domingo, 22 de junho de 2014

Uma eleição barra-pesada


O PT torna oficial a candidatura da presidenta Dilma à reeleição.
Lula será o seu maior cabo eleitoral.
Falhou a tentativa da oposição de dividir o partido quando lançou o "volta, Lula", à revelia do personagem.
As últimas pesquisas sobre a eleição - se elas têm alguma validade neste momento -, mostram Dilma acomodada em torno de 40% das intenções de voto, mais que o dobro de seus dois adversários de verdade, Aécio e Campos - os outros, nanicos, entram no páreo apenas como força-tarefa da oposição, na tentativa de forçar um segundo turno.
Os petistas, porém, sabem que esta será a mais difícil eleição que vão enfrentar.
O outro lado - a turma do contra, a oligarquia brasileira, a Casa Grande que não suporta ver a Senzala se esvaziar - sabem os trabalhistas, vai fazer tudo, mas tudo, mesmo, para impedir um outro mandato de Dilma.
Nesse tudo estão incluídos, óbvio, campanhas difamatórias, falsificação de notícias, "escândalos" forjados, a atuação da Justiça Eleitoral, "protestos" de rua etc e tal.
A tropa que se formou contra o governo é poderosíssima. Conta com 99% dos empresários, 100% dos banqueiros, praticamente toda e imprensa (jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão), a totalidade do agronegócio. 
É uma força e tanto que se juntou na esperança de ver o Brasil regredir aos bons tempos em que essa tão propalada "elite" não era incomodada pelos seus serviçais - naquele tempo, cada um sabia qual era o seu lugar, não é como hoje, quando nordestinos, pretos, pardos, moradores em favelas e periferias, ingressam em universidades, viajam de avião, passam férias fora de suas habitações, invadem os shopping centers, compram roupas de grife, vão de carro próprio comer em restaurantes, abrem seus próprios negócios, trocam de emprego para ganhar mais, financiam imóveis com juros baixíssimos, ascendem social e economicamente.
Os dois principais adversários de Dilma já perderam o pudor e dizem abertamente porque estão na corrida presidencial: o discurso da moralidade administrativa é a mais manjada cortina de fumaça que existe para encobrir o desejo de manter os privilégios de classe, de exterminar qualquer tentativa de construir um país menos injusto.
As recentes manifestações de endinheirados, babando de ódio contra Dilma, Lula e companhia, devem ser entendidas como nada mais, nada menos que a revelação da alma dessas pessoas, às quais faltam valores fundamentais de quem se considera um ser humano.
No, http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2014/06/uma-eleicao-barra-pesada.html#more

“Mau Dia Brasil” e “O Globo”: oposição de direita e pensamento único

"O "Mau Dia Brasil" e "O Globo" não têm jeito. É o DNA da família Marinho, aquela que vai lucrar R 1,5 bilhão com a Copa do Mundo e ainda tem a desfaçatez de elaborar "matérias" premeditadas como se fossem notícias baseadas em fatos reais

Davis Sena Filho, Brasil 247

A verdade é que o nome do "Bom Dia Brasil", da Rede Globo, deveria ser "Mau Dia Brasil". E explico: mesmo em tempos de Copa do Mundo, as "Organizações(?) Globo" continuam firmes e fortes em seu périplo oposicionista e de direita, a se aproveitar de uma concessão pública para fazer política contra o mundial que os beneficia, pois estima-se que tais organizações(?) vão lucrar R$ 1,5 bilhão, valores assombrosos e que fazem com que uma empresa privada se torne ousada ao ponto de se considerar poderosa para confrontar, de uma maneira sórdida e autoritária, o Governo Trabalhista como se fosse um estado dentro do estado legal.

Trata-se de um confronto diário, ano após ano, desde que os trabalhistas conquistaram o poder, em 2003, por intermédio do voto, o que não acontecia desde 1960 quando o presidente conservador, Jânio Quadros, renunciou à Presidência, que foi legalmente e constitucionalmente ocupada pelo trabalhista João Goulart, presidente deposto em 1964 por um golpe civil-militar, com o apoio dos Estados Unidos e de brasileiros inquilinos da Casa Grande, que, traidores de sua Pátria, juntaram-se a estrangeiros para golpear um presidente eleito constitucionalmente pelos cidadãos e eleitores do Brasil.

O objetivo de tal infâmia era impedir a efetivação das Reformas de Base, que, indubitavelmente, beneficiariam e facilitariam o desenvolvimento social e econômico do povo brasileiro, ou seja, propiciariam a sua emancipação. Como a Casa Grande vive das migalhas do sistema de capitais imposto pelos países ricos ao mundo, a "elite" brasileira, herdeira de um sistema escravocrata de quase 400 anos, não vacila em conspirar contra políticos de esquerda, que, no poder, apresentam e efetivam propostas de distribuição de renda e riqueza, bem como buscam fazer com que o Brasil se torne dono de seu destino, escolha o caminho do desenvolvimento e se livre dos bridões e cabrestos de países colonialistas e imperialistas, que, por meio de força bélica e econômica, impedem que as nações menos desenvolvidas se tornem independentes.

Para manter tal sistema intacto, a direita conta com os meios de comunicação privados e controlados geralmente por famílias bilionárias, que freqüentam o pico da pirâmide social em escala planetária e forjam todo tipo de manipulação e mentiras, porque a finalidade é atrair apoio de parcelas das populações, a exemplo das classes médias tradicionais e dos ricos, castas sociais que se consideram de "elite" e por causa disso disseminam ou repercutem os valores morais, os princípios sociais e a ideologia conservadora dos bilionários e de governos de países que controlam os sistemas de capitais.

Realidades que me impressionam, pois essa gente não percebe que o capitalismo é roubo, e legalizado por um Congresso e um Judiciário burgueses, que se aproveitam de leis, normas, regras, regulamentos e estatutos criados e elaborados por essas instituições para que os executivos municipais, estaduais e federal utilizem as Forças Armadas, as Guardas Municipais e as Polícias Civil, Militar e Federal como títeres ou guardas pretorianas, que mantêm à força um sistema de exploração entre os homens e as sociedades, que edifica e fomenta a miséria material e moral, a injustiça social e do Direito, as desigualdades, as diferenças, os preconceitos e a intolerância, que são os combustíveis da violência em todas suas faces e propósitos. Ponto!
Porém, com a finalidade de se manter as amarras, os grilhões do establishment e os privilégios para que a minoria continue, indefinidamente, a usufruir do status quo, torna-se necessário, sobretudo, fazer propaganda diuturnamente do sistema draconiano, que privilegia as castas sociais dominantes, beneficiadas com o que está estabelecido há séculos pelos os que têm dinheiro e armas. As palavras revolução e resistência lhes causam angústias e iras e são sempre primeiramente combatidas pela mídia de negócios privados, que necessita do apoio da pequena burguesia (classe média) para suas causas, como os seres precisam de oxigênio para viver.

Sem titubear, o "Mau Dia Brasil" e "O Globo" veicularam e publicaram hoje "matérias" propositalmente direcionadas, ao ponto de um leitor ou telespectador mais atento ou menos ingênuo ou manipulável observar que se trata de reportagens nada espontâneas, como também o são os fatos noticiosos repercutidos. Tais realidades acontecem por intermédio de acontecimentos não elaborados pelas mídias de mercado, que há mais de uma década abandonaram o jornalismo e se transformaram em partidos políticos, que têm lado, cor ideológica e, o que é intolerável e descabido, fazer da notícia um teatro para que se possa desqualificar e desconstruir a imagem de governos e de políticos, bem como transformar a política em algo sujo, descartável e não necessário para o desenvolvimento da sociedade.

A verdade é que as grandes corporações midiáticas privadas apostam no desgaste dos políticos e na ideia de que a sociedade pode funcionar sem a política, que, indelevelmente, é a única forma de a humanidade dialogar, negociar as diferenças, as desigualdades e dar limites aos inúmeros interesses dos incontáveis grupos sociais e econômicos que formam o conjunto de qualquer sociedade.

Não há condições de existir uma sociedade sem política, pois a política é inerente ao homem — animal político por natureza. A rejeição à política e a desqualificação, intermitente, dos homens e mulheres públicos causam transtornos sociais, em um processo vampiresco, que desconstrói a democracia e abre perigoso espaço a uma direita perversa e de passado golpista, a exemplo da brasileira. Uma direita que, por seu turno, deseja de todos os modos e maneiras voltar a ocupar espaços importantes no Estado nacional, do qual sempre se aproveitou para ter atendidos seus interesses econômicos e financeiros, por intermédio do patrimonialismo.

O ódio da direita se dá, principalmente, por não exercer o patrimonialismo como está acostumada a fazer há séculos. Quando os conservadores, os donos de terras e de meios de produção se deparam, por exemplo, com uma obra da grandeza e importância social e econômica, como o é a transposição do Rio Francisco, a revolta toma conta de seus âmagos, e, por sua vez, esses grupos secularmente poderosos e privilegiados iniciam um processo de combate, sistemático, sem trégua e água, pois sabedores de que a emancipação do povo brasileiro não conjuga com seus mesquinhos interesses, quando, não, sórdidos.

E qual é a solução mais rápida encontrada pela Casa Grande para estancar o processo de desenvolvimento de uma sociedade a qual ela explora desde os tempos de Cabral? Respondo: a utilização da mídia como palanque político e ideológico, além de ser um meio de coerção contra os avanços sociais conquistados pelo povo brasileiro, a ter como dínamo desse desenvolvimento os governos trabalhistas de Lula e Dilma Rousseff. Só há paralelo na história do Brasil no que é relativo a tantas conquistas apenas nos governos do trabalhista, estadista e líder da Revolução de 1930, o gaúcho Getúlio Dornelles Vargas. Ponto!

Essas afirmativas estão nas páginas da história do Brasil, como o vão ficar em páginas nobres de nossa história os governos de Lula e Dilma, que, no decorrer do tempo, vão ser, sem sombra de dúvida, justificados e reconhecidos, pois a história para ser isenta requer tempo, pois estudada, pesquisada e escrita de forma fria e despida de paixões humanas, como ainda estão a serem analisados os governos de Getúlio, que estabeleceram novos paradigmas econômicos e sociais, que até hoje são admirados por enorme parcela da população deste País.

Os governos de Lula, Dilma e Getúlio já fazem parte do imaginário do povo brasileiro, bem como o golpe de estado sofrido por Jango. E não há imprensa corporativa e alienígena que possa apagar tal realidade como se apaga o que está escrito a giz em um quadro negro de sala de aula. Não adianta o "Mau Dia Brasil" mostrar, em matéria manipulada, meia dúzia de brasileiros de um bairro carioca a vestir camisetas da seleção Argentina e afirmar que se trata de um protesto contra "a falta de educação e saúde". Alienação e desinformação de coxinha reacionário que não sabe o que afirma, e por isso não sente vergonha de falar um monte de bobagens.

Os investimentos em saúde e educação feitos pelos governos trabalhistas de Lula e Dilma batem todos os recordes e são incomparáveis com os investimentos dos governos militares e de governos pós-ditadura, a exemplo de Sarney, Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, aquele que foi ao FMI três vezes, porque quebrou o Brasil três vezes e sempre é escondido pelos candidatos tucanos à Presidência da República.
Lula e Dilma criaram e construíram universidades, extensões universitárias, escolas técnicas e programas e ferramentas como o Enem, Sisu, Prouni, Fies, Pronatec, Enade, Reuni e o Programa Ciência Sem Fronteiras, o que está a causar uma revolução no ensino, realidade esta que a imprensa mercantil se recusa a divulgar, porque sabota e boicota, não somente o Governo Trabalhista, mas, sobretudo, o povo brasileiro.

A resumir: desde 2010, o Governo investiu em educação, saúde e infraestrutura R$ 968 bilhões, sendo que foram investidos R$ 17,6 bilhões em infraestrutura para a Copa do Mundo, que está paga e vai dar de retorno muito mais do que foi investido, além de inserir o Brasil definitivamente no contexto mundial. E ainda tem as Olimpíadas. O resto é história da carochinha e má-fé da oposição de direita e da imprensa porta-voz dos interesses das "elites" nacionais e internacionais. Observe que eu não citei o que foi investido no Governo Lula.

Por sua vez, a sociedade tem de aturar "matérias" tão cretinas e insensatas, a exemplo das que vi hoje no "Mau Dia Brasil" e no "O Globo", que até um recém-nascido perceberia que se trata de má-fé de jornalistas da Globo e de seus patrões. Acredito ainda que, se uma pessoa de repente acordasse trinta anos depois de um coma profundo também observaria que tal "matéria" é realmente um embuste, porque somente os idiotas seriam tão passivos intelectualmente, a acreditar em tal mídia de caráter golpista, a ponto de não saber dirimir suas dúvidas, bem como não entender o que está a ocorrer não somente agora, mas há quase 12 anos quando o PT de Lula e Dilma conquistou o poder, por intermédio das urnas.

Além dessa pantomima de péssima qualidade editorial e do jornalismo de esgoto que a imprensa-empresa propicia a seus ouvintes, telespectadores e leitores, o jornalão "O Globo", aquele que apoiou o golpe militar antes mesmo de ele acontecer, pois conspirador de primeira hora e testa de ferro de interesses internacionais, publicou hoje manchete de capa que afirma o seguinte: "Jovens renunciam ao direito de votar". Só faltou publicar outra manchete: "Oba!". E completar em um "olho", subtítulo ou "sutiã": "Conseguimos desqualificar a política e fazer os jovens rejeitá-la", para logo finalizar: "Agora poderemos nos sobrepor ao estado, à política, à democracia e ao povo".

E é exatamente este desejo que os magnatas bilionários de imprensa e de todas as mídias querem concretizar. E quem sabe, "se Deus for bonzinho", os barões conseguem eleger seus tutelados, candidatos que são da direita, preferencialmente os do PSDB, parceiros tucanos de São Paulo e Minas Gerais, dois estados de tradição política conservadora. Afinal, tais unidades da Federação derrotadas em 1930 são as protagonistas históricas da Política do Café com Leite, da República Velha, que sempre reagiram às mudanças e avanços no sistema capitalista efetivados por Getúlio Vargas, além de o odiarem até os dias de hoje por causa das leis trabalhistas e dos benefícios sociais implementados pelo político trabalhista em seus dois governos. (Um adendo: lideranças mineiras logo depois se juntaram a Getúlio)
Seria cômico se não fosse trágico. Imprensa-empresa golpista e sempre oportunista para proteger e tomar partido de seus aliados, pois porta-voz da Casa Grande. Perigosíssima ela o é. Como tal se fez através do tempo. Enquanto isso, o PT e o Governo Trabalhista até hoje não se empenharam para estabelecer o que está escrito na Constituição. A Carta Magna determina que seja efetivado o marco regulatório das mídias, o que inclui também regras e normas para a imprensa comercial e privada. Afinal, a imprensa é um negócio e todo negócio empresarial tem de ser regulamentado e regulado, a ficar sob as regras do mercado, como qualquer outro setor ou segmento econômico e financeiro. A imprensa é empresarial e como tal tem de ser tratada. Ponto!

O "Mau Dia Brasil" e "O Globo" não têm jeito. É o DNA da família Marinho, aquela que vai lucrar R 1,5 bilhão com a Copa do Mundo e ainda tem a desfaçatez de elaborar "matérias" premeditadas como se fossem notícias baseadas em fatos reais e de forma espontânea. A imprensa familiar está desmoralizada. O "Mau Dia Brasil" e "O Globo" continuam firmes na oposição de direita e a usar, sem quaisquer escrúpulos, a concessão pública cujo dono é o povo brasileiro. Quando se descarta a política, abrem-se as portas para se implantar uma ditadura — a convencional (golpe militar) e a midiática, que impõe o pensamento único. Marco regulatório já! É isso aí."

Meia-verdade e uma mentirinha

Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa

"A Bolsa de Valores do Brasil registrou oscilação positiva nos últimos dias desta semana, em parte por conta de especulações sobre uma possível queda no índice de intenções de voto na presidente Dilma Rousseff. Quem acompanha o movimento do mercado através dos portais de investimento sabe que o ânimo dos negociadores pode ser alterado por pesquisas eleitorais: o evento mais significativo deste ano ocorreu no dia 19 de abril, quando o instituto MDA divulgou a consulta encomendada pela Confederação Nacional do Transporte, na qual as chances da presidente teriam caído, naquela ocasião, de 43% para 37% dos eleitores. Naquele período, o fato mereceu manchetes de absolutamente todos os grandes jornais.

De lá para cá, pequenas mudanças ocorridas nas probabilidades eleitorais ganharam destaque no noticiário, principalmente quando registraram um aumento, ainda que leve, das chances de sucesso do principal candidato da oposição, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB). Por isso, chama atenção o comportamento da imprensa na sexta-feira (20/6), quando o Ibope publica o resultado da pesquisa realizada entre os dias 13 e 15, logo após o início da Copa do Mundo.

O leitor procura uma reportagem sobre o assunto nas primeiras páginas e fica frustrado, principalmente porque, na véspera, alguns comentaristas haviam observado um movimento ascendente no mercado de ações, com a expectativa de nova sondagem desfavorável à reeleição de Dilma Rousseff. 

Mas não há manchetes sobre a pesquisa do Ibope: o único jornal que traz a informação na primeira página é o Estado de S.Paulo, num pequeno texto de apenas seis linhas. A Folha de S. Paulo e o Globo omitiram a informação em suas capas e o jornal carioca praticamente escondeu os índices numa página interna, sem gráficos nem as costumeiras análises.
E o que dizem, afinal, os números do Ibope?

Os números apontam uma recuperação da vantagem da atual presidente, com seus dois principais adversários caindo exatamente 3 pontos porcentuais cada um. Mas o mais interessante – e que a Folha e o Globo omitem – é que o teto potencial de votos na atual presidente da República subiu para 51%, o que indica que o efeito do intenso noticiário negativo pode estar se reduzindo.

Fora do contexto

As análises publicadas pelos jornais apresentam uma meia-verdade e uma mentirinha. A meia-verdade está presente na afirmação da Folha e do Globo, que escolhem destacar uma suposta queda na avaliação positiva do governo. Os analistas sabem que não é boa prática avaliar esse item apenas na resposta direta à questão específica. Como o contexto da pergunta é absolutamente desfavorável à presidente por conta do intenso noticiário negativo, é preciso analisar o número de eleitores que consideram o governo “ruim ou péssimo” – e esse índice não se alterou, permanecendo em 31%.

Sob um clima adverso, é preciso levar em conta que boa parte das respostas que afirmam considerar “regular” ou “razoável” a situação – sempre associada majoritariamente a quem está no poder – é influenciada pelo estado de espírito criado na mídia. Assim, boa parte dos eleitores que apontaram o governo como “regular” está dando uma resposta positiva, mais próxima de “bom” do que de “ruim ou péssimo”. Portanto, essa meia-verdade tem o tamanho de uma grande mentira.

O Estado de S. Paulo, afirma que “Copa não altera cenário presidencial”. Trata-se de uma mentirinha, pois os números indicam, sim, uma mudança na tendência das pesquisas anteriores, porque, como ensinava o mestre Edmundo Eboli Bonini, emérito professor de Estatística recentemente falecido, nenhuma pesquisa deve ignorar o contexto em que é feita a coleta de dados.
Como se sabe, quando o Ibope saiu às ruas, a imagem da presidente da República estava abalada pela vaia e os xingamentos dirigidos a ela por parte da plateia presente ao jogo inaugural da Copa. O que também pode mexer com a população é o contraponto entre a festa do esporte e eventuais ondas de violência.

Então, convém anotar que, no dia da importante partida entre Uruguai e Inglaterra, em São Paulo, as autoridades paulistas deixaram os “Black Bloc” à vontade para promover depredações na cidade. Mas o mais interessante é observar o comportamento da mídia no momento fotografado pelo Ibope: se os jornais escondem uma informação, é porque ela contraria seus interesses.
Uma mentirinha e uma meia-verdade não são suficientes para esconder esse fato."

Os principais micos da Copa 2014


Pragmatismo Político 

"A Copa do Mundo do Brasil ainda não passou da primeira fase, mas já são fartas as gafes, foras e barrigadas do mundial, especialmente fora do campo.
E, curiosamente, elas nada têm a ver com as previsões das “cartomantes do apocalipse” que alardeavam que o país não seria capaz de organizar o evento e receber bem os turistas estrangeiros. Muito pelo contrário.
Os estádios ficaram prontos, os aeroportos estão funcionando, os gringos estão encantados com a receptividade brasileira e a imprensa estrangeira já fala em “Copa das Copas”.

Confira, então, os principais micos do mundial… pelo menos até agora!

1 – O fracasso do #NãoVaiTerCopa

Mesmo com o apoio da direita conservadora, da esquerda radicalizada, da mídia monopolista e dos black blocs, o movimento #NãoVaiTerCopa se revelou uma grande falácia. As categorias de trabalhadores que aproveitam a visibilidade do evento para reivindicar suas pautas históricas de forma pacífica preferiram apostar na hashtag #NaCopaTemLuta, bem menos antipática e alarmista. E os que continuaram a torcer contra o evento e o país, por motivações eleitoreiras ou ideológicas, amargam o fracasso: políticos perdem credibilidade, veículos de imprensa, audiência e o empresariado, dinheiro!

2 – A vênus platinada ladeira abaixo

Desde os protestos de junho de 2013, a TV Globo vem amargando uma rejeição crescente da população. E se apostava no #NãoVaiTerCopa para enfraquecer o governo, acabou foi vendo sua própria audiência desabar. Uma pesquisa publicada pela coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo, com base em dados do Ibope, mostra que no jogo de abertura da Copa de 2006, na Alemanha, a audiência da Globo foi de 65,7 pontos. No primeiro jogo da Copa de 2010, na África do Sul, caiu para 45,2 pontos. Já na estreia do Brasil na Copa, neste ano, despencou para 37,5 pontos.

3 – #CalaABocaGalvão

Principal ícone da TV Globo, o narrador esportivo Galvão Bueno é o homem mais bem pago da televisão brasileira, com salário mensal de R$ 5 milhões. Mas, tal como o veículo que paga seu salário, está com o prestígio cada vez mais baixo. Criticar suas narrações virou febre entre os fãs do bom futebol. E a própria seleção brasileira optou por assistir os jogos da copa pela concorrente, a TV Band. O movimento #CalaABocaGalvão ganhou ainda mais força! O #ForaGlobo também!

4 – A enquadrada na The Economist

A revista britânica The Economista, que vem liderando o ranking da imprensa “gringa” que torce contra o sucesso do Brasil, acabou enquadrada por seus leitores. A reportagem “Traffic and tempers”, publicada no último dia 10, exaltando os problemas de mobilidade de São Paulo às vésperas de receber o mundial, foi rechaçada por leitores dos EUA, Japão, Holanda, Inglaterra e Argentina, dentre vários outros. Em contraposição aos argumentos da revista, esses leitores relataram problemas muito semelhantes nos seus países e exaltaram as qualidades brasileiras, em especial a hospitalidade do povo.

5 – O assassinato da semiótica

Guru da direita brasileira, o colunista da revista Veja, Rodrigo Constantino, provocou risos com o texto “O logo vermelho da Copa”, em que acusa o PT de usar a logomarca oficial do mundial da Fifa para fazer propaganda subliminar do comunismo. Virou chacota, claro. O correspondente do Los Angeles Times, Vincent Bevins, postou em seu Twitter: “Oh Deus. Colunista brasileiro defendendo que o vermelho 2014 na logo da Copa do Mundo é obviamente uma propaganda socialista”. Seus leitores se divertiram usando a mesma lógica para apontar outros pretensos ícones comunistas, como a Coca-Cola (lol)!

6 – A entrevista com o “falso” Felipão

Ex-diretor da Veja e repórter experiente, Mário Sérgio Conti achou que tivesse tirado a sorte grande ao encontrar o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, em um voo comercial, após o empate com o México. Escreveu uma matéria e a vendeu para os jornais Folha de S. Paulo e O Globo, que a publicaram com destaque. O entrevistado, porém, era o ator Wladimir Palomo, que interpreta Felipão no programa humorístico Zorra Total. No final da conversa, Palomo chegou a passar seu cartão à Conti, onde está escrito: “Wladimir Palomo – sósia de Felipão – eventos”. Mas, tão confiante que estava no seu “furo de reportagem”, o jornalista achou que era uma “brincadeirinha” do técnico…

7 – A “morte do pai” do jogador marfinense

O jogador da costa do Marfim, Serey Die, caiu no choro quando o hino do seu país soou no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Imediatamente, a imprensa do Brasil e do mundo passou a noticiar que o pai dele havia morrido poucas horas antes. A comoção vias redes sociais foi intensa. O jogador, porém, desmentiu a notícia assim que pode. Seu pai havia morrido, de fato. Mas há dez anos. As lágrimas se deveram a outros fatores. “Também pensei no meu pai, mas é por tudo que vivi e por ter conseguido chegar a uma copa do mundo”, explicou.

8 – “Vai pra casa, Renan!”

Cheio de boas intenções, o estudante Renan Baldi, 16 anos, escolheu uma forma bastante condenável de reivindicar mais saúde e educação para o país: cobriu o rosto e se juntou aos black block paulistas para depredar patrimônio público na estreia do mundial. Foi retirado do meio do protesto pelo pai, que encantou o país ao reafirmar seu amor pelo filho, mas condenar sua postura violenta e antidemocrática. A hashtag #VaiPraCasaRenan fez história nas redes sociais!

9 – O fiasco do “padrão Fifa”

Pelos menos 40 voluntários da Copa em Brasília passaram mal após consumir as refeições servidas pela Fifa, no sábado (14), um dia antes do estádio Mané Garrincha estrear no mundial com a partida entre Suíça e Equador. Depois disso, não apareceu mais nenhum manifestante desavisado para pedir saúde e educação “padrão Fifa” no país!

10 – Sou “coxinha” e passo recibo!

Enquanto o Brasil e o mundo criticavam a falta de educação da “elite branca” que xingou a presidente Dilma no Itaquerão, a empresária Isabela Raposeiras decidiu protestar pela causa oposta: publicou no seu facebook um post contra o preconceito e à discriminação dirigidos ao que ela chamou de “minoria de brasileiros que descente da elite branco-europeia”. “Não sentirei vergonha pelas minhas conquistas, pelo meu status social, pela minha pele branca”, afirmou. Virou, automaticamente, a musa da “elite coxinha”.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sonegação dos ricos é 25 vezes maior que corrupção nos países em desenvolvimento

Marcelo Justo
Arquivo

Londres - Uma visão muito difundida sobre o desenvolvimento econômico afirma que os problemas enfrentados pelas economias em desenvolvimento e os países pobres se devem à corrupção. Essa visão se choca com um dado contundente da realidade internacional: a China. Nem mesmo o Partido Comunista põe em dúvida que a corrupção é um dos grandes problemas nacionais, o que não impediu um crescimento médio de dois dígitos nas últimas três décadas.

No entanto, segundo Jason Hickel, professor da London School of Economics, esta perspectiva oculta um problema muito mais fundamental em termos sistêmicos para a economia mundial: a corrupção dos países desenvolvidos. Trata-se de uma corrupção do colarinho branco, invisível e refinada, que foi uma das causas do estouro financeiro de 2008.Carta Maior conversou com Hickel sobre o tema.

Segundo a Convenção da ONU sobre Corrupção, ela custa aos países em desenvolvimento entre 20 e 40 bilhões de dólares anuais. É uma soma considerável. Mas você diz que, comparativamente, a corrupção do mundo desenvolvido é muito maior e tem um impacto sistêmico muito maior. Como chegou a essa conclusão?

Jason Hickel: O presidente do Banco Mundial, Jim Kim, fez este cálculo sobre o custo da corrupção no mundo em desenvolvimento. Mas esta soma, sem dúvida importante, constitui apenas cerca de 3% do total de fluxos ilícios que abandonam os países em desenvolvimento a cada ano. A evasão fiscal é 25 vezes maior que essa soma. No ano passado, cerca de um trilhão de dólares fugiram dos países em desenvolvimento e terminaram em paraísos fiscais por meio de uma prática  conhecida como re-faturamento, através da qual as empresas falsificam documentos para que seus lucros apareçam em paraísos fiscais nos quais não pagam impostos, ao invés de aparecer nas jurisdições onde as empresas realizaram esses lucros. É claro que isso é só parte do problema. Há outras práticas como o chamado preço de transferência. As multinacionais comercializam seus produtos entre suas próprias subsidiárias para pagar na jurisdição onde o imposto é mais baixo, algo que envolve cerca de um trilhão de dólares anuais, mais ou menos a mesma coisa que o re-faturamento.

Por que a evasão fiscal é tão fácil?

Jason Hickel: Porque as regras da Organização Mundial do Comércio permitem aos exportadores declarar o que bem entendam em suas declarações alfandegárias. Isso lhes permite subavaliar seus produtos para que paguem menos impostos. Isso não deveria nos surpreender dada a ausência de democracia interna da OMC.
O poder de negociação na OMC está determinado pelo tamanho do mercado e as decisões mais importantes são tomadas em reuniões do chamado “quarto verde”, administrado pelos países mais poderosos, de maneira que o comércio mundial termina sendo manipulado em favor dos ricos.

Curiosamente, no índice mais difundido em nível global sobre corrupção, o da Transparência Internacional, se apresenta um panorama exatamente oposto, ou seja, o mundo desenvolvido sofrendo nas mãos do mundo em desenvolvimento por causa dos estragos da corrupção. Qual sua opinião sobre esse índice?

Jason Hickel: Ele tem uma série de problemas. Em primeiro lugar, se baseia na percepção da corrupção que há no próprio país. De maneira que os pesquisados não podem dizer nada sobre o que pensam acerca de outros modos de corrupção como, por exemplo, os paraísos fiscais ou a OMC. Em segundo lugar, como o índice mede mais percepções do que realidades, está exposto às narrativas dos departamentos de relações públicas.

A narrativa dominante é promovida por um complexo de organizações, desde o Banco Mundial até a USAID e passando por muitas ONGs, que centram o tema da pobreza na corrupção dos próprios países em desenvolvimento. De maneira que não surpreende que os entrevistados terminem refletindo essa visão. Além disso, os índices se baseiam em dados de instituições como o Banco Mundial e o Fórum Econômico Mundial. Estas instituições, que representam países ricos ocidentais, tem interesse direto em manter essa narrativa sobre a corrupção.

Dois países que costumam estar na vanguarda de todas estas denúncias sobre a corrupção no mundo em desenvolvimento são Estados Unidos e o Reino Unido. Qual é a situação real destes países a respeito da corrupção?

Jason Hickel: Segundo a Transparência Internacional, os Estados Unidos estão bastante livres da corrupção. Segundo a Rede Tax Justice, em troca, os Estados Unidos estão em sexto lugar no ranking da corrupção mundial, devido ao fato de que têm jurisdições secretas que permitem que funcionem como centros de evasão tributária. Além disso, sabemos que a corrupção atravessa o sistema político estadunidense. As corporações podem gastar dinheiro sem limites nas campanhas políticas para assegurar que seus candidatos sejam eleitos. Assim, não surpreende que mais da metade dos congressistas sejam multimilionários. E há outras formas de lobby político muito mais diretas.

Segundo a Rádio Nacional Pública, para cada dólar gasto pelas corporações em tarefas de lobby, elas obtêm um retorno de 220 dólares. E os sistemas regulatórios costumam ser capturados por gente dessas corporações que devem ser reguladas. O exemplo mais óbvio é Henry Paulson, o CEO de Goldman Sachs, que foi Secretário de Tesouro dos EUA e artífice do resgate que canalizou trilhões de dólares dos contribuintes para a banca privada.

Em resumo, as corporações abusam do Estado para seu próprio proveito, o que é a definição de corrupção da Transparência Internacional. O Reino Unido é outro grande exemplo. A City de Londres é um dos centros de funcionamento dos paraísos fiscais, de maneira que surpreende que o Reino Unido seja classificado pela Transparência Internacional como um país sem corrupção. E não é a única instância de corrupção. A privatização da infraestrutura pública, tanto do sistema nacional de saúde como a dos trens, permitiu que pessoas como o multimilionário Richard Bransen ganhassem milhões em subsídios estatais para sua empresa Virgin Trains.

Isso não elimina o fato de que a corrupção no mundo desenvolvido é real e tem um forte impacto social, econômico e institucional. Como deveria ser um índice neutro e justo sobre o tema da corrupção?

Jason Hickel: Certamente que a corrupção no mundo em desenvolvimento é real e não deve ser subestimada como problema. Mas é importante concentrar o olhar em formas de corrupção ocultas. No momento, o mais próximo que temos de um índice objetivo é o elaborado pela Rede Tax Justice. Neste índice, o ranking é elaborado considerando países responsáveis por ocultar cerca de 30 trilhões de dólares de riqueza em países fiscais. Se você olhar a lista verá que os países que encabeçam o ranking são Reino Unido, Suíça, Luxemburgo, Hong Kong, Singapura, Estados Unidos, Líbano, Alemanha e Japão. Estes são os principais centros de corrupção que devemos enfrentar.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
copiado do: http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FEconomia%2FSonegacao-dos-ricos-e-25-vezes-maior-que-corrupcao-nos-paises-em-desenvolvimento%2F7%2F30342

domingo, 15 de junho de 2014

A elite reserva ao país o mesmo lugar exortado à Presidenta

A virtude, a civilização, a sorte do desenvolvimento e os destinos da sociedade há muito deixaram de interessar a elite brasileira.

Quando a elite de uma sociedade se reúne em um estádio de futebol e a sua manifestação mais singular é um coro de ofensas de baixo calão, quem é o principal atingido: o alvo ou o emissor?

Vaias e palavrões são inerentes às disputas futebolísticas. Fazem parte do espetáculo, assim  como o frango e o gol de placa. A passagem de autoridades por estádios nunca foi impune.

O que se assistiu no Itaquerão, porém, no jogo inaugural da Copa, entre Brasil e Croácia, não teve nada a ver com o futebol ou deboche, mas com a disputa virulenta em curso  pelo comando da história brasileira.

Sem fazer parte da coreografia oficial o que aflorou ali foi a mais autêntica expressão cultural de um lado desse conflito, nunca antes assumido assim de forma tão desinibida  e ilustrativa.

Encorajado pelo anonimato, o gado OP (puro de origem) mostrou o pé duro dos seus valores.

Dos camarotes vips um jogral raivoso e descontextualizado despejou sua bagagem de refinamento e boas maneiras  sobre uma Presidenta da República em missão oficial.

Por quatro vezes, os sentimentos de uma elite ressentida contra aqueles que afrontam a afável, convergente e impoluta lógica de sociedade que vem construindo aqui há mais de cinco séculos, afloraram durante o jogo.

Foi assim que essa gente viajada, de hábitos cosmopolitas, que se envergonha de um Brasil no qual recusa a enxergar o próprio espelho, ofereceu a um bilhão de pessoas conectadas à Copa em 200 países uma síntese dos termos elevados com os quais tem pautado a disputa política no país.

Que Aécio & Eduardo tenham se esponjado nessa manifestação dá o peso e a medida do espaço que desejam ocupar no espectro da sociedade brasileira.

Dias antes, o ex-Presidente Lula havia comentado que nem a burguesia venezuelana atingira contra Chávez o grau de desrespeito e preconceito observado aqui contra a Presidenta Dilma.

Houve quem enxergasse nessas palavras uma carga de retórica eleitoral.

A cerimônia da 5ª feira cuidou de devolver pertinência  à observação.

A formação virtuosa da infância, o compromisso com a civilização, a sorte do desenvolvimento  e  os destinos da sociedade há muito deixaram de interessar à elite brasileira.

A novidade do coro contra  Dilma é refletir  o desejo  cada vez mais explícito  de mandar o país ao mesmo lugar exortado  à Presidenta.

Ou não será esse o propósito estratégico do camarote vip ao apregoar o descolamento da sociedade brasileira de uma vez por todas, acoplando-a à grande cloaca mundial de um capitalismo sem peias, onde se processa a restauração neoliberal pós-2008?

Nesse imenso biodigestor de direitos e desmanche do Estado acumula-se o adubo  no qual floresce  a alta finança desregulada, que tem nos endinheirados brasileiros  os detentores da 4ª maior fortuna do planeta evadida em paraísos fiscais.

Estudos da The Price of Offshore Revisited, coordenados pelo ex-economista-chefe da McKinsey, James Henry, revelam que os brasileiros muito ricos — que se envergonham de um governo corrupto —  possuíam, até 2010, cerca de US$ 520 bilhões  em paraísos fiscais.

O passaporte definitivo  para esse  ‘novo normal’ sistêmico requer a vitória, em outubro, das candidaturas que carregam no DNA o mesmo pedigree da turma que deu uma pala na festa de abertura da Copa. Não propriamente contra Dilma, mas contra o que ela simboliza: a tentativa de se construir por aqui um Estado social que assegure aos sem riqueza os mesmos direitos daqueles que enxergam no espaço público um mero apêndice do interesse plutocrático.

A expressão ‘vale tudo’ descreve com fidelidade o que tem sido e será, cada vez mais, o bombardeio para convencer o imaginário brasileiro das virtudes intrínsecas à troca do ‘populismo’ pelo estado de exceção de direitos e conquistas sociais, em benefício dos livres mercados.

A mídia está aí para isso, como se viu pela cobertura dos fatos da última 5ª feira.

Trata-se de saber em que medida o discernimento social, condicionado por uma esférica máquina de difusão dos interesses vips, saberá distinguir um caminho que desvie a nação do futuro metafórico reservado a ela nos planos, agora explicitados, de sua elite.

A indigência do espírito público dos endinheirados brasileiros, reconheça-se,  não é nova. Mas se supera.

O antropólogo Darcy Ribeiro foi um legista obcecado dos seus contornos e consequências para a formação do país, a sorte de sua gente e a qualidade do seu desenvolvimento.

Em um texto de 1986, ‘Sobre o óbvio — Ensaios Insólitos’, o criador da Universidade de Brasília, e chefe da Casa Civil de Jango, iluminou os traços dessa rosca descendente, confirmada  28 anos depois, em exibição mundial,  na abertura da Copa de 2014.

"Dois fatos que ficaram ululantemente óbvios. Primeiro, que não é nas qualidades ou defeitos do povo que está a razão do nosso atraso, mas nas características de nossas classes dominantes, no seu setor dirigente e, inclusive, no seu segmento intelectual. Segundo, que nossa velha classe dominante tem sido altamente capaz na formulação e na execução de projeto de sociedade que melhor corresponde a seus interesses. Só que este projeto para ser implantado e mantido precisa de um povo faminto, xucro e feio. Nunca se viu, em outra parte, ricos tão capacitados para gerar e desfrutar riquezas, e para sub-julgar o povo faminto no trabalho, como os nossos senhores empresários, doutores e comandantes. Quase sempre cordiais uns para com os outros, sempre duros e implacáveis para com subalternos, e insaciáveis na apropriação dos frutos do trabalho alheio. Eles tramam e retramam, há séculos, a malha estreita dentro da qual cresce, deformado, o povo brasileiro (...) porque só assim a velha classe pode manter, sem sobressaltos, este tipo de prosperidade de que ela desfruta, uma prosperidade jamais generalizável aos que a produzem com o seu trabalho.

A primeira evidência a ressaltar é que nossa classe dominante conseguiu estruturar o Brasil como uma sociedade de economia extraordinariamente próspera. Por muito tempo se pensou que éramos e somos um país pobre, no passado e agora. Pois não é verdade. Esta é uma falsa obviedade. Éramos e somos riquíssimos! A renda per capita dos escravos de Pernambuco, da Bahia e de Minas Gerais — eles duravam em média uns cinco anos no trabalho — mas a renda per capita dos nossos escravos era, então, a mais alta do mundo. Nenhum trabalhador, naqueles séculos, na Europa ou na Ásia, rendia em libras — que eram os dólares da época — como um escravo trabalhando num engenho no Recife; ou lavrando ouro em Minas Gerais; ou, depois, um escravo, ou mesmo um imigrante italiano, trabalhando num cafezal em São Paulo. Aqueles empreendimentos foram um sucesso formidável. Geraram além de um PIB prodigioso, uma renda per capita admirável. Então, como agora, para uso e gozo de nossa sábia classe dominante. A verdade verdadeira é que, aqui no Brasil, se inventou um modelo de economia altamente próspera, mas de prosperidade pura. Quer dizer, livre de quaisquer comprometimentos sentimentais. A verdade, repito, é que nós, brasileiros, inventamos e fundamos um sistema social perfeito para os qe estão do lado de cima da vida.

O valor da exportação brasileira no século XVII foi maior que o da exportação inglesa no mesmo período. O produto mais nobre da época era o açúcar. Depois, o produto mais rendoso do mundo foi o ouro de Minas Gerais que multiplicou várias vezes a quantidade de ouro existente no mundo. Também, então, reinou para os ricos uma prosperidade imensa. O café, por sua vez, foi o produto mais importante do mercado mundial até 1913, e nós desfrutamos, por longo tempo, o monopólio dele. Nestes três casos, que correspondem a conjunturas quase seculares, nós tivemos e desfrutamos uma prosperidade enorme. Depois, por algumas décadas, a borracha e o cacau deram também surtos invejáveis de prosperidade que enriqueceram e dignificaram as camadas proprietárias e dirigentes de diversas regiões. O importante a assinalar é que, modéstia à parte, aqui no Brasil se tinha inventado ou ressuscitado uma economia especialíssima, fundada num sistema de trabalho que, compelindo o povo a produzir, o que ele não consumia — produzir para exportar — permitia gerar uma prosperidade não generosa, ainda que propensa desde então, a uma redistribuição preterida.

Enquanto isso se fez debaixo dos sólidos estatutos da escravidão, não houve problema. Depois, porém, o povo trabalhador começou a dar trabalho, porque tinha de ser convencido na lei ou na marra, de que seu reino não era para agora, que ele verdadeiramente não podia nem precisava comer hoje. Porém o que ele não come hoje, comerá acrescido amanhã. Porque só acumulando agora, sem nada desperdiçar comendo, se poderá progredir amanhã e sempre. O povão, hoje como ontem, sempre andou muito desconfiado de que jamais comerá depois de amanhã o feijão que deixou de comer anteontem. Mas as classes dominantes e seus competentes auxiliares, aí estão para convencer a todos — com pesquisas, programas e promoções — de que o importante é exportar, de que é indispensável e patriótico ter paciência, esperem um pouco, não sejam imediatistas. O bolo precisa crescer; sem um bolo maior — nos dizem o Delfim lá de Paris e o daqui — sem um bolo acrescido, este país estará perdido. É preciso um bolo respeitável, é indispensável uma poupança ponderável, uma acumulação milagrosa para que depois se faça, amanhã, prodigiosamente, a distribuição.
      
A classe dominante brasileira inscreve na Lei de Terras um juízo muito simples: a forma normal de obtenção da prioridade é a compra. Se você quer ser proprietário, deve comprar suas terras do Estado ou de quem quer que seja, que as possua a título legítimo. Comprar! É certo que estabelece generosamente uma exceção cartorial: o chamado usucapião. Se você puder provar, diante do escrivão competente, que ocupou continuadamente, por 10 ou 20 anos, um pedaço de terra, talvez consiga que o cartório o registre como de sua propriedade legítima.

Como nenhum caboclo vai encontrar esse cartório, quase ninguém registrou jamais terra nenhuma por esta via. Em consequência, a boa terra não se dispersou e todas as terras alcançadas pelas fronteiras da civilização, foram competentemente apropriadas pelos antigos proprietários que, aquinhoados, puderam fazer de seus filhos e netos outros tantos fazendeiros latifundiários. Foi assim, brilhantemente, que a nossa classe dominante conseguiu duas coisas básicas: se assegurou a propriedade monopolística da terra para suas empresas agrárias, e assegurou que a população trabalharia docilmente para ela, porque só podia sair de uma fazenda para cair em outra fazenda igual, uma vez que em lugar nenhum conseguiria terras para ocupar e fazer suas pelo trabalho. A classe dominante norte-americana, menos previdente e quiçá mais ingênua, estabeleceu que a forma normal de obtenção de propriedade rural era a posse e a ocupação das terras por quem fosse para o Oeste — como se vê nos filmes de faroeste. Qualquer pioneiro podia demarcar cento e tantos acres e ali se instalar com a família, porque só o fato de morar e trabalhar a terra fazia propriedade sua. O resultado foi que lá multiplicou um imenso sistema de pequenas e médias propriedades que criou e generalizou para milhões de modestos granjeiros uma prosperidade geral. Geral mas medíocre, porque trabalhadas por seus próprios donos, sem nenhuma possibilidade de edificar Casas-grandes & Senzalas grandiosas como as nossas".

Saul Leblon
No Carta Maior via  http://www.contextolivre.com.br/2014/06/a-elite-reserva-ao-pais-o-mesmo-lugar.html

Canalhice da elite bandida paulista ajudou Dilma eleitoralmente


Pra sabadear na Arena Corinthians, Itaquera, São Paulo
Rui Daher - Terra Magazine

Estava difícil de imaginar? Por acaso o evento não era programado acontecer no Estado mais conservador, mais paroquial, menos brasileiro, onde a meritocracia imigratória e o feudalismo do patronato rural se autoproclamaram locomotivas do País?

Ou já esqueceram do que vicejou politicamente por aqui? Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Paulo Maluf. Os raros intermezzos progressistas foram similares ao rinoceronte Cacareco que, nas eleições de 1959, foi o vereador mais votado.

Não foi em São Paulo que se pretendeu todo o empresariado no aeroporto, fugindo de um eventual governo que promovesse qualquer forma de inserção social?

Em 1964, a democracia não ficou a esperar o juramento do general Amaury Kruel de respeito à Constituição? Veio? 

Em que terras vocês acham que ainda marcha o cotidiano da Tradição, Família e Propriedade? O PSDB teria abandonado seus mais leves matizes de esquerda não tivesse percebido que somente à direita conquistaria o Estado e daqui o Planalto?

Como se faz nas escolinhas de futebol, em São Paulo se formam os principais craques que irão brilhar no time do ASEFC (Acordo Secular de Elites Ferrador Clube).

Algo esquizofrênico permeia a sociedade paulista. Ferrada, reclama e pede. Brindada, acha que mereceu, se vê exclusiva e cerra as portas para os que perderam o bonde.

“Eu estudei, eu trabalhei, eu formei meus filhos com muita luta, eu comprei meu carro”. Só você, certo? O Zé do Lote 14, em Nossa Senhora das Dores, no Agreste Sergipano, bobeou.

Dilma Rousseff lutou contra um Estado opressor, foi presa e torturada, passou por doença grave. Economista, ministra, foi eleita presidente na democracia e, através dela, garante ver-se diuturnamente criticada em sua gestão. Incomodar-se-ia de ser vaiada e xingada por plateia da ralé endinheirada desta província?

Dentre as autoproclamações paulistas está contar com os mais bem preparados aparelhos educacionais. O mais antigo e rápido processo de industrialização. Capitalismo financeiro em moldes potentes e modernos. 

Aqui se originou a franja mais significativa que comanda o Poder Executivo há quase 20 anos, por partidos aqui criados.

Pois, neste mesmo lugar, Arena Corinthians, Itaquera, São Paulo, essa força de grana, produção e cultura emburreceu e entregou, de mão beijada, apoio geral ao adversário que pretende destruir.

Merecem.  
Vi no, http://esquerdopata.blogspot.com.br/2014/06/canalhice-da-elite-bandida-paulista.html

A sombra do povo e a insônia dos grã-finos


"É preciso aproveitar a oportunidade do debate para questionar o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e a concentração da propriedade na mídia 

Sebastião Velasco, Carta Maior

Não bate! O clamor que tomou conta dos arraiais do conservadorismo brasileiro desde o anúncio do Programa Nacional de Participação Social, há alguns dias, decididamente não combina com a empáfia impostada de seus representantes políticos.

Como é que é? Aposentadoria antecipada para Dilma, seis meses antes do pronunciamento das urnas? De que vale o sarcasmo de Aécio e assemelhados, quando ele é desmentido cotidianamente por seu patente nervosismo?

Fernando Henrique Cardoso falava ao país em cadeia nacional, e estava tudo muito bem. Por que a cólera? Por que o afã em punir com os rigores de uma lei reinventada para esse propósito, toda vez que Dilma Roussef faz isso?

A mesma pergunta vale para o decreto 8.243. Mal publicado no Diário Oficial,  ele foi denunciada pelos porta-vozes acreditados do conservadorismo pátrio como peça axial do programa insidioso do PT de transformar em ditadura popular disfarçada nossa ainda frágil democracia. 

Mas a incongruência entre o objetivo suposto e o instrumento empregado salta à vista. Um decreto não tem o condão de alterar a ordem constitucional do país. Exercício unilateral de poder do chefe do executivo, ele pode ser modificado -- ou simplesmente revogado  --  por outro decreto, em qualquer instante.

Ora, ninguém em sã consciência imagina que o governo venha a se lançar em obras de complexa engenharia institucional nos próximos meses. Terminada a Copa, a campanha eleitoral nas ruas, todos os esforços do PT estarão concentrados na tarefa de conquistar os votos necessários para manter os postos que detém no presente e conquistar outros novos. 

Como essa é uma tarefa inglória, posto que o país rejeita o PT  -- assim nos garantem  -- e tudo que a ele se associa   não há porque perder o sono. A revogação do malfadado decreto será o primeiro ato do próximo Presidente da República.

Seria essa a atitude dos opositores se estivessem tranqüilos. Mas eles não estão tranqüilos. A ansiedade perturba-lhes o sono, e nas noites mal dormidas tomam sombras por seres reais assustadores, aos quais reagem com alarde como se verdadeiramente perseguidos. 

Melhor assim. Ao expressar em palavras o sentimento de ameaça que os aflige esses personagens se descobrem e ao fazer isso se expõem à crítica. Se nenhum outro mérito tivesse, o decreto em questão mereceria aplausos por isso. 

O que os seus detratores vêem de tão nocivo nele?  Um abuso de poder, um atentado à Constituição, uma tentativa perversa de manietar o Congresso, submetendo-o  à vontade de grupos orquestrados, parcamente representativos.  

Contra a sordidez desse propósito, que vem embalado na retórica enganosa da democracia participativa, os opositores defendem-se tirando do baú idéias arcaicas sobre o governo representativo. De acordo com estas, a vontade do povo se expressa na livre escolha de seus governantes. No intervalo entre uma eleição e outra, cabe aos cidadãos perseguir seus interesses privados, nos limites da lei, atentos tanto quanto possível à gestão da coisa pública.  Mas isso eles não podem fazer solitariamente. Para tanto, necessitam de fontes críveis de informação e da possibilidade de trocar idéias sobre os problemas em pauta. A liberdade de expressão é inerente, pois, a essa forma de governo, que tem na opinião pública a sua contrapartida. É esta que faz a ponte entre representantes e representados no curso rotineiro da vida política. 

O problema com essa concepção, que passou a salpicar as páginas dos jornais nos últimos dias, é que ela tem muito pouco a ver com a maneira como funcionam as democracias contemporâneas. E muito menos ela tem com a operação real de nossa organização política.

Ao dizer isso não penso apenas na existência consolidada de Conselhos, Fóruns e outros mecanismos de diálogo e aconselhamento, que vêm se multiplicando nos mais diversos ramos da administração pública brasileira já há muito tempo. Nem nas relações simbióticas entre o Banco Central e o mercado financeiro, que constituem um elemento estrutural publicamente reconhecido da política de metas inflacionárias em vigor no País desde o final da década de 1990.  

Refiro-me à posição estruturalmente privilegiada que os detentores do poder econômico desfrutam em qualquer sociedade capitalista, e do franco acesso aos centros decisórios que tal condição lhes faculta. Situação geral que se vê reforçada no Brasil pelos índices escandalosos de concentração de renda e riqueza, e pela qualidade deplorável, com as exceções de praxe, da grande imprensa falada e escrita, quase inteiramente controlada entre nós por um punhado de famílias. 

A Política Nacional de Participação Social assusta porque encerra a promessa de corrigir parcialmente esse viés  --  para o bem da gestão das políticas públicas e a qualidade de nossa tão imperfeita democracia. E assusta tanto mais porquanto dentro de alguns meses a promessa pode começar a ser cumprida. 

A ofensiva contra os Conselhos tem, portanto, caráter eminentemente defensivo. Com ela os conservadores pretendem levar o governo a recuar desse projeto, antes mesmo que a batalha das urnas seja ferida. 

Mas por isso mesmo a resposta a ela não pode ser tímida. Não se trata de defender o decreto 8.243, e com ele todos os mecanismos de representação social que hoje existem. É preciso aproveitar a oportunidade do debate para questionar o financiamento empresarial de campanhas eleitorais e a concentração da propriedade na mídia. Em uma palavra, diante do ataque a reação correta é partir para cima. 

Mas não se atormentem, senhores e senhoras. Para cima na luta de idéias. Para cima, no bom sentido." 

sábado, 14 de junho de 2014

Desculpas, dona Dilma


Luiz Caversan

Cara dona Dilma,

dirijo-me à senhora Dilma Rousseff pessoa física mesmo, não à presidente do meu país, e chamando-a de dona porque foi assim que aprendi a me dirigir a pessoas do sexo feminino que já tenham uma certa idade e sejam mães ou avós de família.

E sabe onde aprendi como me dirigir educadamente a quem quer que seja, mas principalmente às senhoras?

Foi na zona leste, dona Dilma, lá mesmo pras bandas do estádio em que a senhora foi tão rude e desrespeitosamente tratada na última quinta-feira.

Tendo nascido e sido criado naquele cantão da cidade e conhecedor da índole daquele povo todo, dona Dilma, eu humildemente peço desculpas pelo tratamento que a senhora recebeu ali no nosso pedaço. E tenho toda a serenidade do mundo para lhe garantir: não fomos nós, povo da Zona Leste, que a ofendeu daquele jeito.

Ah, não foi mesmo, viu?

Sabe por quê? Porque mandar uma senhora como a senhora pro lugar onde a mandaram já resultou em muita briga e até morte pra aquelas bandas. Isso não se faz, ninguém por ali deixa barato ir xingando assim a mãe dos outros, ainda mais com a filha sentada do lado, onde já se viu?

A gente boa da zona leste, dona Dilma, não é disso, não.

Respeita pra ser respeitada.

Tampouco é um pessoal que fica adulando poderosos ou puxando o saco de quem quer que seja, não se trata disso. Se é pra protestar, o povo protesta. Se é pra vaiar, vaia.

Mas a educação que a gente recebeu em casa ensinou que não se fala palavrão para uma senhora e não é desta maneira, ofendendo a todos os que ouviram os absurdos que lhe disseram, que se vai se mudar alguma coisa, qualquer coisa.

Não, dona Dilma, não fomos nós da ZL que xingamos a senhora –eu falo nós, embora não more mais por aquelas bandas, porque meu coração nunca sairá de lá, e vira e mexe estou zanzando por ali, visitando gente amiga na Penha, Vila Esperança, Vila Granada, Vila Ré, Guaianases, Itaquera...

Também achei necessário me dirigir à senhora, dona Dilma, porque uns amigos que foram ao jogo me informaram que os xingamentos, as palavras de baixo calão vieram principalmente do setor do estádio em que os ingressos custavam quase mil reais ou as cadeiras eram ocupadas por VIPs –e milão prum ingresso não rola aqui na ZL, não, muito menos a gente é very important people pra receber este tipo de convite.

De modo que, mesmo sem procuração, falo em nome da gente boa da ZL para não apenas me desculpar pela grosseria, pela deselegância e pelas ofensas que foi obrigada a ouvir, mas também para fazer um convite: aparece de novo lá no nosso estádio!

Mas vai num dia de jogo do Timão.

Olha, pode ser até que a senhora ouça alguma vaia, viu, porque afinal é difícil separar uma mulher que tem filha e neto, e já merece respeito apenas por isso, da presidente da República - e ali a gente vota como quer, respeita opinião diferente e acredita em democracia.

Agora, garanto que com o estádio sem toda aquela gente diferenciada que tomou conta de Itaquera no jogo do Brasil, ninguém vai mandar a senhora àquela parte, não.

Porque se algum engraçadinho se atrever a fazer isso, vai acabar levando um tapa na boca.

Porque é assim que fomos educados.

Um abraço pra senhora e um beijo pro Gabriel, seu neto, que aliás tem o mesmo nome do meu.