A Casa Branca decide encarar a 'imprensa'
Michael Scherer, revista Time
Não houve um momento determinado, quando a equipe de comunicação da Casa Branca decidiu que os grandes órgãos da mídia não estavam dando conta do recado, nem faziam jornalismo. De fato, houve vários momentos.
Para o secretário de Imprensa, Robert Gibbs, o dia da virada aconteceu no início de setembro, quando o New York Times publicou, como matéria de primeira página, o "crescimento nas pesquisas, de pais e mães preocupados com o conteúdo do discurso de Obama para crianças e adolescentes" – antes mesmo de o jornal (e os 'pais e mães'!) conhecerem o teor benigno do discurso. "Chega um momento que... Chega! Páre aí! Mas... que negócio é esse?" – disse Gibbs. "Essa coisa está transformada em circo de três picadeiros!"
Para o diretor de comunicações da Câmara de Deputados, Dan Pfeiffer, foram os ataques mais hiperbólicos, esse ano, contra o plano de Obama para a reforma da assistência à saúde, sempre noticiados como se houvesse alguma "controvérsia", que acionaram um alarme em sua cabeça. "Quando se debate se se trata ou não de assassinar velhinhas e criancinhas doentes" – diz ele –. "não se aplicam as regras normais do jornalismo: é preciso ser a favor de não assassinar ninguém. É preciso ter lado e a opinião do 'outro lado' absolutamente não interessa."
Para a chefe de Pfeiffer, Anita Dunn, o momento do "aha!" aconteceu quando o Washington Post publicou uma segunda coluna assinada pelo mesmo político Republicano, 'denunciando' que haveria "32 czares" indicados por Obama e já trabalhando na administração pública. Nove deles foram nomes aprovados pelo Senado, quer dizer, em nenhum caso seriam 'czares'. "O que de fato me surpreendeu e ainda surpreende até hoje, é que o Washington Post nunca questionou essa opinião de seu colunista. É inacreditável... mas aconteceu."
Todas as críticas, diárias, repetidas, as justas e também as injustas, e as delirantes, todas, estão pesando sobre a Casa Branca, objeto de ataques incansáveis. Então, a Casa Branca pensou em uma nova estratégia: em vez de facilitar a vida dos jornalistas, oferecendo-lhes fatos que os jornais e jornalistas usam em seguida como se fossem 'prova' do que escreveriam contra Obama mesmo sem qualquer verificação ou sem qualquer prova, a Casa Branca decidiu entrar no jogo e criticar mordazmente o jornalismo de futricas, os políticos e os veículos que vivem de publicar bobagens, ou mentiras, ou invenções completamente nascidas das cabeças dos 'jornalistas', como, por exemplo, a ideia de que o plano de Obama para reforma da assistência à saúde dos norte-americanos incluiria "clínicas sexuais" a serem implantadas nas escolas. Obama, descansado e relaxado depois dos feriados em Martha's Vineyard, riu da ideia dos 'jornalistas' e disse aos auxiliares que "Ok. Vamos chamar os caras p'ra conversar lá fora."
A estratégia de não fazer prisioneiros surpreendeu alguns 'jornalistas', considerando a cobertura amplamente favorável ao candidato Obama e considerando, também, a tendência do presidente de trabalhar em temperaturas retóricas menos exaltadas que o padrão de Washington e de não dar atenção às hipérboles partidarizadas. Nada disso. O Blog da Casa Branca, agora, não perde vez para falar mal dos críticos do governo. Um dos postados mais recentes levava o título de "A rede Fox mente" e sugeria que a rede estaria militando contra os interesses dos EUA, ao ridicularizar os esforços de Obama para que Chicago fosse escolhida para as Olimpíadas 2016.
Nenhum funcionário da Casa Branca ofereceu 'fatos' explicativos ou pediu desculpas. "A melhor analogia é o beisebol" – disse Gibbs. "O único modo de arrancar os caras de uma base, é mandar uma bola rápida. Aí, eles se mexem."
A generala dessa guerra é Anita Dunn, 51, veterana estrategista de campanhas eleitorais, que chegou em maio à Casa Branca. Dunn é um dos grandes nomes das campanhas dos Democratas desde o final dos anos 80 e, nesses meses, foi ela quem montou a nova estratégia de respostas rápidas. Na Casa Branca, converteu-se em leitora aplicada de todos os jornais mais conservadores e crítica ferocíssima da rede Fox News, comandando o movimento para impedir que funcionários do governo (inclusive Obama) deem entrevistas ou façam declarações àquela rede.
"Trata-se de opinião partidarizada, travestida de noticiário e de jornalismo" – diz Dunn. "Eles ainda estão com bons números de audiência, mas estamos nos movimentando e não vamos perder essa."
O diretor de jornalismo da Fox, Michael Clemente, reagiu; disse que as críticas pela Casa Branca misturam os jornalistas da rede e colunistas não-jornalistas, como Glenn Beck [âncora de um dos programas de debates da Fox. Para saber quem é, ver O Público, de Portugal, em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1401620]. Para Clemente, Beck seria como "um colunista não-jornalista, dos que escrevem nos jornais"."
Dunn — mãe de um adolescente de 13 anos, que planejou o cronograma do novo emprego na Casa Branca, de modo a poder passar mais tempo com o filho – é uma raridade feminina, no círculo mais íntimo de auxiliares de Obama, só de rapazes. Mas o impacto que ela teve na Casa Branca é indiscutível. Desde sua chegada, a operação das comunicações foi reformulada, firmemente re-focada, com forte ênfase no planejamento de um novo ciclo de noticiário e estrito controle sobre os contatos entre sua equipe e os jornalistas dos grandes jornais. Nas reuniões internas diárias da equipe, é ela quem decide quem 'ouvirá resposta rápida', quando e como; é ela também quem decide onde, quando, como e para quem é caso de justificativas, admitir erros ou pedir desculpas.
É mulher de instintos ferozes, que rapidamente vêm à tona. "Aqui na Casa Branca, (...) temos de ser mais agressivos, em vez de sempre dar explicações, bater em retirada ou só nos defender" – diz ela. A imprensa vive de falar. Não há silêncio, na imprensa. Por isso, a imprensa sempre pode usar qualquer mínima coisa e converter em notícia, mesmo que, para isso, os fatos sejam distorcidos. Não precisamos aceitar isso. Por quê?"
Em outras palavras: depois de oito meses de governo Obama, acabaram-se os dias de harmonia 'suprapartidária' ou 'despolitizada', e ilusão de que a imprensa naturalmente ofereceria "dois lados" das notícias. Agora somos "NÓS" contra "ELES". E o governo Obama está jogando para ganhar.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
É preciso reconceituar o Jornalismo
É preciso reconceituar o Jornalismo. Não faz mais nenhum sentido chamar de Jornalismo o que fazem as corporações de mídia. Quem se preocupa com o lucro em primeiro lugar não é uma instituição jornalística. Não pode ser. Quando uma empresa passa a ter como principal meta o lucro, essa empresa pode ser tudo, menos uma instituição jornalística. E aí não importa a quantidade de estrutura e dinheiro disponível, pois a prática jornalística é de outra natureza.
Exemplo: eu posso passar uma semana no Complexo do Alemão com um lápis e um bloco de papel. Posso chegar até lá de ônibus. Posso bater o texto num computador barato.
Mesmo assim, se a publicação para onde escrevo for jornalística, vou ter mais condições de me aproximar da realidade do que uma matéria veiculada pelas corporações de mídia. Essas podem dispor de toda a grana do mundo, de carro com motorista, dos gravadores mais caros, das melhores rotativas, de alta tiragem e de toda a publicidade que o dinheiro pode comprar.
No entanto, se não forem instituições jornalísticas, elas dificilmente se aproximarão da realidade da favela, isso quando não a distorcem completamente.
Existem outros exemplos para além da questão da favela. É o caso dos venenos produzidos pelas Monsantos da vida, que nunca são denunciados pelas corporações de mídia.
Ou da retomada dos movimentos de libertação na América Latina, vistos como “ditatoriais”; a perseguição aos movimentos sociais e aos trabalhadores em geral; a eterna criminalização da política, de modo a manter as instituições públicas apequenadas frente ao poder privado. Enfim, você pode olhar sob qualquer ponto de vista que não vai enxergar Jornalismo.
Isso precisa ficar bem claro. Claro como a luz do dia. Pra que as corporações pareçam ridículas quando proclamarem delírios do tipo: “somos democráticas”, “únicas com capacidade de fazer jornalismo”, “imparciais” e por aí vai.
Fazer Jornalismo não tem esse mistério todo. Em síntese é você contar uma história. Essa história deve ter alguns critérios que justifiquem sua publicação. Alguns deles aprendemos nas faculdades e são válidos; outros são ensinados, mas devem ser vistos com cautela. E outros simplesmente ignorados. Mas, no fundo, o importante é ser fiel ao juramento do jornalista profissional:
“A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na sua luta por dignidade”.
Essa frase, quase uma declaração de amor, não é minimamente observada pelas corporações de mídia. Vejamos: elas não têm espírito de missão, não respeitam nada, nem as leis, estimulam o preconceito, discriminam setores inteiros da sociedade, violam os direitos humanos e não sabem o significado da palavra “dignidade”.
Mas por que o Jornalismo é tão importante para uma sociedade? Porque hoje, devido ao avanço tecnológico dos meios de comunicação – são praticamente onipresentes nas sociedades contemporâneas –, a mídia assume uma posição privilegiada no tocante à produção de subjetividades.
Ou seja, a mídia, mais do que outras instituições, adquire enorme poder de produzir e reproduzir modos de sentir, agir e viver. Claro que somos afetados por outras instituições poderosas, como Família, Escola, Forças Armadas, Igreja, entre outras, mas a mídia é a única que atravessa todas as outras.
Fica claro, portanto, que uma sociedade será melhor ou pior dependendo dos equipamentos midiáticos nela inseridas. Se forem instituições jornalísticas sólidas e competentes, mais informação, dignidade, mais direitos humanos, mais cidadania, mais respeito, mais democracia.
Se forem corporações pautadas pelo lucro, ou seja, entidades não-jornalísticas, menos informação, menos dignidade, menos direitos humanos, menos cidadania, menos respeito, menos democracia.
É por isso que eu sempre digo aqui, neste modesto, porém Jornalístico espaço: as corporações de mídia precisam ser destruídas, para o bem da humanidade! Em seu lugar vamos construir instituições jornalísticas. Ponto.
Por Marcelo Salles.
Exemplo: eu posso passar uma semana no Complexo do Alemão com um lápis e um bloco de papel. Posso chegar até lá de ônibus. Posso bater o texto num computador barato.
Mesmo assim, se a publicação para onde escrevo for jornalística, vou ter mais condições de me aproximar da realidade do que uma matéria veiculada pelas corporações de mídia. Essas podem dispor de toda a grana do mundo, de carro com motorista, dos gravadores mais caros, das melhores rotativas, de alta tiragem e de toda a publicidade que o dinheiro pode comprar.
No entanto, se não forem instituições jornalísticas, elas dificilmente se aproximarão da realidade da favela, isso quando não a distorcem completamente.
Existem outros exemplos para além da questão da favela. É o caso dos venenos produzidos pelas Monsantos da vida, que nunca são denunciados pelas corporações de mídia.
Ou da retomada dos movimentos de libertação na América Latina, vistos como “ditatoriais”; a perseguição aos movimentos sociais e aos trabalhadores em geral; a eterna criminalização da política, de modo a manter as instituições públicas apequenadas frente ao poder privado. Enfim, você pode olhar sob qualquer ponto de vista que não vai enxergar Jornalismo.
Isso precisa ficar bem claro. Claro como a luz do dia. Pra que as corporações pareçam ridículas quando proclamarem delírios do tipo: “somos democráticas”, “únicas com capacidade de fazer jornalismo”, “imparciais” e por aí vai.
Fazer Jornalismo não tem esse mistério todo. Em síntese é você contar uma história. Essa história deve ter alguns critérios que justifiquem sua publicação. Alguns deles aprendemos nas faculdades e são válidos; outros são ensinados, mas devem ser vistos com cautela. E outros simplesmente ignorados. Mas, no fundo, o importante é ser fiel ao juramento do jornalista profissional:
“A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na sua luta por dignidade”.
Essa frase, quase uma declaração de amor, não é minimamente observada pelas corporações de mídia. Vejamos: elas não têm espírito de missão, não respeitam nada, nem as leis, estimulam o preconceito, discriminam setores inteiros da sociedade, violam os direitos humanos e não sabem o significado da palavra “dignidade”.
Mas por que o Jornalismo é tão importante para uma sociedade? Porque hoje, devido ao avanço tecnológico dos meios de comunicação – são praticamente onipresentes nas sociedades contemporâneas –, a mídia assume uma posição privilegiada no tocante à produção de subjetividades.
Ou seja, a mídia, mais do que outras instituições, adquire enorme poder de produzir e reproduzir modos de sentir, agir e viver. Claro que somos afetados por outras instituições poderosas, como Família, Escola, Forças Armadas, Igreja, entre outras, mas a mídia é a única que atravessa todas as outras.
Fica claro, portanto, que uma sociedade será melhor ou pior dependendo dos equipamentos midiáticos nela inseridas. Se forem instituições jornalísticas sólidas e competentes, mais informação, dignidade, mais direitos humanos, mais cidadania, mais respeito, mais democracia.
Se forem corporações pautadas pelo lucro, ou seja, entidades não-jornalísticas, menos informação, menos dignidade, menos direitos humanos, menos cidadania, menos respeito, menos democracia.
É por isso que eu sempre digo aqui, neste modesto, porém Jornalístico espaço: as corporações de mídia precisam ser destruídas, para o bem da humanidade! Em seu lugar vamos construir instituições jornalísticas. Ponto.
Por Marcelo Salles.
PEC 58/09 É SOLUÇÃO! DEVE ESTAR ACIMA DAS VAIDADES, DEM QUEM MEDE FORÇA PARA JUSTIFICAR SEUS ERROS.
O principio do direito é que a lei emana do povo. Leis são feitas para serem cumpridas pelo povo. As leis são os mecanismos para regular o comportamento em beneficio de toda a uma sociedade.
O Senado e a Câmara dos Deputados são as únicas casas com representatividade legais e constitucionais para alterar a Carta Magna do nosso País.
A Emenda Constitucional nº 58/09, também chamada PEC dos Vereadores vem recompor as cadeiras nas Câmaras Muncipais, fazendo justiça, beneficiando a população, através do fortalecimento da democracia e ampliando a sua representatividade, levando a política mais próxima da população.
O conceito de suplente: é aquele que suplementa, que participa junto com a pessoa efetiva na função de todo o trabalho, nesta mesma função.
É a pessoa que por seu cargo esta apta a completar quando necessário a função da pessoa efetiva. O suplente substitui ou complementa. Faço meu trabalho voluntário no meu município e quando luto pela regularização fundiária para os bairros carentes, pela moradia digna, mobilizo os pescadores, moradores que se conscientizam da sua função para a harmonia do homem no meio ambiente, quando negociamos com governos para o bom exercício das políticas publicas, seja municipal, estadual ou federal, acredito esta exercendo a minha função de suplente e substituindo muitas vezes aqueles que foram eleitos e não estão presentes, não estão envolvidos e muito menos tem compromisso com qualquer causa.
Quando o STF se ampara no conceito de que a lei não retroage, porem deve prevalecer o conceito de que a lei deve retroagir para beneficiar. A PEC 058/09 só tem a única finalidade de trazer diversos BENEFÍCIOS, ao País, corrigir uma distorção causada pelo próprio STF que em 2004 empobreceu a democracia, centralizou o poder e como se não bastasse, colocou nas mãos dos que foram eleitos verbas em abundância, indo contra os próprios preceitos econômicos de controle inflacionário, na lida com a escassez e responsabilidade nos gastos dos recursos.
A PEC 058/09 SÓ NÃO BENEFICIA AS ATUAIS CÂMARAS MUNICIPAIS QUE QUEREM CONTINUAR AS GASTANÇAS, FAVORECENDO CONTRATACOES DE MAIS ASSESSORES DE FORMA DESNECESSÁRIAS, O STF, A OAB, A PGR E O TSE, que por suposta vaidade de poder, de disputa, ou por não estarem habituados as mudanças para melhora, defendem a burguesacão da justiça, aquela que funciona para poucos. Para aqueles que acompanham, julgam, fiscalizam e que tem dinheiro para contratar um bom advogado.
A PEC 058/09 faz justiça aos suplentes que tiveram expressivas votações e não foram eleitos devido a decisões tomadas de súbitos. Beneficia também aqueles que competiram no Pleito Eleitoral sem cometer crimes, tiveram o voto consciente. É sabido que a disputa política tem a frente o poder econômico que influencia nos resultados e no principio da instituição democrática, tornando mais fracos aqueles que exercem a política com interesse coletivo.
Se o poder judiciário é blindado, o poder legislativo não pode ser centralizado, como a própria natureza, tudo deve estar em equilíbrio.
A reposição nas Câmaras Municipais não pode esperar, o povo não pode pagar por erros cometidos no passado que com urgência deverão ser corrigidos.
Mas com toda a minha crença, minha fé, na certeza da responsabilidade dos homens públicos deste país, tenho certeza da consciência e da contribuição de estarmos a frente do nosso tempo.
Portando, tudo vai se resolver na medida do possível. Creio no Estado Democrático e de Direito, na harmonia institucional entre os Poderes e seus representantes. Que os suplentes sejam empossados de imediato, recompondo as Câmaras Municipais de todo o Pais, somando para o bom funcionamento do legislativo mirim, beneficiando a maioria do povo brasileiro.
Gerson Florindo de Souza
Vice Presidente do PT de Ubatuba e futuro Vereador, juntamente com mais de 7 mil suplentes deste País.
gersonflorindo@gmail.com
O Senado e a Câmara dos Deputados são as únicas casas com representatividade legais e constitucionais para alterar a Carta Magna do nosso País.
A Emenda Constitucional nº 58/09, também chamada PEC dos Vereadores vem recompor as cadeiras nas Câmaras Muncipais, fazendo justiça, beneficiando a população, através do fortalecimento da democracia e ampliando a sua representatividade, levando a política mais próxima da população.
O conceito de suplente: é aquele que suplementa, que participa junto com a pessoa efetiva na função de todo o trabalho, nesta mesma função.
É a pessoa que por seu cargo esta apta a completar quando necessário a função da pessoa efetiva. O suplente substitui ou complementa. Faço meu trabalho voluntário no meu município e quando luto pela regularização fundiária para os bairros carentes, pela moradia digna, mobilizo os pescadores, moradores que se conscientizam da sua função para a harmonia do homem no meio ambiente, quando negociamos com governos para o bom exercício das políticas publicas, seja municipal, estadual ou federal, acredito esta exercendo a minha função de suplente e substituindo muitas vezes aqueles que foram eleitos e não estão presentes, não estão envolvidos e muito menos tem compromisso com qualquer causa.
Quando o STF se ampara no conceito de que a lei não retroage, porem deve prevalecer o conceito de que a lei deve retroagir para beneficiar. A PEC 058/09 só tem a única finalidade de trazer diversos BENEFÍCIOS, ao País, corrigir uma distorção causada pelo próprio STF que em 2004 empobreceu a democracia, centralizou o poder e como se não bastasse, colocou nas mãos dos que foram eleitos verbas em abundância, indo contra os próprios preceitos econômicos de controle inflacionário, na lida com a escassez e responsabilidade nos gastos dos recursos.
A PEC 058/09 SÓ NÃO BENEFICIA AS ATUAIS CÂMARAS MUNICIPAIS QUE QUEREM CONTINUAR AS GASTANÇAS, FAVORECENDO CONTRATACOES DE MAIS ASSESSORES DE FORMA DESNECESSÁRIAS, O STF, A OAB, A PGR E O TSE, que por suposta vaidade de poder, de disputa, ou por não estarem habituados as mudanças para melhora, defendem a burguesacão da justiça, aquela que funciona para poucos. Para aqueles que acompanham, julgam, fiscalizam e que tem dinheiro para contratar um bom advogado.
A PEC 058/09 faz justiça aos suplentes que tiveram expressivas votações e não foram eleitos devido a decisões tomadas de súbitos. Beneficia também aqueles que competiram no Pleito Eleitoral sem cometer crimes, tiveram o voto consciente. É sabido que a disputa política tem a frente o poder econômico que influencia nos resultados e no principio da instituição democrática, tornando mais fracos aqueles que exercem a política com interesse coletivo.
Se o poder judiciário é blindado, o poder legislativo não pode ser centralizado, como a própria natureza, tudo deve estar em equilíbrio.
A reposição nas Câmaras Municipais não pode esperar, o povo não pode pagar por erros cometidos no passado que com urgência deverão ser corrigidos.
Mas com toda a minha crença, minha fé, na certeza da responsabilidade dos homens públicos deste país, tenho certeza da consciência e da contribuição de estarmos a frente do nosso tempo.
Portando, tudo vai se resolver na medida do possível. Creio no Estado Democrático e de Direito, na harmonia institucional entre os Poderes e seus representantes. Que os suplentes sejam empossados de imediato, recompondo as Câmaras Municipais de todo o Pais, somando para o bom funcionamento do legislativo mirim, beneficiando a maioria do povo brasileiro.
Gerson Florindo de Souza
Vice Presidente do PT de Ubatuba e futuro Vereador, juntamente com mais de 7 mil suplentes deste País.
gersonflorindo@gmail.com
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Eduardo Guimarães: Dia das Crianças não existe
12 de Outubro de 2009 - 15h53
Todo 12 de outubro comemoramos o “dia das crianças”, um pretexto para o comércio ganhar dinheiro, pois nos limitamos a dar brinquedos aos nossos filhos em vez de agirmos para tirar da rota do desastre milhões de brasileirinhos que para lá caminham a cada dia que passam sem educação, sem acompanhamento de um adulto responsável, sem alimentação condigna, sem ensinamentos dos valores da civilização.
Por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania.com
No dia de hoje, enquanto crianças de certas classes sociais são mimadas com mais brinquedos – que, em poucos dias, serão empilhados em armários repletos de brinquedos de outros 12 de outubro –, milhões de outras crianças estão pelas ruas consumindo ou vendendo drogas, prostituindo-se, roubando.
Conheço o caso de um cidadão que durante anos passou de carro diariamente por um semáforo em que crianças esmolavam. Um dia, uma das que ali esmolavam, um garoto, tornou-se adolescente. Naquele mesmo semáforo em que esmolou desde pequeno, assaltou o homem que durante anos passou diariamente por ali ignorando-o ao subir o vidro do carro. O cidadão tentou fugir e foi morto a tiros.
Não é por caridade, apenas, que brado sempre neste blog por justiça social. É, também, por instinto de autopreservação. Sei que essas crianças abandonadas (apesar de muitas vezes viverem com pais indignos da paternidade, até por terem tido pais como eles mesmos) só poderão, com raras exceções, virem a se tornar ameaças à sociedade. E sei que qualquer um de nós poderá encontrar com uma delas num semáforo algum dia.
Por isso é que não compreendo que o dia das crianças não passe de um pretexto para vender brinquedos e estimular o turismo de feriado, quando deveria ser um dia de mobilização do país para discutir como acabar com essa catástrofe interminável, com esse show macabro a que assistimos todos os dias em cada esquina, onde seres ainda inocentes são corrompidos.
Um verdadeiro dia das crianças até poderia existir – e ainda estimulando o comércio – se déssemos às crianças de rua os brinquedos que damos aos nossos filhos, além de carinho, orientação e até apoio financeiro comunitário para aquela criança ter como estudar, nem que fosse em mutirão de cada condomínio, de cada rua ou até de cada família mais abastada.
Se cada família, da classe média para cima, “adotasse” financeira e afetivamente uma criança de rua, mudaríamos o futuro deste país. Mas nós, da classe média para cima, não saímos da retórica de exigir tudo do Estado enquanto sonegamos impostos e criticamos os programas sociais do governo, dizendo que são “esmolas”. E depois reclamamos quando uma dessas crianças cresce e nos assalta e até mata.
Tirar essas crianças das ruas, impedindo-as de se tornarem criminosos perigosos, não compete só ao governo. É uma decisão da sociedade. Essas crianças só estão nas ruas porque a sociedade brasileira não exige de si mesma mudar esse quadro. Toda iniciativa cidadã o brasileiro delega ao governo, contanto que ele mesmo, o cidadão, não tenha que contribuir de maneira nenhuma.
Não existe um dia das crianças.
Todo 12 de outubro comemoramos o “dia das crianças”, um pretexto para o comércio ganhar dinheiro, pois nos limitamos a dar brinquedos aos nossos filhos em vez de agirmos para tirar da rota do desastre milhões de brasileirinhos que para lá caminham a cada dia que passam sem educação, sem acompanhamento de um adulto responsável, sem alimentação condigna, sem ensinamentos dos valores da civilização.
Por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania.com
No dia de hoje, enquanto crianças de certas classes sociais são mimadas com mais brinquedos – que, em poucos dias, serão empilhados em armários repletos de brinquedos de outros 12 de outubro –, milhões de outras crianças estão pelas ruas consumindo ou vendendo drogas, prostituindo-se, roubando.
Conheço o caso de um cidadão que durante anos passou de carro diariamente por um semáforo em que crianças esmolavam. Um dia, uma das que ali esmolavam, um garoto, tornou-se adolescente. Naquele mesmo semáforo em que esmolou desde pequeno, assaltou o homem que durante anos passou diariamente por ali ignorando-o ao subir o vidro do carro. O cidadão tentou fugir e foi morto a tiros.
Não é por caridade, apenas, que brado sempre neste blog por justiça social. É, também, por instinto de autopreservação. Sei que essas crianças abandonadas (apesar de muitas vezes viverem com pais indignos da paternidade, até por terem tido pais como eles mesmos) só poderão, com raras exceções, virem a se tornar ameaças à sociedade. E sei que qualquer um de nós poderá encontrar com uma delas num semáforo algum dia.
Por isso é que não compreendo que o dia das crianças não passe de um pretexto para vender brinquedos e estimular o turismo de feriado, quando deveria ser um dia de mobilização do país para discutir como acabar com essa catástrofe interminável, com esse show macabro a que assistimos todos os dias em cada esquina, onde seres ainda inocentes são corrompidos.
Um verdadeiro dia das crianças até poderia existir – e ainda estimulando o comércio – se déssemos às crianças de rua os brinquedos que damos aos nossos filhos, além de carinho, orientação e até apoio financeiro comunitário para aquela criança ter como estudar, nem que fosse em mutirão de cada condomínio, de cada rua ou até de cada família mais abastada.
Se cada família, da classe média para cima, “adotasse” financeira e afetivamente uma criança de rua, mudaríamos o futuro deste país. Mas nós, da classe média para cima, não saímos da retórica de exigir tudo do Estado enquanto sonegamos impostos e criticamos os programas sociais do governo, dizendo que são “esmolas”. E depois reclamamos quando uma dessas crianças cresce e nos assalta e até mata.
Tirar essas crianças das ruas, impedindo-as de se tornarem criminosos perigosos, não compete só ao governo. É uma decisão da sociedade. Essas crianças só estão nas ruas porque a sociedade brasileira não exige de si mesma mudar esse quadro. Toda iniciativa cidadã o brasileiro delega ao governo, contanto que ele mesmo, o cidadão, não tenha que contribuir de maneira nenhuma.
Não existe um dia das crianças.
Frase da Semana
" As sociedades se movem pelo confronto de forças, não pelo bom senso e justiça. Temos de avançar e, a cada avanço, avançar mais, na tentativa de humanizar a Humanidade. Não existe porto seguro neste mundo, porque todos os portos estão em alto-mar e o nosso navio tem leme, não tem âncoras. Navegar é preciso, e viver ainda mais preciso é, porque navegar é viver, viver é navegar!".
Augusto Boal- Dramaturgo, escritor e criador do CTO-Rio ( Centro de Teatro do Oprimido no Rio de Janeiro). Falecido em 02/05/09, aos 78 anos.
Augusto Boal- Dramaturgo, escritor e criador do CTO-Rio ( Centro de Teatro do Oprimido no Rio de Janeiro). Falecido em 02/05/09, aos 78 anos.
Batalha da mídia na América Latina: confronto aberto na Argentina, jogo de bastidores no Brasil.
RAIZES DO BRASIL
É comum ouvir por aí que na História do Brasil não há espaço para revoluções, enfrentamentos, derramamento de sangue. Nosso povo teria uma “índole pacífica” – diziam os livros de Educação Moral e Cívica no fim dos anos 70 e início dos anos 80, quando eu tomei contato com o assunto nos bancos da escola.
A História do Brasil: construída sempre com muita delicadeza.
Trata-se de grossa mentira. Índole pacífica? Trezentos anos de Escravidão foram resultado de “índole pacífica”. O massacre de Canudos revela também nossa índole pacífica? E o Quilombo de Palmares? E tantas outras rebeliões ou revoluções populares – com a dos Alfaiates na Bahia, ou a de Pernambuco em 1817?
Parece-me evidente que a tese do “povo pacífico”, ou da “história sem revoluções”, cumpre um papel puramente ideológico: esconder os conflitos, jogar pra debaixo do tapete a energia reformista ou revolucionária de nosso povo.
Os conflitos existiram, e seguem existindo no Brasil. Isso é uma coisa. Outra coisa é reconhecer que a forma brasileira de enfrentar os conflitos é – quase sempre – dissimulada. Mais um exemplo: há um sujeito por aí que quer convencer os brasileiros de que “Não Somos Racistas”; ele acha que assim vai evitar debates sobre nossa triste herança escravista. Coitado...
De onde vem essa tradição de esconder o conflito? Imagino que de nossa colonização portuguesa. E, nesse caso é bom frisar: de nossa colonização “portuguesa”, e não ibérica. Portugueses e espanhóis, nesse ponto, são muito diferentes.
Portugal, um Estado pequeno, sempre às voltas com o risco de virar mais uma província espanhola, passou séculos tratando os conflitos com habilidade e dissimulação. O professor Fernando Novais, numa obra clássica – “Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial”-, dedica um capítulo inteiro a mostrar como a Coroa portuguesa jogava com interesses diversos para conseguir sobreviver como Estado independente: aproximava-se dos franceses para enfrentar espanhóis, depois aproximava-se dos ingleses para enfrentar franceses. E chegou ao cúmulo de mudar a sede do Império para o Brasil, em 1808, pra evitar o confronto com as tropas de Napoleão.
Os orgulhosos (e poderosos) espanhóis prefeririam morrer todos em combate do que fugir assim. Mas Portugal não podia se dar ao luxo do enfrentamento. Não tinha forças pra isso.
Esse é só um exemplo.
Essa tradição portuguesa, de alguma forma, se incorporou ao Estado brasileiro independente. Nossas elites preferem - sempre - levar os conflitos em banho-maria. É apenas uma tática. Não quer dizer que os conflitos sejam menos violentos. Quando necessário, usam a violência de forma aberta.
BATALHA DA MÍDIA NA AMÉRICA LATINA
Falo de tudo isso porque acabo de ler que mais um país vizinho, a Argentina, comprou briga com a mídia conservadora. Os argentinos aprovaram a nova Lei de Comunicações. Ela restringe o poder das grandes corporações de imprensa. Leia mais aqui – http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=117320&id_secao=6.
O jornalista Altamiro Borges tem um livro muito interessante ("A ditadura da mídia") em que mostra como – na América Latina – a mídia se transformou num partido político que formula e repercute as teses mais conservadoras. Altamiro retoma Antonio Gramsci (o notável pensador marxista italiano), que costumava dizer: quando os partidos conservadores entram em crise, a imprensa assume esse papel de partido político da burguesia.
É o tal PIG (Partido da Imprensa Golpista), que o Paulo Henrique Amorim popularizou.
Na América Latina isso é evidente: na Venezuela o confronto é permanente (TVs e jornais participaram do golpe contra Chavez em 2002), na Bolívia, os jornais conservadores tratam Evo Morales com desprezo e, em alguns casos, com indisfarçado racismo; no Equador, Rafael Correa enfrenta dilemas semelhantes.
Equador, Bolívia e Venezuela decidiram enfrentar o problema de frente. Na melhor tradição espanhola. Agora, os Kirchner fazem o mesmo na Argentina.
É pau a pau. Conflito aberto. Batalha campal.
Pois bem. E no Brasil?
No Brasil o conflito é tão (ou mais) grave. Até porque aqui o capitalismo é mais sofisticado. Aqui a batalha não se resume a jornais e TVs conservadores de um lado contra governo progressista de outro. Há as teles (que podem se aliar a governo contra a mídia tradicional). Há um Estado com força pra investir (Lula anuncia a disposição de botar estrutura estatal pra levar banda larga até os rincões mais pobres do país).
No Brasil, o jogo é mais sofisticado, mais sutil, mais dissimulado.
Lula come pelas beiradas. Pulverizou verba de publicidade, fortalecendo a mídia regional. Isso irritou a imprensa tradicional. Um articulista de jornal paulista passou recibo, e escreveu um texto revelador. Leiam aqui - http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/doi-no-bolso-bateu-o-desespero-na-turma-da-ditabranda.
Tudo isso está em jogo. Mas vejam agora que grande ironia: Lula (depois dos ataques sofridos durante a campanha de 2006) percebeu que precisava investir numa forte TV estatal. Criou a TV Brasil.
A imprensa conservadora detesta a TV Brasil. A “Folha” chegou a escrever editorial pedindo o fechamento da TV.
O que fez Lula? Foi pro confronto? Não. Mandou a TV Brasil encomendar à própria “Folha” uma pesquisa sobre a TV estatal.
É a típica saída brasileira. E qual a suprema ironia: o “DataFolha” acabou por atestar que a TV Brasil é querida pelo público, aprovada por 80% dos que assistem sua progamação.
Leiam mais sobre a pesquisa aqui - http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/tv-brasil-80-dos-que-assistem-aprovam-programacao/.
A TV Brasil tem muitas falhas. Problemas sérios de transmissão. Em São Paulo, é quase impossível captar a emissora, a não ser por TV a cabo... Mas trata-se de um projeto que precisa ser melhorado, e não destruído como quer o PIG.
Chavez, Correia, Evo e Cristina vão para o confronto. No melhor estilo espanhol. Lula é herdeiro da tradição luso-brasileira: come pelas beiradas, dissimula, e ataca sem dizer que está atacando.
São diferenças de estilo. Mas, lá como cá, a direção é a mesma: o consórcio conservador que dominou as comunicações no continente está sob ataque.
A batalha da mídia, hoje, é a mãe de todas as batalhas.
Por Rodrigo Vianna
É comum ouvir por aí que na História do Brasil não há espaço para revoluções, enfrentamentos, derramamento de sangue. Nosso povo teria uma “índole pacífica” – diziam os livros de Educação Moral e Cívica no fim dos anos 70 e início dos anos 80, quando eu tomei contato com o assunto nos bancos da escola.
A História do Brasil: construída sempre com muita delicadeza.
Trata-se de grossa mentira. Índole pacífica? Trezentos anos de Escravidão foram resultado de “índole pacífica”. O massacre de Canudos revela também nossa índole pacífica? E o Quilombo de Palmares? E tantas outras rebeliões ou revoluções populares – com a dos Alfaiates na Bahia, ou a de Pernambuco em 1817?
Parece-me evidente que a tese do “povo pacífico”, ou da “história sem revoluções”, cumpre um papel puramente ideológico: esconder os conflitos, jogar pra debaixo do tapete a energia reformista ou revolucionária de nosso povo.
Os conflitos existiram, e seguem existindo no Brasil. Isso é uma coisa. Outra coisa é reconhecer que a forma brasileira de enfrentar os conflitos é – quase sempre – dissimulada. Mais um exemplo: há um sujeito por aí que quer convencer os brasileiros de que “Não Somos Racistas”; ele acha que assim vai evitar debates sobre nossa triste herança escravista. Coitado...
De onde vem essa tradição de esconder o conflito? Imagino que de nossa colonização portuguesa. E, nesse caso é bom frisar: de nossa colonização “portuguesa”, e não ibérica. Portugueses e espanhóis, nesse ponto, são muito diferentes.
Portugal, um Estado pequeno, sempre às voltas com o risco de virar mais uma província espanhola, passou séculos tratando os conflitos com habilidade e dissimulação. O professor Fernando Novais, numa obra clássica – “Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial”-, dedica um capítulo inteiro a mostrar como a Coroa portuguesa jogava com interesses diversos para conseguir sobreviver como Estado independente: aproximava-se dos franceses para enfrentar espanhóis, depois aproximava-se dos ingleses para enfrentar franceses. E chegou ao cúmulo de mudar a sede do Império para o Brasil, em 1808, pra evitar o confronto com as tropas de Napoleão.
Os orgulhosos (e poderosos) espanhóis prefeririam morrer todos em combate do que fugir assim. Mas Portugal não podia se dar ao luxo do enfrentamento. Não tinha forças pra isso.
Esse é só um exemplo.
Essa tradição portuguesa, de alguma forma, se incorporou ao Estado brasileiro independente. Nossas elites preferem - sempre - levar os conflitos em banho-maria. É apenas uma tática. Não quer dizer que os conflitos sejam menos violentos. Quando necessário, usam a violência de forma aberta.
BATALHA DA MÍDIA NA AMÉRICA LATINA
Falo de tudo isso porque acabo de ler que mais um país vizinho, a Argentina, comprou briga com a mídia conservadora. Os argentinos aprovaram a nova Lei de Comunicações. Ela restringe o poder das grandes corporações de imprensa. Leia mais aqui – http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=117320&id_secao=6.
O jornalista Altamiro Borges tem um livro muito interessante ("A ditadura da mídia") em que mostra como – na América Latina – a mídia se transformou num partido político que formula e repercute as teses mais conservadoras. Altamiro retoma Antonio Gramsci (o notável pensador marxista italiano), que costumava dizer: quando os partidos conservadores entram em crise, a imprensa assume esse papel de partido político da burguesia.
É o tal PIG (Partido da Imprensa Golpista), que o Paulo Henrique Amorim popularizou.
Na América Latina isso é evidente: na Venezuela o confronto é permanente (TVs e jornais participaram do golpe contra Chavez em 2002), na Bolívia, os jornais conservadores tratam Evo Morales com desprezo e, em alguns casos, com indisfarçado racismo; no Equador, Rafael Correa enfrenta dilemas semelhantes.
Equador, Bolívia e Venezuela decidiram enfrentar o problema de frente. Na melhor tradição espanhola. Agora, os Kirchner fazem o mesmo na Argentina.
É pau a pau. Conflito aberto. Batalha campal.
Pois bem. E no Brasil?
No Brasil o conflito é tão (ou mais) grave. Até porque aqui o capitalismo é mais sofisticado. Aqui a batalha não se resume a jornais e TVs conservadores de um lado contra governo progressista de outro. Há as teles (que podem se aliar a governo contra a mídia tradicional). Há um Estado com força pra investir (Lula anuncia a disposição de botar estrutura estatal pra levar banda larga até os rincões mais pobres do país).
No Brasil, o jogo é mais sofisticado, mais sutil, mais dissimulado.
Lula come pelas beiradas. Pulverizou verba de publicidade, fortalecendo a mídia regional. Isso irritou a imprensa tradicional. Um articulista de jornal paulista passou recibo, e escreveu um texto revelador. Leiam aqui - http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/doi-no-bolso-bateu-o-desespero-na-turma-da-ditabranda.
Tudo isso está em jogo. Mas vejam agora que grande ironia: Lula (depois dos ataques sofridos durante a campanha de 2006) percebeu que precisava investir numa forte TV estatal. Criou a TV Brasil.
A imprensa conservadora detesta a TV Brasil. A “Folha” chegou a escrever editorial pedindo o fechamento da TV.
O que fez Lula? Foi pro confronto? Não. Mandou a TV Brasil encomendar à própria “Folha” uma pesquisa sobre a TV estatal.
É a típica saída brasileira. E qual a suprema ironia: o “DataFolha” acabou por atestar que a TV Brasil é querida pelo público, aprovada por 80% dos que assistem sua progamação.
Leiam mais sobre a pesquisa aqui - http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/tv-brasil-80-dos-que-assistem-aprovam-programacao/.
A TV Brasil tem muitas falhas. Problemas sérios de transmissão. Em São Paulo, é quase impossível captar a emissora, a não ser por TV a cabo... Mas trata-se de um projeto que precisa ser melhorado, e não destruído como quer o PIG.
Chavez, Correia, Evo e Cristina vão para o confronto. No melhor estilo espanhol. Lula é herdeiro da tradição luso-brasileira: come pelas beiradas, dissimula, e ataca sem dizer que está atacando.
São diferenças de estilo. Mas, lá como cá, a direção é a mesma: o consórcio conservador que dominou as comunicações no continente está sob ataque.
A batalha da mídia, hoje, é a mãe de todas as batalhas.
Por Rodrigo Vianna
As laranjas,os homens e os ratos
por Gilmar Mauro, no Brasil de Fato
Na região de Capivari, interior de São Paulo, quando alguém exagera, tem uma expressão que diz: "Pare de Show!"
É patético ver alguns senadores(as), deputados(as) e outros tantos "ilustres" se revezarem nos microfones em defesa das laranjas da Cutrale. Muitos destes, possivelmente, já foram beneficiados com os "sucos" da empresa para suas campanhas, ou estão de olho para obter "vitaminas" no próximo pleito. Mas nenhum deles levantou uma folha para denunciar o grande grilo do complexo Monções. As laranjas, e não poderia ser planta melhor, são a tentativa de justificar o grilo da Cutrale e de outras empresas daquela região. Passar por cima das laranjas é passar por cima do grilo e da corrupção que mantém esta
situação há tanto tempo.
Não é a primeira vez que ocupamos este latifúndio. Eu mesmo ajudei a fazer a primeira ocupação na região, em 1995, para denunciar o grilo e pedir ao Estado providências na arrecadação das terras para a Reforma Agrária. Passados quase 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos, mas a maioria das terras continua sob o domínio de grandes grupos econômicos. E mais, a Cutrale instalou-se lá há 4 ou 5 anos, sabendo que as terras eram griladas e, portanto, com claro interesse na regularização das terras a seu favor. Para tanto, plantou laranjas! Aliás, parece ter plantado um laranjal em parte do Congresso Nacional e nos meios de comunicação. O que não é nenhuma novidade!
Durante a nossa marcha Campinas-São Paulo, realizada em agosto, um acidente provocou a morte da companheira Maria Cícera, uma senhora que
estava acampada há 9 anos lutando para ter o seu pedaço de terra e morreu sem tê-la. Esta senhora estava acampada na região do grilo, mas nenhum dos ilustres defensores das laranjas pediu a palavra para denunciar a situação. Nenhum dos ilustres fez críticas para denunciar a inoperância do Executivo ou Judiciário, em arrecadar as terras que são da União para resolver o problema da Dona Cícera e das centenas de famílias que lutam por um pedaço de terra naquela região, e das outras milhares de pessoas no país.
Poucos no Congresso Nacional levantam a voz para garantir que sejam aplicadas as leis da Constituição que falam da Função Social da Terra:
a) Produzir na terra;
b) Respeitar a legislação ambiental e
c) Respeitar a legislação trabalhista.
Não preciso delongas para dizer que a Constituição de 1988 não foi cumprida. E muitos falam de Estado Democrático de Direito! Para quem?
Com certeza estes vêem o artigo que defende a propriedade a qualquer custo. Este Estado Democrático de Direito para alguns poucos é o Estado mantenedor da propriedade, da concentração de terras e riquezas, de repressão e criminalização para os movimentos sociais e para a maioria do povo.
Para aqueles que se sustentam na/da "pequena política", com microfones disponíveis em rede nacional, e acreditam que a história terminou, de fato, encontram nestes episódios a matéria prima para o gozo pessoal e, com isso, só explicitam a sua pobreza subjetiva. E para eles, é certo, a história terminou.
Mas para a grande maioria, que acredita que a história continua, que o melhor da história sequer começou, fazem da sua luta cotidiana espaço de debate e construção de uma sociedade mais justa. Acreditam ser possível dar função social à terra e a todos os recursos produzidos pela sociedade. Lutam para termos uma agricultura que produza alimentos saudáveis em benefício dos seres humanos sem devastação ambiental. Querem e, com certeza, terão um
mundo que planeje, sob outros paradigmas que não os do lucro e da mercadoria, a utilização das terras e dos recursos naturais para que as futuras gerações possam, melhor do que hoje, viver em harmonia com o meio ambiente e sem os graves problemas sociais.
A grande política exige grandes homens e mulheres, não os diminutos políticos - não no sentido do porte físico - da atualidade; a grande política exige grandes projetos e uma subjetividade rica - não no sentido material - que permita planejar o futuro plantando as sementes aqui e agora. Por mais otimista que sejamos, é pouco provável visualizar que "laranjas" possam fazer isso. Aliás, é nas crises, é nos conflitos que se diferencia homens de ratos, ou, laranjas de homens.
Nota do Aguinaldo: Quem comete crime é criminoso. Seja banqueiro, político, advogado, juiz ou sem-terra. Mas paro por aqui. E pergunto: Por que só os sem-terra são ao mesmo tempo punidos e demonizados????? A ação radical e violenta não pode ser entendida como resposta ao classismo absurdo que existe nesse país?
Na região de Capivari, interior de São Paulo, quando alguém exagera, tem uma expressão que diz: "Pare de Show!"
É patético ver alguns senadores(as), deputados(as) e outros tantos "ilustres" se revezarem nos microfones em defesa das laranjas da Cutrale. Muitos destes, possivelmente, já foram beneficiados com os "sucos" da empresa para suas campanhas, ou estão de olho para obter "vitaminas" no próximo pleito. Mas nenhum deles levantou uma folha para denunciar o grande grilo do complexo Monções. As laranjas, e não poderia ser planta melhor, são a tentativa de justificar o grilo da Cutrale e de outras empresas daquela região. Passar por cima das laranjas é passar por cima do grilo e da corrupção que mantém esta
situação há tanto tempo.
Não é a primeira vez que ocupamos este latifúndio. Eu mesmo ajudei a fazer a primeira ocupação na região, em 1995, para denunciar o grilo e pedir ao Estado providências na arrecadação das terras para a Reforma Agrária. Passados quase 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos, mas a maioria das terras continua sob o domínio de grandes grupos econômicos. E mais, a Cutrale instalou-se lá há 4 ou 5 anos, sabendo que as terras eram griladas e, portanto, com claro interesse na regularização das terras a seu favor. Para tanto, plantou laranjas! Aliás, parece ter plantado um laranjal em parte do Congresso Nacional e nos meios de comunicação. O que não é nenhuma novidade!
Durante a nossa marcha Campinas-São Paulo, realizada em agosto, um acidente provocou a morte da companheira Maria Cícera, uma senhora que
estava acampada há 9 anos lutando para ter o seu pedaço de terra e morreu sem tê-la. Esta senhora estava acampada na região do grilo, mas nenhum dos ilustres defensores das laranjas pediu a palavra para denunciar a situação. Nenhum dos ilustres fez críticas para denunciar a inoperância do Executivo ou Judiciário, em arrecadar as terras que são da União para resolver o problema da Dona Cícera e das centenas de famílias que lutam por um pedaço de terra naquela região, e das outras milhares de pessoas no país.
Poucos no Congresso Nacional levantam a voz para garantir que sejam aplicadas as leis da Constituição que falam da Função Social da Terra:
a) Produzir na terra;
b) Respeitar a legislação ambiental e
c) Respeitar a legislação trabalhista.
Não preciso delongas para dizer que a Constituição de 1988 não foi cumprida. E muitos falam de Estado Democrático de Direito! Para quem?
Com certeza estes vêem o artigo que defende a propriedade a qualquer custo. Este Estado Democrático de Direito para alguns poucos é o Estado mantenedor da propriedade, da concentração de terras e riquezas, de repressão e criminalização para os movimentos sociais e para a maioria do povo.
Para aqueles que se sustentam na/da "pequena política", com microfones disponíveis em rede nacional, e acreditam que a história terminou, de fato, encontram nestes episódios a matéria prima para o gozo pessoal e, com isso, só explicitam a sua pobreza subjetiva. E para eles, é certo, a história terminou.
Mas para a grande maioria, que acredita que a história continua, que o melhor da história sequer começou, fazem da sua luta cotidiana espaço de debate e construção de uma sociedade mais justa. Acreditam ser possível dar função social à terra e a todos os recursos produzidos pela sociedade. Lutam para termos uma agricultura que produza alimentos saudáveis em benefício dos seres humanos sem devastação ambiental. Querem e, com certeza, terão um
mundo que planeje, sob outros paradigmas que não os do lucro e da mercadoria, a utilização das terras e dos recursos naturais para que as futuras gerações possam, melhor do que hoje, viver em harmonia com o meio ambiente e sem os graves problemas sociais.
A grande política exige grandes homens e mulheres, não os diminutos políticos - não no sentido do porte físico - da atualidade; a grande política exige grandes projetos e uma subjetividade rica - não no sentido material - que permita planejar o futuro plantando as sementes aqui e agora. Por mais otimista que sejamos, é pouco provável visualizar que "laranjas" possam fazer isso. Aliás, é nas crises, é nos conflitos que se diferencia homens de ratos, ou, laranjas de homens.
Nota do Aguinaldo: Quem comete crime é criminoso. Seja banqueiro, político, advogado, juiz ou sem-terra. Mas paro por aqui. E pergunto: Por que só os sem-terra são ao mesmo tempo punidos e demonizados????? A ação radical e violenta não pode ser entendida como resposta ao classismo absurdo que existe nesse país?
Coluna do Rui Alves Grilo.
REFLEXÕES SOBRE A COMUNICAÇÃO
A Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) definiu três eixos temáticos: “Produção de Conteúdo”, “Meios de Distribuição” e “Cidadania: Direitos e Deveres”. Um quarto eixo – Controle Social da Comunicação - foi rejeitado devido à pressão dos empresários, mas deverá perpassar todas as discussões devido à alta concentração dos meios de comunicação na mão de poucos, fato que dá margem à manipulação das notícias, impedindo o acesso à variadas opiniões e versões dos acontecimentos.
Essa situação é agravada pelo fato de grande parte da população ter acesso às informações apenas pela tv ou pelo rádio. Poucos lêem jornais ou revistas e estes, quase sempre reproduzem as informações veiculadas pelos primeiros, pois fazem parte dos mesmos grupos econômicos, políticos e sociais. Aos poucos, a internet vai quebrando esse monopólio, mas ainda não é acessível a todos.
Vejamos um fato recente. Quase todos os meios de comunicação repetiram a mesma versão sobre a invasão do MST à fazenda da Cutrale, apresentando seus membros como bandidos. Somente depois, é que ficamos sabendo que a área tinha sido grilada pela empresa e que existe uma ação pública de reintegração. Por que esse fato não havia aparecido antes e com o mesmo destaque?
Não é estranho que a repetição intensa da notícia se dê no mesmo momento em que uma tentativa de instalação de uma CPI para investigar os repasses de recursos públicos a entidades ligadas ao Movimento tivesse fracassado pela retirada de assinaturas de alguns parlamentares depois da entrega de um manifesto de apoio ao MST com a assinatura de mais de 4.000 personalidades ?
Não é estranho que a grande imprensa não dê destaque às ações positivas do MST, colaborando para o avanço tecnológico da agricultura familiar, dando condições de sustentabilidade e de maior produtividade ?
Não é estranho que ela não divulgue com a mesma ênfase o fato de que o censo agropecuário de 2006 aponte que a agricultura familiar é o setor mais produtivo, que gera mais empregos e coloca alimentos mais saudáveis na mesa da população brasileira ? E que apesar de ocupar apenas um quarto (24,3%) da área cultivada, responde por 38% da produção, 70% da produção de feijão, 87% da mandioca, 58% do leite e 46% do milho, produtos de largo consumo alimentar ?
Podemos não concordar com a estratégia para chamar a atenção para o descaso com a reforma agrária e com a crescente concentração de terras nas mãos do agronegócio e que pode se voltar contra o movimento, mas a existência de formas alternativas de comunicação trouxe a baila que a suposta vítima (a Cutrale) não era tão inocente assim. Ficou bastante claro que a grande mídia já optou a quem quer defender e não quer mostrar o outro lado da notícia.
Quando aparece um outro enfoque da questão , é porque alguém, com destaque na sociedade, mas que não tem o rabo preso com os grandes grupos econômicos, assume a defesa do movimento. No entanto, quase sempre, não é apresentado com o mesmo destaque, como é o caso dos dados acima publicados na página A-3 da Folha de São Paulo de 11/10/09.
Portanto, as discussões da Conferência Nacional de Comunicação prometem ser acirradas. Precisamos acompanhar.
Rui Grilo – ragrilo@terra.com.br
A Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) definiu três eixos temáticos: “Produção de Conteúdo”, “Meios de Distribuição” e “Cidadania: Direitos e Deveres”. Um quarto eixo – Controle Social da Comunicação - foi rejeitado devido à pressão dos empresários, mas deverá perpassar todas as discussões devido à alta concentração dos meios de comunicação na mão de poucos, fato que dá margem à manipulação das notícias, impedindo o acesso à variadas opiniões e versões dos acontecimentos.
Essa situação é agravada pelo fato de grande parte da população ter acesso às informações apenas pela tv ou pelo rádio. Poucos lêem jornais ou revistas e estes, quase sempre reproduzem as informações veiculadas pelos primeiros, pois fazem parte dos mesmos grupos econômicos, políticos e sociais. Aos poucos, a internet vai quebrando esse monopólio, mas ainda não é acessível a todos.
Vejamos um fato recente. Quase todos os meios de comunicação repetiram a mesma versão sobre a invasão do MST à fazenda da Cutrale, apresentando seus membros como bandidos. Somente depois, é que ficamos sabendo que a área tinha sido grilada pela empresa e que existe uma ação pública de reintegração. Por que esse fato não havia aparecido antes e com o mesmo destaque?
Não é estranho que a repetição intensa da notícia se dê no mesmo momento em que uma tentativa de instalação de uma CPI para investigar os repasses de recursos públicos a entidades ligadas ao Movimento tivesse fracassado pela retirada de assinaturas de alguns parlamentares depois da entrega de um manifesto de apoio ao MST com a assinatura de mais de 4.000 personalidades ?
Não é estranho que a grande imprensa não dê destaque às ações positivas do MST, colaborando para o avanço tecnológico da agricultura familiar, dando condições de sustentabilidade e de maior produtividade ?
Não é estranho que ela não divulgue com a mesma ênfase o fato de que o censo agropecuário de 2006 aponte que a agricultura familiar é o setor mais produtivo, que gera mais empregos e coloca alimentos mais saudáveis na mesa da população brasileira ? E que apesar de ocupar apenas um quarto (24,3%) da área cultivada, responde por 38% da produção, 70% da produção de feijão, 87% da mandioca, 58% do leite e 46% do milho, produtos de largo consumo alimentar ?
Podemos não concordar com a estratégia para chamar a atenção para o descaso com a reforma agrária e com a crescente concentração de terras nas mãos do agronegócio e que pode se voltar contra o movimento, mas a existência de formas alternativas de comunicação trouxe a baila que a suposta vítima (a Cutrale) não era tão inocente assim. Ficou bastante claro que a grande mídia já optou a quem quer defender e não quer mostrar o outro lado da notícia.
Quando aparece um outro enfoque da questão , é porque alguém, com destaque na sociedade, mas que não tem o rabo preso com os grandes grupos econômicos, assume a defesa do movimento. No entanto, quase sempre, não é apresentado com o mesmo destaque, como é o caso dos dados acima publicados na página A-3 da Folha de São Paulo de 11/10/09.
Portanto, as discussões da Conferência Nacional de Comunicação prometem ser acirradas. Precisamos acompanhar.
Rui Grilo – ragrilo@terra.com.br
São Paulo ainda não percebeu que a locomotiva mudou de lugar- é o MPI
Quinze anos de governos tucanos medíocres.
Três anos de um governo estadual que se notabiliza por mandar vender banana a quilo.
Cinco anos de sucateamento da infra-estrutura da maior cidade do país.
Oito anos de atraso no Governo do Farol de Alexandria.
Sete anos sem botar a mão no Governo Federal.
Sete anos de intervenção do Governo Federal na economia, no Nordeste e na ascensão da classe média.
Aceleração da irrelevância do PiG (*) paulista.
Todas essas reflexões surgiram com a descoberta sensacional do PiG(*) de São Paulo: Eike Batista existe.
A Folha (**) e o Estadão publicam hoje copiosas entrevistas com um minerador que, por enquanto, foi capaz de vender espuma.
Mas Eike diz uma coisa interessante: diz que os investimentos dele tem a função de provocar MPI: ou seja, Matar Paulista de Inveja.
São Paulo ainda não se deu conta de que a locomotiva mudou de lugar.
Foi para muitos lugares.
Acompanhe, amigo navegante, o novo trajeto que a locomotiva faz, fora de São Paulo:
A Petrobrás e o pré-sal.
A construção de sondas, navios, plataformas.
A nova petroquímica, induzida pela Petrobrás e com a Odebrecht (da Bahia) na liderança.
A nova Vale, já que Roger Agnelli e sua diretoria tucana tem tanta chance de ficar quanto o Ronaldo de voltar à seleção.
A ação agressiva dos bancos públicos, que pegaram os bancos privados paulistas atolados na poça da crise criada pela urubóloga Miriam Leitão.
A pressão do Santander, fora do nicho bancário tradicional.
A ação do carioca André Esteves, que deve desempenhar papel fundamental no crescimento das empresas brasileiras através da Bolsa.
As obras do PAC, que levam investimentos maciços em infra-estrutura, de variadas características, para fora de São Paulo, inclusive ao Norte.
O agronegócio, que se expande em Santa Catarina, com a Brasil Foods e, em Goiás, com a Friboi.
A explosão dos Mato Grosso, Goiás, Tocantins.
A expansão acelerada do Nordeste – já é o segundo maior mercado consumidor do país, na frente do Sul -, movida a emprego, salário mínimo com aumento real, e Bolsa Família.
Leia no Estadão, na pág. B8, “Nordeste cresceu quando o país parou”
A banqueirização dos pobres, que passaram a ir ao banco para se endividar e comprar.
A revolução na indústria imobiliária, que vai vender imóveis de 50m2 à nova classe média.
E isso terá que se dar, em boa parte, fora da cidade de São Paulo, porque São Paulo não tem infra-estrutura, não tem metrô, escola nem hospital para abrigar mais moradias longe do local de trabalho.
A Copa do Mundo sem São Paulo, porque o estado mais rico da Federação não conseguiu construir um estádio de futebol que preste.
A Olimpíada do Rio, que, como diz o Independent, da Inglaterra, é o “icing on the cake”, é a sopa no mel de uma sequência de investimentos federais para recuperar o Rio.
Um dia, os paulistas vão acordar e se perguntar: meu, cadê a locomotiva que estava aqui ?
E vão esperar o iFHC, o Instituto do Farol de Alexandria produzir uma monografia, com prefácio do “economista competente”, para botar a culpa na Marta.
Ninguém manda ter 15 anos de coronelismo tucano.
Paulo Henrique Amorim
Três anos de um governo estadual que se notabiliza por mandar vender banana a quilo.
Cinco anos de sucateamento da infra-estrutura da maior cidade do país.
Oito anos de atraso no Governo do Farol de Alexandria.
Sete anos sem botar a mão no Governo Federal.
Sete anos de intervenção do Governo Federal na economia, no Nordeste e na ascensão da classe média.
Aceleração da irrelevância do PiG (*) paulista.
Todas essas reflexões surgiram com a descoberta sensacional do PiG(*) de São Paulo: Eike Batista existe.
A Folha (**) e o Estadão publicam hoje copiosas entrevistas com um minerador que, por enquanto, foi capaz de vender espuma.
Mas Eike diz uma coisa interessante: diz que os investimentos dele tem a função de provocar MPI: ou seja, Matar Paulista de Inveja.
São Paulo ainda não se deu conta de que a locomotiva mudou de lugar.
Foi para muitos lugares.
Acompanhe, amigo navegante, o novo trajeto que a locomotiva faz, fora de São Paulo:
A Petrobrás e o pré-sal.
A construção de sondas, navios, plataformas.
A nova petroquímica, induzida pela Petrobrás e com a Odebrecht (da Bahia) na liderança.
A nova Vale, já que Roger Agnelli e sua diretoria tucana tem tanta chance de ficar quanto o Ronaldo de voltar à seleção.
A ação agressiva dos bancos públicos, que pegaram os bancos privados paulistas atolados na poça da crise criada pela urubóloga Miriam Leitão.
A pressão do Santander, fora do nicho bancário tradicional.
A ação do carioca André Esteves, que deve desempenhar papel fundamental no crescimento das empresas brasileiras através da Bolsa.
As obras do PAC, que levam investimentos maciços em infra-estrutura, de variadas características, para fora de São Paulo, inclusive ao Norte.
O agronegócio, que se expande em Santa Catarina, com a Brasil Foods e, em Goiás, com a Friboi.
A explosão dos Mato Grosso, Goiás, Tocantins.
A expansão acelerada do Nordeste – já é o segundo maior mercado consumidor do país, na frente do Sul -, movida a emprego, salário mínimo com aumento real, e Bolsa Família.
Leia no Estadão, na pág. B8, “Nordeste cresceu quando o país parou”
A banqueirização dos pobres, que passaram a ir ao banco para se endividar e comprar.
A revolução na indústria imobiliária, que vai vender imóveis de 50m2 à nova classe média.
E isso terá que se dar, em boa parte, fora da cidade de São Paulo, porque São Paulo não tem infra-estrutura, não tem metrô, escola nem hospital para abrigar mais moradias longe do local de trabalho.
A Copa do Mundo sem São Paulo, porque o estado mais rico da Federação não conseguiu construir um estádio de futebol que preste.
A Olimpíada do Rio, que, como diz o Independent, da Inglaterra, é o “icing on the cake”, é a sopa no mel de uma sequência de investimentos federais para recuperar o Rio.
Um dia, os paulistas vão acordar e se perguntar: meu, cadê a locomotiva que estava aqui ?
E vão esperar o iFHC, o Instituto do Farol de Alexandria produzir uma monografia, com prefácio do “economista competente”, para botar a culpa na Marta.
Ninguém manda ter 15 anos de coronelismo tucano.
Paulo Henrique Amorim
domingo, 11 de outubro de 2009
Fernando Carvalho: Aplique-se a lei 8.666 ao Grupo Folha
ENEM: aplique-se a Lei 8666/93 ao Grupo Folha
No âmbito do direito cível e do administrativo, a gráfica Plural, que pertence ao grupo Folha de São Paulo, foi contratada por meio de licitação pública. Ou seja, comprometeu-se a cumprir todas as exigências do edital, pelo menor preço. E uma dessas exigências era o sigilo e a confidencialidade do trabalho, que era a impressão de provas de um concurso. E a essa exigência, evidente e notoriamente o grupo não cumpriu.
Fernando Carvalho, na Carta Maior
O roubo das provas do ENEM está sendo apurado pela Polícia Federal.
Três empregados da gráfica Plural já estão presos e confessaram terem participado da ação.
Um deles, disse que roubou para denunciar a falta de segurança.
Os outros dois disseram que era para “fazer um dinheirinho”.
No âmbito do direito cível e do administrativo, a gráfica, que pertence ao grupo Folha de São Paulo, de propriedade do senhor Otávio Frias, aquele que diz que eleições no Brasil não valem nada, foi contratada por meio de licitação pública.
Ou seja, comprometeu-se a cumprir todas as exigências do edital, pelo menor preço. E uma dessas exigências era o sigilo e a confidencialidade do trabalho, que era a impressão de provas de um concurso. E a essa exigência, evidente e notoriamente o grupo não cumpriu.
O prejuízo para milhões de jovens foi incalculável, pois todo o “stress” que é natural na preparação do aluno, terá que ser repetido.
O prejuízo financeiro para o governo, para imprimir novas provas, será de 34 milhões de reais.
Mas o prejuízo maior, aquele que foi causado pela quebra do sigilo, atinge ao próprio sistema educacional brasileiro, pois transmite a impressão de que exista falta de organização, de segurança e de confiabilidade no sistema do ENEM.
Consultando a Lei de Licitações, de numero 8666/93, verifica-se em seu artigo 87, na Seção II, “Das Sanções Administrativas”:
Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes sanções:
I - advertência;
II - multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato;
III - suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de
contratar com a Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos;
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, que será concedida sempre que o contratado ressarcir a Administração pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso anterior.
Nada mais normal e justo para com todos os outros fornecedores, que cumprem em dia com todas as suas obrigações, que em obediência à lei, o Grupo Folha de São Paulo seja proibido de prestar serviços para qualquer entidade da administração pública pelo prazo de dois anos.
Garantindo-se, é claro, o direito de defesa da Folha de São Paulo de tentar convencer os juízes e magistrados e principalmente à sociedade e principalmente aos estudantes e seus pais de que não foi de dentro de sua gráfica que as provas vazaram.
Afinal, não é porque seja de propriedade de um jornal de oposição ao governo federal que a Folha de São Paulo deveria ser poupada da punição legal. Uma punição administrativa prevista em lei, para fato tão bem caracterizado, nunca poderia ser tomada como “perseguição política” ou tentativa de calar a imprensa que faz oposição ao governo.
Transigir nessa hora seria contrariar a lei e os direitos de todos os demais fornecedores, inclusive de material didático, que cumprem cabalmente seus contratos e não permitem que esse tipo de incidente ocorra.
Com a palavra o Ministério da Educação e a Polícia Federal.
As famílias dos jovens fraudados em suas esperanças esperam que ambos os órgãos cumpram o seu dever, apurando com isenção e sem interferência da política, o ocorrido.
E punindo, na forma da Lei, não apenas aos autores materiais desse crime, mas aos seus autores intelectuais, se existirem e aos que possuem responsabilidades objetivas no caso, por força de contrato firmado com a Administração Federal.
Simples assim.
Nota do Aguinaldo: O TCU tão zeloso dos contratos do governo deveria se manifestar agora 'SUGERINDO", como sempre faz, que o governo entre na justiça contra o excelente consórcio capitaneado pelo excelente meio de comunicação FOLHA. Cadê o Clóvis Rossi, o Dimestein, a Cantanhede, o Mainardi, o Reinaldo Azevedo....
No âmbito do direito cível e do administrativo, a gráfica Plural, que pertence ao grupo Folha de São Paulo, foi contratada por meio de licitação pública. Ou seja, comprometeu-se a cumprir todas as exigências do edital, pelo menor preço. E uma dessas exigências era o sigilo e a confidencialidade do trabalho, que era a impressão de provas de um concurso. E a essa exigência, evidente e notoriamente o grupo não cumpriu.
Fernando Carvalho, na Carta Maior
O roubo das provas do ENEM está sendo apurado pela Polícia Federal.
Três empregados da gráfica Plural já estão presos e confessaram terem participado da ação.
Um deles, disse que roubou para denunciar a falta de segurança.
Os outros dois disseram que era para “fazer um dinheirinho”.
No âmbito do direito cível e do administrativo, a gráfica, que pertence ao grupo Folha de São Paulo, de propriedade do senhor Otávio Frias, aquele que diz que eleições no Brasil não valem nada, foi contratada por meio de licitação pública.
Ou seja, comprometeu-se a cumprir todas as exigências do edital, pelo menor preço. E uma dessas exigências era o sigilo e a confidencialidade do trabalho, que era a impressão de provas de um concurso. E a essa exigência, evidente e notoriamente o grupo não cumpriu.
O prejuízo para milhões de jovens foi incalculável, pois todo o “stress” que é natural na preparação do aluno, terá que ser repetido.
O prejuízo financeiro para o governo, para imprimir novas provas, será de 34 milhões de reais.
Mas o prejuízo maior, aquele que foi causado pela quebra do sigilo, atinge ao próprio sistema educacional brasileiro, pois transmite a impressão de que exista falta de organização, de segurança e de confiabilidade no sistema do ENEM.
Consultando a Lei de Licitações, de numero 8666/93, verifica-se em seu artigo 87, na Seção II, “Das Sanções Administrativas”:
Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes sanções:
I - advertência;
II - multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato;
III - suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de
contratar com a Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos;
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, que será concedida sempre que o contratado ressarcir a Administração pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no inciso anterior.
Nada mais normal e justo para com todos os outros fornecedores, que cumprem em dia com todas as suas obrigações, que em obediência à lei, o Grupo Folha de São Paulo seja proibido de prestar serviços para qualquer entidade da administração pública pelo prazo de dois anos.
Garantindo-se, é claro, o direito de defesa da Folha de São Paulo de tentar convencer os juízes e magistrados e principalmente à sociedade e principalmente aos estudantes e seus pais de que não foi de dentro de sua gráfica que as provas vazaram.
Afinal, não é porque seja de propriedade de um jornal de oposição ao governo federal que a Folha de São Paulo deveria ser poupada da punição legal. Uma punição administrativa prevista em lei, para fato tão bem caracterizado, nunca poderia ser tomada como “perseguição política” ou tentativa de calar a imprensa que faz oposição ao governo.
Transigir nessa hora seria contrariar a lei e os direitos de todos os demais fornecedores, inclusive de material didático, que cumprem cabalmente seus contratos e não permitem que esse tipo de incidente ocorra.
Com a palavra o Ministério da Educação e a Polícia Federal.
As famílias dos jovens fraudados em suas esperanças esperam que ambos os órgãos cumpram o seu dever, apurando com isenção e sem interferência da política, o ocorrido.
E punindo, na forma da Lei, não apenas aos autores materiais desse crime, mas aos seus autores intelectuais, se existirem e aos que possuem responsabilidades objetivas no caso, por força de contrato firmado com a Administração Federal.
Simples assim.
Nota do Aguinaldo: O TCU tão zeloso dos contratos do governo deveria se manifestar agora 'SUGERINDO", como sempre faz, que o governo entre na justiça contra o excelente consórcio capitaneado pelo excelente meio de comunicação FOLHA. Cadê o Clóvis Rossi, o Dimestein, a Cantanhede, o Mainardi, o Reinaldo Azevedo....
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