quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Acredite se quiser


James Randi, hoje com 87 anos, passou grande parte de sua vida usando a sua extraordinária habilidade de ilusionista e prestidigitador para desmascarar picaretas que se valiam de truques para tirar dinheiro dos outros, como esse monte de "pastores", "bispos" ou "missionários", que exibem seus "milagres" pela televisão por todo o mundo, ou médiuns e "cirurgiões espirituais" - uma legião de "paranormais" com poderes que deixariam o Super-Homem envergonhado de tanta incompetência.

A vida e o trabalho de Randi em prol da desmistificação dessa indústria de falsidades estão muito bem retratados no filme "An Honest Liar", dirigido por Tyler Measom e Justin Weinstein, que se encontra no catálogo da Netflix.

O documentário mostra desde o tempo em que Randi se apresentava como mágico e escapista, seguindo a trilha de seu ídolo Houdini, até os dias de hoje, quando passou pelo drama de ver seu companheiro de mais de duas décadas ser preso nos Estados Unidos por ter vivido lá com documentos falsificados.

A história de Randi é mais interessante que muitos filmes de ficção.

Sua obsessão em desmascarar os picaretas é merecedora de aplausos.

Mas o filme revela algo assustador: o fato de que muitas pessoas, apesar de todas as evidências que lhes são apresentadas de que aquela coisa extraordinária que veem não passa de uma farsa, de um truque barato, continuam a crer nos poderes mágicos do autor da "façanha".

A batalha entre Randi e o "paranormal" Uri Geller, que durou anos, exemplifica isso muito bem.

O israelense Uri Geller ficou famoso, décadas atrás, por entortar colheres e outros objetos de metal ou fazer relógios quebrados funcionarem, por meio, como dizia, do seu poder mental.

Apareceu em inúmeros programas de televisão dos Estados Unidos, deixando seus apresentadores e telespectadores atônitos.

Randi percebeu de cara que Geller era apenas mais um mistificador.

E passou a ir a todos os programas em que Geller se apresentava, fazendo exatamente as mesmas coisas que ele.

Chegou ao ponto de conseguir que dois discípulos seus, bem treinados nos truques "mágicos", passassem por uma bateria de testes científicos que durou anos - os mesmos testes que autenticaram as façanhas de Geller.

Mesmo assim, provando que qualquer mágico profissional possuía os mesmos "poderes" que Uri Geller, Randi teve de ouvir, nos programas de televisão de que participava, que ele simplesmente havia reproduzido, por meio de ilusões e truques, o que o israelense havia feito com seus poderes mentais.

A conclusão a que Randi chegou é que as pessoas acreditam naquilo que querem, seja lá por que razões for.

De certa forma, constroem e vivem num mundo de ilusão, no qual tudo é possível.

Esse é um fenômeno que ocorre bastante no Brasil atual.

Muitas pessoas creem realmente que o país vive uma grave crise econômica e moral, tudo por culpa de um determinado partido político.

Essa crença se origina, na maioria das vezes, na própria pessoa, em seus preconceitos e ressentimentos, mas não se pode desprezar o papel dos meios de comunicação em disseminá-la, já que eles, por terem se transformado em panfletos de propaganda ideológica, fazem questão de apresentar esta como uma nação maldita, condenada, inteiramente sem futuro - pelo menos enquanto for dirigida pelos trabalhistas.

Para tais pessoas, a única realidade que existe é aquela que querem ver, deformada e pintada em branco e preto, sem nuances ou sutilezas.

Mais vale a palavra de um "pastor", a fofoca de um vizinho, o inteiro non sense de algum texto numa rede social, que a objetividade dos fatos.

Randi desmascarou centenas de farsantes, mas não impediu que muitos deles continuassem a lucrar com seus negócios trapaceiros, já que boa parte do público preferiu ficar imerso nesse universo irreal de milagres, curas fantásticas e divindades que concedem a certos homens, os escolhidos, poderes sobrenaturais.

No fundo, cada um acredita no que quer, vive sua própria realidade, e enfrenta, dessa forma, os demônios que o assolam no cotidiano.

Paciência...

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O assassinato de Trotsky e a Lata de Lixo da História





Com depoimentos atuais e imagens históricas, o Observatório da Imprensa recupera o assassinato de Trotsky da lata de lixo da história

Neste 20 de agosto, completam-se 75 anos do atentado que tiraria a vida de Leon Trotsky por um agente do stalinismo. O assassinato não foi algo inesperado. Era parte de um esforço em eliminar qualquer ligação entre os dirigentes da Revolução de Outubro e as gerações mais jovens

Leon Trotsky lia atentamente um texto entregue a ele por seu assassino. De repente, um golpe violento na cabeça dado pelas costas com uma picareta de alpinista o jogou ao chão.

Mesmo ferido mortalmente, ele se agarrou ao assassino enquanto seus guarda-costas chegavam. Gritou para que não o matassem, para que se descobrisse o mandante do crime.

Era o dia 20 de agosto de 1940. Trotsky foi levado ao hospital ainda lúcido. Em suas últimas palavras, deixou a mensagem de otimismo a seus camaradas em todo o mundo: “Estou próximo da morte, devido ao golpe de assassino político... Por favor, digam aos nossos amigos... Estou certo... da vitória da IV Internacional... continuem”.

Antes de entrar na sala de cirurgia, se despediu carinhosamente de Natasha, sua companheira de muitos anos. Entrou em coma logo depois e morreu no dia seguinte.

O assassino 

Ramon Mercader, o nome verdadeiro do assassino, era um agente da GPU, serviço de segurança russo antecessor da KGB. Foi um crime longamente planejado pelo stalinismo. Mercader viajou para a URSS em 1937, lá permanecendo por seis meses. Depois, no México, conseguiu se aproximar pessoalmente de uma secretária de Trotsky, Silvia Ageloff.

A partir daí, se apresentou ao velho revolucionário como um simpatizante de suas idéias. No dia do assassinato, entregou um texto a Trotsky para que ele opinasse. Aproveitando-se de sua distração, assassinou-o pelas costas.

Depois de sair da prisão, em 1961, Mercader foi para URSS, onde foi condecorado com a medalha de “Herói da União Soviética”.

Stalin tenta cortar o fio de continuidade do marxismo

O assassinato de Trotsky não foi algo inesperado. Era parte de uma política consciente do stalinismo de eliminar qualquer ligação entre os velhos dirigentes da Revolução Russa de 1917 com as gerações mais jovens. Era a tentativa de cortar o fio de continuidade do marxismo revolucionário num momento em que se preparava, novamente, uma guerra mundial, com suas conseqüências revolucionárias. Existia a possibilidade de se construir uma alternativa de direção revolucionária ao redor do velho bolchevique russo.

Trotsky pertenceu a uma geração de revolucionários sem precedentes na história. Uma geração que deu respostas teóricas e políticas desde questões relacionadas à organização do partido revolucionário até a construção do poder de Estado pela classe operária.

Ele não foi apenas um dos principais dirigentes da Revolução Russa ou o organizador do Exército Vermelho, como é costumeiramente lembrado. Foi o primeiro a identificar o perigo da crescente burocratização do partido e do Estado operário soviético, que ameaçava as conquistas da Revolução de Outubro.

Dedicou sua vida, a partir da morte de Lenin, a uma luta prática e teórica para libertar o movimento operário internacional da dominação stalinista. Lançou-se numa batalha sem tréguas contra a burocratização e em oposição à desastrosa política da burocracia dirigida por Stalin.

Logo após a ascensão do stalinismo, o revolucionário russo organizou a Oposição de Esquerda e se opôs radicalmente à teoria do “socialismo num só país” defendida por Stalin. Trotsky sustentava que era impossível construir o socialismo limitado às fronteiras nacionais de um país economicamente atrasado como a Rússia. Como Lenin, acreditava que a Revolução Russa era só o princípio da revolução socialista mundial.

Trotsky dedicou os últimos anos de sua vida a construir uma alternativa à desastrosa política dos partidos comunistas, intervindo nos processos revolucionários. Realizou o que em sua própria opinião era “o trabalho mais importante” de sua vida: a construção da IV Internacional.

A perseguição implacável do stalinismo

Em 1927, Trotsky foi expulso do partido, destituído de suas funções no Estado Soviético e, no início de 1928, deportado para o Cazaquistão. No ano seguinte, Trotsky foi banido da URSS e sua condição de cidadão soviético foi cassada.

Trotsky era um homem sem nacionalidade ou cidadania. Começava, assim, uma longa jornada de exílios e expulsões que iniciou na Turquia, passou pela Noruega e pela França, até chegar, finalmente, ao México, em 1937, único país que aceitou o exílio do revolucionário russo.

O assassinato de Trotsky 

Quatro anos antes do assassinato, tiveram início os famosos Processos de Moscou contra dirigentes bolcheviques. Neles, foram fuzilados velhos colaboradores de Lenin, como Zinoviev, Kamenev, Bukharin, Antonov-Ovseenko, entre outros. Durante os processos, o próprio Trotsky foi condenado à morte por ser considerado um suposto “agente sabotador do imperialismo”. Nesse período, milhares de ativistas da Oposição de Esquerda já haviam sido atacados, assassinados, presos ou deportados.

A campanha de terror tinha o objetivo de suprimir toda oposição genuinamente socialista contra a usurpação do poder feita pelo stalinismo. O alvo maior do stalinismo era atacar os que estavam junto com Trotsky. Em fevereiro de 1937, Leon Sedov, filho de Trotsky, foi morto em Paris. Às vésperas da fundação da IV, Rudolf Klement, secretário de organização da nova Internacional, foi assassinado, e o projeto de estatutos foi roubado.

Em 24 de maio de 1940, se deu a primeira tentativa de assassinato de Trotsky. Um bando de assassinos stalinistas, liderados pelo pintor David Siqueiros disparou rajadas de balas contra a casa do revolucionário que escapou do atentado.

Na segunda tentativa, conseguiram seu objetivo. Stalin havia, finalmente, liquidado o último dos grandes dirigentes bolcheviques da Revolução de Outubro.

O stalinismo foi julgado pela história

O stalinismo procurava desarticular a recém-fundada IV Internacional. Possui um grande significado o fato de Stalin, que naquele momento dirigia um Estado operário e tinha influência em partidos de massas de todo o mundo, ter de recorrer a um assassinato pelas costas de um velho de 61 anos.

Hoje, o aparato stalinista desabou. Mesmo o que resta dos partidos stalinistas rejeita a vinculação com Stalin. Por outro lado, a IV Internacional sobreviveu e está sendo reconstruída. Obviamente, o assassinato do principal dirigente da Internacional foi uma perda colossal.

Mesmo assim, o stalinismo não conseguiu suprimir o legado teórico e político do revolucionário russo. Suas obras constituem uma extraordinária contribuição para a teoria marxista. Um legado para as novas gerações de revolucionários que mantêm viva a sua luta em defesa do socialismo e da IV Internacional.

Jeferson Choma
No GGN




Trotsky — Documentário

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Contradições


O Brasil é o país dos contrastes, dizem.

Acrescento: é o país das contradições.

Se não, como explicar:

1) Pessoas que nunca passaram dificuldades em suas vidas baterem panelas vazias, símbolo de carência material, como protesto contra o governo federal?

2) Que se peça a volta da ditadura, em plena democracia?


3) Que se vá às igrejas, ouvir sermões sobre o imperativo do amor entre os homens, e depois erguer cartazes, em manifestações de rua, lamentando que a ditadura deveria ter matado "todos" - uma clara referência aos "comunistas"?

4) Gente que completou a educação formal dizer que o PT, partido que, no governo federal, mais lucros deu a banqueiros e empresários, é "comunista" ou "bolivariano", seja lá o que isso signifique?

5) Gritar contra a corrupção dos políticos - do PT -, mas votar em notórios corruptos e praticar, no dia a dia, toda sorte de pequenos crimes, ilegalidades, e mesmo corrupções?

6) Proclamar a excelência da meritocracia, mas sair dando tiros em miseráveis haitianos, sob a alegação que eles "roubam os empregos dos brasileiros"?

7) Se indignar com o beijo gay da novela, mas apoiar o linchamento do suspeito, invariavelmente negro, de algum furto?

8) Que a sua vida tenha melhorado nos últimos anos, que tenha viajado mais, comido melhor, comprado mais bens de consumo, garantido financiamento para estudar numa faculdade, e mesmo assim odiar o governo dos "petralhas", responsáveis, em grande parte, por todos esses benefícios?

9) Agir, de dia, como um respeitável pai de família, "empreendedor", homem de negócios, para, à noite, usar o Facebook para vomitar as mais odiosas frases de apologia à violência, à intolerância, ao preconceito?

10) Xingar o prefeito que manda reduzir a velocidade dos veículos nas ruas para que menos pessoas morram ou fiquem feridas e o trânsito flua melhor, abominar a construção de ciclovias e de faixas exclusivas para ônibus, e reclamar que perde muito tempo para ir ao trabalho e que é difícil viver em sua cidade? 

Mais que os efeitos de uma crise política ou econômica, muitos brasileiros estão sofrendo as consequências de uma grave crise nervosa, que deveriam ter tratado já nos primeiros sintomas.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/08/contradicoes.html

Por que a denúncia contra o aeroporto do tio de Aécio foi arquivada


Pista em Claudio
Uma das razões que levaram o Ministério Público de Minas Gerais a arquivar a denúncia contra o senador Aécio Neves pela construção do aeroporto de Cláudio é a explicação dada pelo governo do Estado, durante a gestão do próprio Aécio, em 2009, de que o aeroporto de Cláudio fazia parte de um “amplo programa” de modernização dos aeroportos do Estado. Outra é o conteúdo de uma carta do prefeito de Cláudio, aliado de Aécio, que diz que a chave do aeroporto ficava com a prefeitura, não com um parente de Aécio.

No inquérito, não existe uma perícia sobre o preço do pista — quase 14 milhões de reais. Tampouco há um estudo independente sobre a real necessidade do aeroporto na cidade, já que Divinópolis, a menos de 50 quilômetros dali, tem um aeroporto que serve à região.

Quatro promotores que atuam na defesa do patrimônio público de Minas Gerais conduziram a investigação: Maria Elmira Evangelina do Amaral Dick, Fernanda Caram Monteiro, Tatiana Pereira e José Carlos Fernandes Júnior. Eles poderiam ter ouvido o ex-vereador do município de Cláudio Israel de Souza, o primeiro a denunciar o aeroporto como símbolo da utilização de dinheiro público para fins privados. Israel conhece toda a história.

Não há depoimentos no inquérito do Ministério Público, só documentos, e todos eles são dos órgãos oficiais, e ainda por cima emitidos no tempo em que Aécio Neves ou seu sucessor e aliado Antônio Anastasia governaram o Estado. Também foi colhida a manifestação dos advogados de Aécio.

Eu estive em Cláudio no ano passado, depois que a Folha de S. Paulo publicou a denúncia do aeroporto, e vi agora o inquérito civil sobre aeroporto, que pela segunda vez o Ministério Público mandou arquivar. Segunda vez? É isso mesmo.

A investigação começou em 2009, quando Aécio governava o Estado. A origem é um e-mail enviado à ouvidoria do Ministério Público, por um homem que se apresenta como João Guilherme (provavelmente nome fictício).

O denunciante questiona a necessidade de construção do aeroporto na cidade que tem cerca de 30 mil habitantes e é vizinha de Divinópolis, onde já existia um aeroporto regional.

O denunciante não cita o nome de Aécio, dono de uma fazenda perto do aeroporto nem cita o fato de que o aeroporto foi construído na terra do tio-avô de Aécio, Múcio Tolentino, mas, pelos termos que utiliza, tudo indica que é para Aécio que ele quer que os promotores olhem.

Quase cinco anos depois, em 14 de fevereiro de 2014, quando Aécio tinha sido anunciado pelo PSDB candidato a presidente (não tinha sido oficializado, mas fazia campanha), promotores encerraram a investigação, com a decisão de arquivá-la, pois consideravam o aeroporto de Cláudio não representava mau uso de dinheiro público.

O nome de Aécio ou de qualquer membro de sua família não aparecem no inquérito. O nome do ex-governador só vai ser relacionado ao aeroporto em julho do ano passado, cinco meses depois da decisão do primeiro arquivamento do inquérito. Aécio já estava em campanha para presidente, quando a Folha de S. Paulo publicou a reportagem.

Com a publicação, o Ministério Público reabriu a investigação, para apurar ato de improbidade administrativa (um dos tipos de improbidade é caracterizado quando governante ignora o princípio da impessoalidade). Construir aeroporto nas terras da família não seria propriamente atitude desprovida de interesse próprio.

Mas, no último dia 7 de julho, decorrido um ano da reabertura do inquérito, os mesmos promotores decidiram mais uma vez arquivar a denúncia, e mais uma vez o inquérito só traz a versão oficial — a do governo do Estado ao tempo em que Aécio governava o Estado, e a da prefeitura de Cláudio no presente, que diz que é mentira a denúncia da Folha de que a chave do aeroporto ficava com o tio de Aécio.

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Quando estive em Cláudio, ouvi de mais de uma pessoa que no aeroporto só entrava quem o tio de Aécio deixasse. Inclusive, por generosidade dele, é que aficionados do aeromodelismo usavam o local para festivais. Também vi que o cadeado era diferente daquele mostrado em foto da Folha. Segundo um morador, a troca ocorreu depois da denúncia, supostamente pela recusa de Múcio de devolver as chaves.

Em uma conversa com o filho de Múcio Tolentino, Kedo, primo de Aécio, ouvi o que ele disse sobre a intenção de um industrial da cidade em relação ao aeroporto. “O Pedro Cambalau me disse que, se o Múcio deixasse, ele usaria o aeroporto”. Como assim, Múcio deixasse? Não era a prefeitura que tinha as chaves?

Para verificar que em Cláudio o aeroporto foi colocado na frente de muitas prioridades, não é preciso muito esforço. Nas ruas, qualquer pessoa diz que é absurdo construir aeroporto numa cidade que não tem um grande hospital.

A denúncia anônima que deu origem ao inquérito não cita o município mineiro de Montezuma, onde família de Aécio tem uma fazenda e outro aeroporto foi reformado. Mas os promotores incluem o nome Montezuma e estabelecem uma relação entre esta obra e a de Cláudio, sem mencionar que a família de Aécio também, em tese, se beneficiou com a obra em Montezuma. Os promotores preferem falar de uma suposta suspeita de superfaturamento e afastá-la por completo.

“Restou esclarecido que as obras no aeródromo do Município de Cláudio-MG referem-se à ampliação e ao aumento da capacidade, seguindo rigorosos requisitos técnicos, enquanto que as intervenções no aeródromo de Montezuma-MG referem-se apenas a duas pequenas intervenções visando à recuperação e o apoio à estrutura já existente”, escreveram os promotores.

O que vi nos dois inquéritos do Ministério Público não é o mundo real. Mas produziu efeitos na realidade política do Estado. O PSDB de Minas divulgou nota para dizer que a decisão “demonstra a exploração política injusta que o tema teve durante as eleições do ano passado”. Aécio não quis comentar. E precisava?

Joaquim de Carvalho
No DCM

Dez imagens da sociedade contemporânea

n4
Matar-se de trabalho. Ver a felicidade no “sucesso”. Consumir, descartar e devastar. Vagar sem sentido pela cidade e pela vida. Charges para compreender pós-modernidade capitalista
No Bhaz
n3n2n7n8 n1n13 n12n11n9
no: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=194285

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O aparelhamento político e estratégico do governo de SP por Alckmin



Condenar a repartição da máquina pública em lotes que são distribuídos a aliados é algo que fazem frequentemente com Dilma Rousseff (PT), embora a petista não tenha inventado esse modus operandi que se reproduz país afora, há décadas, em várias instâncias do poder, com distintos governantes. Hoje, aliás, é impossível negar que a maioria deles tem tido muito mais sucesso com essa fórmula do que a presidente.

Vejamos o governo estadual paulista. A regra, neste segundo mandato de Geraldo Alckmin, do PSDB, segue a mesma: se a eleição é bem sucedida, a participação é garantida. Os aliados não são esquecidos.

Um exemplo de fidelidade à parceria é o retorno de Soninha Francine ao governo. Em abril, segundo o Diário Oficial, a jornalista e ex-vereadora foi alçada ao Conselho Fiscal da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo).

A Prodesp era vinculada à Secretaria de Gestão Pública que, até o ano passado, Alckmin delegava ao partido de Soninha, o PPS. O setor é visado porque, entre outras funções, cuida da construção das unidades do Poupatempo espalhados por São Paulo, servindo de plataforma para um bom relacionamento com prefeitos e, convenhamos, de vitrine em época de eleição.

Um exemplo do uso político da Prodesp pelo PPS é a indicação de Admir Ferro, ex-vereador de São Bernardo do Campo, para atuar na Prodesp, em 2013. Admir, então do PSDB, foi indicado pelo hoje deputado federal Alex Manente (PPS).

Manente e Admir disputaram o Paço de São Bernardo com o atual prefeito, Luiz Marinho, em 2012. Perderam. Mas como a ideia é disputar novamente juntos em 2016, Manente indicou Admir para a Prodesp, e não um nome do próprio PPS. Como há construção de unidades do Poupamento em Mauá e Santo André (cidades vizinhas de São Bernardo), a dupla vinha mantendo a frequência nos jornais da região nos últimos anos.

Admir Ferro hoje está no PTB e ficou sem cargo na Prodesp após a reeleição de Alckmin, pois o governador refez o secretariado com vistas à disputa presidencial de 2018. A Secretaria de Gestão foi extinta e a participação do PPS o governo, um tanto afunilada. O popular-socialista Davi Zaia, ex-secretário de Gestão, virou deputado estadual em outubro passado. A Prodesp foi vinculada à Secretaria de Governo do Estado, agora liderada por Saulo de Castro Abreu Filho, ligado ao PSDB.

Alckmin empoderou Saulo de Castro com o intuito de concentrar nele a responsabilidade pelas ações estratégicas do governo, incluindo as parceiras com instituições privadas. A ideia é destravar os grandes projetos que ajudarão a pavimentar o caminho de Alckmin até o Palácio do Planalto.

Ao PPS sobrou a inexpressiva Secretaria de Agricultura, entregue ao deputado federal licenciado Arnaldo Jardim.

O caso Prodesp

Saulo de Castro é hoje presidente do Conselho Administrativo da Prodesp, que ainda conta com a participação de Carlos Moretzsohn (engenheiro que coordenou a equipe que inventou a urna eletrônica, em 1996), Célio Bozola (presidente da Prodesp, do ramo de telecomunicações), Moacir Rossetti (secretário-adjunto da Casa Civil, do grupo de Saulo), Daniel Edelmuth (economista, marido da deputada tucana Célia Leão), Emília Ticami (que atua na Fazenda do Estado), José Eduardo Poyares (ex-chefe da Casa Civil do governo Serra), Júlio Semeghini Neto (deputado federal pelo PSDB) e o advogado e assessor de comunicação Márcio Aith (que já foi alvo de artigos aqui).

Responde ao Conselho Administrativo da Prodesp o Conselho Fiscal onde Soninha Francine figura ao lado de outros dois conselheiros: Maria de Fátima Alves Ferreira (do elenco da Fazenda do Estado) e Amauri Gavião Almeida, que já passou pela Secretaria de Habitação, hoje liderada por Rodrigo Garcia, eleito deputado federal e presidente do DEM paulista.

Amauri também acumula a função de chefe de gabinete da Secretaria de Planejamento, comandada por Marcos Antonio Monteiro. Este último, ao lado de Saulo de Castro, compõe o núcleo duro do governo Alckmin.

Em 2014, a Prodesp discutiu a fixação da remuneração dos membros de Conselho Fiscal em R$ 18 mil em dinheiro, mais extras que podem chegar a R$ 10 mil.

O loteamento da Cetesb

Antes de chegar à Prodesp, Soninha Francine (que hoje acumula o posto de conselheira fiscal da Associação dos Artistas Amigos da Praça, instituição que promove ações com a Secretaria de Cultura de Alckmin) também passou, em 2013, pelo Conselho de Administração da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), entidade ligada à Secretaria de Meio Ambiente do Estado.

Quem presidia o Conselho, à época, era Rubens Naman Rizek Junior. Formado em Administração e Direito, atualmente é secretário-adjunto de Agricultura. É filho de Rubens Nanam Rizek, conselheiro vitalício da Fundação Mário Covas, com passagem, ainda, pela Secretaria de Meio Ambiente na época em que o titular era Bruno Covas (PSDB), hoje deputado federal.

O aparelhamento da Secretaria de Meio Ambiente por Covas foi denunciada em reportagem do Estadão, em 2013. Naquele ano, o jornal apontou que ambientalistas estavam preocupados com a demissão em massa de técnicos da área para dar lugar a funcionários comissionados com pouca ou nenhuma experiência no ramo. A própria cúpula da Pasta, segundo o Estadão, estava recheada de advogados.

Primeiro escalão

Se a divisão de poder entre aliados de Alckmin ficar apenas na análise do primeiro escalão do governo, veremos que o governador tucano soube deixar boa parte dos partidos da base feliz.

O PRB tem Jean Madeira na Secretaria de Esportes desde 2014. Antes, a pasta era ocupada por José Auricchio Junior, ex-prefeito de São Caetano do Sul pelo PTB, nome ligado ao presidente estadual do partido, Campos Machado.

Na Justiça, outro nome indicado pelo PTB: o desembargador Aloisio de Toledo Cesar, também próximo de Campos Machado. Abaixo dele, no comando do Ipem (Instituto de Pesos e Medidas), mais uma indicação petebista. O superintendente é Clovis Volpi, ex-prefeito de Ribeirão Pires pelo PV.

O Solidariedade do deputado federal Paulinho da Força conseguiu emplacar João Dado, também eleito deputado federal, na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho de Alckmin.

O DEM tem sua parcela com o deputado Rodrigo Garcia, presidente estadual da legenda, no topo da Secretaria de Habitação.

O PSB tem o vice-governador Márcio França desde a reeleição de Alckmin, em 2014. França, presidente estadual do partido, acumula a função de secretário de Desenvolvimento Econômico. Essa semana ele chegou a declarar que a sigla pode deixar de lançar um candidato próprio à eleição municipal para apoiar o candidato do PSDB.

Já o PV ficou com a Secretaria de Turismo, do deputado licenciado Roberto de Lucena.

Como se vê, Alckmin segue reproduzindo em São Paulo o loteamento da máquina a troco de apoio político para governar e vencer eleições. Nada diferente do que fez FHC no plano federal, na década de 1990 — é só resgatar, por exemplo, as reportagens sobre as disputas entre PSDB e aliados em torno das estatais.

A diferença é que, hoje, Alckmin, ao contrário do que tem ocorrido com Dilma, possui controle de seus parceiros políticos na Assembleia Legislativa. Não se vê o governador perdendo os poucos cabelos que lhe restam na cabeça com criações de CPIs indigestas ou problemas sérios de governabilidade. Talvez por isso o aparelhamento de parte do Estado pelo tucano passe despercebido.

Cíntia Alves
No GGN, via http://www.contextolivre.com.br/2015/08/o-aparelhamento-politico-e-estrategico.html

Passos errados na reforma política




Em seu artigo no Jornal Pequeno desta semana, o vice-líder do PCdoB Rubens Pereira Jr comenta a reforma eleitoral aprovada pela Câmara dos Deputados
Reivindicamos por anos que o Brasil fizesse uma reforma política, que alterasse profundamente o modo de fazer política no país. No entanto, acho que faltou defender mais claramente quais eram as alterações que queríamos.
O resultado é que finalmente temos em 2015 uma reforma política, como resultado dos insistentes pedidos de reforma política e das mobilizações recentes pedindo renovação. Infelizmente, não temos muito o que comemorar com ela.
A reforma existente produziu o inverso do que queríamos. Não veio uma reforma que reduzisse o peso do dinheiro sobre a vontade do povo. Ao contrário, as alterações aprovadas pelo Congresso Nacional constitucionalizam as doações privadas. O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) caminhava para considerar inconstitucional a doação de empresas a candidatos. A Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) impetrada pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) argumentava que, sem direitos políticos previstos na Constituição, as empresas não poderiam participar do processo eleitoral, mesmo que indiretamente, por meio do financiamento.
A campanha eleitoral comporta apenas três atores: candidato, eleitor e partido. Empresa não tem direito a voto, portanto não pode participar do processo, nem indiretamente. A entrada de um quarto elemento nessa equação, a empresa, é que compôs a maioria dos escândalos que hoje conhecemos na política, a começar pelo caso mais ilustre da Lava Jato.
A reforma eleitoral aprovada pela Câmara dos Deputados também fixou um limite para gastos em campanha, o que é bem vindo. No entanto, fixa o gasto de deputado federal, por exemplo, em 70% da campanha mais cara do país na última eleição. Isso, imediatamente joga todos os candidatos do país para buscar o novo teto, que será de R$ 5 milhões.
Por fim, as alterações feitas pelo Congresso mascaram as doações, já que a maior parte delas terá de ser feita aos partidos, que o repassarão aos candidatos. Com isso, o eleitor fica sem saber quem está pagando a conta da campanha do candidato em quem ele quer votar.
Na monarquia brasileira, o voto era censitário. Só podia votar quem comprovasse renda superior a 100 mil réis, o que representava pouco mais de 10% da população. Ou seja, quem tinha dinheiro decidia quem governaria para toda a população.
Aos poucos, com ar de modernização, estamos regredindo a esse estágio: quem tem recursos, escolhe quem vai tomar decisões. O peso do poder econômico tenta se sobrepor à vontade das maiorias.
E não vejo outro caminho que não uma Constituinte para debater a Reforma Política, em que os legisladores sejam escolhidos exclusivamente para debater a reforma política. Quando deputados e senadores debatem esse assunto, a única pauta que a maioria tem em mente é saber se as regras que estão sendo alteradas garantem a sua reeleição. Só uma Constituinte Exclusiva pode nos tirar dessa encruzilhada e garantir mudanças que retomem a credibilidade de nossa democracia.
http://www.entrefatos.com.br/2015/08/18/passos-errados-na-reforma-politica/

O baixo nível dos manifestantes afastará a direita racional


Rogério Maestri, GGM


"O verdadeiro show de horrores que as pessoas sem o mínimo pudor manifestaram seu ódio e irracionalidade nas ruas está afastando a direita racional dos movimentos.

O que chamo a direita racional? São pessoas que há muito tempo tem uma opção ideológica de direita e manifestam esta posição sem a necessidade de chavões, gritos e baixarias.

Talvez o vídeo que melhor represente isto é o vídeo rodado por um chileno (ou talvez por um pseudo-chileno) que gravou as mais patéticas declarações que vi naInternet na minha vida.
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Os manifestantes demonstraram não só raiva e má educação, mas demonstraram uma total falta de articulação do discurso que levantasse algum argumento a favor de suas posições, não houve críticas a ações econômicas específicas e também não houve nenhum fato, ação ou posição que indicasse o porquê da raiva. Houve simplesmente uma expressão quase que inconsciente com argumentos insanos ou beirando a insanidade.

Realmente está ficando difícil achar pessoas de direita razoáveis que apoiem estas manifestações, pois simplesmente não há uma proposta de mudança, há uma confusão de ideias que chegam ao absurdo de qualificar a Globo como um agente da esquerda, pregar um governo sem partidos em que um general qualquer assumiria o poder e por fim dizer que o General Pinochet salvou o Chile.

Os 5 fenômenos naturais mais fascinantes

Fizemos uma seleção daquelas… pegamos umas combinações que mais foram compartilhadas e divulgadas na página Climatologia e montamos um ranking dos 5 fenômenos naturais mais encantadores da natureza. Confira abaixo a lista e fique a vontade para compartilhar.
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5 – ALGAS BIOLUMINESCENTES

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Nos lagos Gippsland na Austrália, a bioluminescência é um fenômeno fascinante, belo e raro, ocasionado pela explosão populacional de uma população de algas vermelhas.

4 – NUVENS GLORY MORNING

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Este tipo de nuvem tem por principal característica ter a forma de uma grande rolo, que pode chegar a 1.000 km de comprimento e  até 2 km de largura. Elas são formadas sempre a uma altitude entre 100 e 200 metros do Solo.

3 – TEMPESTADES DE AREIA QUE SEGUEM PARA O MAR

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Normalmente tempestades de areias são vistas atingindo desertos ou cidades inteiras, agora nada é mais esplêndido do que observar uma tempestade de areia atingindo regiões marítimas como é o caso da imagem obtida na Austrália.

2 – OS ECLIPSES SOLARES

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Raros, são sempre esperados pela maioria das pessoas. Os eclipses solares representam uma mensagem das divindades para uns e um fenômeno natural astronômico de uma grandeza implacável para outros.

1 – As magníficas auroras polares

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As noites nas regiões polares (Norte e Sul) ficam radiantes quando o sol emana partículas carregadas de vento solar em direção a Terra. As cores variam de acordo com a intensidade da tempestade solar. O fenômeno, é sempre esperado, além de ter diversos fãs, existem aqueles que se encantam cada vez mais para ver de perto apos ver nossas imagens. Espero que tenham gostado da nossa primeira seleção desse tipo, continue conectado na CG para sempre receber nossas imagens.


Veja mais aqui http://climatologiageografica.com/os-5-fenomenos-naturais-mais-fascinantes/#ixzz3jAfqkOhz


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Financial Times, sobre o trensalão tucano: “Constrange o PSDB”

 Reportagem do jornal britânico evidencia que a imprensa internacional tem dedicado mais espaço ao esquema de corrupção na Petrobras, mas “outro escândalo de longa data envolvendo o sistema ferroviário suburbano de São Paulo também está chegando a um ponto crítico”
PROPINODUTO
Por Redação
O jornal britânico “Financial Times” publicou uma reportagem nesta segunda-feira (29) em que afirma que a corrupção não pode ser aplicada somente ao Partido dos Trabalhadores. A matéria cita a suposta formação de cartel na compra de trens envolvendo governos do PSDB em São Paulo. De acordo com o veículo, a acusação “constrange o PSDB, que governa o estado de São Paulo há 20 anos”.
A reportagem também evidencia que, ao publicar reportagens referentes ao Brasil, a imprensa internacional tem dedicado espaço ao esquema de corrupção na Petrobras, o que atinge, principalmente, os partidos da base aliada do governo federal. “Mas, ainda que receba menos atenção, outro escândalo de longa data envolvendo o sistema ferroviário suburbano de São Paulo também está chegando a um ponto crítico”, diz o jornal.
Ainda segundo o Financial Times, “o escândalo ferroviário de São Paulo, que poderia se estender por 15 anos de governos do PSDB entre 1998 e 2013, mostra que a corrupção nos contratos públicos é um problema brasileiro, e não um desafio de apenas um único partido”.

Sanguessugado do SPressoSP, via: http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2014/12/financial-times-sobre-o-trensalao.html?spref=fb