quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Última forma: Estadão afirma que PSB continua sonegando o jatinho



Fernando Brito, Tijolaço  

Bem que estava estranha a matéria capenga de O Globo dizendo que o jatinho que servia Eduardo Campos e Marina Silva – e que virou a campanha presidencial – havia sido, finalmente, declarado à Justiça Eleitoral.

Não foi, confirma o Estadão.

“Sobre o jatinho Cessna Citation, Margarido (Bazileu Margarido, homem das finanças de Marina Silva), afirmou que ainda precisa de algumas informações para declará-lo e que a aeronave aparecerá na próxima prestação de contas. 

Antes, o PSB dizia que o jato já apareceria nesta prestação de contas. O partido solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) as horas voadas e, com esse dado, será possível calcular o valor estimado do serviço. 

“Dependemos desta informação da Anac”, disse Margarido ao Broadcast Político. Os advogados do PSB também vão anexar os documentos declarando a aeronave como doação.”

Algumas informações?

De que tipo?

De quem era o avião?

Por que e com que instrumentos cedeu-o a Eduardo e Marina em maio deste ano?

Quem pagava o combustível, os pilotos, as taxas aeroportuárias, os hangares e a manutenção?

Como é que o PSB vai estimar “o custo dos serviços”  quando a Anac informar as horas voadas pelo aparelho. Que serviços? Sob a administração de quem o avião estava?

Tudo indica que não se conseguiu montar, até agora,  versões e documentos que dêem a mínima sustentação a algo que todos estão a ver que é uma farsa.

Mas a transparência da “nova política” vai resolver tudo e apresentar as explicações, garantem os dirigentes da candidatura Marina Silva, embora em 20 dias não tenham mostrado coisa alguma.

Depois da eleição, quem sabe?

A Justiça Eleitoral está sendo abertamente desafiada pela cúpula do PSB-Marina. Laranjas, papéis apócrifos e desculpas esfarrapadas foi tudo o que se viu até agora sobre este jato fantasma.

A eleição voa nas asas de uma fraude contra a boa-fé dos brasileiros."

Por que Dilma fez muito bem em não ir ao Jornal da Globo


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Errar uma vez, tudo bem.
Mas duas, uma em cima da outra?
Acho que foi mais ou menos esta a lógica que governou Dilma ao recusar participar da entrevista-suplício para a qual fora convidada-intimada pelo Jornal da Globo.
Depois da experiência excruciante da entrevista no Jornal Nacional, seria incrível que Dilma comparecesse ao Jornal da Globo.
Foi um ato de sanidade o WO presidencial.
Ter Dilma seria bom para o JG. Mas e para ela?
William Waack mostrou as perguntas que seriam feitas. A mais branda delas indagava se Dilma achava correto oferecer dentes postiços a uma “cidadã pobre” pouco antes que ela participasse de um programa da campanha.
Num tom acima, Dilma era questionada sobre até quando continuaria a culpar a crise internacional pelos problemas econômicos brasileiros.
Quer dizer: Waack já decretara, com toda a sua genialidade econômica, que a culpa não é da crise internacional.
Na atitude de Dilma, há um gesto tardio, mas ainda assim relevante. Por que os candidatos têm que comparecer aos telejornais da Globo?
Porque a Globo manda no país?
É um comportamento obtuso e inercial. No passado, os Ibopes da Globo eram intimidadores, do ponto de vista dos candidatos.
Mas hoje o quadro é outro.
A internet está matando a audiência da tevê aberta.
O Jornal da Globo tem um Ibope na faixa de 7%, coisa que antes você associava a emissoras de segunda ou mesmo terceira linha.
O próprio Jornal Nacional faz força, hoje, para se manter na casa dos 20%, uma migalha em relação às taxas de alguns anos atrás.
Dias atrás, soube-se que a Globo teve em agosto o pior Ibope de sua história no horário nobre: 12,5% em média. (Uma hora, e não vai demorar, o desabamento da audiência vai-se refletir fortemente na bilionária receita publicitária da Globo. O milagre da Globo, hoje, é ter a maior publicidade de sua história com a menor audiência. Só que este paradoxo é, simplesmente, insustentável. Quando um grande anunciante acordar, haverá um efeito dominó, semelhante ao que vem acontecendo no universo das revistas.)
Poderia haver uma razão maior para os candidatos se submeterem às entrevistas da Globo: informação para as pessoas sobre planos, visões, etc.
Mas essa informação – na era da internet – está espetacularmente disseminada.
Coisas boas, coisas más, coisas nebulosas: você pode saber tudo sobre qualquer candidato se rodar pela internet.
Com algum cuidado, você pode se informar sem o conhecido viés – já que estamos falando dela – da Globo.
Em suma: Dilma só teria aborrecimento caso fosse ao Jornal da Globo. Perguntas hostis, feitas para matar e não para informar, e se não bastasse isso uma audiência esquálida e composta maciçamente de antipetistas viscerais.
Dilma tinha muitas razões para não ir, e nenhuma para ir.
Sua decisão não poderia ser melhor.
Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


no: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-dilma-fez-muito-bem-em-nao-ir-ao-jornal-da-globo/

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Os golpes de Estado no programa de Marina Silva




Saul Leblon 


Por trás do cerco conservador à candidatura Dilma, e da fase alegre dos consensos em torno de Marina Silva – que Malafaia trincou com 4 ‘bordoadas’ de twiter, como ele próprio se jacta -- existe uma encruzilhada política.

É ela que está sendo escrutinada nos dias que correm.

O que as urnas de outubro vão decidir é se o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro será pautado por um salto revitalizador da democracia ou pela restauração neoliberal.

A identidade programática entre Marina e Aécio nesse aspecto é tal que o tucano já acusa a afilhada de Neca do Itaú de roubo de patente.

A patente de um governo deliberadamente subordinado à supremacia da lógica financeira.

Um governo que se propõe a ser um anexo do Banco Central independente.

E que não oculta a determinação de entregar ao poder financeiro a gestão autônoma da moeda, do juro e, por isso também, do câmbio – e em consequência, do poder real de compra dos salários.

Democracia participativa ou a ditadura da lógica financeira?

Interesse público ou apetites unilaterais?

Um Brasil mais justo ou a desigualdade como motor da economia?

A alavanca da produtividade ou o garrote-vil do arrocho salarial?

A coordenação democrática da economia ou a farra das privatizações?

Repactuar metas, concessões, salvaguardas e prazos com partidos, sindicatos, lideranças e movimentos sociais organizados; ou submetê-las à chibata do poder econômico local e global?

Não existe uma terceira via nessa disjuntiva.

Pode existir nas bibliotecas.

Ou nos devaneios marinados nos salões elegantes, onde o capital financeiro se veste de verde sustentável.Mas o que distingue um devaneio ou uma biblioteca de um projeto político é justamente a construção das linhas de passagem concretas, aquelas que alteram a correlação de forças, criando um protagonista organizado, fiador de um futuro que não repita o passado.

É isso que desafia a história concreta do Brasil hoje.

A pergunta levada às urnas é como pavimentar um ciclo de crescimento mais justo em meio à desordem sistêmica que o ideário neoliberal abraçado por Marina e Aécio instalou na economia mundial.

O campo progressista diz que isso só acontecerá se as forças descontroladas dos mercados forem submetidas ao imperativo democrático do interesse público.

Trata-se de subtrair espaços à incerteza e à volatilidade da lógica financeira.

A crise de representação intuída pelo descontentamento e a incerteza em relação ao futuro evidencia que nos limites atuais da democracia brasileira isso não ocorrerá.

Mais democracia exige mais organização.

Exige partidos mais fortes.

Movimentos sociais mais articulados.

Instituições adicionais que tornem os governos mais permeáveis.

Exige informação plural.

Exige um Estado com poder de coordenação capaz de mobilizar recursos e políticas que contemplem os anseios e urgências da sociedade no curto, médio e longo prazo.

Exige planejamento público que estabeleça coerência entre o horizonte do investimento pesado e as emergências inadiáveis.

Marina pensa diferente.

Democracia de 'alta intensidade' sem partidos fortes.

Justiça social com Estado mínimo.

O programa de Marina é uma bomba institucional.

O capítulo econômico é um golpe de Estado contra a participação da sociedade.

E esta é golpeada por medidas antagônicas que implodem o sistema representativo, piorando-o.

Não é uma 'difamação petista'.Na verdade, a melhor crítica a essa algaravia de uma candidata eólica, que muda de ideia ao sabor dos ventos da conveniência – e o faz entre uma página e outra de um programa marmorizado de golpes e contragolpes contra si mesmo — foi feita por um sincero simpatizante.

O filósofo Renato Janine Ribeiro, em sua coluna no jornal Valor (01-09), declara-se vivamente entusiasmado com a ‘democracia de alta intensidade’ acenada por Marina Silva, cujos acenos são de fato corretos.

Assim:

“É um pouco vago, mas saúdo esse aprofundamento do projeto de democracia participativa de Franco Montoro ou essa retomada da democracia direta do PT em suas primeiras décadas. Uma participação maior do povo é o tema principal”

A simpatia de Janine, todavia – a exemplo da de Malafaia, mas com sinal trocado -- dura menos de 15 páginas de um catatau de 241 folhas.

Seu desconcerto, nas suas próprias palavras:

“Mas, quando chegamos à página 15, um "box" pretende traduzir este arrazoado - sério, correto, prioritário - em medidas que devam "deflagrar" a reforma política. Contudo, esse minirresumo executivo não bate com a filosofia antes exposta.

Os meios não dialogam com os fins! (...)

O que se propõe de prático e de imediato? Primeiro, a coincidência de todos os mandatos, inclusive municipais, numa única eleição a cada cinco anos, sem reeleição. Já defendi a reeleição e não volto ao tema (...) Ora, se este ano a campanha presidencial nublou a dos governadores, para não falar dos legislativos, como será se renovarmos todos os cargos ao mesmo tempo? E por que eleições mais espaçadas, e não mais frequentes? Tudo isso despolitiza. A escolha será menos meditada do que já é hoje. O que vai contra os ideais do programa. E uma contradição: quer-se preencher os "cargos proporcionais" segundo "a Verdade Eleitoral", definida como a regra de proclamar eleitos os candidatos individualmente mais votados, sem levar em conta o partido ou coalizão a que pertençam. É curioso que isso seja exatamente o "distritão" proposto pelo vice-presidente Michel Temer. Aliás, assim os cargos deixam de ser preenchidos proporcionalmente (...). Mas isso acaba com os partidos.

Na verdade, as candidaturas avulsas, adiante recomendadas, deixam de ser a exceção e se tornam a regra. Todas as candidaturas serão avulsas. Não conheço país no mundo que adote esse critério (...). Há duas más consequências: primeira, cada candidato terá como adversários todos os demais candidatos, não sendo de seu interesse aliar-se ou somar suas forças a ninguém que dispute o mesmo cargo. Segunda, os partidos se liquefazem. Assim o mandato deverá pertencer ao eleito, não ao partido. Daí, a troca de partidos estará na lógica do sistema. Há o risco de que, em vez de criar canais paralelos aos da democracia representativa, esta última fique mais frágil, mais vulnerável ao canto de sereia do Poder Executivo. Isso pode até piorar nossa política! Porque, enfim, o programa tem umdescompasso entre a meta nobre da maior participação popular, mas que não se traduz em nada concreto, e as reformas concretas, só que confusas e possivelmente com efeitos indesejados...”

As contradições estruturais no programa de Marina Silva não refletem apenas confusão.

Tampouco 'falhas de editoração', como se alegou em relação ao casamento gay, ao apoio à energia nuclear e, possivelmente, em breve, em relação aos pontos agora denunciados pela honestidade intelectual de um simpatizante, como Renato Janine Ribeiro.

A verdade é que o espaço de coerência entre democracia e mercadismo – que nunca foi amplo - se estreitou ainda mais a partir de 2008, mesmo para a dissimulação de uma terceira via.

Mas também não é confortável para o campo progressista.

Justamente porque avançou muito nos últimos anos, explorando as linhas de menor resistência, mas também indo além delas em algumas áreas, o Brasil talvez esteja muito perto de ter atingido o limite na trajetória de construção a frio de um projeto de desenvolvimento com justiça social.

Não avançará muito mais a partir de agora se menosprezar os interesses catalisados pelas políticas populares dos últimos dez anos.

O baixo incentivo ao engajamento dos grandes contingentes ingressados ao mercado de consumo nas últimos anos revela agora seu calcanhar de Aquiles quando uma parcela dos eleitores entre dois e cinco salários se descola da candidatura Dilma.

Durante muito tempo se considerou que essa era uma 'não-questão'; que tudo se resolveria no piloto automático de uma incorporação ao consumo, com avanços incrementais que se propagariam mecanicamente, das gôndolas das supermercados à correlação de forças na sociedade.

Pode ser meia verdade em céu azul de brigadeiro na economia.

A essa meia verdade, o economista Márcio Pochman indagava premonitoriamente ainda em 2013:

“Criamos 17 milhões de empregos desde 2003; um milhão de jovens ingressaram na universidade graças ao Prouni e 1,5 milhão de famílias ascenderam ao Minha Casa, Minha Vida. Qual foi o saldo organizativo de tudo isso?”.

Pode-se atualizar a pergunta no tempo que resta para ser respondida:

O que a candidatura progressista propõe como catalisador organizativo para que essa energia social se enxergue parte essencial de um segundo governo Dilma?

A resposta, certamente, passa por evidenciar ao eleitor popular algo de que carece o programa autogolpista de Marina Silva: a coerência entre meios e fins; entre o desenvolvimento que se quer para o Brasil e a democracia necessária para construí-lo.

Produção de petróleo, “esta bobagem”, aumenta 15% em um ano


Fernando Brito, Tijolaço  

É preciso que todos entendam o que quer dizer “colocar o pré-sal em segundo plano” sugerido por Marina Silva.

Foram e são os investimentos maciços da Petrobras que estão permitindo a nosso país fazer o que hoje se noticia.

A produção nacional de petróleo aumentou nada menos que 14,8% maior que há um ano atrás.

Foram 2,267 mil barris de óleo, batendo de novo o recorde histórico, que havia sido quebrado no mês passado.

O gás natural, como 87,9 milhões de metros cúbicos também quebrou, em 1,3 milhão a mais, o recorde do mês passado.

Na soma energética, produziu-se 2,82 milhões de barris de óleo equivalente, contra 2,79 milhões de barris de junho.

O pré-sal, que ainda tem vários campos com previsão de operar este ano, representa 20% deste total.

Se você considerar o preço de 100 dólares por barril, a cada dia se produz 282 milhões de dólares em petróleo e gás equivalente.

Ou oito bilhões de dólares por mês.

91% deste valor gerado por poços operados pela Petrobras.

Sim, por esta empresa “aparelhada”, “destruída”, que todos os dias é enxovalhada na mídia e que responde tirando mais, mais e mais petróleo do fundo do mar.

Não é compreensível que isso vá ser deixado “em segundo plano” e trocado por espelhinhos solares e outras miçangas energéticas.

Fazer isso não tem outro nome senão crime contra o Brasil."

Análise séria da sujeira golpista que representa Marina Silva


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 A "educadora" Neca Setubal, acionista do Banco Itaú, ajudou a coordenar o programa de governo de Marina que prevê autonomia para o Banco Central, ou seja, o fortalecimento dos bancos na formulação da política econômica

Querida  amiga Sandra Alice

Minha "+Carta..." de ontem causou repercussão pela qualidade da denúncia que defende a hipótese quase virada tese irrebativel da candidatura da pastora Marina Silva como produto de conspiração sórdida, que vai do "acidente" que matou Eduardo Campos e sua equipe até a inflação de sua imagem como mulher capaz de fazer o milagre de tirar do nada a tal de "nova política". 

As informações que apoiam e servem de ganchos para  a "teoria da conspiração" sobre o avião assassino, produzida pelo jornalista Wayne Madsen, são confirmadas, aprofundadas e ampliadas com autoridade por um pesquisador sério que vem de dentro da atual casa partidária da pastora candidata. Um pesquisador, militante e admirador do grandioso e honrado patriota Miguel Arraes do PSB descreve as raízes da pastora Marina e as dedutivas razões de seu projeto de governo.

Para minha surpresa e descoberta Marina já foi ministra do meio ambiente do governo Lula por pressão dos ditadores do mundo, os banqueiros internacionais sugadores de nossas riquezas. 

São sempre eles, os banqueiros, os cruéis ditadores e destruidores da construção da justiça social. Não é por nada que Neca Setúbal do Banco Itaú comanda o plano de governo da pastora Marina e a banca com dinheiro grosso.

Minha amiga Sandra, as informações do dr. Adriano Benayon em economia e autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento”, ainda filiado ao PSB, são de arrepiar e ao mesmo tempo excelente como material de análise para a compreensão do golpe que o imperialismo arma contra nosso País, sem dar um tiro, movimento iniciado em junho de 2013 com os blaks blochs.

Ofereço-te e ao meu meio milhão de leitores o artigo do dr. Adriano, que posto abaixo.

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.



Adriano Benayon: Economista filiado ao PSB diz que Marina Silva é afronta à memória de Miguel Arraes

Brasil. Como sobreviver?
por Adriano Benayon* 

01.09.2014

 No blog Viomundo

As TVs e a grande mídia promovem intensamente a candidata que surgiu com a morte do desaparecido na explosão. Marina Silva costuma ser apresentada como defensora do meio-ambiente e como diferente de políticos que têm levado o País à ruína financeira e estrutural, como foram os casos, em especial, de Collor e de FHC.

2. Mas Marina não representa ambientalismo algum honesto, nem qualquer outra coisa honesta. O que tem feito é, a serviço do poder imperial angloamericano, usar a preservação do meio ambiente como pretexto para impedir — ou retardar e tornar absurdamente caras — muitas obras de infra-estrutura essenciais ao desenvolvimento do País.

3. Pior ainda, a tirania do poder mundial, com a colaboração de seus agentes locais, já ocupa enormes áreas, notadamente na região amazônica, para explorar não só a biodiversidade, mas os fabulosos recursos do subsolo, verdadeiro delírio mineral, na expressão do falecido Almirante Gama e Silva, profundo conhecedor da região e, durante muitos anos, diretor do projeto RADAM.

4. Além da pregação enganosa sobre o meio ambiente, o império vale-se de hipocrisia semelhante em relação à pretensa proteção aos direitos dos indígenas, a fim de apropriar-se de imensas áreas, que os três poderes do governo têm permitido segregar do território nacional, pois brasileiro não entra mais nelas.

5. As ONGs ditas ambientalistas, locais e estrangeiras, financiadas pela oligarquia financeira britânica, como a Greenpeace e o WWF (Worldwide Fund for Nature) trabalham para quem as sustenta, não estando nem aí para o meio-ambiente.

6. Isso é fácil de notar, pois não dão sequer um pio contra a poluição dos mares, produzida pelo cartel anglo-americano do petróleo: a mais terrível poluição que sofre o planeta, pois os oceanos são a fonte principal do oxigênio e do equilíbrio da Terra.

7. Marina foi designada ministra do meio ambiente, em Nova York, quando Lula, antes de sua posse, em janeiro de 2003, foi peitado por superbanqueiros, em reunião após a qual anunciou suas duas primeiras nomeações: Meirelles para o BACEN e Marina Silva para o MME.

8. Empossada no MME, Marina, nomeou imediatamente secretário-geral do ministério o presidente da Greenpeace, no Brasil.

9. Marina foi dos poucos brasileiros presentes, quando o príncipe Charles reuniu, na Amazônia, outros chefes de Estado da OTAN e caciques das terras que ele e outros membros e colaboradores da oligarquia mundial já estão controlando por meio de suas ONGs e organizações “religiosas”, como igreja anglicana, Conselho Mundial das Igrejas etc.

10. Todos deveriam saber que os carteis britânicos da mineração praticamente monopolizam a extração dos minerais preciosos, e a maioria dos estratégicos, notadamente no Brasil, na África, na Austrália e no Canadá.

11. Os menos desavisados entenderam por que Marina desfilou em Londres, nas Olimpíadas de 2012, única brasileira a carregar a bandeira olímpica.

12. É difícil inferir que o investimento da oligarquia do poder mundial em Marina Silva visa a assegurar o controle absoluto pelo império angloamericano das riquezas naturais do País?

13. Algo mais notório: a mentora ostensiva da candidatura de Marina é a Sra. Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, o que tem maiores lucros no Brasil, beneficiário, como os demais, das absurdas taxas de juros de que eles se cevam desde os tempos de FHC, insuficientemente reduzidas nos governos do PT.

14. Não há como tampouco ignorar as conexões do Itaú e de outros bancos locais com os do eixo City de Londres e Wall Street de Nova York.

15. D. Marina nem esconde desejar que o Banco Central fique ainda mais à vontade para privilegiar os bancos a expensas do País, que já gasta 40% de suas receitas com a dívida pública, sacrificando os investimentos em infra-estrutura, saúde, educação etc.

16. Contados os juros e amortizações pagos em dinheiro e os liquidados com a emissão de novos títulos, essa é despesa anual com a dívida pública, a qual, desse modo, cresce sem parar (já passa de quatro trilhões de reais).

17. Ninguém notou que Marina — além de regida pelo Itaú — já tem, para comandar sua política uma equipe de economistas tão alinhada com a política pró-imperial como a que teve o mega-entreguista FHC, e como a de que se cercou Aécio Neves?

18. Como assinalou Jânio de Freitas, Marina e Aécio se apresentam com programas idênticos. Na realidade, é um só programa, o do alinhamento com tudo que tem sido reclamado pela mídia imperial, tanto pela do exterior, como pela doméstica.

19. Da proposta de desativar o pré-sal – a qual fere mortalmente a Petrobrás, que ali já investiu dezenas de bilhões de reais, e beneficia as empresas estrangeiras, as únicas, no caso, a explorá-lo — até à substituição do Mercosul por acordos bilaterais — como exige o governo dos EUA — Marina e o candidato do PSDB estão numa corrida montando cavalos do mesmo proprietário, com blusas idênticas, diferenciadas só por uma faixa.

20. Por tudo, a figura de Marina antagoniza o pensamento do patrono do PSB, João Mangabeira, e o de seu fundador, Miguel Arraes, cujas memórias estão sendo rigorosamente afrontadas.

21. Não há, portanto, como admitir que os militantes do PSB fiquem inertes vendo a sigla tornar-se instrumento de interesses rapinadores das riquezas nacionais e prestando-se a que oligarcas internos e externos se aproveitem do crédito que os grandes nomes do Partido granjearam no coração de milhões de brasileiros de todos os Estados.

22. Há, sim, que recorrer a medidas apropriadas, previstas ou não, nos Estatutos do Partido, para que este sobreviva e ajude o Brasil a sobreviver.

23. De fato, estamos diante de um golpe de Estado perpetrado por meios aparentemente legais, incluindo as eleições. Parafraseando o Barão de Itararé, há mais coisas no ar, além da explosão de avião contratado por um candidato em campanha.

24. A coisa começou quando políticos e parlamentares notoriamente alinhados com os interesses da alta finança, e outros enrustidos, articularam a entrada de Marina na chapa do PSB, acenando a Eduardo Campos com o potencial de votos e de grana que ela traria.

25. Fazendo luzir a mosca azul, a Rede o pegou como peixes de arrastão.

26. Alguém viu a foto de Marina sorrindo no funeral do homem? Alguém notou que, imediatamente após a notícia da morte dele, a grande mídia, em peso, dedicou incessantemente o grosso de seus espaços à tarefa de exaltar D. Marina?

27. Os golpes, intervenções armadas e outras interferências, por meio de corrupção, praticadas a serviço da oligarquia financeira angloamericana, em numerosos países, inclusive o nosso, desde o Século XIX, deveriam alertar-nos para dar mais importância a contar com bons serviços de informação e de defesa.

28. Golpes de Estado podem ser dados através de parlamentos, poderes judiciários, além de lances como os que estão em andamento. Agora, a moda adotada pelo império angloamericano, como se viu em Honduras e no Paraguai, na suposta primavera árabe, na Ucrânia etc., é promover golpes de Estado, sem recorrer às forças armadas, as quais, de resto, no Brasil, têm sido esvaziadas e enfraquecidas, a partir dos governos dirigidos por Collor e FHC.

* Adriano Benayon é doutor em economia, autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento” e ainda filiado ao PSB.
http://www.domomb.blogspot.com.br/2014/09/analise-seria-da-sujeira-golpista-que.html

Quanto mais senso comum, mais likes! O tabu de pensar de verdade.


Por André Zanardo

Política, religião e futebol não se discute

Dizem que religião futebol e política não devem ser discutidos. Tal senso comum é originado em um tabu social criado para evitar discórdias entre pessoas. Entretanto, quando proibimos determinados assuntos, perpetuamos erros históricos e geramos falhas de comunicação entre as pessoas e, por consequência, o fim da empatia entre elas.
A criação de tabus ou a falta de discussão, aprofundada sobre determinados assuntos, alimentam as polarizações violentas, instituindo novos inimigos e perpetuando guerras intermináveis. Os exemplos estão em toda parte: Palmeiras e Corinthians, Esquerda e Direita, Judeus e Muçulmanos.

A origem do tabu

A palavra tabu é derivada do tonganês tabu e do maori tapu, termos que se referem à proibição de determinado ato, com base na crença de que tal ato invadiria o campo do sagrado, implicando em perigo ou maldição para os indivíduos comuns.
Em suma, o “Tabu” é uma instituição de fundamento religioso que atribui caráter sagrado a determinados seres, objetos ou lugares, interditando qualquer contato com eles. Segundo Freud, o tabu é a base da “Idolatria política” de políticos como Adolf Hitler, instrumento de cegueira e controle social com base no cerco à informação.
Para Freud e Levi-Strauss, o tabu divide um ambiente entre “amigos” de um lado e “inimigos” de outro, funcionando como uma ponte entre duas determinações comportamentais, “um duelo” entre forças antagônicas.

Senso comum, argumentos rasos e tabu

Da mesma sorte, assim como a não comunicação completa gera conflitos, a superficialização dos discursos provocam a perpetuação do senso comum como se fosse um novo tabu, impedindo a discussão profunda em razão da ignorância das partes.
O não diálogo e os discursos rasos, sem fundamentação empírica, têm levado a humanidade a repetir os seus erros pela eternidade. Errar é humano,  persistir no erro também tem se tornado uma grande característica humana.
A pós-modernidade trouxe consigo a necessidade de processamento rápido de informações  produzidas com conteúdo superficial e dinâmico, no qual exigem das pessoas opiniões e análises imediatas para toda sorte de assuntos. Essa análise, sem fundamento, respira senso comum e, com dados falaciosos, fazem com que as pessoas retirem ideias equivocadas a respeito de assuntos sérios e complexos.

Prender, punir e matar. As soluções do “tiozão inteligente”

As pessoas sentem conforto para falar de Direito Penal como se tivessem propriedade no assunto. Acreditam, de forma equivocada que, por assistirem aos noticiários ou conviverem ao cotidiano de violência, entendem dos mecanismos que levam as pessoas ao desvio criminoso e, também acreditam saber como impedir este comportamento.
Quando ocorre algum crime de repercussão, insurgem-se os sabedores de todas as ciências humanas com as opiniões mais inteligentes do mundo: “É preciso aumentar a pena”; “Prisão perpétua pra esses canalhas”; “Adolescente tem de ir pra cadeia”; “Bandido bom é bandido morto”. (Quem irá matá-lo, veja aqui).
Com soluções práticas e “inteligentes”, encontram no seu simplismo discursivo um conforto de serem capazes de resolucionar quaisquer problemas da ordem terrestre. Quando proferem  estes argumentos rasos, eles são automaticamente validados por seus semelhantes que acenam positivamente com a cabeça, reforçando o sujeito como elemento social aceito por sua “inteligência” notoriamente reconhecida.

O seu sentimento de impunidade e o senso comum

Mal sabem as pessoas que o sentimento de medo criado pelas informações, pinçadas na mídia, automaticamente geram suposições e argumentos artificiais e falaciosos a respeito de impunidade e formas de contenção da violência.
O superdimensionamento do sentimento de violência é devido, muitas vezes, em razão da maciça exposição midiática que, por sua vez, leva a criação de tipos penais desnecessários. O Direito penal, para estas pessoas, acaba se tornando um instrumento de satisfação psicológica, placebo de um pensamento que foi, falaciosamente, implantado na sua mente. O nome técnico deste mecanismo denomina-se populismo penal midiático. Nas palavras de Alexandre Morais da Rosa, se trata de um conhecido “remedinho” chamado Penazil (Saiba mais).

Quanto mais senso comum, mais “likes”

Há algum tempo, as pessoas tinham seus argumentos validados e reforçados positivamente pela sociedade quando falavam pessoalmente. Hoje, em uma sociedade interconectada, em que as pessoas são estimuladas a ganhar “likes” nas redes sociais para satisfazerem a sua aceitação social, o senso comum se torna uma exponencial.
Por não encontrarem nenhuma barreira linguística, não se depararam com contestações científicas e, em razão da posição confortável, de se emitir análises aceitas socialmente, todos se sentem confortáveis para falar sobre determinados assuntos, mas de forma rasa, se tornando quase um tabu dizer a verdade. Resultado disto tudo são conflitos intermináveis e  repetição incessante de erros.

Por um mundo que pensa de verdade

Vamos combinar, quando tiver vontade de dar “pitacos”, seja nas redes sociais, em casa ou com amigos, sobre assuntos como, por exemplo, relacionados ao Direito Penal, pare e tente falar sobre microbiologia molecular. Provavelmente, sem estudo, você é tão ignorante em matéria penal quanto em microbiologia molecular. Só que você não sabe disso. Discursos rasos levam ao senso comum, que levam ao tabu da ignorância que, por consequência, mantém o mundo, que tanto criticam, como está: quase perdido.
É preciso muito estudo para encontrar a raiz do problema. É preciso buscar na essência o vetor que origina o erro e enfraquece as bases que incomodam a acomodação social. Sem tabu, com menos senso comum!
ANDRÉ ZANARDO é advogado criminalista em São Paulo, sócio do escritório Tardelli, Zanardo e Leone Advogados, um dos fundadores do grupo de direitos humanos Advogados Ativistas e diretor do Justificando.
do http://justificando.com/2014/08/27/quanto-mais-senso-comum-mais-likes-o-tabu-de-pensar-de-verdade/

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O pacote reacionário de Marina



Nada é mais antigo e reacionário nessa campanha eleitoral do que as propostas de Marina Silva, do PSB, para “uma nova política”. São seis pontos apresentados no primeiro capítulo do programa de governo divulgado sexta-feira. Cinco deles formam um conjunto de retrocessos democráticos e casuísmos. A agenda da direita está toda lá, do voto distrital ao financiamento privado de campanhas. O sexto ponto, em contradição, copia propostas do PT.

Marina “inova” a agenda da direita com a proposta de só realizar eleições a cada cinco anos, para todos os cargos de uma vez. Nem a ditadura militar calou a voz das urnas por períodos tão longos.  É uma ideia típica de quem tem um conceito “gerencial” do Estado e do processo democrático. É como dizer: “Não perturbem o país com eleições de dois em dois anos; isso atrapalha o governo dos bons e dos eficientes”.

As propostas reacionárias da “nova politica” vêm embrulhadas num texto de chavões “modernos”: “Estado e Democracia de Alta Intensidade”. Democracia não combina com adjetivos. Houve um tempo em que o Brasil era uma “democracia relativa”, e não passava de uma ditadura. Democracia é algo substantivo; ou se pratica ou não se pratica. No Brasil, custou vidas, lágrimas e luta. Não é pra brincar.

Assim como o título, o texto é vazado em embromation castiço. Aqui vão as seis propostas da candidata, traduzidas para o mundo real:

Proposta 1: “Unificação do calendário geral das eleições, o fim da reeleição e a adoção dos mandatos de 5 anos”.

Tradução: Fazer menos eleições (e não perturbar o governo dos bons)

Durante 5 anos o eleitorado simplesmente não se pronuncia sobre nada. E de uma só vez troca o executivo em todos os níveis (pois não há reeleição), ao mesmo tempo em que elege vereador, deputado estadual, deputado federal e senador.  Nem na ditadura o Brasil passou cinco anos seguidos sem ter eleições em algum nível; sem ouvir a voz das urnas.

A fórmula Marina implica necessariamente em alguma prorrogação de mandatos (dos atuais prefeitos e vereadores, ou dos parlamentares governadores e presidente eleitos este ano). Só a ditadura fez isso, ao prorrogar por dois anos os mandatos de prefeitos e vereadores, quando adiou as eleições municipais de 1980.

O fim da reeleição é hoje uma bandeira do PSDB, que a implantou corrompendo o Congresso em 1997. O argumento para extingui-la é que o governante cuidaria apenas da administração, sem desvirtuá-la com o propósito de buscar a reeleição. E o que o impediria de “desvirtuá-la” para eleger o sucessor?  Marketagem reversa de tucano. Demagogia de sonhático.

Proposta 2: “Fortalecimento dos mecanismos de transparência nas doações para campanhas eleitorais”.

Tradução: Financiamento privado de campanhas (inclusive por empresas)

O documento original da campanha (as “Diretrizes” do PSB) dizia que tais mecanismos seriam necessários para “baratear as campanhas”. A expressão grosseira saiu do texto, mas o caráter da proposta não mudou: Marina é contra o financiamento público de campanhas, uma proposta do PT, e a favor das doações de empresas.

O financiamento público de campanha é a proposta mais radical e eficaz para reduzir a influência do poder econômico no processo eleitoral. Marina rejeita doações da indústria bélica e de bebidas, mas não vê problema em ser financiada por um grande banco e por uma indústria de cosméticos com interesses diretos na administração federal.

Em abril deste ano, seis ministros do STF (a maioria) votaram favoravelmente à proibição de doações de empresas. Mesmo com o placar definido, o julgamento foi suspenso por um pedido de vistas de Gilmar Mendes, ministro indicado pelo PSDB, partido que é contra a proibição e contra o financiamento público. O vice de Marina, Beto Albuquerque, também se manifestou em abril contra a proibição.

Ao longo da última década, o TSE vem apertando os mecanismos de controle das campanhas, com as prestações de contas antecipadas e registro on-line de doações. São esses mecanismos que ameaçam o registro da candidatura do PSB, por não ter declarado à Justiça Eleitoral o uso (Por empréstimo? Doação irregular? Aluguel no fiado?) do avião que caiu em Santos. Antes de propor “mais transparência” seria melhor esclarecer esse caso.

Proposta 3: “Novos critérios na ordem dos eleitos para cargos proporcionais, buscando aproximação da “Verdade Eleitoral”, conceito segundo o qual os candidatos mais votados são os eleitos”.

Tradução:  Adotar o Voto Distrital Puro (e despolitizar o Legislativo)

“Verdade Eleitoral” é o nome falso para voto distrital puro, que o programa de Marina não tem coragem de mencionar.

O voto distrital é o único sistema que permite a eleição do candidato mais votado, sem levar em conta a votação de seu partido ou coligação. É o modelo do “ganhador leva tudo”, típico da cultura política dos EUA e matriz de seu Congresso paroquial e reacionário, com representantes altamente vulneráveis ao poder econômico.

É uma proposta francamente despolitizadora, defendida no Brasil pelo PSDB e pela direita.  Um retrocesso que rebaixa a disputa politica geral ao nível das questões locais.

O programa da candidata sequer  apresenta o argumento (legítimo) dos que defendem o voto distrital:  este modelo  supostamente aproxima representantes de representados, o que não ocorreria com o voto proporcional, adotado no Brasil..

Proposta 4: “Inscrição de candidaturas avulsas aos cargos proporcionais, mediante requisitos a definir”.

Tradução: Enfraquecer os partidos (e fortalecer candidatos antipolíticos).

Na versão original do programa, as “Diretrizes” do PSB, não estava limitada às eleições proporcionais. Houve um recuo aí. O argumento a favor da candidatura avulsa é “quebrar o monopólio dos partidos na representação política”.

Idealmente, permite a eleição  de candidatos apoiados por movimentos e setores sociais. Na prática, favorece candidatos com alta exposição pública, grande poder econômico, ou  representantes de “causas”, que hoje se elegem dentro da estrutura partidária. A diferença é que seus votos não contribuiriam mais para a formação do quociente eleitoral dos partidos, não somariam para eleger candidatos menos votados. 

A candidatura avulsa existe na maioria dos países, normalmente limitada ao Legislativo. Não é uma ideia antidemocrática em si, mas é uma resposta enganosa e despolitizada à questão da representatividade do Legislativo.

Proposta 5: “Redefinir o tempo de propaganda eleitoral com base em novos critérios, visando a melhorar a representatividade da sociedade brasileira nos parlamentos”.

Tradução: Tratar igualmente os desiguais (e valorizar o mercado de TV).
O critério hoje é: parte do tempo de propaganda eleitoral é distribuída igualmente entre os partidos com funcionamento na Câmara. Ao tempo mínimo de cada um acrescenta-se um tempo proporcional ao tamanho das bancadas e coligações.

Pode-se rediscutir a proporção entre o tempo mínimo e o tempo  proporcional ao tamanho das bancadas, mas não hácritério mais democrático do que o vigente.

Mudar o critério só pode levar a dois caminhos:

1)    Distribuir todo o tempo de acordo com o tamanho das bancadas.

2)    Distribuir o tempo em fatias iguais, desde o PPL até o PMDB.

Ambos são menos democráticos que o critério atual, e nenhum deles nos levaria a “melhorar a representatividade da sociedade brasileira nos parlamentos”.

É  lícito supor que Marina se incline pelo segundo caminho.  Nesse caso, estaria igualando os desiguais, desrespeitando a representatividade conquistada por cada partido nas urnas.  O PT, que é o alvo implícito da proposta, já foi um partido pequeno, com pouco tempo de TV, da mesma forma que DEM e PSDB foram grandes um dia. Quem definiu o tamanho das bancadas atuais foi o eleitor.

Na prática, a proposta beneficiaria as pequenas legendas, tanto as ideológicas quanto as legendas de aluguel, que teriam seu capital muito valorizado.

Em Português dos tempos da luta contra a ditadura:  é um casuísmo.

Proposta 6: “Permitir a convocação de plebiscitos e referendos pelo povo e facilitar a iniciativa popular de leis, mediante a redução de assinaturas necessárias e da possibilidade de registro das assinaturas eletrônicas.”

Tradução: Enfeitar o pacote conservador (com propostas copiadas do PT)

Plebiscitos e referendos são instrumentos históricos da democracia, previstos na Constituição, porém raramente praticados no Brasil. Hoje, quem tem poder convocá-los é o Congresso. A ideia de convocá-los por iniciativa popular consta do programa do PT desde os tempos em que Marina era filiada ao partido. O PT também propõe incentivar a proposição de leis por iniciativa popular.

Na campanha de 2010, Marina Silva recorreu ao plebiscito para se livrar de questões embaraçosas, como a descriminalização do aborto. Cuidado: plebiscito não é Doril, que se toma pra qualquer dor-de-cabeça. É para decidir sobre grandes questões nacionais, e não para lavar as mãos do governante que não tem coragem de assumir suas posições.

Ricardo Amaral
No GGN
via : http://www.contextolivre.com.br/2014/09/o-pacote-reacionario-de-marina.html