Inteferência dos Estados Unidos no Haiti e em Honduras são apenas os exemplos mais recentes das manipulações de longo prazo na América Latina
por Mark Weisbrot*, no jornal britânico Guardian
Quando eu escrevo sobre a política externa dos Estados Unidos em lugares como o Haiti ou Honduras, geralmente recebo respostas de pessoas que acham difícil acreditar que os Estados Unidos se preocupam suficientemente com esses países para tentar controlar ou derrubar seus governos. Estes são países pequenos, pobres, com poucos mercados ou recursos. Por que os formuladores de política de Washington deveriam se preocupar com quem os governa?
Infelizmente, eles se preocupam. Eles se preocuparam suficientemente com o Haiti para derrubar o presidente eleito Jean-Bertrand Aristide não apenas uma vez, mas duas. Da primeira vez, em 1991, foi feito de forma encoberta. Só descobrimos depois que as pessoas que lideraram o golpe foram pagas pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos. E então o Emmanuel Constant, o líder do mais notório esquadrão da morte -- que matou milhares de apoiadores de Aristide depois do golpe -- disse à rede CBS que ele, também, foi financiado pela CIA.
Em 2004, o envolvimento dos Estados Unidos no golpe foi muito mais aberto. Washington liderou um boicote de quase toda ajuda econômica internacional ao Haiti por quatro anos, tornando o colapso do governo inevitável. Como o New York Times informou, enquanto o Departamento de Estado dos Estados Unidos dizia a Aristide que ele deveria fazer um acordo com a oposição política (financiada por milhões de dólares de dinheiro do contribuinte americano), o Instituto Republicano Internacional [Nota do Viomundo: braço de política externa do Partido Republicano] dizia à oposição que não deveria fazer acordo.
Em Honduras no último verão e outono, o governo dos Estados Unidos fez tudo o que pôde para evitar que o resto do hemisfério fizesse uma política eficaz de oposição ao golpe em Honduras. Por exemplo, bloqueou uma decisão da Organização dos Estados Americanos de que não reconheceria as eleições que fossem realizadas sob a ditadura. Ao mesmo tempo, o governo Obama se dizia publicamente contrária ao golpe.
Isso foi apenas parcialmente bem sucedido, do ponto-de-vista das relações públicas. A maioria do público dos Estados Unidos acha que o governo Obama foi contra o golpe em Honduras, embora em novembro do ano passado foram publicadas várias reportagens e editoriais críticos dizendo que Obama tinha cedido à pressão dos republicanos e não tinha feito o suficiente. Mas isso era uma leitura equivocada do que aconteceu: a pressão republicana de apoio ao golpe hondurenho mudou a estratégia de relações públicas do governo Obama, não sua estratégia política. Quem acompanhou os eventos de perto desde o início pode ver que a estratégia política era bloquear e adiar quaisquer tentativas de restaurar o presidente eleito [Manuel Zelaya], enquanto se pretendia que o retorno à democracia era o verdadeiro objetivo.
Entre os que entenderam isso estavam os governos da América Latina, inclusive os peso-pesados como o Brasil. Isso é importante porque demonstra que o Departamento de Estado estava disposto a pagar um preço político significativo para ajudar a direita em Honduras. Isso convenceu a grande maioria dos governos da América Latina de que [o governo Obama] não era diferente do governo Bush em seus objetivos no hemisfério, o que não é um resultado prazeiroso do ponto-de-vista diplomático.
Por que se preocupar com a forma com que esses países pobres são governados? Como qualquer bom jogador de xadrez sabe, os peões contam. A perda de alguns peões no começo de um jogo pode fazer a diferença entre quem vence e quem perde. Eles olham para esses países como uma questão de poder bruto. De governos que concordam com a maximização do poder dos Estados Unidos no mundo, eles gostam. Daqueles que tem outros objetivos -- não necessariamente antagônicos aos Estados Unidos -- eles não gostam.
Não é surpreendente que os aliados mais próximos do governo Obama no hemisfério são os governos direitistas da Colômbia ou Panamá, embora Obama não seja ele próprio um político de direita. Isso demonstra a continuidade da política de controle. A vitória da direita no Chile, a primeira vez que venceu uma eleição em meio século, foi uma vitória significativa para os Estados Unidos.
Se o Partido dos Trabalhadores de Lula perder a eleição presidencial no Brasil no outono, isso seria outra vitória para o Departamento de Estado. Embora autoridades do Departamento de Estado sob Bush e Obama tenham mantido uma postura amigável em relação ao Brasil, é óbvio que eles se ressentem profundamente das mudanças na política externa brasileira que aliaram o Brasil a outros governos social-democratas do hemisfério e se ressentem da posição independente do Brasil em relação ao Oriente Médio, ao Irã e a outros lugares.
Os Estados Unidos intervieram na política brasileira tão recentemente quanto em 2005, organizando uma conferência para promover mudanças legais que tornariam mais difícil para legisladores mudar de partido. Isso teria fortalecido a oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) do governo Lula, já que o PT tem disciplina partidária mas muitos políticos da oposição, não. Essa intervenção do governo dos Estados Unidos só foi descoberta no ano passado através de um pedido de informações sob o Freedom of Information Act [Nota do Viomundo: Lei americana que permite obter, na Justiça, informações sigilosas do governo] apresentado em Washington. Há muitas outros intervenções por todo o hemisfério das quais não sabemos. Os Estados Unidos tem estado pesadamente envolvidos na política do Chile desde os anos 60, muito antes de organizar a derrubada da democracia chilena em 1973.
Em outubro de 1970, o presidente Richard Nixon andou gritando no Salão Oval, sobre o presidente social democrata do Chile, Salvador Allende: "Aquele filho da puta!", disse Richard Nixon no dia 15 de outubro. "Aquele filho da puta do Allende -- vamos esmagá-lo". Algumas semanas depois ele explicou:
A maior preocupação no Chile é que [Allende] consolide seu poder e a imagem projetada para o mundo será de seu sucesso... Se deixarmos líderes em potencial da América do Sul pensarem que podem se mover como o Chile, teremos dificuldades.
Este é outro motivo pelo qual peões contam e o pesadelo de Nixon se tornou verdadeiro 25 anos depois, quando um país depois do outro elegeu governos de esquerda independentes que Washington não queria. Os Estados Unidos acabaram "perdendo" a maior parte da região. Mas estão tentando ganhar de volta, um país por vez. Os menores e mais pobres e mais próximos dos Estados Unidos são os que mais correm risco. Honduras e o Haiti terão eleições democráticas um dia, mas apenas quando a influência de Washington sobre a política deles for reduzida.
* Mark Weisbrot é co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica de Washington
Fonte: Vi o Mundo
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Análise
Calculado para as condições de impermeabilização do solo de 12 anos atrás, o Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê, de 1998, previa a construção de piscinões para reter 32 milhões de m3 de água em SP. Se cumprido, evitaria macroenchentes naquele padrão de ocupação do solo. Quanto foi feito? Só um quarto, suficiente para conter apenas 8 milhões de m3. Os restantes 24 milhões de m3 - mais o efeito impermeabilização dos últimos 12 anos - estão infernizando a rotina dos paulistanos há 45 dias. O PSDB de Serra, e ele próprio, governa SP há 16 anos; há três, o governador deixou de desassorear o Tietê adequadamente selando um futuro devastador para a maior metrópole da AL, feito de vazão declinante, impermeabilização crescente e déficit exponencial de piscinões. O futuro chegou no verão do El Niño de 2010 sem que o 'eficiente administrador' tucano e seu partido tivessem tomado qualquer medida preventiva para mitigar o caos que eles mesmos criaram em uma década e meia no poder - até a manutenção das bombas da Sabesp negligenciaram. (Carta Maior e o futuro de um Brasil governado pela coalizão demotucana; com informações demolidoras do urbanista , não petista, Cândido Malta ao G1)
Revolta na Ucrânia

Para quem não sabe a Ucrãnia tem 46,5 milhões de habitantes e esse "movimento" reuniu QUATRO pessoas. Eu e minha amiga Rosa nunca conseguimos sequer achar um motivo para esse lugar não fazer parte da Rússia. O nome significa "Fronteira", "Terra Fronteiriça". É a fronteira oeste da RÚSSIA, nunca foi um país independente e nem tem motivo para sê-lo.
Voltando ao protesto as quatro damas protestavam contra nada e defendiam nada. Embora usassem termos como "democracia" e "estupro" elas só queriam aparecer seminuas na mídia e conseguir seus 15 minutos de fama.
Ucranianas seminuas protestam por violação da democracia
Quatro jovens ucranianas nuas da cintura para cima se posicionaram neste domingo em Kiev diante da seção eleitoral de Viktor Yanukovich, candidato à presidência, para denunciar a "violação" da democracia na Ucrânia.
As quatro mulheres, membros de uma pequena organização feminista, Femen, conhecida pelos protestos ousados, tiraram parte da roupa diante das câmeras no momento em que a imprensa aguardava a chegada de Yanukovich, favorito no segundo turno.
"Chega de violentar o país!", gritaram, antes de exibir cartazes com palavras como "Socorro".
A políca prendeu as manifestantes, que afirmaram não estar a favor de nenhum candidato. Elas explicaram que não puderam fazer o mesmo no local de votação da outra candidata, a primeira-ministra Yulia Tymoshenko, em Dnipropetrovsk (leste do país), porque não tinham dinheiro para a viagem.
Fonte: Esquerdopata
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Serra vai desistir? Blog da Folha diz que é possível
O blog do jornalista Fernando Rodrigues, reproduz sua coluna na Folha de S. Paulo de hoje, dizendo que Aécio Neves não sonha em ser vive de Serra, mas sim em ainda ser candidato, no lugar de Serra. E fala que o alto tucanato – o presidente Sérgio Guerra e o senador Tasso Jereissati – duvida da determinação de Serra em enfrentar o desafio depois das últimas pesquisas.
Leia um trecho:
“No PSDB há hoje um quarteto no comando. Além de Serra e de Aécio, apitam no tucanato os senadores Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE), o último presidente da legenda. Jereissati tem suspeitas sobre a firmeza da candidatura de José Serra por causa da aproximação de Dilma Rousseff nas pesquisas. Guerra também já demonstrou o mesmo temor em privado.
Tudo somado, Serra tem ao seu lado muito mais gente pensando que ele vai desistir do que apostando na possibilidade remotíssima de Aécio aceitar a vaga de vice. Nesse cenário, o mineiro parece estar a postos para novamente ser candidato ao Planalto, com Ciro Gomes ao lado. Seria a primeira chapa presidencial pós-Lula e pós-64. Não é à toa que Aécio usa às vezes a palavra bumerangue quando comenta sua desistência da corrida presidencial a favor de Serra.”
E olha que Serra está na frente das pesquisas. Imagine quando ficar para trás.
Brizola Neto
Leia um trecho:
“No PSDB há hoje um quarteto no comando. Além de Serra e de Aécio, apitam no tucanato os senadores Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE), o último presidente da legenda. Jereissati tem suspeitas sobre a firmeza da candidatura de José Serra por causa da aproximação de Dilma Rousseff nas pesquisas. Guerra também já demonstrou o mesmo temor em privado.
Tudo somado, Serra tem ao seu lado muito mais gente pensando que ele vai desistir do que apostando na possibilidade remotíssima de Aécio aceitar a vaga de vice. Nesse cenário, o mineiro parece estar a postos para novamente ser candidato ao Planalto, com Ciro Gomes ao lado. Seria a primeira chapa presidencial pós-Lula e pós-64. Não é à toa que Aécio usa às vezes a palavra bumerangue quando comenta sua desistência da corrida presidencial a favor de Serra.”
E olha que Serra está na frente das pesquisas. Imagine quando ficar para trás.
Brizola Neto
FHC parte para briga. Agora, Serra tem um troço

Será que FHC quer medir popularidade com Lula? Se for assim, pobre Serra...
O Zero Hora já disponibilizou o artigo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publica amanhã nos jornais. E, para desespero dos marqueteiros serristas, que querem fugir a todo custo de uma campanha plebiscitária e de uma comparação Lula x FHC, parte para o ataque contra o presidente.
Chama-o de “tosco”, de baixar o nível “à dissimulação e à mentira”, e faz uma lista de razões pelas quais seu governo, diz ele, foi melhor que o de Lula.
Diz que “o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.”
E fala que Lula age como Luiz XIV, no auge do absolutismo: Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita”.
A essa hora o comando do PSDB deve estar em pânico, querendo achar alguém para segurar o homem. Com Serra já está ficando difícil, com FHC…
Porque já nem é o caso de discutir o mérito do que escreve. O problema é que a lembrança de FHC “queima” a imagem de qualquer candidato. Dela, escreveu no final do ano Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi:
-Sobre a avaliação de Fernando Henrique, o que mais chama a atenção, atualmente, é quão mal ela resistiu à passagem do tempo. Ao contrário dos bons vinhos, quanto mais tempo passa, pior fica. Os elementos que fizeram com que ela fosse elevada, há poucos anos, como que sumiram. As realizações de seu governo, decisivas para que o país estivesse hoje melhor, ficaram secundárias, frente à antipatia com que é visto pela maioria das pessoas.
Brizola Neto
é possível

Preocupação com Portugal, Irlanda e Grécia ou PIG, em sigla criada por economistas faz bolsas caírem.
De novo, a Europa. De novo, bolsa cai
Pelo segundo dia, temores externos derrubam Bovespa
São Paulo – Depois do tombo de ontem, os investidores guardavam esperanças de que os números do mercado de trabalho nos Estados Unidos pudessem dar algum alento ou direção aos negócios. Os dados vieram mistos e, num primeiro momento, até garantiram alívio. Momentâneo. A percepção de que os dados dos Estados Unidos continuam divergentes e ainda não é possível dar indícios sobre uma trajetória firme de crescimento, juntamente com o cenário sombrio europeu, fizeram as bolsas acelerarem em trajetória de queda.
A Bovespa, que se ressente da fuga de capitais externos, voltou aos 62 mil pontos e chegou a tombar 4% no pior momento da sessão. O Ibovespa terminou a sexta-feira em baixa de 1,83%, aos 62.762,70 pontos, o menor nível desde os 62.643,23 pontos de 3 de novembro de 2009. Na semana e no mês, recuou 4,03%, enquanto, em 2010, as perdas atingem 8,49%. Na mínima do dia, registrou 61.341 pontos (-4,06%) e, na máxima, 64.001 ( 0,10%). O giro financeiro totalizou R$ 8,816 bilhões.
O indicador mais esperado da sexta-feira – e da semana – era o relatório do mercado de trabalho norte-americano. E ele não serviu para dissipar o mau humor que paira nas mesas nos últimos dias. O documento trouxe dados mistos. Enquanto a taxa de desemprego recuou para 9,7% em janeiro, ante previsão de 10,1%, o número de vagas fechadas somou 20 mil, ante previsão de estabilidade. Além disso, o Departamento de Trabalho norte-americano revisou em baixa os dados de dezembro, para um corte de 150 mil postos, dos 85 mil informados antes.
Fonte: blog Oni Presente
Vazamento do programa do PT precipita debate ideológico.
Tem gente que ainda acha que as ideologias acabaram. Uns o dizem com os lábios retraídos num esgar de ironia, indicando o puro oportunismo da afirmação: não crêem no que dizem, pois sabem que a ideologia ainda existe, mas interessa a eles assegurar o oposto. Outros fazem-no com inocência, acreditando piamente que o mundo não comporta mais reviravoltas doidas.
De fato, um dos erros dos idealistas dos anos 60 foi achar que a economia dos países teria a mesma flexibilidade do cinema experimental. Não é assim, mas isso também não significa que mudanças não sejam necessárias. Até porque as mudanças são inevitáveis. Dos anos 60 para cá, o mundo já passou por tantas revoluções tecnológicas que muitos dos argumentos brandidos por quem almejava revirar as coisas pelo avesso hoje esvaíram-se junto com o linotipo, a máquina de escrever, e as saudosas cartas escritas à mão.
As ideologias não acabaram, e o próprio debate sobre a existência ou não delas, ou a importância ou não delas, é um debate ideológico. Lembro-me de Nelson Motta entrevistando Arnaldo Jabor na Globo, a respeito do filme que este último está fazendo. Sem ligação nenhuma com o tema, mas coerente com a algo bizarra obsessão de Motta em criticar a esquerda e o socialismo, o jornalista trocou figurinhas com Jabor sobre a (na sua opinião) negativa influência da ideologia sobre o cinema brasileiro. Era um joguinho de cartas marcadas. Um ping pong bobinho, anticomunista, feito para agradar os filhos do Roberto Marinho. Jabor criticou os cineastas dos anos 60 por se apegarem às ideologias.
Isso é uma baita grosseria. Claro que pode haver exageros. Houve patrulhamento nos anos 60 e 70, mas a culpa não foi da esquerda, e sim o resultado da atmosfera sufocante, totalitária, desesperada, produzida pela ditadura militar. Havia aflição no ar. Segredos em toda parte. Gente desaparecida, quiçá já morta ou sendo torturada. Natural que a intelectualidade batesse cabeça. Essa releitura conservadora dos tempos ditatoriais, que visa culpabilizar a esquerda pelo clima desconfortável da época, como se vê no filme sobre Wilson Simonal, e nos comentários de Motta, é altamente ofensiva aos ideais democráticos, violados brutalmente pelo regime militar.
A história não morre. O regime militar continuará, enquanto existir historia, a violar a democracia brasileira. Não se esquece isso, ainda mais se tratando de um fato tão recente.
O Estadão obteve, ontem ou anteontem, o programa preliminar do Partido dos Trabalhadores a ser usado na campanha de Dilma. A divulgação do texto precipitou um debate ideológico interessante, e a esquerda só tem a ganhar com isso, visto que o conservadorismo nacional, representado por José Serra e os partidos que o apoiam, continuam retraídos em termos de propostas políticas.
Formados na escola neoliberal, os tucanos se vêem acuados diante da constatação de que os brasileiros, como qualquer povo em desenvolvimento, querem um Estado forte, querem serviços públicos eficientes (o que implica em mais funcionários), e não querem mais privatizações irresponsáveis, indiscriminadas.
Desorientados, os tucanos não se arriscam a formular plataformas políticas. Não participam de nenhum debate público. Nas dezenas de conferências realizadas no país, por iniciativa não só do governo mas de inúmeras entidades da sociedade civil, os tucanos estiveram sempre ausentes. Só mostraram o bico quando a big press passou a criticar alguns pontos discutidos nesses encontros, e sempre alinhando-se caninamente, mediocremente, sem criatividade, sem culhões, à opinião dos conglomerados midiáticos.
Serra, o principal candidato da oposição, optou por um silêncio deliberado sobre qualquer questão estratégica. Em que isso contribui para a democracia? E não se trata de evitar campanha antecipada. Serra, como cidadão brasileiro, e como quadro político, tem o direito e o dever de participar dos debates públicos. Enchente em São Paulo? Tem de convocar imediatamente a sociedade para um grande esforço com vistas a minorar o sofrimento das famílias que perderam suas coisas e vivem em áreas alagadas com água fedida e contaminada.
Buraco no metrô? Igualmente deveria vir à público prestar esclarecimentos. Queda de viadutos? Onde está Serra nesses momentos?
*
Na verdade, talvez haja um tipo de pendenga ideológica que tenha perdido a vitalidade, que são as acadêmicas, quase sempre pedantes e autoritárias, que pretendem impor teorias abstratas, artificiais, duras, a realidades complexas, instáveis, dinâmicas. A ideologia deve ser formada por dentro da ação política, para que tome a forma da realidade; para não se converter num invólucro bonito que não se encaixa, porém, em nenhum objeto.
*Fonte: blog òleo do diabo
De fato, um dos erros dos idealistas dos anos 60 foi achar que a economia dos países teria a mesma flexibilidade do cinema experimental. Não é assim, mas isso também não significa que mudanças não sejam necessárias. Até porque as mudanças são inevitáveis. Dos anos 60 para cá, o mundo já passou por tantas revoluções tecnológicas que muitos dos argumentos brandidos por quem almejava revirar as coisas pelo avesso hoje esvaíram-se junto com o linotipo, a máquina de escrever, e as saudosas cartas escritas à mão.
As ideologias não acabaram, e o próprio debate sobre a existência ou não delas, ou a importância ou não delas, é um debate ideológico. Lembro-me de Nelson Motta entrevistando Arnaldo Jabor na Globo, a respeito do filme que este último está fazendo. Sem ligação nenhuma com o tema, mas coerente com a algo bizarra obsessão de Motta em criticar a esquerda e o socialismo, o jornalista trocou figurinhas com Jabor sobre a (na sua opinião) negativa influência da ideologia sobre o cinema brasileiro. Era um joguinho de cartas marcadas. Um ping pong bobinho, anticomunista, feito para agradar os filhos do Roberto Marinho. Jabor criticou os cineastas dos anos 60 por se apegarem às ideologias.
Isso é uma baita grosseria. Claro que pode haver exageros. Houve patrulhamento nos anos 60 e 70, mas a culpa não foi da esquerda, e sim o resultado da atmosfera sufocante, totalitária, desesperada, produzida pela ditadura militar. Havia aflição no ar. Segredos em toda parte. Gente desaparecida, quiçá já morta ou sendo torturada. Natural que a intelectualidade batesse cabeça. Essa releitura conservadora dos tempos ditatoriais, que visa culpabilizar a esquerda pelo clima desconfortável da época, como se vê no filme sobre Wilson Simonal, e nos comentários de Motta, é altamente ofensiva aos ideais democráticos, violados brutalmente pelo regime militar.
A história não morre. O regime militar continuará, enquanto existir historia, a violar a democracia brasileira. Não se esquece isso, ainda mais se tratando de um fato tão recente.
O Estadão obteve, ontem ou anteontem, o programa preliminar do Partido dos Trabalhadores a ser usado na campanha de Dilma. A divulgação do texto precipitou um debate ideológico interessante, e a esquerda só tem a ganhar com isso, visto que o conservadorismo nacional, representado por José Serra e os partidos que o apoiam, continuam retraídos em termos de propostas políticas.
Formados na escola neoliberal, os tucanos se vêem acuados diante da constatação de que os brasileiros, como qualquer povo em desenvolvimento, querem um Estado forte, querem serviços públicos eficientes (o que implica em mais funcionários), e não querem mais privatizações irresponsáveis, indiscriminadas.
Desorientados, os tucanos não se arriscam a formular plataformas políticas. Não participam de nenhum debate público. Nas dezenas de conferências realizadas no país, por iniciativa não só do governo mas de inúmeras entidades da sociedade civil, os tucanos estiveram sempre ausentes. Só mostraram o bico quando a big press passou a criticar alguns pontos discutidos nesses encontros, e sempre alinhando-se caninamente, mediocremente, sem criatividade, sem culhões, à opinião dos conglomerados midiáticos.
Serra, o principal candidato da oposição, optou por um silêncio deliberado sobre qualquer questão estratégica. Em que isso contribui para a democracia? E não se trata de evitar campanha antecipada. Serra, como cidadão brasileiro, e como quadro político, tem o direito e o dever de participar dos debates públicos. Enchente em São Paulo? Tem de convocar imediatamente a sociedade para um grande esforço com vistas a minorar o sofrimento das famílias que perderam suas coisas e vivem em áreas alagadas com água fedida e contaminada.
Buraco no metrô? Igualmente deveria vir à público prestar esclarecimentos. Queda de viadutos? Onde está Serra nesses momentos?
*
Na verdade, talvez haja um tipo de pendenga ideológica que tenha perdido a vitalidade, que são as acadêmicas, quase sempre pedantes e autoritárias, que pretendem impor teorias abstratas, artificiais, duras, a realidades complexas, instáveis, dinâmicas. A ideologia deve ser formada por dentro da ação política, para que tome a forma da realidade; para não se converter num invólucro bonito que não se encaixa, porém, em nenhum objeto.
*Fonte: blog òleo do diabo
EUA - Reforma da saúde
Lá como aquí, a direita está "se lixando"para os interesses das camadas mais pobres da população. Lá como aquí, o negócio é inviabilizar o governo "populista" do "socialista" Obama, para obter dividendos políticos junto ao eleitorado conservador americano.
Carlos Dória
Reforma da saúde morreu, admite Obama
A Associated Press publicou uma matéria, reproduzida pelo Estadão, em que diz que o Presidente Barack Obama reconheceu, ao discursar num evento do Partido Democrata, que é provável que a sua proposta de reforma no sistema de saúde pública nos EUA vai ser derrotado no Congresso.
-(…pode ser que…se o Congresso decidir que nós não vamos fazer isso, mesmo depois de todos os fatos terem sido estabelecidos e todas as opções estarem claras, o povo americano julgue se esse Congresso fez a coisa certa para eles ou não. E é assim que a democracia funciona. Haverá eleições e eles (o povo) serão capazes de fazer uma determinação e registrar suas preocupações de um jeito ou de outro na hora da eleição.”
Os mais de 30 milhões de americanos que não têm seguro-saúde vão continuar sem. Obama perdeu a maioria no Senado e não pode forçar mais a aprovação de nada sem ceder aos republicanos. E vocês sabem que os republicanos , nos EUA, acham que pobre é déficit fiscal, não é?
O Governo Obama, cuja eleição foi a maior novidade política do século 21, caminha rapidamente para ser um nada… Sinceramente, que pena…
Carlos Dória
Reforma da saúde morreu, admite Obama
A Associated Press publicou uma matéria, reproduzida pelo Estadão, em que diz que o Presidente Barack Obama reconheceu, ao discursar num evento do Partido Democrata, que é provável que a sua proposta de reforma no sistema de saúde pública nos EUA vai ser derrotado no Congresso.
-(…pode ser que…se o Congresso decidir que nós não vamos fazer isso, mesmo depois de todos os fatos terem sido estabelecidos e todas as opções estarem claras, o povo americano julgue se esse Congresso fez a coisa certa para eles ou não. E é assim que a democracia funciona. Haverá eleições e eles (o povo) serão capazes de fazer uma determinação e registrar suas preocupações de um jeito ou de outro na hora da eleição.”
Os mais de 30 milhões de americanos que não têm seguro-saúde vão continuar sem. Obama perdeu a maioria no Senado e não pode forçar mais a aprovação de nada sem ceder aos republicanos. E vocês sabem que os republicanos , nos EUA, acham que pobre é déficit fiscal, não é?
O Governo Obama, cuja eleição foi a maior novidade política do século 21, caminha rapidamente para ser um nada… Sinceramente, que pena…
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