terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Brasil, o eterno gigante bobo


Vamos ser sinceros.

O Brasil está condenado a ser o que sempre foi, com exceção de alguns ínfimos lapsos de autoestima em sua história de 516 anos: um gigante bobo.

E isso por uma razão muito simples: o que esperar de um país com um povo que


1) é semialfabetizado;

2) se informa por meio de emissoras de televisão, e principalmente por intermédio de apenas uma delas;

3) abomina os livros;

4) desconhece a ciência;

5) despreza a educação;

6) não tem noções básicas de cidadania;

7) se regozija em burlar as leis;

8) acredita piamente no que falam "religiosos" picaretas;

9) sustenta financeiramente esses "religiosos" picaretas;

10) atenta, em variadas questões, contra a lógica;

11) é extremamente preconceituoso;

12) crê que a "meritocracia" funciona numa sociedade desumanamente desigual;

13) consome, com enorme prazer, o lixo da indústria de entretenimento;

14) se guia por modismos;

15) tem como ídolos atores de novelas, jogadores de futebol e pilotos de F-1;

16) acha que Miami é o paraíso na Terra;

17) odeia quem não pense igual a ele;

18) diz que abomina a corrupção, mas sempre a dos outros, nunca a dele;

19) divide as pessoas em boas e más;

20) diz que acredita em Deus, mas não segue nenhum de seus mandamentos.
http://segundocliche.blogspot.com.br/2016/10/brasil-o-eterno-gigante-bobo.html

Pesquisa comprova: o brasileiro é ignorante


O site do serviço noticioso russo Sputnik News publicou interessante matéria sobre pesquisa que compara a percepção das pessoas a respeito da realidade de seus próprios países. 

E, adivinhem, o Brasil mostrou que tem uma das populações mais ignorantes do planeta.

Nenhuma novidade.

A seguir, a íntegra da reportagem:


Brasil fica no 6º lugar de ranking de
desinformação sobre o próprio país 

Pesquisa feita em 40 países pelo Instituto Ipsos Mori, comparando a percepção que as pessoas têm de seus países com a realidade, coloca o Brasil no sexto lugar do ranking, abaixo de Índia, China, Taiwan, África do Sul e EUA. Já as populações mais conscientes de suas realidades foram Holanda, Grã-Bretanha, Coreia do Sul, República Tcheca e Malásia.

Nesse tipo de ranking, quanto mais afastada do primeiro lugar melhor é a percepção real do que as pessoas pensam e de como a realidade é. A pesquisa abordou determinadas perguntas para avaliar o grau correto de informação, entre elas, por exemplo, qual o percentual de mulçumanos na população do país, quantos por cento se declaram felizes, quanto é investido em determinada setor, entre outras.

No caso do Brasil, o melhor resultado foi verificado quanto ao tamanho da população. A maioria das respostas apontou 200 milhões. O correto é 207,8 milhões. Já em outras avaliações, as resposas mostraram grande diferença com a realidade.

 Em Educação, a maioria acredita 25% do Produto Interno Bruto (PIB) é investido na área, quando na verdade são apenas 8%. Em tempos de escândalos políticos, o pessimismo também anda em alta por aqui. Quando indagados sobre qual percentual de brasileiros se sente feliz, a maioria das respostas girou em torno de 40%. Na verdade, pelos últimos levantamentos, esse percentual é de 92%.

Rafael Moura, pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) acredita que essa percepção distorcida do brasileiro sobre a própria realidade é fruto de vários fatores.  "Uma variável que contribui muito para isso é um problema estrutural dos meios de comunicação no Brasil. Em função de termos meios extremamente oligopolizados, e muito voltados para interesses particularistas ao invés de trazer a informação para o leitor e pluralidade de opiniões, o cidadão médio brasileiro acaba tendo muita dificuldade para assimilar todas as coisas que estão acontecendo no país e ter um juízo com um pouco mais de isonomia."

Moura diz que isso acaba repercutindo muitas vezes em uma cultura que o brasileiro tem — e já capturada nas pesquisas de ciência política — de sempre atribuir toda e qualquer crise econômica ao Executivo à figura do presidente.  "Temos um país com 200 milhões de pessoas, um PIB gerando em torno de R$ 4 trilhões, uma economia tão diversa e heterogênea que atribuir problemas na economia a uma única figura, a um único partido ou a um único fator é algo problemático e que acaba corroborando os dados desse instituto. A falta de juízo do cidadão brasileiro acerca da realidade que ela está vivenciando acaba levando a juízos equivocados."

 Na avaliação do pesquisador, as realidades nos países pesquisados variam muito. Segundo ele, a China tem a questão de um sistema político diverso, Índia e África (do Sul) são países com percentual elevado de analfabetos.  "Muitas vezes a percepção que chega aos brasileiros dos Estados Unidos também é equivocada. Os EUA também têm um sistema de comunicação extremamente oligopolizado que muitas vezes também não trazem a interpretação fidedigna da realidade, seja de lá, seja do mundo."

Para Moura, o Brasil, tem um legado muito grande de exclusão, de falta de acesso aos meios de comunicação.  "O problema é que, mesmo tendo os cidadãos acesso a esses meios, eles não são plurais. Você não vê muita diversidade de opiniões antagônicas. A mídia tem essa fachada de ser plural, de se preocupar com a variedade de opiniões, mas a gente sabe que em termos prático isso não é verdade."
http://segundocliche.blogspot.com.br/2016/12/pesquisa-comprova-o-brasileiro-e.html#more

E o Brasil optou por ser uma Libéria



Construir leva tempo, destruir, não, ensina a sabedoria popular.

O golpe foi dado para, entre outros objetivos, acabar com o Estado de bem-estar social propugnado pela Constituição de 88 e que os trabalhistas tentavam instituir de fato no país.

Em poucos meses os golpistas desmontaram grande parte do arcabouço que erguia um sistema social e econômico que pretendia aproximar o Brasil das nações mais avançadas do planeta, ao mesmo tempo em que sinalizaram que querem redobrar os esforços para pôr abaixo tudo que não lembre o mais descarado mercadismo.


O fato é que, a continuar nesse ritmo alucinado, em poucos meses o Brasil estará em frangalhos, reduzido a escombros.

A letargia que se observa hoje na maior parte da população, aceitando passivamente todas as desgraças que se anunciam, não vai durar para sempre.

Uma hora ou outra, num futuro próximo, as pessoas vão sentir na carne o que é viver - ou sobreviver - no chamado "Estado mínimo", esse que cobra, e muito caro, tudo que hoje, bem ou mal, é garantido como direito do cidadão - saúde, educação, aposentadoria...

Os poucos mais de dez anos de governos trabalhistas foram, ao menos, suficientes para mostrar que integrar o grupo das nações mais avançadas, social e economicamente, do planeta, e se tornar uma Suécia, uma Noruega tropical, não é apenas um sonho, mas uma meta perfeitamente alcançável.

Os poucos meses de governo golpista, porém, estão ensinando que o país, a depender dos endinheirados de sempre, nunca deixará der ser um gigante bobo, uma colônica americana, uma república de bananas.

Uma nação em que 10% da população viverá na Suécia e 90% na Libéria. 
(Carlos Motta)http://segundocliche.blogspot.com.br/2016/12/e-o-brasil-optou-por-ser-uma-liberia.html#more

ODEBRECHT REVELA 30 MILHÕES DE RAZÕES PARA CASSAR MICHEL TEMER__+__JANOT QUER FIM DO SIGILO NA DELAÇÃO DA ODEBRECHT, QUE PODE DERRUBAR TEMER



ESMAEL MORAIS

Propina de R$ 30 milhões teria abastecido a chapa de Michel Temer e Dilma Rousseff em 2014, segundo novas delações de executivos da Odebrecht à Operação Lava Jato.

O dinheiro não contabilizado na contabilidade da campanha de reeleição pode contribuir para o processo de cassação do ilegítimo Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral. São 30 milhões de razões.

A doação ilegal da Odebrecht representaria 10% da arrecadação total da chapa Dilma-Temer.

O advogado paranaense Gustavo Guedes, que defende Temer no processo do TSE, disse ao Estadão que “desconhece absolutamente o assunto” e só vai se manifestar quando as delações forem homologadas.

Cabe ao ministro Teori Zavascki homologar as delações da Odebrecht.


http://www.brasil247.com/pt/colunistas/esmaelmorais/271250/Odebrecht-revela-30-milh%C3%B5es-de-raz%C3%B5es-para-cassar-Michel-Temer.htm
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JANOT QUER FIM DO SIGILO NA DELAÇÃO DA ODEBRECHT, QUE PODE DERRUBAR TEMER





Para evitar acusações de vazamento contra o Ministério Público, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedirá o fim do sigilo sobre as 77 delações da Odebrecht, que atingem Michel Temer (R$ 10 milhões em dinheiro) e vários de seus ministros, como José Serra (R$ 23 milhões na Suíça), Eliseu Padilha (R$ 4 milhões em cash) e Moreira Franco (propina nos aeroportos); a delação também atinge outros articuladores do golpe de 2016, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado de ter despesas pessoas pagas pela Odebrecht, por meio de seu marqueteiro; pedido será analisado pelo ministro Teori Zavascki, que prometeu trabalhar durante o recesso para dar conta do volume de processos


247 – Para evitar acusações de vazamento contra o Ministério Público, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedirá o fim do sigilo sobre as 77 delações da Odebrecht.


"Em encontro com senadores e deputados federais, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, informou que irá pedir a retirada do sigilo das delações realizadas pelos executivos e ex-executivos da Odebrecht, após o conteúdo ser homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavaski", informa reportagem de Erich Decat (leia aqui). "A intenção de Janot de pedir o retirada dos sigilos foi comunicada a integrantes da bancada do Espírito Santo, em reunião realizada na sede da PGR, em Brasília, na manhã da última quinta-feira, 15", informa o jornalista.


As delações da Odebrecht podem derrubar Michel Temer e vários de seus ministros.


Temer foi acusado de pedir R$ 10 milhões, que teriam saído do departamento de propinas da empreiteira e pagos em dinheiro (leia aqui).


O chanceler José Serra foi acusado de receber R$ 23 milhões na Suíça.


A delação também atinge Eliseu Padilha, acusado de receber R$ 4 milhões em cash, e Moreira Franco, suspeito de receber propina em negócios ligados às concessões de aeroportos.


A delação da Odebrecht também atinge outros articuladores do golpe de 2016, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado de ter despesas pessoas pagas pela Odebrecht, por meio de seu marqueteiro (leia aqui).


O pedido será analisado pelo ministro Teori Zavascki, que prometeu trabalhar durante o recesso para dar conta do volume de processos.

via: http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/2016/12/odebrecht-revela-30-milhoes-de-razoes.html

Europa pode embarcar na 3ª Guerra Mundial: Embaixador russo assassinado na Turquia



O responsável pelo ataque gritou "Allahu Akbar" ("Alá é grande"), de acordo com um fotógrafo da agência de notícias AP que estava presente no local. 





O atirador foi morto no local por forças de segurança, de acordo com a imprensa turca. Segundo o site britânico Independent, ele foi identificado pelo Ministério das Relações Exteriores da Turquia como Mevlut Mert Altintas. O atirador tinha 22 anos e trabalhava para uma tropa de choque da polícia de Ancara nos últimos dois anos e meio.


Assassino do embaixador russoO assassinato de Andrei Karlov, nos leva a fazer um paralelo com o fato ocorrido em Em 28 de junho de 1914, o assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria, o herdeiro do trono da Áustria-Hungria, pelo nacionalista iugoslavo Gavrilo Princip, em Sarajevo, na Bósnia, foi o gatilho imediato da guerra.


Na época as políticas imperialistas das grandes potências da Europa, como o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro, o Império Otomano, o Império Russo, o Império Britânico, a Terceira República Francesa e a Itália, visavam uma redivisão da riqueza e do poder no mundo, tal qual acontece nestes tristes dias de 2016. A agravante agora é que EUA e Rússia, entre outras potências bélicas, possuem armas nucleares com poder de destruição do planeta em pouquíssimo tempo.


Resta saber se Putin conseguirá reagir corretamente a esta clara provocação das demais potênciais ocidentais e deter os belicistas russos que certamente reivindicarão a vingança ao embaixador morto.


E se conseguir detê-los, por quanto tempo o logrará fazer?


Acaba 2016, acaba, mas não em guerra!

Bertoni
http://www.contextolivre.com.br/2016/12/europa-pode-embarcar-na-3-guerra.html

O APLICATIVO DA SUBTRAÇÃO DE BENS ALHEIOS FOI INSERIDO NAS COSTELAS QUE FORMATARAM O HOMEM. COMO REMOVER?

ENSAIO SOBRE A SUBTRAÇÃO
. 
Não se iludam: o ser humano não presta! 

Um professor de Direito da USP começava cada aula recitando solenemente tal imprecação.  

Exposta a récita com autoridade de catedrático, a sentença soava desconcertante. O calouro é demasiado impressionável. Balancei no meu idealismo, pois acreditava que o curso de Direito poderia me qualificar a fazer alguma coisa de bom para o Brasil. 

No entanto, a sobressaltar minha santa ingenuidade, outro professor ressaltava que a Faculdade de Direito era o escoadouro das profissões indefinidas. 

Mais um outro me arremessava então diretamente para o abismo da descrença. Sentenciava, off the record, que o jovem começa a trilhar o caminho da corrupção política quando ingressa na Faculdade de Direito. Por coincidência, a maioria dos ditos representantes do povo no governo procede das escolas de Direito. 

Após sofrer violentíssimo trote em 1964, discursei no palanque de pedra do Largo São Francisco. Um pouco ensanguentado, para a multidão que se reuniu eu clamei: daqui saem os políticos que vocês elegem e deixam vocês peladinhos. Aqui estão os que estudam com o dinheiro de vocês.

Verdadeiramente, parlamentares corruptos transformam a democracia e o espaço republicano numa caverna de Ali Babá. 

Utopia: se fossem todos honestos o Brasil seria o país respeitado que todos sonhamos. Que pena.  

Há vida no entorno do quadrilátero das leis? – eu me desesperava.

Fazer o que para meu país, eu me perguntava no meio de 400 alunos do período da manhã, debaixo das decantadas arcadas. 

Como ajudar meu Brasil a se depurar das conseqüências de suas raízes de 358 anos de regime escravagista, três períodos monárquicos absolutistas e 50 presidentes da República, cada um deles sempre despertando esperanças natimortas de melhora das condições de vida dos brasileiros?

Já disse isto em algum lugar: do descobrimento até o chamado Governo Geral, a então Terra de Santa Cruz vivera sob o signo do arbítrio, campo fértil para livres roubalheiras. Para tomar posse da terra definitivamente e defendê-la contra invasores e ladrões de ouro, madeira, território, Portugal instalou em 1549 tal governo. 

Os três governadores gerais, o militar Tomé de Souza e os fidalgos Duarte da Costa e Mem de Sá, são identificados pela História como sobejamente corruptos. 

Todo homem é fraco e ladrão, rezava Tomé de Souza. Ele sofria de uma doença chamadamedo da pobreza.  Será este o embrião da compulsão para subtrair?   
Tomé de Souza de mão estendida... para receber o que? 

Pois é o que venho rastreando, tal porquê multimilenar de os integrantes da espécie humana, em sua brevíssima peregrinação pela terra, subtraírem bens, direitos, corações, afetos. Meter a mão em tudo o que não é deles.

A cada três horas nasce um ladrão no mundo, garantia antiga pesquisa trabalhada pelo país das pesquisas, os Estados Unidos. Hoje seriam três minutos?

Nem mesmo uma pitadinha de religião desvenda o enigma: por que o ser humano vive a subtrair? Segundo a Revelação, o coração de todo ser humano é corrupto. A corrupção está dentro do homem e profundamente instalada. Há uma tendência para a corrupção, desde a tenra idade. O ser humano é corrupto por natureza. Caramba!!!      

Minha santa ignorância encoraja-me-me tão somente a me valer deste ensaio para cavocar um mínimo de entendimento sobre esta doença incurável de se subtrair intermitentemente bens materiais e morais. E o ensaio, como já opinei em algum lugar por aí, é um texto em que se rodeia um determinado tema, envolvendo-o, cercando-o e o emboscando, para, no fim, muito se falar e nada se dizer. E que culpa tenho eu?

Meu catedrático, se estiver certo, e está (quero ver quem vai conseguir provar o contrário!), não circunscreve em sua sentença apenas aquela cultura de corrupção despachada para o Brasil nos costados das caravelas. A endemia de subtrair não contagiaria só àqueles portugueses rijos. 

Ensaiando ainda, prosseguindo na tentativa de destrinchar o porquê do eterno movimento repetitivo de subtrair, imagino que o poder maior que criou os homens deve ter esquecido de tirar o aplicativo da subtração inserido nas costelas que os formataram. Brincadeirinha.

O ser humano não presta, o homem é fraco e ladrão, o Direito é o ralo das profissões indefinidas, a corrupção política começa na Faculdade de Direito. Que ensino tencionavam compartilhar meus queridos professores da Academia? 

O Brasil é o país mais corrupto do mundo. Também já disse isto em algum lugar.

Este o bordão que faltou nas faixas e nos gritos durante os protestos populares de junho de 2014, a reivindicarem saneamento político. Os manifestantes se arrepiavam de emoção diante do Hino Nacional mais belo do universo, mas talvez não tenham se dado conta de que neste quesito de subtrair, o Brasil dá de goleada no resto do mundo. 

Ao tempo dos protestos nas ruas, disseram as cartas dispostas na mesa em pesquisa da Transparência Internacional. que os brasileiros consideram corruptos ou muito corruptos os políticos e instituições como o Congresso, a polícia, o sistema de saúde, o Judiciário, o funcionalismo público, imprensa, Ong's, Igreja. Estão tecnicamente empatados com os outros países em nível de corrupção nossas Ong's, a imprensa, a Igreja, o setor privado e o militar.

Dia vai dia vem, nos 5l6 anos de existência do país, os brasileiros têm convivido conformada e pacificamente com a impune subtração dos bens públicos, sem ao menos entrever-se um quê de trovejar para despertar deste sono profundo. 

Investigações, julgamentos e prisões, circunscritas ao âmbito da Petrobrás, acabaram por diagnosticar tamanho alastramento de ilicitudes em outras áreas, que autoridades dignas de serem ouvidas admitem uma corrupção metastática, um câncer espalhado por todo este imensoBrasil, il, il, il, de 8 milhões e 542 mil quilômetros quadrados de extensão.

O despertar recente da justiça e a boa porção de prisões pontuais tornaram mais difícil para os corruptos a aceitação, por parte dos bancos do exterior, de depósitos sem origem clara. 

Mas vai continuar a doer na alma do brasileiro a inviabilidade de se punir cerca de 300 políticos de mais de 20 partidos, listados por uma empreiteira com apelidos e valores registrados para cada um deles.

Monstruosidade de alma talvez seja a resposta que procuro para entender porque o homem, como um sepulcro, é branco por fora e podre por dentro, segundo ainda a pitadinha de religião.

Meditemos de passagem sobre quatro engenharias recentes de subtrações, a constatar a ilimitada monstruosidade de alma dos roubadores e a provocar ânsia de vômito até em quem não é tão ladrão assim:
— fraude na compra de aparelhos para implante em pacientes com mal de parkinson deu prejuízo de R$ 13,5 milhões no Hospital das Clinicas de São Paulo. Esquema durou seis anos. Sem licitação, itens que custavam R$ 27 mil saiam por R$ 114 mil. Uma centena de pacientes ficou sem tratamento.  
— fraudes no Teatro Municipal de São Paulo desviaram de realizações de espetáculos mais de R$ 20 milhões. 
— R$ 100 milhões subtraídos de empréstimos destinados a servidores públicos.  
— Sabe aquela comidinha distribuída para as crianças-estudantes, denominada de merenda escolar? Furtada em R$ 36 milhões. Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa de São Paulo teatralizou demoradamente sem nada parir o assalto ao estômago da meninada. 
Acabar com o foro privilegiado, em que políticos, ministros e altos executivos públicos habitam os palácios da impunidade, poderá ser um golpe no fígado dos maiores subtraidores. Pode mudar os rumos do país.  Tomara se torne uma bola de neve. Mas, resta ainda por explicar a natureza corrupta da espécie humana. 

A amenizar um pouco o revirar do estômago provocado por miríades de ladroíces, entre elas as que abalam as estruturas das maiores estatais do país, contamos com  a genialidade do poeta português Almeida Garrett. 

Com graça e mordacidade, ele encerra este ensaio reprovando, indignado, a atividade repulsiva do cavaleiro andante da subtração: 
"Esse monstro!... e das garras sanguinárias. (...) Roubais a miseranda pátria?"
https://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2016/12/o-aplicativo-da-subtracao-de-bens.html 



segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sobre a desigualdade social


Desigualdade socialDesigualdade social
A desigualdade e não a diferença – e aqui precisamos não ter subterfúgios semânticos – é gerada pela propriedade privada sobre meios de produção e teve origem com a propriedade sobre a terra. É muito recente em relação ao tempo de existencia da nossa espécie.

Como espécie, temos uns 100 mil anos mais ou menos e a desigualdade criada pela posse privada da terra, desde que ela começou tem uns 7 mil anos. Mais ainda: há apenas 500 anos, quando os europeus iniciaram a primeira globalização com as navegações, boa parte das pessoas do mundo viviam em sistemas de posse comunal da terra e dos bens diversos. Ainda hoje existem inúmeras sociedades espalhadas pelo mundo que assim vivem. Incluisve no Brasil.

Então, essa conversa de que a igualdade é avessa à natureza humana é pura ideologia, propagada, óbvio, pelas pessoas que, beneficiadas pela propriedade privada sobre os meios de produção, negam a própria história humana ao longo dos milênios e inclusive a realidade de vários grupos humanos hoje.

É mau intelectual quem renega as duas coisas. Por ignorância- o que é perdoável- ou por ideologia. Mas segundo esses, é claro que ideologia quem prega são os outros, os que defendem uma sociedade igualitária. Sofismar é feio demais!

A partir dessa falsa constatação sobre a suposta e intrínseca natureza humana egoísta, se fala no fracasso do socialismo, que isso não dá certo, essas coisas. Bem, olhemos para a nossa sociedade. Ela JÁ É socializada em grande parte. Da pior maneira!

O volume médio de assalariados no mundo – procurem as estatísticas – apontam para a terrível verdade de que mais de 90% da população, ou seja, a esmagadora maioria da humanidade, é igual pois não é dona de nada produtivo, fazenda, fábrica, banco, comércio ou serviço.

Entra aqui, de novo, a ideologia dominante que tenta transformar os completamentente desiguais em iguais ao contrário: somos todos proprietários ou com possibilidade de ser porque no capitalismo temos a "liberdade" de sermos... capitalistas! Morro de rir meus amigos... rolo de rir. Todas as estatísticas provam exatamente o oposto. Não se pode confundir o direito formal - a letra morta da lei - com movimento real, efetivo, que ocorre na realidade social em escala global. Se aparência fosse igual a essência, não precisaríamos de ciência, como Marx afirmava.

Cabe ainda um parágrafo sobre o socialismo. A elaboração teórica marxista nunca afirmou que o socialismo seria o reino da igualdade, o paraíso para todos. Nascido de dentro do capitalismo, o socialismo carrega consigo, por um tempo não quantificavel no calendário, as mazelas, distorções e crises oriundas do capitalismo em um processo longo, complexo e contraditório de construção de uma nova sociedade. Não existem saltos automáticos de uma sociedade a outra. Nunca existiu, jamais existirá. Basta olhar a história humana. Além do que, Socialismo, para Marx e Engels, é necessariamente uma fase de transição tendo o capitalismo como ponto de partida e o comunismo como ponto de chegada. Jamais afirmaram que seria rápido nem muito menos fácil, bastando apenas a vontade.

Por fim, a busca pela efetiva igualdade humana, não será obra do acaso. Não se desenvolverá por geração espontânea. Nem o escravismo, o feudalismo, o capitalismo e as formas de produção coletiva a serviço do Estado com reis-deuses, surgiram por geração espontânea. O espontâneo, creiam, é a igualdade, reafirmando o exposto acima. Mas com a criação e sofisticação da apropriação privada milênios atrás, a desigualdade imposta tem sido interpretada como "natural" e desejável. Ora, lutar por uma sociedade de iguais de fato e não apenas um direito que não tem correspondência real, é a suprema obra da humanidade para se reencontrar consigo mesma. Como humanidade e nao como geradora de exploração, guerras, miséria numa ponta e opulência na outra.


*Professor, membro do PCdoB e Secretário Executivo da Escola Nacional de Formação do Partido
http://www.vermelho.org.br/noticia/290641-10

Enquanto o 1% de cima tem 51%, os 50% de baixo só têm 1%



  
Para deixar ainda mais escandaloso o quadro, se fazemos as contas com os 10% mais ricos do planeta, veremos que eles acumulam 89% de toda a riqueza do mundo! Esta é a nova cifra calculada pelo informe anual da riqueza global do banco Credit Suisse. A cada ano, o Credit Suisse apresenta este informe, escrito pelos professores Tony Shorrocks, James Davies e Rodrigo Lluberas – que antes o elaboravam para a ONU.

Costumo escrever sobre ele a cada ano, em artigos que geralmente terminam se posicionando entre os mais populares.

Da última vez que tratei dos resultados desses informes, o 1% mais rico tinha 48% da riqueza global. Logo, neste um ano e meio, a desigualdade global aumentou ainda mais, segundo a pesquisa.

Entretanto, a proporção de riqueza acumulada pelo 1% ou pelos 10% mais ricos se reduziu entre 2000 e 2007, de um 50% (percentual similar ao deste último estudo) a um 46%. Uma diferença não muito grande, mas que marcava uma tendência de queda, que se inverteu depois da crise financeira, com os setores mais ricos voltando a perceber os níveis de concentração observados no começo deste século.

Os investigadores do Credit Suisse estimam que estas mudanças refletem principalmente a importância relativa dos ativos financeiros dos lares, que voltaram a aumentar de valor a partir de 2008, fazendo crescer a riqueza de muitos dos países mais ricos, e de muitas das pessoas mais ricas, em todo o mundo. Apesar de a proporção dos ativos financeiros se reduzir este ano, as partes dos grupos de riqueza superiores continuaram aumentando. No outro extremo da pirâmide da riqueza mundial, a metade inferior dos adultos possui coletivamente menos de 1% da riqueza total.

A principal razão principal desta enorme desigualdade é que há muitos pobres (em termos de riqueza) no mundo. Não se necessita muito para se estar na parte de cima da pirâmide. Deduzidas as dívidas, a pessoa só necessita ter 3,7 dólares para formar parte do grupo dos possuidores de riqueza.

Entretanto, se necessita cerca de 77 mil dólares para pertencer aos 10% mais ricos, e 798 mil dólares para se chegar ao 1%, o patamar superior, onde estão os donos de mais da metade da riqueza mundial. Assim, se você é dono de uma casa (ou seja, não paga aluguel) em qualquer cidade importante num país desenvolvido do hemisfério norte, você provavelmente é parte desse 1% superior. Não se sente rico por isso? Pois o cenário que demonstra essa riqueza é o do contraponto, a situação dos pobres, que são a grande maioria das pessoas no mundo: sem propriedade, sem dinheiro e, evidentemente sem ações, títulos ou bonos.

A investigação mostra que 3,5 bilhões de pessoas – 73% de todos os adultos do mundo – possuem bens e renda inferiores a 10 mil dólares em 2016. Outros 900 milhões de adultos (19% da população mundial) estão no leque entre 10 mil e 100 mil dólares. Os pobres se concentram no continente africano, na Índia e nas nações mais pobres da Ásia. Porém, também há um número significativo de pessoas que são pobres segundo esses parâmetros, e que vivem na América do Norte e na Europa – entre eles 9% dos norte-americanos, a maioria com um patrimônio líquido negativo, e 34% dos europeus. Essas pessoas não só carecem de riquezas como também vivem endividadas.

E quem são os que estão cada vez melhor? Certamente não são os indianos. A Índia tem só 3,1% das pessoas de classe média do mundo (com uma riqueza de entre 10 mil e 100 mil dólares) e essa proporção praticamente não mudou nos últimos anos. Pelo contrário, a China conta com 33% da população em níveis médios de riqueza, dez vezes mais que Índia, e essa proporção se duplicou desde o ano 2000. Isto nos mostra que a expansão econômica sem precedentes da China tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza, ainda que a desigualdade tenha aumentado.

Além disso, o número de milionários, que se reduziu em 2008, mostrou uma rápida recuperação depois da crise financeira, e agora é mais que o dobro da cifra de 2000. Na atualidade, há 32,9 milhões de milionários a nível mundial (ou sejam adultos com mais de 1 milhão de dólares em propriedades ou economias, descontadas as dívidas). Há somente 140 mil pessoas em todo o mundo com patrimônio superior a 50 milhões de dólares. E também há mais de 2 mil multimilionários, que são realmente os donos do mundo.

Supondo que não haverá mudanças na tendência de aumento da desigualdade com respeito à riqueza mundial, se espera que haja mais 945 multimilionários nos próximos cinco anos, elevando o total a quase 3 mil. Mais de 300 desses novos multimilionários devem ser da América do Norte. A China, segundo esses cálculos, somará mais novos multimilionários que toda Europa junta, situando o total de chineses nesse patamar acima dos. O Credit Suisse estima que a riqueza global total agora é de 334 bilhões de dólares, ao redor de quatro vezes o PIB mundial anual. No começo deste século, houve um rápido aumento da riqueza mundial, com um crescimento mais rápido na China, na Índia e em outras economias emergentes, que representaram 25% do aumento da riqueza, apesar de que possuíam somente 12% da riqueza mundial no ano 2000.

A riqueza mundial se reduziu em 2008, mas mostrou uma lenta tendência de recuperação a partir de então, com uma taxa significativamente mais baixa que a exibida antes da crise financeira. De 2010 em diante, a riqueza (em dólares) caiu em todas as regiões do planeta fora da América do Norte, Ásia-Pacífico e China. A riqueza per capita por adulto registrou crescimento pífio, e a riqueza média caiu desde 2010. Logo, o adulto médio é cada vez mais pobre.

Nos últimos 12 meses, a riqueza mundial aumentou em 1,4%, mal podendo manter o ritmo do crescimento da população. Como resultado, neste ano de 2016, a riqueza média por adulto se manteve sem mudanças pela primeira vez desde 2008, aproximadamente uns 52,8 dólares. Portanto, a população mundial em seu conjunto não se tornou mais rica no último ano e meio, mas a desigualdade aumentou.

* Michael Roberts é um reconhecido economista marxista britânico.

Tradução: Victor Farinelli


 Fonte: The Next Recession
http://www.vermelho.org.br/noticia/291248-1

A NATUREZA DA CRISE POLÍTICO-ECONÔMICA BRASILEIRA E QUE POSTURA A ESQUERDA DEVE ADOTAR FACE A ELA


"Quando o capital se converte em ídolo e conduz as escolhas
dos seres humanos; quando a avidez do dinheiro tutela todo
o sistema sócio-econômico, arruína a sociedade, condena o
homem e o converte em escravo, destrói a fraternidade entre
os homens, coloca o povo contra o povo e, como vemos, põe 
em risco esta terra comum – a Mãe Terra!" (papa Francisco)
.
Vivemos um impasse político-econômico. A Operação Lava-Jato foi capaz de tornar explícita uma verdade histórica guardada a sete chaves, ainda que conhecêssemos sua existência: o organismo institucional estatal brasileiro sempre foi corroído pela corrupção, que avançou agora a níveis antes nunca vistos. 

Qualquer um de nós sabe de uma história envolvendo uma falcatrua desde o mais modesto vereador ou prefeito do mais modesto município até os mais altos escalões da República (aí incluídos os representante dos três poderes).

Mas, a explicitação da crise política, reforçada pela crise moral expressa na corrupção, só se deu devido à péssima conjuntura econômica: caso houvesse satisfação popular, com bons níveis de empregabilidade, aumento de salário real e crescimento do PIB, o poder político já teria sufocado a luta contra a corrupção travada por destacados membros do Poder Judiciário. Exemplos disto são as tentativas temerárias ora em curso.

Quando a economia mostra a sua insustentabilidade, cria-se um quadro de anomia social no qual se atribui culpa a diversos fatores, menos àquele que é sua base primária: a contradição da lógica capitalista em processo, que agora atinge o estágio de necessidade de superação de sua forma e conteúdo. Afinal, não se pode negar aquilo que se defende.

A política conduzida incompetentemente e com níveis de corrupção elevados, como ocorre no Brasil, pode causar sérios estragos à economia; mas a política bem conduzida e isenta de corrupção não pode sanar as contradições próprias da economia em seu conjunto, nem evitar a evolução negativa das relações econômicas. Quanto muito, os governos competentes e bem assessorados transferem para zonas periféricas do capital os infortúnios que são próprios da mecânica funcional capitalista. 

É o que acontece com o Brasil e todos os países periféricos do capitalismo, que agora pagam o pesado ônus da sustentação da decadência capitalista mundial, também presente nos países hegemônicos (estes igualmente definham, mas contam com regalias financeiras salvadoras e, eventualmente governos competentes, assessorados por sábios conhecedores da lógica do capital, além de apresentarem baixas taxas de corrupção interna).
A questão que ora se coloca não é apenas de competência administrativa e de combate à corrupção, que são inegavelmente importantes para a sôfrega continuidade do sistema, mas de compreensão sobre o que está na base dos problemas, que são mundiais.

No Brasil, tais problemas são agravados por uma elite política aculturada nos privilégios e na corrupção, de resto cada vez mais composta por bandidos ignorantes travestidos de homens públicos, e que por isto mesmo não percebem estarem cavando as próprias sepulturas. As invasões das instituições parlamentares e de executivos municipais no Brasil afora são exemplos irrefutáveis da consequência desse estado de coisas. 

Os países ricos (que ora definham) não são ricos por serem sábios, sagazes, e por respeitarem as regras do jogo, evitando e punindo até certo ponto a corrupção interna com o dinheiro público; mas sim porque eles são os beneficiários diretos de um jogo que, em si, é corrupto. As suas condições de cultura científica elevada e domínio da tecnologia de produção proporcionam níveis de produtividade de mercadorias que os fazem ricos à custa dos que não têm os mesmos níveis de produtividade. Uma lógica de corrupção em si. 

Mas, agora, mesmos os ricos veem muitas das suas unidades fabris se deslocando para outros países em busca de mão de obra barata, numa fuga do capital para a frente, pois, na medida em que reduzem a massa global de valor e de trabalho necessário e excedente (que formam a extração de mais valia), anunciam o fim irreversível do capital. 

De resto, lá também ocorrem ebulições políticas cada vez mais visíveis (vide o avanço da direita, fruto do desconforto dos nacionais, saudosos de um passado que não voltará).
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OS REVOLUCIONÁRIOS E O 
DERRETIMENTO DO GOVERNO TEMERÁRIO

Historicamente é a economia aquilo que dá sustentação aos governos federais. O Panis et circenses acalma a população e, infelizmente, a torna passiva diante da opressão histórica, pois com pouca coisa o capital mantém o seu domínio. Vejamos exemplos recentes:
- o ditador Figueiredo não suportou a vertiginosa queda do PIB havida entre 1981 e 1984 (-1,0% ao ano na média do período) e apressou o fim do regime de exceção; 
- o presidente FHC se elegeu nas asas do Plano Real, concebido por economistas, e que estancou a absurda inflação brasileira do final dos anos 80 e início dos anos 90, sob Sarney e Collor). Quando a inflação voltou e o crescimento do PIB se tornou pífio, o governo neoliberal tucano caiu do ninho;
- o governo Lula somente sobreviveu à crise domensalão graças aos bons e ilusórios números da economia brasileira enquanto o mundo amargava a crise do sistema financeiro de 2008/2009, capaz de ainda eleger Dilma Rousseff, a qual, por sua vez, não resistiu à renitente queda do PIB e foi defenestrada;
- o sistema apostou as suas fichas no presidente Temerário, que contou com o apoio dos segmentos políticos e empresariais para a retomada do crescimento. Sete meses transcorridos desde a posse, a economia não tem dado respostas e já se fala abertamente na sua queda via TSE, por irregularidades e abuso de poder na última campanha eleitoral, caminho juridicamente possível para a perda do seu mandato, ensejando umaeleição indireta (pois o TSE já decidiu que só julgará a chapa Dilma-Temer no ano que vem, com o que caducaria o prazo para a eleição de um ou uma presidente tampão ser direta). 
É natural que este eterno pêndulo da ineficácia seja constantemente objeto de tentativas de conserto ou aperfeiçoamento por quantos querem a permanência do capitalismo e o enxergam como única forma possível de relação social, aí incluídos os partidos socialistas mais ou menos radicais.
Mas, não é natural que tais iniciativas devam constar dos corolários de proposições de quem quer a superação do capitalismo e sua substituição por um modo de produção social que emancipe a humanidade.

Não é uma questão de apostar no quanto pior, melhor, mas sim de optar pelo quanto melhor, melhor.

Por que insistir em curativos diante de uma metástase sistêmica?

Proposições de melhoras econômicas como as que foram apresentadas pelo ministro Henrique Meireles, na tentativa de dar sobrevida ao governo do presidente Temerário, não passam de movimentos desesperados num terreno de areia movediça; ainda que possam alongar a agonia, terminarão por se evidenciar como insustentáveis, porque inseridas na imanência de um sistema que faz água estruturalmente. 

Assim, por que quem almeja a superação dos problemas estruturais e não consertos paliativos deveria participar de proposições dentro da imanência capitalista? Não há nenhuma razão para tanto.

A estes últimos somente cabe:
- a denúncia da farsa dos remédios institucionais e econômicos paliativos; 
 - a denúncia das medidas de austeridade que sacrificam o povo, impingidas como remédio amargo para a solução de problemas de base que, na verdade, são insolúveis dentro da imanência capitalista; 
- o abandono da participação parlamentar e de cargos executivos que apenas legitimam o conservadorismo de um Congresso eleito mediante práticas viciosas, denunciadas todos os dias pela grande mídia. Ao serem obrigados a administrar a crise do capitalismo da esfera estatal, tomando atitudes anti-povo, os governantes de esquerda só colhem descrédito e desmoralização;
- a afirmação paulatina de práticas fora da lógica de mercado; 
- o apoio a quem defende a liberdade e os direitos civis (ainda que sejam iludidos com o capitalismo) e que estejam sendo perseguidos;         
- a defesa de conceitos educacionais pela grade escolar básica, acadêmica e popular, que sirvam de elemento de conscientização popular sobre a essência dos males sociais e formas de sua superação; 
- o reforço das lutas dos trabalhadores, demonstrando que a saída é a própria negação da condição de trabalhadores e do trabalho como categorias capitalistas formadoras do capital privado ou estatal, afirmando que a produção deve estar voltada para a satisfação de suas próprias necessidades e das necessidades coletivas;  
- a denúncia dos crimes ecológicos como a poluição dos rios, lagos e oceanos, a emissão de gases que provocam o catastrófico e ecocida aquecimento global, etc.; e. por fim,
- a defesa de atitudes de afirmação da vida e da liberdade.(por Dalton Rosado) 
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