camadas médias é tão antigo quanto o Brasil. Elas pensam dessa forma desde a colônia e assim chegaram ao século XXI. Entre nós, a solidariedade com o próximo e a disposição a participar do debate em busca de soluções para dilemas coletivos sempre foram baixas. E pioram diante do avanço do individualismo, que alimenta uma cultura onde a indiferença é regra e ninguém se sente verdadeiramente responsável por nada. Onde os indivíduos transferem aos outros a solução de seus problemas e esperam que o governo aja como se fosse sua babá.

Os marchadeiros e paneleiros da atualidade apenas fingem o desejo de assumir as rédeas da sociedade. Querem, no fundo, recapturar o Estado para recolocá-lo a seu serviço e deleitar-se em berço esplêndido com a recompensa.

Mesmo depois de proclamada a República, o Brasil continuou a ter um sistema político minúsculo. Até a Revolução de 1930, tão graves eram as restrições à participação eleitoral que somente comparecia às eleições entre 2% e 5% da população. Após a restauração da democracia em 1945, a proporção subiu, mas permaneceu perto de 15%. Mais de dois terços da população adulta não tinham representação política quando veio o golpe de 1964, há apenas cinco décadas.

Ao longo do século XX, a normalidade democrática foi exceção. Fomos submetidos a duas longas ditaduras e sofremos mais de uma dezena de golpes de Estado, entre os bem e os malsucedidos. Militares das Três Armas saíram dos quartéis para derrubar governos eleitos ou impedir a posse do vencedor, sempre em resposta aos apelos de civis inconformados com a democracia. O golpismo parece inscrito nos genes da cultura política brasileira. Nenhuma surpresa que as oposições atuais o revigorem.

Nossa cultura é antidemocrática não apenas por ter aversão à presença do povo no centro da vida política. Um de seus traços mais característicos é o culto à excepcionalidade, que só admite líderes “notáveis” e considera que o cidadão comum é inapto para ocupar “cargos elevados”, em especial a Presidência da República.

O fato é que, ao contrário de seus predecessores imediatos, a imagem de Dilma Rousseff não tem essa marca. Mais que qualquer presidente moderno, e talvez também em relação aos antigos, a presidenta sempre foi percebida, tanto quanto é possível a alguém que chega a seu posto, como uma cidadã comum. É o que chamam, com alguma razão, de “falta de carisma”.  Quase sempre, sem perceber nisso uma bem-vinda novidade.

Nas representações ideológicas mais típicas do período que vivemos desde os anos 1990, Fernando Henrique Cardoso foi o “intelectual brilhante”, que, a golpes de genialidade, teria racionalizado e modernizado o capitalismo brasileiro. Lula, a “expressão verdadeira do povo”, que, com sensibilidade e compromisso social, promoveu a democracia substantiva e a civilização de nossa sociedade.

E Dilma Rousseff, que lugar teria entre “gigantes” como esses? Que trajetória épica poderia justificá-la?

Nossa cultura política, constitutivamente autoritária e elitista, exige de quem exerce a função de presidente uma predisposição a ocupar um lugar solar. Ela não consegue livrar-se do mito do presidente como centro do sistema político, em torno de quem orbitam as instituições e seus integrantes.

Este segundo mandato de Dilma pode ser decisivo para a modernização da política brasileira. Dele podemos sair com uma cultura mais democrática, menos suscetível ao golpismo e mais contemporânea, emancipada de mitologias que sempre nos limitaram."

Olhe para o céu. O senhor dos Anéis está de volta!


Observar o planeta Saturno é sem dúvida uma das atividades mais interessantes e educativas que existem. Seu conjunto de anéis é simplesmente fantástico e não tem quem não se encante ao vê-los. Experimente. Saturno está no céu!
Saturno e tempestades de auroras
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Sem contar a Terra, Saturno é provavelmente o planeta mais famoso do Sistema Solar. Se duvida, peça à uma criança para desenhar um planeta e com quase certeza ela desenhará Saturno, repleto de anéis!
Atualmente, o gigante gasoso está a 1.38 bilhões de quilômetros da Terra, a caminho da oposição que ocorrerá em 22 de maio. Isso significa que visto da Terra, Saturno ficará do lado oposto ao do Sol, 100% iluminado, formando uma espécie de alinhamento que favorecerá ainda mais sua observação.

Os Anéis Sumiram!
Saturno completa uma volta ao redor do Sol a cada 30 anos e periodicamente aponta a borda dos seus anéis para a Terra.
Isso acontece sempre a cada 14 e 15 anos e em setembro de 2009 o ângulo de visão era tão pequeno que a perspectiva transformou o disco anelar em uma simples linha escura cruzando a face do planeta. Naquela ocasião, os anéis de Saturno simplesmente sumiram.
Os Anéis Voltaram!
Com o passar dos dias e dos anos, entretanto, o ângulo de visão foi novamente aumentado, permitindo que os anéis se tornassem visíveis novamente. Até 2017 eles estarão totalmente abertos.

Anesi de Saturno fechando e abrindo
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Vendo Saturno
Atualmente Saturno pode ser encontrado no quadrante leste logo após o pôr do Sol a partir das 21 horas, lembrando que o leste é o quadrante onde o Sol nasce.
O planeta está bastante brilhante, com magnitude de 1.01 e nesta quarta-feira estará ligeiramente abaixo da Lua, o que facilitará muito sua localização. À medida que as horas passam o planeta vai subindo acima do horizonte e lá pelas duas da madrugada estará quase no zênite.
Para ver os anéis de Saturno será necessário o uso de uma pequena luneta ou telescópio. Se você ainda não tem um, a hora de adquirir um instrumento astronômico é agora. O planeta ficará disponível por alguns meses e nada melhor que reunir os amigos e familiares para diversas sessões de observação planetária. Fica a dica.
Bons céus!


Artes: No topo, espetacular imagem do senhor dos anéis registrada pelo telescópio espacial Hubble, com destaque para tempestade de auroras no hemisfério norte do planeta. Acima, mosaico criado pelo astrônomo Efrain Morales, de Aguadilla, Porto Rico, ajuda a entender a inclinação de Saturno. As fotos foram feitas com um telescópio de 12 polegadas e mostram a mudança da geometria dos anéis ao longo dos anos. Créditos: Nasa, Efrain Morales Rivera , Apolo11.com 
http://www.apolo11.com/spacenews.php?titulo=Olhe_para_o_ceu._O_senhor_dos_Aneis_esta_de_volta!&posic=dat_20150408-103502.inc

A maior lição que se extrai da Operação Zelotes


Os brasileiros ignoravam a existência do CARF
A verdade, a dura verdade é a seguinte.

O Brasil não teria que promover uma revolução tributária que — finalmente — fizesse os ricos darem sua justa contribuição.

Bastaria cobrar o devido.

É talvez a maior lição que se extrai da Operação Zelotes.

Não pode ser tão fácil sonegar. Isso destrói qualquer economia, mesmo as mais sólidas. Foi a grande mensagem do governo alemão quando pegou um cidadão tido como exemplar — então presidente do Bayern — com uma conta secreta de cerca de 20 milhões de euros na Suíça.

Isso ocorreu há cerca de dois anos, e o sonegador, publicamente arrependido aliás, já está na cadeia, numa sentença de cinco anos.

É uma questão cultural e, também, policial. Cultural porque a sociedade tem que ter clareza sobre a importância vital dos impostos. Policial porque os sonegadores, especialmente os grandes, têm que ser severamente punidos.

Sonegar no Brasil virtualmente não traz riscos — e isso tem que acabar se quisermos nos tornar uma sociedade avançada.

O caso Zelotes traz muitas reflexões. Como se atribui tanto poder econômico a um grupo de pessoas — o Carf, tribunal que pode anular dívidas bilionárias com a Receita — sem uma fiscalização intensa?

Isso não existe.

É um lugar comum dizer que a transparência é o melhor detergente, e na Zelotes isto é chocantemente real.

Os brasileiros desconhecíamos, até a semana passada, a mera existência do Carf.

O Carf tem que ser conhecido. Seus dirigentes também. Suas grandes decisões, mais ainda.

Transparência, transparência e ainda transparência.

image

A Receita Federal é a negação disso. Ninguém sabe como funciona. O que se depreende, dados os fatos, é que a plutocracia encontrou maneiras de controlá-la.

Me perguntei sempre, no caso da sonegação da Globo, como a Receita simplesmente não se manifestava. Na internet, o assunto pegava fogo. Nas manifestações de junho de 2013, também.

Nunca a Receita se pronunciou sobre um caso tão expressivo. Era como se o interesse da Globo se sobrepusesse ao do país.

O escândalo do Carf me fez entender. Um mistério enfim se encerrou em minha mente.

A Receita vem operando, estes anos todos, na sombra, quando a luz do sol é imperiosa para que a sociedade veja suas ações.

Dentro desse quadro, coisas simplesmente inaceitáveis se tornam aceitas, ou toleradas.

Algumas vezes escrevi que não conseguia entender como, com o Bradesco tão flagrantemente metido em estratégias de evasão de impostos, Dilma pudesse ter convidado o presidente do banco para ser seu principal ministro.

Com a recusa, ela foi buscar um segundo nome no mesmo Bradesco, Levy.

Qual a mensagem para a sociedade? Sonegue, se puder.

Fazia pouco tempo, na época do duplo convite, que o Bradesco aparecera num caso de sonegação num paraíso fiscal.

Não chega a ser surpresa que o banco de Levy figure, também, na Zelotes.

O pior veio hoje, quando se soube, pelo Estadão, que Levy se empenhou para nomear uma advogada do Bradesco para a vice-presidência do Carf.

É mais que um conflito de interesses: é uma guerra nuclear.

Desprezível, como sempre, é a reação da mídia. Como o Bradesco é um grande anunciante, ninguém repercute o assunto.

Entre a sociedade e um grande anunciante, a opção das companhias jornalísticas é óbvia.

O PT colocou os pobres na agenda nacional, o que não é pouco. Mas, nestes doze anos, não fez mudanças estruturais.

Na Receita Federal, isso ficou patente.

Repito: não era — não é — necessário sequer criar taxas para grandes fortunas.

Basta cobrar o que determina a legislação, e punir quem sonegar.

Paulo Nogueira
No DCM

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O JUIZ SUPREMO



(Revista do Brasil) - Da Justiça o que se espera é principalmente bom senso. Quando suas decisões afetam não apenas o réu e sua vítima, mas centenas, milhares de cidadãos, o promotor deve acusar e o juiz, julgar, com a mente e o coração voltados para o que ocorrerá, in consequentia.
Nos últimos anos, a nação tem tido, na área de obras públicas, bilhões de reais em prejuízo. E isso não apenas devido a falhas de gestão – que, com a exceção dos Tribunais de Contas, não devem ser analisadas pelo Judiciário – ou de casos de corrupção, alguns com mais de 20 anos.
Houve também a paralisação – a caneta – de grandes obras de infraestrutura. Belo Monte, a terceira maior hidrelétrica do mundo, em construção na Amazônia em um momento que o país precisa desesperadamente de energia, teve suas obras judicialmente suspensas por dezenas de vezes, o que também contribuiu para que se somassem meses, anos de atraso ao seu prazo de entrega; e também para a multiplicação de seus custos.
O mesmo ocorreu com Teles Pires e Santo Antônio, com a refinaria Abreu e Lima e com a transposição do São Francisco. Em todos esses empreendimentos foram encontrados problemas de algum tipo, mas justamente por isso, é preciso que o Ministério Público e o Judiciário busquem outro meio de sanar eventuais falhas e punir irregularidades, que não seja, a priori, a imediata paralisação das obras. Afinal, ainda é melhor obras com problemas, que podem ser eventualmente corrigidos, do que nenhum projeto ou iniciativa desse porte, em setores em que o país esteve praticamente abandonado durante tantos anos.
Uma das soluções, para se evitar esse tipo de atitude drástica, poderia ser a de nomear interventores que pudessem investigar irregularidades e fiscalizar, in loco, em cada obra, o cumprimento das determinações judiciais.
Declarações bombásticas e precipitadas também não ajudam, quando se trata de projetos essenciais para o desenvolvimento do país nos próximos anos.
No contexto da Operação Lava Jato, centenas de milhares de trabalhadores e milhares de empresas já estão perdendo seus empregos e arriscando-se a ir à falência, porque o Ministério Público, no lugar de separar o joio do trigo, com foco na punição dos corruptos e na recuperação do dinheiro – e de estancar a extensão das consequências negativas do assalto à Petrobras para o restante da população – age como se preferisse maximizá-las, anunciando, ainda antes do término das investigações em curso, a intenção de impor multas punitivas bilionárias às companhias envolvidas, da ordem de dez vezes o prejuízo efetivamente provado.
Outro aspecto a considerar é a interferência indevida, em esferas da administração pública que não são da competência do MP, como foi o pedido de paralisação, no mês passado, das obras de ciclovias que estão em execução pela prefeitura de São Paulo.
Não cabe ao Ministério Público, em princípio, julgar, tecnicamente, questões viárias. E menos ainda, limitar o debate e a busca de consenso, em âmbito que envolve a qualidade de vida de metrópoles como a capital paulista, uma das maiores do mundo.
A não ser que haja uma mudança constitucional que faça com que venham a ser escolhidos por meio das urnas – e mesmo que viesse a ocorrer isso – é preciso que o Ministério Público e o Judiciário tenham especial cuidado para que alguns de seus membros não passem a acreditar – e a agir – como se tivessem, com base na meritocracia, sido ungidos por Deus para tutelar os outros poderes, e, principalmente, o povo.
Aos juízes e ao Ministério Público não cabe interferir, de moto próprio, nem tentar substituir o Legislativo ou o Executivo, na administração da União, dos Estados e municípios, que devem recorrer ao Supremo Tribunal Federal sempre que isso ocorra, assim como cabe ao STF coibir, com base na Constituição, esses eventuais excessos.
Em uma democracia, todo o poder emana do povo.
É ele que comanda. É ele que, em última instância, executa. É ele que, indiretamente, legisla. É ele que, a cada dois anos, julga, por meio do processo eleitoral, segundo o rito político. A sua sentença é o voto.
O eleitor é o Estado. 
E o juiz supremo.
sugado do:http://www.maurosantayana.com/2015/04/o-juiz-supremo_7.html

Sobe para 47 milhões o número de beneficiários do Snap, o bolsa-família norte-americano

snap foodstamps

Via A Verdade
“Capitalismo e bem-estar social”. Esse era o slogan que as potências neoliberais utilizaram antes e durante a Guerra Fria para expor ao mundo que o modelo econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção também garantiria qualidade de vida às pessoas dos países adeptos.
Para coibir uma era de grandes revoluções ao redor do mundo inspiradas nos avanços sociais soviéticos, EUA e Europa traçaram propagandas e programas milionários para atacar os países socialistas, ao mesmo tempo que exaltavam o capitalismo, mostrando que, à medida que ele se desenvolvesse, desenvolver-se-ia também a qualidade de vida das pessoas.
Contudo, em seus mais de 300 anos, o capitalismo demonstrou total fracasso em conter as crises cíclicas, que acarretam desemprego e corte de verbas destinadas às áreas sociais. Mesmo promovendo guerras, espoliando e subjugando nações inteiras e estabelecendo ditaduras nesses países (para aumentar a influência das metrópoles financeiras), o sistema capitalista não conseguiu se livrar do peso de ter uma economia desacelerada ou encolhida, que agoniza com a possibilidade de seu declínio total.
Um flagrante da sua incompetência é o fato de que a principal potência do planeta, os EUA, tem a maior concentração de pobreza entre os países ditos desenvolvidos, além de um quadro de fome, que vem se tornando um mal quase epidêmico, em que milhões de pessoas dependem de auxílios alimentares de entidades filantrópicas e do governo federal.
Só o principal programa social, o Snap (sigla em inglês para Programa de Assistência Nutricional Suplementar), que é administrado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, atende a cerca de 47 milhões de pessoas. Ele veio para substituir o Food Stamps (espécie de ticket-alimentação fornecido pelo governo desde a década de 1960), que, devido à crescente pobreza nos EUA, precisou de várias modificações, recebendo o novo nome e tendo seu valor aumentado. Seu uso é operado com um cartão eletrônico cadastrado em lojas habilitadas para o auxílio na compra de alimentos. Para o setor do “Bolsa-Família norte-americano” são destinados 78,6 bilhões de dólares. O valor do recurso pode variar de acordo com o tamanho da família, renda e despesas, sendo que, em comparação com o programa brasileiro, tem-se, em média, um valor sete vezes maior.
No entanto, pesquisas divulgadas no próprio site do governo mostram que, mesmo com o benefício, muitas famílias não conseguem se alimentar adequadamente e que o recurso frequentemente não dura até o fim do mês. Mesmo os que possuem alguma renda extra, em sua maioria, não têm condições de complementar as compras do mês com o salário, tendo em vista outras despesas como a de moradia, já que, segundo dados oficiais, 28% dos norte-americanos gastam quase 50% de seu orçamento com o aluguel.
Outro dado importante é que dois terços dos beneficiários são crianças e idosos em situação de vulnerabilidade econômica, lembrando que os EUA possuem 22% de suas crianças abaixo da linha da pobreza.
A extrema-direita norte-americana ataca o programa, chamando os beneficiários de vagabundos, ao passo que usa seus lacaios dentro do Congresso Nacional (como acontece também no Brasil) para barrar a expansão do programa e aumentar as verbas para a compra de armamentos e a promoção de guerras pelo mundo.
Isadora Alves, militante do PCR
http://blogdoitarcio.blogspot.com.br/2015/04/sobe-para-47-milhoes-o-numero-de.html

AS HUMILHAÇÕES DIÁRIAS DOS REAÇAS


Ha ha, eu sofro bastante nas mãos desses crapulentos, mas admito que de vez em quando reaças me fazem rir. Tipo,muito. 
Ontem o governo lançou umplano de enfrentamento à violência e desrespeito aos direitos humanos na internet. Entre as medidas estava a inauguração do siteHumaniza Redes, que receberá e encaminhará denúncias contra misoginia, racismo, homofobia, pornografia infantil, entre vários outros crimes cibernéticos.
Para ativistas que nem eu, que vivem sendo atacadas e ameaçadas online, é uma excelente notícia. Não sei se vai realmente resolver alguma coisa, mas no mínimo é uma tentativa de enfrentar o problema. Porque a situação de fato está insuportável (não só no Brasil, como também no mundo) e vem fazendo bastante gente boa se desligar das redes. Quer dizer, só pra falar de mim, é absurdo que eu não possa ficar três míseros dias longe da internet porque, nesse período, criminosos vão aproveitar pra falsificar tuítes e me difamar, gerando ainda mais ameaças. É absurdo que eu tenha que gastar tempo precioso processando cada escrotossauro que acha que a net é uma terra de ninguém.
Mas pense nessa galera do outro lado da força, essa gente do mal que faz montagens com as suas fotos, te xinga o tempo todo, espalha preconceitos e mentiras. É óbvio ululante que eles vão ver um projeto como esse e gritar: "Censura!" Porque, puxa vida, eles querem continuar tendo o sagrado direito de insultar, difamar e ameaçar seus desafetos em paz, na mais completa impunidade!
Foi divertido ver as teorias conspiratórias de alguns reacinhas, que sempre me dão muito mais poder do que eu tenho. O poder, inclusive, de mandar no governo! E de fazer com que o governo desenvolva todo um plano da noite pro dia! Logo, é evidente que eu falsifiquei os tuítes falsos (você entendeu? Eu também não) para causar drama e forçar Dilma a instaurar a censura. 

Outra pauta hilária que rolou ontem foi um monte de reaça atacando o Jean Wyllis por causa deste vídeo. 
Sim, é um vídeo que um dosmaiores fascistas do país, Jair Bolsonaro, filmou e jogou no YouTube, sob o título ridículo de "O que aconteceria se um homossexual fosse humilhado em voo da Tam?" Veja só, Bolsonaro pelo jeito sentiu-se humilhado porque Jean calmamente trocou de lugar num avião. Pior: Jean nem olhou pra ele! Não falou nada, só foi prum assento próximo. Isso foi devastador pro Bolso, que fez toda a sua popularidade em torno de xingar Jean e outros homossexuais. E que depende totalmente de factoides como este para se manter em evidência.
Gosto também de como os reaças acusam ativistas sociais de vitimismo, mas não existe ninguém no planeta que se vitimiza maisque os reaças. São eles as verdadeiras vítimas, lógico. O Bolso faz um vídeo praticamente chorando porque Jean não quis se sentar do seu lado. Foi a humilhação suprema contra um heterossexual num voo da Tam! A maior humilhação da história da aviação!
Vamos esquecer por um minuto o fato de que qualquer pessoa que já viajou de avião, ônibus ou trem já trocou de assento por N motivos. Agora, seja sincerx. Se você percebe que o Bolsonaro vai se sentar do seu lado num avião, você:
a) pede pra mudar de avião;
b) troca de assento, não sem antes apontar o dedo pro Bolso e dar um grito silencioso a la Invasores de Corpos;
c) pula pela janela;
d) outro (especifique nos comentários).
Eu tenho várias desavenças com o Jean, mas chamá-lo de intolerante por ele ter discretamente se recusado a sentar do lado de um ser repulsivo como o Bolso é patético. Que tipo de diálogo pode haver com um Bolsonaro, um sujeito que só entrou na vida pública pra trollar? Jean pode dialogar com muitos dos outros 513 parlamentares. Não precisa dialogar com todos. Com gente que tem uma agenda de puro ódio não há diálogo possível. 
Sem falar que Jean não estava na Câmara. Estava num avião. E esses reaças que o criticam por discretamente trocar de lugar são os mesmos que vaiam presidentas em solenidades internacionais ou ex-ministros em hospitais, né não?
É, são os mesmos que pregam moralidade, ética e bons costumes e vociferam contra a corrupção, enquanto falsificam tuítes, fazem montagens com fotos, e espalham calúnias. Gente muito coerente. Mas não se pode negar que às vezes essa gentinha é engraçada

 Do: http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2015/04/as-humilhacoes-diarias-dos-reacas.html

Petrobras: a manchete que você não vai ler


Fernando Brito, Tijolaço

"O distinto amigo e a querida amiga não lerão, por certo, amanhã, nos jornais, uma manchete assim:

Petrobras ganha, desde janeiro, 20% de seu valor de mercado
Mas, tenho certeza, já leu e leria, manchetes iguais, se isso fosse perda.

Pois foi exatamente isso o que aconteceu, de 2 de janeiro para cá, quando a ação passou de R$ 9 para os R$ 10,83 com que suas ações ordinárias fecharam hoje, mesmo numa Bolsa apática (queda de 0,02% no Ibovespa).

Claro que a Petrobras está – e muito – no negativo, mas a marotice estatística permitiria fazer “pior”: comparar com os R$ 8,04 de 30 de janeiro e dizer que, de lá para cá, a valorização foi de 35%.

Malandragens, meu caro leitor, que macaco velho de jornal conhece de cor e salteado, embora muitos dos de hoje o façam achando que é grande coisa.

Dá para fazer até como no gráfico aí em cima, que reúne as cotações na Bolsa de Nova York, mostrando que as ADR da Petrobrás, por lá, só valorizaram menos que a da British Petroleum (11,52% contra 12,05%) e muito mais do que as da Shell (-2,81%) , da Total (5,96%), da Conoco-Philips (3,85%) , da Chevron (0,56%) ou da Exxon (-5,5%).
Embora bem embrulhadinha, mentira, para enganar otários.

Porque a Petrobras, depois  de apresentar esta valorização, não desabou na chamada realização de lucros?

Isto é, na correria para vender a quase onze o que outro dia se comprou a oito?
Porque a Petrobras, até as pedras da calçada diante da Bovespa sabem, está barata, depreciada muito além de seus problemas reais.

E que petróleo, da qual ela está cheia, a 50 dólares por barril é uma bobagem artificialmente mantida pelo jogo de forças internacional.

Não creiam nesta história do “balanço auditado”. Vai sair, é necessário, compromisso de uma empresa de capital aberto.

Mas isso já foi “precificado” e muito, muito além dos prejuízos reais de Costas, Baruscos e Youssefs.

E vai ser “desprecificado”, anotem.

Manchetes recicladas, como  a de O Globo hoje, falando em R$ 45 bilhões de prejuízo no Comperj, obra de um cálculo inepto do TCU divulgado há seis meses, só enganam aos tolos que não lêem que isso se daria apenas se a planta de refino fosse abandonada e que o tal “valor presente líquido” é tão volátil quanto as estatísticas casuais que mostrei no início do post.

A turma da bufunfa, que de otária não tem nada, segue nas suas “posições compradas” de Petrobras.

Os otários, que vão bater panela, fazem-lhes um favor.

Mas, taí, se eu fosse  fazer um slogan para falar do valor das ações da Petrobras, copiar-lhes-ia a sua palavra de ordem.

Amanhã vai ser maior, amanhã vai ser maior."

Trabalhador qualificado? Esqueça, alugue um


Fernando Brito, Tijolaço 

"Nada como fazer algumas perguntas simples, para que as respostas sejam evidentes.

Se não vai haver prejuízos em salário, em recolhimentos trabalhistas (FGTS, Previdência, PIS), nem perda de direitos, nem se vai gerar passivos indenizatórios, como pode ser mais barato e eficiente estabelecer a terceirização como regra do trabalho sob o argumento de que é mais econômica, se além de todos os custos tem-se ainda a remuneração (lucro) do dono da empresa intermediadora da contratação de pessoal?

Lógico que a terceirização, em atividades específicas, especializadas, ou naquelas sem especialização, mas com alta rotatividade (segurança, portaria, recepcionistas, reparos e manutenção, etc) é uma questão prática para as empresas que preferem gastar um pouco mais mas não perderem o foco em sua atividade-fim.

Mas terceirizar a mão de obra em sua atividade fim seria  um total contrassenso.

Mas não é. Porque a lógica é outra.

Imagine, por exemplo, um supermercado onde caixas, repositores, gerentes, açougueiros terceirizados e, portanto, representando um gasto maior de que os salários e encargos, porque tem-se que remunerar o arregimentador de pessoal e ainda pagar os impostos derivados desta contratação.

Ou uma agência bancária? Ou uma escola e seus professores?

O trabalhador terá de se submeter a um espécie de escravidão high-tech , porque não pode mais, ao sair da empresa A, procurar emprego na B ou na C, porque A,B e C, agora, são atendidas pela mesma locadora de trabalhadores.
Esqueça carreira, progressão funcional, reconhecimento de mérito…Afinal, você não é mais funcionário daquela empresa, está apenas alugado a ela.

A locação de mão-de-obra, que ficava nas franjas do mercado, com vários casos de aventureiros, agora vai para o âmago das relações trabalhistas e para os inevitáveis jogos-de-empurra  de responsabilidades em detrimento do trabalhador.

Se vai passar no Congresso? Vai, ao menos na Câmara, vai.

São negócios, e negócio com gente."

segunda-feira, 6 de abril de 2015

No México como no Brasil


Não sei se o filme passou nos cinemas brasileiros, mas pode ser visto pelos assinantes do Netflix. Trata-se de La Dictadura Perfecta, escrito e dirigido por Luis Estrada. 

É uma sátira devastadora sobre a política, os políticos e o poder dos meios de comunicação, principalmente da televisão. 

O espectador pode até duvidar que as barbaridades que ele mostra possam realmente acontecer, seja lá em que país for - no caso, é o México. 

Mas que elas são críveis, ah, isso são. 


Principalmente para nós, brasileiros, que sabemos muito bem da capacidade de manipulação da imprensa em geral - e da Rede Globo em particular. 

Quanto aos políticos... 

Bem, os nossos podem agir mais sutilmente que os mexicanos que o filme mostra, mas não há dúvida de que eles são muito semelhantes.

O filme é particularmente interessante para que acompanha o debate interminável sobre o papel dos meios de comunicação numa democracia.

Nele, o governador do Estado mais pobre do México contrata os serviços da mais poderosa emissora de TV mexicana para mudar a sua imagem - praticamente destruída depois que a própria emissora divulgou imagens dele recebendo propina de traficantes.

E a trama segue por aí, revelando como é possível, graças ao poder dos meios de comunicação, transformar o mais absoluto canalha num herói nacional, no salvador da pátria.

É incrível o paralelismo com o Brasil.

Aqui, graças ao trabalho sistemático de uma mídia partidária, com a colaboração de setores institucionais, como o Judiciário, um partido político que ousou mexer minimamente na estrutura social do país, resgatando milhões de pessoas da miséria e levando outros tantos para o meio da pirâmide social, é hoje visto, por muita gente, como uma organização criminosa. 

Em La Dictadura Perfecta, o governador somente atinge o topo de sua carreira porque encontra numa organização empresarial, no caso a rede de televisão, um igual.

Ele e a emissora de TV que o glorifica e extermina seus adversários são igualmente corruptos, podres, almas gêmeas destituídas de qualquer traço de virtude.

A semelhança com a situação brasileira não é mera coincidência.

É simplesmente a descrição do modus operandi da oligarquia - seja ela de onde for.

do: http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/04/no-mexico-como-no-brasil.html

A história da propina e as cruzadas moralistas

Por Motta Araújo

Na história econômica a propina está presente em todos os grandes negócios, empreitadas e encomendas através dos séculos. Na história moderna há registros de propinas em larga escala nos EUA, Rússia, Império Otomano, na Ásia era e é a pratica corrente, no Oriente Médio nem sequer se considera crime. Na África a corrupção é profundamente arraigada desde que existem humanos no continente.

No Brasil a propina aparece na Alfândega de Dom João VI, no Segundo Império, vide as memórias do Embaixador Heitor Lira em dois volumes, Editora Universidade de Brasília. Os embaixadores brasileiros em Londres cobravam propina nos empréstimos que o Brasil contraía em Londres, e eram altas. Na República Velha, Nelson Werneck Sodré na HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL fala nas "vastas algibeiras" de generais quando compravam alfafa para a Cavalaria.

Na Revolução de 30 aconteceu um fenômeno de moralismo. Os revolucionários atribuíam aos coronéis e políticos da República Velha um alto índice de corrupção, chamavam-nos de "os carcomidos". Vieram então os "tenentes" puros e salvadores e, a pretexto de eliminar a corrupção,  derrubaram os "carcomidos" nos Estados e fundaram novas dinastias corruptas, muitas das quais dominam as políticas de seus Estados até hoje. Os "jovens tenentes" eram honestos até então só porque não tinham a chave do cofre, com a mão no poder ficaram os "novos carcomidos" MAS sem perder a pose de honestos de carteira. A honestidade deles era uma questão de oportunidade.

Esta é uma constante no Brasil, líderes da moralidade só são até chegar ao poder, depois viram ladrões piores do que aqueles que derrubaram.

Dinastias que surgiram com a Revolução de 30, os Alves no Rio Grande do Norte, os Magalhães na Bahia, os Collor em Alagoas, os Távora no Ceará. Na Republica de 46 os Sarney no Maranhão, Argemiro de Figueiredo na Paraíba, onde todos os Senadores de hoje são seus parentes. A cultura política brasileira se imbrica no coronelismo, no nepotismo, em costumes políticos que já duram séculos.

Na República de 30 havia corrupção discreta que mais apareceu em favorecimentos e nomeações, na República de 46 a corrupção se manifestava nas licenças de importação da CEXIM. Mas a grande corrupção das empreiteiras nasceu com a construção de Brasília, a propina foi o lubrificante que permitiu Brasília ser construída em CINCO anos.

Nos governos estaduais da República de 46 fizeram fama Adhemar de Barros em São Paulo e Moyses Lupion no Paraná. Nos Governos do Rio poucos escaparam do mar de corrupção, Lacerda foi um deles.

Mas havia um CÓDIGO na velha corrupção.

1 - As comissões sobre obras públicas eram modestas, 1 a 3%, MAS se exigia a obra feita no custo e no prazo. Adhemar era um bom tocador de obras e deixou muitas e grandes, mesmo com os fracos orçamentos daquela época.

2 - Toda a imensa infraestrutura hidroelétrica, de estradas, pontes, refinarias construídas  na segunda metade do século XX teve a presença de propinas mas dentro de um código da corrupção, não era uma farra como ocorreu recentemente, os contratos de obras tinham exata relação com a obra, a corrupção eram embutida e discreta.

Jânio,  por exemplo, cobrava uma comissão mínima na assinatura do contrato MAS acabava ai, depois era implacável com a empreiteira, não ficava "parceiro" da obra, se quitava e dava quitação na assinatura do contrato, depois virava duro. Jânio também guardava parte das contribuições de campanha, deixou 13 milhões de dólares no Citibank de Genebra e 60 imóveis, geralmente casas e apartamentos de classe média.  Jânio fazia o folclore do moralista mas adorava dinheiro, não exibia, não gastava e não era generoso nem com a família. Convivi muito com ele e seu folclore de boas estórias daria um bom livro, fora do poder era um ótimo papo, um grande ator da política.

3 - Em torno da corrupção se formou um vasto folclore de fantasias. Dizia-se que Juscelino era um dos homens mais ricos do mundo, dona Sarah certa época precisou vender quadros para se manter, não havia fortuna alguma.

Dizia-se do poderoso Ministro dos Transportes do Governo Militar, Mário Andreazza, que era a 7ª fortuna do mundo, quando morreu seu enterro foi custeado por uma lista passada entre amigos, a família sempre viveu digna e modestamente, já tratei deste assunto aqui e houve um comentário do neto dele aqui no blog com detalhes.

A propina ACOMPANHOU o desenvolvimento do Brasil sempre.

A coté, lado a lado com a corrupção vieram as CRUZADAS MORALISTAS. A primeira foi a de Carlos Lacerda contra Getúlio, entre 1951 e 1954, que acabou com a vida de Getúlio, que deixou de herança um apartamento de classe média e a fazenda de São Borja, que ele herdou do pai, era um homem probo, modesto, correto e honesto mas o mesmo não pode se dizer de seu governo.

A segunda cruzada veio da UDN contra Juscelino por causa de Brasília,  uma ala da UDN moralista , a "banda de música" tinha como líder o Deputado José Sarney. Na sequência Jânio se elegeu com uma cruzada moralista contra o grupo de JK, sua bandeira era a vassoura. A anticorrupção era, desde o inicio, seu "mote" eleitoral, sempre se elegeu com a ideia de ser o ANTICORRUPTO, o que não era, era apenas mais discreto. A mais nova foi a de Collor, que na campanha invocava os "marajás",  que rendeu-lhe muitos votos.

As CRUZADAS MORALISTAS são um mau negócio para o País, não extinguem a cultura da propina e causam tremores e instabilidades políticas. Nos EUA, no fim do Século XIX, havia mais corrupção que no Brasil. A Prefeitura de Nova York e o Governo do Estado de Nova York eram campeões de corrupção. A sede do governo do Estado, Tammany Hall era sinônimo de corrupção; Chicago era dominada (até hoje é) por uma família corrupta; Kansas City tinha o "boss" Tom Prendergast, que foi quem inventou Harry Truman como vice-presidente; a Lousiana tinha Huey Long, sinônimo de politico mafioso de altíssima corrupção. Os EUA foram mudando AOS POUCOS com lenta evolução de barreiras e filtros que foram fechando o cerco à corrupção política mas isso levou UM SÉCULO, não foi por cruzadas moralistas.

Na política o MORALISMO é apenas um instrumento para derrubar a velha corrupção e instalar uma nova, geralmente pior que a antiga, mais cruel mais voraz e mais impiedosa.

sugado do: http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2015/04/a-historia-da-propina-e-as-cruzadas.html