terça-feira, 14 de abril de 2015

Sonegar não é corrupção. É crime


Entre as dezenas de faixas e cartazes com dizeres absurdos que vi na manifestação dos antipetistas, duas me chamaram a atenção: "Sonegação não é corrupção", proclamava uma; "Sonegar é legítima defesa", pregava a outra. 

Um amigo me alertou sobre outra, que me parece mais uma gozação, tão surrealista que é: "A corrupção é nossa, fora PT!"

Seja como for, os cartazes fazem a apologia de um crime. 

Os sujeitos que aparecem, sorridentes, exibindo-os para as fotos, são criminosos. 

Réus confessos.


Quem, deliberadamente, deixa de pagar os tributos devidos, prejudica toda a sociedade. 

Não importa que faça isso ao deixar de emitir uma nota fiscal ou a fraudar o Imposto de Renda. 

Ele tira dinheiro destinado à saúde pública, à educação, a áreas essenciais para o dia a dia das pessoas. 

Não passa de um ladrão. 

Qualquer um de nós está no direito de não concordar com determinadas leis e pode, portanto, lutar para revogá-las.

Não é algo simples ou fácil, mas há caminhos determinados para isso. 

Obedecê-las, porém, é dever de todo cidadão. 

Essa regra vale para qualquer país civilizado, da Bolívia à Noruega, do Butão aos Estados Unidos.

Fora essa noção básica de cidadania, quem vai a uma manifestação pública que tem como um dos principais temas de protesto a corrupção e faz a apologia de um crime só pode ser definido como o perfeito idiota.

Personifica uma subespécie do "homem brasileiro", que tem como principais características o cérebro diminuto, a ínfima capacidade de discernimento e enormes reservas de canalhice, hipocrisia e calhordice.

A corrupção seletiva dos que protestaram


"A terceirização que ameaça os trabalhadores também foi tema ausente nos protesto
 Tereza Cruvinel, Blog: Tereza Cruvinel

Os protestos minguaram, talvez porque muita gente não quis marchar com pregadores do golpe e da violência política mas outros milhares fizeram o barulho que gera instabilidade política, agora com uma agenda ainda mais difusa e contraditória.   Segundo o Datafolha,  a motivação mais citada pelos manifestantes foi a  corrupção.  Entretanto, apesar dos muitos cartazes sobre “petrolão” e Petrobrás,  não houve referências às  contas secretas no HSBC da Suiça ou sobre o mega-escândalo de sonegação revelado pela Operação Zelotes.  Deve ser a corrupção seletiva:   O cidadão se revolta com o escândalo que envolve políticos mas não se incomoda com os casos em que grandes empresas e milionários sonegaram impostos depositando dinheiro lá fora ou subornando conselheiros do CARF/Receita Federal para burlar o fisco.  Ou alguém viu um cartaz sobre os Zelotes ou sobre as contas na Suiça? Eu não vi.

A segunda motivação, segundo o Datafolha, foi impeachment de Dilma e o protesto contra o PT. Não foram os problemas do bolso e do estômago, o aumento da inflação ou do desemprego, problemas que certamente pouco afetam a vida da maioria que foi às ruas.  Talvez por isso não vi nenhuma jovem loura, nenhuim rapaz bem nutrido ou senhora elegantemente vestida reclamando do preço do feijão. Mais ainda.  Examinando imagens dos protestos não vi uma só referência àquela que é a maior ameaça aos que vivem do próprio trabalho, o projeto de terceirização de mão de obra aprovado pela Câmara.  A aprovação do projeto do deputado Sandra Mabel é  coisa do Congresso, da qual o governo não conseguiu se dissociar e acabará pagando o pato. . Se não conseguir barrar a aprovação no Senado, ainda vai tornar-se o pai desta aberração, embora o PT tenha votado maciçamento contra e o governo tenha  feito suas críticas.  Um priotesto de gente que trabalha não podia ser indiferente a um tema que está aí, ameaçando conquistas e direitos.
Os movimentos que chamaram as manifestações, mesmo rachados, anunciaram que agora vão mudar de tática, partindo para a pressão sobre o Congresso.

Deviam começar pressionando pela não aprovação do projeto de terceirização.
Mas, falando nisso, o quê irão mesmo pedir  a Renan Calheiros e Eduardo Cunha nesta marcha a Brasilia?  O impeachment de Dilma, sem que haja elementos jurídicos para fundamentar o pedido?  Renan Santos, líder do Movimento Brasil Livre, anunciou que uma caravana irá ao Congresso na sexta-feira “encaminhar a pauta do movimento.  Devia começar mudando o dia. Sexta-feira, mesmo nestes tempos frenéticos de Congresso hiper-ativo disputando poder com o Executivo, é dia de casa vazia.

Já  Rogerio Chequer, do Vem Prá Rua, acusado de ser bancado pelo PSDB, falou numa aliança de 50 grupos que iriam ao Congresso na quarta em busca de lideranças dispostas a encaminhar os pleitos dos movimentos.  O PSDB, até agora, não abraçou a bandeira do impeachment. Pelo menos oficialmente. Ou haverá alguma reivindicação mais viável, além do Fora Dilma?

Vai ser engraçado ver movimentos que se dizem contra todos os políticos e partidos pedindo a estes mesmos que violem as regras da políticas e tirem Dilma do governo.  Estão quase entendendo o óbvio: na democracia, por piores que sejam os partidos, não há salvação fora da política. O que precisamos é melhorar o sistema de regras em que ela exercida. É de uma boa reforma política, embora isso também não seja remédio para todos os males.
Educação política

Boa parte dos que protestam não sabe mesmo do que está falando. Assim como 12% dos defensores do impeachment, segundo o Datafolha, não sabem que se Dilma for afastada o governo será assumido por Michel Temer, desta vez apareceram cartazes pedindo “intervenção militar constitucional”.  A Constituição é consequência da luta pela democracia. Os que a escreveram não pactuaram com a ditadura e o passado, mas com o futuro e com a liberdade. Não existe tal asneira em nossa Constituição cidadã. A alma de doutor Ulysses Guimarães deve estar horrorizada com tal deturpação."

SOBRE COXINHAS, MULHERES E OUTROS MAIS

PERSONAGENS DO 12 DE ABRIL: Homens, meninos, avós e ciranças. E muitas mulheres


Dia 12 de abril. Sol. Domingão.... O típico dia paulistano pra passear e sair com a família, andar pela Paulista e se preparar para a semana seguinte. É essa a agenda de muitos paulistanos e paulistanas típicas que saem de casa no domingão para passear, e curtir com a família, para de noite comer uma pizza e esperar a semana que começa. Vamos com a família para a rua e ver o lindo céu azul "de brigadeiro" e esperar a segunda-feira chegar. Domingo de sol, dia perfeito para fazer uma caminhada e andar pela Paulista.

Não, leitor, você não está confuso. Essa é a introdução mais apropriada para o longo domingo de apenas algumas horas passadas na Paulista dia 12 de abril. Foi mais do mesmo. Foi uma confusão de ideias, de propostas, de propósitos e de ataques e de desinformação. Ou mal caratismo. Ainda tentando e organizando as ideias sobre o que aconteceu por lá, vamos aos personagens.


FORO DE SÃO PAULO: Para o manifestante que não quis se identificar, "Lula e Fidel criaram o Foro de São Paulo para criar a Pátria Grande Socialista". Já participou, segundo sua lembrança de pelo menos 10 manifestações contra o PT. Se diz contra todos os partidos.
Momento Vergonha alheia 1: Participam do Foro de São Paulo 26 países e não só os da America Latina.
Fora Foro de São Paulo 

Partidos brasileiros que compõem o Foro de São Paulo 



LEMBRANDO JÂNIO QUADROS: Com uma vassourinha em punho, o aposentado queria fazer uma "alusão à Jânio". Se diz contra "tudo que está se falando". Não quer ser "enganado novamente". Com a família (genro, netos, filha), deixa os parabéns para a repórter e despede-se: NON DUCOR DUCO!!
Momento vergonha alheia 2: A frase de "impacto" dita pelo aposentado é a do brasão da capital paulista, e quer dizer: Não sou conduzido, conduzo. 


Varre, varre, Vassourinha!!



HERÓIS COMO DOM PEDRO: Para construir um futuro melhor para seus filhos e seus netos, a dona de casa Egle, 55, saiu às ruas no domingo de sol. O seu lema é "Viva Sérgio Moro!!". Seu desejo é que Sergio Moro seja tão "idolatrado quanto Dom Pedro e Tiradentes e todos heróis que nós já tivemos". Com um cartaz contra a corrupção do Petrolão e do Mensalão, pergunto se ela já ouvira falar de Trensalão... "Não! Afinal, é tanto "salão""... ..."eles acabaram com nosso país e eu tenho direito de estar aqui vestida de verde e amarelo! É a minha pátria!!" (a manifestante usava branco). Mais uma pergunta sobre a Operação Zelotes (que investiga fraudes na Receita Federal que podem ter dado prejuízos de R$ 19 bilhões) ela diz que está acompanhando tudo. "Esse partido se travestiu de pobre para espoliar o país". "Eu sou uma cidadã e tenho o direito de estar aqui e dizer isso". Egle diz ainda que lutou para tirar o país da ditadura. 


A dona de casa Egle pelo fim da coligação.



BOLSONARO NA PASSEATA: A chegada de Jair Bolsonaro ao caminhão do Revoltados On Line foi um grande momento. Marcelo Reis desceu do caminhão (cercado e protegido por seguranças) para recebê-lo pessoalmente no chão. Depois de inúmeras selfies, muitos "Obrigado, Capitão!!", Bolsonaro consegue subir ao caminhão. Durante a execução do hino nacional (que seria tocado de hora em hora até o final da passeata) Bolsonaro chora! As pessoas (mulheres) que estão assistindo choram também.








CANALHAS QUE ESTÃO NO PODER: "Meus filhos tiveram que deixar o país pois não tem segurança e não tem saúde" declara Mirna, 57, consultora da área financeira. 
"Me manifesto para que todos tenham o mesmo direito e o poder de ir e vir". Pergunto o que ela pensava sobre o PSDB: "São todos iguais", responde.







Muitos outros trios espalhados pela Avenida. Um deles montou uma jaula e prendeu um Lula dentro (ainda com severas dúvidas se a intenção seria uma cela). As crianças corriam livremente gritando: "Fora PT" enquanto seus pais bebiam cerveja e comiam pipoca. O vendedor de pau de selfie reclamava do movimento: "Já são quatro horas e ainda tenho alguns pra vender. Hoje tá fraco". 
Várias tendas montadas na esquina da Paulista com a Alameda Campinas colhiam assinaturas para o Movimento Federalista. O seu fundador, o Presidente do Partido Federalista Thomas Korantai, Empresário, declara que o Movimento foi fundado para tirar a concentração de poder de Brasília. Para o empresário (que cita o Foro de São Paulo) o movimento está na rua para "trocar o modelo, já que as coisas sempre foram ruins no Brasil". Sua ideia é que os estados administrem seus próprios recursos. "São Paulo que é o Estado que mais produz é o que mais deve", afirma Thomas (NON DUCOR, DUCO!). Sua preocupação é ainda com o fato de que "em 23 anos o país passou por dois impitimans". "O problema não são as pessoas, é o modelo. É um modelo anacrônico, errado, doente". De acordo com seu modelo, a República Federativa do Brasil teria estados autônomos com a seguinte estrutura: Moeda, Forças Armadas, Corte Suprema (STF) e Relações Externas além de algumas poucas secretarias normativas, e fim dos ministérios. Os Estados teriam autonomia Legislativa, Tributária, Judiciária e Administrativa. As cidades teriam liberdade de eleger vereadores não remunerados ou conselhos administrativos, podendo escolher Prefeitos terceirizados, opa, Prefeitos sem partido, que poderiam ser contratados para administrar as cidades. 
Pergunto ao Presidente do Movimento Federalista o que ele pensa sobre a democracia: "É preciso tomar muito cuidado com a Democracia. Pois a democracia que o governo e o PT querem, uma democracia nacional, pode levar o país para o socialismo, e esse é um perigo muito grande". Seu movimento quer um único referendo para uma nova Constituição Federalista, com participação pela internet. Um "comitê de notáveis vai corrigir ou aproveitar tudo que a população mandar, baseado numa proposta, um 'ensaio constitucional'" que o seu movimento já tem pronto. Esse processo seria conduzido por um presidenciável, que seria eleito pelo povo e a partir daí autorizar esse referendo, pois "a população é a verdadeira dona do povo, não os políticos, e não os partidos". 
Questionado sobre se o movimento estaria presente em outros estados, Thomas explica que o movimento está em outros estados e é constituído por uma entidade técnica e uma política, que é o Partido Federalista, que está sendo fundado para isso. Thomas Korantai estava na Paulista com seu 'staf" no dia 12 de abril para colher assinaturas e fundar o partido do qual ele já é Presidente. Até aquele dia já haviam sido colhidas 50 mil assinaturas. Sua perspectiva é que até agosto, seu partido esteja registrado e possa ser regularizado. 
Deixamos abaixo a íntegra da entrevista caso você ainda queira saber mais sobre essa proposta.

Mais uma caminhada pela Paulista. Paramos em frente ao caminhão que pedia intervenção militar. Ali, muitas senhoras de verde e amarelo em frente ao caminhão. Um rapaz de pouco mais de 30 anos, careca, branco, bem branco, com cavanhaque falava ao microfone. Seu desejo era de que a Dilma não fosse impitimada. Segundo suas palavras "devemos fazer a intervenção militar, pois assim ela será presa. Se tiver impitiman, ela fica livre e não é isso que nós queremos. Queremos que ela seja presa para devolver o dinheiro que ela roubou". 

Muitas cervejas e pipocas depois, as famílias vão deixando a avenida. Hora de ir para a casa. A temperatura está caindo. As crianças continuam gritando "Fora PT". 
A prefeitura já chega com os caminhões pipa para lavar a rua. Amanhã é dia de branco e São Paulo, como todos sabemos, não pode parar... E o Fantástico já vai começar.
do: http://antoniadazza.blogspot.com.br/2015/04/sobre-coxinhas-mulheres-e-outros-mais.html?spref=fb

As passeatas, a política e os caminhos de Dilma

Luis Nassif, GGN

Algumas reflexões sobre as passeatas de ontem:

A lógica do refluxo

As manifestações pelo impeachment perderam força em todo o país, da mesma maneira que as passeatas do Movimento do Passe Livre.

As grandes passeatas funcionam como puxões de orelha nos governantes. Se a demanda por atenção não for atendida, voltam com mais intensidade em um ponto qualquer do futuro.

Mais relevante que a diminuição dos manifestantes foi a ausência total de insufladores profissionais - Aécio Neves, FHC, Serra, Aloyzio - e a vaia sonora recebida pelo único que se apresentou, Paulinho, da Força Sindical, a versão sem verniz de FHC.

Os manifestantes e o papel da mídia

As pesquisas indicam que a maioria absoluta dos manifestantes não foi às manifestações com o objetivo de pedir o impeachment de Dilma – mesmo assim apoia a proposta.

A chamada "maioria silenciosa" (como era denominada essa parte não politizada da classe média) não se move por ideologia, mas por percepções. Percebe no seu dia a dia a falta de perspectivas da economia, afetando seu trabalho, ameaçando seu emprego e, principalmente, não criando uma expectativa de melhoria futura. Grupos de mídia não criam esse terreno, mas ajudam a adubar com um noticiário enviesado.

A maneira mais direta de explorar esse desconforto é através da personalização dos seus problemas, o bode expiatório. E o bode expiatório preferencial é o que entende como símbolo máximo do status quo, a figura do presidente da República.

Nas diretas, o presidente era um militar. Por isso, a “maioria silenciosa” aderiu à marcha pela democracia.

Na campanha do "impeachment", era Collor. E não se atribua às manifestações contra Collor nenhuma bandeira de esquerda, progressista, democrática ou o rótulo que se dê. Foi um golpe político-midiático, similar ao que se tenta agora contra Dilma.

Nos três casos, a mobilização ocorreu junto à classe média porque se conseguiu personalizar o desconforto – na figura do presidente – e a solução – a queda do presidente.

Como reagir a esse quadro?

Com Dilma ou sem Dilma?

Domingo participei de uma das rodadas do encontro Jornada para a Democracia. Vários colegas lamentando que nas diretas e na campanha do impeachment o povo foi para as ruas mobilizado por ideais democráticos e, agora, só o preconceito conseguiu essa poder de mobilização. Enalteceu-se o que consideraram o formidável poder de mobilização da direita nas redes sociais. A alternativa então seria mobilizar o arco da esquerda para as bandeiras democráticas.

Vamos pensar, então.

A chamada direita tem um alvo óbvio para personalizar todos os incômodos: a figura da presidente da República. O bordão " culpa da Dilma" pegou, como pegaram os bordões contra Collor e contra os militares. É o mote que junta os militantes.

Obviamente há os grupos oportunistas que se valem da exploração desse sentimento e tentam cavalgar os movimentos. No caso das diretas, um arco amplo de oposição civil, que ia de Tancredo a Lula. No caso de Collor, o arco que foi do PSDB (sem FHC e Serra que tentaram aderir) a Lula e ao PT. No caso de Dilma, à falta de melhor alternativa, o PSDB.

Como um movimento de esquerda poderia se contrapor à suposta eficiência dos militantes da nova direita?

A esquerda tem um caminhão de queixas contra Dilma. Quem seria o alvo, a personalizar todos os males? FHC? Claro que não. Quem seria o grupo político a galvanizar essa insatisfação? O PT? Evidente que não.

Então há de se pensar nas etapas que precedem uma reorganização do chamado campo progressista porque toda mobilizaçãoi não prescinde de bandeiras claras.

O paradoxo do PT sem Lula

Goste-se ou não, a bandeira dos direitos sociais e individuais, do desenvolvimentismo social, está indelevelmente ligada a Dilma. E o destino de Dilma está indelevelmente ligado à capacidade de recuperar essas bandeiras. Mais: o destino do PT está mais ligado ao de Dilma,  que ao de Lula.
Há dois cenários pela frente: sem Dilma e com Dilma.

Cenário Sem Dilma – Dilma cai, não por impeachment ou golpe, mas por completa exaustão emocional. Os sinais são nítidos e compreensíveis.
Em caso de sua desistência, o cargo seria assumido por Michel Temer, mas desde o primeiro dia eclodiria uma guerra mortal entre o PSDB e demais candidatos. Não se surpreenda se emergir uma nova força, uma aliança de Lula com setores do PMDB e de partidos aliados, sem PT e sem Dilma. Em breve, aparecerão sinais mais concretos desse movimento, com Lula pretendendo demonstrar que o “seu” PT era diferente do PT que aí está. Para Lula, seria a maneira de preservar sua imagem do profundo desgaste que corrói tanto Dilma quanto o PT.

Mas seria o pior dos mundos, com a radicalização subindo de tom e o país entrando em um período pesado de instabilidade política, econômica e social, com uma disputa sem vencedores.

Lula não possui mais o cacife de anos atrás, paira sobre ele o fantasma permanente da reincidência da doença e o ódio visceral da mídia e dos adversários. E o PSDB, com sua falta de estadistas, tornou-se um mero afluente das ondas de intolerância que corroem o país, incapaz de ser uma alternativa unificadora de poder.

Quem vencer, deflagrará a guerra do outro lado.

Cenário com Dilma – por todos esses inconvenientes, a melhor alternativa, aquela que permitiria a Dilma recobrar a governabilidade e conduzir o país de forma segura até 2018, dando tempo para o país se preparar para as novas eleições.

Se o motivo da insatisfação é a perda do sonho, a única maneira de se reagir contra isso é através da recomposição do futuro.

No encontro, a cineasta Tata Amaral foi certeira quando traçou um quadro otimista da situação atual do país. Desde a Constituinte de 1988 o país avançou enormemente no campo civilizatório, nos conceitos de direitos sociais e individuais, na proteção das minorias, nas formas de participação. O que ocorre agora é a erupção de abcessos, das infecções controladas porém remanescentes do período doente, que afloram para que sejam expurgados definitivamente do organismo social. Tem razão.

Não pode ser doente uma sociedade que, nos últimos anos, reconheceu direitos das minorias, inclusive no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal), desenvolveu políticas inclusivas relevantes, reagiu contra a homofobia, escandalizou-se com a situação dos presídios, avançou nos direitos das pessoas com deficiência, recebeu imigrantes expulsos de seus países.

Esses avanços não nasceram do nada. São fruto de uma tomada gradativa de consciência por parte de agentes que estão aí, firmes, vivos, embora desorganizados. Participaram dessa aventura civilizatória membros do Executivo, Ministros do STF, procuradores do Ministério Público, parlamentares, pensadores.

Do mesmo modo, as ideias de um país forte, justo e desenvolvido, continuam vivas, trabalhadas por grupos de pensadores em todos os campos, na academia, nas associações empresariais e de trabalhadores. As ideias estão à mão, assim como as estratégias de implementação de políticas industriais modernas.

No plano da democracia social, estão desenhados os instrumentos de participação, das conferências aos conselhos abarcando de movimentos sociais a empresariais.

São ativos nacionais valiosos, à espera de um agente mobilizador. E esse agente só pode ser a presidente.

Se superar o cansaço, o stress, der uma parada para colocar as ideias no lugar, Dilma poderá se dar conta de que existe uma enorme força modernizante, pronta para ser mobilizada. E que seu tempo não acabou.

Caso contrário, o país terá que atravessar ainda alguns anos tenebrosos até recuperar de novo o fio da história."

segunda-feira, 13 de abril de 2015

7 mitos sobre educação que acabam de ser derrubados

Exame internacional Pisa, realizado em vários países do mundo e que tem como objetivo avaliar sistemas educacionais acaba de desfazer 7 mitos sobre eficiência da educação

educação sistema classes estudo mitos
Andreas Schleicher e Sistema educacional (Imagem: Pragmatismo Político)
A cada três anos, estudantes de vários países fazem o exame internacional Pisa (sigla inglesa para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), cujo objetivo é avaliar sistemas educacionais no mundo por meio de uma série de testes em assuntos como leitura, matemática e ciências.
Cerca de 510 mil estudantes de 65 países participaram da rodada mais recente de testes, realizada em 2012. Os resultados foram divulgados em dezembro de 2013.
O Brasil ocupa a posição 55 no ranking de leitura, 58 no de matemática e 59 no de ciências. Xangai (China) está no topo da lista nas três matérias, Cingapura e Hong Kong se revezam na segunda e terceira posições.
No artigo a seguir, o responsável pelo exame, Andreas Schleicher, usa dados revelados pelo Pisa para destruir alguns dos grandes mitos sobre o que seria um bom sistema de educação:
1. Alunos pobres estão destinados a fracassar na escola
Em salas de aula de todo o mundo, professores lutam para impedir que alunos mais pobres fiquem em desvantagem também no aprendizado.
No entanto, resultados do Pisa mostram que 10% dos estudantes de 15 anos de idade mais pobres em Xangai, na China, sabem mais matemática do que 10% dos estudantes mais privilegiados dosEstados Unidos e de vários países europeus.
Crianças de níveis sociais similares podem ter desempenhos muito diferentes, dependendo da escola que frequentam ou do país onde vivem. Sistemas de educação em que estudantes mais pobres são bem sucedidos tem capacidade para moderar a desigualdade social. Eles tendem a atrair os professores mais talentosos para as salas de aula mais difíceis e os diretores mais capazes para as escolas mais pobres, desafiando os estudantes com padrões altos e um ensino excelente.
Alguns americanos criticam comparações educacionais internacionais, argumentando que elas têm um valor limitado porque os Estados Unidos têm divisões socioeconômicas muito particulares.
Mas os Estados Unidos são mais ricos do que a maioria dos outros países e gastam mais dinheiro com educação do que a maioria. Pais e mães americanos têm melhor nível educacional do que a maioria dos pais e mães em outros países e a proporção de estudantes de nível socioeconômico baixo nosEUA está perto da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).
O que as comparações revelam é que as desvantagens socioeconômicas têm impacto particularmente forte sobre o desempenho de estudantes nos Estados Unidos.
Em outras palavras, nos Estados Unidos, dois alunos de níveis socioeconômicos diferentes variam muito mais em seu aprendizado do que se observa em outros países que integram a OCDE.
2. Países onde há muitos imigrantes têm pior desempenho
Integrar estudantes imigrantes, ou descendentes de imigrantes, pode ser um desafio.
No entanto, resultados dos exames Pisa mostram que não há relação entre a porcentagem de estudantes imigrantes – ou descendentes de imigrantes – em um dado país e o desempenho dos estudantes daquele país nos exames.
Estudantes com históricos de imigração e níveis sociais similares apresentam desempenhos variados em países diferentes, o que sugere que as escolas onde os alunos estudam fazem muito mais diferença do que os lugares de onde os alunos vêm.
3. É tudo uma questão de dinheiro
A Coreia do Sul – país com melhor desempenho (em termos individuais) em matemática na OCDE – gasta, por estudante, bem menos do que a média. O mundo não está mais dividido entre países ricos e bem educados e países pobres e mal educados. O sucesso em sistemas educacionais não depende mais de quanto dinheiro é gasto e, sim, de como o dinheiro é gasto.
Se quiserem competir em uma economia global cada vez mais focada no conhecimento, os países precisam investir em melhorias na educação. Porém, entre os integrantes da OCDE, gastos com educação por estudante explicam menos de 20% da variação no desempenho dos alunos.
Por exemplo, aos 15 anos de idade, estudantes eslovacos apresentam uma média de desempenho similar à de um estudante americano da mesma idade. No entanto, a Eslováquia gasta cerca de US$ 53.000 para educar cada estudante dos 6 aos 15 anos de idade, enquanto os Estados Unidos gastam mais de US$ 115.000 por estudante.
4. Salas de aula menores elevam o nível
Por toda parte, professores, pais e autoridades responsáveis por políticas educacionais apontam salas de aula pequenas, com poucos alunos, como essenciais para uma educação melhor e mais personalizada.
Reduções no tamanho da classe foram a principal razão para os aumentos significativos nos gastos por estudante verificados na maioria dos países ao longo da última década.
Apesar disso, os resultados do Pisa mostram que não há relação entre o tamanho da classe e o aprendizado, seja internamente, em cada país, ou se compararmos os vários países.
E o que é mais interessante: os sistemas educacionais com melhor desempenho no Pisa tendem a dar mais prioridade à qualidade dos professores do que ao tamanho da classe. Sempre que têm de escolher entre uma sala menor e um professor melhor, escolhem a segunda opção.
Por exemplo, em vez de gastarem dinheiro com classes pequenas, eles investem em salários mais competitivos para os professores, desenvolvimento profissional constante e cargas horárias equilibradas.
5. Sistemas únicos de educação são mais justos, sistemas seletivos oferecem resultados melhores
Parece haver um consenso, entre educadores, de que sistemas educacionais não seletivos, que oferecem um mesmo programa de ensino para todos os estudantes, são a opção mais justa e igualitária. E que sistemas onde alunos aparentemente mais inteligentes são selecionados para frequentar escolas com programas diferenciados oferecem melhor qualidade e excelência de resultados.
No entanto, comparações internacionais mostram que não há incompatibilidade entre qualidade do aprendizado e igualdade. Os sistemas educacionais que apresentam melhores resultados combinam os dois modelos.
Nenhum dos países com alto índice de estratificação está no grupo de sistemas educacionais com os melhores resultados – ou entre os sistemas com a maior proporção de estudantes com o melhor desempenho.
6. O mundo digital requer novas matérias e um currículo novo
Globalização e mudanças tecnológicas estão tendo um grande impacto sobre os conteúdos que estudantes precisam aprender.
Num mundo onde somos capazes de acessar tantos conteúdos no Google, onde habilidades rotineiras estão sendo digitalizadas ou terceirizadas e onde atividades profissionais mudam constantemente, o foco deve estar em permitir que as pessoas tornem-se aprendizes para a vida toda, para que possam lidar com formas complexas de pensar e trabalhar.
Resumindo, o mundo moderno não nos recompensa mais apenas pelo que sabemos, mas pelo que podemos fazer com o que sabemos.
Como resposta, muitos países estão expandindo currículos escolares para incluir novas matérias. A tendência mais recente, reforçada pela crise financeira, foi ensinar finanças aos estudantes.
Porém, os resultados do Pisa mostram que não há relação entre o grau de educação financeira e a competência dos estudantes no assunto. Na verdade, alguns dos sistemas de educação em que os estudantes tiveram o melhor desempenho nas provas do Pisa que avaliaram competência em finanças não ensinam finanças – mas investem pesado no desenvolvimento de habilidades matemáticas profundas.
De maneira geral, nos sistemas educacionais de melhor desempenho, o currículo não é amplo e raso. Ele tende a ser rigoroso, com poucas matérias que são bem ensinadas e com grande profundidade.
7. O segredo do sucesso é o talento inato
Livros de psicólogos especializados em educação tendem a reforçar a crença de que o desempenho de um aluno brilhante resulta de inteligência inata, e não do trabalho duro. Os resultados do Pisa questionam também este mito.
Às vezes, professores se sentem culpados por pressionar estudantes tidos como menos capazes, acham injusto fazer isso com o aluno. O mais provável é que tentem fazer com que cada estudante atinja a média de desempenho dos alunos em sua classe. Na Finlândia, em Cingapura ou Xangai, por outro lado, o objetivo do professor é que alunos alcancem padrões altos em termos universais.
Uma comparação entre as notas escolares e o desempenho de estudantes no Pisa também indica que, frequentemente, professores esperam menos de alunos de nível socioeconômico mais baixo. E pode ser que os próprios alunos e seus pais também esperem menos.
A não ser que aceitem que todas as crianças podem alcançar os níveis mais altos de desempenho, é pouco provável que os sistemas educacionais (com resultados piores) possam se equiparar aos dos países com índices de aprendizado mais altos.
Na Finlândia, Japão, Cingapura, Xangai e Hong Kong, estudantes, pais, professores e o público em geral tendem a compartilhar a crença de que todos os estudantes são capazes de alcançar níveis altos.
Um dos padrões mais interessantes observados entre alguns dos países com melhor desempenho foi o abandono gradual de sistemas nos quais estudantes eram separados em diferentes tipos de escolas secundárias.
Esses países não fizeram essa transição calculando a média de desempenho (entre todos os grupos) e usando essa média como o novo padrão a ser almejado. Em vez disso, eles colocaram a nova meta lá em cima, exigindo que todos os estudantes alcançassem o nível que antes era esperado apenas dos estudantes de elite.
BBC
via: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/04/7-mitos-sobre-educacao-que-acabam-de-ser-derrubados.html

E o Brasil, quer ir para onde?

#AceitaDilmaVez é tapa na cara da cobertura golpista da Globo e suas coirmãs...
#AceitaDilmaVez foi tapa na cara na cobertura golpista da Globo e suas coirmãs…
Vai seguir mudando, incluindo pobres e negros nas universidades, no mercado de trabalho, oferecendo melhores opções para suas vidas?
Ou vai seguir, à direita, acompanhando blocos descontextualizados e repletos de ódio, fundamentalismo religioso e discriminação social?
Os caminhos estão aí sinalizados, suas lideranças estão apresentadas.
Não é uma situação simples, ou uma disputa entre o certo ou errado. A situação econômica e as perspectivas mais imediatas, se apresentam, pela primeira vez em 13 anos, difíceis e com riscos de retrocesso para a maioria do povo.
Por outro lado, quem se mostra para o embate e se apresenta para a mudança, nada traz de novo, ou melhor dizendo, nada favorável para o povo. Rezam apenas cartilhas que valorizam o sexismo, racismo e ódio social, nada mais. Convenhamos, a história mundial nos ensinou que não é este o caminho para contornar crises, muito pelo contrário, talvez seja o adequado para aprofundá-las e torná-las ainda mais imprevsíveis. O exemplo recente da Ucrânia, é o de um país que foi vencido pelo discurso do ódio e está, até o pescoço, metido em um conflito étnico, político e social sem precedentes.
Quem está como destaque neste desfile entre sair da crise, com o grupo político que trouxe o Brasil ao nível econômico mais virtuoso de sua história? Aí se mostram Lula, OAB, MST, CUT, PT e a própria presidenta Dilma;
Quem são aqueles que pregam a intervenções militares, impeachment ou o golpe branco do parlamentarismo do PMDB? Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Aécio Neves, FHC, movimentos de direita obscuros, como o Revoltados on Line e MBL.
Deste embate depende o futuro do país.
Não cremos em soluções mágicas ou simplórias, que desconsideram contextos, sociais e econômicos mundiais, ou desprezam os avanços alcançados até então.
Também desprezamos o a retórica do ódio político e dos preconceitos.
O que é certo, neste momento, é que o governo precisa afinar suas medidas econômicas, para que pese menos para os mais pobres e classe média e cobre mais dos mais ricos e sonegadores.
O resto é caldo cultural reacionário, que traz a tona personagens e teses das profundezas do pensamento político.
Não se atravessa a tempestade apenas com histeria e descontroles. Desta maneira, o naufrágio é inevitável.
O brasileiro não quer ir por este caminho.
*Extraído da página do Facebook, Face da Legalidade!
no: https://blogpalavrasdiversas.wordpress.com/2015/04/12/e-o-brasil-quer-ir-para-onde/

Quem vai investigar o Impeachment S/A ?




Assim como nas manifestações do dia 15 de Março, vimos novamente neste domingo (12), vários outros apetrechos que chamam muita atenção, devido a estrutura que esses eventos, ditos "espontâneos", ostentam. Por de trás de cartazes, com frases chulas e repletas de preconceitos, ofensas baratas e pregação fascista, há um verdadeiro desfile de roupas e assessórios de grifes caras, que vestem pessoas que gritam palavras de ordens vazias, embaladas por potentes trios-elétricos.  

Atento a isso, o jornalista Altamiro Borges, publicou neste domingo (12), em seu blog, um artigo intitulado "O lucrativo negócio dos golpistas", onde cita uma matéria do "Estadão", que segundo ele, sonda de leve, a venda irregular do que chamam de "kits manifestação", onde camisas, bandeiras e outros assessórios são vendidos de forma irregular, sem nenhuma tributação, revelando uma cadeia de sonegação de impostos, que pode estar gerando um bom lucro para os líderes dos movimentos (e seus patrocinadores?) que organizam esses atos de protestos.

A justifica da venda destes produtos é a arrecadação de recursos financeiros para pagarem trio-elétricos, palcos, carro-som, adesivos, banners, faixas, balões, bandeiras, panfletos, cartazes e até guinchos hidráulicos para sustentar bandeiras.

Não é possível, que em um país onde milhares de pessoas estão indo às ruas gritar que querem o fim da corrupção, ninguém sinta falta de transparência, nessa verdadeira indústria do impeachment que movimenta tanto dinheiro, inclusive com vendas online e dessa forma busque-se investigar quem são os doadores, quanto se arrecada, quem paga quem e o quê, nesse negócio cada vez mais lucrativo.

Ou a suspeição e a corrupção de uns é aceitável e a de outros não? 

Se for isso, AS FALAS DA PÓLIS acabará concluindo que o juiz Sério Moro, só mete a cara em investigações (e deixa que vazem) quando a esposa dele quer.



O jornal Estadão, que não esconde a sua simpatia pelas marchas golpistas contra o governo Dilma, publicou neste domingo (12) uma curiosa reportagem –- assinada pelos jornalistas Ricardo Galhardo, Vamar Hupsel, Ricardo Chapola e Fábio Leite. Ela questiona as fontes de arrecadação dos grupos que organizaram os recentes protestos –- que pedem desde o impeachment da presidenta até o retorno dos militares.

“Embora cobrem transparência e lisura do governo federal, Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados On Line não fornecem nota fiscal de venda das camisetas que levam suas marcas e serão usadas por muitos manifestantes nos protestos de hoje. A comercialização das peças, bem como as doações recebidas, são as justificativas usadas por eles para financiar suas atividades”.

Quanto arrecadam? Quem doa? Onde é declarado? Veja essa e outras respostas, no próximo capítulo do "Impeachment S/A".

Ainda segundo a minúscula matéria, “Revoltados On Line e Movimento Brasil Livre vendem seus produtos pela internet e as entregam pelo correio sem o documento fiscal. Ambos argumentam que não são uma empresa formal. O Vem Pra Rua montou um ponto de venda na papelaria Paperchase, no Itaim Bibi, bairro nobre da zona sul de São Paulo. A reportagem comprou uma camiseta e pediu a nota, mas não recebeu. Somente depois de questionar o porta-­voz do movimento, Rogério Chequer, o documento foi fornecido ­ em nome da papelaria… Na segunda-­feira, o Estado enviou questões aos três movimentos sobre fontes de recursos, organização jurídica, nomes de integrantes, ligações externas e processos decisórios. O Vem Pra Rua respondeu parcialmente. Marcello Reis, do Revoltados On Line, alegou falta de tempo. Renan Santos, doMBL, não respondeu”.

A breve reportagem do Estadão indica que não dará para esconder por muito tempo as nebulosas transações – e os suspeitos vínculos – destes grupos fascistoides. Através dos blogs e redes sociais, inúmeras denúncias já circularam pela internet. Aos poucos e em doses discretas, a mídia golpista vai sendo forçada a abordar as fontes de financiamento destas sinistras organizações.

Na semana passada, a própria CBN – a rádio que toca mentira da Rede Globo – deu mais algumas pistas num comentário do radialista Leopoldo Rosa. Vale conferir alguns trechos da reportagem intitulada “Grupos que organizam protestos contra a presidente Dilma Rousseff atingem profissionalização”.

“O maior trio elétrico do Brasil. Equipamentos alugados a diárias de R$ 20 mil. Filiais em 130 cidades. Pelo menos quatro grandes entidades organizadoras. Essa descrição caberia muito bem a qualquer show ou grande evento, mas a estrutura e organização é para o protesto contra a presidente Dilma Rousseff, no dia 12 de abril. Os grupos que convocam os atos estão cada vez mais organizados. Alguns viraram pessoa jurídica, outros estão ganhando administradores em diversos estados, além de páginas na internet e pessoas que ajudam a convocar e divulgar os atos. O fundador do Revoltados Online, Marcello Reis, diz que o grupo, que defende o impeachment da presidente quer se transformar em associação para ampliar a arrecadação por meio de mensalidades”.



“Deve ser deste grupo o maior carro de som na Avenida Paulista, a diária do equipamento custa R$ 20 mil. No Rio de Janeiro, o grupo deve levar cinco carros que já vão começar a rodar nesta semana, anunciando a manifestação. Em outros estados, o número de carros ainda não foi definido. Depende de quanto os grupos vão arrecadar até lá. Além das doações que já recebe, o Revoltados Online também comercializa camisetas. Uma peça chega a custar R$ 175. O Movimento Brasil Livre, um dos maiores organizadores do protesto também investe na venda de itens pela internet. No entanto, Renan Santos, líder do movimento rejeita o que chamou de gourmetização das manifestações”.

A reportagem até tenta aliviar a barra dos grupelhos oportunistas, mas não consegue esconder totalmente a sujeira fascistoide. Pelo jeito, há algo de muito podre nos porões destas marchas!
no: http://diogenesbrandao.blogspot.com.br/2015/04/quem-vai-investigar-o-impeachment-sa.html

Ia ser maior, mas não foi: uma visão filosófica sobre os movimentos anti-democráticos

Emir Ruivo, DCM

O “vai ser maior” fracassou. E isso só aconteceu por que não somos os mesmos de 1964.

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Na era da comunicação de massa, com o apoio de alguns veículos de mídia, talvez fosse possível enganar uns bobos. Isso tanto em levar as pessoas para a rua quanto em depois manipular o resultado. Na era da internet, parece que não é mais tão fácil.

Eu fico imaginando quantas pessoas, em 1964, não foram na “marcha da família com deus pela liberdade” porque simplesmente achavam que era uma marcha religiosa.

Esse, aliás, o pulo do gato no nome da marcha: 1, não deixar claro o objetivo e 2, incluir religião de alguma maneira.

Então jornais que sabiam que se beneficiariam da subida dos militares poderiam publicar fotos de ângulos mais impressionantes que nada seria questionado. Se dissessem que havia 100 mil, havia 100 mil. Se dissessem que havia 1 milhão, havia 1 milhão.

Hoje, há uma capacidade de questionamento muito mais democrática, no sentido que não é apenas um pequeno grupo rico (porque fazer mídia era caro) que determina as verdades. Há mais verdades, e você pode escolher a sua.

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A impressão que eu tenho é que entre as manifestações do mês passado e a de ontem, há uma diferença apenas: a do mês passado juntou enganadores com enganados; a de hoje, juntou apenas os enganadores.

É como se tivessem estado juntos ilusionistas e público numa grande festa, mas grande parte desse público descobriu o truque. Ficam ilusionistas fazendo suas mágicas para uns poucos que ainda caem. Mas são tão poucos que começou a parecer carnaval – tem mais artista que espectador.

Os enganados passam a notar algo de errado no papo. Notam a demagogia. Como pode alguém reclamar da corrupção e roubar a padaria na volta? É alguém verdadeiramente interessado na ética proposta ou é alguém se utilizando da ética como subterfúgio?

É claro que você pode sempre enganar outras pessoas. Pode enganar as mesmas de novo também. Mas me parece, apenas me parece, que as dificuldades vão aumentar para os ilusionistas. Mesmo assim, é sempre bom ficar atento a eles. Sempre pinta um novo truque.

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Com todas as reservas que se pode ter com o MPL, eles têm uma agenda clara e honesta. Você pode discordar do ideal passe livre, por exemplo. Eu discordo, ao menos no momento. Não é hora, quando não se tem educação ou saúde universais, de cuidar de passe livre no transporte público. Mas eu sei que não são pessoas que tentam derrubar os empresários de ônibus só para poder pegar as rotas para si e ganhar uma grana.

Eles verdadeiramente acreditam no modelo e por isso, bem ou mal, não apenas são um sucesso, mas são muito importantes.

Não é o caso dos que pedem impeachment. Estes são os mimados que não suportam ouvir “não”.

Não há interesse em derrubar o rei para tentar um novo regime. O que eles querem é colocar um novo rei. Um que seja amigo. Um que vá deixa-los brincar com seus ouros."