quarta-feira, 8 de abril de 2015

Petrobras: a manchete que você não vai ler


Fernando Brito, Tijolaço

"O distinto amigo e a querida amiga não lerão, por certo, amanhã, nos jornais, uma manchete assim:

Petrobras ganha, desde janeiro, 20% de seu valor de mercado
Mas, tenho certeza, já leu e leria, manchetes iguais, se isso fosse perda.

Pois foi exatamente isso o que aconteceu, de 2 de janeiro para cá, quando a ação passou de R$ 9 para os R$ 10,83 com que suas ações ordinárias fecharam hoje, mesmo numa Bolsa apática (queda de 0,02% no Ibovespa).

Claro que a Petrobras está – e muito – no negativo, mas a marotice estatística permitiria fazer “pior”: comparar com os R$ 8,04 de 30 de janeiro e dizer que, de lá para cá, a valorização foi de 35%.

Malandragens, meu caro leitor, que macaco velho de jornal conhece de cor e salteado, embora muitos dos de hoje o façam achando que é grande coisa.

Dá para fazer até como no gráfico aí em cima, que reúne as cotações na Bolsa de Nova York, mostrando que as ADR da Petrobrás, por lá, só valorizaram menos que a da British Petroleum (11,52% contra 12,05%) e muito mais do que as da Shell (-2,81%) , da Total (5,96%), da Conoco-Philips (3,85%) , da Chevron (0,56%) ou da Exxon (-5,5%).
Embora bem embrulhadinha, mentira, para enganar otários.

Porque a Petrobras, depois  de apresentar esta valorização, não desabou na chamada realização de lucros?

Isto é, na correria para vender a quase onze o que outro dia se comprou a oito?
Porque a Petrobras, até as pedras da calçada diante da Bovespa sabem, está barata, depreciada muito além de seus problemas reais.

E que petróleo, da qual ela está cheia, a 50 dólares por barril é uma bobagem artificialmente mantida pelo jogo de forças internacional.

Não creiam nesta história do “balanço auditado”. Vai sair, é necessário, compromisso de uma empresa de capital aberto.

Mas isso já foi “precificado” e muito, muito além dos prejuízos reais de Costas, Baruscos e Youssefs.

E vai ser “desprecificado”, anotem.

Manchetes recicladas, como  a de O Globo hoje, falando em R$ 45 bilhões de prejuízo no Comperj, obra de um cálculo inepto do TCU divulgado há seis meses, só enganam aos tolos que não lêem que isso se daria apenas se a planta de refino fosse abandonada e que o tal “valor presente líquido” é tão volátil quanto as estatísticas casuais que mostrei no início do post.

A turma da bufunfa, que de otária não tem nada, segue nas suas “posições compradas” de Petrobras.

Os otários, que vão bater panela, fazem-lhes um favor.

Mas, taí, se eu fosse  fazer um slogan para falar do valor das ações da Petrobras, copiar-lhes-ia a sua palavra de ordem.

Amanhã vai ser maior, amanhã vai ser maior."

Trabalhador qualificado? Esqueça, alugue um


Fernando Brito, Tijolaço 

"Nada como fazer algumas perguntas simples, para que as respostas sejam evidentes.

Se não vai haver prejuízos em salário, em recolhimentos trabalhistas (FGTS, Previdência, PIS), nem perda de direitos, nem se vai gerar passivos indenizatórios, como pode ser mais barato e eficiente estabelecer a terceirização como regra do trabalho sob o argumento de que é mais econômica, se além de todos os custos tem-se ainda a remuneração (lucro) do dono da empresa intermediadora da contratação de pessoal?

Lógico que a terceirização, em atividades específicas, especializadas, ou naquelas sem especialização, mas com alta rotatividade (segurança, portaria, recepcionistas, reparos e manutenção, etc) é uma questão prática para as empresas que preferem gastar um pouco mais mas não perderem o foco em sua atividade-fim.

Mas terceirizar a mão de obra em sua atividade fim seria  um total contrassenso.

Mas não é. Porque a lógica é outra.

Imagine, por exemplo, um supermercado onde caixas, repositores, gerentes, açougueiros terceirizados e, portanto, representando um gasto maior de que os salários e encargos, porque tem-se que remunerar o arregimentador de pessoal e ainda pagar os impostos derivados desta contratação.

Ou uma agência bancária? Ou uma escola e seus professores?

O trabalhador terá de se submeter a um espécie de escravidão high-tech , porque não pode mais, ao sair da empresa A, procurar emprego na B ou na C, porque A,B e C, agora, são atendidas pela mesma locadora de trabalhadores.
Esqueça carreira, progressão funcional, reconhecimento de mérito…Afinal, você não é mais funcionário daquela empresa, está apenas alugado a ela.

A locação de mão-de-obra, que ficava nas franjas do mercado, com vários casos de aventureiros, agora vai para o âmago das relações trabalhistas e para os inevitáveis jogos-de-empurra  de responsabilidades em detrimento do trabalhador.

Se vai passar no Congresso? Vai, ao menos na Câmara, vai.

São negócios, e negócio com gente."

segunda-feira, 6 de abril de 2015

No México como no Brasil


Não sei se o filme passou nos cinemas brasileiros, mas pode ser visto pelos assinantes do Netflix. Trata-se de La Dictadura Perfecta, escrito e dirigido por Luis Estrada. 

É uma sátira devastadora sobre a política, os políticos e o poder dos meios de comunicação, principalmente da televisão. 

O espectador pode até duvidar que as barbaridades que ele mostra possam realmente acontecer, seja lá em que país for - no caso, é o México. 

Mas que elas são críveis, ah, isso são. 


Principalmente para nós, brasileiros, que sabemos muito bem da capacidade de manipulação da imprensa em geral - e da Rede Globo em particular. 

Quanto aos políticos... 

Bem, os nossos podem agir mais sutilmente que os mexicanos que o filme mostra, mas não há dúvida de que eles são muito semelhantes.

O filme é particularmente interessante para que acompanha o debate interminável sobre o papel dos meios de comunicação numa democracia.

Nele, o governador do Estado mais pobre do México contrata os serviços da mais poderosa emissora de TV mexicana para mudar a sua imagem - praticamente destruída depois que a própria emissora divulgou imagens dele recebendo propina de traficantes.

E a trama segue por aí, revelando como é possível, graças ao poder dos meios de comunicação, transformar o mais absoluto canalha num herói nacional, no salvador da pátria.

É incrível o paralelismo com o Brasil.

Aqui, graças ao trabalho sistemático de uma mídia partidária, com a colaboração de setores institucionais, como o Judiciário, um partido político que ousou mexer minimamente na estrutura social do país, resgatando milhões de pessoas da miséria e levando outros tantos para o meio da pirâmide social, é hoje visto, por muita gente, como uma organização criminosa. 

Em La Dictadura Perfecta, o governador somente atinge o topo de sua carreira porque encontra numa organização empresarial, no caso a rede de televisão, um igual.

Ele e a emissora de TV que o glorifica e extermina seus adversários são igualmente corruptos, podres, almas gêmeas destituídas de qualquer traço de virtude.

A semelhança com a situação brasileira não é mera coincidência.

É simplesmente a descrição do modus operandi da oligarquia - seja ela de onde for.

do: http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/2015/04/no-mexico-como-no-brasil.html

A história da propina e as cruzadas moralistas

Por Motta Araújo

Na história econômica a propina está presente em todos os grandes negócios, empreitadas e encomendas através dos séculos. Na história moderna há registros de propinas em larga escala nos EUA, Rússia, Império Otomano, na Ásia era e é a pratica corrente, no Oriente Médio nem sequer se considera crime. Na África a corrupção é profundamente arraigada desde que existem humanos no continente.

No Brasil a propina aparece na Alfândega de Dom João VI, no Segundo Império, vide as memórias do Embaixador Heitor Lira em dois volumes, Editora Universidade de Brasília. Os embaixadores brasileiros em Londres cobravam propina nos empréstimos que o Brasil contraía em Londres, e eram altas. Na República Velha, Nelson Werneck Sodré na HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL fala nas "vastas algibeiras" de generais quando compravam alfafa para a Cavalaria.

Na Revolução de 30 aconteceu um fenômeno de moralismo. Os revolucionários atribuíam aos coronéis e políticos da República Velha um alto índice de corrupção, chamavam-nos de "os carcomidos". Vieram então os "tenentes" puros e salvadores e, a pretexto de eliminar a corrupção,  derrubaram os "carcomidos" nos Estados e fundaram novas dinastias corruptas, muitas das quais dominam as políticas de seus Estados até hoje. Os "jovens tenentes" eram honestos até então só porque não tinham a chave do cofre, com a mão no poder ficaram os "novos carcomidos" MAS sem perder a pose de honestos de carteira. A honestidade deles era uma questão de oportunidade.

Esta é uma constante no Brasil, líderes da moralidade só são até chegar ao poder, depois viram ladrões piores do que aqueles que derrubaram.

Dinastias que surgiram com a Revolução de 30, os Alves no Rio Grande do Norte, os Magalhães na Bahia, os Collor em Alagoas, os Távora no Ceará. Na Republica de 46 os Sarney no Maranhão, Argemiro de Figueiredo na Paraíba, onde todos os Senadores de hoje são seus parentes. A cultura política brasileira se imbrica no coronelismo, no nepotismo, em costumes políticos que já duram séculos.

Na República de 30 havia corrupção discreta que mais apareceu em favorecimentos e nomeações, na República de 46 a corrupção se manifestava nas licenças de importação da CEXIM. Mas a grande corrupção das empreiteiras nasceu com a construção de Brasília, a propina foi o lubrificante que permitiu Brasília ser construída em CINCO anos.

Nos governos estaduais da República de 46 fizeram fama Adhemar de Barros em São Paulo e Moyses Lupion no Paraná. Nos Governos do Rio poucos escaparam do mar de corrupção, Lacerda foi um deles.

Mas havia um CÓDIGO na velha corrupção.

1 - As comissões sobre obras públicas eram modestas, 1 a 3%, MAS se exigia a obra feita no custo e no prazo. Adhemar era um bom tocador de obras e deixou muitas e grandes, mesmo com os fracos orçamentos daquela época.

2 - Toda a imensa infraestrutura hidroelétrica, de estradas, pontes, refinarias construídas  na segunda metade do século XX teve a presença de propinas mas dentro de um código da corrupção, não era uma farra como ocorreu recentemente, os contratos de obras tinham exata relação com a obra, a corrupção eram embutida e discreta.

Jânio,  por exemplo, cobrava uma comissão mínima na assinatura do contrato MAS acabava ai, depois era implacável com a empreiteira, não ficava "parceiro" da obra, se quitava e dava quitação na assinatura do contrato, depois virava duro. Jânio também guardava parte das contribuições de campanha, deixou 13 milhões de dólares no Citibank de Genebra e 60 imóveis, geralmente casas e apartamentos de classe média.  Jânio fazia o folclore do moralista mas adorava dinheiro, não exibia, não gastava e não era generoso nem com a família. Convivi muito com ele e seu folclore de boas estórias daria um bom livro, fora do poder era um ótimo papo, um grande ator da política.

3 - Em torno da corrupção se formou um vasto folclore de fantasias. Dizia-se que Juscelino era um dos homens mais ricos do mundo, dona Sarah certa época precisou vender quadros para se manter, não havia fortuna alguma.

Dizia-se do poderoso Ministro dos Transportes do Governo Militar, Mário Andreazza, que era a 7ª fortuna do mundo, quando morreu seu enterro foi custeado por uma lista passada entre amigos, a família sempre viveu digna e modestamente, já tratei deste assunto aqui e houve um comentário do neto dele aqui no blog com detalhes.

A propina ACOMPANHOU o desenvolvimento do Brasil sempre.

A coté, lado a lado com a corrupção vieram as CRUZADAS MORALISTAS. A primeira foi a de Carlos Lacerda contra Getúlio, entre 1951 e 1954, que acabou com a vida de Getúlio, que deixou de herança um apartamento de classe média e a fazenda de São Borja, que ele herdou do pai, era um homem probo, modesto, correto e honesto mas o mesmo não pode se dizer de seu governo.

A segunda cruzada veio da UDN contra Juscelino por causa de Brasília,  uma ala da UDN moralista , a "banda de música" tinha como líder o Deputado José Sarney. Na sequência Jânio se elegeu com uma cruzada moralista contra o grupo de JK, sua bandeira era a vassoura. A anticorrupção era, desde o inicio, seu "mote" eleitoral, sempre se elegeu com a ideia de ser o ANTICORRUPTO, o que não era, era apenas mais discreto. A mais nova foi a de Collor, que na campanha invocava os "marajás",  que rendeu-lhe muitos votos.

As CRUZADAS MORALISTAS são um mau negócio para o País, não extinguem a cultura da propina e causam tremores e instabilidades políticas. Nos EUA, no fim do Século XIX, havia mais corrupção que no Brasil. A Prefeitura de Nova York e o Governo do Estado de Nova York eram campeões de corrupção. A sede do governo do Estado, Tammany Hall era sinônimo de corrupção; Chicago era dominada (até hoje é) por uma família corrupta; Kansas City tinha o "boss" Tom Prendergast, que foi quem inventou Harry Truman como vice-presidente; a Lousiana tinha Huey Long, sinônimo de politico mafioso de altíssima corrupção. Os EUA foram mudando AOS POUCOS com lenta evolução de barreiras e filtros que foram fechando o cerco à corrupção política mas isso levou UM SÉCULO, não foi por cruzadas moralistas.

Na política o MORALISMO é apenas um instrumento para derrubar a velha corrupção e instalar uma nova, geralmente pior que a antiga, mais cruel mais voraz e mais impiedosa.

sugado do: http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2015/04/a-historia-da-propina-e-as-cruzadas.html

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Como nos tornamos humanos

Linha evolucionária humana

Mudanças genéticas em ancestrais humanos determinaram "vantagens" na vida moderna.
Mudanças fundamentais ocorreram para que nos tornássemos humanos.
da BBC Brasil
Os humanos são provavelmente a espécie mais curiosa que já existiu.
Temos cérebros muito maiores que os de outros animais e que nos permitem construir utensílios, entender conceitos abstratos e usar a linguagem.
Mas também temos poucos pelos, mandíbulas fracas e demoramos para dar à luz.
Como a evolução explica essa criatura extravagante?

1. Viver em grupo

Macacos abraçados
Há 30-60 milhões de anos
Os primeiros primatas, grupo que inclui macacos e humanos, surgiram pouco depois do desaparecimento dos dinossauros. Muitos começaram rapidamente a viver em grupos para melhor se defenderem de predadores, e isso exigiu de cada animal "negociar" uma rede de amizades, hierarquias e inimizades.
Sendo assim, viver em grupo pode ter impulsionado um aumento da capacidade intelectual.

2. Mais sangue no cérebro

Detalhe da veia carótida
Há 10-15 milhões de anos
Humanos, chimpanzés e gorilas descendem todos de uma espécie desconhecida e extinta de hominídeo.
Neste ancestral, um gene chamado RNF213 evoluiu rapidamente e pode ter estimulado o fluxo de sangue para o cérebro ao ampliar a artéria carótida.
Nos humanos, as mutações do RNF213 causam a doença de Moyamoya - um estreitamento da carótida que leva ao deterioramento da capacidade cerebral por conta da pouca irrigação do cérebro.

3. A divisão dos primatas

Chimpanzé
Há 7-13 milhões de anos

Nossos ancestrais se separaram de seus parentes parecidos com os chimpanzés há cerca de 7 milhões de anos. No início, tinham uma aparência bem similar, mas por dentro suas células estavam em marcha.
Os genes ASPM e ARHGAP11B entraram em mutação, assim como um segmento do genoma humano chamado HAR1.
Ainda não está claro o que provocou essas modificações, mas o ARHGAP11B e o HAR1 estão associados ao crescimento do córtex cerebral

4. 'Picos' de açúcar

Depois que a linha evolutiva humana se separou da linha dos chimpanzés, dois genes sofreram mutações.
Cérebro humano
Há menos de sete milhões de anos


O SLC2A1 e o SLC2A4 formam proteínas que transportam glicose para dentro e para fora das células.
Essas modificações podem ter desviado glicose dos músculos para o cérebro de hominídeos primitivos e é possível que tenha estimulado o crescimento do órgão.

5. Mãos mais hábeis

Nossas mãos são incrivelmente hábeis e nos permitem construir ferramentas ou escrever, entre outras atividades.
Anatomia da mão humana
Há menos de 7 milhões de anos


Isso pode se dever em parte a um fragmento de DNA chamando HACNS1, que evoluiu rapidamente desde que nossos ancestrais e os ancestrais dos chimpanzés se dividiram.
Não se sabe o que o HACNS1 faz exatamente, mas ele contribuiu para o desenvolvimento de nossos braços e mãos.

6. Mandíbulas fracas: mais espaço para o cérebro

Em comparação com outros primatas, os humanos não podem morder com muita força porque têm músculos mais fracos em volta da mandíbula, bem como mandíbulas menores.
Mandibula humana
Há 2,4 - 5,3 milhões de anos

Isso parece se dever a uma mutação do gene MYH16, que controla a produção de tecido muscular.

7. Dieta variada

Nossos ancestrais primatas mais antigos comiam principalmente frutas, mas espécies posteriores como o Australopithecus ampliaram seu cardápio.
Carne
Há 1,8 - 3,5 milhões de anos


Além de se alimentar com uma variedade maior de plantas, como ervas, comiam mais carne e inclusive a cortavam com ferramentas de pedra.
Mais carne levou ao consumo de mais calorias e menos tempo de mastigação.

8. Pelado, nu com a mão no bolso

Os humanos são quase pelados. Não se sabe a razão, mas isso ocorreu entre 3 e 4 milhões de anos atrás.
Pele humana
Há 3,3 milhões de anos


Suspeita-se que a perda de pelos tenha ocorrido em resposta à evolução de parasitas como carrapatos.
Exposta ao sol, a pele humana escureceu e a partir de então todos nossos ancestrais foram negros até que alguns humanos modernos deixaram os trópicos.

9. Um gene de inteligência

Neurônios humanos
Um gene chamado SRGAP2 foi duplicado três vezes em nossos ancestrais e, como resultado, células cerebrais teriam desenvolvido mais conexões.

10. Cérebros maiores: primatas pensantes

Os humanos pertencem a um grupo ou gênero de animais conhecido como Homo. O fóssil mais antigo de Homo foi escavado na Etiópia e tem 2,8 milhões de anos.
Homo habilis
Há 2,8 milhões de anos

A primeira espécie foi possivelmente o Homo habilis, embora cientistas discordem deste argumento.
Em comparação com seus ancestrais, esses novos hominídeos tinham cérebros muito mais grandes.

11. Parto complicado: uma cabeça muito grande

Para os humanos, o parto é mais difícil e perigoso.
Ultrassom de bebê humano
Há pelo menos 200 mil anos


Diferentemente de outros primatas, as mães quase sempre precisa de ajuda.
Caminhar sobre duas pernas fez com que as fêmeas humanas tenham um canal pélvico mais estreito e passagem de um bebê humano com a cabeça maior de seus ancestrais ficou dificultada.
Para compensar esse "problema logístico", bebês humanos nascem pequenos e indefesos.

12. Controle do fogo

Ninguém sabe quando os humanos aprenderam a controlar o fogo.
Fogo
Há 1 milhão de anos


A evidência mais antiga do uso do fogo está na Caverna de Wonderwerk, na África do Sul, que contém cinzas fossilizadas e ossos queimados datando de um milhão de anos.
Mas alguns especialistas afirmam que o fato de homem já ser capaz de processar alimentos há mais tempo do que isso poderia incluir o ato de cozinhar.

13. O dom da fala

Todos os grandes hominídeos têm sacos de ar em seus tractos vocais, o que lhes permite emitir fortes gritos.
Boca humana
Há 600 mil - 1,6 milhão de anos

Mas não os humanos, porque essas bolsas fazem impossível produzir diferentes sons.
Nossos ancestrais aparentemente perderam os sacos de ar antes de se separar em termos evolucionários da espécie Neanderthal, o que sugere que eles também podiam falar.

14. Um gene para a linguagem

Algumas pessoas têm uma mutação em um gene chamado FOXP2.
Homem primitivo
Há meio milhão de anos


Como resultado, custa a elas entender gramática e pronunciar palavras.
Isso sugere que o FOXP2 é crucial para aprender o uso da linguagem.

15. Saliva reforçada para comer carboidratos

A saliva humana contém uma enzima chamada amilasa, fabricada pelo gene AMY1, e que digere amidos.
Feixe de trigo
Humanos descendentes de agricultores têm mais cópias do gene AMY1


Os humanos modernos cujos ancestrais foram agricultores têm mais cópias do AMY1 que aqueles cujos ancestrais era caçadores, por exemplo.
Este reforço digestivo pode ter ajudado a dar início ao cultivo, aos povoados e às sociedades modernas.

terça-feira, 31 de março de 2015

Será que estamos sendo justos com Dilma?

dilma_rousseff_getty

A corrupção voltou ao centro da luta política. Não temos, portanto, como fugir a um debate franco e duro sobre o tema.
O governo é corrupto?
O PT, o partido do governo, é corrupto?
Antes, porém, de entrar nesse debate, gostaria de fazer alguns comentários sobre essa volúpia, à esquerda e à direita, em malhar o governo, o PT e a presidenta Dilma.
A volúpia nasce da constatação do que consideramos erros, mas também desse instinto igualitarista tão próprio da democracia: ao criticar, como que reduzimos a desigualdade de poder entre o governado e o governante.
O governante pontifica lá de cima, no palácio, dispondo de instrumentos de poder que nunca teremos. Nossa pequena vingança é criticá-lo impiedosamente. Ou mesmo xingá-lo. Daí resulta um processo inevitável de desgaste que afeta toda e qualquer administração.
Isso explica também as lágrimas de Dilma Rousseff, no dia seguinte àquela grande manifestação do dia 15 de março, em São Paulo.
Num discurso emocionado, a presidenta observou que nunca mais, no Brasil, alguém seria perseguido por criticar um governante, mesmo que duramente, mesmo que com palavras de baixo calão.
Seja como for, uma das grandes qualidades da nossa democracia foi a conquista dessa liberdade, para a qual contribuíram a sólida virtude democrática de todos os presidentes que tivemos, desde Sarney. Todos eles, com seus infinitos defeitos, jamais fizeram movimentos para tolher a liberdade da população de exercer o seu sagrado direito de criticá-los.
Essa não é uma virtude universal na classe política. Nos últimos anos, inúmeros prefeitos e governadores usaram seu poder para reprimir com truculência manifestações críticas às suas gestões. Os exemplos de José Serra e Aécio Neves são os mais conhecidos. Ambos ganharam a triste fama de criarem um sistema de repressão branca, baseado sobretudo na demissão de jornalistas e colunistas que fugiam do script de apoio incondicional que eles exigiam dos órgãos de imprensa locais. No caso de Aécio, a coisa foi ainda mais grave, com perseguição judicial e penal a um jornalista crítico a seu governo.
Por outro lado, a virtude democrática, de aceitação serena da crítica, na medida em que foi característica de todos nossos presidentes após a morte de Tancredo, não é mais um diferencial. Passou a ser, muito saudavelmente, uma obrigação de ofício. Continua a ser uma virtude, mas não merece mais nossa gratidão.
Até porque o governante, ciente de que suportar estoicamente a crítica mais virulenta é uma virtude, não pode recair no risco de se tornar tão cínico a ponto de se auto-elogiar pela suposta magnanimidade de permitir que seja criticado.
Em outras palavras, o governante não pode converter a crítica dura que setores sociais fazem a ele numa virtude pessoal.
No entanto, parece ser justamente isso que acomete Dilma Rousseff. Sua reação às críticas que lhe são feitas, à esquerda e à direita, parece ser a de um líder que, ao ouvir o populacho lhe xingando lá embaixo, olha-se ao espelho e se auto-elogia: eu sou tão democrata! Eu sou tão boa! Eu sou tão generosa! Nem ligo para as pessoas que me xingam nas ruas! Eu lhes perdôo!
O autoritarismo, sorrateiramente, se infiltra e contamina a mais democrática das virtudes. A virtude de tolerar as críticas então se transforma no vício de lhes ser indiferente!
*
A semana passada terminou razoavelmente positiva para o governo, o que significa que perdeu da mídia de oposição de uma goleada menor do que de costume.
A nomeação de dois novos ministros criou (embora involuntariamente, visto que o governo não planejou a demissão dos titulares anteriores) dois fatos positivos.
Edinho Silva criou um fato positivo por representar um pequeno ato de valentia do governo. Silva não é nenhum gênio de comunicação, e sua competência e coragem ainda serão postas à prova, mas apenas o fato do governo não ter nomeado, como queria a mídia, e como tem sido praxe desde o início do governo Dilma, uma pessoa “deles”, um profissional oriundo da própria mídia, um amiguinho de editores e repórteres, repercutiu bem de maneira geral. À esquerda, houve um estremecimento, do tipo: será que agora vai? À direita, outro tipo de arrepio, do tipo: ué, não tínhamos bebido todo o sangue do governo, como assim ainda restou um pingo de força e independência?
A nomeação do novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, por sua vez, ajudou a melhorar a imagem do governo. Dilma seguiu o conselho dos que lhe sugeriam trazer para o governo nomes com prestígio social.
Isso é fazer a batalha da comunicação.
Aliás, um amigo, o responsável pela comunicação do MST, o jornalista Igor Felippe, escreveu um texto, há pouco tempo, em que fala que o problema do governo não é a comunicação, mas a sua política, de maneira geral.
Ora, esse também é o erro do governo e do PT. De entender a comunicação como uma instância separada do todo. A comunicação é o todo.
Não se trata apenas do que as pessoas ouvem do governo, mas sobretudo aquilo que as pessoas vêem no governo. Neste sentido é que o anúncio de um novo ministro constitui um valioso instrumento de comunicação.
A nomeação de Janine foi positiva.
A de Katia Abreu, independente da possibilidade de ser uma boa ministra da Agricultura, representante do agronegócio, foi uma péssima comunicação. Quer dizer, foi um esforço de agradar um setor, mas não foi inteligente, porque não trouxe equilíbrio. Não houve planejamento enquanto comunicação.
*
Vamos ao tema da corrupção, central no debate político de hoje.
Como dizia, a semana passada encerrou de maneira relativamente positiva para o governo também em função de uma nova grande operação da Polícia Federal, a Zelotes, contra grandes sonegadores.
A operação abre a oportunidade do governo retomar a narrativa da corrupção não mais como réu da mídia, mas como protagonista na luta contra a corrupção.
Entretanto, mais uma vez, o governo está perdendo a ocasião.
A presidenta Dilma tem um twitter com 3,3 milhões de seguidores. No momento em que eu escrevo, na manhã da terça-feira 31 de março, a última mensagem, de seis dias atrás, é uma nota fúnebre pela queda do avião da Germanwings.
Tenho criticado, com sarcasmo cheio de amargura, essa mania mórbida da equipe de comunicação de Dilma de transformar seu twitter em coleção de necrológios.
De seis dias para cá, a presidenta nomeou dois ministros, em cargos estratégicos, a PF iniciou uma operação impressionante, com capacidade de mudar a imagem do governo, e o twitter da presidenta lamenta a queda de um avião nos alpes suíços! Um problema que sequer diz respeito ao Brasil, quanto mais ao governo brasileiro!
*
O Cafezinho não se pretende imparcial. Tento ser honesto, apenas. Acho bobagem, da mesma forma, a máxima de que “jornalista não pode ter amigo”. Esse é um dogma, me parece, inventado por donos de jornal, que podem ter amigos à vontade, mas querem que seus empregados ajam como robôs, sem vontade própria, seguindo exclusivamente as ordens e os ditames da redação.
Se um amigo cometer um crime que o jornalista considerar grave o suficiente, dê fim à amizade, e faça a denúncia.
Ou então, encaminhe o caso para outro profissional fazê-lo.
Pretender que o jornalista “não tenha amigos”, é uma violência, ou melhor, uma dessas máximas puramente hipócritas, porque é evidente que o jornalista terá os amigos que quiser, só que os ocultará de seus leitores ou mesmo de seus patrões.
*
No entanto, o escopo do artigo de hoje é expressar uma coisa sobre a qual ando discutindo com alguns parentes nos últimos dias.
Uma das críticas pertinentes que se faz aos petistas é a seguinte: não tem sentido responder às acusações de corrupção apenas acusando o adversário de roubar também.
Então volto a fazer as perguntas do início do post: o PT é corrupto? O governo é corrupto?
Acho que, a esta altura, o eleitorado petista, que é vencedor (apesar do próprio governo não se dar conta, ou não demonstrar isso, ao não dialogar com ele), responde essas perguntas da seguinte maneira:
Sim, o PT tem e teve quadros envolvidos em corrupção. Em alguns casos, há manipulação da mídia, mas em outros, há corrupção concreta, ou omissão, ou cumplicidade.
O governo também. Há e houve corrupção no governo e nas estatais. Isso é inegável.
No entanto, esse eleitorado reage a essa acusação com os seguintes raciocínios:
1) Hoje há combate de verdade à corrupção, inclusive àquela incrustada dentro do PT e do governo. Antes, não havia combate à corrupção, sobretudo aquela que contamina o poder.
2) Entende que o outro pólo político, dos partidos antipetistas, não é melhor em termos éticos.
3) O outro lado, além de roubar mais, não investiga e não combate o roubo.
4) Além de ser corrupto, o outro lado não tem preocupação social, e não é confiável do ponto-de-vista do interesse nacional e do trabalhador.
*
Eu fico meditando, às vezes, sobre como o futuro julgará os governos petistas em termos de ética.
Decerto não será o mesmo julgamento da imprensa partidária, nem da opinião pública contemporânea, mergulhada até o pescoço nas paixões políticas.
E aí eu fico pensando nesta ironia: o fato de termos, hoje, instituições que investigam o próprio governo e o partido no poder com total autonomia e independência; a elevação do investimento em instituições cujo orçamento estão sob sua responsabilidade (Polícia Federal, Controladoria Geral da União); a inauguração de sistemas de transparência; o respeito absoluto com que tratou da liberdade de imprensa; a escolha de ministros do Supremo que exerceram seu cargo com independência, ou até mesmo, em alguns casos, com parcialidade, contra o governo (sob pressão histerica da mídia).
Tudo isso não implicará numa imagem, na história, de um governo que permitiu ao Brasil olhar para si mesmo com muito mais honestidade?
Tudo isso não implicará, ironia das ironias, na imagem do governo que mais lutou contra a corrupção em nossa história?
Outro dia, o atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, deu entrevista ao Globo em que reagiu da seguinte maneira a uma pergunta do repórter, sobre abertura de inquérito sobre ele no Supremo Tribunal Federal:
“Globo: O senhor está tranquilo quanto às acusações dos delatores?
Cunha: Absolutamente tranquilo. (Meu advogado) falou que o (doleiro) Youssef fala que não me conhece. Que não tem absolutamente nada contra mim. Forçaram a barra do Youssef perguntando de mim, aí ele fala que ouviu do Júlio Camargo. Ele não me acusa de nada. Diz que não me conhece, não sabe nada de mim.
Globo: Mas seu nome foi incluído.
A partir de agora, estou em guerra aberta com o (procurador-geral da República, Rodrigo) Janot. Tudo é possível. Vamos ver até que nível que vai. Ele me escolheu. Está muito claro.
Globo: É o maior escândalo do país?
Além de ser inacreditável, foi o maior escândalo de corrupção do mundo. O que mais me incomoda é a gente olhar que tem um escândalo desse tamanho e achar que todo mundo está igual. É a percepção que passa quando abre um inquérito para um e para o outro que não roubou.
Globo: O senhor acusou o governo de atuar para te incriminar…
Eu já disse que tinha a mão do governo. Já acusei claramente.”
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É incrível a agressividade e o desrespeito de Cunha contra o procurador-geral e contra o Executivo.
Além disso, repare no oportunismo dele ao tentar jogar em favor da mídia, e classificar, ridiculamente, a Lava Jato como o “maior escândalo de corrupção do mundo”.
Cunha fala assim porque sabe que a mídia não se interessa em combater a corrupção, mas apenas em pegar o PT, porque, em caso contrário, ele seria mais cuidadoso com sua linguagem, visto que seu partido tem mais gente sendo acusada do que o PT.
Quando as paixões políticas amainarem, e for possível fazer uma análise serena dos governos petistas, veremos dois presidentes que enfrentaram crises terríveis sem agredir nenhuma instituição.
Nem Dilma nem Lula, mesmo no auge dos ataques furibundos que até alguns ministros do STF, embriagados pelos holofotes, fizeram a seu partido, jamais reagiram a truculência de um Cunha, jamais criaram um atrito entre as instituições.
Essa lhaneza petista jamais foi reconhecida pela imprensa.
Enquanto isso, que imagem, a nossa imprensa, que é o principal partido de oposição, terá no futuro?
Será a imagem de uma imprensa histérica, sensacionalista, que mentiu, manipulou, desrespeitou brutalmente direitos e liberdades de cidadãos?
Uma imprensa truculenta, que mesmo tendo enriquecido tanto durante o regime autoritário, não teve o pudor de, no regime democrático, respeitar o pluralismo político?
Uma imprensa que jamais esteve ao lado do povo, e que, quando este povo conseguiu eleger governos que se interessavam por sua sorte, fez de tudo para criminalizar e destruir esses governos?
Minha curiosidade pelo julgamento da história é tão grande que eu desejaria entrar numa máquina do tempo e viajar ao futuro, apenas para ler sobre o Brasil de hoje.
sanguessugado do: http://www.ocafezinho.com/2015/03/31/sera-que-estamos-sendo-justos-com-dilma/