quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O discurso antipolítica plantado pela mídia

sem partidos

O principal desserviço da grande mídia foi ter criminalizado a política e os partidos.
É muito comum ouvir coisas como “todos os políticos são corruptos” ou que “não existe partido que o represente”.
Aí o sujeito acredita em diversas pautas “progressistas” e busca lutar por essas pautas em movimentos de uma pauta só, isolado de todo o resto e se dizendo “apartidário”, mas ai se indigna quando o país elege o Congresso mais conservador em anos.
Reforço que considero toda luta por mais direitos válida. E que no mínimo esses coletivos e movimentos “apartidários” são importantes para politizar uma parte da população (uma parte extremamente pequena, é verdade).
O problema é que quando se isola nesses movimentos de uma pauta só, o sujeito não percebe que passa a dialogar apenas com os “seus”, e se surpreende quando percebe que o Brasil é bem diferente da sua timeline.
Quando chega a eleição e o sujeito que vive no “mundo ideal” das suas próprias ideias reclama da falta de espaço que as pautas “super avançadas” que acredita recebem, reclama das alianças políticas que os partidos de esquerda – que ele não considera esquerda – têm que costurar para conseguir avançar a passos de formiga… reclama de tudo.
Mas durante o processo, o que ele fez pra mudar isso? Com quem ele dialogou além das pessoas de seu próprio meio e que acreditam nas mesmas coisas que ele?
Não adianta bater na mídia o tempo todo, e cair na sua principal armadilha que é fazer com que as pessoas desacreditem da política e dos partidos.
Não seria muito mais transformador de fato se filiar ao partido que mais se aproxime do que acredita e ai sim, assumindo sua opção política, enfrentar a realidade e debater com os que estão a sua volta, mas não necessariamente da mesma classe e nem do mesmo universo cultural, sobre os pontos que considera importantes para o país?
Demoramos muito tempo para ter o direito de nos organizarmos em partidos políticos, e a mídia, que apoiou a ditadura, trabalha em defesa de seus próprios interesses que passam longe das organizações partidárias sólidas e conscientes da luta pela democracia.
Vivemos em um país, apenas para dar alguns exemplos, onde a maioria é contra o aborto, é a favor da redução da maioridade penal, não faz ideia de que raios quer dizer “democratização da comunicação” e por ai vai… O povo escolheu esse Congresso conservador!
Não existe surpresa na escolha da presidência da Câmara e nem na composição dos Ministérios.
Mas o sujeito continua com os seus, defendendo suas pautas dentro dos movimentos isolados, achando que sua timeline realmente representa alguma coisa…
Ou saímos para as ruas para dialogar com os que não pensam como nós e apresentamos nossas ideias, ou só resta choramingar eternamente entre “os seus”. Mas o fato é que mesmo quem demonstra interesses políticos dignos e potencial para atuar neste meio, em algum momento do percurso se deixou levar pela conversa “anti política” da mídia. Se os que se reconhecem como progressistas não tomarem a responsabilidade para si, não vai adiantar reclamar deste Congresso e nem da onda conservadora que vem por ai…
http://ujs.org.br/index.php/noticias/o-discurso-antipolitica-plantado-pela-midia/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A importância dos pais na formação da personalidade dos filhos

Estudo na revista ‘Child Development’ defende que a maneira como fomos tratados na infância define o tipo de adulto que somos e os relacionamentos que temos

Uma pesquisa analisou 243 crianças de famílias de baixa renda em Minnesota, nos EUA, desde o nascimento até que elas completassem 32 anos de idade, estudando como as mães interagiram com as crianças durante os primeiros três anos de vida e, à medida que elas cresciam, o estudo acompanhava também suas habilidades sociais e competência acadêmica junto aos professores. Na faixa de 20 a 30 anos de idade, os pesquisadores entrevistavam os então jovens sobre sua educação e relacionamentos.
As crianças com mães mais sensíveis aos seus anseios durante os primeiros três anos de vida — aquelas que respondiam ao filho prontamente, que tinham interações positivas e faziam com que a criança se sentisse segura — tinham relacionamentos mais bem sucedidos e eram superiores academicamente em comparação àqueles cujas mães não se envolviam desta maneira.

Pesquisas anteriores demonstraram que cuidados na primeira infância podem influenciar o desenvolvimento social quando a criança é pequena, mas este novo estudo mostra que, mesmo apesar de fatores econômicos, este tipo de parentalidade tem impactos também na vida adulta, em uma ampla gama de fatores.
Fonte: Globo - See more at: http://www.psiconlinews.com/2015/01/a-importancia-dos-pais-na-formacao-da.html#sthash.fxonkV5a.dpuf, via http://www.psiconlinews.com/2015/01/a-importancia-dos-pais-na-formacao-da.html

São Paulo à beira de uma crise de nervos ou de um genocídio?


Exterminador-do-Futuro

FÁBIO DE OLIVEIRA RIBEIRO

Essa é uma história é banal. Por mais de uma década a Sabesp distribuiu fartamente seus lucros na Bolsa de New York, conferindo aos tucanos paulistas algum prestígio internacional. Os primeiros alertas de crise hídrica foram dados em 2003, 2004, novamente em 2009. Mas com o aval do governador a companhia seguiu distribuindo lucros em NY e evitando fazer investimentos para diversificar e aumentar a captação de água para os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo.
Em 2014, ano eleitoral, a água deveria começar a ser racionada e não foi. O governador candidato à reeleição preferiu fazer de conta que o problema não existia para não prejudicar sua augusta imagem. A imprensa, que o odeia o PT menos que à população que conferiu 4 mandatos presidenciais ao partido e elegeu o Prefeito de São Paulo, protegeu o governador e até o transformou numa espécie de santo não canonizado.
O mal que foi silenciosamente plantado será inevitavelmente colhido aos gritos. A maior metrópole da América Latina está às portas de uma verdadeira hecatombe. Não há tempo hábil para obras, a água da Billings é poluída demais para ser distribuídas. Em pleno período de chuvas os reservatórios que abastecem a metrópole estão vazios. Nos próximos meses, quando a estiagem chegar, São Paulo será um deserto sobre dezenas de riachos e córregos sujos que foram canalizados, cortado por dois rios caudalosos extremamente poluídos.
Vamos fugir deste lugar, baby!
Vamos fugir
Tô cansado de esperar
Que você me carregue
A letra da música do grupo Skank é muito apropriada para descrever o tom ameno, descompromissado e até irônico utilizado pela imprensa para encobrir os momentos que antecedem um genocídio. Em alguns meses, milhões terão que fugir da Grande São Paulo? Fugir como, para onde? É impossível deslocar tanta gente ao mesmo tempo com a rapidez necessária. Onde colocar todos os fugitivos da seca produzida com lucro pela Sabesp? Os russos levaram 2 semanas para evacuar a pequena cidade de Pripyat. Quantos paulistas morrerão se o governo levar todo este tempo para esvaziar uma cidade sem água para consumo de milhões de pessoas?
Neste momento de crise, a únicas palavras que podem descrever são as que foram proferidas por Ao ouvir as declarações do Presidente do STF lembrei imediatamente das palavras de Jacques Sémelin em seu livro PURIFICAR E DESTRUIR, Difel, 2009:
“Em princípio, o papel do Estado é o de proteger os cidadãos, como explicam inúmeros autores de ciência política. Com a concordância dos indivíduos – que aceitam, então obedecer -, o Estado lhes concede segurança. Mas nos casos estudados, ele passou a não dar mais essa garantia a todos os cidadãos. Ele se tornou assassino e protetor de assassinos. Quem haveria de poder, então, conter a violência?”
Segundo o autor francês os genocídios praticados na Alemanha (contra os judeus), Ruanda (contra os tutsis) e Servia (contra kosovares e croatas) foram fomentados pelos discursos incendiários dos líderes políticos (Hitler, Habyarimana e Milosevic). Mas em todos os casos o discurso sacrificial só conseguiu alcançar seu propósito em razão da propaganda.
"A manipulação das emoções, ocupa, dessa forma, um lugar central na instauração de tais poderes, mas o que vai sustentar e desenvolver esse estado emocional é a propaganda. Ela, necessariamente, acompanha e reforça o estabelecimento desses sistemas políticos."
Um pouco mais adiante o estudioso explica que:
"O princípio básico é sempre o mesmo:  fabricar emoção. Entenda-se: suscitar o medo, a desconfiança, o ressentimento e, assim, provocar, como reação, a vigilância, o orgulho, a vingança. Um aparelho de propaganda é, antes de tudo, uma máquina de fabricar emoção pública, a exemplo dos líderes, a quem ela reveza e amplifica o que dizem. É trabalhando com a emoção que ela almeja alcançar a adesão do público: 'Não tem escolha', é o que ela diz 'temos, todos, que nos defender dessa gente. É uma questão de identidade: nossa sobrevivência está em jogo.' E é por onde a propaganda ataca o pensamento: 'Diante da ameaça comum, devemos nos mostrar mais fortes e afirmar o poder da nossa identidade.' A propaganda procura impor a todos uma interpretação do mundo, apresentada como 'vital', a partir do grupo a que ela pertence. Dessa forma, o envolvimento emocional do publico, rapidamente, se estende ao envolvimento ideológico."
O PSDB não fez propaganda de que desejava realizar um genocídio na Grande São Paulo. O que fez, e isto é uma verdade factual, foi muita propaganda para disfarçar a crise hídrica, permitir a inércia governamental e possibilitar à Sabesp privatizada seguir distribuindo fartamente seus lucros em NY. A intensa propaganda tucana para blindar Alckmin e a Sabesp, porém, produziu o mesmo efeito que a propaganda nazista, hutu e sérvia. Um genocídio ronda a Grande São Paulo e os tucanos, mesmo não tendo afirmado "mataremos os pobres paulistas de sede"conseguirão fazer isto de uma maneira impensável: com ajuda lucrativa de uma imprensa privada que coloca o interesse público abaixo do interesse dos acionistas de uma companhia irresponsável e de um governador sorridente e, no entanto, desumano.
Além de proteger Geraldo Alckmin e a Sabesp privatizada, a imprensa paulista não faz outra coisa senão "...suscitar o medo, a desconfiança, o ressentimento e, assim, provocar, como reação, a vigilância,  o orgulho, a vingança" contra o governo federal que veio em socorro dos paulistas com verbas para obras emergenciais (que infelizmente não poderão ser executadas em alguns meses). As denuncias de corrupção na Petrobras afetam menos o cotidiano dos paulistas do que a falta d’água e, paradoxalmente, ocupam mais espaço na mídia paulista.
Obrigado à enfrentar o imponderável, o povo paulista clamará por uma intervenção federal. Como as tropas brasileiras poderão atuar num Estado em que a imprensa rejeita a soberania nacional em seu território e fomenta constantemente o separatismo? Esta, porém, não é a única pergunta.
Quando as rebeliões violentas começarem a pipocar na periferia da Grande São Paulo e convergirem para o Palácio dos Bandeirantes, quem protegerá os direitos políticos dos brasileiros de uma matança que pode estar sendo planejada pelo comando da PM?  Estamos montando uma “operação de guerra” diz o governador e seus assessores mais próximos? Guerra contra quem? Contra o povo que foi criminosamente deixado sem água apesar do que consta na Constituição Federal? E o Exército brasileiro? Vai entrar nesta guerra para defender os lucros dos acionistas da Sabesp derramando o sangue dos paulistas indefesos diante de um governo absolutista e obscurantista?

Sanguessugado do GGN, via http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2015/02/sao-paulo-beira-de-uma-crise-de-nervos.html

Alckmin/Dilma: Dois perfis, duas crises



Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:



O governo de Geraldo Alckmin venceu a crise de abastecimento de água no campo da comunicação. O governo de Dilma Rousseff perdeu em todas as crises que encara desde a posse em seu primeiro mandato, e corre o risco de enfrentar um processo de impeachment alimentado pela imprensa.

Geraldo Alckmin fala bastante, mas nada diz. Dilma Rousseff não fala, e quando fala não diz.

Se fosse possível fazer uma análise sucinta, com a técnica mais comum de media trainingusada para preparar executivos antes de entrevistas, essa seria uma avaliação aceitável do desempenho das duas autoridades. No entanto, é preciso colocar em perspectiva uma diferença básica entre os dois: Geraldo Alckmin conta com a complacência subserviente da imprensa, enquanto Dilma Rousseff representa para a mídia tradicional o mal a ser extirpado.

Se a situação fosse invertida, os jornais estariam publicando o seguinte: Geraldo Alckmin assumiu pela primeira vez em 2001, com a morte de Mário Covas; quase imediatamente, iniciou uma série de mudanças com o claro objetivo de tirar o governo das manchetes. Covas havia iniciado uma corajosa reforma na educação, comandada pela então secretária Rose Neubauer; também tocava um projeto ambicioso no combate à corrupção policial e enfrentava uma série de rebeliões nos presídios.

Em poucos meses no cargo, Alckmin abortou o projeto de educação, pondo no lugar da educadora Neubauer o cientista social Gabriel Chalita, que trocou o programa de Covas por uma proposta chamada “pedagogia do amor”.

O problema dos presídios foi resolvido de maneira peculiar: um tiroteio no qual apenas uma das partes estava armada eliminou todos os líderes de facções, com exceção do chamado Primeiro Comando da Capital – o PCC.

Alckmin terminou o mandato de Covas, foi reeleito em 2002; voltou ao governo em 2010 e foi reconduzido ao cargo em 2014. A educação pública não melhorou, a segurança pública acumula índices preocupantes e ele enfrenta a mais grave crise de abastecimento de água de todos os tempos, com evidências de que não tomou as medidas suficientes para evitar o problema, mesmo com estudos disponíveis desde os tempos em que era vice-governador.

O sistema de transporte metropolitano, investigado por corrupção, está dez anos atrasado.

Administrando manchetes

Se tratasse Alckmin com o mesmo rigor que aplica a Dilma Rousseff, a imprensa diria que ele não chegou a governar. Sua principal característica pessoal é a expressão impassível, a habilidade de manter uma “cara de paisagem” indecifrável em qualquer circunstância.

Como homem público, demonstra possuir um enorme cabedal de frases simples, superficiais, respondendo a qualquer questão com modestas platitudes que têm o poder de aplainar qualquer assunto ao chão das banalidades.

Dilma Rousseff assumiu o primeiro mandato em 2011, com o cacife que lhe proporcionou o apoio do ex-presidente Lula da Silva. Seu grande patrimônio era a imagem de boa gerente no pacote de obras de infraestrutura que vinha sendo tocado pelo governo federal; seu passivo era o escândalo conhecido como “mensalão”, sintoma de fadiga de material do sistema de alianças que sustenta o poder Executivo desde a Constituinte de 1988.

Uma sucessão de indicadores negativos, amplificados por manchetes catastrofistas, foi minando progressivamente sua capacidade de governar; o aprofundamento do escândalo da Petrobras coloca diante dela o risco real de um processo de impeachment. Ainda que não prospere a manobra iniciada por uma empreiteira, com claro apoio dos jornais, ela corre o risco de passar os quatro anos de seu segundo mandato se defendendo de acusações da imprensa.

A derrota que acaba de sofrer na eleição do presidente da Câmara do Deputados significa que terá que dispender ainda mais esforço para manter a base parlamentar suficiente para aprovar o essencial à governabilidade.

Dilma Rousseff passou quase um mês sem falar com a imprensa e sem se dirigir diretamente à sociedade. Geraldo Alckmin fala quase diariamente, repetindo frases de efeito.

Dilma é massacrada, Alckmin passa incólume pela crise. A corrupção do âmbito federal é manchete diária; a corrupção no sistema de trens metropolitanos de São Paulo é tema, quando muito, de notas de rodapé.

Qual é a diferença entre eles?

A principal delas é que o governador de São Paulo tem o apoio da imprensa e sabe disso: fala qualquer coisa e o repórter vai embora.A presidente da República se ilude com a esperança de que algum dia a imprensa vai tratá-la com algum respeito, evita o contato com jornalistas e desperdiça seu tempo administrando manchete de jornal

no : http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/02/alckmindilma-dois-perfis-duas-crises.html



Vitória de Eduardo Cunha é coroamento de sistema político apodrecido


Vitória de Eduardo Cunha é coroamento de sistema político apodrecido
Por Igor Felippe
As vísceras do sistema político brasileiro estão expostas com a eleição do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados.
Reconhecido como operador dos interesses das grandes empresas no Congresso Nacional, o deputado carioca é um dos parlamentares que mais arrecada recursos para campanhas eleitorais.
Cunha não escamoteia o tipo de relação que constrói com bancos, empreiteiras, mineradoras, operadoras de planos de saúde, agronegócio, empresas de telefonia e do ramo de bebidas. “Há afinidade nas propostas”, explica.
O comitê de Eduardo Cunha arrecadou R$ 6,8 milhões para a eleição do ano passado. Os gastos de campanha ficaram em R$ 6,4 milhões. Ou seja, sobrou dinheiro (leia mais aqui)
“Este ano não tive dificuldade para captar. Até sobrou dinheiro na minha campanha”, admitiu Cunha. “Na maioria das vezes são as empresas que me procuram. Até porque tenho a mesma visão delas”.
A máscara caiu. A eleição de Cunha é o fim da hipocrisia no Congresso. Esse negócio de representante do povo é coisa do passado. A verdade nua e crua é que esse sistema político foi sequestrado pelas grandes corporações e levou seu maior símbolo à presidência da Câmara.
O odor de um sistema político podre exala ao folhear as páginas da Folha de S. Paulo. A institucionalidade que sustenta esse modelo de fazer política chegou a um paradoxo.
Vamos às notícias:
Depois da eleição, Cunha manifestou que o PMDB vai questionar na Justiça a criação de novos partidos, que são formados para burlar a legislação, que restringe a mudança dos parlamentares entre as legendas existentes, sob ameaça de perda do mandato.
O desvio da infidelidade partidária teve como consequência um remendo patrocinado pelo STF na interpretação da legislação eleitoral, que deixou buracos e demanda um novo remendo nesse emaranhado institucional. Os parlamentares estão se lixando para os partidos e negociam essas mudanças justamente para barganhar seus votos em troca de cargos e emendas.
Derrotado com o desfecho da disputa para a presidência da Câmara, o governo trabalha para reconstruir a base parlamentar. Depois de lotear o ministério entre os diversos partidos, os cargos de 2º escalão são a bola da vez.
O preço da governabilidade é a distribuição de cargos. Ou seja, o Congresso não funciona a partir da discussão de projetos à luz dos interesses da sociedade, mas da “satisfação” dos parlamentares com cargos. Esse artifício tem nome: chantagem. E o governo é refém desse procedimento para viabilizar a governabilidade.
O loteamento desses postos, que fazem interface do Estado com empresas privadas, cria as condições para o desvio de recursos para fins pessoais e eleitorais.
A Folha publica um artigo do renomado jurista nas hostes conservadoras Ives Gandra Da Silva Martins, professor emérito da Universidade Mackenzie, que defende a fundamentação jurídica para um pedido de impeachment da presidenta Dilma.
O tutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra apresenta uma interpretação da Constituição que abre margem para imputar culpa a Dilma por omissão, imperícia, negligência e imprudência no esquema de corrupção na Petrobras.
Martins registra também que o julgamento de um impeachment pelo Congresso é mais político que jurídico, dando como exemplo o caso do presidente Fernando Collor, que foi afastado, mas absolvido pela suprema corte.
As vísceras da política institucional estão à mostra. Depois da eleição de um parlamentar considerado um lobista das grandes empresas para a presidência da Câmara, a edição desta terça-feira da Folha desvela que esse sistema político é caracterizado pela infidelidade partidária e pelo loteamento de cargos do Estado para garantir a governabilidade.
No entanto, a saída para a crise que o jornal ensaia está na seção de artigos, com a discussão sobre a viabilidade jurídica para o impeachment da presidenta. A salvação para os agentes e cúmplices desse sistema político é jogar a responsabilidade da sua crise terminal no colo de Dilma.
Restará às forças democráticas mobilizar a sociedade diante de um quadro de crise institucional em torno de uma profunda reforma política, que será possível apenas com uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.
A eleição de Cunha representa um escudo para o atual sistema político. Confiar ao Congresso a legitimidade de fazer uma profunda reforma política pode ter um desfecho bastante diferente do desejado por aqueles que querem sinceramente purificar o jogo institucional no país.
http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/vitoria-de-eduardo-cunha-e-coroamento-de-sistema-politico-apodrecido/

Direita parte de vez para o golpe

A direita vai para o impeachment

Conservadores preferem uma crise monumental a se preparar melhor, fazer programas mais inteligíveis e dizer a verdade sobre seus propósitos


Derrotada nas urnas, não há mais dúvida nem outro caminho: a direita vai para o impeachment. Prefere uma crise monumental a se preparar melhor, fazer programas mais inteligíveis, dizer a verdade sobre seus propósitos (deter a melhor repartição da renda nacional e voltar à subordinação internacional ao capitalismo central), acreditar mais em expor programas do que em golpes de ocasião (que foi o que sempre fizeram), enfim, a direita continua acreditando em paralisar o Brasil e vender seus recursos e dedos em troca dos anéis de seus privilégios.

O parecer de Ives Gandra Martins, apoiado ridiculamente (citado no artigo) por Modesto Carvalhosa, ex-presidente da Adusp e dirigente da greve de 1979, que assim torra em praça pública seu passado de democrata, é límpido nesse sentido. Não há o que sofismar: a direita vai para o impeachment. Vai se basear de novo no “domínio do fato” que importou, solerte e malandramente, de jurista alemão, que denunciou a impertinência da importação. Mas não importa.

Ainda mais quando a direita está animada pela votação que elegeu o deputado Cunha na Câmara de Deputados. E quer ir logo para o impeachment: quanto mais demore no seu propósito, pior será para ela, porque os poderes se recomporão, se aglutinarão, se reacomodarão etc.

Ou seja, o clima está mais para 54 do que para 64. A direita quer implodir o governo, “legalmente”, e depois contar com as Forças (Forcas?) Armadas para garantir a “transição”.

Faz tempo que no Brasil a direita desistiu da democracia. Ela quer mesmo o ferrolho sobre o povo, sobretudo sobre o povão, e que este fique entregue à sua condição subalterna sem rota nem voto. Política é para os sabichões das elites, os ‘pundits’ (essa turma gosta de ser chamada em anglo-saxão), o resto é mesmo “demagogia”, “populismo”, “clientelismo”. Só o assalto ao Estado que a direita promove é “virtude”.

A questão, no entanto, não é esta. A questão é o que farão as esquerdas. Ficarão abestalhadas, como em 54, apoiando o massacre do governo de Vargas até seu suicídio (a hipótese seria a queda e o novo exílio), ou vão lutar pelo que se conquistou nesta última década? Ficarão no ramerrame de atacar o governo supostamente pela esquerda, fazendo coro com a UDN,  enfraquecendo-o, enquanto assistem algo passivamente a ofensiva da direita?

Acho bom levar em conta: chegamos à batalha decisiva. A direita perdeu no Judiciário: armou tudo, retóricas, acusações, condenações, mas não conseguiu levar. Perdeu nas urnas, e quando tinha certeza de que ia ganhar. As expressões de Merval Pereira e de Aécio Neves na TV foram eloquentes, sem falar no aviãozinho que decolou de S. Paulo vitorioso para chegar em BH derrotado, com os próceres do PSDB: alguns chegaram à desfaçatez de simplesmente a retornar com o rabo (e a cara) entre as pernas. Agora a direita, como no Paraguai, vai apostar no Congresso hostil. A velha mídia vai fazer seu papel esclerosado, mas esperto, de sempre: como em 64, ou 54, criar a impressão de que há uma “comoção nacional” contra o governo, ocultando o apoio popular a este.

Como disse antes, o fundamental hoje é o que farão as esquerdas. O PT está meio congelado, arrumando as arestas internas. Não sofreu uma derrota nas eleições, embora tenha visto seu alcance institucional encurtado. Mas o clima de “em tempo de murici cada um cuide de si” está instalado. Só que este clima pode levar à desarticulação e à inércia. A extrema-esquerda parece querer pedir asilo na Grécia, achando que há em Atenas um radicalismo que falta em Brasília, quando na verdade o governo da Syriza (sabiamente) dá todas as mostras de que quer negociar com o establishment hegemônico na União Europeia.

Esta é a hora de cerrar fileiras, não de alimentar dissensões do lado das esquerdas. Vamos falar claro: nós sabemos que a direita, unida, jamais será vencida pela esquerda desunida. Vamos deixar de falastrices e fanfarronadas. Sim, criticar é preciso. Mas de dentro da trincheira em defesa do que o povo brasileiro conquistou. E que perderá, caso a direita consiga seu propósito de subverter a democracia no tapetão, e derrubar o governo legitimamente eleito. Como, por outros meios, fez em 54 e em 64.

por Flávio Aguiar

http://caviaresquerda.blogspot.com.br/2015/02/direita-parte-de-vez-para-o-golpe.html

Santayana: Resposta aos canalhas que pretendem destruir a Petrobras


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Os Civita e os irmãos Marinho afundam uma P-56 por semana!

Quanto vale a Petrobras

O adiamento do balanço da Petrobras do terceiro trimestre do ano passado foi um equívoco estratégico da direção da companhia, cada vez mais vulnerável à pressão que vem recebendo de todos os lados, que deveria, desde o início do processo, ter afirmado que só faria a baixa contábil dos eventuais prejuízos com a corrupção, depois que eles tivessem, um a um, sua apuração concluída, com o avanço das investigações.
A divulgação do balanço há poucos dias, sem números que não deveriam ter sido prometidos, levou a nova queda no preço das ações.
E, naturalmente, a novas reações iradas e estapafúrdias, com mais especulação sobre qual seria o valor — subjetivo, sujeito a flutuação, como o de toda empresa de capital aberto presente em bolsa — da Petrobras, e o aumento dos ataques por parte dos que pretendem aproveitar o que está ocorrendo para destruir a empresa — incluindo hienas de outros países, vide as últimas idiotices do Financial Times – que adorariam estraçalhar e dividir, entre baba e dentes, os eventuais despojos de uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.
O que importa mais na Petrobras?
O valor das ações, espremido também por uma campanha que vai muito além da intenção de sanear a empresa e combater eventuais casos de corrupção e que inclui de apelos, nas redes sociais, para que consumidores deixem de abastecer seus carros nos postos BR; à aberta torcida para que “ela quebre, para acabar com o governo”; ou para que seja privatizada, de preferência, com a entrega de seu controle para estrangeiros, para que se possa — como afirmou um internauta — “pagar um real por litro de gasolina, como nos EUA”?
Para quem investe em bolsa, o valor da Petrobras se mede em dólares, ou em reais, pela cotação do momento, e muitos especuladores estão fazendo fortunas, dentro e fora do Brasil, da noite para o dia, com a flutuação dos títulos derivada, também, da campanha antinacional em curso, refletida no clima de “terrorismo” e no desejo de “jogar gasolina na fogueira”, que tomou conta dos espaços mais conservadores — para não dizer golpistas, fascistas, até mesmo por conivência — da internet.
Para os patriotas, e ainda os há, graças a Deus, o que importa mais, na Petrobras, é seu valor intrínseco, simbólico, permanente, e intangível, e o seu papel estratégico para o desenvolvimento e o fortalecimento do Brasil.
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, em nossa geração, foram para as ruas e para a prisão, e apanharam de cassetete e bombas de gás, para exigir a criação de uma empresa nacional voltada para a exploração de uma das maiores riquezas econômicas e estratégicas da época, em um momento em que todos diziam que não havia petróleo no Brasil, e que, se houvesse, não teríamos, atrasados e subdesenvolvidos que “somos”, condições técnicas de explorá-lo?
Quanto vale a formação, ao longo de décadas, de uma equipe de 86.000 funcionários, trabalhadores, técnicos e engenheiros, em um dos segmentos mais complexos da atuação humana?
Quanto vale a luta, o trabalho, a coragem, a determinação daqueles, que, não tendo achado petróleo em grande quantidade em terra, foram buscá-lo no mar, batendo sucessivos recordes de poços mais profundos do planeta; criaram soluções, “know-how”, conhecimento; transformaram a Petrobras na primeira referência no campo da exploração de petróleo a centenas, milhares de metros de profundidade; a dezenas, centenas de quilômetros da costa; e na mais premiada empresa da história da OTC – Offshore Technology Conferences, o “Oscar” tecnológico da exploração de petróleo em alto mar, que se realiza a cada dois anos, na cidade de Houston, no Texas, nos Estados Unidos?
Quanto vale a luta, a coragem, a determinação, daqueles que, ao longo da história da maior empresa brasileira — condição que ultrapassa em muito, seu eventual valor de “mercado” — enfrentaram todas as ameaças à sua desnacionalização, incluindo a ignominiosa tentativa de alterar seu nome, retirando-lhe a condição de brasileira, mudando-o para “Petrobrax”, durante a tragédia privatista e “entreguista” dos anos 1990?
Quanto vale uma companhia presente em 17 países, que provou o seu valor, na descoberta e exploração de óleo e gás, dos campos do Oriente Médio ao Mar Cáspio, da costa africana às águas norte-americanas do Golfo do México?
Quanto vale uma empresa que reuniu à sua volta, no Brasil, uma das maiores estruturas do mundo em Pesquisa e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, trazendo para cá os principais laboratórios, fora de seus países de origem, de algumas das mais avançadas empresas do planeta?
Por que enquanto virou moda — nas redes sociais e fora da internet — mostrar desprezo, ódio e descrédito pela Petrobras, as mais importantes empresas mundiais de tecnologia seguem acreditando nela, e querem desenvolver e desbravar, junto com a maior empresa brasileira, as novas fronteiras da tecnologia de exploração de óleo e gás em águas profundas?
Por que em novembro de 2014, há apenas pouco mais de três meses, portanto, a General Electric inaugurou, no Rio de Janeiro, com um investimento de 1 bilhão de reais, o seu Centro Global de Inovação, junto a outras empresas que já trouxeram seus principais laboratórios para perto da Petrobras, como a BG, a Schlumberger, a Halliburton, a FMC, aSiemens, a Baker Hughes, a Tenaris Confab, a EMC2 a V&M e a Statoil?
Quanto vale o fato de a Petrobras ser a maior empresa da América Latina, e a de maior lucro em 2013 — mais de 10 bilhões de dólares — enquanto a PEMEX mexicana, por exemplo, teve um prejuízo de mais de 12 bilhões de dólares no mesmo período?
Quanto vale o fato de a Petrobras ter ultrapassado, no terceiro trimestre de 2014, a EXXON norte-americana como a maior produtora de petróleo do mundo, entre as maiores companhias petrolíferas mundiais de capital aberto?
É preciso tomar cuidado com a desconstrução artificial, rasteira, e odiosa, da Petrobras e com a especulação com suas potenciais perdas no âmbito da corrupção, especulação esta que não é apenas econômica, mas também política.
A PETROBRAS teve um faturamento de 305 bilhões de reais em 2013, investe mais de 100 bilhões de reais por ano, opera uma frota de 326 navios, tem 35.000 quilômetros de dutos, mais de 17 bilhões de barris em reservas, 15 refinarias e 134 plataformas de produção de gás e de petróleo.
É óbvio que uma empresa de energia com essa dimensão e complexidade, que, além dessas áreas, atua também com termoeletricidade, biodiesel, fertilizantes e etanol, só poderia lançar em balanço eventuais prejuízos com o desvio de recursos por corrupção, à medida que esses desvios ou prejuízos fossem “quantificados” sem sombra de dúvida, para depois ser — como diz o “mercado” — “precificados”, um por um, e não por atacado, com números aleatórios, multiplicados até quase o infinito, como tem ocorrido até agora.
As cifras estratosféricas (de 10 a dezenas de bilhões de reais), que contrastam com o dinheiro efetivamente descoberto e desviado para o exterior até agora, e enchem a boca de “analistas”, ao falar dos prejuízos, sem citar fatos ou documentos que as justifiquem, lembram o caso do “Mensalão”.
Naquela época, adversários dos envolvidos cansaram-se de repetir, na imprensa e fora dela, ao longo de meses a fio, tratar-se a denúncia de Roberto Jefferson, depois de ter um apaniguado filmado roubando nos Correios, de o “maior escândalo da história da República”, bordão esse que voltou a ser utilizado maciçamente, agora, no caso da Petrobras.
Em dezembro de 2014, um estudo feito pelo instituto Avante Brasil, que, com certeza não defende a “situação”, levantou os 31 maiores escândalos de corrupção dos últimos 20 anos.
Nesse estudo, o “mensalão” — o nacional, não o “mineiro” — acabou ficando em décimo-oitavo lugar no ranking, tendo envolvido menos da metade dos recursos do “trensalão” tucano de São Paulo e uma parcela duzentas menor que a cifra relacionada ao escândalo do Banestado, ocorrido durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso, que, em primeiríssimo lugar, envolveu, segundo o levantamento, em valores atualizados, aproximadamente 60 bilhões de reais.
E ninguém, absolutamente ninguém, que dizia ser o mensalão o maior dos escândalos da história do Brasil, tomou a iniciativa de tocar, sequer, no tema — apesar do “doleiro” do caso Petrobras, Alberto Youssef, ser o mesmo do caso Banestado — até agora.
Os problemas derivados da queda da cotação do preço internacional do petróleo não são de responsabilidade da Petrobras e afetam igualmente suas principais concorrentes.
Eles advém da decisão tomada pela Arábia Saudita de tentar quebrar a indústria de extração de óleo de xisto nos Estados Unidos, aumentando a oferta saudita e diminuindo a cotação do produto no mercado global.
Como o petróleo extraído pela Petrobras destina-se à produção de combustíveis para o próprio mercado brasileiro, que deve aumentar com a entrada em produção de novas refinarias, como a Abreu e Lima; ou para a “troca” por petróleo de outra graduação, com outros países, a empresa deverá ser menos prejudicada por esse processo.
A produção de petróleo da companhia está aumentando, e também as descobertas, que já somam várias depois da eclosão do escândalo.
E, mesmo que houvesse prejuízo — e não há — na extração de petróleo do pré-sal, que já passa de 500.000 barris por dia, ainda assim valeria a pena para o país, pelo efeito multiplicador das atividades da empresa, que garante, com a política de conteúdo nacional mínimo, milhares de empregos qualificados na construção naval, na indústria de equipamentos, na siderurgia, na metalurgia, na tecnologia.
A Petrobras foi, é e será, com todos os seus problemas, um instrumento de fundamental importância estratégica para o desenvolvimento nacional, e especialmente para os estados onde tem maior atuação, como é o caso do Rio de Janeiro.
Em vez de acabar com ela, como muitos gostariam, o que o Brasil precisaria é ter duas, três, quatro, cinco Petrobras.
É necessário punir os ladrões que a assaltaram?
Ninguém duvida disso.
Mas é preciso lembrar, também, uma verdade cristalina.
A Petrobras não é apenas uma empresa.
Ela é uma Nação.
Um conceito.
Uma bandeira.
E por isso, seu valor é tão grande, incomensurável, insubstituível.
Esta é a crença que impulsiona os que a defendem.
E, sem dúvida alguma, também, a abjeta motivação que está por trás dos canalhas que pretendem destruí-la.

http://www.viomundo.com.br/denuncias/mauro-santayana-sobre-os-canalhas-que-pretendem-destruir-petrobras.html

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O PT sofre de Síndrome de Estocolmo






Uma campanha para a presidência da República custa muito caro.
Mais inteligente é mandar no país sem precisar disputar esse cargo honorífico.
O PMDB encontrou a fórmula mágica. Faz o vice-presidente da República, um bloco de ministros, o presidente da Câmara de Deputados, o presidente do Senado e muitos governadores. Manda no país sem sentar no trono.
O PT é refém do PMDB. A prova é ter de eleger Renan Calheiros e engolir Eduardo Cunha.
O petismo sofre de síndrome de Estocolmo. Ama o sequestrador.
O leigo se pergunta: entre 81 senadores, alguns bem graduados, por que o presidente do Senado é sempre Renan Calheiros? O que ele oferece aos seus colegas? O que ele dá que outros não poderiam dar? Como ele faz para dominar seus companheiros? As respostas são sempre genéricas embora evidentes. Seria preciso explicitá-las. Por que até o senador gaúcho Paulo Paim se obriga a votar em Renan, cuja ficha é conhecida: coronel de Alagoas, possivelmente no furacão da Lava-Jato, tendo renunciado uma vez à presidência do Senado por ter tido a pensão da amante paga por uma empresa amiga? Por que esse impoluto senador manda na casa?
Como disse a senadora Marta Suplicy, ou o PT muda ou desaparece.
Engolido pelo PMDB.
sugado do: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=6930

Dez considerações sobre o novo Congresso




Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

De acordo com estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o Congresso Nacional empossado, neste domingo, é conservador socialmente, atrasado do ponto de vista dos direitos humanos, temerário em questões ambientais, liberal economicamente e pulverizado partidariamente.

Sobre isso, reuni algumas considerações oriundas de debates que venho travando, por aqui, há algum tempo:

1) Parte dos mais votados fez sua carreira na mídia ou conseguiu entender a lógica da cobertura política e, produzindo factóides, surfando nessa lógica, mantendo-se constantemente em evidência em seus mandatos. Os três primeiros colocados para a eleição de deputado federal em São Paulo – Celso Russomanno (7,26% do total de votos), Tiririca (4,84%) e Marco Feliciano (1,90%) – bem como os três do Rio de Janeiro – Jair Bolsonaro (6,10%), Clarissa Garotinho (4,40%) e Eduardo Cunha (3,06%) – têm uma característica em comum: sabem se beneficiar da exposição midiática.

Discordo das avaliações de que eles foram os primeiros apenas por conta de suas pautas conservadoras. O conservadorismo está presente nas bancadas paulista e carioca (e não é de hoje), mas não é elemento suficiente para explicar essas expressivas votações. Até porque há outros representantes desse pensamento que foram candidatos, alguns deles com mais profundidade ou legitimidade em suas defesas, inclusive. Estes campeões de votos, em especial, souberam criar narrativas polêmicas que são um prato cheio para nós, jornalistas, ávidos por registrar e transmitir discursos que, por fugir do que acreditamos ser a forma tradicional de fazer política, chamam a atenção e produzem audiência.

2) Os movimentos sociais e organizações da sociedade civil de caráter mais progressista sempre empurraram o Congresso Nacional para que ele fosse menos conservador do que a população do país. Em outras palavras, a força da mobilização e da organização desses grupos na política nacional conseguia fazer com que esse descompasso acontecesse entre a representação política e a realidade.

Boa parte desse pessoal, contudo, contava com relações com o Partido dos Trabalhadores e, na minha opinião, enfraqueceram-se ao fazer parte de sua base de apoio por várias razões – do “vamos influenciar o programa'', passando pela “escolha do menos pior'', resvalando ao “é um governo ruim, mas é melhor que o outro'' ao “cargo amigo''. Além disso, houve um afastamento dos militantes tradicionais desses movimentos sociais ou mesmo de partidos políticos com o distanciamento do governo federal com pautas tradicionais da esquerda e a caminhada em direção ao pragmatismo político exacerbado.

3) Há um intenso desgaste com a atuação média de representantes sindicais que estavam no Parlamento, independentemente de partido. Não é que o motor capital-trabalho tenha deixado de empurrar a História, muito pelo contrário – David Harvey que o diga. Mas uma parte das pessoas que clamam para si a autoridade de falar pelos trabalhadores há muito só falam por interesses corporativistas (na melhor das hipóteses) ou por si mesmas, na maioria das vezes. Muitos deles nem participaram de ações importantes, como a aprovação da PEC do Trabalho Escravo ou a campanha contra a ampliação da terceirização legal.

4) Empresários são sempre bem representados. Em sua maioria, podem financiar campanhas que estão cada vez mais caras. Dessa forma, há uma distorção de representatividade: não são necessariamente grupos ou ideias que possuem assento, mas o dinheiro. Se não garantirmos limites para o financiamento privado de campanha, a situação vai só piorar. De um lado, aumentando a dificuldade de eleição de quem não tem recursos e não quer sujar as mãos para se eleger e, do outro, gerando mais corrupção através de quem aceita se “endividar'' com doadores de campanha. Nesse meio do caminho, surgem “petrolões'' e “trensalões'' que ajudam a garantir financiamentos dos próprios partidos ou de duas bases aliadas.

5) A violência é um problema real no Brasil. Dezenas de milhares são assassinados anualmente e muito pouco é investigado, menos ainda indiciado, uma pequena fração julgada e quase ninguém punido conforme a lei. Mas as narrativas da violência urbana, que já existiam, circulam com mais força graças não apenas às redes sociais, mas também a determinadas pessoas que se dizem jornalistas mas, na verdade, espalham o ódio e o terror (lembrando, é claro, que a mídia pode funcionar como partido político). A situação da segurança pública é péssima mas, acredite: não raro, a espiral do vale-tudo pela audiência do jornalismo faz ela parecer o rascunho do mapa do inferno.

Há soluções mais efetivas do que a redução da maioridade penal (usada para atacar a “causa'' do problema quando, na verdade, nem resvala na “consequência''). Contudo, mandar a criançada para o xilindró é um discurso facilmente deglutível – tanto que pesquisas mostram 93% da população a favor dele. Usar e abusar desse discurso, bem como o da repressão policial, ajudou a elevar o número de pessoas eleitas que surfaram no medo da população, aumentando as bancadas da bala e da segurança pública.

6) O número de parlamentares evangélicos cresceu porque tinha que crescer mesmo. Havia uma sub-representação desses grupos, organizados em uma série de igrejas com pontos de vista diferentes. Eles não formam um movimento coeso como a Frente Parlamentar da Agropecuária (que cresceu junto com a força econômica do agronegócio no país). Pelo contrário: há gente que se detesta de ódio mortal entre eles. E, ao contrário do que pregam críticos inconsequentes, nem todos são reacionários. Muitos são bem progressistas, diga-se de passagem.

7) Há uma desmotivação muito grande com a democracia representativa tradicional. Isso vale tanto para jovens que estão cheios de gás para “mudar o mundo'' quanto para militantes, ativistas e figuras proeminentes da esquerda brasileira. Pessoas que, em outras épocas, aceitariam candidatar-se ao Parlamento para serem puxadoras de votos. Hoje, muitas querem distância. Tem medo de pegar tétano se chegarem muito perto.

8) Há boas pessoas que fazem um bom trabalho, independente do partido, sejam elas conservadoras ou progressistas. Pessoas que estão no parlamento e já honram a função que exercem e outras entrando pela primeira vez, cheias de ideias. Essas pessoas terão trabalho para garantir direitos adquiridos com base em lutas sociais ao longo de décadas. Isso se conseguirem se fazerem ouvidas.

9) O Congresso é o reflexo da população no que diz respeito à visão de mundo e ação diante desse mundo. Talvez não daquilo que ela gostaria de ser, mas daquilo que ela efetivamente é. Como já disse antes, com o resultado dessas eleições, não é que o Congresso tenha ficado pior. Ele apenas está mais parecido com o Brasil.

10) Acompanho pautas que dizem respeito à defesa dos direitos humanos. E marcos legais que garantem dignidade aos mais pobres, como a que pune o trabalho escravo contemporâneo, estão por um fio para serem mudadas e reduzidas. Parlamentares já elencaram essas leis como “barreiras'' a serem removidas nos próximos quatro anos para garantir o “progresso''. A base do governo e a oposição, que possuem excelentes quadros para discutir e defender o interesse coletivo, parecem estar mais preocupados com governabilidade e obstruções. Então, além da pressão via mobilização social, vai sobrar para Deus. Não sou pessoa de fé. Mas se ele existir, que nos ajude.
no: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/02/dez-consideracoes-sobre-o-novo-congresso.html