sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O erro conveniente dos "analistas" econômicos



Os tais analistas que pautam as editorias de Economia dos jornalões - funcionários de bancos, corretoras e consultorias - erraram feio o número do PIB trimestral. 
Depois de fazer inúmeros cálculos, variadas contas, diversos exercícios econométricos, os sabichões espalharam para os seus colegas jornalistas que o Produto Interno Bruto brasileiro cresceria entre 0,5% e 1% no segundo trimestre.
Segundo divulgou o IBGE, a expansão foi de 1,5% - o erro dos "especialistas" foi enorme.

Mas por que ele ocorreu, se essa turma, pelo menos na teoria, dispõe dos mais sofisticados meios para retratar como anda a economia do país - e antecipar seus movimentos.
É bom lembrar que, além dos clientes tradicionais instalados nas redações dos jornalões, eles ainda têm uma carteira de ótimos clientes, que pagam bons trocados para receber, em primeira mão, essas previsões.
É possível que essa turma seja apenas tecnicamente ruim, não saiba somar 2 mais 2 - e por isso o que eles projetam fique tão longe da realidade.
Mas um erro tão grotesco como esse do PIB leva a gente a pensar em outras hipóteses.
Uma que ocorre, devido ao fato de o Brasil estar hoje submetido a uma tremenda guerra de informação por parte da turma do contra, essa que gostaria de restaurar no Brasil o regime da Casa Grande e Senzala, é que o erro foi mesmo proposital.
E para que isso, para que arriscar a credibilidade de renomados profissionais, de conceituadas instituições?
Ora, ninguém vai lembrar, daqui a um tempo, que essa turma errou tão feio.
Nenhum dos jornalões vai cobrar de seus "analistas" os motivos que os levaram a fazer as previsões catastróficas que não se concretizaram.
Tampouco vão pedir desculpas para os seus leitores.
Afinal, são parceiros.
O que importa é que, durante meses, o noticiário econômico manteve o tom mais pessimista do mundo, como se o país estivesse já arruinado, sem perspectiva nem esperança.
E isso, para a turma do contra, vale ouro, compensa qualquer risco.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2013/08/o-erro-conveniente-dos-analistas.html

Sim, uma outra medicina é possível: o grande medo do Conselho Federal de Medicina



O Conselho Federal de Medicina (e suas filiadas regionais) são entidades colonizadas por dois senhores: os grandes laboratórios farmacêuticos internacionais e os planos de saúde parasitários e inúteis.

Essa corporações médicas, assim como as escolas de medicina das Universidades brasileiras estão orientadas por uma lógica de mercado, onde ganhar dinheiro a qualquer custo é lícito, elogioso e uma meta a ser perseguida.

O programa "Mais Médicos" do governo Dilma provoca tanto ódio de classe no meio médico porque representa uma alternativa à medicina de mercado predominante hoje no Brasil. O "Mais Médicos" afirma que uma outra medicina é possível. Uma medicina preventiva e comunitária, que pode representar o fim do receituário irresponsável de ministrar drogas e medicamentos de forma indiscriminada e a esmo, com o exclusivo intuito comercial de aumentar o faturamento dos grandes laboratórios fabricantes de remédios que nada curam.

E os planos de saúde, que contribuição dão para qualificar a saúde do povo brasileiro? Como sabemos, a contribuição é nula.

Os planos de saúde - muitas vezes, arapucas para enganar incautos e desesperados - não estimulam a medicina preventiva. Ao contrário, fazem dos pacientes contribuintes passivos de uma ciranda que enriquece poucos e traz prejuízos financeiros e humanitários para milhões de brasileiros desassistidos e carentes de serviços de saúde.

No ano de 2012, os planos de saúde - são mais de 1.500 planos no Brasil - recolheram cerca de 95 bilhões de reais dos brasileiros. Esse dinheiro - todos sabemos - vai para os bolsos de alguns poucos espertalhões que não tem o menor compromisso com a qualificação da saúde pública do Brasil. É essa gente que combate o programa "Mais Médicos", que controla a corporação médica no País inteiro, que mobiliza médicos e médicas ignorantes (e racistas) para vaiar e insultar os médicos estrangeiros (foto abaixo) que irão tratar das populações dos rincões mais distantes do Brasil.

O governo Dilma está propondo um outro tipo de exercício da medicina no Brasil. Com isso, o campo da saúde e da medicina passa a ser disputado por uma alternativa real aos valores egoísticos daqueles que entendem a saúde como um mero mercado para ganhar dinheiro e enriquecer alguns oportunistas e negocistas.

A direita brasileira e os jogadores do mercado de saúde não admitem é isso: que o campo onde eles eram hegemônicos seja disputado por uma medicina humanitária, preventiva e comunitária.

Palmério Dória revela a privataria e a compra da reeleição de FHC


Foi o acreano Narciso Mendes, hoje com 67 anos de idade, quem usou um gravador emprestado pelo repórter Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, para comprovar que deputados federais de seu estado venderam os votos na aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997.
A revelação é feita no livro O Príncipe da Privataria, de Palmério Dória, que chega às livrarias hoje.
Em Brasília não era segredo o papel desempenhado por Narciso, à época deputado federal pelo Partido Progressista, de Paulo Maluf. Porém, pela primeira vez ele assume oficialmente o que fez.
Trecho do livro:
A compra dos votos para a reeleição, frisa Narciso, “se dava às escâncaras”. Seria “muita ingenuidade”, diz ele, considerar inverossímil que, no episódio da troca de cheques pré-datados por dinheiro vivo, os deputados saíssem carregando R$ 200 mil em sacolas. Afinal, em notas de R$ 100,00 seriam duas mil notas, ou o dobro se fossem notas de R$ 50,00. Duzentos pacotes de mil reais: volume considerável. “Tinha de ser em sacolas!”, diverte-se ele.
O que Narciso diz é que cheques foram antecipados e, posteriormente — depois da aprovação da emenda — trocados por dinheiro.
Dois deputados renunciaram antes de serem cassados pela Câmara, ao admitirem envolvimento na tramoia: Ronivon Santiago e João Maia. Outros três, igualmente da bancada acreana, também foram citados como tendo vendido o voto.
Na época, o PSDB atribuiu a manobra a interesses paroquiais, de governadores que também seriam beneficiados pela aprovação da emenda. Porém, o livro coloca a operação no colo de Sérgio Motta, então ministro das Comunicações e principal articulador de FHC junto ao Congresso Nacional.
Narciso, hoje empresário no Acre, é dono do jornal O Rio Branco e de uma retransmissora do SBT. Ele sustenta que se opôs à emenda que garantiu a reeleição a FHC por questões ideológicas. Não concordava que pudesse beneficiar quem a promovia.
Reproduzindo um trecho de A Arte da Política, livro de FHC, afirma: “Aqui diz Fernando Henrique Cardoso: Sérgio Motta indignou-se, queria logo uma CPI na ingenuidade de imaginar que, naquela circunstância, da CPI resultasse outra coisa diferente do que culpar o governo”.
Comenta:
“Nem Sérgio Motta queria CPI, nem Fernando Henrique queria CPI, nem Luís Eduardo Magalhães [líder do governo] queria CPI, ninguém queria, porque sabiam que, estabelecida a CPI, o processo de impeachment ou no mínimo de anulação da emenda da reeleição teria vingado, pois seria comprovada a compra de votos”.
Mas, quantos votos foram comprados para que FHC pudesse se reeleger?
Nos cálculos do senador Pedro Simon, citado no livro, 150. A 200 mil reais por cabeça, por baixo, R$ 300 milhões!
Narciso acha que foram mais. Nega que, como foi acusado por escrito por FHC, tenha tentado tumultuar a tramitação da emenda.
“Como é que um desgramado, do baixo clero, do Acre, tinha poderes para tumultuar a emenda da reeleição?”, afirma Narciso.
Também rebate a ideia de que o governador do Acre à época, Orleir Cameli, assim como outros dirigentes de estados do Norte, tivessem tomado a iniciativa de promover a emenda, como sugere FHC em seu livro.
 Uma mentira, diz Narciso, pois no Acre, por exemplo, Orleir Cameli não se candidatou à reeleição. Ademais, acrescenta, não foi “o pessoal do Norte” quem inventou a reeleição, muito menos a compra de votos. “Foi uma criação do  senhor Sérgio Motta e do senhor Fernando Henrique Cardoso”, reitera.
*****
O livro O Príncipe da Privataria é, na verdade, um balanço do entorno do homem que “vendeu o Brasil”. Uma denúncia menos na linha de Amaury Ribeiro Jr. e mais na de Aloysio Biondi e seu O Brasil Privatizado.
Um escândalo sobre o qual o Brasil pouco refletiu, já que a mídia corporativa se refere àquele como um período de ouro do país. É importante frisar que os principais grupos de mídia tiraram proveito direto dos negócios envolvidos na privatização.
Na Nota do Editor que abre o livro, Luiz Fernando Emediato pergunta: “onde estava, no reinado dos tucanos, o ministério público, o procurador geral da República, os Joaquim Barbosa daquele tempo? O chamado “mensalão” — tenha existido ou não — parece coisa de amadores diante do profissionalismo de empresários, burocratas e políticos daquele tempo. Nenhuma CPI. Nenhuma investigação que chegasse ao fim. Nenhuma denúncia capaz de levar a um processo e a uma condenação!”
Palmério Dória avança a tese de que Glauber Rocha, na década de 70, foi visionário ao dizer:
No Brasil, o gancho do Pentágono é o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que funciona em São Paulo.
Fernando Henrique Cardoso é apenas um neocapitalista, um kennedyano, um entreguista.
Como a Central de Inteligência dos Estados Unidos deu dinheiro à Fundação Ford e esta ao Cebrap — na casa, especula Palmério, do milhão de dólares –, “o Cebrap recebeu dinheiro da CIA”.
Teria sido este o início da “inspiração” que levou FHC a adotar a agenda do consenso de Washington, que resultou na queima de R$ 100 bilhões em patrimônio público dos brasileiros.
O próprio autor fala abaixo sobre os principais destaques do livro:


Luiz Carlos Azenha
No Viomundo

O Financiamento Público – a questão central do plebiscito

Dilma com presidentes dos partidos da base. Somente o PP foi contra o plebiscito (Antônio Cruz/ABr)

por Emir Sader no Blog do Emir
Por que o governo propõe a convocação de um plebiscito? Há um sentimento difuso, em vários setores da sociedade, de que o sistema político não funciona. Uma das instituições mais desprestigiadas do pais – senão a mais desprestigiada – é o Congresso Nacional. A imagem dos políticos – e dos parlamentares em particular – é a pior possível.
Da esquerda até a velha mídia, todos criticam o Congresso. Os diagnósticos podem ser diferentes – a esquerda, porque o poder do dinheiro faz com que lobbies das minorias enriquecidas controlem o parlamento; a direita, porque, por definição, quer sempre governos e congresso fracos, para aumentar o peso do mercado e da mídia, expressões dos seus interesses e posições.
As mobilizações das últimas semanas também tiveram “nos políticos” um dos seus alvos preferidos, refletindo as reiteradas campanhas contra os parlamentares que correm sistematicamente na internet.
Uma das iniciativas do governo – aquela politicamente mais relevante – foi a convocação de um plebiscito para desbloquear iniciativas de reforma política – na verdade, reforma do processo eleitoral – que estavam paradas no Congresso e freadas nas tentativas de um acordo entre os partidos, levada a cabo por Lula.
Com boas ou más intenções, alguns setores tentam incluir uma quantidade enorme de questões na consulta ao povo, desde o voto distrital até o tipo de regime – presidencialismo ou parlamentarismo. Na prática, significa inviabilizar o plebiscito, seja pela quantidade e diversidade imensa de questões sobre as quais não haveria acordo e geraria prolongamento da discussão até impossibilitar a convocação do plebiscito, com a regulamentação necessária e o período de campanha, a tempo de ter validade para as eleições de 2014; seja por colocar questões outras, que tiram o foco que levou ao impulso popular pela reforma política.
Dentre todas as questões, aquela sobre a qual há maior consenso é a do financiamento público ou privado das campanhas eleitorais. Não significa que exista acordo, mas reconhecimento de que as negociações da reforma política emperraram nesse tema.
Ele é essencial – mesmo sob alegação de que não é suficiente para impedir o peso do dinheiro nas campanhas eleitorais – porque age contra a forma atual de financiamento, que transfere a desigualdade econômica para o processo eleitoral.
Atualmente pode-se dizer que um dos problemas maiores para que alguém possa se candidatar é o custo das campanhas, o preço para que uma pessoa possa fazer conhecer minimamente que é candidata. Cada um busca a resolução do problema da sua forma, mas quase todas desembocam em procurar o dinheiro onde o dinheiro está – nas empresas. Estas, por sua vez, encontram nesse mecanismo uma forma útil de ter os candidatos presos a seus interesses, financiando campanhas de vários candidatos, de distintos partidos.
Pode não haver um mecanismo formal e direto de cobrança pelos financiados em relação aos financiados, mas não há duvidas que ele existe. Pelo menos no financiamento da eleição seguinte, em que as empresas dirigirão seus recursos para aqueles que mais diretamente defenderam seus interesses.
A existência de grande número de lobbies no Congresso – do agronegócio, da educação privada, dos planos privados de saúde, dos proprietários privados dos meios de comunicação, das igrejas evangélicas, entre outros – expressa, de forma mais aberta, a presença dos interesses privados no Congresso.
O financiamento publico permitirá uma competição menos desigual entre os candidatos, evitando que o peso do dinheiro intervenha de maneira tão aberta no processo eleitoral.
Há sempre, por parte dos setores beneficiários e simpatizantes do financiamento privado, o apelo aos mecanismos mais egoístas das pessoas: “você gostaria que o seu imposto financiasse a campanha dos políticos?”. Uma pergunta que induz diretamente a uma resposta negativa.
Mas que traz embutida a consequência de que, se não é o setor público quem financia as campanhas, quem o faz? O mercado, o setor privado, projetando na campanha politica as desigualdades econômicas que caracterizam o Brasil como o país mais desigual do continente mais desigual do mundo. É deixar os representantes políticos ficarem reféns do poder econômico.
O fato de que a sociedade não se reconheça representada no Congresso, embora seja ela que o elege, se dá por isso, pela forma como as campanhas refletem o peso do dinheiro e condicionam fortemente a suposta liberdade de escolha dos cidadãos através do voto.
De forma que o Congresso não é o reflexo da sociedade, porque entre um e outro está a mediação do dinheiro, que falseia a representação politica. Como um de tantos exemplos, há na Câmara uma grande bancada do agronegócio, mas apenas dois representantes de trabalhadores agrícolas. Enquanto que, na realidade do campo no Brasil, os trabalhadores são a imensa maioria.
Uma aprovação do financiamento público vai encontrar grandes resistências – da mídia e boa parte dos partidos. Estes sentem que perdem poder nas negociações pelos votos que têm no Congresso, assim como pelo tempo que têm na televisão. O PMDB e tantos partidos de aluguel buscam sabotar o plebiscito ou se opõem diretamente a ele. A mídia porque, embora critique o tempo todo os políticos, precisa de um Congresso desmoralizado para enfraquecer a politica e a cidadania que se representa nela.
Será necessária uma campanha muito massiva e eficiente para que se desbloqueie uma das travas maiores para a eleição de um Congresso que seja a cara da sociedade brasileira. E para que essa oportunidade de resgate da política e das representações parlamentares da sociedade não se perca.
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Política e ideologia conspurcam a imagem do Brasil no exterior


Há mais ou menos uns dois meses, a filha Gabriela, que reside há quatro anos na Austrália a fim de estudar, vendo na tevê de lá as cenas de vandalismo que ocorriam por aqui durante a onda de protestos que tomava o país, enviou-me mensagem via Facebook relatando a sua tristeza decorrente da deterioração da imagem do Brasil naquele país.
De país visto como em franco desenvolvimento, que resgatava a sua imensa dívida social, que economicamente vinha se destacando por gerar empregos em quantidades industriais enquanto o resto do mundo chafurdava no desemprego, o Brasil começava a ser visto como uma nação decadente e sem rumo.
O relato de Gabriela, então, somava-se a tantos outros feitos por brasileiros expatriados que vão constatando, envergonhados, a deterioração da imagem de um país que era visto como dotado de um povo alegre, hospitaleiro e como uma potência emergente e que, agora, estava gerando uma onda internacional de decepção.
Até junho último, a intensa campanha de desmoralização do país empreendida pela grande imprensa local não produzia efeitos. A opinião pública internacional entendia que essa imprensa brasileira estava em uma campanha política e, assim, atinha-se aos fatos, aos indicadores econômicos ao avaliar o nosso país.
As cenas de guerra que o país exportou, porém, criaram a falsa impressão de que, de fato, a situação por aqui era muito ruim. De junho para cá, outros factoides políticos vêm contribuindo para macular a imagem do Brasil.
As cenas de hostilidade aos médicos estrangeiros que estão chegando no âmbito do programa Mais Médicos se espalharam internacionalmente e chegaram à Austrália, o que fez a minha filha enviar-me, de novo pelo Facebook, sua tristeza com mais um factoide que está ajudando o mundo a ver o nosso país com maus olhos.
Médicos estrangeiros são bem vindos em incontáveis nações. Na Austrália, a maioria dos médicos é composta por estrangeiros, sobretudo asiáticos, como relata a minha filha. Ela, inclusive, disse não se lembrar, ao longo dos quatro anos em que reside naquele país, de ter se consultado com um médico australiano.
As cenas patéticas com gritos de “escravos” vertidos por médicos brasileiros brancos contra médicos cubanos negros ou as cenas de violência e até de xenofobia durante a Copa das Confederações estão, inclusive, induzindo o mundo a enxergar o Brasil como um país mal-humorado, intolerante e até preconceituoso, o que é um absurdo em um país em que a maioria do povo é negra.
Uma ansiosa blogueira amiga que viaja com frequência ao exterior, inclusive, não só referendou o que disse a minha filha Gabriela como ainda diagnosticou que “O que Lula construiu [em termos da boa imagem do país] está sendo destruído” por essa luta político-ideológica sem limites, sem juízo e sem rumo.
Pobre do país que tem uma elite porca, mesquinha e corrupta como a nossa, capaz de enlameá-lo, de literalmente destruir a sua imagem para lucro de grupos políticos e para satisfazer idiossincrasias e interesses particulares. O Brasil não merece essa parcela microscópica e abastada de seu povo que trata de difamá-lo.

Oportunismo!!! Ninguém Vai Expulsar??? PSDB paulista tenta colar em protesto marcado para 7 de setembro


iG(nóbil)
O diretório municipal do PSDB deliberou que vai apoiar o protesto que está marcado para 7 de setembro.  Os militantes serão convidados a participarem mas sem bandeiras. A intenção, segundo o presidente do diretório, Milton Flávio, é levar as pautas para as ruas sem partidarizar o movimento.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Por que Alckmin não deveria comprar lotes de revistas e jornais amigos

É uma ação entre amigos na qual quem entra com o dinheiro é o contribuinte.
Na Era Digital, que estudante vai ler a Veja, a Folha ou o Estadão?
Na Era Digital, que estudante vai ler a Veja, a Folha ou o Estadão?
A internet está agitada neste final de semana por conta de uma compra de alguns milhares de assinaturas da Veja, da Folha e do Estadão pelo governo do Estado de São Paulo.
É dinheiro público,  extraído do orçamento da educação. As publicações supostamente vão ser lidas pelos alunos das escolas públicas de São Paulo, e isso os ajudará em sua formação.
Isso mitigaria, pelo menos em parte, o problema de a compra haver sido feita sem licitação.
Mas não é exatamente isso.
O que ocorreu é a chamada ação entre amigos, em que as partes – empresas jornalísticas e políticos —  trocam favores usando o dinheiro do contribuinte.
É uma prática velha, e que graças à internet vai sendo cada vez mais exposta aos brasileiros.
Vivi, na editora Globo, uma situação exemplar.
Era 2007, e eu acabara de ser contratado para ser diretor editorial das revistas da Globo.
A principal delas, a Época, era singularmente gentil com um governador  da região norte.
Esse governador, fiquei sabendo depois, comprava grandes lotes de livros da Globo, o que vinha ajudando substancialmente a editora a dar lucros.
Demos, na revista, uma denúncia contra ele. Instalou-se uma confusão. Ele foi a São Paulo para falar comigo e com o então diretor geral da editora, Juan Ocerin.
A conversa não poderia ter sido pior. Ele foi grosseiro, e eu disse que não admitia que uma visita falasse naquele tom ali, numa sala ao lado da redação da Época.
Ele saiu da sala com uma ameaça. “Vou conversar com o João Roberto”. João Roberto era e é João Roberto Marinho, o filho do meio de Roberto Marinho, aquele que é o editor de fato das Organizações Globo.
Não sei se falou.
Antes de ir embora, ele se avistou com o diretor de publicidade da editora, que era seu interlocutor nas negociações de compras de lotes de livros.
Nova confusão. Desta vez, o resultado foi uma conversa a três: Ocerin, eu e o diretor de publicidade.
Em alguns minutos, depois de palavras ríspidas, eu disse ao diretor de publicidade que jamais voltaria a falar com ele.
E de fato não voltei.
Foi contratado um novo diretor de publicidade, e ele me disse que várias vezes Ocerin se queixou dele por não ter o acesso mágico àquele governador para que aportasse dinheiro na editora em momentos de seca.
O que se fazia na editora Globo é uma coisa parecida com a compra de lotes de publicações por Alckmin.
Ninguém fala, mas está entendido que o governo espera alguma simpatia na cobertura editorial.
Do ponto de vista estritamente lógico, alguém consegue imaginar jovens estudantes lendo a Veja, a Folha ou o Estadão, para apreciar os artigos de Dora Kramer, Maílson da Nóbrega e Pondé?
É uma geração digital, divorciada por completo da mídia impressa.
Para testar a motivação real da compra, verifique se alguma escola particular gasta milhões de reais para adquirir a Veja, a Folha ou o Estado.
É, repito, uma ação entre amigos.
Mas quem paga a conta é o contribuinte.
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A legenda de Marina Silva



A ex-senadora Marina Silva fala no lançamento de seu novo partido / José Cruz/ABr

“A ex-senadora se oferece como opção para quem acredita no personalismo pueril e nos estereótipos antipartidos arraigados


Um dos traços mais problemáticos de nossa cultura política reside no fato de a vasta maioria da população tender, nas escolhas eleitorais, a dar mais valor aos candidatos do que aos partidos.

Nas pesquisas, quando se pergunta ao eleitor o que ele leva em consideração na hora de definir seu voto, mais de 80% costumam responder: “A pessoa do candidato”. Menos de 10% apontam o partido.

Por mais extraordinário, o mais grave não são os números. Pior é vê-los como naturais. No Brasil, ninguém estranha o discurso da primazia da dimensão pessoal. Todos acreditam ser normal pensar assim. Não é. Ao contrário, é sintoma de subdesenvolvimento político. Nas democracias maduras, acontece o inverso. Nelas, não faz sentido achar secundário o partido ao qual pertence um candidato.

Dá para imaginar um eleitor norte-americano não interessado em saber se um candidato, especialmente ao cargo de presidente, é democrata ou republicano? Que prefere fantasiar a respeito de sua “pessoa”?

Atribuir importância decisiva a essa dimensão pessoal é pueril, para dizer o mínimo, até por ser impossível conhecer “no íntimo” os candidatos. Ou alguém se considera capaz de “conhecer” um candidato ou candidata depois de vê-lo ou vê-la de vez em quando na televisão? Como se sua imagem televisiva, construída por meio de alta tecnologia e altíssimos custos, fosse sua “essência”.

Quando o assunto é provocado em pesquisas qualitativas, vemos o esforço do eleitor comum para insistir na tese. Inventa a capacidade de enxergar a “verdade interior” dos candidatos, olhando-os “nos olhos”. Que “sente” quando pode confiar em alguém. Que consegue discernir as “pessoas de bem”.
E assim escolhe. Para que se preocupar com os partidos, se imagina possuir uma espécie de comunicação transcendental com os postulantes?

Essa ficção ingênua e despropositada tem raízes em nossa experiência. Não se mexe impunemente com a estrutura partidária de um país tantas vezes quanto aquelas ocorridas aqui. Sempre há sequelas. O que os militares fizeram em 1966 ao extinguir partidos que mal tinham 20 anos de vida e ao impor um bipartidarismo artificial, repercutiu em todos os acontecimentos da vida política depois da volta das eleições diretas.

Por termos criado tantos partidos e estabelecido uma legislação tão instável a seu respeito, é compreensível que muitos eleitores fiquem confusos e procurem se refugiar no personalismo como critério. Por mais infantil que seja a argumentação.

Agora, depois das manifestações de junho e sua ojeriza aos partidos, o personalismo encontra ambiente ainda mais propício. Aumentou em muito a proporção daqueles que partilham da velha ilusão de que a melhor maneira de escolher candidatos é procurar sua “alma”.

Como se as campanhas fossem uma espécie de concurso de Miss Brasil, os candidatos e candidatas desfilam diante dos eleitores, que definem seu preferido ou preferida pelas virtudes exibidas: quem tem “os mais belos sentimentos”, quem é o “mais sincero ou sincera”, o “mais humano ou humana”, o portador da biografia mais bonita, o que “emociona mais”.
Dos candidatos em campo, a grande beneficiária desse estado de coisas é Marina Silva, ainda mais por adotar uma estratégia política que reforça os estereótipos antipartido presentes em nossa cultura. Ela se oferece como opção para aqueles que acreditam na puerilidade personalista.

Com sua Rede Sustentabilidade, a ex-senadora não constrói partido algum. Basta ver: quase sete meses depois de fundá-la, nem sequer conseguiu a metade das assinaturas necessárias para solicitar o registro da legenda na Justiça Eleitoral. E apesar de contar com milhares de simpatizantes na juventude de classe média, tão fácil de ser mobilizada. Talvez lhe falte empenho para resolver uma questão tão burocrática quanto institucionalizar o seu partido.

Para os conhecedores da política, isso não seria muito grave, pois Marina poderia se candidatar por outra agremiação. Quem sabe o PV? No fundo, ela e seus seguidores parecem estar apenas a escrever um novo capítulo na história dos partidos personalistas no Brasil. Ademar de Barros não criou o PSP para fazer carreira? Fernando Collor não lançou o PRN para ser candidato? E Enéas Carneiro, com seu Prona?

É a vez do partido da Marina. Para quem não acredita nas legendas políticas, trata-se de um prato cheio.”

Vinda dos médicos cubanos, uma guerra ideológica

DRA. DISLENE DE LEMOS, MÉDICA GINECOLOGISTA E OBSTETRA EM FORTALEZA, CEARÁ, MOSTRA COMO A VINDA DOS MÉDICOS ESTRANGEIROS SE TRANSFORMOU EM UMA GUERRA IDEOLÓGICA.


As manifestações de junho e julho tiveram muitas consequências, que precisam ser analisadas com muito cuidado, dentre elas uma das principais foi o questionamento sobre a capacidade e a qualidade do serviço público, principalmente na área da saúde, com destaque para a falta de médicos nas cidades interioranas e nas periferias das metrópoles.  

O debate público que se seguiu às manifestações, levando em consideração a atuação forte na convocação das passeatas da mídia comprometida com o discurso da oposição (Rede Globo, Folha, Estadão e Veja) trouxe à tona sentimentos que estavam submergidos principalmente no setor da sociedade brasileira que tem origem social na classe média alta tradicional, que passaram a expressar publicamente preconceitos que circulavam somente em conversas restritas e que foram expostos, principalmente quando este setor da sociedade aderiu ás manifestações do Movimento Passe Livre e incorporou seus descontentamentos aos protestos de rua. 

Assim, o preconceito de classe em relação aos pobres da periferia e a ascensão social que esta acontecendo no Brasil na última década ficou evidente, principalmente nas redes sociais.

O texto da Dra. Dislene de Lemos desvenda uma das partes mais importantes desta guerra ideológica, com destaque para o debate decorrente da implantação do Programa Mais Médicos pelo Governo da Presidenta Dilma Roussef.


A VINDA DOS MÉDICOS ESTRANGEIROS, UMA GUERRA IDEOLÓGICA.
Dra. Dislene de Lemos - Médica Ginecologista e Obstetra.

Primeiro o que tem ocorrido nos últimos anos é uma elitização da medicina, onde os custos mensais com o curso atualmente, gira em torno de cinco a seis mil reais em faculdades particulares e ainda a grande maioria das vagas de faculdades públicas são preenchidas com estudantes egressos dos melhores e mais caros colégios. Consequentemente este médico faz parte de uma classe que não tem a necessidade de trabalhar nos rincões deste Brasil, preferindo especializar-se em longas residências, em que não estão errados.

Historicamente o interior sempre foi assistido de forma transitória por médicos recém formados em sua maioria. E que ao longo do tempo foi tornando–se figurinha rara. Poucos fixavam-se naquelas cidades. Para complicar ainda mais, o mercado da medicina está aquecido nos grandes centros. Aqui em Fortaleza vários hospitais tem dificuldades em preencher as escalas de plantão, mesmo oferecendo quantia acima de mil reais por 12 horas de trabalho. O governo do estado do Ceará tem custeado inclusive passagens aéreas para especialistas em cidades do interior como Juazeiro do Norte e Sobral. Portanto a ausência de médicos no interior do país se deve principalmente a esta elitização. Todos preferem o conforto e as melhores condições de vida que as capitais oferecem. 

A justificativa de péssimas condições de trabalho no interior, não convence, já que nas metrópoles a maioria dos hospitais públicos ou privados estão muito aquém de condições ideais. 
Do médico estrangeiro espera-se um serviço em atenção básica de saúde e todos temos consciência de que estes não são ameaça aos empregos da categoria. A qual valoriza a especialização da especialização.
Dizer-se preocupados com a saúde da população é falácia, pois pior que ser atendido por um médico sem revalida é não ter médicos. Sem falar que eles estão vindo para nos ajudar, somos nós os necessitados, somos nós que os chamamos, como exigir revalida? Além do que é sabido que muitas de nossas faculdades, apesar de caras formam muito mal nossos médicos. E que estes recebem seus diplomas imediatamente após o termino do curso.
Não podemos falar mal da medicina cubana, pois os índices revelam o quão são competentes em medicina preventiva, deixando o Brasil muito aquém de Cuba.

É sabido também que o PROGRAMA MAIS MÉDICOS, não resolverá o problema de saúde do Brasil, pois os problemas vão além de falta de médicos, mas trará alguma assistência médica básica para uma parte carente da população. 

Outro fator sem fundamento é acreditar que os médicos cubanos estão sendo escravizados. Isto é analisar a atuação destes sob o prisma consumista do capitalismo, é a visão de uma categoria com um perfil elitista de direita.

Enfim, vejo nessa guerrinha estúpida e insana, um "rancor ideológico" que não trará benefícios nenhum a categoria e nem a sofrida e carente população brasileira.


Nos dias seguintes logo após as manifestações, principalmente em julho, muitas pessoas foram as redes sociais expressar seus sentimentos de admiração a ideologia de direita e até mesmo defendendo a volta do regime militar. Muitas dessas pessoas eram próximas e do meu convívio, colegas e até mesmo parentes. Fiquei surpreendido com a atitude delas. Por isso considero que textos como o da Dra. Dislene de Lemos são fundamentais para explicar didaticamente a realidade fundamentada na história porque a maioria das pessoas, na maioria das situações, geralmente, parafraseando as sábias palavras de Jesus Cristo, "não sabem o que fazem", não sabem o que falam.

Flávio Luiz Sartori
http://flavioluizsartori.blogspot.com.br/

domingo, 25 de agosto de 2013

Desemprego e inflação: fantasmas da mídia são fantasmas. Não existem



Por Fernando Brito
O IBGE divulgou a taxa de desemprego de julho: 5,6%.

Quatro décimos de ponto percentual a menos que em junho, quando foi de 6%.
Se tivesse subido 0,4%, a esta hora, manchetes apregoando a alta do desemprego.
Teríamos até  malandragens estatísticas dizendo que a taxa de desemprego aumento em quase 7% (0,4 em 6,0%) em apenas um mês.


Claro que isso é um besteirol terrorista, pelas mesmas razões de equilíbrio , aqui ninguém vai fazer o raciocínio inverso, porque o índice baixou.

A verdade é que chegamos a um patamar próximo do pleno emprego e as variações, agora, precisam ser maiores ou se repetir mais para que definam uma tendência.
Só a má-fé e a politicagem podem explicar coisas assim, como a que ontem “saudou” o “aumento” da inflação medido pelo IPCA-15 – prévia da inflação oficial -, que passou de 0,07% para 0,16%.

Os dados do IBGE servem, porém, para algo mais útil: trazer para cá o excelente artigo de análise sobre o tema do professor João Saboia, da UFRJ, publicado anteontem no Valor, que sai do ti-ti-ti de 0,1% pra cá ou para lá e consolida os dados, para avaliar a situação e as mudanças de características do emprego no Brasil.

Desaceleração sim, piora ainda não

João Sabóia
Nos últimos meses tem crescido a sensação de que o mercado de trabalho está piorando ao longo de 2013. O fato da economia estar rateando tem levado muitos analistas econômicos a apontarem para diversos problemas no mercado de trabalho do país, que estaria piorando, ou na melhor das hipóteses, passando por uma forte desaceleração.

O principal objetivo deste artigo é procurar relativizar os movimentos que estão ocorrendo, mostrando que o mercado de trabalho urbano ainda poderia estar distante de uma piora em relação ao passado recente.

Conforme é sabido, o mercado de trabalho passou por um longo processo de recuperação a partir de 2004. Mesmo com o crescimento econômico relativamente baixo em alguns anos, o movimento de melhora teve continuidade, a ponto de alguns afirmarem que teríamos chegado recentemente a uma situação próxima ao pleno emprego.

A única variável que piorou foi o percentual de chefes entre os desempregados que foi de 26,2% para 26,8%

Uma das maiores dificuldades na análise mensal do mercado de trabalho é a existência de um forte componente sazonal. Mesmo com correções para dar conta da sazonalidade, as comparações mensais ficam dificultadas, pois os movimentos costumam ser mínimos de um mês ao outro, ficando dentro da margem de erro das pesquisas amostrais, como no caso da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Portanto, o mais aconselhável para se tirar conclusões mais seguras é a comparação dos dados de um mesmo mês em anos subsequentes.
A partir dos dados das seis regiões metropolitanas cobertas pela PME montamos um indicador para o mercado de trabalho baseado na metodologia do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) utilizando nove variáveis agregadas em três grupos. Para medir o componente de desemprego são utilizadas a taxa de desemprego, o desemprego dos chefes de família e o desemprego de longa duração (mais de 1 ano). Para o componente de renda as variáveis são a remuneração média, o diferencial entre a remuneração dos empregados com e sem carteira e a sub-remuneração (abaixo do salário mínimo). Finalmente, em relação ao componente de inserção no mercado de trabalho são considerados o percentual de empregados com carteira assinada, o nível de escolaridade dos ocupados e a taxa de subocupação (poucas horas trabalhadas). O indicador síntese varia entre zero e um, indicando uma melhor situação quanto maior for o seu valor.

O resultado do índice síntese das nove variáveis está apresentado no gráfico. Conforme pode ser verificado, ao longo do primeiro semestre de 2013 o indicador continuava acima dos valores encontrados no mesmo semestre do triênio 2010/2012. É verdade que a melhora entre 2012 e 2013 tem sido bem menor do que nos anos anteriores, mas o indicador manteve-se na primeira metade do ano sistematicamente acima do encontrado no primeiro semestre de 2012.

Das nove variáveis utilizadas houve melhoria em oito quando comparados os dados do primeiro semestre de 2013 com 2012. Tomando-se como referência os valores médios obtidos no primeiro semestre dos dois anos podemos destacar os seguintes resultados:
- O percentual de empregados com carteira assinada passou de 53,5% para 54,4%;
- O percentual de ocupados com no mínimo o segundo grau completo aumentou de 62,1% para 63,6%;
- A remuneração média subiu de R$ 1.847 para R$ 1.875 (reais de junho de 2013);
- A taxa de desemprego caiu de 5,9% para 5,7%;
- O percentual de desempregados de longa duração caiu de 6,0% para 4,9%;

A única variável que piorou no período foi o percentual de chefes entre os desempregados que aumentou de 26,2% para 26,8%.

Conforme pode ser verificado no gráfico, a tendência nos últimos três anos tem sido de aumento do indicador ao longo de cada ano. Tal fato está associado à própria melhoria do mercado de trabalho no período 2010/2013, assim como a efeitos sazonais verificados durante cada ano. Exceto em 2010 quando a economia teve forte crescimento, em geral há uma flutuação no indicador no primeiro semestre, seguido de aumento no segundo.

Neste ano não tem sido diferente. O indicador flutuou no primeiro semestre de forma bastante semelhante ao que se verificou em 2012. A dúvida que fica é em relação ao que ocorrerá ao longo do segundo semestre. Se mantiver a tendência dos anos anteriores o indicador deverá aumentar refletindo o próprio movimento sazonal favorável encontrado na segunda metade de cada ano. Se isso não ocorrer, aí sim poderemos falar em piora no mercado de trabalho e teríamos o cruzamento das curvas de 2013 e 2012 em algum ponto do segundo semestre.

Em resumo, o mercado de trabalho continua apresentando resultados favoráveis em 2013, mas encontra-se em processo de desaceleração da melhoria. O segundo semestre deste ano será fundamental para a ocorrência ou não de uma reversão nesse processo que já dura uma década. Se o governo conseguir uma recuperação no estado das expectativas dos agentes é possível que o país feche o ano ainda apresentando resultados favoráveis no mercado de trabalho. Caso contrário, corremos o risco da desaceleração se transformar efetivamente numa piora.