domingo, 4 de julho de 2010

Um Economista sem "roda presa"

É um alívio ver um economista que não se alinha ao coro monocórdio do “dever de casa” do superávit fiscal, dos juros altos, do freio no país. Por isso, faço questão de transcrever um trecho da entrevista de Paulo Nogueira Batista Júnior publicada pelo Dilmanaweb. É alguém que, mais de uma vez, tenho mencionado – e torcido muito – pode ser alguém muito importante na cúpula da área econômica do Governo Dilma.
Se o critério for ser capaz de lidar com diferenças de visão na economia, experiência não lhe falta. Afinal é o representante do Brasil que quer crescer no FMI que sempre fez muxôxo ao crescimento do Brasil.

“Brasil abandonou as ilusões da globalização”, diz diretor do FMI

Qual a avaliação sobre o desempenho dos países em desenvolvimento na crise financeira mundial, iniciada em 2008?
Foi uma grande surpresa. Os países em desenvolvimento, em sua maioria, enfrentaram a crise razoavelmente bem. O Brasil se destacou nesse particular. Muito do prestigio atual do país se deve à percepção de que o Brasil soube lidar bem com os choques externos em 2008 e 2009. Houve a maior crise desde a Grande Depressão dos anos 1930, e o Brasil não só não teve grandes problemas em suas contas externas, como virou credor do FMI! Quem diria!
Que significado tem dentro e fora do FMI a mudança de posição do Brasil de devedor para credor externo?
Hoje a nossa posição é outra. A influência do Brasil no exterior, inclusive no FMI, G20, é crescente. O Brasil tem demonstrado capacidade de atuar de forma independente. Nem todos os emergentes têm essa capacidade. Houve, acredito, uma mudança enorme na posição internacional do país. Temos que trabalhar para manter e consolidar essa posição mais forte. Para isso, é importante, entre outras coisas, manter as contas em ordem e evitar a dependência de capitais externos. 
Quais vantagens competitivas o senhor vê no Brasil em relação aos outros países?
O Brasil é um país-continente. É um dos maiores do mundo em termos de PIB [Produto Interno Bruto], população e extensão geográfica. Tem recursos naturais abundantes. Uma população ativa e criativa. Sempre acreditei, mesmo nos piores momentos durante os anos 1980 e 1990, no futuro do país e no seu potencial. Passamos por muito sofrimento, muita decepção, mas agora tomamos o rumo do desenvolvimento com independência. “A independência é para os povos, o que a liberdade é para o individuo”, dizia De Gaullle. Depois de muita cabeçada, parece que finalmente o Brasil encontrou o seu caminho, abandonando as ilusões sobre “globalização”, fim do Estado nacional e outras que nos seduziram na década de 1990.
O Brasil pode se tornar a 5ª maior economia do mundo, como algums preveem?
É difícil prever. Mas o Brasil deve continuar crescendo mais do que a média mundial. Para continuar crescendo, é importante manter políticas econômicas sólidas, estimular o investimento e não se deixar inibir pelas estimativas pessimistas que muitos economistas fazem sobre o nosso “crescimento potencial”. Essas estimativas são mais incertas do que se imagina. Não me parece exagerado buscar metas de crescimento ambiciosas, digamos, de 6% ao ano nos próximos anos.

Por que apoiamos Dilma?

Abaixo vocês vão ver um exemplo de coragem e honestidade vindo do editor-chefe de uma revista semanal que faz parte da mídia corporativa brasileira. Em editorial, ele declara de forma clara qual candidato a revista que comanda apóia para as próximas eleições à presidência. Ou seja, trata seus leitores com respeito e inteligência. Coisa que 99,9% dos editores-chefes dos outros veículos da mesma mídia corporativa jamais teriam coragem - ou permissão - de fazer. Leiam e comprovem.

Por que apoiamos Dilma?

Resposta simples: porque escolhemos a candidatura melhor
- por Mino Carta, editor-chefe da Carta Capital

Guerrilheira, há quem diga, para definir Dilma Rousseff. Negativamente, está claro. A verdade factual é outra, talvez a jovem Dilma tenha pensado em pegar em armas, mas nunca chegou a tanto. A questão também é outra: CartaCapital respeita, louva e admira quem se opôs à ditadura e, portanto, enfrentou riscos vertiginosos, desde a censura e a prisão sem mandado, quando não o sequestro por janízaros à paisana, até a tortura e a morte.

O cidadão e a cidadã que se precipitam naquela definição da candidata de Lula ou não perdem a oportunidade de exibir sua ignorância da história do País, ou têm saudades da ditadura. Quem sabe estivessem na Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade há 46 anos, ou apreciem organizar manifestação similar nos dias de hoje.

De todo modo, não é apenas por causa deste destemido passado de Dilma Rousseff que CartaCapital declara aqui e agora apoio à sua candidatura. Vale acentuar que neste mesmo espaço previmos a escolha do presidente da República ainda antes da sua reeleição, quando José Dirceu saiu da chefia da Casa Civil e a então ministra de Minas e Energia o substituiu.

E aqui, em ocasiões diversas, esclareceu-se o porquê da previsão: a competência, a seriedade, a personalidade e a lealdade a Lula daquela que viria a ser candidata. Essas inegáveis qualidades foram ainda mais evidentes na Casa Civil, onde os alcances do titular naturalmente se expandem.

E pesam sobre a decisão de CartaCapital. Em Dilma Rousseff enxergamos sem a necessidade de binóculo a continuidade de um governo vitorioso e do governante mais popular da história do Brasil. Com largos méritos, que em parte transcendem a nítida e decisiva identificação entre o presidente e seu povo. Ninguém como Lula soube valerse das potencialidades gigantescas do País e vulgarizá-las com a retórica mais adequada, sem esquecer um suave toque de senso de humor sempre que as circunstâncias o permitissem.

Sem ter ofendido e perseguido os privilegiados, a despeito dos vaticínios de alguns entre eles, e da mídia praticamente em peso, quanto às consequências de um governo que profetizaram milenarista, Lula deixa a Presidência com o País a atingir índices de crescimento quase chineses e a diminuição do abismo que separa minoria de maioria. Dono de uma política exterior de todo independente e de um prestígio internacional sem precedentes. Neste final de mandato, vinga o talento de um estrategista político finíssimo. E a eleição caminha para o plebiscito que a oposição se achava em condições de evitar.

Escolha certa, precisa, calculada, a de Lula ao ungir Dilma e ao propor o confronto com o governo tucano que o precedeu e do qual José Serra se torna, queira ou não, o herdeiro. Carregar o PSDB é arrastar uma bola de ferro amarrada ao tornozelo, coisa de presidiário. Aí estão os tucanos, novos intérpretes do pensamento udenista. Seria ofender a inteligência e as evidências sustentar que o ex-governador paulista partilha daquelas ideias. Não se livra, porém, da condição de tucano e como tal teria de atuar. Enredado na trama espessa da herança, e da imposição do plebiscito, vive um momento de confusão, instável entre formas díspares e até conflitantes ao conduzir a campanha, de sorte a cometer erros grosseiros e a comprometer sua fama de “preparado”, como insiste em
afirmar seu candidato a vice, Índio da Costa. E não é que sonhavam com Aécio...

Reconhecemos em Dilma Rousseff a candidatura mais qualificada e entendemos como injunção deste momento, em que oficialmente o confronto se abre, a clara definição da nossa preferência. Nada inventamos: é da praxe da mídia mais desenvolvida do mundo tomar partido na ocasião certa, sem implicar postura ideológica ou partidária. Nunca deixamos, dentro da nossa visão, de apontar as falhas do governo Lula. Na política ambiental. Na política econômica, no que diz respeito, entre outros aspectos, aos juros manobrados pelo Banco Central. Na política social, que poderia ter sido bem mais ousada.

E fomos muito críticos quando se fez passivamente a vontade do ministro Nelson Jobim e do então presidente do STF Gilmar Mendes, ao exonerar o diretor da Abin, Paulo Lacerda, demitido por ter ousado apoiar a Operação Satiagraha, ao que tudo indica já enterrada, a esta altura, a favor do banqueiro Daniel Dantas. E quando o mesmo Jobim se arvorou a portavoz dos derradeiros saudosistas da ditadura e ganhou o beneplácito para confirmar a validade de uma Lei da Anistia que desrespeita os Direitos Humanos. E quando o então ministro da Justiça Tarso Genro aceitou a peroração de um grupelho de fanáticos do Apocalipse carentes de conhecimento histórico e deu início a um affair internacional desnecessário e amalucado, como o caso Battisti.

Hoje apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff com a mesma disposição com que o fizemos em 2002 e em 2006 a favor de Lula. Apesar das críticas ao governo que não hesitamos em formular desde então, não nos arrependemos por essas escolhas. Temos certeza de que não nos arrependeremos agora.

Eleitor de Dilma está mais decidido que o de Serra

Uirá Machado, Folha.com

“O eleitor de Dilma Rousseff (PT) está mais decidido que o de José Serra (PSDB) e o de Marina Silva (PV).

Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 78% dos eleitores da petista afirmam que estão totalmente decididos com relação ao seu voto no primeiro turno, contra 20% que declaram poder mudar de ideia.

Entre os eleitores de Serra, os decididos são 70%, e os que dizem poder mudar de voto representam 28%.

Os eleitores de Marina são os menos convictos: 39% dizem que podem mudar de voto, contra 58% que afirmam estar totalmente decididos.

No levantamento, Serra apareceu com 39% das intenções de voto, Dilma teve 38%, e Marina, 10% no cenário com apenas os três.”
Matéria Completa, ::Aqui::

A última razão para você não votar em José Serra


Se eu não tivesse nenhuma outra razão para não votar em José Serra, a indicação do tal Índio da Costa para vice-presidente em sua chapa já me bastaria. Mas como tenho várias outras razões para não votar nele, a questão do vice é apenas a última, por enquanto.
Já as razões contra o vice do candidato tucano são, basicamente, três.

Procura-se uma oposição séria



Em que pese ser arriscado cantar vitória antes do tempo, penso que a eleição de Dilma vai se tornando irreversível. E devo dizer que o fenômeno, por mais que decorra da satisfação do brasileiro com a forma como o país é administrado, pode ser debitado, em grande parte, a erros crassos e à mediocridade e à falta de seriedade da oposição midiática.
A começar pela escolha do candidato da oposição. É espantoso que PSDB, PFL e seu aparato midiático tenham confundido o recall (lembrança de um político pelo eleitorado) de Serra com força eleitoral do tucano.

A "Carta aos Brasileiros" de José Serra



O jornal O Globo divulga que José Serra assinará uma “Carta Social”, que seria uma espécie de versão tucana da “Carta aos Brasileiros” lançada por Lula durante a última crise do Governo FHC, em que ele se comprometia a honrar os contratos e compromissos  do país.
A idéia seria retirar os temores dos mais pobres de que Serra fosse acabar com os programas sociais do Governo Lula, do qual, aliás, os tucanos se dizem pais.
Assinatura de Serra é algo que tem antecedente no “SPC” da política.
Serra assina qualquer coisa para ganhar credibilidade, como assinou, ao disputar a Prefeitura de São Paulo, uma declaração formal de que não seria candidato ao Governo – reproduzida aí ao lado -  e abandonaria o mandato, afirmação que fez também no debate da TV Record,que está no vídeo que posto aí em cima.
Será que isso vai para o “Gente que mente” do PSDB?
tijolaço.com

O PiG prefere desmoralizar-se a engolir a derrota do Serra


A VEJA “Marcha sobre Brasília”, com a “elite da elite” à frente


O Datafalha tem sempre uma pesquisa na agulha para salvar o Serra. 

Foi assim quando ele lançou a candidatura, sob o peso da humilhação: Aécio deu-lhe uma solene banana.

(Clique aqui para ler sobre “o fim do paulistismo na política brasileira”)

E agora, quando ele não conseguiu escolher o vice tucano que queria.

E teve que se render aos Maia, para não se render (de todo) ao T. Jefferson.

(Clique aqui para ler a “Tucanos de São Paulo perdem a hegemonia, por causa de São Paulo”)

O Datafalha lançou uma bóia furada: o empate que não resiste a uma elementar análise.

Clique aqui para ler “como a Falha manipula a amostra para dar uma mãozinha ao Serra”.

Por que a Folha (*) se deixa desmoralizar de forma tão óbvia ?

Por que o PiG (**) se avilta ? 

Por dois motivos.

Serra é o eleito do PiG (**).

O “seu” Frias, uma ponte de São Paulo, disse a um amigo comum: ainda verei o Serra eleito para dar jeito nesse país.

O livro “VEJA: o indispensável partido neoliberal – 1989-2002”, de Carla Luciana Silva, 2009, da editora UNIOESTE, faz um estudo devastador.

Lembre-se que neste ponto – 1990 – instala-se com mais nitidez o pensamento fascista na VEJA.

É a sua fase, digamos, “Marcha sobre Roma !”

Carla Luciana mostra que, em duas edições seguidas, a VEJA, a última flor do Fascio, primeiro, estabelece que o Brasil caminhava “direto ao abismo”.

Em seguida, o mais notável membro a “elite da elite”, o deputado José Serra surge em outra edição para nos salvar: “Existe uma Saída”.

É ele, o jênio.

Desde aí, a VEJA prenuncia uma estratégia do PiG (**): anunciar a catástrofe diariamente, até o Lula cair.

Ou até o jênio nos salvar.

Essa edição histórica da VEJA traça um comovente perfil do Serra – uma cruza de Winston Churchill com Papai Noel – e lhe dá 239 páginas para expor as idéias.

Que, como se sabe, tendem a zero.

Segundo Carla Luciana, o melhor da “elite da elite” é quando ele brada: “É preciso reformar o Estado !”.

Ou seja, como diz o Conversa Afiada: Serra é neoliberal por dentro e autoritário por fora.

O PiG (**) prefere desmoralizar-se a assistir à derrota do Serra.

Se o Farol de Alexandria é o “Príncipe dos Sociólogos”, Serra é o sargentão do cripto-neoliberalismo.

Ele é quem faz as coisas funcionarem: uma pesquisa aqui, um dossiê ali, um Ricardo Sergio acolá.

Ele é o operador.

A aposta da Folha (*) é a do PiG (**): a gente se desmoraliza agora, mas se salva quando o jênio for eleito.

Porque, se ele perder …

Em tempo: a Folha (*) sepultou no pé da página A10 (clique aqui para ler) informação interessante: “Governo decide levar adiante propostas sobre setor de mídia.” Vai encaminhar as propostas aprovadas na Confecom ao Congresso. Ou seja, vem aí a Ley de Medios da Cristina Kirchner.

Em tempo2: o amigo navegante Vasco me diz que a Globo se comporá com a Dilma. O Rupert Marinho, não tenho duvida. Ele detestava perder. Sobre os filhos dele – que não tem nome próprio – tenho as minhas dúvidas.  

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é ; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Ibope mostra empate técnico entre Brasil e Holanda

Final da copa será entre Brasil e Sérvia, segundo a empresa de Carlos Augusto Montenegro.

esquerdopata

Para o Ibope uma centena é 101





O animalzinho da esquerda representa o Ibope. O da direita, o Datafolha. São ruins de matemática uma barbaridade!


A pesquisa Ibope sobre a intenção de voto para presidente da República, divulgada ontem (03JUL), aponta para o seguinte resultado: empate em 39% entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) com 10%, brancos e nulos totalizando 6% e, por fim, indecisos com 7%.
Confira abaixo (ver aqui):
Temos então, para o Ibope, a seguinte operação:
39 + 39 + 10 + 6 + 7 = 100
Pois na minha conta deu o seguinte: 
39 + 39 + 10 + 6 + 7 = 101. 
E refiz na calculadora.
A porcentagem, todos sabemos desde a séries iniciais, é o valor obtido quando aplicamos uma razão centesimal a um determinado valor. Dito de outra forma, trata-se de uma medida de razão com base 100 (cem). O vocábulo porcentagem, que vem do latim per centum, significando, naturalmente, por cento, a cada centena.
Nessa linha, a porcentagem é um modo de expressar uma proporção entre dois valores, um é a parte e o outro é o inteiro, a partir de uma fração cujo denominador é 100 (cem), ou seja, é dividir um número por 100 (cem).
Quando se diz que um candidato tem 49% da preferência de votos, afirma-se que a preferência é equivalente a 49 unidades em um conjunto universo de 100 unidades. E significa, também, que o restante, ou seja, a fração de 51 unidades que sobraram, pertecem aos demais candidatos nesse universo de 100 unidades. E a soma das unidades da partes deve ser igual ao conjunto universo de 100 unidades, ou seja, uma centena.
Mas para o Ibope, como visto acima, uma centena não é 100, mas 101!
Conclusão: o Ibope, assim com o Datafolha (ver aqui), não se utiliza das regras convencionais que regem a matemática.
Como confiar nessas empresas de pesquisa?
blog doCharles bakalarczy

Pesquisa Serra mostra empate entre Datafolha e Ibope